# NEXO CAUSAL: texto completo dos artigos > 178 artigos de perícia e ciência forense em português do Brasil, com a fonte original de cada um. Índice: https://nexocausal.eng.br/llms.txt # Laudo de insalubridade e de periculosidade passa a ficar disponível ao trabalhador e ao sindicato, e NR-16 ganha novo anexo de motocicletas - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nr-15-e-nr-16-laudo-disponivel-ao-trabalhador-e-anexo-v-de-motocicletas/ - Fonte original: Diário Oficial da União, https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-mte-n-2.021-de-3-de-dezembro-de-2025-672988675, 04.Dez.2025 (português) - Marcadores: NR-15, NR-16, insalubridade, periculosidade, motocicleta, perícia trabalhista - Como citar: NEXO CAUSAL, "Laudo de insalubridade e de periculosidade passa a ficar disponível ao trabalhador e ao sindicato, e NR-16 ganha novo anexo de motocicletas", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nr-15-e-nr-16-laudo-disponivel-ao-trabalhador-e-anexo-v-de-motocicletas/ ## O que importa - A Portaria MTE nº 2.021, publicada no Diário Oficial da União de 4 de dezembro de 2025, incluiu na NR-15 e na NR-16 a regra de que o laudo caracterizador deve estar disponível aos trabalhadores, aos sindicatos das categorias profissionais e à inspeção do trabalho. - A mesma portaria aprovou um novo Anexo V da NR-16 para atividades com motocicleta, no lugar do anexo de 2014 anulado pela Justiça Federal, com quatro hipóteses expressas em que a atividade não é considerada perigosa. - As regras valem desde 3 de abril de 2026, data que resulta dos 120 dias contados da publicação e que aparece nas redações consolidadas das duas normas no site do Ministério do Trabalho e Emprego. O laudo que caracteriza a insalubridade ou a periculosidade numa empresa passou a ter destinatários definidos na própria norma, com a Portaria MTE nº 2.021, de 3 de dezembro de 2025, assinada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e publicada no Diário Oficial da União de 4 de dezembro de 2025, Seção 1, edição 231, página 127, que também aprovou um novo Anexo V da NR-16 para o trabalho com motocicleta. ## O que a portaria fez A portaria tem três partes: o artigo 1º aprova o Anexo V da NR-16 (Atividades Perigosas em Motocicletas), o artigo 2º insere o item 15.4.1.3 na NR-15 e o artigo 3º insere o item 16.3.1 na NR-16. O item 15.4.1.3 diz que "o laudo caracterizador da insalubridade deve estar disponível aos trabalhadores, sindicatos das categorias profissionais e à inspeção do trabalho", e o item 16.3.1 repete a regra, com as mesmas palavras, para o "laudo caracterizador da periculosidade". O artigo 4º fixou a entrada em vigor "no prazo de 120 (cento e vinte) dias após a data de sua publicação", e a conta de 120 dias a partir de 4 de dezembro de 2025 leva a 3 de abril de 2026, que é a data informada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nas redações consolidadas da NR-15 e da NR-16. ## Onde a regra nova entra na NR-15 e na NR-16 Na NR-15, o item 15.4.1.3 vem logo depois dos itens que tratam da eliminação ou da neutralização da insalubridade, entre eles o 15.4.1.1, que manda a autoridade regional fixar o adicional, "comprovada a insalubridade por laudo técnico de engenheiro de segurança do trabalho ou médico do trabalho", quando for impraticável eliminá-la ou neutralizá-la, e o 15.4.1.2, pelo qual a eliminação ou a neutralização fica caracterizada por "avaliação pericial por órgão competente". Na NR-16, o item 16.3.1 complementa o 16.3, segundo o qual é responsabilidade do empregador a caracterização ou a descaracterização da periculosidade "mediante laudo técnico elaborado por Médico do Trabalho ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, nos termos do artigo 195 da CLT". Antes da portaria, a parte geral das duas normas não tinha item sobre a quem o laudo deve ficar disponível, e a redação escolhida é parecida com a que a NR-1 usa para os documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que, pelo item 1.5.7.2.1 em vigor desde 26 de maio de 2026, "devem estar sempre disponíveis aos trabalhadores interessados, aos sindicatos representantes das categorias profissionais e à Inspeção do Trabalho". ## O que a empresa precisa fazer Pelo texto, a organização que tem laudo de insalubridade ou de periculosidade deve mantê-lo disponível a três destinatários, que são os trabalhadores, os sindicatos das categorias profissionais e a inspeção do trabalho, e os dois itens não definem forma, prazo ou meio de acesso. O item 16.3.1 já tem ementa própria de fiscalização, porque a Portaria MTE nº 1.758, de 29 de setembro de 2026, que refez as ementas da NR-16 no Anexo II da NR-28, deu a ele o código 116031-1, com gradação de infração 2, e deu ao item 4.1 do novo Anexo V o código 116032-0, com gradação 3. ## O efeito para o laudo e para a perícia trabalhista Na prática, pela letra dos itens 15.4.1.3 e 16.3.1, o trabalhador e o sindicato da categoria passam a ter na própria norma a base para acessar o laudo caracterizador da empresa, o mesmo documento que os dois itens põem à disposição da inspeção do trabalho. As regras sobre a perícia continuam as mesmas, porque a NR-15 mantém no item 15.5 a faculdade de empresas e sindicatos pedirem ao Ministério do Trabalho perícia para caracterizar e classificar a atividade insalubre e diz no item 15.7 que isso "não prejudica a ação fiscalizadora do MTb nem a realização ex-officio da perícia, quando solicitado pela Justiça, nas localidades onde não houver perito", e a NR-16 diz no item 16.4 que o disposto no 16.3, que trata do laudo do empregador, "não prejudica a ação fiscalizadora do Ministério do Trabalho nem a realização ex-officio da perícia". O item 15.6 também segue em vigor, com a regra de que "o perito descreverá no laudo a técnica e a aparelhagem utilizadas", e alguns anexos da NR-15, como o Anexo 3 (calor), têm item próprio sobre o laudo técnico de caracterização. ## O novo Anexo V e o anexo de 2014 anulado O Anexo V anterior, aprovado pela Portaria MTE nº 1.565, de 13 de outubro de 2014, depois que a Lei nº 12.997, de 18 de junho de 2014, incluiu a atividade em motocicleta no artigo 193 da CLT, foi declarado nulo por acórdão da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, transitado em julgado na ação 0018311-63.2017.4.01.3400, "a fim de que seja determinado o reinício do procedimento de regulamentação", segundo a observação que o MTE mantém na página oficial da NR-16. O novo anexo considera perigosas, no item 3.1, "as atividades laborais com utilização de motocicleta no deslocamento de trabalhador em vias abertas à circulação pública", vale para as vias terrestres do Código de Trânsito Brasileiro, inclui as motonetas na definição de motocicleta e, pelo item 2.3, não se aplica a veículos que não precisam de emplacamento nem de carteira nacional de habilitação. O item 3.2 lista quatro situações que não são perigosas: o deslocamento só no percurso entre a residência e o posto de trabalho, na ida e na volta; a condução só em locais privados, vias internas ou vias não abertas à circulação pública, "mesmo quando a motocicleta transitar de forma eventual por vias de circulação pública"; o uso só em estradas locais de acesso a propriedades lindeiras ou em caminhos entre povoações contíguas; e o uso eventual, "assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por tempo extremamente reduzido". Comparado com o texto anulado de 2014, que falava em "vias públicas", o anexo novo usa "vias abertas à circulação pública", leva para o campo de aplicação a exclusão dos veículos sem placa ou sem habilitação, amplia a exclusão dos locais privados para as vias internas e as vias não abertas ao público e acrescenta as estradas locais e os caminhos entre povoações, enquanto o trajeto casa-trabalho e o uso eventual continuam excluídos com redação parecida. ## O que o laudo de motociclista precisa responder O item 4.1 do anexo põe na organização a responsabilidade de caracterizar ou descaracterizar a periculosidade nas hipóteses dos itens 3.1 e 3.2, por laudo técnico de Médico do Trabalho ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, nos termos do artigo 195 da CLT e do item 16.3 da NR-16. Como o anexo separa a atividade perigosa das exclusões pelo tipo de via, pelo trajeto e pela eventualidade do uso, são esses os pontos que o laudo tem de enfrentar, e o texto aprovado não traz número para o "tempo extremamente reduzido" da alínea "d", enquanto o percentual de 20% da jornada que o governo definiu em 2018, depois de impasse no grupo tripartite e na Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), ficou numa minuta de portaria que não chegou a ser publicada, segundo o histórico da página da NR-16. --- # Banco com 223 rostos de câmeras de vigilância reais testa a restauração antes do reconhecimento facial - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/banco-cftv-223-rostos-reais-restauracao-antes-do-reconhecimento/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2610.36781, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, CFTV, superresolução, banco de dados biométrico, identificação de pessoas, prova digital - Como citar: NEXO CAUSAL, "Banco com 223 rostos de câmeras de vigilância reais testa a restauração antes do reconhecimento facial", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/banco-cftv-223-rostos-reais-restauracao-antes-do-reconhecimento/ ## O que importa - Pesquisadores do Instituto Indiano de Tecnologia da Informação de Allahabad depositaram no arXiv, em 27 de outubro de 2026, um banco com 223 pessoas fotografadas por câmeras de vigilância reais e com referências de alta qualidade tiradas em separado. - No teste, a acurácia de identificação subiu de 62,60% para 70,08% quando o ajuste dos modelos usou imagens degradadas por computador, mas em alguns modelos caiu bastante quando o ajuste usou só imagens reais de baixa qualidade. - Os autores concluem que o banco pode servir de referência para medir sistemas de identificação em CFTV, e que o resultado da restauração depende do modelo e da forma como ele foi treinado. Os pesquisadores Manish Das, Ajay Kumar Yadav, Shiv Ram Dubey e Satish Kumar Singh, do Laboratório de Visão Computacional e Biometria do Instituto Indiano de Tecnologia da Informação de Allahabad, depositaram no arXiv, em 27 de outubro de 2026, um banco de imagens de rostos captados por câmeras de vigilância reais, acompanhados de fotos de referência tiradas em separado, e um sistema para medir se a restauração dessas imagens melhora o reconhecimento. ## O problema que o banco quer medir Segundo os autores, as imagens de circuito fechado de TV chegam com defeitos que se somam, como baixa resolução por causa da distância entre a pessoa e a câmera, desfoque por movimento, ruído do sensor, partes do rosto cobertas e grandes variações de pose, e nunca houve um banco de referência que reunisse esses defeitos em imagens reais. Os bancos usados até agora medem a restauração em rostos de estúdio ou em imagens degradadas por computador, com desfoque gaussiano, ruído e compressão, o que deixa de fora defeitos reais que aparecem juntos numa mesma imagem. Como as duas imagens de cada par são tiradas em separado e não estão alinhadas no espaço, o banco não serve para treinar com pares perfeitos, e essa é a diferença que os autores destacam em relação aos bancos sintéticos. ## Como o banco foi montado As imagens de baixa qualidade foram captadas por uma câmera IP tipo domo de 8 megapixels, modelo EW-IP8050D, em ambientes internos sem controle de iluminação, pose ou obstáculos, enquanto as imagens de alta qualidade foram tiradas separadamente, de forma controlada. O banco tem duas versões: a versão A reúne 102 identidades, com uma imagem de alta qualidade por pessoa e 8.090 imagens de baixa qualidade, e a versão B reúne 130 identidades, com 15 a 25 imagens de alta qualidade por pessoa, somando 2.612, e 7.572 imagens de baixa qualidade. As duas versões têm nove identidades em comum, e depois de retirar as repetições o conjunto final fica com 223 identidades. Para os testes, os autores separaram as identidades, de modo que o conjunto de teste tem 130 pessoas, com 1.581 imagens de baixa qualidade e 528 de alta qualidade, e o restante forma o conjunto de treino, com 14.081 imagens de baixa qualidade e 2.186 de alta qualidade, ampliadas com transformações padrão. ## Os modelos de restauração e a identificação O sistema tem três etapas: a detecção e o alinhamento do rosto com o detector MTCNN, a restauração da imagem de baixa qualidade com um de quatro modelos (CodeFormer, RestoreFormer++, PiSA-SR e TSD-SR) e a extração de um vetor de 512 números com a rede Inception-ResNet-v1, treinada com o conjunto VGGFace2. Os vetores são normalizados, e a identificação escolhe, para cada rosto restaurado, a referência de alta qualidade mais próxima, de modo que a acurácia é a proporção de acertos no primeiro lugar da lista, medida como top-1. O texto da metodologia descreve a comparação pela distância euclidiana entre os vetores, mas a seção do sistema em tempo real diz que a comparação usa produto escalar, e o artigo não informa se essa diferença muda os resultados. Na comparação dos modelos, os autores testaram três configurações: os modelos como foram publicados, sem ajuste; o ajuste com imagens de alta qualidade degradadas artificialmente; e o ajuste direto com as imagens reais de baixa qualidade. ## O que o detector de rosto perde Antes da restauração, o detector MTCNN falha em parte das imagens, e a figura 7 do artigo mostra quadros em que ele não encontra o rosto e outros em que marca mãos e pés como se fossem rostos. Os autores atribuem essas falhas à baixa resolução, à mudança de iluminação, ao desfoque, às oclusões e às poses variadas, e isso quer dizer que um erro de detecção já chega ao reconhecimento antes de qualquer restauração. ## Os resultados Sem nenhuma restauração, a acurácia de identificação no banco foi de 62,60%, e essa é a linha de base do estudo. Com os modelos publicados, sem ajuste, o PiSA-SR chegou a 64,77% e o TSD-SR a 64,45%, ganhos pequenos, enquanto o CodeFormer ficou em 57,69%, abaixo da linha de base, e o RestoreFormer++ em 59,46%. Com o ajuste feito só em imagens reais de baixa qualidade, o resultado caiu para 3,23% no PiSA-SR e para 33,33% no TSD-SR, subiu para 40,20% no CodeFormer e chegou a 62,75% no RestoreFormer++, quase no nível da linha de base. O melhor resultado veio do ajuste com degradação sintética: o TSD-SR chegou a 70,08%, o PiSA-SR a 67,81%, o RestoreFormer++ a 67,49% e o CodeFormer a 59,20%. Os autores explicam a diferença dizendo que as imagens reais são captadas de forma independente, sem alinhamento espacial e com várias degradações ao mesmo tempo, o que as imagens sintéticas não reproduzem. ## Uso em tempo real Em testes com uma placa NVIDIA GeForce RTX 3090, o sistema processou cerca de 25 quadros por segundo (FPS) em fluxos de CFTV ao vivo, com a restauração feita antes da identificação e com caixas e rótulos desenhados sobre o rosto. Os autores mostram exemplos em que a restauração corrigiu uma identificação errada, como a imagem que passou da identidade 32 para a identidade 108, com distância caindo de 0,9332 para 0,7562, e também casos em que o rosto restaurado continuou errado. ## Limites apontados pelos autores O principal limite, segundo o próprio artigo, é que o ajuste com imagens reais não melhorou o reconhecimento na maioria das configurações, e os autores tratam isso como um desafio aberto para trabalhos futuros. Outro limite é a abrangência do banco, que reúne apenas imagens de ambientes internos captadas por um único modelo de câmera, sem dados de outros locais, de outras câmeras ou de outras condições de luz. O artigo também não traz taxas de falso positivo nem o comportamento dos modelos com limiares de decisão diferentes, porque a medida principal é a acurácia no primeiro lugar, e não o erro em cada limiar. ## O que muda na prática da perícia Para quem examina uma identificação feita a partir de câmera de segurança, o artigo mostra que a qualidade da imagem questionada muda o resultado, e que um método de restauração pode melhorar uma identificação ou piorá-la, conforme o modelo e o treino usados. O banco oferece a quem avalia um sistema um material parecido com o do caso real, com imagens da própria câmera e referências separadas, o que permite medir o desempenho com a degradação que o sistema vai encontrar, e não com imagens de estúdio. Ao usar um método desse tipo, o laudo deve informar qual modelo foi usado, em qual configuração de treino, com quais imagens de referência e com qual medida de distância, porque o artigo mostra que essas escolhas alteram a acurácia de forma grande. A imagem restaurada deve ser tratada como hipótese de comparação e não como prova da identidade, já que o próprio artigo mostra erros de identificação mesmo depois da restauração. --- # Arco elétrico na nova NR-10: proteção coletiva, estudo de energia incidente e as tabelas de EPI do Anexo IV - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nova-nr-10-arco-eletrico-energia-incidente-epi-anexo-iv/ - Fonte original: Ministério do Trabalho e Emprego, https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/seguranca-e-saude-no-trabalho/sst-portarias/2026-1/portaria-mte-no-737-nova-nr-10.pdf, 01.Jun.2026 (português) - Marcadores: NR-10, arco elétrico, energia incidente, NFPA 70E, EPI, Anexo IV - Como citar: NEXO CAUSAL, "Arco elétrico na nova NR-10: proteção coletiva, estudo de energia incidente e as tabelas de EPI do Anexo IV", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nova-nr-10-arco-eletrico-energia-incidente-epi-anexo-iv/ ## O que importa - A nova NR-10, aprovada pela Portaria MTE nº 737/2026, trata o arco elétrico ao lado do choque, com proteção coletiva própria no item 10.6.5 e estudo de energia incidente no projeto quando aplicável. - O EPI contra arco passa a ser escolhido pelos quadros do Anexo IV, adaptados da NFPA 70E de 2024, que só valem dentro das condições de equipamento, corrente de falha, tempo de eliminação e distância de trabalho de cada linha. - Fora dessas condições, ou para usar categoria menor que a da tabela, a organização é obrigada a fazer o estudo de energia incidente a partir de 1º de junho de 2027. A nova redação da NR-10, aprovada pela Portaria MTE nº 737, de 29 de maio de 2026, publicada no Diário Oficial da União de 1º de junho de 2026 e em vigor a partir de 1º de junho de 2027, dá ao arco elétrico requisitos próprios no campo de aplicação, no gerenciamento de risco, no projeto, na proteção coletiva, na sinalização, na desenergização e na proteção individual, além de um anexo novo, o Anexo IV, com a especificação mínima de EPI para proteção contra os efeitos do arco. ## O que a norma de 2004 dizia Na redação que vale até 31 de maio de 2027, o arco aparece no programa do curso básico do Anexo III, no tópico "arcos elétricos; queimaduras e quedas", e de forma indireta no item 10.2.9.2, que manda as vestimentas de trabalho contemplarem "a condutibilidade, inflamabilidade e influências eletromagnéticas", sem critério de seleção de EPI nem exigência de cálculo. Ao anunciar a aprovação do texto novo, em dezembro de 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apresentou como um dos avanços da revisão "a inclusão explícita do gerenciamento de riscos do arco elétrico em paridade com o choque elétrico". ## As definições do glossário O Anexo I define a energia incidente como a parte da energia liberada pelo arco "que incide sobre determinado ponto de interesse, geralmente o trabalhador", estimada por cálculos com metodologia adequada a cada cenário elétrico. A distância segura contra os efeitos do arco elétrico, que o glossário dá como sinônimo de distância limite de aproximação ao arco elétrico, é aquela em que existe a chance de ocorrer energia incidente de 5J/cm² (1,2cal/cm²), nível que, segundo o próprio texto, pode causar queimadura de segundo grau no trabalhador, e deve ser definida por estudo de energia incidente. ## Campo de aplicação e gerenciamento de risco O item 10.2.3 aplica a norma às situações de exposição ao risco de arco elétrico "ainda que não caracterizada a entrada na zona controlada", e o 10.3.1 manda considerar, na identificação de perigos e avaliação de riscos, as características das exposições ao choque e ao arco elétrico e a necessidade de medidas de prevenção e controle para os dois. ## Projeto e proteção coletiva O projeto deve considerar, "quando aplicável", o estudo de energia incidente para definir as medidas de proteção contra os efeitos térmicos do arco (10.4.12), e o item 10.6.5 manda a organização adotar, conforme definido em projeto, uma ou mais proteções coletivas contra arcos: operação a distância segura definida pelo estudo de energia incidente, painéis resistentes a arco, dispositivos de abertura sob carga, chave de aterramento resistente ao curto-circuito presumido, intertravamento, fechaduras com chave não intercambiáveis, dispositivos limitadores de corrente, tempos de interrupção muito curtos ou outros meios previstos em projeto. Os painéis e quadros elétricos devem ter a porta mantida permanentemente fechada, salvo em manutenção, pesquisa de defeitos e outras intervenções, e sinalização do nível de tensão, de advertência quanto ao perigo de choque e arco elétrico e de restrição de acesso a pessoas não autorizadas (10.7.7.1). Na sequência de desenergização do item 10.13.1, a alínea "e" passou a incluir, ao lado da proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada, a "proteção dos trabalhadores para os efeitos do arco elétrico". ## A seleção do EPI pelo Anexo IV O item 10.11.2 manda selecionar o EPI de proteção contra os efeitos do arco elétrico pelos quadros do Anexo IV, observada a NR-6, e o anexo informa que esses quadros foram adaptados das tabelas 130.7(C)(15)(a), 130.7(C)(15)(b) e 130.7(C)(15)(c) da NFPA 70E, edição de 2024, da National Fire Protection Association. O quadro de corrente alternada dá a categoria de EPI por tipo de equipamento, cada linha com corrente de falha máxima disponível, tempo máximo de eliminação da falha e distância mínima de trabalho, e vai, por exemplo, da categoria 1 para painéis de 240V ou menos, com até 25kA, 0,03s (2 ciclos) e 455mm, à categoria 4 para aparelhagem de manobra revestida de metal de 1kV a 15kV, com até 35kA, 0,24s (15 ciclos) e 910mm. Os equipamentos resistentes ao arco elétrico, com portas fechadas e travadas e dentro da sua classificação de resistência, aparecem como "N/A (Não aplicável)", e, para portas abertas, o quadro manda consultar a linha correspondente dos equipamentos não resistentes ao arco. Uma nota do mesmo quadro permite reduzir a categoria em um número, mas não abaixo da categoria 1, em equipamentos de 600V ou menos protegidos por fusíveis ou disjuntores termomagnéticos limitadores de corrente dimensionados para 200A ou menos. O quadro de corrente contínua cobre baterias de armazenamento, quadros e outras fontes acima de 150V e até 600V, com duração máxima do arco de 2 segundos e distância mínima de trabalho de 455mm, e a categoria vai de 2, para corrente de curto-circuito disponível abaixo de 3kA, a 4, para corrente de 7kA até menos de 10kA, com uma nota que recomenda considerar proteção adicional de EPI quando a atividade ocorre dentro de invólucro. A última tabela fixa a vestimenta mínima de cada categoria pelo valor de ATPV ou EBT, com 4cal/cm² (16,74J/cm²) na categoria 1, 8cal/cm² (33,47J/cm²) na 2, 25cal/cm² (104,6J/cm²) na 3 e 40cal/cm² (167,36J/cm²) na 4, e completa cada categoria com os equipamentos de proteção adicional, como capacete, óculos, protetor auricular, luvas e calçado de couro. ## Onde a tabela deixa de valer O item 10.11.2.1 diz que a especificação de EPI do Anexo IV "somente é válida para as condições nele estabelecidas, consideradas de forma conjunta", que são o equipamento específico, a máxima corrente de falha, o máximo tempo de eliminação de falha e a distância mínima de trabalho. O 10.11.2.2 completa que qualquer equipamento diferente, corrente de falha superior, tempo de eliminação de falha superior ou distância de trabalho menor "impede a aplicação do Anexo IV". Nesses casos, e também quando a organização quiser especificar EPI de categoria menor que a prevista no anexo, o item 10.11.2.3 obriga a fazer o estudo de energia incidente pelo método da alínea "a" do 10.6.5, que é o de norma técnica nacional ou, na falta dela, de norma internacional vigente. O 10.11.2.4 dispensa do EPI contra arco quem faz atividades não relacionadas à eletricidade e não está exposto a situações que possam resultar em arco elétrico, "conforme indicado na análise de risco". ## O que isso muda na perícia Em acidente com queimadura por arco ocorrido a partir de 1º de junho de 2027, a escolha do EPI pode ser conferida contra o próprio texto da norma, e os dados que essa conferência exige são os do item 10.11.2.1, isto é, o tipo de equipamento, a corrente de falha disponível no ponto, o tempo de eliminação da falha pela proteção e a distância de trabalho. Se algum desses dados ficar fora da linha da tabela usada, a norma exige o estudo de energia incidente (10.11.2.3), que também é a base da distância segura do 10.6.5, de modo que a existência do estudo, o método adotado e os parâmetros de proteção considerados nele passam a ser documentos a pedir nos autos, ao lado da análise de risco que tenha dispensado o EPI contra arco de algum trabalhador. --- # NR-35 passa a exigir treinamento presencial e muda as regras das escadas fixas verticais - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nr-35-treinamento-presencial-escadas-fixas-verticais/ - Fonte original: Diário Oficial da União, https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-mte-n-1.259-de-15-de-julho-de-2026-719529365, 16.Jul.2026 (português) - Marcadores: NR-35, trabalho em altura, treinamento presencial, escada fixa vertical, análise de risco, Brasil - Como citar: NEXO CAUSAL, "NR-35 passa a exigir treinamento presencial e muda as regras das escadas fixas verticais", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nr-35-treinamento-presencial-escadas-fixas-verticais/ ## O que importa - A Portaria MTE nº 1.259, de 15 de julho de 2026, publicada no Diário Oficial da União de 16 de julho de 2026 e em vigor desde a publicação, incluiu na NR-35 o item 35.4.5, que manda realizar na modalidade presencial todos os treinamentos previstos na norma. - A mesma portaria reescreveu os itens do Anexo III sobre escadas fixas verticais usadas só como meio de acesso, que passam a depender de análise de risco específica sobre a necessidade de SPIQ, com prazos escalonados pelo número de escadas. - As organizações têm 1 ano para refazer na modalidade presencial o treinamento inicial ou completar a carga horária quando parte dele já foi presencial. A Norma Regulamentadora nº 35 (NR-35), que trata do trabalho em altura, deixou de admitir treinamento a distância e passou a tratar de outro jeito as escadas fixas verticais usadas só como meio de acesso, com a Portaria MTE nº 1.259, de 15 de julho de 2026, assinada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e publicada no Diário Oficial da União de 16 de julho de 2026, Seção 1, edição 132, página 114. ## O ato, as datas e as divergências A portaria saiu do Processo nº 19966.101100/2021-13, o mesmo da Portaria nº 1.680, de 2 de outubro de 2025, que criou o Anexo III (Escadas de Uso Individual) da NR-35, e o artigo 9º diz que ela "entra em vigor na data de sua publicação", ou seja, em 16 de julho de 2026. As mudanças foram aprovadas na 28ª reunião da Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), segundo notícia do Ministério do Trabalho e Emprego de 26 de março de 2026. Duas fontes oficiais trazem datas diferentes do Diário Oficial, e vale o que foi publicado nele: a página da NR-35 no portal do ministério, atualizada em 24 de julho de 2026, cita a "Portaria MTE nº 1.259, de 15 de junho de 2026", e a ementa do PDF da portaria divulgado pelo ministério chama a Portaria nº 1.680 de "2 de outubro de 2026", quando o Diário Oficial traz 15 de julho de 2026 e 2 de outubro de 2025. ## O que era e o que passa a ser no treinamento Até a portaria, a NR-35 dizia como devia ser a capacitação, mas não dizia em que modalidade, e por isso valia a regra geral da NR-01, cujo item 1.7.9 permite treinamento "na modalidade de ensino a distância ou semipresencial" desde que atendido o Anexo II daquela norma, e cujo item 1.7.9.1 só admite o conteúdo prático a distância quando a NR específica prevê. A capacitação continua definida no item 35.4.2 como treinamento "teórico e prático, inicial, periódico e eventual", com o inicial de no mínimo 8 horas (35.4.2.1), o periódico a cada dois anos, também de 8 horas (35.4.2.2), e instrutores sob responsabilidade de profissional qualificado ou legalmente habilitado em segurança no trabalho (35.4.3). O novo item 35.4.5 diz que "os treinamentos previstos nesta NR devem ser realizados na modalidade presencial", e a redação não separa inicial, periódico e eventual. ## Prazo para quem já treinou a distância O artigo 8º concede "o prazo de 1 (um) ano para as organizações refazerem o treinamento inicial da NR-35 na modalidade presencial ou complementarem a sua carga horária, caso uma parte do treinamento inicial já tenha sido realizada na modalidade presencial". A portaria não diz de quando se conta esse ano, e, contado da publicação, que é também a data de vigência, ele vai de 16 de julho de 2026 a 16 de julho de 2027. ## Escadas fixas verticais usadas só como acesso Na redação original do Anexo III, de 2025, os itens 5.2.1.1.1 e 5.2.1.1.2 tratavam só das escadas já instaladas ou com projeto em execução, mandavam a análise de risco "avaliar a compatibilidade da instalação do SPIQ" (sistema de proteção individual contra quedas) e permitiam dispensar o sistema de proteção contra quedas da alínea "f" do item 5.2.1.1 quando a incompatibilidade fosse comprovada e atestada por profissional qualificado ou legalmente habilitado em segurança do trabalho. Pela nova redação do 5.2.1.1.1, toda escada fixa vertical "utilizada exclusivamente como meio de acesso" passa por "análise de risco específica para avaliar a necessidade da adoção de SPIQ considerando a finalidade da escada, a frequência de uso e suas características construtivas", e, quando essa análise indicar o SPIQ, a seleção, a inspeção, a forma e as limitações de uso ficam a cargo de profissional qualificado ou legalmente habilitado em segurança do trabalho (5.2.1.1.2). Os novos subitens 5.2.1.1.3 e 5.2.1.1.4 permitem que uma única análise cubra "um grupo de escadas por unidade operacional, setor ou atividade", desde que tenham características e condições de uso parecidas, e que a análise conste do próprio procedimento operacional. O uso rotineiro da escada só como acesso segue o procedimento operacional do item 35.5.6.1 (5.2.1.3), que tem de conter, entre outros pontos, o detalhamento da tarefa e as condições impeditivas, e o novo 5.2.1.4 manda verificar periodicamente as condições de segurança das escadas fixas verticais, com critérios do procedimento operacional que considerem as condições estruturais, a frequência e a criticidade de uso e o modelo construtivo. O item 4.1.1 do anexo também mudou, porque a análise de risco que antecede o uso da escada passa a seguir os itens 35.5.2, 35.5.5 e 35.5.6 da NR-35, quando antes citava só os dois primeiros, e o texto agora fala no uso "como meio de acesso e como posto de trabalho", onde antes dizia "ou". ## Escadas já instaladas e projetos em andamento O artigo 6º reescreveu o artigo 2º da Portaria nº 1.680/2025, que passa a dizer que os subitens 4.1.2 e 4.1.2.1 (hierarquia dos meios de acesso), 5.2.1.2, 5.2.1.2.1 e 5.2.1.2.2 (plataformas de descanso) e as alíneas "a" a "e" e "g" do 5.2.1.1 (materiais, dimensões, afastamento e projeto) não se aplicam às escadas fixas verticais já instaladas nem aos projetos que, na entrada em vigor daquela portaria, estivessem "aprovados, contratados ou em execução". A versão anterior desse artigo isentava só os subitens 4.1.2, 4.1.2.1, 5.2.1.2 e 5.2.1.2.1 e só os projetos "em fase de execução", e o parágrafo único passa a exigir que a organização guarde, à disposição da Inspeção do Trabalho, documentos que provem as datas de aprovação, contratação ou execução do projeto. A alínea "f" do 5.2.1.1, que exige sistema de proteção contra quedas conforme o item 35.6, ficou fora da lista de isenções e ganhou, junto com os subitens 5.2.1.1.1 a 5.2.1.1.4, os prazos do artigo 7º, em que a organização considera "o total de escadas fixas por unidade operacional, setor ou atividade": no 1º ano, a implementação de até 500 escadas, no 2º ano, de 501 a 1.000, e no 3º ano, a partir de 1.001, sem que a portaria diga de que data se contam esses anos. ## O que isso muda na perícia e no laudo Em acidente de queda ocorrido a partir de 16 de julho de 2026, o item 35.4.5 já está em vigor, e a prova de capacitação passa a envolver a modalidade do treinamento, além da carga horária, do conteúdo do item 35.4.2.1, do instrutor e do profissional responsável do item 35.4.3, e a data do treinamento precisa ser cruzada com o prazo de 1 ano do artigo 8º. A autorização do trabalhador continua tendo de constar dos documentos funcionais (35.4.1.3), com sistema de identificação que mostre "a qualquer tempo" a abrangência da autorização de cada um (35.4.1.3.1). Em queda de escada fixa vertical, os documentos que decorrem do texto novo são a análise de risco específica (isolada, por grupo ou dentro do procedimento operacional), o procedimento operacional do item 35.5.6.1, os critérios e a execução da verificação periódica do 5.2.1.4 e, para escadas antigas, a documentação das datas de aprovação, contratação ou execução do projeto, que define se as alíneas de dimensão e projeto se aplicam àquela escada. --- # Nova NR-10 torna o DR de alta sensibilidade proteção coletiva obrigatória em áreas molhadas e tomadas externas - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nova-nr-10-dr-de-alta-sensibilidade-obrigatorio-areas-molhadas/ - Fonte original: Diário Oficial da União, https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-mte-n-737-de-29-de-maio-de-2026-709524662, 01.Jun.2026 (português) - Marcadores: NR-10, DR, dispositivo diferencial-residual, choque elétrico, proteção coletiva, áreas molhadas - Como citar: NEXO CAUSAL, "Nova NR-10 torna o DR de alta sensibilidade proteção coletiva obrigatória em áreas molhadas e tomadas externas", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nova-nr-10-dr-de-alta-sensibilidade-obrigatorio-areas-molhadas/ ## O que importa - O item 10.6.4 da nova NR-10, aprovada pela Portaria MTE nº 737/2026, obriga o uso do dispositivo diferencial-residual de alta sensibilidade, ou de outra tecnologia, como proteção adicional contra choque elétrico em cinco situações. - A exigência vale a partir de 1º de junho de 2027, e a alínea das áreas molhadas de edificações não residenciais só alcança as instalações já existentes um ano depois. - A dispensa só cabe nos casos do item 10.6.4.1, e a inviabilidade técnica tem de estar registrada no memorial descritivo do projeto. A nova redação da NR-10, aprovada pela Portaria MTE nº 737, de 29 de maio de 2026, e publicada no Diário Oficial da União de 1º de junho de 2026, passa a exigir dentro da própria norma o dispositivo diferencial-residual (DDR) de alta sensibilidade, conhecido como DR, como "proteção coletiva adicional obrigatória contra choque elétrico" em circuitos de locais com banheira ou chuveiro, de tomadas externas e de áreas molhadas. ## Como a proteção contra choque fica organizada O item 10.6.1 manda a organização impedir o acesso às partes vivas perigosas e garantir que massas e partes condutivas acessíveis não ofereçam perigo, nem em condição normal nem em caso de falha que as torne "acidentalmente vivas", e o 10.6.1.1 exige que isso seja feito pela aplicação conjunta de proteção básica e de proteção supletiva, por meios independentes ou por uma medida que garanta as duas ao mesmo tempo. A proteção básica, contra contato direto, se faz por isolação das partes vivas, barreiras ou invólucros e limitação da tensão (10.6.2), e a proteção supletiva, contra contato indireto, por seccionamento automático da alimentação, infraestrutura de aterramento, equipotencialização, isolação suplementar e separação elétrica (10.6.3). O DR entra numa terceira camada, a proteção adicional, que o glossário do Anexo I define como o meio destinado a garantir a proteção contra choques elétricos "em situações de maior risco de perda ou anulação das medidas normalmente aplicáveis", de dificuldade em atender plenamente às condições de segurança de determinada medida ou em locais em que os perigos do choque "são particularmente graves". ## As cinco situações do item 10.6.4 O item 10.6.4 diz que a organização, "conforme definido em projeto", deve usar o DDR de alta sensibilidade "ou outra tecnologia" nas situações "previstas em normas técnicas oficiais", e lista cinco casos nas alíneas "a" a "e". A alínea "a" alcança os circuitos que servem a pontos de utilização em locais com banheira ou chuveiro, e a alínea "b" os circuitos que alimentam tomadas de corrente situadas em áreas externas à edificação. A alínea "c" trata dos circuitos de tomadas de corrente em áreas internas "que possam vir a alimentar equipamentos no exterior até 32 amperes (32 A)". A alínea "d" vale para locais de habitação e exige o DR nos circuitos que servem a pontos de utilização em cozinhas, copas-cozinhas, lavanderias, áreas de serviço, garagens e demais dependências internas "molhadas em uso normal ou sujeitas a lavagens". A alínea "e" repete os mesmos ambientes para as edificações não residenciais, com uma diferença de redação, porque ali a exigência recai sobre os circuitos que servem a "pontos de tomada", e não sobre todos os pontos de utilização, como na alínea "d". ## Quando o DR pode ser dispensado O item 10.6.4.1 afasta a exigência em circuitos ou setores em que a continuidade da alimentação for indispensável à segurança das pessoas, à preservação de vidas ou em caso de segurança sanitária, e também na inviabilidade técnica "registrada em projeto nos termos da alínea 'f' do item 10.4.9". Essa alínea do 10.4.9 é a que manda o memorial descritivo do projeto conter a "descrição da compatibilidade dos dispositivos de proteção com a instalação elétrica", de modo que a dispensa por inviabilidade técnica depende de registro no memorial descritivo de um projeto que o item 10.4.8 põe sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado (PLH). ## Prazos de vigência Como a portaria entra em vigor um ano após a publicação, o item 10.6.4 vale a partir de 1º de junho de 2027, com a ressalva do artigo 3º, segundo o qual a alínea "e" entra em vigor "1 (um) ano após a vigência desta Portaria em relação às instalações elétricas existentes nessa data". Pela contagem do próprio artigo, nas edificações não residenciais cujas instalações já existirem em 1º de junho de 2027 a exigência de DR nos pontos de tomada de cozinhas, lavanderias, garagens e áreas molhadas só passa a valer em 1º de junho de 2028, enquanto as alíneas "a" a "d" não têm prazo extra. ## O que dizia a norma de 2004 A redação que vale até 31 de maio de 2027 não exige o DR no corpo do texto, que cita o sistema de seccionamento automático de alimentação entre as medidas de proteção coletiva (10.2.8.2.1), e o assunto só aparece no programa mínimo do curso básico do Anexo III, como "dispositivos a corrente de fuga". Na redação de 2026, o "dispositivo diferencial-residual de alta sensibilidade" também consta do conteúdo teórico do treinamento inicial básico, na lista das medidas de proteção coletiva do Anexo III, e o mesmo anexo cita a ABNT NBR 5410 como norma técnica de baixa tensão a ser ensinada. ## Manutenção e inspeção O item 10.12.7 manda manter os sistemas de proteção das instalações elétricas "em condições seguras de funcionamento, inspecionados, testados e controlados periodicamente", de acordo com as regulamentações existentes e as parametrizações definidas em projeto, e o 10.7.11 exige que a organização inspecione as instalações e mantenha relatório com as medidas de prevenção a adotar, o plano de ação e o cronograma de adequação. ## O que isso muda na perícia A partir de 1º de junho de 2027, num caso de choque elétrico em circuito enquadrado nas alíneas "a" a "d", ou na alínea "e" em instalação feita depois dessa data, a ausência de DR passa a ser confrontada com um item da própria NR-10, e os documentos que a norma manda existir para essa verificação são o projeto com a proteção especificada, o memorial descritivo com a eventual justificativa de inviabilidade técnica e os registros de inspeção e teste dos sistemas de proteção. Para fatos anteriores a essa data, a análise segue a redação de 2019, que não traz o requisito no corpo do texto, e, na alínea "e", o perito precisa apurar também se a instalação já existia em 1º de junho de 2027, porque disso depende a data em que a exigência passou a valer para ela. --- # Operário quase fica coberto por polpa de papel quente em fábrica de Longview, Washington - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/operario-quase-engolido-por-polpa-quente-longview-washington/ - Fonte original: Washington State Department of Labor & Industries (L&I), https://content.govdelivery.com/accounts/WADLI/bulletins/430d02f, 29.Out.2026 (inglês) - Marcadores: acidente de trabalho, fábrica de papel, engolfamento, polpa quente, Washington, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Operário quase fica coberto por polpa de papel quente em fábrica de Longview, Washington", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/operario-quase-engolido-por-polpa-quente-longview-washington/ ## O que importa - Um operário da Nippon Dynawave, em Longview (Washington, Estados Unidos), quase foi engolido por polpa de papel a 145°F (63°C) ao cair num sumidouro que o próprio material havia aberto no chão. - O Departamento de Trabalho e Indústrias de Washington aplicou multa de US$ 77.800 e citou os riscos de calor extremo e de engolfamento. - Segundo o órgão, a gerência sabia que trabalhadores entravam na polpa para operar válvulas, e a empresa pretende recorrer da multa. Um operário da fábrica da Nippon Dynawave em Longview, no estado de Washington (Estados Unidos), quase ficou coberto por polpa de papel quente depois de cair num sumidouro que o próprio material havia aberto no chão, e o Departamento de Trabalho e Indústrias do estado (L&I) aplicou à empresa multa de US$ 77.800 pelos riscos encontrados. ## O que os inspetores apuraram Segundo a L&I, uma válvula de drenagem de um tanque ficou aberta sem querer e fez a polpa, a cerca de 145°F (63°C), se espalhar pelo chão por cerca de duas horas, num processo em que normalmente saem dos tanques cerca de 3.400gal/min (12.870L/min) de polpa rumo ao prédio da máquina de papel. Para fechar a válvula, o trabalhador atravessou a polpa, que tinha cerca de 3ft (0,91m) de profundidade, subiu em tubulações e, ao tentar descer de volta ao chão, caiu num sumidouro de 4ft (1,22m) escondido sob o material. Os inspetores disseram que, se ele não tivesse conseguido se agarrar a um cano, ficaria completamente coberto por mais de 7ft (2,13m) de polpa. Ele conseguiu apoiar o pé na borda do buraco e sair, e contou aos inspetores que, em certo momento, achou que não ia conseguir voltar. ## O risco de engolfamento Além da exposição ao calor, a L&I enquadrou a empresa no risco de engolfamento, que é o perigo de o trabalhador ser engolido ou dominado pelo material. Os inspetores anotaram que a gerência sabia que funcionários entravam na polpa para abrir e fechar válvulas de tanque, e que derramamentos como esse aconteciam a cada dois meses, às vezes com mais frequência. ## A multa e as normas citadas A L&I citou a empresa por não proteger os trabalhadores da exposição ao material extremamente quente e do risco de engolfamento. Também foi citada por não incluir o sistema de polpa da máquina de papel num programa de segurança para tubulações com materiais perigosos, como a regra exige. Segundo Cari Anderson, da Divisão de Segurança e Saúde Ocupacional da L&I, "o problema não foi o transbordamento, e sim a decisão da gerência de mandar pessoas para dentro da polpa". ## Medidas da empresa e recurso Depois do caso, a empresa concordou em orientar os funcionários a não entrar em áreas com derramamento de polpa e em criar um procedimento e controles de engenharia para fechar as válvulas sem expor ninguém. A empresa tem 15 dias, contados da emissão da notificação, para recorrer, e a KUOW informou que ela pretende recorrer da multa. Em nota enviada por e-mail à KUOW, um porta-voz que não teve o nome divulgado disse que a empresa fez uma investigação interna completa, tomou medidas corretivas e que ninguém ficou ferido. ## Contexto na mesma fábrica A L&I informa que essa apuração é a segunda de duas inspeções já abertas quando um tanque de licor branco da fábrica se rompeu em 26 de maio de 2026, e que as duas não têm relação com a ruptura fatal. Segundo a KUOW, aquele rompimento matou 11 trabalhadores, feriu outros oito e foi o pior acidente industrial do estado em quase um século. A mesma reportagem diz que o U.S. Chemical Safety Board, agência federal dos Estados Unidos, concluiu em caráter preliminar, em agosto, que a empresa ignorou alertas de que o tanque de 1.200.000gal (4.542.494L) não estava em condições de uso por quase um ano antes de implodir. Pela lei, a L&I tem até 180 dias, contados da abertura do processo, para emitir as conclusões sobre a ruptura de 26 de maio, investigação que segue em andamento. Segundo a KUOW, o órgão ampliou as investigações e passou a apurar o uso e o armazenamento de produtos químicos em 10 fábricas de polpa do estado. --- # Ataque hacker a banco francês e rastreamento de US$ 133 milhões em criptomoedas - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ataque-credit-mutuel-arkea-133-milhoes-cripto/ - Fonte original: Bitcoin.com News, https://news.bitcoin.com/security/credit-mutuel-arkea-cyberattack-133m-traced-crypto-exchanges/, 04.Nov.2026 (inglês) - Marcadores: Crédit Mutuel Arkéa, ataque hacker, criptomoedas, rastreamento em blockchain, lavagem de dinheiro - Como citar: NEXO CAUSAL, "Ataque hacker a banco francês e rastreamento de US$ 133 milhões em criptomoedas", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ataque-credit-mutuel-arkea-133-milhoes-cripto/ ## O que importa - O banco cooperativo francês Crédit Mutuel Arkéa confirmou, em comunicado de 4 de novembro de 2026, um ataque cibernético que permitiu transações fraudulentas, e o valor levantado pelo rastreamento em blockchain chega a US$ 133 milhões. - O banco ainda não divulgou a perda exata, e a origem do golpe segue sem confirmação oficial. O banco cooperativo francês Crédit Mutuel Arkéa confirmou um ataque cibernético que permitiu transações fraudulentas, e um investigador de blockchain estima que mais de US$ 133 milhões em criptomoedas tenham saído de contas em corretoras depois dessa invasão. ## Como o caso veio à tona O caso começou em 2 de novembro de 2026, quando o investigador conhecido como ZachXBT, que faz rastreamento de fraudes com criptomoedas, identificou mais de US$ 106 milhões retirados de contas em corretoras centralizadas por uma entidade europeia que não foi identificada no primeiro momento. Depois, ele rastreou cerca de US$ 27 milhões em saques adicionais e elevou o total para mais de US$ 133 milhões, e as reportagens passaram a ligar o caso ao Crédit Mutuel Arkéa, que confirmou o ataque em comunicado. ## O que o banco disse Em comunicado de 4 de novembro, o banco afirmou ter sido alvo de um ataque cibernético que permitiu a realização de transações fraudulentas, e disse que o incidente foi resolvido e está sob controle. O grupo não divulgou a perda exata, afirmou que os depositantes não arcarão com as consequências e alertou para possíveis tentativas de phishing depois do episódio. Segundo a reportagem que cita o comunicado, o banco disse ainda que os valores envolvidos não seriam capazes de abalar a solidez financeira do grupo, que atende mais de 5,8 milhões de clientes e associados. ## O rastro no blockchain A empresa de análise Bitquery identificou cerca de US$ 108,8 milhões em USDC retirados das contas nas corretoras Kraken, Crypto.com e OKX, com 178 transações enviadas a 15 carteiras em cerca de 21 horas. A própria Bitquery observou que os números dela e os de ZachXBT medem escopos diferentes de rastreamento, por isso os dois valores não devem ser somados. Na noite de 1 para 2 de novembro, parte do dinheiro foi convertida em cerca de US$ 63 milhões em stablecoins trocados por 27.553 ETH, com passagem pelo protocolo UniswapX. Depois disso, os fundos passaram por serviços de troca instantânea e pela moeda de privacidade Monero (XMR), o que dificulta identificar os destinatários finais. ## A origem ainda não está confirmada Um jornalista francês citado pela mesma reportagem relatou que o golpe teria começado pelo Fortuneo, banco online ligado ao Arkéa, e não por uma invasão a uma corretora de criptomoedas. Segundo essa versão, transferências não autorizadas em moeda tradicional foram enviadas para contas abertas em corretoras com identidades falsas, e só depois o dinheiro foi convertido em ativos digitais e retirado. O banco não detalhou como os criminosos chegaram à sua infraestrutura, e a reportagem registra que esse método segue sem confirmação. ## O que a perícia digital precisa responder ZachXBT criticou a demora na divulgação e afirmou que mais de US$ 30 milhões, que poderiam ter sido congelados, já tinham saído do alcance dos canais comuns de recuperação. Para a perícia digital, o caso reúne três perguntas: como o acesso à infraestrutura bancária foi obtido, quais contas de corretoras receberam o dinheiro e em que momento os valores ainda poderiam ser bloqueados. O caso também mostra, segundo a análise publicada, que uma fraude bancária convencional pode virar lavagem de criptomoedas sem nenhuma invasão à infraestrutura das redes de blockchain. Enquanto o banco não publicar o valor exato e o método de acesso, o número de US$ 133 milhões deve ser tratado como estimativa do investigador, e não como perda confirmada. --- # Distrigaz e empresa instaladora vão a julgamento por explosão de gás em prédio de Bucareste que matou quatro - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-rahova-bucarest-gas-em-predio/ - Fonte original: Digi24, https://www.digi24.ro/stiri/actualitate/justitie/patru-angajati-si-doua-companii-inclusiv-distrigaz-au-fost-trimisi-in-judecata-in-dosarul-exploziei-din-rahova-4021729, 04.Nov.2026 (romeno) - Marcadores: explosão de gás, Bucareste, Distrigaz, tubulação de polietileno, perícia de explosão - Como citar: NEXO CAUSAL, "Distrigaz e empresa instaladora vão a julgamento por explosão de gás em prédio de Bucareste que matou quatro", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-rahova-bucarest-gas-em-predio/ ## O que importa - O Ministério Público de Bucareste enviou a julgamento a distribuidora de gás Distrigaz, a empresa Amproperty Construct e quatro funcionários pela explosão de 17 de outubro de 2025 no bairro de Rahova, que matou quatro pessoas. - A acusação aponta sete chamados sobre cheiro de gás sem localização da fonte do vazamento e falhas de verificação em dois atendimentos da distribuidora e na revisão feita pela instaladora. O Ministério Público de Bucareste enviou a julgamento a distribuidora de gás Distrigaz, a empresa de instalação Amproperty Construct e quatro funcionários pela explosão que atingiu um prédio do bairro de Rahova, em 17 de outubro de 2025, e que matou quatro pessoas e feriu outras oito. ## O que a investigação reconstruiu Segundo os promotores, entre 6h15 e 7h do dia 16 de outubro de 2025, falhas elétricas em cabos subterrâneos aqueceram e perfuraram em dois pontos uma tubulação de polietileno que levava gás natural ao bloco 32, na rua Vicina, no setor 5 da capital romena. O gás escapou para o solo, entrou num canal térmico subterrâneo, chegou ao subsolo da escada 2 e subiu pelo poço do elevador e por outros vazios técnicos do prédio até se acumular nos andares superiores. A explosão ocorreu em 17 de outubro de 2025, às 9h08, nos andares 5 e 6, e começou num apartamento do quinto andar, onde a fonte de ignição mais provável, segundo os procuradores, foi uma faísca produzida ao acionar um interruptor elétrico. Fechar o gás dentro do prédio não parou o vazamento, porque a fonte estava a montante, na tubulação de distribuição, e não na instalação do imóvel. A explosão matou quatro pessoas, feriu oito, tornou inutilizados os 54 apartamentos da escada, danificou 96 imóveis vizinhos e atingiu 45 carros nas proximidades. ## As falhas apontadas A Distrigaz foi acionada sete vezes entre 16 de outubro de 2025, às 7h08, e 17 de outubro, às 9h08, por causa do cheiro de gás nos dois blocos vizinhos, mas os promotores afirmam que as intervenções foram incompletas e que a origem do vazamento nunca foi localizada nem isolada. Segundo a acusação, o primeiro agente da empresa, de 54 anos, fez verificações sem examinar o subsolo e sem checar a rede de distribuição, e ainda sugeriu outra possível fonte, o monóxido de carbono, que não explicaria o cheiro relatado pelos moradores. O segundo agente, de 31 anos, esteve duas vezes no bloco vizinho, fechou e lacrou o abastecimento sem verificar a rede e voltou mais de 11 horas depois, quando o cheiro e os alarmes reapareceram, mas não ampliou a verificação para encontrar a fonte. Os promotores lembram que o bloco 33 também sentia o gás, o que indicava a mesma origem na tubulação avariada, e que cerca de sete horas e meia se passaram entre a saída do segundo agente, às 1h40, e a explosão. Os instaladores da Amproperty Construct detectaram gás no prédio durante uma revisão contratada depois do corte, mas não avisaram a distribuidora, não aeraram o local e não estenderam a checagem ao subsolo. Os promotores afirmam que os instaladores não respondem pelo reparo da tubulação, que era tarefa da Distrigaz, e que a acusação contra eles trata do dever de comunicar o vazamento e de manter as medidas de proteção. ## Acusação e processo Os promotores enquadraram os quatro funcionários e as duas empresas no crime de destruição por culpa que resulta em desastre, na forma de culpa sem previsão, ou seja, a falta de antecipação de um resultado que as pessoas tinham o dever de prever. Segundo os promotores, os acusados não precisavam prever o mecanismo exato da explosão, mas sim o risco específico que as normas de segurança do gás existem para evitar, que é um vazamento não localizado e não isolado dentro de um imóvel habitado. A Rețele Electrice România, distribuidora de eletricidade que também era investigada, teve o caso arquivado porque a prova confirmou o efeito térmico da falha elétrica sobre a tubulação, mas não encontrou violação de norma técnica de operação ligada à explosão. Os promotores bloquearam bens dos acusados até o valor de € 68.095.536 e de RON 6.547.076,94, como garantia de eventuais indenizações, que são pedidas por 297 pessoas e empresas constituídas como partes civis. A Amproperty Construct recebeu a proibição de realizar verificação e revisão técnica de instalações de gás natural, e os promotores pediram ao juiz de câmara preliminar que mantenha essa medida. A apuração levou cerca de um ano, de 17 de outubro de 2025 a 4 de novembro de 2026, com mais de 200 pessoas ouvidas, buscas domiciliares e informáticas e três laudos técnicos: um de gás natural, um eletroenergético e um criminalístico sobre explosões e incêndios. A investigação contou com especialistas de institutos de segurança mineira e antiexplosão e da Universidade Politécnica de Bucareste, além de peritos do Instituto Nacional de Expertizas Criminalísticas e do Instituto de Medicina Legal Mina Minovici. Segundo a Euronews Romênia, a Distrigaz Sud Rețele afirmou que tomou conhecimento da decisão, que vai exercer todos os seus direitos legais e que não quer comentar o mérito do caso. ## Por que o caso interessa à perícia O caso mostra que uma explosão em prédio pode ter origem num ponto diferente daquele em que os moradores sentem o cheiro, e que uma sequência de atendimentos sem reconstrução da rede de distribuição deixa a falha sem identificação. A acusação também mostra como a perícia separa o que a falha elétrica causou, que foi a perfuração da tubulação, do que o operador deveria ter feito depois do primeiro chamado, que é o ponto em que a culpa foi atribuída. --- # Baterias de lítio em caixas de ferramentas causaram incêndio que matou bombeiro em Boston - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-dorchester-baterias-de-litio-em-caixas-de-ferramentas/ - Fonte original: Boston.com, https://www.boston.com/news/local-news/2026/11/04/wu-fire-commissioner-provide-update-on-cause-of-fire-that-killed-boston-firefighter-bobby-kilduff/, 04.Nov.2026 (inglês) - Marcadores: baterias de lítio, fuga térmica, incêndio em Boston, bombeiros, perícia de incêndio - Como citar: NEXO CAUSAL, "Baterias de lítio em caixas de ferramentas causaram incêndio que matou bombeiro em Boston", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-dorchester-baterias-de-litio-em-caixas-de-ferramentas/ ## O que importa - As autoridades de Boston concluíram que o incêndio de 23 de maio de 2026 em Dorchester começou com fuga térmica de várias baterias de íons de lítio guardadas em caixas de plástico numa varanda fechada do terceiro andar. - O bombeiro Robert Kilduff Júnior morreu depois de cair dessa varanda, e a investigação sobre a morte segue aberta com o Instituto Nacional para Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos e com o conselho de investigação do próprio corpo de bombeiros. As autoridades de Boston afirmaram na quarta-feira, 4 de novembro de 2026, que o incêndio que matou o bombeiro Robert Kilduff Júnior em maio começou com a fuga térmica de várias baterias de íons de lítio guardadas em caixas de ferramentas de plástico, numa varanda fechada do terceiro andar de uma casa em Dorchester, e esse é o primeiro resultado oficial sobre a causa do fogo. ## O que as autoridades concluíram O comissário de bombeiros Rodney Marshall anunciou a conclusão numa coletiva de imprensa ao lado da prefeita Michelle Wu, e o fogo, segundo ele, começou na parte de trás do prédio, justamente no espaço fechado da varanda do terceiro andar onde as baterias estavam guardadas. A fuga térmica, na explicação técnica usada pelo comissário, acontece quando a bateria produz mais calor do que consegue dissipar, e esse processo se alimenta até virar fogo. O incêndio atingiu a casa da Treadway Road, número 18, em 23 de maio de 2026, e o bombeiro Kilduff, de 53 anos, morreu depois de cair da varanda do terceiro andar, segundo as reportagens sobre o caso. Kilduff era bombeiro de terceira geração da família, tinha 24 anos de serviço no Corpo de Bombeiros de Boston e havia servido como veterano da Marinha dos Estados Unidos. ## O que ainda está sendo investigado A apuração sobre a morte do bombeiro não terminou com o anúncio, porque o Instituto Nacional para Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (Niosh) e o conselho de investigação do Corpo de Bombeiros de Boston seguem examinando todas as circunstâncias da tragédia. Marshall afirmou que os resultados desses dois trabalhos serão divulgados quando forem concluídos, sem prazo definido, e essa separação importa para a perícia, porque a causa do incêndio é uma coisa e as condições que levaram à morte no terceiro andar são outra, sendo que o comunicado de Boston trata apenas da primeira. O caso também mostra um ponto de método que vale para qualquer incêndio com objetos eletrônicos, já que a origem foi localizada no espaço fechado da varanda e a causa foi atribuída a objetos guardados nele, o que obriga a investigação a esclarecer o estado de cada bateria, a forma de carga e a maneira de armazenamento antes de fechar o laudo. ## O que as autoridades recomendam Marshall afirmou que essas baterias devem ser carregadas, manuseadas e guardadas de acordo com as orientações do fabricante e com os padrões de segurança estabelecidos, porque carga ou armazenamento inadequados criam sérios riscos de incêndio. O chefe de distrito Keith Kelley orientou que o usuário verifique se a bateria tem certificação de um laboratório reconhecido nacionalmente, como a Underwriters Laboratories (UL), use o produto apenas para a finalidade prevista e carregue a bateria com o carregador original, sobre uma superfície dura e em temperatura ambiente. Kelley também afirmou que, à medida que mais baterias entram nas casas, haverá mais acidentes. A prefeita Michelle Wu disse que as baterias sustentam grande parte da vida diária, mas também carregam riscos muito sérios, e por isso a cidade quer educar os moradores sobre os perigos e sobre a forma de evitar incêndios como esse. ## Por que o caso interessa ao leitor Para quem acompanha perícia de incêndio, a história de Dorchester junta três etapas que costumam aparecer separadas: a identificação do ponto de origem, a conclusão sobre a causa e a apuração das responsabilidades e das condições de trabalho. Até agora, as autoridades divulgaram a primeira e a segunda etapa, e a terceira depende do que o Niosh e o conselho de investigação vão publicar, de modo que o caso segue em aberto para a leitura técnica. Enquanto isso, o episódio reforça a recomendação de guardar baterias de lítio longe de áreas fechadas e de usar apenas carregadores originais e certificados, que é o ponto prático que o próprio comunicado de Boston aponta para os moradores. --- # Riscos psicossociais na NR-1: o que mudou no gerenciamento de riscos e o que o Ministério do Trabalho aceita como prova de gestão - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nr-1-riscos-psicossociais-no-gro-o-que-o-mte-orienta/ - Fonte original: Ministério do Trabalho e Emprego, https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/nr-1, 06.Ago.2026 (português) - Marcadores: NR-1, riscos psicossociais, GRO, PGR, NR-17, perícia trabalhista - Como citar: NEXO CAUSAL, "Riscos psicossociais na NR-1: o que mudou no gerenciamento de riscos e o que o Ministério do Trabalho aceita como prova de gestão", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nr-1-riscos-psicossociais-no-gro-o-que-o-mte-orienta/ ## O que importa - O capítulo 1.5 da NR-1, na redação da Portaria MTE nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, está em vigor desde 26 de maio de 2026 e inclui expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais. - Nas Perguntas e Respostas publicadas em maio de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego diz que questionário não é obrigatório e, sozinho, não comprova a gestão desses riscos, e que o exame médico periódico não substitui a avaliação. - O inventário de riscos, o plano de ação, o documento de critérios e a Avaliação Ergonômica Preliminar da NR-17 são os documentos que o próprio ministério aponta como evidência do processo. Os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a constar de forma expressa no gerenciamento de riscos ocupacionais (GRO) da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) em 26 de maio de 2026, data em que entrou em vigor a nova redação do capítulo 1.5, aprovada pela Portaria MTE nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou neste ano um manual e uma lista oficial de perguntas e respostas que dizem o que serve e o que não serve para demonstrar essa gestão. ## As datas A Portaria MTE nº 1.419 foi publicada no Diário Oficial da União de 28 de agosto de 2024 e previa vigência 270 dias depois da publicação, prazo que a Portaria MTE nº 765, de 15 de maio de 2025, publicada no Diário Oficial da União de 16 de maio de 2025, prorrogou "até 25 de maio de 2026", e a página oficial da NR-1 registra que a nova redação do capítulo 1.5 entrou em vigor em 26 de maio de 2026. Na reunião de 24 e 25 de março de 2026, a Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP) manteve essa data, depois de os empregadores pedirem nova prorrogação, com as representações do governo, dos trabalhadores e do Ministério Público do Trabalho unânimes pela manutenção, segundo notícia da Fundacentro de 27 de março de 2026. ## O que o texto da norma passou a dizer O item 1.5.3.1.4 manda que o gerenciamento abranja os riscos dos agentes físicos, químicos e biológicos, os riscos de acidentes e os "riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho", e o item 1.5.3.2.1, que antes dizia apenas que a organização deve considerar as condições de trabalho nos termos da NR-17, ganhou o complemento "incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho". Para a probabilidade, que combinada com a severidade dá o nível de risco (item 1.5.4.4.2), o item 1.5.4.4.5.3 diz que, nos fatores ergonômicos e psicossociais, a avaliação "deve considerar as exigências da atividade de trabalho e a eficácia das medidas de prevenção implementadas", e o item 1.5.4.4.2.2 obriga a organização a detalhar em documento os critérios de severidade, de probabilidade, de nível de risco e de classificação que usou. O item 1.5.7.2.1 também mudou, porque os documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que antes deviam ficar disponíveis "aos trabalhadores interessados ou seus representantes e à Inspeção do Trabalho", agora devem estar disponíveis "aos trabalhadores interessados, aos sindicatos representantes das categorias profissionais e à Inspeção do Trabalho". ## O que o MTE diz que vale e o que não vale As Perguntas e Respostas sobre o capítulo 1.5, com 22 perguntas na primeira rodada, de 30 de abril de 2026, publicadas em maio de 2026 depois de consulta às bancadas da Comissão Nacional Tripartite Temática da NR-1, avisam que as respostas "possuem caráter orientativo" e que prevalece sempre o texto normativo. Segundo esse documento, todas as empresas estão obrigadas a fazer a prevenção desses riscos por meio da Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) da NR-17, dentro do GRO, e, no caso das microempresas e empresas de pequeno porte de grau de risco 1 e 2 dispensadas do PGR, a AEP passa a ser o documento obrigatório para evidenciar o processo. O questionário não é obrigatório, e o documento diz que a aplicação de questionários padronizados "não será considerada evidência suficiente, de forma isolada", porque os resultados precisam ser analisados tecnicamente e incorporados à AEP ou ao inventário de riscos, enquanto o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5, de 2026, informa que o MTE não define nem sugere metodologia específica. O exame médico periódico, mesmo sob sigilo, não substitui a identificação de perigos e a avaliação de riscos, porque, segundo a resposta à pergunta 6, o processo trata das condições e da organização do trabalho e "não se confunde com a avaliação clínica individual da saúde mental dos trabalhadores". A NR-1 e a NR-17 não exigem um profissional específico para essa avaliação, e cabe à organização designar responsável ou equipe "com conhecimento técnico adequado", de acordo com as respostas às perguntas 1 e 7, que citam a Orientação Técnica SIT nº 9/2023. A avaliação inclui o trabalho remoto, híbrido e o teletrabalho, e, na construção, a contratada deve fornecer à contratante o inventário com os fatores psicossociais das suas atividades, pelo item 18.4.4 da NR-18, para que sejam integrados ao PGR da obra. Um inventário sem nenhum risco psicossocial registrado não é irregular por si só, desde que a organização demonstre, "de forma tecnicamente fundamentada", que fez o processo de identificação e avaliação, e a revisão segue a regra geral do item 1.5.4.4.6, a cada dois anos ou nas situações listadas nas alíneas "a" a "f". ## A organização do trabalho como ponto de partida O Manual diz que a fonte desses riscos "não está no indivíduo, mas sim na organização do trabalho", que a avaliação não consiste em verificar sintomas individuais ou medir sinal biológico, e que a análise parte de elementos que a NR-17 já lista no item 17.4.1, como normas de produção, exigência de tempo, ritmo e conteúdo das tarefas. ## Fiscalização Pela resposta à pergunta 13, a omissão na identificação, avaliação e controle desses riscos pode caracterizar descumprimento da NR-1 e da NR-17 e sujeitar a organização a autos de infração, e a Portaria MTE nº 1.758, de 29 de setembro de 2026, deu códigos de ementa no Anexo II da NR-28 aos itens 1.5.3.1.4 (101137-5), 1.5.3.2.1 (101144-8) e 1.5.4.4.5.3 (101170-7), todos com gradação de infração 3, e ao item 1.5.7.2.1 (101209-6), com gradação 2. Na resposta à pergunta 20, o MTE informa que às disposições novas se aplica o critério de dupla visita e que, "durante os 90 dias subsequentes à entrada em vigor", a inspeção "tende a priorizar ações de orientação", "sem prejuízo da adoção de medidas administrativas nos casos aplicáveis", e acrescenta que esse período "não deve ser interpretado como dispensa de adequação". ## O que isso muda na perícia Na perícia ou na assistência técnica de uma ação por adoecimento relacionado ao trabalho, os documentos que a NR-1 exige e que o MTE aponta como evidência são o inventário de riscos, com o conteúdo mínimo do item 1.5.7.3.2, que inclui na alínea "h" os resultados da avaliação de ergonomia nos termos da NR-17, o plano de ação com cronograma, responsáveis e formas de acompanhamento (item 1.5.5.2.2), o documento de critérios do item 1.5.4.4.2.2, a AEP, os registros da participação e da consulta aos trabalhadores (item 1.5.3.3) e as análises de doenças relacionadas ao trabalho (item 1.5.5.5). O inventário deve ter o histórico das atualizações guardado por pelo menos 20 anos (item 1.5.7.3.3.1) e os documentos do PGR devem ser datados e assinados (item 1.5.7.2), o que permite verificar o que a organização tinha registrado em cada data, lembrando que a menção expressa aos fatores psicossociais nos itens 1.5.3.1.4 e 1.5.3.2.1 só existe na redação em vigor desde 26 de maio de 2026, enquanto a anterior já mandava considerar as condições de trabalho nos termos da NR-17. --- # Nova NR-10 da Portaria MTE 737/2026: o que muda, quando entra em vigor e qual redação vale para cada data - Publicado: 05.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nova-nr-10-portaria-mte-737-2026-vigencia-e-transicao/ - Fonte original: Diário Oficial da União, https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-mte-n-737-de-29-de-maio-de-2026-709524662, 01.Jun.2026 (português) - Marcadores: NR-10, Portaria MTE 737/2026, segurança em eletricidade, GRO, vigência, perícia trabalhista - Como citar: NEXO CAUSAL, "Nova NR-10 da Portaria MTE 737/2026: o que muda, quando entra em vigor e qual redação vale para cada data", 05.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nova-nr-10-portaria-mte-737-2026-vigencia-e-transicao/ ## O que importa - A Portaria MTE nº 737, de 29 de maio de 2026, publicada no Diário Oficial da União de 1º de junho de 2026, aprovou uma redação inteiramente nova da NR-10 e revogou as Portarias MTE nº 598/2004 e MTPS nº 508/2016. - O texto novo entra em vigor em 1º de junho de 2027, um ano depois da publicação, e até 31 de maio de 2027 continua valendo a redação de 2019. - A norma passa a seguir o ciclo de vida da instalação elétrica, se amarra ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais da NR-1 e trata o arco elétrico ao lado do choque. A Portaria MTE nº 737, de 29 de maio de 2026, assinada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e publicada no Diário Oficial da União de 1º de junho de 2026 (Seção 1, edição 101, a partir da página 167), aprova a nova redação da Norma Regulamentadora nº 10, agora intitulada "Segurança em Instalações Elétricas e Serviços em Eletricidade", que substitui por inteiro o texto estruturado em 2004. ## A portaria em cinco artigos O artigo 1º manda a NR-10 vigorar com a redação do anexo, o artigo 2º classifica a norma como "NR Especial" e os Anexos I a IV como "Tipo 1", nos termos dos artigos 117 e 118 da Portaria MTP nº 672, de 8 de novembro de 2021, o artigo 3º dá prazo extra a uma única alínea, o artigo 4º revoga as Portarias MTE nº 598, de 7 de dezembro de 2004, e MTPS nº 508, de 29 de abril de 2016, e o artigo 5º fixa a vigência em um ano após a publicação. Uma retificação publicada no Diário Oficial da União de 24 de junho de 2026 (Seção 1, página 249) corrigiu apenas as letras de duas alíneas do item 10.8.4, sobre os módulos de capacitação, e a versão consolidada que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou já traz a correção. ## Vigência e transição Como a publicação foi em 1º de junho de 2026 e o artigo 5º diz que a portaria "entra em vigor 1 (um) ano após a sua publicação", a nova redação vale a partir de 1º de junho de 2027, data que a própria página oficial da NR-10 confirma ao indicar a redação de 2019, dada pela Portaria SEPRT nº 915, como "Vigente até 31/05/2027". O artigo 3º abre a única exceção ao calendário, porque a alínea "e" do subitem 10.6.4, que exige o dispositivo diferencial-residual (DR) nos circuitos de pontos de tomada de cozinhas, lavanderias, garagens e áreas molhadas de edificações não residenciais, só entra em vigor "1 (um) ano após a vigência desta Portaria em relação às instalações elétricas existentes nessa data", o que, contado a partir de 1º de junho de 2027, leva a 1º de junho de 2028 para essas instalações. Fora essa alínea, a portaria não traz prazo escalonado, e todo o resto fica sujeito à data de 1º de junho de 2027. ## Uma norma organizada pelo ciclo de vida da instalação O texto de 2004 começava pelas medidas de controle, e a redação de 2026 segue a ordem em que a instalação é concebida e usada: gerenciamento de risco (10.3), projeto (10.4), eliminação do perigo (10.5), proteção coletiva (10.6), medidas administrativas (10.7), qualificação e capacitação (10.8), treinamento (10.9), autorização (10.10), proteção individual (10.11), construção a manutenção (10.12), instalações desenergizadas (10.13), instalações energizadas e trabalho em proximidade (10.14), documentação (10.15) e grave e iminente risco (10.16). Os anexos passam a ser o glossário (I), as zonas de risco, controlada e livre (II), os treinamentos (III) e a especificação mínima de EPI contra o arco elétrico (IV), anexo que não existia no texto anterior. O campo de aplicação (10.2.1) passa a citar o comissionamento, a corrente contínua, as instalações temporárias e as faixas de baixa, média e alta tensão, e o item 10.2.3 estende a norma à exposição ao arco elétrico "ainda que não caracterizada a entrada na zona controlada". ## A ligação com o GRO da NR-1 O objetivo da norma (10.1.1) passa a ser o controle dos riscos "observando o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)" da NR-1, e o item 10.3.1 manda considerar, além do previsto na NR-1, as características da exposição ao choque e ao arco elétrico, os métodos e processos de trabalho, a entrada em operação de instalações ou equipamentos novos e a necessidade de medidas de prevenção para os dois fenômenos. A hierarquia das medidas também remete à NR-1 (10.5.3), e o 10.5.4 detalha a sequência para a eletricidade: desenergização e, na impossibilidade, proteção coletiva, depois medidas administrativas e, por último, proteção individual. ## Rotina com procedimento, exceção com permissão de trabalho O capítulo 10.7 separa o rotineiro do não rotineiro, porque o serviço rotineiro em eletricidade ou em proximidade de instalações segue procedimento de trabalho elaborado a partir de análise de risco e aprovado por profissional legalmente habilitado (PLH), com nove conteúdos mínimos listados no 10.7.1.1, e o não rotineiro exige permissão de trabalho precedida de análise de riscos e aprovada por trabalhador autorizado (10.7.2). A permissão vale só pela duração da atividade e dentro do turno e deve ser encerrada e arquivada de modo rastreável (10.7.2.2 e 10.7.2.3), e o glossário define atividade rotineira como a habitual, "independente da frequência", que faz parte do processo contínuo de trabalho da organização. ## Outras mudanças de peso O DR de alta sensibilidade passa a ser proteção coletiva adicional obrigatória em situações definidas no item 10.6.4, o arco elétrico ganha proteção coletiva própria (10.6.5) e seleção de EPI pelos quadros do Anexo IV (10.11.2), e o Prontuário das Instalações Elétricas deixa o critério de carga instalada acima de 75kW e passa a ser exigido das organizações que integram o sistema elétrico de potência ou atuam em média e alta tensão (10.15.6). O treinamento periódico bienal passa a ter carga mínima de 16 horas (10.9.10), a parte prática de todos os treinamentos tem de ser presencial (10.9.13) e o trabalhador-capacitado depende de plano de aprendizagem sob responsabilidade de PLH (10.8.3.1). Na desenergização, a sequência do item 10.13.1 mudou de ordem, com a constatação da ausência de tensão antes do impedimento de reenergização, e ganhou a proteção dos trabalhadores contra os efeitos do arco elétrico e a delimitação e sinalização da área de trabalho. ## Uma comissão para acompanhar a transição A Resolução CTPP nº 32, de 27 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União de 29 de outubro de 2026 (Seção 2, página 76), instituiu a Comissão Nacional Tripartite Temática (CNTT) da NR-10, com seis representantes do governo, seis dos trabalhadores e seis dos empregadores, coordenada por representante do MTE indicado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho e com funcionamento regido pela Resolução CTPP nº 01, de 5 de fevereiro de 2024. Ao noticiar a aprovação do texto na Comissão Tripartite Paritária Permanente, em dezembro de 2025, o MTE já previa que a CNTT acompanharia a transição de 12 meses. ## O que isso muda na perícia Como a página oficial indica a redação de 2019 como vigente até 31 de maio de 2027 e a de 2026 a partir de 1º de junho de 2027, o laudo sobre acidente ou condição de trabalho com eletricidade precisa dizer qual das duas estava em vigor na data do fato e citar os itens pela numeração dela, porque a mesma matéria muda de número entre os textos, como o prontuário, que sai do item 10.2.4 e vai para o 10.15.6, e o projeto, que sai do capítulo 10.3 e vai para o 10.4. Para fatos a partir de 1º de junho de 2027, a nova redação traz requisitos que se conferem em documento, como o procedimento aprovado por PLH, a permissão de trabalho arquivada, o relatório de inspeção com plano de ação e cronograma (10.7.11) e a documentação do capítulo 10.15, que deve estar em língua portuguesa (10.15.1). --- # ZachXBT diz ter se passado por cliente de rede chinesa que lava criptomoedas para o Lazarus e ajudado a congelar US$ 442 mil - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/zachxbt-se-passa-por-cliente-de-rede-chinesa-que-lavou-cripto-do-lazarus/ - Fonte original: Decrypt, https://decrypt.co/380092/zachxbt-fronted-350k-pose-client-lazarus-chinese-crypto-launderers, 05.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ZachXBT, Lazarus, lavagem de dinheiro, rastreamento blockchain, Bybit, Coreia do Norte - Como citar: NEXO CAUSAL, "ZachXBT diz ter se passado por cliente de rede chinesa que lava criptomoedas para o Lazarus e ajudado a congelar US$ 442 mil", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/zachxbt-se-passa-por-cliente-de-rede-chinesa-que-lavou-cripto-do-lazarus/ ## O que importa - O investigador de blockchain conhecido como ZachXBT relatou em 5 de outubro de 2026 que aplicou US$ 349,7 mil do próprio bolso para se passar por cliente de um grupo chinês que, segundo ele, lavou mais de US$ 1 bilhão para hackers ligados à Coreia do Norte. - Cruzando o que o contato contava nas conversas com horários e valores registrados em exploradores públicos de blockchain, ele diz ter exposto um conjunto de mais de US$ 12 milhões roubados da corretora Bybit. - A Tether congelou depois 442 mil USDT ligados a esse conjunto, e quase tudo o que se sabe da operação vem do relato do próprio investigador. O investigador de blockchain conhecido pelo pseudônimo ZachXBT contou em 5 de outubro de 2026, numa sequência de publicações no X, que gastou US$ 349,7 mil do próprio dinheiro para se passar por cliente de um grupo do crime organizado chinês que, segundo ele, lavou mais de US$ 1 bilhão para o Lazarus, o grupo de hackers ligado à Coreia do Norte, e que as informações obtidas nas conversas ajudaram a congelar fundos roubados da corretora Bybit e a atribuir movimentações ilícitas nas redes de criptomoedas, segundo os sites Decrypt e Protos. ## Quem é o investigador ZachXBT é provavelmente o investigador de blockchain mais conhecido do setor de criptomoedas, segundo o Decrypt, que o descreve como um jovem na casa dos 20 anos, quase sempre sob pseudônimo, que há anos rastreia criptomoedas roubadas e identifica os responsáveis por golpes e invasões com base em dados públicos das redes, que qualquer pessoa pode conferir. No dia do ataque à Bybit, em fevereiro de 2025, que causou perdas de US$ 1,5 bilhão à corretora, ele ligou o caso ao Lazarus a partir dos dados da blockchain, e o FBI confirmou a atribuição dias depois, ao grupo que chama de TraderTraitor, e ele também mostrou que carteiras usadas para lavar o dinheiro da Bybit estavam ligadas a ataques anteriores do Lazarus, como os da Phemex e da BingX, segundo o Decrypt. ## Como começou Pouco depois do ataque à Bybit, ZachXBT diz ter notado um padrão de mais de 15 contas pedindo ajuda, em grupos públicos do Telegram e do Discord, com ordens de troca ligadas diretamente aos fundos roubados, e, segundo o Decrypt e o Protos, ele viu o mesmo movimento na semana anterior à publicação, depois do roubo de US$ 387 milhões da corretora Bitget, que o presidente da empresa e as empresas de rastreamento Elliptic e Chainalysis ligaram à Coreia do Norte. Ele começou a mandar mensagens a essas contas, e uma delas usava no Telegram o nome "Jimmy Green", e em 6 de março de 2025, contou, abasteceu um endereço novo com 349,7 mil USDC, uma criptomoeda pareada ao dólar, na rede Ethereum, para fazer várias transações com ele. O endereço que Jimmy indicou para receber os USDC, em troca de USDT na rede Tron, tinha sido abastecido com a taxa de rede por uma carteira "diretamente rastreável aos fundos do ataque à Bybit" e que constava da lista pública de endereços bloqueados do caso, segundo o investigador. ## Correlação entre conversa e blockchain ZachXBT diz ter feito várias outras transações para ganhar a confiança do contato, que passou então a falar de transferências de fundos da Bybit para a Coreia do Norte antes de elas acontecerem e a dar detalhes da operação em Hong Kong e na China continental, e a prova, segundo ele, foi que, num dia, Jimmy avisou que os fundos iriam para a rede Solana e, no dia seguinte, foram. Em 12 de março de 2025, ele afirma ter casado uma captura de tela que Jimmy mandou, mostrando uma transferência entre redes, com uma ordem criada minutos depois da mensagem, comparando valores e horários no explorador público da Thorchain, um protocolo que troca moedas diretamente entre blockchains diferentes. Jimmy então passou três endereços na rede Solana, que, segundo o investigador, expuseram um conjunto de mais de US$ 12 milhões do roubo à Bybit sendo trocado em tempo real, do bitcoin para o ether, depois para a Solana e por fim para a Tron, e a Tether, emissora do USDT, congelou depois 442 mil USDT ligados a esse conjunto. Para continuar, ele aceitou perder 5% em cada ordem e escreveu que adiantou o dinheiro sem nenhuma garantia de que Jimmy não sumiria com os fundos, além de um risco pessoal desconhecido por lidar com o grupo, e Jimmy chegou a dizer que "a equipe preparou US$ 1 milhão e está pronta para começar a qualquer momento" e explicou que o grupo tinha "divisões de trabalho" para receber e distribuir os USDT. ## Outros casos ligados ao grupo O contato contou que uma equipe conhecida dele teve cerca de US$ 300 mil congelados em 2024, e ZachXBT diz ter achado esse congelamento na blockchain: eram 332 mil USDC roubados no ataque à corretora Poloniex, em novembro de 2023, que tirou mais de US$ 100 milhões da empresa e que pesquisadores atribuem ao Lazarus, segundo o Decrypt, enquanto o Protos fala num congelamento de US$ 100 mil ligado ao mesmo ataque. Jimmy disse ainda ter lavado US$ 3 milhões de fraudes para outro cliente, e o investigador diz ter rastreado esse dinheiro até uma carteira usada pela Huione Guarantee, mercado no Telegram em que criminosos vendiam serviços de lavagem e dados roubados, ligado ao conglomerado cambojano Huione Group, alvo da unidade de inteligência financeira do Tesouro americano (FinCEN) por suspeita de lavar pelo menos US$ 4 bilhões. ## Os limites do relato Quase tudo o que se sabe da operação vem do relato do próprio ZachXBT, que diz ter repassado as descobertas na hora a investigadores privados de confiança e às autoridades responsáveis pelo caso, e que a sensibilidade das investigações o impediu de publicar antes. Ele afirma ter ajudado, desde 2022, a congelar mais de US$ 75 milhões ligados a ataques atribuídos à Coreia do Norte, diz que financia trabalhos de maior risco com doações de fundações e de pessoas e que ainda guarda descobertas importantes de outros casos. --- # Vazamento de 1,5 milhão de denúncias anônimas do Crime Stoppers leva mais de 40 programas e polícias do Canadá a suspender o serviço - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/vazamento-crime-stoppers-canada-15-milhoes-de-denuncias-anonimas/ - Fonte original: CBC News, https://www.cbc.ca/news/investigates/crime-stoppers-canada-tips-phone-only-9.7403714, 30.Out.2026 (inglês) - Marcadores: vazamento de dados, denúncia anônima, Crime Stoppers, fornecedor terceirizado, Canadá - Como citar: NEXO CAUSAL, "Vazamento de 1,5 milhão de denúncias anônimas do Crime Stoppers leva mais de 40 programas e polícias do Canadá a suspender o serviço", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/vazamento-crime-stoppers-canada-15-milhoes-de-denuncias-anonimas/ ## O que importa - Dados roubados em março de 2026 da plataforma P3 Global Intel, da empresa americana Navigate360, expuseram mais de 1,5 milhão de denúncias feitas ao Crime Stoppers no Canadá em 25 anos, segundo investigação da CBC publicada em 21 de outubro de 2026. - Cerca de metade das denúncias tinha dados pessoais, como endereço e telefone, e em milhares delas o próprio denunciante se identificou pelo nome. - Até 30 de outubro de 2026, mais de 40 programas e polícias de cinco províncias tinham suspendido as denúncias ou a parceria, a associação nacional passou a aceitar só denúncias por telefone e a comissão federal de privacidade investiga o caso. Mais de 1,5 milhão de denúncias feitas ao Crime Stoppers no Canadá ao longo de 25 anos ficaram expostas num ataque hacker à plataforma que guardava esses relatos, segundo investigação da emissora pública CBC publicada em 21 de outubro de 2026, e a reação em cadeia levou dezenas de programas locais e de polícias a suspender o serviço de denúncia anônima, que existe justamente para proteger quem tem medo de represália. O Crime Stoppers é uma rede de organizações sem fins lucrativos que recebe denúncias sobre crimes por telefone, site e aplicativo, sem pedir o nome de quem denuncia, e repassa a informação à polícia quando julga necessário, trabalhando de forma independente das corporações. ## Como os dados saíram O ataque aconteceu em março de 2026 e atingiu a P3 Global Intel, plataforma de gestão de denúncias com sede no Texas e controlada pela empresa americana Navigate360, que é usada pelo Crime Stoppers e por outras organizações nos Estados Unidos e em outros países, segundo a Malwarebytes. Um coletivo hacktivista chamado Internet Yiff Machine assumiu a invasão e disse que o objetivo era provar que a Navigate360 e a P3 mentiam sobre a segurança da plataforma, e a organização americana Distributed Denial of Secrets (DDoSecrets) disponibilizou o material a pesquisadores e jornalistas, entre eles os da CBC, segundo o The Record e o MobileSyrup. A CBC diz ter tomado "amplas precauções" para manusear o material, com criptografia e ambientes de trabalho isolados e sem conexão, e os repórteres conseguiram falar com mais de uma dúzia de denunciantes a partir dos dados vazados, segundo o The Record. ## O que as denúncias revelam Mais de 850.000 das denúncias analisadas pela CBC tinham informação pessoal de denunciantes, de pessoas acusadas, de funcionários do Crime Stoppers e de policiais, em geral endereço e telefone, além de dezenas de milhares de e-mails pessoais e placas de veículos e de centenas de dados bancários ligados ao pagamento de recompensas, segundo o resumo do MobileSyrup. Em mais de 4.300 casos o próprio denunciante escreveu o nome completo, apesar da orientação de não fazê-lo, e em centenas de casos os funcionários chegaram a anotar que o denunciante estava comprometido, por ter se identificado ou por outro motivo, sem que a informação fosse apagada do banco de dados, e a CBC concluiu que o Crime Stoppers e a empresa contratada falharam em proteger a identidade dos denunciantes e guardaram de forma indevida registros sensíveis de décadas. O Toronto Crime Stoppers explicou que a prática é retirar os detalhes que identificam o denunciante antes de mandar a informação aos investigadores, mas que entre os dados roubados estavam as mensagens originais, ainda com esses detalhes, segundo a Global News. ## O que o fornecedor informou e quando Pelo relato do Toronto Crime Stoppers, a Navigate360 garantiu desde março que a P3 era segura, disse em abril que os dados de Toronto não tinham sido levados e só em junho admitiu que tinham, sem dizer o que fora exposto, até chegar ao número de 176.859 denúncias de Toronto feitas entre janeiro de 2022 e novembro de 2025, das quais 12.392 podem conter dados pessoais. Entre setembro e outubro, a empresa entregou ao programa uma lista de 14.973 nomes encontrados no material roubado, sem dizer se eram de denunciantes, de suspeitos ou de ambos, e não entregou o texto das denúncias apesar dos pedidos feitos por advogados, de modo que o programa não consegue avaliar o risco de cada pessoa, segundo o The Record e a Global News. A primeira confirmação pública do ataque pela Navigate360 veio só na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, sete meses depois da invasão, e a empresa não respondeu aos pedidos de entrevista da CBC, segundo a emissora. ## A suspensão em cadeia O Toronto Crime Stoppers parou de receber denúncias na noite de 21 de outubro de 2026, horas depois da reportagem, e o presidente Sean Sportun disse que desde 1984 as pessoas procuravam o programa porque ele prometia anonimato e que, para algumas delas, essa promessa foi quebrada, e pediu desculpas. Na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, a contagem da CBC já mostrava pelo menos 11 programas parados e 24 unidades policiais com a parceria suspensa, e a emissora revelou um memorando interno de 22 de outubro em que o presidente da associação nacional, David J. Forster, orientava os programas locais a não dar entrevistas à CBC nem a nenhum outro veículo. Em 30 de outubro de 2026, a Canadian Crime Stoppers Association, numa aparente mudança de posição, recomendou aos programas que aceitem denúncias só por telefone, pelo número 222-TIPS, sem usar a plataforma P3, e Forster disse em nota que a mudança "não desfaz a exposição das informações já levadas". Até essa data, mais de 40 programas e polícias de cinco províncias tinham suspendido as denúncias ou a parceria, ao menos 29 unidades policiais de Ontário, Manitoba, Nova Escócia e Colúmbia Britânica tinham se afastado do programa, e polícias como as de Calgary e de Charlottetown disseram que continuariam recebendo as denúncias, segundo a CBC. ## Investigação da comissão de privacidade A comissão federal de privacidade do Canadá abriu investigação sobre o vazamento, com foco na Navigate360 e nas salvaguardas de segurança que a empresa tinha na época do ataque, e o professor de criminologia Randy Lippert, da Universidade de Windsor, disse à CBC que é difícil imaginar o Crime Stoppers recuperando a confiança que tinha. --- # Texto de documentos apagados em miniaturas do Windows: rede neural recupera mais de 81% dos caracteres em teste com imagens sintéticas - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/recuperacao-de-texto-em-miniaturas-de-documentos-do-word-pericia-digital/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2610.15902, 11.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, miniaturas, Windows, reconhecimento de caracteres, redes neurais, documentos apagados - Como citar: NEXO CAUSAL, "Texto de documentos apagados em miniaturas do Windows: rede neural recupera mais de 81% dos caracteres em teste com imagens sintéticas", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/recuperacao-de-texto-em-miniaturas-de-documentos-do-word-pericia-digital/ ## O que importa - Um artigo depositado em 11 de outubro de 2026 no repositório científico arXiv propõe uma rede neural para tornar legível o texto das miniaturas que o Windows guarda de documentos do Word, que podem continuar no computador depois que o arquivo foi apagado. - O modelo é treinado pela diferença entre pixels, mas a versão final é escolhida pelo acerto de um programa de reconhecimento de caracteres, para não premiar imagens bonitas com letras inventadas. - Em 1.000 pares de imagens sintéticas, o melhor modelo chegou a uma distância de Levenshtein normalizada de 0,184, o que os autores traduzem como mais de 81% dos caracteres recuperados. Mohit Ajaykumar Dhabuwala, da Cyber Diligence, de Nova York, e Weifeng Xu, da Escola de Justiça Criminal da University of Baltimore, nos Estados Unidos, depositaram em 11 de outubro de 2026 no repositório científico arXiv o artigo "Forensic Text Recovery from Document Thumbnails Using Text-Aware U-Net", de seis páginas, informado como publicado nos anais da conferência ICAIBD 2026. ## O vestígio: a miniatura que sobra Os autores explicam que documentos do Microsoft Word costumam deixar pequenas imagens de pré-visualização, as miniaturas (thumbnails), que podem continuar no computador mesmo depois que o arquivo original foi apagado, e que essas imagens podem ser o único vestígio visual do documento, usado pelo perito para reconstruir linhas do tempo e confirmar outros rastros. O problema é que essas imagens não foram feitas para leitura, porque a redução de tamanho e a compressão agressivas degradam as letras e confundem tanto o examinador quanto os programas de reconhecimento óptico de caracteres (OCR), que leem texto em imagens. As técnicas comuns de aumento de resolução por aprendizado profundo melhoram a aparência da imagem, mas, segundo os autores, quando otimizadas só pela diferença entre pixels tendem a privilegiar uma imagem suave em vez da forma exata das letras, e no contexto pericial isso traz o risco inaceitável de a rede "alucinar" caracteres, gerando texto que não existia. ## Os dados de teste O estudo usa 1.000 pares de imagens de um conjunto sintético criado num trabalho anterior, apresentado na conferência COMPSAC de 2025, em que textos coerentes foram gerados pelo GPT-4, formatados em documentos do Word com a fonte Aptos e degradados com a biblioteca ImageMagick para imitar as miniaturas guardadas pelo Windows no cache thumb.db, com redução de tamanho, desfoque e artefatos de compressão. Cada exemplo traz a miniatura degradada, a imagem original do documento e o texto exato, e todas as imagens foram redimensionadas para 768 por 594 pixels e convertidas para tons de cinza, com 70% dos pares usados no treino e 30% reservados para o teste. ## O método: treinar por pixel, escolher por leitura A rede é uma U-Net, arquitetura que reduz a imagem por etapas até uma representação compacta e depois a reconstrói, com conexões que levam os detalhes finos das primeiras camadas direto às últimas, o que ajuda a recuperar os traços das letras perdidos na redução. Como o OCR, no caso o Tesseract, não é diferenciável, ou seja, não permite calcular o ajuste dos pesos da rede a partir do seu resultado, os autores separaram as duas tarefas, e a rede aprende pela diferença absoluta entre pixels, enquanto a versão final do modelo é escolhida por uma nota que combina essa diferença, com peso 0,95, e o erro de leitura do OCR, com peso 0,05. O erro de leitura é medido pela distância de Levenshtein, o número mínimo de inserções, exclusões e substituições de caracteres para transformar o texto lido no texto correto, dividido pelo total de caracteres do texto correto, o que dá a distância normalizada, que vai de 0, leitura perfeita, a 1. O treino durou 550 épocas numa placa NVIDIA A100, com o programa PyTorch. ## Os resultados No teste com a mesma fonte do treino, a rede proposta chegou a 30,99 decibéis de relação sinal-ruído de pico (PSNR), medida da diferença entre pixels, e a 0,991 de índice de similaridade estrutural (SSIM), medida que considera brilho, contraste e estrutura, contra valores de 10,50 a 16,42 decibéis e de 0,347 a 0,710 dos cinco métodos usados como comparação, retreinados com os mesmos dados. Com miniaturas geradas em outra família de fonte, sem novo treino, o desempenho caiu para 14,08 decibéis e 0,779 de SSIM, queda que os autores consideram limitada. O modelo escolhido atingiu distância de Levenshtein normalizada de 0,184, que os autores apresentam como recuperação de mais de 81% dos caracteres, e no exemplo detalhado, a miniatura 0326.jpg, o OCR precisou de 400 edições para chegar ao texto correto de 2.177 caracteres, cerca de 18,4% de erro. ## O que o estudo não mostra Todos os testes foram feitos com miniaturas sintéticas, produzidas por programa a partir de textos gerados por IA, e o artigo não relata ensaio com miniaturas extraídas de computadores reais nem traz a distância de Levenshtein dos métodos usados na comparação, só as medidas de imagem. Os autores dizem que pretendem integrar módulos de reconhecimento diferenciáveis, testar documentos em vários idiomas e avaliar o uso de modelos de linguagem para corrigir erros depois da restauração. A taxa de cerca de 18% de erro nos caracteres foi medida em condições controladas, e o próprio artigo apresenta o método como ferramenta de triagem pericial, voltada a gerar texto legível por máquina para análise automatizada. --- # Perícia no HackRF One com PortaPack e firmware Mayhem: onde ficam os vestígios no cartão de memória - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/pericia-no-hackrf-one-com-portapack-mayhem-vestigios-no-cartao-sd/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2610.20647, 11.Out.2026 (inglês) - Marcadores: HackRF One, rádio definido por software, perícia digital, controle remoto, recuperação de dados, cadeia de custódia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Perícia no HackRF One com PortaPack e firmware Mayhem: onde ficam os vestígios no cartão de memória", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/pericia-no-hackrf-one-com-portapack-mayhem-vestigios-no-cartao-sd/ ## O que importa - Estudo da Universidade Fırat, na Turquia, publicado no arXiv em 11 de outubro de 2026, mapeia pelo código-fonte do firmware Mayhem os vestígios que o rádio HackRF One com PortaPack deixa no cartão microSD. - O método recuperou a parte final de uma gravação de rádio apagada e um trecho cortado de outra, e atribuiu seis gravações a um mesmo controle remoto de código variável. - O autor recomenda tirar o cartão antes de ligar o aparelho, copiá-lo inteiro com bloqueador de escrita e guardar o relatório de hash da aquisição junto com a imagem. Düzgün Küçük, do Departamento de Engenharia de Perícia Digital da Universidade Fırat, na Turquia, publicou no arXiv em 11 de outubro de 2026 o artigo "Forensic Analysis of the HackRF One with PortaPack Mayhem Firmware", que descreve onde ficam, em que formato e quando são gravados os vestígios de uso desse rádio portátil no cartão de memória e propõe regras para interpretá-los numa perícia. ## O equipamento e por que ele interessa O HackRF One é um rádio definido por software (software-defined radio, SDR), aparelho em que quase todo o processamento do sinal é feito por programa, o que permite à mesma placa receber e transmitir numa faixa larga, de 1MHz a 6GHz, alternando entre as duas funções. Com a placa PortaPack e o firmware de código aberto Mayhem, o rádio passa a funcionar sozinho, sem computador, com tela sensível ao toque de 3,2" (8,13cm), bateria e cartão microSD, e consegue gravar sinais de rádio em amostras digitais chamadas IQ, retransmiti-los e gerar sinais falsos de GPS, de ADS-B, o sistema pelo qual os aviões informam a posição, e de Bluetooth de baixa energia. O autor lembra que esses recursos podem ser usados em crimes como a falsificação de localização, o bloqueio de comunicações e o ataque de repetição (replay), em que o sinal do controle remoto de um carro ou de um portão é gravado e retransmitido depois, e não achou estudo revisado por pares sobre a perícia desse aparelho. ## O método: código-fonte em vez de engenharia reversa O exame partiu da imagem do cartão do aparelho do autor, usado de agosto a dezembro de 2024 sem roteiro de ações, e todas as conclusões foram tiradas só dos vestígios na imagem e conferidas no código-fonte do Mayhem v2.0.1, sem usar o que o autor sabia sobre o próprio uso. A imagem foi tratada como somente leitura, com hash conferido no início e no fim, e o exame seguiu seis etapas: aquisição e integridade, análise do sistema de arquivos FAT32, interpretação de cada arquivo pelo trecho de código que o grava, linha do tempo, análise dos sinais gravados e relação de cada vestígio com o componente do aparelho que o produz. ## O catálogo de vestígios O artigo traz um catálogo de 17 tipos de vestígio, cada um ligado ao arquivo do código-fonte que o grava, entre eles os arquivos de configuração de cada aplicativo, as gravações de rádio com o arquivo de texto que guarda a frequência central e a taxa de amostragem, as capturas de tela e as listas de reprodução. Um ponto de interpretação destacado é que o Mayhem recria o arquivo de configuração toda vez que o aplicativo é fechado, de modo que a data do arquivo mostra o último fechamento, e não o primeiro uso, e que esse arquivo prova só que o aplicativo foi aberto, e nunca que houve transmissão. ## As datas e a bateria do relógio As datas do FAT32 não guardam fuso horário e têm resolução de 2 segundos, e por isso cada data deve ser lida pela regra do sistema que a gravou, já que o aparelho, o Windows e o Linux gravam a hora de modo diferente. Sem a bateria do relógio interno (RTC), o Mayhem lê o ano como zero e adianta em um dia, a cada inicialização, a data de um arquivo de controle, de modo que datas como "1980-01-0N" não são dias do calendário, e sim uma contagem de inicializações sem bateria. No exemplo, a ordem em que os clusters do cartão foram ocupados permitiu situar as gravações datadas de 1980 entre 23 de agosto e 17 de setembro de 2024, com a ressalva do autor de que essa inferência depende de os diferentes sistemas usarem a mesma indicação de próximo cluster livre. ## Apagado, cortado e editado Cada alteração deixa um rastro próprio: o arquivo apagado tem a entrada de diretório marcada e os clusters liberados, o corte com a ferramenta IQ Trim deixa uma cópia temporária apagada com o sufixo "-tmp", e a edição de texto no próprio aparelho deixa uma cópia com o sufixo "~" mais antiga que o arquivo principal. Uma lista de reprodução apontava para uma gravação que não estava mais no diretório, e na faixa de clusters livres entre as gravações vizinhas o autor encontrou 2.000 clusters, cerca de 4,1s de sinal, que pela posição são muito provavelmente a parte final dessa gravação apagada, embora a ausência da entrada de diretório impeça a confirmação. O conteúdo atual de outra gravação apareceu inteiro no espaço livre, mas começando no byte 274.992 do original, o que mostrou que os primeiros 0,1375s tinham sido cortados, e esse trecho foi recuperado quase todo e continha só ruído e uma portadora contínua, sem informação. ## Os sinais gravados A análise dos sinais seguiu quatro passos: ler a frequência central e a taxa de amostragem, examinar a envoltória, o espectro e o espectrograma, classificar o sinal liga-desliga (OOK) pelos pulsos e identificar a codificação, e comparar os bits com um decodificador independente, o rtl_433. Nas gravações de 433,92MHz os pulsos e intervalos tinham duas durações, múltiplas de uma base de 104µs, e as quatro combinações de pulso curto ou longo com intervalo curto ou longo mostraram codificação Manchester, a 4.808 bits por segundo, enquanto o analisador automático do rtl_433 tinha sugerido outra codificação, palpite que o autor aponta como enganoso. Em seis fontes, incluindo os dados recuperados, os bits 16 a 47 foram iguais nos 37 quadros completos, compatíveis com um identificador fixo de 32 bits, e os bits 56 a 103 mudaram a cada acionamento, compatíveis com código variável (rolling code), estrutura típica de controle de carro ou de portão, embora a marca não tenha sido identificada. Na validação, em 154 dos 163 quadros a decodificação do estudo coincidiu com a do decodificador Manchester do rtl_433 em todos os bits após o cabeçalho, e os 9 restantes estavam numa gravação fraca em que o rtl_433 não decodificou nenhum quadro completo. ## Recomendações e limites Para o perito, o autor recomenda tirar o cartão antes de ligar o aparelho, que pode transmitir assim que é ligado se houver aplicativo configurado para abrir sozinho, copiá-lo inteiro como disco físico através de bloqueador de escrita, guardar o relatório de hash da ferramenta de aquisição junto com a imagem, anotar se há bateria no relógio e a hora mostrada na tela e ler também o firmware gravado na memória flash do aparelho. Entre os limites, o autor aponta que os achados vêm de um único cartão, usado e examinado pela mesma pessoa, sem validação por examinador independente, que as regras valem para o Mayhem v2.0.1 e devem ser conferidas no código de outras versões, que o decodificador só foi testado pela concordância com o rtl_433 e que a imagem cobre só a partição, e não o cartão inteiro, além de o cartão ter sido ligado a computadores sem bloqueador de escrita antes da cópia. A imagem examinada foi publicada pelo autor no repositório Zenodo sob licença CC BY 4.0, e os métodos de datas, de recuperação por cluster e de corte, segundo o artigo, podem ser aplicados a outras ferramentas de rádio que usam FAT32, como o Flipper Zero. --- # Perícia em registros de agentes de IA: estudo mostra que acertar a resposta não prova de qual registro ela saiu - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/pericia-em-registros-de-agentes-de-ia-resposta-certa-sem-suporte-na-prova/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2610.09581, 07.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, inteligência artificial, agentes de IA, cadeia de custódia, reconstrução de eventos, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Perícia em registros de agentes de IA: estudo mostra que acertar a resposta não prova de qual registro ela saiu", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/pericia-em-registros-de-agentes-de-ia-resposta-certa-sem-suporte-na-prova/ ## O que importa - Pesquisadores da Sungkyunkwan University, na Coreia do Sul, testaram dois modelos de linguagem na reconstrução das ações de agentes de IA a partir de registros salvos, num ambiente bancário simulado. - Sem a tabela que liga cada identificador citado pelo agente ao registro correspondente, um dos modelos fez afirmações sem suporte em 26 de 28 casos, e 22 delas coincidiam com a resposta certa. - Os autores concluem que concordar com a resposta completa não basta para validar uma reconstrução pericial e defendem preservar essas ligações entre identificador e registro na coleta. Taehyeon Yun, Dongho Kim, Geonwoo Kim, Juyoung Seo, Minseok Hur e Moohong Min, da Sungkyunkwan University, na Coreia do Sul, depositaram em 7 de outubro de 2026, no repositório científico arXiv, o artigo "Correct Answers, Unsupported Findings: Evidence Binding in Forensic Reconstruction of LLM Agent Logs", sobre como verificar, numa perícia, de qual registro preservado saiu cada informação usada por um agente de inteligência artificial. ## O problema: o valor certo e a fonte provada Agentes de IA são modelos de linguagem que executam tarefas chamando ferramentas, como abrir um arquivo ou fazer uma transferência, e, depois de uma transferência automática, o perito pode precisar estabelecer o que foi enviado, onde a conta de destino apareceu antes e qual registro o agente citou como base da ação. Os autores explicam que o log da ferramenta registra o argumento enviado e o resultado devolvido, que a explicação gerada pelo agente registra o que ele disse e que uma citação como "in-3" só aponta para um registro se o perito tiver a ligação entre esse identificador e o registro, e que adivinhar essa ligação, mesmo acertando, não a torna observável na prova entregue ao perito. O tema se cruza com a injeção indireta de prompt, em que instruções maliciosas são colocadas em documentos que o agente lê como dados, porque o mesmo material pode depois ser examinado como prova. ## O corpus e o método O material vem do AgentDojo, um ambiente de testes de ataques a agentes, no cenário bancário simulado, com 11 ferramentas e 16 tarefas, sem nenhum banco real envolvido, e as execuções foram geradas numa campanha anterior com três modelos como agentes, um da OpenAI, um da Anthropic e um do Google. De 96 execuções selecionadas por regra fixa, 64 serviram para o estudo, e em cada uma o agente usa um valor, como o número da conta destinatária, e a pergunta é se esse valor está no pedido autêntico do usuário, em quais registros anteriores ele aparece e qual desses registros a lista de bases salva pelo agente cita expressamente. As respostas de referência foram extraídas mecanicamente dos registros completos e ficaram só com quem pontuava, enquanto dois modelos leitores, identificados no artigo como gpt-5.6-luna e claude-sonnet-4-6, e um comparador determinístico recebiam pacotes de prova com partes retiradas ou acrescentadas. A pontuação separa a concordância com a referência completa da correção fundamentada, que é responder exatamente o que o pacote visível permite, inclusive se abster quando falta prova, e conta à parte as afirmações sem suporte, que são respostas definitivas a perguntas que o pacote não permitia responder. ## O exemplo da conta a pagar No caso usado como exemplo, o resultado de uma leitura de arquivo contém o destinatário de uma conta a pagar, a ação seguinte envia dinheiro a esse destinatário e a base salva pelo agente é "in-3", e um pacote traz o log e o relato do agente sem a tabela de ligação, enquanto o outro acrescenta a linha que diz que "in-3" corresponde àquele resultado de leitura. O modelo Sonnet deu a mesma resposta nos dois pacotes, apontando o resultado da leitura do arquivo, e os autores mostram que, sem a tabela, essa resposta é um palpite certo em relação ao registro completo e, com a tabela, passa a ser uma constatação sustentada pela prova entregue. ## Os números Sem a tabela de ligação e com os identificadores originais, o Sonnet localizou corretamente todos os registros que continham o valor, mas fez afirmações sem suporte sobre a fonte citada em 26 dos 28 casos que dependiam da ligação ausente, e 22 dessas afirmações coincidiam com a referência completa, enquanto o outro leitor se absteve corretamente em 7 dos 28 casos e fez 21 afirmações sem suporte. Com a tabela, as respostas definitivas sustentadas pela prova passaram a 21 de 28 casos num leitor e 24 de 28 no outro, e a correção fundamentada nos 64 casos subiu de 38 para 49 e de 26 para 49, mas a concordância com a referência completa mudou pouco, de 43 para 49 e de 46 para 49, porque parte do ganho foi transformar palpites já certos em constatações sustentadas. Trocar os identificadores por rótulos opacos, sem fornecer a tabela, não trouxe melhora consistente, e mesmo com a tabela completa os dois leitores ainda erraram de 12 a 16 respostas sobre a fonte citada, com abstenções sem motivo, registros a mais e omissões. O comparador determinístico, que só cruza texto literal e tabela, acertou ou se absteve corretamente em todos os casos, e quando o pedido autêntico do usuário era retirado do pacote, um dos leitores ainda fez afirmações sem suporte sobre ele. ## Limites que os autores apontam O estudo cobre 64 casos de 13 tarefas num único ambiente bancário simulado, não estima com que frequência as ligações se perdem em sistemas reais e não incluiu avaliação com peritos, e os autores observam que o Sonnet foi escolhido depois dos resultados do primeiro leitor, que houve uma única resposta por condição e que os intervalos estatísticos são exploratórios. Os autores também ressaltam que uma citação salva registra a referência declarada pelo agente e não prova autorização, intenção nem o motivo interno pelo qual o agente escolheu aquele valor. ## O que muda na coleta e no laudo Para os autores, a coleta e a exportação da prova devem preservar as chamadas e os resultados das ferramentas na ordem de execução, o pedido autêntico e o canal de origem, o relato gerado pelo agente identificado como conteúdo gerado e as ligações entre os identificadores locais e os registros, e o relatório deve separar a relação sustentada, a relação vazia, a ausência de base registrada e a prova insuficiente, mantendo como não resolvida a constatação que depende de uma ligação que não foi preservada. --- # Pentágono investiga ataque hacker por trás de freezers que esquentaram e estragaram comida em bases militares dos EUA - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/pentagono-investiga-ataque-hacker-em-freezers-de-bases-militares/ - Fonte original: Nextgov/FCW, https://www.nextgov.com/cybersecurity/2026/10/pentagon-investigates-suspected-cyberattack-behind-military-freezer-failures/416926/, 29.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ataque cibernético, refrigeração comercial, sistemas de controle, bases militares, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Pentágono investiga ataque hacker por trás de freezers que esquentaram e estragaram comida em bases militares dos EUA", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/pentagono-investiga-ataque-hacker-em-freezers-de-bases-militares/ ## O que importa - Pelo menos seis comissariados, os supermercados das bases militares americanas, relataram desde agosto de 2026 freezers que entraram em modo de degelo e aqueceram os alimentos até estragá-los. - Segundo a Reuters, o Pentágono trata as falhas como suspeita de ataque cibernético, com participação do Comando Cibernético e da divisão de investigação criminal do Exército, que coopera com a polícia francesa num ataque parecido a supermercados da França. - Os investigadores não confirmaram a causa nem quais controladores estavam instalados nas lojas, e um ciclo de degelo, sozinho, não prova que houve invasão. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos investiga como suspeita de ataque cibernético as falhas de freezers que estragaram alimentos em comissariados, os supermercados que atendem militares dentro das bases, a partir de agosto de 2026, segundo a Reuters, que publicou a informação na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, e segundo um funcionário americano ouvido pelo Nextgov/FCW sob condição de anonimato. A Defense Commissary Agency, agência que administra essas lojas, tem 235 comissariados no mundo, e quatro funcionários disseram à Reuters que os investigadores tratam os casos americanos como suspeita de ataque, segundo o resumo publicado pelo SOFX. ## As lojas atingidas O primeiro relato público veio de Fort Huachuca, no Arizona, que escreveu no Facebook, em 26 de agosto de 2026, que o freezer "entrou em modo de degelo e aqueceu toda a comida", e acrescentou que ela de fato tinha estragado. Além de Fort Huachuca, os comissariados atingidos ficam em Fort Irwin e na base aérea de Travis, na Califórnia, na base aérea F.E. Warren, no Wyoming, na estação naval de Newport, em Rhode Island, e na base aérea de Columbus, no Mississippi, segundo o IBTimes UK, e Fort Irwin relatou os problemas em setembro, de acordo com o SOFX. Algumas lojas continuaram abertas vendendo só produtos secos enquanto a refrigeração era consertada, e o caso foi apontado primeiro em agosto pelo blog Signal and Silence, depois pelo jornal Stars and Stripes, que noticiou a entrada de investigadores militares, e pelo The Telegraph, que relatou o contato com autoridades francesas, segundo o Nextgov. ## Quem investiga Uma unidade do Comando Cibernético dos Estados Unidos, o braço de operações cibernéticas das Forças Armadas, disse que trabalha "em estreita coordenação com parceiros de outras agências e das forças de segurança", sem dar mais detalhes sobre o andamento ou as conclusões. A divisão de investigação criminal do Exército confirmou que seu escritório de crimes cibernéticos (Cyber Field Office) participa da apuração e trabalha com a polícia francesa para entender melhor "as falhas de refrigeração na Europa", segundo o IBTimes UK. ## A ligação com o ataque na França Em outubro de 2026, invasores alteraram os controles de temperatura de equipamentos de refrigeração em mais de 350 estabelecimentos na França, entre eles cerca de 150 lojas Intermarché e quase 100 Super U, e algumas unidades chegaram a cerca de 50°C, com descarte de alimentos e, segundo a Reuters citada pelo IBTimes UK, casos de aparelhos que esquentaram a ponto de pegar fogo. Muitas lojas francesas usavam controladores da empresa dinamarquesa Danfoss, que disse à Reuters que boa parte dos aparelhos era antiga ou rodava software desatualizado, o que pode ter facilitado a invasão, e a Danfoss não respondeu às perguntas sobre os casos americanos. Os registros de pelo menos um comissariado, o da estação aérea naval de El Centro, na Califórnia, citam um sistema de controle Danfoss, mas a Reuters não conseguiu confirmar se as lojas atingidas nos Estados Unidos usavam controladores dessa marca ou de outra, segundo o SOFX e o IBTimes UK. ## As falhas conhecidas nos controladores Pesquisadores do Team82, grupo de pesquisa da empresa Claroty, documentaram vulnerabilidades nos controladores de refrigeração Danfoss da série AK-SM 800A, entre elas uma falha de desvio de autenticação (CVE-2025-41450), divulgada em março de 2025, que permite gerar um relatório com endereços IP internos, nomes de usuário e nomes de lojas, segundo o IBTimes UK. A Danfoss publicou em 1º de agosto de 2025 um alerta sobre outras duas falhas, uma de injeção de comandos que permite executar código remotamente depois da autenticação (CVE-2025-41451) e outra de configuração da interface web que pode derrubar o serviço (CVE-2025-41452), e lançou atualizações de firmware para as três. Em 13 de outubro de 2026, o Team82 publicou um experimento de laboratório em que um agente de IA de programação reproduziu falhas já divulgadas em cerca de 28 minutos, com custo estimado de US$ 6, mas só conseguiu montar o desvio de autenticação e encadeá-lo à injeção de comandos, chegando ao controle total de um aparelho de laboratório, depois que os pesquisadores lhe deram ferramentas e orientações extras, e o IBTimes UK ressalta que o teste não foi descoberta autônoma de falhas e não mostra que a IA foi usada em nenhum dos dois casos. ## O que ainda não se sabe O degelo é uma etapa normal da refrigeração, que derrete o gelo acumulado nas serpentinas, e o IBTimes UK lembra que um freezer em modo de degelo, por si só, não prova que houve ataque, embora nos comissariados a temperatura tenha subido a ponto de estragar a comida. Os investigadores não informaram quais controladores estavam instalados nas lojas atingidas, se algum equipamento rodava firmware vulnerável nem se houve acesso não autorizado, e as reportagens disponíveis não estabelecem causa técnica comum entre as falhas americanas e o ataque francês. O Nextgov lembra que uma avaliação de 2021 do Departamento de Segurança Interna sobre ameaças à alimentação e à agricultura já apontava falhas de refrigeração e atrasos de transporte como riscos cibernéticos capazes de causar perdas e desabastecimento, e que o centro de troca de informações do setor alimentício avisou que atacantes miram controles industriais acessíveis pela internet e nem sempre bem protegidos. --- # Ivanti Connect Secure: três falhas de dia zero encadeadas deram acesso root à VPN, e só a perícia de memória revelou o ataque - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ivanti-connect-secure-falhas-dia-zero-encadeadas-pericia-de-memoria/ - Fonte original: Volexity, https://www.volexity.com/blog/2026/10/13/a-series-of-unauthenticated-events-chained-exploitation-of-ivanti-connect-secure-zero-days/, 13.Out.2026 (inglês) - Marcadores: Ivanti, falha de dia zero, VPN, perícia de memória, antiforense, CISA - Como citar: NEXO CAUSAL, "Ivanti Connect Secure: três falhas de dia zero encadeadas deram acesso root à VPN, e só a perícia de memória revelou o ataque", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ivanti-connect-secure-falhas-dia-zero-encadeadas-pericia-de-memoria/ ## O que importa - A Ivanti publicou em 13 de outubro de 2026 a correção da falha CVE-2026-104935 no Connect Secure, explorada antes da divulgação por um grupo que a empresa de perícia Volexity chama de UTA0576. - O invasor encadeou um desvio de autenticação, uma execução remota de código e uma escalada de privilégio, apagou os registros e não deixou programa malicioso no disco, de modo que a ferramenta de integridade da própria Ivanti não detectava a invasão. - A Volexity só reconstruiu a cadeia de exploração com imagens de memória e de disco e com os despejos de memória gerados pelo ataque, e a terceira falha recebeu correção em 29 de outubro de 2026. A Ivanti, fabricante do Ivanti Connect Secure (ICS), uma das VPNs corporativas mais usadas no mundo, publicou em 13 de outubro de 2026 a correção de uma falha que já vinha sendo explorada antes de ser conhecida, e a empresa americana de perícia digital Volexity, que descobriu o ataque, mostrou que o invasor encadeou três falhas para rodar comandos como root no equipamento sem precisar de senha e, ao mesmo tempo, apagou os rastros de um jeito que a ferramenta de verificação da própria Ivanti não enxergava. ## A falha e quem foi atingido A falha recebeu o código CVE-2026-104935 e foi classificada pela Ivanti como de alta gravidade, com nota 8,6 na escala CVSS, por permitir que um atacante remoto, sem autenticação, execute comandos no equipamento, segundo a análise publicada pela empresa de segurança Rapid7 no mesmo dia. A Ivanti informou que a exploração atingiu um número limitado de clientes antes da divulgação, e a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) incluiu a falha no catálogo de vulnerabilidades sabidamente exploradas (Known Exploited Vulnerabilities, KEV) também em 13 de outubro de 2026. Segundo a Rapid7, parte do problema foi achada pelo próprio programa de segurança da Ivanti e corrigida na versão 25.1.3.0, lançada em julho de 2026, e a exploração aconteceu enquanto a empresa levava a correção para as outras versões ainda suportadas. O BleepingComputer informou que a organização Shadowserver, que monitora a internet, contava mais de 5.500 equipamentos ICS expostos na rede, sem saber quantos eram armadilhas para atacantes ou já estavam protegidos, e que a empresa de inteligência Defused viu os primeiros sinais de exploração em 1º de outubro de 2026. ## Como a Volexity chegou ao equipamento A investigação da Volexity começou em 5 de outubro de 2026, a partir de atividade suspeita na rede de um cliente do serviço de monitoramento da empresa, e o trabalho inicial apontou como origem um equipamento ICS com todas as atualizações instaladas, na versão 22.8R2.4, explorado repetidamente desde 3 de outubro de 2026 por um grupo que a empresa chama de UTA0576, por ainda não o ligar a nenhum grupo conhecido. ## O que a cadeia permitia A Volexity descreve três falhas usadas em sequência, um desvio de autenticação, uma falha que permitia gravar e executar um arquivo e uma escalada de privilégio, e a Ivanti trata as duas primeiras sob o código CVE-2026-104935, corrigidas em 13 de outubro de 2026, enquanto a terceira ficou para uma versão posterior. Com a cadeia completa, o invasor conseguia executar comandos com privilégio de administrador do sistema (root) num equipamento que estava com todas as atualizações disponíveis instaladas, sem ter nenhuma senha. ## Sem programa malicioso e sem registros O ponto que mais interessa à perícia é a forma como o grupo escondeu o ataque: segundo a Volexity, o UTA0576 não instalou programa malicioso nem web shell, e repetia a cadeia inteira de exploração a cada comando, recebendo o resultado na própria resposta da conexão, sem canal separado de comando e controle. A alteração necessária para a escalada de privilégio era feita só na memória do equipamento e desfeita logo depois, e o código do invasor ainda apagava as entradas recentes dos registros de depuração da Ivanti e do registro de auditoria do Linux, preservando as mais antigas para que a falta não chamasse atenção. Por isso a ferramenta de verificação de integridade da Ivanti (Integrity Checker Tool), que procura mudanças inesperadas nos arquivos do disco, não detectava nada, e a Volexity escreveu que a investigação forense é necessária para identificar os sinais de exploração. ## Como a perícia reconstruiu o ataque A Volexity contou que coletou, junto com a Ivanti, imagens da memória e do disco do equipamento atacado e analisou os despejos de memória (core dumps) que a própria exploração gerava quando um processo travava, e foi com esse material, examinado na ferramenta de análise de memória da empresa, que conseguiu identificar e reconstruir a cadeia completa. Na memória apareceram processos que não estavam visíveis numa listagem comum de arquivos, entre eles uma ferramenta de captura de tráfego de rede renomeada para parecer um serviço do sistema, guardada numa pasta oculta e gravando em oito arquivos que se sobrescreviam em rodízio, e também scripts e arquivos de saída que o invasor já tinha apagado do disco. A empresa ressalva que, embora o código recuperado mostre essas funções de limpeza, não ficou estabelecido até que ponto cada uma delas funcionou de fato no equipamento examinado. ## O que o invasor fez lá dentro Segundo a Volexity, logo depois de entrar o grupo passou a roubar credenciais e dados: extraiu as credenciais de domínio guardadas no equipamento, exportou parte dos metadados do Active Directory, procurou senhas de administrador local gerenciadas pelo LAPS e chaves de recuperação do BitLocker, testou senhas em massa contra contas da rede e tentou tirar credenciais do tráfego capturado. A empresa avalia com alta confiança que o operador interagia com os resultados dos comandos, e não apenas rodava um roteiro pronto, e que as ações preparavam um movimento lateral para outras máquinas da rede, mas os objetivos finais não puderam ser determinados porque a operação foi detectada e interrompida. A Volexity atribui ao grupo, com baixa confiança, motivação criminosa e não de espionagem, por causa do alvo, e avalia com confiança média que o grupo usa modelos de linguagem de grande porte para desenvolver as explorações e conduzir as ações seguintes, entre outros motivos pela complexidade da cadeia. ## Correção, histórico e orientação Em atualização do texto, a Volexity informou que a Ivanti publicou em 29 de outubro de 2026 a correção da escalada de privilégio, registrada como CVE-2026-111357. A Rapid7 recomenda aplicar as atualizações em caráter emergencial, fora do ciclo normal, e procurar sinais de comprometimento mesmo depois da correção, já que, segundo a Ivanti, não havia indicadores confiáveis de comprometimento no momento do aviso, e a Volexity publicou os indicadores que encontrou. A Volexity orienta quem suspeitar de invasão a fazer perícia de rede e de memória, porque a ferramenta de integridade da Ivanti pode não identificar o comprometimento, e diz que equipamentos com tentativas de movimento lateral partindo da VPN devem ser investigados. O Connect Secure já teve outras falhas de dia zero exploradas, como as CVE-2023-46805 e CVE-2024-21887, corrigidas em janeiro de 2024, e a CVE-2025-22457, explorada desde meados de março de 2025 por espiões ligados à China, e a CISA já incluiu 36 falhas de produtos Ivanti na lista de exploradas desde novembro de 2021, 12 delas usadas por grupos de ransomware, segundo o BleepingComputer. --- # Interferência em GPS e AIS de navios: pesquisadores propõem gravar o sinal de rádio bruto como prova pericial em encalhes e colisões - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/interferencia-em-gps-e-ais-de-navios-captura-forense-do-sinal-de-radio/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2610.25411, 18.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, cadeia de custódia, GNSS, AIS, interferência, transporte marítimo - Como citar: NEXO CAUSAL, "Interferência em GPS e AIS de navios: pesquisadores propõem gravar o sinal de rádio bruto como prova pericial em encalhes e colisões", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/interferencia-em-gps-e-ais-de-navios-captura-forense-do-sinal-de-radio/ ## O que importa - Pesquisadores italianos depositaram em 18 de outubro de 2026, no repositório científico arXiv, um método de aquisição forense dos sinais de rádio de GNSS e AIS recebidos por um navio, para uso na investigação de encalhes e colisões. - A proposta grava as amostras brutas do sinal (IQ) junto com o que os instrumentos do passadiço mostravam e lacra tudo num único envelope com cadeias de hash e carimbos de tempo, que um terceiro pode verificar. - Num protótipo, a camada de integridade aumentou o armazenamento em no máximo cerca de 3%, e os autores avisam que o método prova o que o gravador guardou, mas não que o sinal estava de fato no ar. Giacomo Longo, Alessandro Cantelli-Forti, Alessio Merlo e Enrico Russo, pesquisadores ligados à Escola de Estudos Avançados de Defesa (CASD) e ao consórcio CNIT, na Itália, depositaram em 18 de outubro de 2026, no repositório científico arXiv, o artigo "Spectrum of Liability: Forensically Sound Acquisition of Wireless Evidence for the Reconstruction of Maritime Cyber-Physical Incidents", que propõe uma forma de preservar como prova os sinais de rádio recebidos por um navio. ## O problema: a prova que sobra é a de baixo A navegação comercial depende de dois sistemas de rádio, os sistemas globais de navegação por satélite (GNSS), como o GPS e o Galileo, que dão posição e hora, e o sistema de identificação automática (AIS), que troca em VHF mensagens de posição, rumo e velocidade entre embarcações, e os autores lembram que a recepção do GNSS é frágil pela potência muito baixa do sinal e que as mensagens do AIS são fáceis de manipular. Quando há encalhe ou colisão e se suspeita de bloqueio (jamming) ou de falsificação (spoofing) do sinal, o que costuma estar disponível são os registros do registrador de dados de viagem (VDR), os logs do sistema integrado de passadiço, capturas de tela e mensagens já decodificadas, que os autores chamam de provas "de jusante", porque mostram o que foi exibido no passadiço, perdem as características físicas do sinal e são fáceis de contestar num litígio. O artigo cita um estudo de caso divulgado pela Gard, seguradora especializada em responsabilidade civil marítima, em que um navio perdeu o sinal de GPS no Mar Vermelho, seguiu horas com a posição estimada do sistema de cartas eletrônicas (ECDIS) e encalhou num recife de coral a 11,3 nós (20,9km/h), quando a posição real, confirmada depois por rastreamento externo, estava a mais de 40 milhas náuticas (74,1km) da estimada. Sem acesso ao sinal de rádio original, dizem os autores, é quase impossível distinguir uma interferência externa de alternativas comuns, como defeito do receptor ou erro de configuração, e a mesma ocorrência pode ser enquadrada no seguro como risco marítimo comum, risco de guerra ou evento cibernético, conforme a causa que se consiga provar. ## O método: gravar o sinal antes da decodificação A proposta usa rádios definidos por software (SDR), que entregam o sinal recebido como amostras complexas, chamadas IQ, e grava essas amostras de várias faixas ao mesmo tempo, o que permite decodificar de novo e medir o sinal no nível físico depois do incidente. Junto com as amostras, o sistema guarda os metadados do momento, como as sentenças NMEA, o formato padronizado em que os instrumentos de bordo trocam dados, as saídas já decodificadas de AIS e GNSS e o estado dos receptores, para ligar o que chegou pelo ar ao que os instrumentos mostraram. Tudo vai para um único envelope forense que só aceita acréscimos, com um bloco inicial que registra a configuração e os identificadores dos equipamentos, blocos encadeados por hash para cada canal e para os metadados e um bloco final, e cada canal tem sua própria cadeia de hash, de modo que qualquer alteração, corte, emenda ou troca de trechos entre casos fica detectável. Para fixar o tempo, os blocos inicial e final e pontos de controle periódicos recebem carimbos de tempo de uma autoridade de carimbo do tempo no padrão RFC 3161, e, sem conexão, o equipamento usa uma autoridade interna baseada num relógio de bordo de alta estabilidade, de ±0,1 parte por milhão, que, segundo os autores, acumula no máximo cerca de 0,26 segundo de deriva em 30 dias. O equipamento proposto, chamado de RFbox, tem um módulo de plataforma confiável (TPM 2.0) que só libera a chave de assinatura se o hardware e o software estiverem na configuração registrada na instalação. ## Os testes do protótipo O protótipo, escrito em Rust, foi testado com seis perfis de captura, do AIS, com dois canais, ao conjunto completo de dez canais de AIS, VHF, GPS e Galileo, com sinais sintéticos gerados no próprio computador, 60 segundos de gravação e 25 repetições por perfil. A camada forense aumentou o armazenamento em no máximo cerca de 3% em relação à gravação simples das amostras, o uso de processador ficou em geral entre 1,2 e 1,3 vez o da gravação simples, com pico de cerca de 2,5 vezes no perfil de GNSS, e o perfil mais pesado exigiu cerca de 322MB/s de escrita em disco, o que, para os autores, desloca o problema da criptografia para a capacidade de gravação. A verificação feita por um terceiro rodou de 15 a 50 vezes mais rápido que o tempo real nos perfis de banda larga e até cerca de 1.000 vezes no AIS, com menos de 40MB de memória. ## O que o método certifica e o que não certifica Os autores dizem que o envelope garante que "isto é exatamente o que o gravador guardou", e não que "isto é exatamente o que havia no ar", porque um operador mal-intencionado ou um equipamento comprometido poderia injetar amostras sintéticas, alterar configurações ou gravar de outra antena, e por isso recomendam inicialização segura, firmware assinado, proteção física e, de preferência, receptores redundantes e diferentes entre si. O método não pretende identificar o atacante, provar intenção nem interpretar cobertura de seguro ou causa jurídica, e os autores citam a norma ISO/IEC 27037, de identificação, coleta, aquisição e preservação de evidência digital, como referência de manuseio da prova, além de sugerirem que a captura seja integrada aos próprios registradores de dados de viagem, o que exigiria, nas palavras deles, um novo projeto desses equipamentos por causa do volume de dados. Segundo o artigo, o mesmo padrão de prova serve para outros setores em que a segurança depende de sinais sem fio, como a aviação, o transporte terrestre com veículos conectados e redes industriais. --- # IA erra ao decodificar os dados de localização que o iPhone envia à Apple, mas escreve ferramenta que pode ser validada - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ia-erra-ao-decodificar-dados-de-localizacao-do-iphone-mas-cria-ferramenta-validavel/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2610.21597, 15.Out.2026 (inglês) - Marcadores: iPhone, dados de localização, engenharia reversa, inteligência artificial, protobuf, perícia digital - Como citar: NEXO CAUSAL, "IA erra ao decodificar os dados de localização que o iPhone envia à Apple, mas escreve ferramenta que pode ser validada", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ia-erra-ao-decodificar-dados-de-localizacao-do-iphone-mas-cria-ferramenta-validavel/ ## O que importa - Estudo do Trinity College Dublin, publicado no arXiv em 15 de outubro de 2026, pediu a dois modelos de IA que reconstruíssem os formatos de mensagem que o iPhone envia aos serviços de localização da Apple, e só 3 dos 17 formatos saíram inteiramente certos em cada modelo. - Os erros eram difíceis de perceber porque os formatos reconstruídos eram coerentes por dentro e quase 90% dos campos errados nunca apareceram no tráfego capturado. - Uma ferramenta em Python escrita pela própria IA e conferida contra respostas conhecidas funcionou e foi usada para decodificar o tráfego de localização de um iPhone 8. Douglas J. Leith, do Trinity College Dublin, na Irlanda, publicou no arXiv em 15 de outubro de 2026 o artigo "Decoding What iOS Location Services Send to Apple: An LLM Is an Unreliable Analyst but a Useful Toolmaker", que testa se a inteligência artificial pode fazer a engenharia reversa dos dados que o iPhone envia aos serviços de localização da Apple e conclui que a IA é um analista pouco confiável, mas um bom construtor de ferramentas, desde que o resultado da ferramenta possa ser conferido. ## O problema: mensagens sem manual O tráfego de rede de um iPhone pode ser decifrado num aparelho desbloqueado (jailbreak), mas o conteúdo vem codificado em protobuf, um formato binário cujo esquema, a lista de campos com número, tipo e nome de cada um, a Apple não publica, e por isso o esquema tem de ser recuperado do próprio programa que monta a mensagem. O código da Apple é, em boa parte, Objective-C compilado para processadores ARM64, e o autor descreve esse trabalho como especializado e lento, o que torna atraente entregar a tarefa a um modelo de linguagem, e o estudo diz que essa pergunta interessa à análise pericial e de privacidade em geral. ## O teste com dois modelos de IA O autor usou dois modelos de ponta, Claude Opus 4.8 e Codex GPT Sol 5.6, para reconstruir, a partir dos binários da Apple, os esquemas de 17 mensagens de requisição e resposta observadas no tráfego, que somavam 7.788 campos em 1.627 tipos de mensagem, e cada tipo foi entregue a um subagente novo, com contexto limpo. A avaliação foi cega, com cada modelo rodando num ambiente isolado, sem acesso aos esquemas corretos, a conversas anteriores nem à internet, e o resultado foi comparado campo a campo com o da ferramenta validada que o autor desenvolveu à parte, considerando certo só o campo com o mesmo número, no mesmo lugar da árvore da mensagem, com o mesmo tipo e o mesmo nome. ## O que saiu errado O Claude acertou 86,1% dos 4.151 campos simples e o Codex 79,1%, mas, quando se exige que toda a subárvore abaixo de um campo de mensagem esteja certa, os acertos caem para 57,8% e 52,0%, e no total ficaram errados 1.069 campos no Claude e 1.980 no Codex, com só 3 dos 17 esquemas inteiramente certos para cada modelo. Os exemplos do artigo mostram o tipo de dano, como o campo de latitude declarado pelo Claude com um tipo errado, de modo que o decodificador simplesmente o pula, um campo com sinal lido sem sinal, em que o valor −5 vira 9, e a troca de números de campo pelo Codex numa mensagem de consulta de lugares, que impediu a leitura de todas as 34 mensagens desse tipo capturadas. Esse último foi o único erro que se denunciou sozinho, porque todos os outros decodificaram sem nenhum aviso, e num caso o esquema do Claude fez desaparecer em silêncio 70% dos valores decodificados de oito mensagens capturadas. O ponto central do estudo é que os esquemas errados são coerentes por dentro, com sintaxe correta e nomes de campo plausíveis, e por isso nada no próprio esquema aponta o erro. O tráfego real ainda esconde o problema, porque só 806 dos 7.407 campos dos esquemas testáveis (10,9%) apareceram nas capturas, e nesses campos os acertos subiram para 94,2% no Claude e 95,9% no Codex, de modo que testar o esquema contra o tráfego capturado deixaria passar quase 90% dos campos errados. A reconstrução direta pelos modelos levou cerca de cinco dias de relógio, contra cerca de 2 minutos da ferramenta do autor sem chamar nenhum modelo. ## A ferramenta escrita pela IA e como foi validada A ferramenta, chamada Extractor, tem cerca de 21.000 linhas de Python e um conjunto de testes de tamanho parecido, e o autor informa que foi construída inteiramente pelo Claude, sem nenhuma linha de código ou de teste escrita por pessoa. A validação partiu da engenharia reversa do molde que as classes de protobuf da Apple seguem, o que permitiu ao autor escrever esquemas com resposta conhecida, compilá-los com um compilador da mesma época do código da Apple e exigir que a ferramenta os recuperasse exatamente, e os testes cobriram 83% das instruções e 71% dos desvios do código que faz a recuperação. O resultado também foi comparado com esquemas já publicados por outros pesquisadores, com concordância em todos os números de campo e, nas divergências de tipo ou de sentido, com os binários do iPhone dando razão à ferramenta, e com o tráfego real, em que os 889 pares de mensagem e campo observados decodificaram com valores coerentes com o nome do campo, como uma latitude compatível com a posição conhecida do aparelho. ## O que o iPhone enviou Com a ferramenta, o autor decodificou o tráfego de um iPhone 8 com iOS 16.7.11, desbloqueado e interceptado por um proxy, usado por um usuário que recusa compartilhar dados com a Apple, e nenhuma mensagem trouxe identificador direto do usuário ou do aparelho. Com a localização ligada, o aparelho enviou a posição precisa à Apple em consultas de endereço, em consultas de impressão de Wi-Fi com horários de entrada e saída de visitas e em lotes de pontos de GPS com precisão de cerca de 5m, enquanto a telemetria de uso levou identificadores de sessão que duraram pelo menos 106 dias. Nas 27 horas com a localização desligada, o aparelho ainda fez 97 consultas de qualidade de Wi-Fi com o endereço MAC do ponto de acesso conectado, o que situa o aparelho na casa das dezenas de metros se a Apple souber onde fica esse ponto de acesso. ## Os limites que o autor aponta O autor diz que o uso do aparelho foi pequeno e que, por isso, a coleta relatada provavelmente está subestimada, que o aparelho desbloqueado pode se comportar de outro jeito, embora não tenha visto sinal disso, e que a principal limitação é a versão antiga do iOS, já que não há jailbreak para as versões mais novas. Para reduzir esse último problema, ele rodou a ferramenta nos binários do iOS 27 e do macOS 27 e verificou que os 739 campos vistos nas capturas continuam declarados com o mesmo número, nome e tipo, e lembra ainda que os testes da ferramenta partem de um molde reconstruído por ele mesmo e, por isso, carregam as suas premissas sobre o código da Apple. ## O que isso muda na prática pericial A regra que o estudo deixa para quem faz perícia digital é que o uso direto da IA para reconstruir formatos de dados não serve para análise pericial, enquanto uma ferramenta escrita com ajuda da IA é confiável quando há uma referência que não vem do próprio modelo para conferir o resultado, que neste trabalho foram os esquemas compilados com resposta conhecida. O artigo também situa as mensagens decodificadas ao lado do que a perícia já extrai do próprio aparelho, como as bases do CoreRoutine e os Locais Significativos (Significant Locations), descrevendo os envios à Apple como a contrapartida, do lado do servidor, desses registros guardados no telefone. --- # Incêndio na refinaria BP-Husky, em Ohio: transbordamento de nafta e inundação de alarmes no relatório do CSB - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-refinaria-bp-husky-transbordamento-de-nafta-inundacao-de-alarmes/ - Fonte original: U.S. Chemical Safety and Hazard Investigation Board (CSB), https://www.csb.gov/csb-releases-bp-husky-safety-video/, 30.Set.2026 (inglês) - Marcadores: refinaria, segurança de processos, inundação de alarmes, CSB, nuvem inflamável, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio na refinaria BP-Husky, em Ohio: transbordamento de nafta e inundação de alarmes no relatório do CSB", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-refinaria-bp-husky-transbordamento-de-nafta-inundacao-de-alarmes/ ## O que importa - O U.S. Chemical Safety Board (CSB) lançou em 30 de setembro de 2026 um vídeo com a animação do incêndio de 20 de setembro de 2022 na refinaria BP-Husky, em Oregon, Ohio, que matou dois operadores. - Segundo o relatório final do órgão, nafta líquida transbordou para o tambor de mistura de gás combustível, foi drenada direto para o chão e formou uma nuvem inflamável que pegou fogo num forno próximo. - Nas quase 12 horas anteriores, a sala de controle registrou 3.712 alarmes, bem acima da referência de 10 alarmes em 10 minutos usada pelas normas do setor para definir inundação de alarmes. O U.S. Chemical Safety and Hazard Investigation Board (CSB), órgão federal independente dos Estados Unidos que investiga acidentes químicos, lançou em 30 de setembro de 2026 o vídeo "Alarming Mistakes, Deadly Decisions: Fatal Fire at BP-Husky", com a animação do incêndio repentino (flash fire) que matou dois funcionários da refinaria BP-Husky, em Oregon, Ohio, em 20 de setembro de 2022, e o vídeo resume o relatório final da investigação, publicado pelo órgão em 24 de junho de 2024. ## Da perturbação de processo ao tambor cheio de líquido Por volta das 3h20 de 20 de setembro de 2022, uma perturbação de processo na unidade de hidrotratamento de nafta provocou perda de contenção, outras unidades foram paradas e, ao longo do dia, decisões da equipe da BP levaram a nafta líquida a escoar para o tambor de mistura de gás combustível (fuel gas mix drum), um vaso pressurizado que normalmente só contém vapor de gás combustível e que alimenta fornos e caldeiras. Pelo relatório, a nafta saiu do tambor acumulador de topo da unidade Crude 1, passou pela torre absorvedora e retificadora da planta de gás do coque e, pela tubulação de desvio (bypass) dessa planta, chegou ao tambor de mistura, que transbordou para a tubulação de vapor que segue para os fornos e as caldeiras, o que criava risco de incêndio ou explosão nesses equipamentos. Às 18h10 o alarme de nível alto do tambor tocou no console do sistema digital de controle (DCS), mas o operador da sala de controle só chamou os operadores de campo pelo rádio alguns minutos depois, e entre 18h10 e 18h17 o console recebeu 55 alarmes, o equivalente a um a cada nove segundos, segundo o CSB. ## A drenagem e a leitura falsa de nível O operador da sala de controle pediu que o tambor fosse drenado "o mais rápido possível", e os operadores de campo abriram a válvula de uma linha de 2" (5,08cm) para o tambor de alívio da tocha e o dreno de 2" (5,08cm) para o esgoto oleoso. Por volta das 18h32 dois funcionários da BP, irmãos, um operador de campo e um operador em treinamento, abriram duas válvulas de sangria de 3/4" (1,91cm) para o chão, uma delas no transmissor de nível por pressão diferencial, e o CSB registra que essa abertura alterou o diferencial de pressão e fez o instrumento indicar zero por cento, dando a falsa impressão de que o tambor estava esvaziando quando ele continuava cheio. Pouco antes das 18h39 os dois retiraram o flange cego de uma válvula de 2" (5,08cm) na lateral do tambor, que só era usada pela manutenção em paradas, e passaram a liberar o líquido direto no chão, e o relatório conclui que eles podem ter acreditado que o líquido era uma solução de amina e água, e não nafta inflamável. O procedimento geral de drenagem da refinaria proibia drenar material para o chão e não foi seguido na emergência, e não havia instrução escrita para reagir a nível alto de líquido no tambor de mistura. ## O detector que só tocava no campo Às 18h39 um detector de gás inflamável perto do tambor chegou a 100% do limite inferior de inflamabilidade (LFL, a menor concentração de gás no ar capaz de ser inflamada por centelha ou chama), mas o alarme só funcionava no local, porque um erro de configuração no gerenciador de alarmes o mantinha desabilitado no DCS, embora a leitura analógica continuasse visível na sala de controle. A buzina do detector aparece ao fundo de uma transmissão de rádio às 18h40, mas o CSB não achou evidência de que alguém na sala de controle soubesse que os dois funcionários estavam liberando líquido no chão. Com a mudança do vento trazida por uma chuva que se aproximava, a nuvem de vapor provavelmente seguiu para o forno da unidade Crude 1, apontado como a provável fonte de ignição, e pegou fogo às 18h46, e os dois funcionários morreram em consequência das queimaduras. O fogo foi extinto às 22h10, e a BP estimou que foram liberadas 23.502lb (10.660kg) de nafta e 66.889lb (30.340kg) de gás combustível. ## A inundação de alarmes O relatório usa a definição do ASM Consortium, para quem há inundação de alarmes (alarm flood) quando chegam mais alarmes do que um operador consegue tratar, e a referência aceita no setor, adotada também pela própria BP, pelo CCPS e pela norma ANSI/ISA 18.2, é de mais de 10 alarmes em 10 minutos. No dia do acidente o console que reunia a Crude 1, o tambor de mistura e outras unidades ficou em 10 ou mais alarmes a cada 10 minutos de cerca das 7h até depois do incêndio, salvo dois intervalos, e entre 6h50 e 18h49 foram registrados 3.712 alarmes, média de 254,50 por hora. Do início do turno da noite, por volta das 16h50, até o incêndio, o console recebeu de 24 a 281 alarmes a cada 10 minutos, de 2,4 a 28 vezes o limite, e o pico passou de 50 alarmes em 10 minutos durante as quatro horas anteriores ao acidente. O CSB conclui que a inundação de alarmes sobrecarregou e distraiu os operadores, causou atraso e erro na resposta a alarmes críticos e prejudicou a comunicação entre turnos, e que, com menos alarmes, a equipe da noite poderia ter percebido o transbordamento pela linha em desvio e fechado o fluxo de nafta para o tambor. ## O limite da norma de alarmes A ISA 18.2 recomenda que o sistema fique em inundação menos de cerca de 1% do tempo, medido em pelo menos 30 dias de dados, e o relatório mostra que a maior parte dos meses de 2022 da refinaria estava dentro dessas metas mensais, embora o dia do acidente estivesse muito fora delas. O CSB observa que 1% de um mês equivale a cerca de 7,2 horas, de modo que uma única perturbação de sete horas num só turno pode sobrecarregar o operador mesmo com a meta mensal cumprida, e que a norma pede a análise do número, da duração, da quantidade de alarmes e do pico de cada inundação sem fixar metas para esses itens. ## Causa e recomendações O CSB definiu como causa a abertura de válvulas e a retirada de um flange no tambor pressurizado para liberar nafta no chão, e apontou como fatores contribuintes a falta de salvaguardas preventivas eficazes contra transbordamento de torres e vasos, com dependência excessiva da ação humana, a decisão de não parar a unidade nem colocá-la em circulação, a gestão deficiente de situações anormais, a inundação de alarmes e a falha em aprender com incidentes anteriores, com semelhanças, segundo o relatório, com as explosões de 2005 na refinaria da BP em Texas City. Entre as recomendações estão salvaguardas de engenharia contra transbordamento que não dependam só do operador, autoridade clara para parar o trabalho em situação anormal, a revisão da filosofia de alarmes da refinaria com base na publicação 191 da EEMUA e, à International Society of Automation, metas de curto prazo para cada evento de inundação de alarmes na ISA 18.2. O vídeo de 2026 percorre os mesmos quatro temas do relatório e traz comentários da conselheira Sylvia Johnson e dos investigadores Bill Steiner e Melinda Hartz. --- # FBI apreende a Virtualine, hospedagem 'à prova de bala' usada por criminosos, e pagamentos em bitcoin ligam o serviço a ransomware e drogas - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/fbi-apreende-virtualine-hospedagem-a-prova-de-bala-rastreamento-bitcoin/ - Fonte original: The Record (Recorded Future News), https://therecord.media/fbi-seizure-csam-virtualine, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: FBI, hospedagem à prova de bala, bitcoin, rastreamento blockchain, ransomware, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "FBI apreende a Virtualine, hospedagem 'à prova de bala' usada por criminosos, e pagamentos em bitcoin ligam o serviço a ransomware e drogas", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/fbi-apreende-virtualine-hospedagem-a-prova-de-bala-rastreamento-bitcoin/ ## O que importa - O FBI e a Procuradoria Federal do Distrito Leste da Virgínia anunciaram em 27 de outubro de 2026 a apreensão, com autorização judicial, do domínio virtualine.net, de um serviço de hospedagem que se anunciava em fóruns de crime cibernético como imune a denúncias e pedidos da polícia. - Segundo o Departamento de Justiça, a Virtualine recebia bitcoin por endereços próprios, sem passar por corretoras, e lavava o dinheiro, mas parte dos pagamentos pôde ser rastreada até grupos criminosos. - Os operadores não foram identificados nem acusados, e, horas depois da apreensão, o serviço publicou uma carta em outro domínio contestando as acusações. O FBI apreendeu o domínio virtualine.net, endereço principal da Virtualine, um serviço de hospedagem "à prova de bala" (bulletproof hosting) que, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, alugava servidores a criminosos com a promessa de ignorar denúncias de abuso e pedidos da polícia, e a análise dos pagamentos em bitcoin recebidos pela empresa a liga a grupos de ransomware, a ladrões de dados, a um mercado russo de drogas e a um esquema de sextorsão, segundo o The Record e as empresas de análise de blockchain Chainalysis e TRM Labs. ## A apreensão A apreensão, autorizada pela Justiça, foi anunciada em 27 de outubro de 2026 pelo escritório de campo do FBI em Washington e pela Procuradoria Federal do Distrito Leste da Virgínia, e a página do serviço foi substituída por um aviso de apreensão. A investigação, que o site Help Net Security diz ter recebido o nome de Operação Omegaline, foi liderada pelo FBI com ajuda da polícia do estado alemão de Hessen, da polícia da região central da Holanda (Politie Midden-Nederland) e da Agência Nacional de Crime (NCA) do Reino Unido, além de parceiros privados, entre eles a OverRIPE, uma coalizão de pesquisadores independentes dedicada a hospedagem maliciosa, a Lumen e a Chainalysis. O Departamento de Justiça não identificou os operadores da Virtualine nem anunciou acusações criminais junto com a apreensão do domínio, segundo o The Record. ## O que era a Virtualine A Virtualine também operava com os nomes Secury, Massgod, Spamhouse, Lanedo e Omegatech e vendia hospedagem, servidores e registro de domínios a clientes recrutados em fóruns de crime cibernético, e, segundo os autos citados pelo The Record, se anunciava para "todas as atividades ilegais", como phishing, fraude com cartões e envio de spam, embora dissesse proibir terrorismo e material de abuso sexual infantil. Em junho de 2025, a empresa se gabou no fórum HackForums de ter "ignorado mais denúncias de abuso do que os seus três últimos terapeutas", e, em março de 2026, passou a vender um "plano de proteção adicional" que prometia, ao receber um pedido oficial da polícia, transferir a infraestrutura do cliente para "outra empresa de fachada, não ligada à Virtualine", e reativar o servidor, segundo a Chainalysis e o Help Net Security. Os promotores acusam a Virtualine de hospedar, sabendo do que se tratava, um fórum criminoso que vendia acesso a imagens íntimas de adultos e de menores, divulgadas sem consentimento, e que anunciava invasores de contas sob encomenda para roubar esse tipo de conteúdo. A partir de janeiro de 2026, autoridades da Alemanha, do Canadá e da Austrália, o Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) e o advogado de uma vítima avisaram a empresa sobre esse material no servidor do fórum, mas, em vez de encerrar o serviço, a Virtualine ajudou os operadores a montar um novo site para enviar e baixar o conteúdo, segundo o Departamento de Justiça citado pelo The Record. ## O rastro do bitcoin A Virtualine recebia pagamentos por um serviço que chamava de "BTC [NO-AML]", numa referência às verificações contra lavagem de dinheiro, e o Departamento de Justiça descreveu esse serviço como "endereços de bitcoin específicos e não custodiados, que permitiam aos clientes pagar diretamente sem preocupação de que os fundos fossem sinalizados como ilícitos", segundo o Help Net Security. Os promotores dizem que a empresa tentou lavar esse dinheiro para esconder a origem, mas parte dos pagamentos pôde ser rastreada até grupos criminosos, segundo o The Record. A Chainalysis, que deu apoio de inteligência à investigação, diz que os endereços de pagamento da Virtualine têm ligação direta com operadores de ransomware, com a infraestrutura de programas que roubam credenciais (infostealers), com fóruns de crime cibernético em língua russa, com lojas ilícitas e com endereços de golpes e phishing. A TRM Labs, que já acompanhava a Virtualine antes da apreensão, afirma que, em 2026, o serviço foi o provedor de hospedagem desse tipo que mais recebeu criptomoeda de origem considerada ilícita entre os que a empresa monitora, embora não estivesse entre os maiores em valor total recebido. Pela análise da TRM, cerca de 44% das entradas diretas vieram de um mercado russo de drogas, cerca de 17% de um grande esquema de sextorsão, entre fevereiro e junho de 2026, cerca de 13% de um misturador de criptomoedas (mixer) e cerca de 5% de grupos de ransomware, e houve ainda pagamentos do programa StealC ao longo de 2026 e de outro provedor do mesmo tipo, o Volhav. A própria TRM ressalva que esses pagamentos estabelecem relações financeiras com a hospedagem, mas não identificam, sozinhos, quais ataques ou serviços rodavam na infraestrutura, e que as transferências não informam a finalidade. ## A apreensão não encerra o serviço A TRM lembra que tirar o domínio do ar atrapalha o acesso dos clientes, mas não prova que o operador parou de trabalhar nem que os clientes perderam o acesso à infraestrutura, e que os endereços já identificados continuam disponíveis para monitoramento, o que pode mostrar saques para corretoras que identificam clientes, novos pagamentos ou a migração para outros provedores. Horas depois da apreensão, a Virtualine publicou uma carta aberta num segundo domínio, virtualine.org, contestando as acusações, garantiu aos seguidores no Telegram que os dados deles estavam seguros e admitiu que "poderia mudar de marca, montar um novo site e seguir em frente", algo que levaria um dia ou menos, segundo o Help Net Security. A empresa de inteligência Silent Push, que acompanhava a rede desde 11 de fevereiro de 2026, quando viu infraestrutura passar de um provedor desse tipo conhecido, o Railnet, para uma rede recém-registrada chamada Omegatech, diz que partes dessa rede continuam acessíveis, embora com visibilidade de roteamento muito baixa, e contou 50 provedores desse tipo que perderam seus números de sistema autônomo (ASN) nos últimos 12 meses. Um alerta conjunto publicado em novembro de 2025 pela CISA, pelo FBI, pelo Centro Nacional de Segurança Cibernética (NCSC) britânico e por outros órgãos adverte que esses provedores conseguem um novo ASN em dois a cinco dias úteis e transferem para ele as mesmas faixas de endereços IP. O The Record lembra que a ação faz parte de uma série de operações internacionais contra esse tipo de hospedagem, como as sanções contra a Zservers, em fevereiro de 2025, e contra a Aeza Group, em julho de 2025, e que a empresa de inteligência Intel 471 relatou em agosto que as derrubadas vêm levando os clientes a provedores novos, montados por antigos revendedores, fragmentando o mercado em vez de acabar com a demanda. --- # Queda do helicóptero Super Puma no incêndio Dome, em Yosemite: o que diz o relatório preliminar do NTSB - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ntsb-relatorio-preliminar-queda-super-puma-incendio-dome-yosemite/ - Fonte original: AVweb, https://avweb.com/flight-safety/accidents-ntsb/ntsb-fatal-yosemite-helicopter-accident/, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: helicóptero, NTSB, combate a incêndio florestal, Super Puma, Yosemite, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Queda do helicóptero Super Puma no incêndio Dome, em Yosemite: o que diz o relatório preliminar do NTSB", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ntsb-relatorio-preliminar-queda-super-puma-incendio-dome-yosemite/ ## O que importa - O helicóptero Airbus AS332 L1 Super Puma que caiu em 20 de setembro de 2026 no Parque Nacional de Yosemite, matando os dois pilotos, tinha tido problemas com o balde de água num voo anterior no mesmo dia. - No terceiro lançamento do último voo, o balde esvaziou em cerca de três segundos, o helicóptero guinou para a esquerda, a velocidade em relação ao solo caiu a 4 nós (7,41km/h) e a razão de descida chegou a 1.344ft/min (409,65m/min). - O relatório preliminar não aponta causa e não liga o problema do balde à queda, que será explicada no relatório final. O helicóptero de combate a incêndio que caiu em 20 de setembro de 2026 no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, matando os dois pilotos, tinha tido problemas com o balde de água num voo anterior naquele mesmo dia, segundo o relatório preliminar do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (National Transportation Safety Board, NTSB), que reconstitui os últimos segundos do voo mas ainda não aponta a causa do acidente. ## A aeronave e a missão A aeronave era um Airbus AS332 L1 Super Puma, de prefixo N332N, e fazia lançamentos de água sobre o incêndio Dome, dentro do parque, e o relatório, de número WPR26FA346, tem data de 21 de outubro de 2026 na base de dados do NTSB e chegou ao noticiário nos dias seguintes, segundo o site especializado AeroCorner. Os dois pilotos trabalhavam para a Precision, que é parte da investigação junto com a Administração Federal de Aviação (FAA), a Airbus Helicopters, a Safran e o Serviço Florestal dos Estados Unidos, e eram Greg King, que morava em Palmer, no Alasca, segundo a emissora ABC30, e Ryan Cutter, de 46 anos, que morava em Park City, em Utah, segundo a emissora KSL, de acordo com o AeroCorner. ## O problema com o balde Mais cedo, a tripulação tinha feito um voo de combate ao fogo de 2,9 horas, com mais de 25 lançamentos, levando um balde Nomad de 800gal (3.028,33L) pendurado num cabo longo (longline) de 200ft (60,96m), e durante esse voo teve problemas com o balde, segundo o NTSB. Depois do pouso na base de helicópteros, os mecânicos apertaram o regulador de pressão de ar do balde e fizeram uma verificação de pressão do sistema, e pouco depois a tripulação foi chamada para lançar água sobre focos perto do heliponto H-5, usando o lago Ostrander como ponto de captação. ## Os três lançamentos do último voo O helicóptero decolou da base por volta das 13h28 e, segundo o NTSB, os investigadores reconstituíram o voo com dados do sistema de vigilância ADS-B, do rastreador Spidertracks e com vídeos feitos pelo celular de brigadistas em solo. A aeronave fez três captações no lago, dividindo o local com outros dois helicópteros, e a área de lançamento ficava a cerca de 2,25 milhas náuticas (4,17km), e o primeiro lançamento, com o balde abaixo da carga máxima, foi feito em movimento, por volta das 13h45, segundo o AeroCorner. No segundo, por volta das 13h50, os pilotos fizeram um lançamento pontual sobre uma árvore morta marcada pela equipe de solo com uma luz estroboscópica, com o balde logo acima das copas, que o NTSB estimou entre 80ft e 125ft (24,38m e 38,1m) de altura. O terceiro lançamento começou por volta das 13h56min28s, no ponto que a equipe de solo queria, e o balde esvaziou em cerca de três segundos, e cerca de um segundo depois o helicóptero guinou para a esquerda. Às 13h56min37s, os dados de ADS-B mostravam velocidade em relação ao solo de 4 nós (7,41km/h) e razão de descida de cerca de 1.344ft/min (409,65m/min), e, segundo o NTSB, "o balde pareceu cair quase na vertical e então tocou o solo por volta das 13h56min38s". Cerca de um segundo depois, o gancho de carga soltou o cabo longo e o helicóptero pareceu se mover para a frente, e a aeronave bateu nas árvores por volta das 13h56min43s, cerca de cinco segundos depois de o balde tocar o chão, com o som do impacto registrado cerca de um segundo mais tarde. ## O que mostram o áudio e os destroços A análise do som dos vídeos indicou que a rotação do rotor principal estava em cerca de 101% perto do lançamento e caiu para cerca de 96% no fim da sequência, enquanto a rotação do gerador de gás do motor subiu de cerca de 90% antes do lançamento para 96,9% logo depois e chegou a cerca de 101,2%, segundo o AeroCorner. Os destroços principais ficaram numa encosta coberta de floresta a cerca de 8.150ft (2.484,12m) de altitude, cerca de 500ft (152,4m) abaixo da área plana do heliponto H-5, entre abetos com copas de 100ft a 150ft (30,48m a 45,72m) de altura, e a aeronave parou deitada sobre o lado esquerdo, com o nariz voltado para cima da encosta. Um incêndio depois do impacto consumiu a maior parte do helicóptero e danificou muito a cabine e os instrumentos, e a maioria dos mostradores ficou queimada demais para fornecer dados, mas o gravador de voz da cabine (cockpit voice recorder, CVR) foi recuperado e teve o conteúdo baixado. O balde estava a cerca de 90ft (27,43m) dos destroços principais, ao lado de terra que parecia revolvida por um lançamento de água, e o gancho de carga foi encontrado travado, o que, segundo o NTSB, é compatível com uma liberação elétrica normal, e não com o uso da liberação manual. O relatório registra condições visuais, com céu limpo e rajadas de vento de 16 nós (29,63km/h) no aeroporto de Mammoth Yosemite, a 35 milhas náuticas (64,82km) do local. ## O que ainda falta O relatório preliminar reúne os fatos levantados até agora e pode mudar, não liga o problema do balde no voo anterior à queda e não diz por que o helicóptero desceu até as árvores, e os destroços ainda estão sendo retirados, conforme o risco de fogo permite, para exame posterior, segundo o AVweb e o AeroCorner. O AeroCorner observa que a água pesa cerca de 8,3lb por galão (0,99kg/L), de modo que um balde cheio de 800gal (3.028,33L) carrega cerca de 6.700lb (3.039,07kg), e que esvaziá-lo em poucos segundos muda quase de uma vez a carga sobre o helicóptero, mas ressalta que o relatório não diz quanto o balde levava no terceiro lançamento e não tira conclusão sobre a descida, a guinada ou a liberação do gancho. O horário de 13h56 informado pelo NTSB é cerca de uma hora anterior às 14h55 aproximadas dadas pela FAA no dia do acidente, e a causa provável só virá no relatório final. --- # Incêndio em fábrica de calçados em Mangolpuri, Délhi, mata quatro trabalhadores presos pela fumaça nos andares de cima - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-fabrica-de-calcados-mangolpuri-delhi-quatro-mortos/ - Fonte original: Vartha Bharati (agência PTI), https://english.varthabharati.in/india/delhi-shoe-factory-fire-kills-four-police-summon-owner-2287142, 31.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio industrial, fumaça, rota de fuga, fábrica, Índia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio em fábrica de calçados em Mangolpuri, Délhi, mata quatro trabalhadores presos pela fumaça nos andares de cima", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-fabrica-de-calcados-mangolpuri-delhi-quatro-mortos/ ## O que importa - O fogo começou por volta das 21h30 de 30 de outubro de 2026 no subsolo de uma fábrica de calçados na zona industrial de Mangolpuri, em Délhi, onde os sapatos eram fabricados e estocados. - Os bombeiros contiveram as chamas no subsolo, mas a fumaça subiu pelo prédio, e quatro dos seis trabalhadores resgatados inconscientes no terceiro e no quarto andares morreram, com suspeita de asfixia. - A polícia abriu inquérito por conduta negligente com fogo e por homicídio, prendeu duas pessoas, intimou o dono da fábrica e ainda apura a causa do incêndio. Quatro trabalhadores morreram e dois ficaram feridos num incêndio que começou por volta das 21h30 da sexta-feira, 30 de outubro de 2026, no subsolo de uma fábrica de calçados da fase I da zona industrial de Mangolpuri, no noroeste de Délhi, na Índia, e a fumaça que subiu pelo prédio prendeu as vítimas nos andares de cima, segundo os bombeiros e a polícia da capital indiana. O serviço de bombeiros de Délhi recebeu o chamado entre 21h31 e 21h32, e o fogo só foi controlado por volta das 6h do sábado, 31 de outubro de 2026, com 31 caminhões de bombeiros mobilizados, segundo a agência indiana PTI, enquanto outros veículos falam em cerca de 20 caminhões. ## Origem no subsolo e fumaça nos andares de cima O oficial dos bombeiros Paras Kumar disse que o fogo começou no subsolo da fábrica, onde os calçados eram produzidos e estocados, e que as equipes conseguiram conter as chamas ali, impedindo que se espalhassem pelo resto do prédio, segundo o The Tribune e o Aryan Age. O subsolo estava tomado pelas chamas quando os bombeiros chegaram, e a fumaça já tinha se espalhado pelos andares superiores, o que dificultou o resgate, segundo a PTI, que descreve o prédio como tendo térreo e três andares, além de uma estrutura parcialmente construída no quarto andar. O vice-comissário de polícia da zona externa, Vikram Singh, resumiu que o fogo começou no subsolo e que depois as chamas e a fumaça subiram, com "uma quantidade significativa de fumaça", e a revista The CSR Journal, que fala em início no térreo e no subsolo, diz que os investigadores suspeitam que produtos químicos e matérias-primas usados na fabricação de calçados tenham acelerado a propagação. ## O resgate Os bombeiros encontraram um trabalhador inconsciente na escada do terceiro andar e outros cinco num cômodo do quarto andar, e os seis foram levados ao hospital Sanjay Gandhi Memorial, em Mangolpuri, onde quatro chegaram sem vida, com suspeita de asfixia pela fumaça, segundo o The Tribune e a Outlook India. Dos dois feridos, um estava estável e recebia oxigênio na emergência e o outro estava ligado a um respirador na unidade de terapia intensiva, segundo os funcionários do hospital ouvidos pela PTI. Pelos relatos preliminares citados pelo The CSR Journal, de 20 a 25 pessoas estavam na fábrica quando o fogo começou e 18 ou 19 conseguiram sair antes que a situação piorasse, e a polícia ainda interroga o empreiteiro e os trabalhadores para saber quantos operários estavam no prédio. ## A falta de saída de emergência Trabalhadores do local disseram que a fábrica tinha poucas opções de saída e que os funcionários dos andares de cima não conseguiram descer depois que a fumaça tomou o prédio, porque não havia saída de emergência, mas a PTI ressalta que essas afirmações ainda não foram confirmadas de forma independente pelos investigadores. Parentes das vítimas reclamaram que não receberam nenhum contato do dono da fábrica depois do incêndio, e um deles contou que o trabalhador falou com a família por volta das 21h10 e, às 21h20, avisou que havia fogo na fábrica e pediu para desligar, e foi a última conversa, segundo a PTI. ## O inquérito A polícia registrou ocorrência na delegacia de Raj Park com base nas seções 287 (conduta negligente com fogo ou material combustível), 125(a) (ato imprudente ou negligente que põe em risco a vida e causa lesão), 105 (culpable homicide not amounting to murder, homicídio que não chega a ser qualificado como assassinato) e 3(5) (intenção comum) do Bharatiya Nyaya Sanhita, o código penal indiano, segundo a PTI. No sábado, a polícia informou ter prendido duas pessoas e formado equipes para localizar outros acusados foragidos, intimou o dono da fábrica a depor, e a causa exata do incêndio ainda não foi determinada, segundo a PTI e o The Logical Indian. O The Logical Indian lembra que Délhi teve outros incêndios fatais em 2026, como o de junho numa pousada em Hauz Rani, em Malviya Nagar, que matou 22 pessoas, entre elas 13 estrangeiros, e o de maio num prédio residencial em Vivek Vihar, com nove mortos. --- # Coreia do Sul tem nova onda de ataques hacker contra o setor financeiro, com dados de 38 mil clientes da Daishin expostos - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/coreia-do-sul-nova-onda-de-ataques-hacker-corretoras-daishin-mirae-bithumb/ - Fonte original: TechCrunch, https://techcrunch.com/2026/10/28/south-koreas-financial-industry-hit-by-fresh-wave-of-cyberattacks/, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ataque hacker, setor financeiro, vazamento de dados, inteligência artificial, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Coreia do Sul tem nova onda de ataques hacker contra o setor financeiro, com dados de 38 mil clientes da Daishin expostos", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/coreia-do-sul-nova-onda-de-ataques-hacker-corretoras-daishin-mirae-bithumb/ ## O que importa - A corretora Daishin Securities, a gestora Mirae Asset Global Investments e a corretora de criptomoedas Bithumb relataram acessos não autorizados em outubro de 2026, cerca de um mês depois de uma primeira onda de ataques a bancos e instituições financeiras sul-coreanas. - A Daishin informou o vazamento de dados de 38.490 clientes a partir de um servidor usado na abertura remota de contas, onde detectou o acesso suspeito em 17 de outubro de 2026. - Pesquisadores ligaram a onda de setembro a um hacker suspeito de estar na China que usou uma ferramenta de teste de invasão com inteligência artificial, mas a causa dos novos ataques ainda está sob investigação. O setor financeiro da Coreia do Sul sofreu uma segunda onda de ataques cibernéticos em cerca de um mês, com acessos não autorizados relatados pela corretora Daishin Securities, pela gestora de recursos Mirae Asset Global Investments e pela corretora de criptomoedas Bithumb, segundo reportagem de Kate Park no TechCrunch publicada em 28 de outubro de 2026 e textos da Bloomberg reproduzidos pelo Insurance Journal e pelo The Edge Malaysia. Na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, o presidente do Financial Supervisory Service (FSS), o órgão de supervisão financeira do país, Lee Chan-jin, disse que algumas das principais empresas de investimento sul-coreanas tinham sofrido ataques de grande alcance no dia anterior e pediu ao setor que reforce a segurança, sem dizer quais empresas foram atingidas. ## Daishin: o servidor de abertura remota de contas A Daishin Securities informou que dados pessoais e de crédito de 38.490 clientes vazaram, e disse ter detectado em 17 de outubro de 2026 um acesso suspeito a um servidor que dá suporte à abertura de contas a distância, segundo a Bloomberg. Pela investigação da corretora, as informações expostas incluem nomes, e-mails e endereços dos clientes, além dos números de conta e de celular em forma criptografada, e a empresa diz não ter encontrado prova de prejuízo posterior aos clientes nem de acesso aos sistemas centrais do negócio. O TechCrunch, citando a imprensa local, lista nomes, e-mails e números de celular entre os dados expostos, sem mencionar a criptografia, e informa que a Daishin avisou os clientes atingidos, colabora com as autoridades na investigação e vai compensar eventuais perdas como manda a lei. ## Mirae e Bithumb A Mirae Asset Global Investments, que tinha US$ 461 bilhões em ativos sob gestão no fim de setembro, relatou acesso não autorizado a alguns sistemas web de uso interno do negócio e afirmou que os dados de investidores pessoas físicas não foram envolvidos, porque esses sistemas não atendem esses clientes, que não houve perda financeira e que os sistemas e servidores principais funcionavam normalmente. A Bithumb detectou na terça-feira, 27 de outubro de 2026, acesso não autorizado ao seu sistema interno de colaboração para celulares, segundo a agência sul-coreana Yonhap, e investiga a extensão do vazamento, inclusive se houve exposição de dados de clientes. Nem a Mirae nem a Bithumb confirmaram ao TechCrunch que dados de clientes tenham sido levados, e a Yonhap informou que a presidência sul-coreana faria uma reunião de emergência para discutir os ataques. ## A primeira onda e a ferramenta de IA Cerca de um mês antes, uma série de ataques atingiu instituições financeiras do país, e pesquisadores de segurança ligaram essa primeira onda a um hacker suspeito de estar na China que usava uma ferramenta de teste de invasão com inteligência artificial chamada Artex, segundo o TechCrunch. A Bloomberg relata que os atacantes da primeira onda usaram um agente de IA sofisticado contra alguns dos maiores bancos e instituições financeiras sul-coreanas, mas as autoridades ainda investigam a causa raiz dos novos ataques e não há confirmação oficial de que a mesma ferramenta tenha sido usada agora. ## Medidas do governo e o contexto regional O órgão regulador financeiro pediu medidas mais fortes de segurança cibernética depois da sequência de ataques a empresas financeiras e a órgãos de governo, e o país planeja fazer verificações de segurança em dezenas de sistemas de tecnologia da informação do setor privado, segundo o TechCrunch. Os casos sul-coreanos se somam a ataques a empresas japonesas, como a SoftBank Corp e a Daiwa Securities Group, que levaram a agência de serviços financeiros do Japão a pedir atenção aos riscos de fornecedores terceirizados e cuidado extra na verificação de identidade dos usuários pela internet, e a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, pediu às instituições que revisem as defesas, segundo a Bloomberg. Na véspera da reportagem do TechCrunch, o Japão também registrou um incidente de segurança na GMO Internet, e ao mesmo tempo organizações do mundo todo corriam para corrigir falhas críticas no PHP, linguagem de programação muito usada na internet, que levaram bancos, companhias aéreas e governos a tirar sites do ar. O TechCrunch ressalta que, embora a sequência de ataques na Ásia aumente a preocupação de que a inteligência artificial esteja facilitando invasões em grande escala, os investigadores não estabeleceram ligação entre os incidentes, e a Financial Services Commission (FSC), outro órgão regulador financeiro do país, a Daishin, a Bithumb e a Mirae não responderam de imediato aos pedidos de comentário. --- # Escadas e proteção contra queda: Inglaterra revisa a Part K e estudo propõe piso mínimo de 300mm - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/parte-k-inglaterra-revisao-escadas-guarda-corpos-protecao-contra-queda/ - Fonte original: Building Safety Regulator (GOV.UK), https://www.gov.uk/government/publications/approved-document-k-general-access-and-utility-stairs, 14.Out.2026 (inglês) - Marcadores: escadas, queda, geometria de degrau, Approved Document K, BS 5395, Inglaterra - Como citar: NEXO CAUSAL, "Escadas e proteção contra queda: Inglaterra revisa a Part K e estudo propõe piso mínimo de 300mm", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/parte-k-inglaterra-revisao-escadas-guarda-corpos-protecao-contra-queda/ ## O que importa - O Building Safety Regulator, órgão de segurança de edificações da Inglaterra, abriu em 19 de outubro de 2026 uma consulta sobre a Part K, a regra de proteção contra queda, colisão e impacto, a primeira revisão ampla em mais de 20 anos. - Um relatório publicado em 14 de outubro de 2026 conclui que aumentar o piso mínimo das escadas de uso geral de 250mm para 300mm reduziria em 99,96% a chance de o pé passar demais da borda do degrau na descida. - O mesmo estudo propõe ampliar a faixa de altura do espelho para 130mm a 180mm e permitir lances de até 20 degraus sem patamar intermediário. O Building Safety Regulator (BSR), órgão criado pela lei de segurança de edificações de 2022 da Inglaterra (Building Safety Act 2022), abriu em 19 de outubro de 2026 uma chamada pública por provas e experiências sobre a Part K do regulamento de edificações e sobre o Approved Document K, o guia oficial que diz como cumprir essa parte, e a página da consulta afirma que já se passaram mais de 20 anos desde a última revisão substancial das duas. A Part K trata da proteção contra queda, colisão e impacto dentro e em volta dos edifícios, o que inclui escadas, escadas de mão, rampas, corrimãos, guarda-corpos, janelas, portas, portões, vidros e barreiras para veículos. O órgão diz que a chamada não propõe mudanças de regra, que as exigências atuais continuam valendo durante a revisão, que qualquer proposta futura passará por nova consulta e que o prazo para respostas é de 10 semanas. ## O relatório sobre escadas de uso geral Entre os estudos que o BSR, o ministério da habitação (MHCLG) e o órgão de saúde e segurança no trabalho (HSE) publicaram para embasar a revisão está "Approved Document K: general access and utility stairs", de 43 páginas, feito para o BSR pela Rise and Going Consultancy e assinado por Mike Roys, consultor em projeto e segurança de escadas, com data de 21 de abril de 2026 e publicação no portal do governo em 14 de outubro de 2026. O estudo amplia um trabalho anterior, de 2025, que tratava só das escadas de residências, para as escadas de edificações que não são moradia, divididas pelo Approved Document K de 2013 em duas categorias: as de acesso geral (general access), usadas por todos no dia a dia como caminho normal entre andares, e as utilitárias (utility), usadas para fuga, manutenção ou outros fins que não o trânsito diário. O primeiro objetivo foi avaliar a proposta de alinhar as escadas de acesso geral à norma britânica BS 5395-1:2010, que trata das escadas de uso normal, e o segundo foi comparar as escadas utilitárias com as escadas privativas da mesma norma, levando em conta quantas vezes por dia cada escada é descida. ## Piso, espelho e a regra 2R+G Na linguagem de escadas, o piso (going) é a profundidade horizontal do degrau e o espelho (rise) é a altura entre um degrau e o seguinte, e a tradição britânica limitava também a soma de duas vezes o espelho com o piso, a regra 2R+G, entre 550mm e 700mm. Hoje o Approved Document K pede, nas escadas de acesso geral, espelho de 150mm a 170mm e piso de 250mm a 400mm, enquanto a BS 5395-1:2010 recomenda, para escadas de uso normal, espelho de 150mm a 180mm e piso de 300mm a 450mm, sem a regra 2R+G. O relatório reconstitui a história desses limites desde a BS 5395-1 de 1977 e mostra que o espelho máximo de 170mm veio do Approved Document M de 1992, voltado à acessibilidade, que, segundo o autor, se baseou em opiniões e grupos de discussão com pouca ou nenhuma prova experimental, e foi copiado para o Approved Document K de 2013. ## O método: risco de pisada longa na descida O estudo usa os resultados de dez anos de ensaios do BRE, instituto britânico de pesquisa em construção, financiados pelo governo entre 1998 e 2008, nos quais voluntários subiam e desciam escadas experimentais com várias combinações de piso e espelho. A medida central é a sobreposição do pé (overhang), quanto do pé fica além da borda do degrau na descida, porque a pisada longa (overstep), em que o pé avança demais e perde apoio na quina, é apontada no relatório como a principal causa de quedas em escada. Numa tabela de 2003 reproduzida no relatório, um lance de 14 degraus com piso de 250mm descido 5 vezes por dia tem uma pisada longa a cada 11 anos, e descido 2.000 vezes por dia, uma a cada 10 dias, enquanto com piso de 300mm o intervalo passa de mil anos até 100 descidas por dia e chega a 73 anos com 2.000 descidas diárias, número típico de estações de transporte público. O autor ressalva que nem toda pisada longa vira queda, mas que ela é o principal indicador da probabilidade de queda. ## Os resultados Pelas contas do relatório, aumentar o piso mínimo de 250mm para 300mm reduz em 99,96% a chance de uma pisada longa, e o risco com piso de 250mm é 2.708 vezes maior que com 300mm, e o resumo executivo estima que a mudança tem potencial para reduzir em até 80% o risco de todas as quedas em escada. A variação entre degraus pesa no mesmo sentido, porque a norma de precisão da construção prevê diferenças de 4mm a 6mm de um piso para outro, o que multiplica o risco de uma escada de 300mm por até dez, e numa escada de 250mm leva o risco relativo de 2.708 para mais de 15.000 vezes. Para compensar o espaço maior do piso, o relatório defende ampliar a faixa de espelho para 130mm a 180mm e o limite de degraus por lance de 12 para 20, e mostra que, nas alturas entre pisos típicas de 3m a 3,6m, a escada resultante ocupa menos espaço que a atual, porque o lance mais longo pode dispensar um patamar intermediário. A estimativa de economia para o serviço público de saúde britânico, o NHS, é de £19.287.514 com o piso de 300mm, calculada para 8.000 edificações novas por ano, de um total de cerca de 1,8 milhão de edificações não residenciais na Inglaterra, com efeito cumulativo. Para as escadas utilitárias, o estudo conclui que passar o espelho máximo de 190mm para 200mm tem efeito desprezível no risco, e propõe piso mínimo de 275mm quando a escada tiver menos de 50 descidas por dia e o padrão das escadas de acesso geral acima disso, deixando o piso de 250mm e o espelho de 200mm para escadas usadas menos de uma vez por dia, como acesso a casa de máquinas ou saída de emergência que atende menos de 100 pessoas. ## Os limites que o próprio autor aponta O relatório diz que é preciso mais pesquisa para saber se o espelho de 180mm aumenta o risco para pessoas com deficiência de locomoção, embora um ensaio com estudantes do ensino médio não tenha mostrado diferença percebida entre espelhos de 170mm e 180mm, e que o piso máximo ideal não pode ser fixado sem novos experimentos. O custo da mudança não foi calculado por causa da variedade de tipos de escada e de alturas de edifício, e o estudo não tratou de corrimãos, iluminação, ofuscamento, perfil da quina e sinalização tátil, que também influem no risco. O relatório observa ainda que a uniformidade dos degraus, que o Approved Document K já exige, é muito difícil de medir na escada pronta e por isso não é facilmente conferida pelos fiscais de obra. --- # Frenagem automática de emergência em vans de carga e picapes de trabalho: os primeiros ensaios do IIHS com veículos comerciais - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/iihs-vans-e-picapes-de-trabalho-frenagem-automatica-de-emergencia-ensaio/ - Fonte original: Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), https://www.iihs.org/news/detail/cargo-vans-and-work-pickups-struggle-in-iihs-crash-avoidance-tests, 08.Out.2026 (inglês) - Marcadores: frenagem automática de emergência, veículos comerciais, ensaio de segurança, atropelamento, IIHS, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Frenagem automática de emergência em vans de carga e picapes de trabalho: os primeiros ensaios do IIHS com veículos comerciais", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/iihs-vans-e-picapes-de-trabalho-frenagem-automatica-de-emergencia-ensaio/ ## O que importa - O IIHS, instituto de pesquisa em segurança viária dos Estados Unidos, publicou em 8 de outubro de 2026 as primeiras notas de prevenção de colisão frontal de vans de carga e picapes da classe 3. - Notas marginais e ruins foram comuns, e duas vans sem frenagem automática de emergência ficaram com a pior nota nos dois ensaios, mas em cada ensaio pelo menos um modelo teve nota boa. - O alvo de motocicleta foi o mais difícil, e várias picapes detectaram com mais dificuldade a criança de dia do que o adulto à noite, o que o instituto relaciona à altura da dianteira e à posição dos sensores. O Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), instituto de pesquisa em segurança viária dos Estados Unidos, publicou em 8 de outubro de 2026 as primeiras notas de prevenção de colisão frontal para veículos comerciais, com sete vans de carga e quatro picapes da classe 3, e concluiu que esses veículos ficam atrás dos carros de passeio nesse quesito. ## Por que veículos comerciais O programa de avaliação de veículos comerciais começou em junho de 2026 com a proteção do motorista, porque muitas exigências do governo americano para carros de passeio, inclusive as de airbag, não se aplicam a vans de entrega, caminhões-baú, carretas e picapes de trabalho maiores, e o IIHS registrou na época que os órgãos reguladores dos Estados Unidos não exigem frenagem automática de emergência (AEB) nem outros assistentes de condução nesses veículos. Em 2024, segundo o instituto, 6.215 pessoas morreram em colisões envolvendo veículos pesados ou médios ou vans leves, 16% de todas as mortes no trânsito do país. A primeira etapa cobre vans de carga e picapes da classe 3, que têm peso bruto total entre 10.001lb e 14.000lb (4.536kg e 6.350kg), e o IIHS prevê avaliar faróis e frenagem automática em ré nesses veículos e, mais adiante, caminhões das classes 4 a 6. ## Como é o ensaio contra outro veículo O ensaio de veículo contra veículo avalia o alerta de colisão frontal e a frenagem automática de emergência em colisões traseiras contra um carro, uma motocicleta ou um caminhão parados na pista, e os protocolos e os critérios de nota são os mesmos usados para carros de passeio. Um técnico conduz o veículo em direção aos alvos parados sem tocar no freio, que são simulacros da traseira de um carro e de uma motocicleta e um semirreboque baú de verdade, e um sistema de GPS, uma câmera a bordo e outros sensores registram o momento do alerta e quanto o veículo reduz a velocidade para evitar ou atenuar a colisão. São feitas várias passagens a 31mph (49,9km/h), 37mph (59,5km/h) e 43mph (69,2km/h), com o alvo de carro ou de motocicleta no centro da faixa e deslocado para a esquerda ou para a direita, e, se o veículo não atinge uma redução mínima de velocidade nas passagens mais lentas, só o alerta é avaliado nas mais rápidas. Com o semirreboque, sempre no centro da faixa, só o alerta é avaliado e o motorista desvia para sair da faixa, e os pontos vão para alertas dados pelo menos 2,1 segundos antes do momento previsto do impacto e para reduções expressivas de velocidade, que valem dois terços da nota máxima, contra um terço dos alertas. ## Como é o ensaio com pedestres O ensaio de pedestre reproduz atropelamentos comuns de dia e à noite, com um boneco adulto ou infantil atravessando a via, puxado numa plataforma enquanto um motor movimenta suas pernas, e com um adulto parado na faixa, no sentido do tráfego. As passagens com o boneco adulto são feitas à noite, com farol baixo e depois com farol alto, e a da criança atravessando é feita de dia, e os pontos dependem da redução média de velocidade em três passagens, com peso maior para as duas travessias, por serem os atropelamentos mais comuns. ## Os resultados As vans Chevrolet Express 2500 e GMC Savana 2500 tiveram nota ruim nos dois ensaios porque não têm frenagem automática de emergência, só um alerta de colisão frontal opcional. No ensaio contra veículo, a Mercedes-Benz Sprinter 2500 teve nota boa, a Chevrolet BrightDrop 400 teve nota aceitável e os outros modelos ficaram com marginal ou ruim, e o alvo de motocicleta foi o maior desafio, com vários sistemas que não alertaram nem frearam na maioria das passagens. Outros sistemas frearam o suficiente para evitar ou atenuar a colisão na maior parte das velocidades com os dois alvos, mas perderam nota por não alertar o motorista a tempo. No ensaio de pedestre, em que os veículos em geral foram melhor, a BrightDrop 400 e a Rivian RCV-Delivery 500 tiveram nota boa, a Sprinter 2500 teve aceitável e, entre as picapes, a Ford F-350 e a Ram 3500 tiveram aceitável. Vários veículos, inclusive a F-350 e a Ram 3500, tiveram mais dificuldade para detectar e evitar a criança de dia do que o adulto à noite, e o IIHS diz que o problema pode estar ligado à altura menor do boneco infantil e à dianteira alta desses veículos, porque os sensores ficam perto do retrovisor interno, e em algumas passagens o boneco foi detectado de longe e "desapareceu" quando o veículo se aproximou. Os sistemas com nota ruim e marginal também não reduziram o bastante a velocidade na maior parte das passagens noturnas com o adulto, alguns foram bem pior com farol baixo e outros foram pior na velocidade mais baixa do que nas mais altas. ## O que o instituto conclui O presidente do IIHS, David Harkey, disse que os resultados são um alerta para os fabricantes de veículos comerciais e que a prevenção de colisão frontal é especialmente importante nesses veículos maiores e mais pesados, pelo perigo que representam para os outros usuários da via, e o instituto observa que em cada ensaio pelo menos um modelo teve nota boa, o que mostra que o resultado está ao alcance dos fabricantes. --- # Incêndio que destruiu sete prédios em Old Town Newhall, na Califórnia, foi criminoso, diz polícia, e quatro são presos - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-criminoso-old-town-newhall-santa-clarita-quatro-presos/ - Fonte original: CBS Los Angeles, https://www.cbsnews.com/losangeles/news/4-people-arrested-for-13-million-arson-along-santa-claritas-main-street/, 29.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio criminoso, origem e causa, investigação de incêndio, Califórnia, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio que destruiu sete prédios em Old Town Newhall, na Califórnia, foi criminoso, diz polícia, e quatro são presos", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-criminoso-old-town-newhall-santa-clarita-quatro-presos/ ## O que importa - O incêndio de 24 de agosto de 2026 na Main Street de Old Town Newhall, em Santa Clarita, atingiu sete edificações e causou cerca de US$ 13 milhões em prejuízos. - Em outubro de 2026, depois de cumprir mandados de busca em quatro endereços, os investigadores de incêndios e explosivos do xerife do condado de Los Angeles prenderam quatro pessoas por suspeita de incêndio criminoso e associação. - Um dos presos é o dono da oficina de funilaria onde, segundo o xerife, o fogo começou, e a investigação continua. O departamento do xerife do condado de Los Angeles (LASD), nos Estados Unidos, prendeu em outubro de 2026 quatro pessoas suspeitas de provocar o incêndio que destruiu sete edificações na Main Street de Old Town Newhall, o centro histórico de Santa Clarita, na madrugada de 24 de agosto de 2026, com prejuízo estimado em US$ 13 milhões, e um dos presos é o dono da oficina de funilaria onde, segundo o xerife, o fogo começou. As prisões foram feitas por suspeita de incêndio criminoso e associação para o crime, e o LASD diz que a investigação continua. ## O incêndio de agosto Os investigadores da divisão de incêndios criminosos e explosivos do xerife (Arson/Explosives Detail) foram chamados por volta das 3h de 24 de agosto de 2026 ao quarteirão 24000 da Main Street, para investigar um incêndio de grandes proporções em edificações, segundo comunicado do LASD reproduzido pela ABC7 Los Angeles. O fogo atingiu sete edificações, entre elas uma oficina de funilaria, um centro de artes cênicas e um restaurante, mobilizou mais de 100 bombeiros e "consumiu praticamente todo o prédio comercial", nas palavras do porta-voz do corpo de bombeiros do condado, Keith Navarre, na época, segundo a NBC Los Angeles. ## A investigação e as prisões Segundo o xerife, a investigação foi tratada desde o incêndio como prioridade pelo LASD e pela promotoria do condado de Los Angeles, com apoio e recursos da prefeitura de Santa Clarita e do conselho de supervisores do condado. Os detetives cumpriram mandados de busca em quatro endereços do condado e prenderam John Wright, de 47 anos, e Jesus Figueroa, de 54, moradores de Canyon Country, e Cristian Leija, de 43, e Antoinette Ruiz, de 35, moradores de El Monte, e as reportagens divergem sobre o dia das buscas, que a ABC7 situa na quarta-feira e a NBC Los Angeles e o MyNewsLA na quinta-feira, 29 de outubro de 2026. A CBS Los Angeles relata que, para o LASD, o grupo provocou o incêndio, e que na sexta-feira os policiais informaram que Wright era o dono da Gary's Auto Collision Center, a oficina onde o fogo começou. ## O que os registros públicos mostram Registros públicos consultados pela CBS mostram que Wright também era dono da Halsey's Auto Center, em Canyon Country, que pegou fogo no ano anterior, e registros judiciais mostram que o proprietário do imóvel da oficina de Newhall tentou despejá-lo em maio por uma dívida de mais de US$ 51.000 de aluguel. As reportagens não informam se o incêndio da oficina de Canyon Country foi investigado como criminoso nem se há relação entre os dois casos, e o LASD não divulgou como os investigadores chegaram aos suspeitos nem quais provas foram reunidas. ## O que falta esclarecer A NBC Los Angeles registrou que os detalhes sobre a causa do incêndio não estavam disponíveis de imediato, e o LASD diz que segue empenhado em uma investigação completa, explorando todas as pistas e trabalhando com os parceiros da comunidade "para determinar a causa e as circunstâncias" do caso. O capitão Robbie Royster disse ter muito orgulho da dedicação dos investigadores da divisão de incêndios e explosivos, que trabalharam desde o dia do incêndio "para descobrir os fatos e seguir cada pista", e afirmou que o resultado mostra o compromisso de responsabilizar os culpados. O LASD pede que quem tiver informação sobre o incêndio procure a divisão de incêndios criminosos e explosivos, e as denúncias anônimas podem ser feitas pelo Crime Stoppers de Los Angeles, segundo a CBS e o MyNewsLA. ## A reconstrução A remoção dos escombros já começou, e a prefeita de Santa Clarita, Laurene West, disse à ABC7 que o objetivo é restaurar o coração de Newhall e devolver o mais rápido possível tudo o que a comunidade apreciava ali, enquanto, um dia depois do incêndio, a câmara municipal já tinha prometido reconstruir rapidamente o centro histórico, segundo a CBS. --- # Chainalysis, empresa de rastreamento de criptomoedas, diz que foi invadida com técnicas de agentes de IA e teve dados de clientes acessados - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/chainalysis-invadida-ataque-com-agentes-de-ia-dados-de-clientes/ - Fonte original: Chainalysis, https://www.chainalysis.com/blog/security-incident-october-30/, 30.Out.2026 (inglês) - Marcadores: Chainalysis, ataque hacker, agentes de IA, vazamento de dados, rastreamento em blockchain - Como citar: NEXO CAUSAL, "Chainalysis, empresa de rastreamento de criptomoedas, diz que foi invadida com técnicas de agentes de IA e teve dados de clientes acessados", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/chainalysis-invadida-ataque-com-agentes-de-ia-dados-de-clientes/ ## O que importa - A Chainalysis, que fornece ferramentas de rastreamento em blockchain a polícias, governos e corretoras, informou em 30 de outubro de 2026 que um invasor externo usou o que ela chama de técnicas agênticas ofensivas para entrar em seus sistemas e ferramentas internas. - Foram acessados identificadores, nomes completos, e-mails e rótulos de função dos usuários dos clientes, e a empresa diz não ter encontrado acesso ao conteúdo das investigações, a senhas, a segredos de autenticação em dois fatores nem a tokens de sessão. - A empresa não revelou como o invasor entrou, quais falhas foram exploradas nem por quanto tempo ele ficou dentro, e afirma que o caso não tem relação com o roubo à Binance. A Chainalysis, empresa americana de análise de blockchain cujas ferramentas são usadas por polícias, órgãos de governo, corretoras de criptomoedas e instituições financeiras para seguir o dinheiro em casos de fraude, ransomware e lavagem, informou na sexta-feira, 30 de outubro de 2026, que foi alvo de um incidente de segurança em que um invasor externo usou "técnicas agênticas ofensivas" para obter acesso não autorizado a seus sistemas e ferramentas internas. O aviso foi publicado no blog da empresa por volta das 17h14, no horário da costa leste dos Estados Unidos, junto com o texto integral do e-mail enviado aos clientes atingidos, segundo o BleepingComputer, e o e-mail diz que parte dos clientes já tinha sido avisada antes e que a mensagem era uma atualização. ## O que a empresa diz que foi acessado Pelo e-mail, a Chainalysis detectou "neste mês" o invasor dentro dos seus sistemas, e desde então as equipes trabalham sem parar para investigar a atividade, corrigir as vulnerabilidades e reforçar as defesas. Os dados acessados, segundo a empresa, são identificadores de usuário, nomes completos, endereços de e-mail e rótulos de função dentro da organização, dos usuários cadastrados na plataforma pelos clientes, e a Chainalysis ainda está levantando quais registros de cada organização foram atingidos para enviar um detalhamento a cada cliente. Com base nas provas reunidas até agora, a empresa diz não ter encontrado indício de acesso ao conteúdo das investigações dos clientes, como grafos, anotações e casos, aos resultados de transações e consultas, a senhas em texto puro, aos segredos usados na autenticação em dois fatores nem aos tokens de sessão, que mantêm o usuário logado e, se roubados, permitem pular a tela de login. ## O que não foi revelado A Chainalysis não divulgou quais vulnerabilidades foram exploradas, quais ferramentas internas o invasor alcançou nem por quanto tempo ele ficou dentro dos sistemas, e também não disse quando a invasão começou nem quantos clientes foram atingidos, segundo o BleepingComputer e o Blockchain.News. O termo "agêntico" descreve sistemas de inteligência artificial capazes de executar tarefas de várias etapas com pouca intervenção humana, o que pode permitir ao atacante automatizar partes da invasão, e o BleepingComputer diz não estar claro se o invasor usou estruturas já conhecidas de ataque com agentes, como o ARTEX, que a Microsoft associou ao comprometimento da cadeia de suprimentos da ConnectWise, ou agentes de IA feitos sob medida. No e-mail, a empresa diz observar um aumento, em todo o setor, de ataques cibernéticos conduzidos por IA, e afirma que o incidente não tem relação com o roubo de criptomoedas à Binance, atribuído a hackers ligados ao Estado norte-coreano. ## A resposta da empresa A Chainalysis contratou especialistas externos em segurança cibernética para investigar o caso e diz estar usando modelos de linguagem de grande porte para apoiar uma revisão mais ampla da segurança da plataforma, que vai além das vulnerabilidades exploradas pelo invasor, segundo o e-mail e um porta-voz ouvido pelo BleepingComputer. Aos usuários, a empresa recomendou atenção redobrada a pedidos inesperados de redefinição de senha e a solicitações de autenticação, e pediu às organizações que ainda não ativaram a autenticação em dois fatores que o façam, e o BleepingComputer acrescenta o alerta para golpistas que se passem pela Chainalysis oferecendo recuperação de fundos ou vagas de emprego. ## Por que dados "não sensíveis" importam neste caso O Crypto Briefing observa que os clientes de uma empresa de análise de blockchain são, por definição, pessoas que conduzem investigações sobre criptomoedas, e que uma lista que liga nome, e-mail de trabalho e cargo funciona como um diretório de quem faz o quê dentro dessas organizações. Segundo a mesma análise, o rótulo de função pode mostrar ao atacante qual pessoa da equipe tem poderes de administrador e qual é analista júnior, informação útil para phishing direcionado, em que a mensagem falsa é feita sob medida para uma pessoa específica, embora sem senhas, segredos de autenticação ou tokens de sessão os dados sozinhos não abram nenhuma conta. A Chainalysis diz que vai mandar novas informações a cada cliente à medida que a investigação avançar, e o Crypto Briefing aponta como ponto a acompanhar se a apuração externa vai revelar os detalhes das técnicas com agentes de IA usadas na invasão. --- # Atualização do NTSB aponta fadiga no rolamento do pilone do motor esquerdo do MD-11 da UPS em Louisville - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/md-11-ups-louisville-fadiga-no-mancal-do-pilone/ - Fonte original: NTSB (National Transportation Safety Board), atualização investigativa do acidente DCA26MA024, https://www.ntsb.gov/investigations/Documents/DCA26MA024%20Investigative%20Update.pdf, 14.Jan.2026 (inglês) - Marcadores: MD-11, fadiga de material, rolamento esférico, pilone, NTSB, acidente aéreo - Como citar: NEXO CAUSAL, "Atualização do NTSB aponta fadiga no rolamento do pilone do motor esquerdo do MD-11 da UPS em Louisville", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/md-11-ups-louisville-fadiga-no-mancal-do-pilone/ ## O que importa - Em 4 de novembro de 2025, um MD-11F da UPS perdeu o motor e o pilone esquerdos logo após decolar de Louisville, no Kentucky, e matou 14 pessoas no voo e no solo. - A atualização do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB) de 14 de janeiro de 2026 descreve trinca por fadiga na pista de um rolamento esférico do suporte traseiro do pilone, que ocupa cerca de 75% da superfície de fratura. - O mesmo tipo de peça aparece num boletim de serviço da Boeing de 2011, e o NTSB ainda examina como esse boletim entrou no programa de manutenção da UPS. Em 14 de janeiro de 2026, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) divulgou uma atualização sobre a queda de um MD-11F da UPS, e a principal novidade é a trinca por fadiga encontrada no rolamento que prende o pilone do motor esquerdo à asa. ## O que aconteceu O voo 2976 da UPS decolou do Aeroporto Internacional Muhammad Ali, em Louisville, no Kentucky, às 17h14 do horário do leste dos Estados Unidos em 4 de novembro de 2025, com destino a Honolulu, no Havaí. Era um voo cargueiro operado sob as regras da Parte 121 do 14 CFR, o regulamento de transporte aéreo comercial dos Estados Unidos. Segundo as imagens de vigilância do aeroporto e o relatório preliminar, o motor número 1 e o pilone esquerdos se separaram da asa logo depois de o avião rotacionar, e um incêndio começou na região onde o pilone se prende à asa. Morreram os três tripulantes e 11 pessoas no solo, e outras 21 pessoas ficaram com ferimentos leves. ## A peça que falhou O conjunto que prende o pilone à asa tem, na parte traseira, dois suportes parafusados entre si, com orelhas (lugs) dianteira e traseira que abrigam um único rolamento esférico, formado por uma bola e uma pista externa, chamada de race. Os suportes traseiros do pilone esquerdo fraturaram, e o rolamento ficou preso ao garfo (clevis) da asa, exposto ao fogo que se seguiu ao impacto. A pista do rolamento costuma ser uma peça inteira, mas foi encontrada partida em duas partes, uma dianteira e outra traseira. ## O exame no laboratório de materiais No laboratório de materiais do NTSB, em Washington, os investigadores viram marcas de fadiga começando em toda a circunferência da pista, na borda de um recesso, uma ranhura do projeto na face interna da peça. Fadiga é o crescimento aos poucos de uma trinca sob cargas repetidas, que pode levar à ruptura com cargas bem abaixo da que o material aguentaria de uma só vez. A trinca atravessou a espessura da pista em direção à face externa e ocupa cerca de 75% da superfície de fratura, enquanto o restante tem aspecto de falha por sobrecarga, o que indica a peça já enfraquecida cedendo de vez. Restos de um material semelhante a graxa foram encontrados entre a bola e a pista. ## O boletim de 2011 Em 7 de fevereiro de 2011, a Boeing publicou o boletim de serviço MD-11-SL-54-104-A, que informava quatro falhas anteriores de pista em três aviões, todas com origem no mesmo recesso. Nesses casos, a pista se partiu por completo e as duas metades migraram para frente e para trás, o que era visível porque as peças saíam para fora da face das orelhas. A Boeing avaliou que essa falha não resultaria em condição de risco para o voo, e recomendou uma inspeção visual do conjunto no intervalo de 60 meses, verificando se o rolamento não ultrapassa a face dos suportes. O boletim também indicou um novo conjunto, de número de peça S00399-523, sem o recesso, e recomendou sua instalação quando um rolamento for considerado inservível, embora a instalação da peça antiga, de número S00399-1, não fosse proibida. O NTSB afirma que o projeto do rolamento do avião acidentado parece consistente com a peça S00399-1 citada nesse boletim. ## O que o NTSB ainda não concluiu O órgão diz que segue revisando como a UPS incorporou o conteúdo do boletim ao seu programa de manutenção do MD-11, e também a correspondência entre a Boeing e a Administração Federal de Aviação (FAA) antes e depois da emissão do boletim. Os dados do gravador de dados de voo mostram desempenho normal até cerca de 17h13min11s, aproximadamente 20 segundos antes do fim do registro, quando os parâmetros do motor número 1 deixaram de ser confiáveis e o indicador de fogo passou de "sem fogo" para "fogo". Nesse intervalo, a velocidade em relação ao solo ficou em torno de 184kt (341km/h), e o avião não ganhou altitude de forma relevante depois da separação do pilone e do motor, ponto que o estudo de desempenho da aeronave ainda vai explicar. O próprio documento afirma que a investigação segue em andamento e que informações adicionais serão divulgadas quando houver necessidade. ## O que a atualização deixa para a análise O exame da superfície de fratura é o principal dado material divulgado até agora, e o órgão examina também o boletim de 2011 sobre a mesma peça. O órgão também coloca em revisão o registro de como a recomendação da Boeing foi incorporada ao programa de manutenção da UPS. A atualização não atribui causa provável nem responsabilidade, e a análise de desempenho do avião segue em curso. --- # Barco autônomo quase invisível causou colisão no Lago Erie, conclui NTSB, que pede regras para embarcações não tripuladas - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ntsb-colisao-barco-autonomo-noaa-lago-erie-embarcacoes-nao-tripuladas/ - Fonte original: National Transportation Safety Board (NTSB), https://www.ntsb.gov/news/press-releases/Pages/NR20261027.aspx, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: NTSB, embarcação não tripulada, colisão, NOAA, Lago Erie, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Barco autônomo quase invisível causou colisão no Lago Erie, conclui NTSB, que pede regras para embarcações não tripuladas", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ntsb-colisao-barco-autonomo-noaa-lago-erie-embarcacoes-nao-tripuladas/ ## O que importa - Em 10 de agosto de 2024, um barco de pesquisa sem tripulação da NOAA, de 15,7ft (4,79m) e com só cerca de 1ft (0,3m) de casco fora d'água, foi atingido por um barco de passeio de 45ft (13,72m) no Lago Erie, perto de Monroe, em Michigan. - O NTSB concluiu que a causa provável foi a dificuldade de ver e detectar o barco autônomo e a falta de vigilância ativa por parte do operador remoto, o que deixou a embarcação sem vigia para evitar a colisão. - Em relatório divulgado em 27 de outubro de 2026, o órgão fez seis recomendações, entre elas a de que a Guarda Costeira crie normas nacionais de visibilidade e de prevenção de colisão para embarcações não tripuladas. O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (National Transportation Safety Board, NTSB) concluiu que a colisão entre um barco de pesquisa sem tripulação da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e um barco de passeio no Lago Erie, em 2024, aconteceu porque o barco autônomo era quase impossível de ver ou detectar e porque ninguém o vigiava de forma ativa, e, no relatório divulgado em 27 de outubro de 2026, pediu à Guarda Costeira que crie normas nacionais para esse tipo de embarcação, que hoje não existem nas águas interiores e territoriais americanas. ## A colisão Por volta das 19h12 de 10 de agosto de 2024, um barco de superfície não tripulado (uncrewed surface vessel, USV) modelo SeaTrac SP-48, do Laboratório de Pesquisa Ambiental dos Grandes Lagos (GLERL) da NOAA, foi atingido por um barco de passeio Prestige 450 Flybridge, de 45ft (13,72m), a cerca de 6mi (9,66km) a leste-sudeste de Monroe, em Michigan, segundo o relatório MIR-26-32. O barco de passeio voltava à marina Safe Harbor Toledo Beach a cerca de 25mph (40,23km/h), com o dono no comando e um sobrinho a bordo, quando bateu em algo, e o dono contou aos investigadores que não havia barco, boia ou objeto por perto e que "não havia nada ali em que pudéssemos bater". Uma das duas unidades de propulsão do barco de passeio parou de repente enquanto a outra seguia na mesma rotação, o barco adernou bruscamente e o piloto foi jogado ao piso, e só depois de parar os motores ele e o sobrinho viram na água algo que parecia "um painel de placas solares" de 2ft (0,61m), preso na unidade de propulsão de boreste, e perceberam que tinham batido em outra embarcação. O barco autônomo se partiu em duas partes, foi declarado perda total, com valor estimado em US$ 186 mil, e o barco de passeio teve danos de cerca de US$ 100 mil, e o dono sofreu um ferimento leve no pé. A equipe do laboratório só soube do acidente por volta das 19h46, quando a Guarda Costeira telefonou para o engenheiro-chefe, que naquele turno pilotava o barco a partir de casa, perguntando sobre o "barco autônomo amarelo". ## Um barco do tamanho de um caiaque, sem radar nem som O SeaTrac SP-48 media 15,7ft (4,79m), o tamanho de um caiaque, canoa ou bote, levava um equipamento que coletava e analisava amostras de água para monitorar toxinas de algas no oeste do Lago Erie e, embora tivesse casco amarelo, mostrava só cerca de 1ft (0,3m) de borda acima da água, com a maior parte do convés coberta por painéis solares escuros que se confundiam com a água. As ondas de 3ft (0,91m) naquele fim de tarde escondiam o casco de tempos em tempos, e o NTSB observa que, a cerca de 2,5mi (4,02km) da margem oeste e perto do pôr do sol, quem navegava ali não esperava encontrar embarcações pequenas e baixas, sem mastro alto. O barco de passeio tinha radar, mas não estava usando, e o NTSB concluiu que, mesmo ligado, o radar provavelmente não mostraria o barco autônomo, pequeno, de fibra de vidro e sem refletor de radar, que não era obrigatório. O barco autônomo transmitia sua posição pelo sistema de identificação automática (AIS) classe B, mas a maioria dos barcos movidos só a motor, como o envolvido na colisão, não tem AIS nem é obrigada a ter, e o motor elétrico a bateria fazia pouco barulho, sem nenhum outro dispositivo de sinal sonoro, como exigem as regras de navegação interior. Para o NTSB, como o piloto do barco de passeio não tinha como perceber o barco autônomo com facilidade, também não podia agir para evitar a colisão, e o órgão concluiu que a visibilidade visual, eletrônica e sonora da embarcação era inadequada para a área em que operava. ## O modo automático e a vigilância passiva No momento da colisão, o laboratório operava o barco no modo que chamava de "adapted hold", em que a embarcação ficava à deriva controlada dentro de um círculo de 150ft (45,72m) de raio e voltava sozinha aos pontos definidos quando saía dele, enquanto o piloto remoto apenas acompanhava de forma passiva. Nesse modo, o barco não era capaz de tomar decisões de navegação nem de manobrar para evitar uma colisão, e o NTSB concluiu que a operação sem vigilância ativa deixou a embarcação sem vigia (lookout), o que, somado à baixa visibilidade, a tornava vulnerável a colisão naquela área. A investigação descartou falha mecânica ou elétrica e problemas de conexão do painel de controle usado pelos pilotos remotos, que não tinham nenhuma habilitação específica da agência de aviação nem da Guarda Costeira para operar o barco. ## A causa provável e as seis recomendações O NTSB determinou que a causa provável foi "a percepção inadequada do barco não tripulado pelas embarcações próximas, dada a área e as condições de operação, e a falta de monitoramento ativo dada a configuração, o modo de operação e o nível de autonomia da embarcação, o que a deixou sem vigia adequado para evitar uma colisão". O relatório registra que, na data do acidente, não havia normas do setor sobre visibilidade, capacidade de evitar colisão e segurança de navegação de barcos não tripulados nas águas interiores e territoriais dos Estados Unidos, e afirma que, "à medida que esses barcos se tornam mais comuns nas hidrovias americanas, é fundamental que a Guarda Costeira comece a definir normas e políticas para eles". À Guarda Costeira, o NTSB recomendou criar um marco nacional dessas normas e incorporá-las à regulamentação, à NOAA, revisar seu manual de sistemas marinhos não tripulados para garantir que os barcos sejam percebidos, exigir testes de visibilidade diante do tráfego típico de cada área e vigilância compatível com o nível real de autonomia, e à SeaTrac, modificar o projeto do SP-48 para torná-lo mais visível. Depois da colisão, a SeaTrac, que tinha vendido 25 barcos do modelo até junho de 2026, passou a oferecer uma luz branca piscante no mastro, melhorou o alcance do AIS e criou um kit opcional com refletor de radar passivo e fita refletiva, mas o NTSB avaliou que essas mudanças não teriam evitado a colisão, porque o barco de passeio não tinha AIS nem usava o radar e uma luz piscante seria difícil de distinguir na luz do dia. O relatório lembra ainda que, depois do acidente, a NOAA publicou uma ordem administrativa e o manual de sistemas marinhos não tripulados, com requisitos para a operação dessas embarcações. --- # Botão físico ou tela sensível ao toque: como o protocolo 2026 do Euro NCAP avalia os comandos do carro e a distração do motorista - Publicado: 04.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/euro-ncap-botoes-fisicos-tela-sensivel-ao-toque-distracao-protocolo-2026/ - Fonte original: Euro NCAP, https://www.euroncap.com/en/press-media/buttons-are-back-for-basic-functions-euro-ncap-confirms-in-testing/, 12.Out.2026 (inglês) - Marcadores: segurança veicular, distração ao volante, Euro NCAP, tela sensível ao toque, ensaio, Europa - Como citar: NEXO CAUSAL, "Botão físico ou tela sensível ao toque: como o protocolo 2026 do Euro NCAP avalia os comandos do carro e a distração do motorista", 04.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/euro-ncap-botoes-fisicos-tela-sensivel-ao-toque-distracao-protocolo-2026/ ## O que importa - Nos resultados publicados em 12 de outubro de 2026, o Euro NCAP destacou a avaliação dos comandos do veículo, introduzida nos protocolos de 2026, que exige botão físico para funções como seta, pisca-alerta, buzina e chamada de emergência. - O Audi Q7 teve 100% nos comandos de condução e o XPENG X9, que concentra funções na tela central, ficou com 20%, embora os dois tenham recebido cinco estrelas no total. - O protocolo define o que é um comando físico direto, limita a dois o número de passos de menu aceitos para algumas funções e nunca aceita menu de toque com mais de dois passos para as funções avaliadas. O Euro NCAP, programa europeu de avaliação de segurança de carros novos, publicou em 12 de outubro de 2026 os resultados de três modelos avaliados pelos protocolos de 2026, o Audi Q7, o Kia EV2 e o XPENG X9, e destacou a diferença entre os carros que mantêm botões e alavancas para as funções básicas e os que levam esses comandos para a tela central. ## A avaliação dos comandos dentro do protocolo A avaliação faz parte do pilar de condução segura (Safe Driving) e, dentro dele, do protocolo de engajamento do motorista (Driver Engagement), na versão 1.2 de julho de 2026, que soma 30 pontos, dos quais 25 vão para o monitoramento do motorista e 5 para os comandos gerais do veículo, divididos em 2,5 pontos para os comandos de condução e 2,5 para conforto e entretenimento. O protocolo diz que o critério de aceitação busca projetos de interface entre pessoa e máquina que reduzam a distração, medida pelo tempo de olhar fora da estrada, e que, para cada ação avaliada, fatores como a urgência da tarefa definem o tipo de comando mais adequado. Os 2,5 pontos de condução se dividem em quatro grupos, com 1 ponto para as funções de direção, que são seta, seletor de marcha, pisca-alerta, chamada de emergência (eCall) e buzina, e 0,5 ponto cada para visão, como limpadores, lavador e desembaçador, para luzes, como farol baixo, farol alto e neblina, e para os assistentes de condução, como o controle de velocidade e de distância. ## O que conta como comando físico Pelo protocolo, comando físico direto é a forma de interação com movimento mecânico de acionamento, que dá a sensação de apertar um botão, que deixa o motorista achar o comando pelo tato com pouco ou nenhum tempo de olhar fora da estrada e que devolve uma resposta tátil quando é acionado. Soluções sem movimento mecânico podem ser aceitas, a critério do secretariado do Euro NCAP, se cumprirem os outros requisitos e funcionarem sempre, inclusive com dedos frios, secos, calejados, molhados, com creme ou com luvas que não conduzem eletricidade. As cinco funções de direção só passam com comando físico direto no local esperado, e o boletim técnico SD 203, que orienta os laboratórios, define zonas de localização esperada para cada uma delas no posto do motorista. Para comandos de toque, o protocolo exige que a área de acionamento possa ser identificada pelo tato, com relevos, ou que tenha pelo menos 10mm por 10mm e 4mm de separação entre áreas vizinhas, e define menu de toque com até dois passos, contados a partir da tela inicial, como a forma mais distante aceita para algumas funções, como a regulagem de altura dos faróis. O SD 203 deixa claro que um menu de toque com mais de dois passos nunca é aceito para nenhuma das funções avaliadas e que, quando um carro oferece mais de uma forma de acionar a mesma função, o laboratório avalia a que pontua mais, sem combinar características de comandos diferentes. O ensaio é feito com o carro nas configurações de fábrica, sem atalhos programados pelo usuário, em geral parado, e é todo gravado em áudio e vídeo, com o motorista e o painel enquadrados para que se veja cada comando acionado e a resposta visual correspondente. ## Os resultados de outubro O Audi Q7 teve 90% nos comandos gerais, com 100% nas tarefas essenciais de condução e 80% em conforto e entretenimento, e o Euro NCAP diz que o modelo usa botões e alavancas visíveis, bem posicionados e fáceis de operar com a mão, o que reduz a chance de distração. O Kia EV2, um utilitário esportivo menor, também teve notas que o Euro NCAP chama de excelentes nos comandos, enquanto o XPENG X9, uma minivan grande, depende demais da tela central e ficou com 20% nos comandos primários de condução, segundo o programa. Os três receberam cinco estrelas no total, e o X9 compensou a nota baixa nos comandos com o desempenho em prevenção de colisão e em segurança pós-colisão, mas falhou no assistente de velocidade, que no percurso real de 2.000km pela Europa teve dificuldade com limites condicionais, como os válidos só com chuva ou só para caminhões, e não mostrou o último limite conhecido junto com o aviso de placa não interpretada, como o protocolo exige. Entre os carros já avaliados em 2026, o BMW iX3 teve 100% nos comandos de condução, o CUPRA Raval e o GEELY E2 tiveram 80%, o ZEEKR 7GT e o AION UT ficaram com 20% e o Leapmotor B05 com 0%, e o Euro NCAP aponta uma diferença entre fabricantes europeus e chineses, com exceção do GEELY E2. ## Monitoramento do motorista e assistentes calibrados O Euro NCAP também destaca que o Q7 e o EV2 ajustam a sensibilidade do aviso de saída de faixa ao nível de atenção do motorista, reduzindo avisos e intervenções quando ele está atento, e que, nos ensaios, os assistentes precisam mostrar diferença calibrada de resposta entre um motorista atento e um distraído para pontuar bem e não incomodar. O protocolo distingue o desvio de atenção feito virando a cabeça, chamado de movimento tipo coruja, do feito só com os olhos, com o rosto voltado para a frente, chamado de movimento tipo lagarto, e o secretariado do Euro NCAP manda o laboratório conferir por amostragem os estados do motorista detectados pelo sistema de monitoramento antes de conceder os pontos. ## O argumento do Euro NCAP O programa afirma que seus protocolos de 2026 favorecem botões físicos bem posicionados e fáceis de usar para as funções básicas, em parte por causa das críticas de consumidores a comandos do dia a dia escondidos em menus da tela, e diz que pesquisas mostram potencial maior de distração nesses menus do que em botões físicos. Os documentos do protocolo, como o de engajamento do motorista e o boletim SD 203, estão publicados no site do Euro NCAP e descrevem onde e como cada comando precisa estar para que o carro pontue nesse item. --- # Incêndio causado por bateria de lítio de patinete elétrico mata quatro da mesma família no Bronx, em Nova York - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-bateria-patinete-eletrico-mott-haven-bronx-quatro-mortos/ - Fonte original: ABC7 New York, https://abc7ny.com/post/2-more-children-die-bike-battery-fire-traps-family-mott-haven-bronx-apartment/20001226/, 30.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio residencial, bateria de íons de lítio, patinete elétrico, rota de fuga, Nova York - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio causado por bateria de lítio de patinete elétrico mata quatro da mesma família no Bronx, em Nova York", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-bateria-patinete-eletrico-mott-haven-bronx-quatro-mortos/ ## O que importa - O fogo começou pouco antes da 1h de 28 de outubro de 2026 num apartamento do 11º andar do conjunto habitacional Patterson Houses, em Mott Haven, no Bronx, e os investigadores do corpo de bombeiros de Nova York apontaram como causa a bateria de íons de lítio de um veículo elétrico guardado perto da porta. - O veículo estava no único caminho de saída do apartamento, e as chamas bloquearam a fuga da família e dificultaram a entrada dos bombeiros. - Quatro pessoas da família morreram e só um homem de 37 anos sobreviveu, enquanto a cidade registra em 2026 mais de 400 incêndios causados por baterias de lítio, acima dos 292 do ano anterior. O incêndio que começou pouco antes da 1h da quarta-feira, 28 de outubro de 2026, num apartamento do 11º andar do conjunto habitacional público Patterson Houses, em Mott Haven, no Bronx, em Nova York, foi causado pela bateria de íons de lítio de um veículo elétrico de mobilidade guardado perto da porta de entrada, segundo os investigadores do corpo de bombeiros da cidade (FDNY), e matou quatro pessoas da mesma família. As vítimas são um menino de 11 anos, que morreu no dia do incêndio, dois adolescentes de 15 e 16 anos e uma mulher de 33 anos, que morreram nos dias seguintes, e o único sobrevivente, um homem de 37 anos, continuava internado em 30 de outubro de 2026, segundo a ABC7 New York. ## A origem e a causa Os investigadores concluíram que um patinete elétrico com bateria de íons de lítio, guardado perto da porta da frente, provocou o fogo, que se espalhou pelo apartamento com as chamas e a fumaça e prendeu a família lá dentro, segundo a ABC7, que cita os bombeiros. Outros veículos descrevem o aparelho como uma bicicleta elétrica, e a emissora News 12 informa que os investigadores de incêndio do FDNY (fire marshals) determinaram que a causa foi uma bateria de íons de lítio, ponto em que todas as versões coincidem. A comissária do FDNY, Lillian Bonsignore, disse em entrevista coletiva que o aparelho "estava colocado num ponto da cozinha que tornou impossível aos moradores sair com segurança", e a News 12 informa que ele bloqueava a única rota de fuga da família. ## O combate Os bombeiros chegaram quatro minutos depois do início do fogo, segundo a News 12, e encontraram chamas intensas ao forçar a porta do apartamento, com uma das vítimas logo atrás dela, presa pelo veículo que bloqueava a saída, segundo a emissora NY1. O chefe de departamento do FDNY, John Esposito, contou que os bombeiros entraram rastejando pelas chamas para encontrar e retirar as outras quatro vítimas, e nenhuma outra unidade do prédio precisou ser evacuada, segundo o prefeito. Esposito explicou que as baterias guardam "uma quantidade incrível de energia" e que, quando falham, "falham muito rápido e de forma muito violenta", e disse que um extintor, seja de água ou de pó químico, não basta para apagar esse tipo de incêndio. ## A escalada dos incêndios com baterias Segundo a comissária Bonsignore, até 28 de outubro de 2026 as baterias de íons de lítio tinham provocado 401 incêndios nos cinco distritos da cidade no ano, com 74 feridos e seis mortos, números que já superam os de 2025, quando 292 incêndios desse tipo deixaram um morto e 51 feridos, e a ABC7 registrou depois sete mortes no ano. Bonsignore pediu que os moradores comprem baterias certificadas e nunca carreguem os aparelhos enquanto dormem, e disse que esses incêndios podem matar a família, os vizinhos e os próprios bombeiros, enquanto o prefeito Zohran Mamdani pediu que os nova-iorquinos guardem os aparelhos de micromobilidade fora de casa. O FDNY também lembrou que a bateria deve trazer, no rótulo ou num adesivo, a marca de certificação de um laboratório de ensaios reconhecido nacionalmente, e que os cuidados de carga e armazenamento devem ser seguidos, segundo a News 12. ## As regras da habitação pública A NYCHA, autoridade de habitação pública de Nova York, permite que os moradores guardem bicicletas elétricas dentro dos apartamentos, desde que não bloqueiem as saídas, e as baterias só podem ser carregadas com o dono acordado, segundo a News 12. A presidente do distrito do Bronx, Vanessa Gibson, disse que defende a criação de espaços dedicados à recarga nos conjuntos habitacionais públicos, para que os moradores tenham alternativa mais segura do que carregar as baterias dentro de casa, e lembrou que muitos entregadores dependem desses veículos para trabalhar. --- # Fotos usadas como prova editadas por IA: banco canadense com 1.505 imagens mostra que detectores atuais falham - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/banco-de-imagens-manipuladas-por-ia-para-teste-de-provas-judiciais/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2609.37783, 29.Set.2026 (inglês) - Marcadores: imagem manipulada por IA, autenticação de imagem, prova digital, deepfake, câmera veicular, câmeras de segurança - Como citar: NEXO CAUSAL, "Fotos usadas como prova editadas por IA: banco canadense com 1.505 imagens mostra que detectores atuais falham", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/banco-de-imagens-manipuladas-por-ia-para-teste-de-provas-judiciais/ ## O que importa - Pesquisadores de universidades canadenses publicaram no arXiv, em 29 de setembro de 2026, um banco de 1.505 imagens do tipo usado como prova em juízo, com 720 fotos autênticas e 785 alteradas ou fabricadas com ferramentas comuns de IA generativa. - Quatro detectores públicos de manipulação, testados sem ajuste, ficaram perto do acaso, e o melhor chegou a 0,674 de área sob a curva ROC. - No limiar padrão, esse detector pegou menos da metade das manipulações e marcou como alteradas 22% das fotos autênticas, erro que os autores consideram o mais grave num tribunal. Um grupo de 13 pesquisadores das universidades de Toronto, Waterloo, British Columbia, Western Ontario e Ottawa, no Canadá, com Kelly McConvey, da University of Toronto, como primeira autora, publicou no arXiv em 29 de setembro de 2026 o artigo "A Benchmark & Dataset for Detecting AI-Manipulated Visual Evidence in the Court System", que apresenta um banco público de imagens para testar se os sistemas de autenticação reconhecem fotos de prova alteradas por inteligência artificial. O trabalho consta como artigo de cinco páginas da 35ª ACM International Conference on Information and Knowledge Management (CIKM 2026), marcada para 7 a 11 de novembro de 2026 em Roma, e foi financiado pela rede de pesquisa Safeguarding Courts from Synthetic AI Content, por meio do programa de pesquisa do Canadian AI Safety Institute no CIFAR. ## O problema: a edição local feita por leigo Os autores partem do tipo de foto que chega aos processos, como o quadro de câmera de segurança apresentado para mostrar que alguém esteve num lugar, a imagem de câmera veicular usada para reconstruir um acidente de trânsito e a foto de celular que documenta um dano, uma lesão ou o estado de um local. Segundo o artigo, a manipulação de foto nunca foi novidade, mas exigia ferramenta especializada e habilidade técnica, enquanto os sistemas atuais de geração de imagem permitem que uma parte, uma testemunha ou um terceiro mude as condições da cena, insira ou retire um objeto ou crie uma imagem inteira só digitando um pedido. O risco que os autores destacam não é só a imagem toda sintética, e sim a edição local numa foto comum, como tirar uma pessoa de um quadro de câmera de segurança, mudar uma placa ou a cor de um semáforo numa imagem de câmera veicular ou acrescentar ou apagar um dano numa foto de celular, mudanças que alteram o que a imagem parece provar e mantêm quase todo o resto da cena. O texto lembra ainda o efeito chamado por Robert Chesney e Danielle Citron de "dividendo do mentiroso" (liar's dividend), em que a própria facilidade de falsificar torna mais fácil desacreditar uma prova verdadeira, e por isso os tribunais precisam tanto detectar o falso quanto preservar a confiança no autêntico. ## Como o banco foi montado O banco, chamado CIFAR Synthetic Evidence Corpus, tem 1.505 imagens, sendo 720 autênticas, que servem de controle, e 785 manipuladas ou fabricadas, divididas em três famílias de prova: câmera de segurança, câmera veicular e foto de consumidor. As manipulações seguem três níveis: o primeiro muda as condições da cena (hora do dia, clima, iluminação e quantidade de pessoas), o segundo edita um elemento (trocar ou acrescentar objeto, retirar pessoa, placa ou veículo, mudar a cor do semáforo, acrescentar ou apagar dano) e o terceiro fabrica a imagem inteira a partir do pedido escrito, com 349, 301 e 135 imagens em cada nível. As fotos de origem vieram de bases públicas de pesquisa, a VIRAT e a UCF-Crime para câmera de segurança, a BDD100K para câmera veicular e a CASIA v2.0 para foto de consumidor, e os autores escreveram 27 modelos de pedido que imitam um leigo usando um aplicativo comum, cada um pedindo uma única mudança e a preservação do resto da cena. As imagens alteradas foram produzidas com o GPT Image 2, com o Gemini 3.1 com Nano Banana 2 e com o Firefly 5, este último usado pela interface comum ao consumidor, e há ainda um conjunto menor, chamado Hero, com edições refinadas à mão no Photoshop e no ChatGPT, que representa um adversário disposto a caprichar. Cada imagem vem com metadados de origem, família, nível e subtipo de manipulação, gerador, modelo de pedido e atributos da cena, o que permite ver quais mudanças são detectadas, quais passam e quais fotos autênticas geram falso alarme, além da simples taxa de acerto geral. ## O teste dos detectores Os autores rodaram quatro detectores públicos de imagem sintética, sem nenhum treino adicional e com o limiar de decisão que vem de fábrica, sobre as 1.505 imagens, tratando a tarefa como decisão binária entre autêntica e manipulada. O desempenho foi baixo em todos, e o melhor, o d3, chegou a 0,674 de área sob a curva ROC, medida em que 0,5 equivale ao acaso e 1 a uma separação perfeita, enquanto os outros três, univfd, drct e cnnspot, ficaram entre 0,621 e 0,643. No limiar padrão, o d3 pegou 47% das manipulações e marcou como manipuladas 22% das fotos autênticas, e o cnnspot quase não acusou nada, com revocação de 0,003. Os autores afirmam que acusar falsamente uma prova genuína é o erro mais danoso num tribunal e que, por isso, um teste para autenticação de prova precisa relatar a estrutura dos erros, e não só a acurácia geral. No detalhe do d3, as imagens de câmera veicular foram as mais difíceis, com área sob a curva de 0,55, contra 0,69 nas de câmera de segurança e 0,78 nas fotos de consumidor, e a revocação por gerador variou de 0,46 a 0,71. O conjunto Hero foi o caso mais revelador, porque as edições refinadas à mão no Photoshop receberam notas de manipulação muito baixas, a menor delas de 0,04, e passaram inteiramente pelo detector, o que os autores tratam como prova direta de que um adversário motivado consegue vencer os sistemas atuais. ## Limites e cuidados declarados Os autores dizem que o banco complementa, e não substitui, os conjuntos já existentes de falsificação de rosto e de adulteração clássica, e que não pretendem que a detecção sozinha resolva o problema jurídico. A triagem das imagens geradas foi feita durante a produção, refazendo as que não mostravam a mudança pedida ou saíam visivelmente degradadas, mas não houve anotação formal, de modo que o artigo não informa concordância entre avaliadores. Pelo texto, nenhuma imagem vem de processo judicial real, foi usado só o subconjunto de atividades normais da UCF-Crime e nenhuma manipulação foi feita para colocar uma pessoa identificável num lugar real ou atribuir a ela uma conduta. ## O que isso muda para a perícia Para o perito que examina foto anexada a processo, o estudo mostra que um detector automático usado no limiar de fábrica pode deixar passar mais da metade das edições e ainda apontar como alterada mais de uma em cada cinco fotos verdadeiras, e que a edição local feita em aplicativo comum é justamente o caso em que esses sistemas mais falham. O banco, os pedidos, os metadados, o código e os roteiros de avaliação foram publicados pelos autores para uso em pesquisa, com DOI no repositório Zenodo. --- # PMMA em comprimidos vendidos como ecstasy: o alerta da UNODC e o que ele diz sobre a análise toxicológica - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Toxicologia forense - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/pmma-em-comprimidos-vendidos-como-ecstasy-alerta-unodc-analise-toxicologica/ - Fonte original: UNODC Early Warning Advisory on New Psychoactive Substances, https://www.unodc.org/LSS/Announcement/Details/ddaae72a-fb07-43c7-b411-d0ec5aa88724, 06.Out.2026 (inglês) - Marcadores: toxicologia forense, PMMA, ecstasy, novas substâncias psicoativas, UNODC, Europa - Como citar: NEXO CAUSAL, "PMMA em comprimidos vendidos como ecstasy: o alerta da UNODC e o que ele diz sobre a análise toxicológica", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/pmma-em-comprimidos-vendidos-como-ecstasy-alerta-unodc-analise-toxicologica/ ## O que importa - O sistema de alerta antecipado da UNODC sobre novas substâncias psicoativas chamou a atenção, em 6 de outubro de 2026, para a detecção crescente de PMMA em comprimidos vendidos como ecstasy em países da Europa. - A base toxicológica da UNODC registra 24 casos com PMMA entre 2015 e 2025, cinco deles em investigações post mortem, e a OMS aponta a nova dose tomada por quem acha que o efeito demora como traço marcante das mortes. - A aparência e o logotipo do comprimido não indicam o conteúdo, e a rede europeia TEDI avisa que testes com reagentes podem não detectar PMMA misturado com MDMA, o que exige cromatografia. O Early Warning Advisory on New Psychoactive Substances (EWA), o sistema de alerta antecipado do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para novas substâncias psicoativas, publicou em Viena, em 6 de outubro de 2026, um aviso sobre o aumento das detecções de para-metoximetanfetamina (PMMA) em comprimidos vendidos como ecstasy (MDMA), depois de uma série de alertas de serviços de análise de drogas, autoridades de saúde e sistemas de alerta da Europa. ## A substância A PMMA é um estimulante sintético do tipo anfetamina, da classe das fenetilaminas, aparentada com a metanfetamina e com a para-metoxianfetamina (PMA), e foi incluída na Lista I da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 em 2016, segundo a UNODC. O relatório de 2016 do Comitê de Especialistas em Dependência de Drogas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomendou esse controle, descreve a PMMA como 1-(4-metoxifenil)-N-metilpropan-2-amina, um derivado metoxilado da metanfetamina com dois enantiômeros, em geral encontrado como mistura racêmica, e registra que a PMA é um metabólito da PMMA. Segundo a OMS, em doses altas a PMMA produz estimulação simpatomimética, sua estimulação central é fraca, menor que a da PMA, da anfetamina, da metanfetamina e do MDMA, e os efeitos observados em animais e em usuários indicam papel dominante da atividade serotonérgica. ## O padrão das mortes O comitê da OMS registrou mortes associadas à PMMA em número crescente, uma nos anos 1990, 40 nos anos 2000 e 90 nos anos 2010, até a data do relatório, e explicou que, como o efeito demora a aparecer, quem espera o efeito do MDMA pode achar a dose baixa demais e tomar outra, comportamento que o comitê aponta como traço marcante das mortes envolvendo a substância. A UNODC repete essa observação no aviso de 2026 e acrescenta que a presença de PMMA junto com MDMA e outras substâncias psicoativas aumenta ainda mais o risco de toxicidade. A rede europeia TEDI (Trans European Drug Information), de serviços de análise de drogas, informa no seu alerta que a PMMA pode levar até três horas para atingir o efeito máximo e que é especialmente perigosa para quem usa antidepressivos serotonérgicos, porque a combinação eleva muito o risco de síndrome serotoninérgica. ## As detecções de 2026 Desde julho de 2026, serviços de análise de drogas e sistemas nacionais de alerta da Áustria, da Bélgica, dos Países Baixos, da Espanha, da Suíça, da Alemanha e da Itália relataram PMMA em comprimidos vendidos como MDMA, sozinha ou misturada com MDMA, em quantidades variadas e, em alguns comprimidos, acima de 100mg, segundo a UNODC. A página de alertas da TEDI, com dados até 20 de outubro de 2026, inclui também o Reino Unido entre os países com detecções, lista os serviços que as confirmaram e descreve comprimidos com cores e logotipos variados, alguns com PMMA pura e outros com MDMA, cetamina ou anfetamina na mistura. A PMMA não aparece só na Europa, e 42 países de todos os continentes já a informaram à UNODC, dez deles em 2026, na Europa, na América do Sul e na Ásia, e a Austrália emitiu alerta em 2024 sobre PMMA num material cristalino amarelo vendido como MDMA. ## Os casos na base toxicológica O Tox-Portal, base em que laboratórios de referência enviam dados toxicológicos à UNODC, registra a PMMA em 24 casos entre 2015 e 2025 em quatro continentes, Oceania, Ásia, América do Norte e América do Sul, sendo 14 atendimentos clínicos (58%), cinco investigações post mortem (21%), dois crimes facilitados por drogas (8%) e três de outros tipos (13%). ## Aparência não é prova de conteúdo A UNODC afirma que os comprimidos com PMMA variam muito de cor, formato e logotipo, que a aparência sozinha não indica com segurança o conteúdo, que comprimidos com o mesmo logotipo podem ter substâncias diferentes de um lote para outro e que a PMMA também aparece em comprimidos com logotipos diferentes, de modo que as características visuais devem ser tratadas só como informação complementar. A TEDI acrescenta um ponto analítico, o de que testes caseiros com reagentes podem não detectar a PMMA quando o comprimido também contém MDMA, e que só a análise por cromatografia identifica a PMMA com segurança nessas misturas. ## Por que o alerta circula A UNODC lembra, com base no Relatório Mundial sobre Drogas de 2026, que a maior parte do ecstasy disponível no mundo é produzida na Europa Ocidental e Central, e por isso mudanças na composição dos comprimidos vendidos no mercado europeu podem ter efeito fora da região. O escritório defende a divulgação rápida dos resultados analíticos para que os países preparem seus laboratórios, identifiquem ameaças novas e alertem as equipes clínicas antes de danos maiores, e cita a resolução sobre fortalecimento dos mecanismos de alerta antecipado adotada em 2026 pela Comissão de Entorpecentes da ONU. --- # Queda de guindaste de 40 metros mata dois operários em obra habitacional pública em Nagpur, na Índia - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/queda-de-guindaste-obra-mhada-nagpur-india-dois-mortos/ - Fonte original: The Hitavada, https://www.thehitavada.com/Encyc/2026/10/31/2-workers-killed-.html, 31.Out.2026 (inglês) - Marcadores: guindaste, acidente de trabalho, canteiro de obras, inspeção de equipamentos, Índia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Queda de guindaste de 40 metros mata dois operários em obra habitacional pública em Nagpur, na Índia", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/queda-de-guindaste-obra-mhada-nagpur-india-dois-mortos/ ## O que importa - A parte superior de um guindaste de 40m desabou na manhã de 30 de outubro de 2026 numa obra da autoridade habitacional do estado de Maharashtra (MHADA), em Nagpur, na Índia, e matou dois trabalhadores e feriu outros dois. - A polícia diz que o guindaste estava sendo desmontado, enquanto o jornal local The Hitavada informa que os operários aumentavam a altura do equipamento quando ele perdeu o equilíbrio e caiu sobre outro guindaste. - A polícia registrou o caso como morte acidental e investiga se houve falha mecânica ou erro humano, se o guindaste passou por inspeção técnica e manutenção e se as normas de segurança foram cumpridas, num canteiro sem câmeras. Dois trabalhadores morreram e outros dois ficaram feridos na manhã de sexta-feira, 30 de outubro de 2026, quando um guindaste de 40m desabou numa obra da Maharashtra Housing and Area Development Authority (MHADA), a autoridade habitacional do estado de Maharashtra, em Nagpur, na Índia, e a polícia investiga se a queda foi causada por falha mecânica ou por erro humano e se as regras de segurança foram seguidas. A obra fica no Textile Park, na colônia da MHADA em frente ao templo Geeta Mandir, na área da delegacia de Ganeshpeth, e o guindaste era usado na construção de unidades comerciais de um projeto da autoridade habitacional, segundo o jornal local The Hitavada. ## Duas versões para o que se fazia no guindaste O vice-comissário de polícia Rahul Madne disse a jornalistas que o operador do guindaste e três ajudantes trabalhavam no local e que, às 10h30, o guindaste estava sendo desmontado quando aconteceu o acidente, segundo a agência indiana ANI, reproduzida pelo Free Press Journal. O The Hitavada dá outra versão: o acidente ocorreu entre 10h30 e 11h, quando os operários aumentavam a altura do guindaste, operação conhecida como telescopagem, e o equipamento teria perdido o equilíbrio e desabado, com a parte superior caindo de quase 100ft (30,48m) e atingindo outro guindaste. O site The Live Nagpur, que também cita o vice-comissário, descreve que a parte superior de um guindaste de cerca de 100ft (30,48m) de altura se partiu e caiu, e informa que a polícia abriu investigação para apurar a causa exata da queda. ## As vítimas e o resgate Os mortos foram identificados pela polícia como Vishwanath Kathane e Mukesh Nishad, este do estado de Uttar Pradesh, e a ANI registra Kathane como morador do distrito de Bhandara, enquanto o The Hitavada informa que ele tinha 40 anos e morava em Gondia, e que Nishad tinha 25 anos e era de Jaunpur. Segundo o vice-comissário, um dos mortos, o operador ou um dos ajudantes, morreu na hora, e os dois feridos, que a polícia diz serem do estado de Jharkhand e o The Hitavada aponta como moradores de Balrampur, no estado de Chhattisgarh, foram levados ao Orion Hospital, segundo a polícia. Um dos feridos ficou preso no guindaste depois da queda, e o bombeiro Nilesh Tethe subiu na estrutura e o trouxe para baixo numa maca, numa operação de resgate da qual também participou o motorista e operador Ganesh Rajurkar, segundo o The Hitavada. ## Quem fazia a obra Também há divergência sobre a empresa responsável pela obra: pela declaração do vice-comissário reproduzida pela ANI, a construção é feita sob a coordenação da MHADA por um empreiteiro ligado à "Vijay Company", enquanto o The Hitavada afirma que a obra é executada pela B J Shirke Company e o The Live Nagpur diz que a MHADA contratou a Shirke Construction Company. ## O que a polícia vai investigar A polícia registrou na delegacia de Ganeshpeth um caso de morte acidental (Accidental Death, ou AD), e um inspetor sênior conduz a investigação, segundo o vice-comissário, que disse que a apuração vai verificar se o acidente veio de defeito técnico ou de erro humano e se os protocolos de segurança exigidos foram cumpridos. Segundo o The Hitavada, os investigadores vão verificar se o guindaste passou por inspeção técnica adequada antes de ser usado, se recebia manutenção regular e se havia medidas de segurança suficientes, além de examinar o papel do empreiteiro e os procedimentos de segurança adotados durante a operação de aumento de altura. A polícia vai ouvir engenheiros da MHADA, engenheiros fiscais do governo e os engenheiros supervisores da própria construtora, e o vice-comissário afirmou que não há imagens de câmeras de segurança no canteiro, o que também está sendo investigado e impede, por enquanto, reconstituir a sequência exata dos fatos. --- # Dimensionamento do condutor de proteção: revisão da NFPA examina a base da tabela 250.122 do NEC - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/dimensionamento-do-condutor-de-protecao-revisao-da-tabela-250-122-do-nec/ - Fonte original: Fire Protection Research Foundation (NFPA), https://www.nfpa.org/education-and-research/research/fire-protection-research-foundation/projects-and-reports/equipment-grounding-conductors-sizing-literature-review, 09.Out.2026 (inglês) - Marcadores: condutor de proteção, aterramento, NEC, NFPA 70, falta à terra, instalações elétricas - Como citar: NEXO CAUSAL, "Dimensionamento do condutor de proteção: revisão da NFPA examina a base da tabela 250.122 do NEC", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/dimensionamento-do-condutor-de-protecao-revisao-da-tabela-250-122-do-nec/ ## O que importa - Relatório da Fire Protection Research Foundation, feito na Universidade Politécnica de Hong Kong, revisou de onde vêm as seções mínimas do condutor de aterramento de equipamentos da tabela 250.122 do código elétrico americano. - Os autores mostram que o NEC fixa a seção pela corrente nominal do dispositivo de proteção, enquanto a IEC e normas da França, da China e do Reino Unido admitem também o cálculo adiabático pela energia da falta. - A conclusão é que disjuntores inteligentes mais rápidos dão margem térmica extra, mas que pelas regras atuais do NEC essa margem não autoriza reduzir o condutor. A Fire Protection Research Foundation, braço de pesquisa da NFPA (National Fire Protection Association), publicou o relatório FPRF-2026-08, "Sizing of Equipment Grounding Conductors: Literature Review", escrito por Yixuan Liang, Xinyan Huang e Yuxin Zhang, do Departamento de Engenharia de Ambiente Construído e Energia da Universidade Politécnica de Hong Kong, com data de setembro de 2026 na capa e página de divulgação no site da NFPA em 9 de outubro de 2026. O trabalho foi pago pelo fundo de pesquisa da NFPA e acompanhado por um painel técnico com membros e ex-membros do CMP 5, comitê do NEC (National Electrical Code, a NFPA 70) que trata do aterramento. ## O problema: de onde vêm os números da tabela No NEC, o condutor de aterramento de equipamentos (EGC, equipment grounding conductor) é o que liga as partes metálicas que normalmente não conduzem corrente, como carcaças, eletrodutos e invólucros, ao ponto de aterramento da fonte, e no Brasil a função equivale à do condutor de proteção, o PE. Quando a isolação de um condutor energizado falha e a carcaça fica sob tensão, esse condutor oferece um caminho de baixa impedância para a corrente de falta voltar à fonte, e é essa corrente alta que faz o disjuntor ou o fusível atuar e desligar o circuito. O prefácio da fundação afirma que a origem e a fundamentação técnica dos critérios da seção 250.122 e da tabela 250.122, inclusive para condutores de aterramento instalados em eletrodutos paralelos, são "relativamente obscuras", e o objetivo declarado do projeto foi avaliar essa fundamentação e verificar se o condutor "de seção plena" exigido pelo código é mesmo necessário. ## Como a tabela 250.122 funciona A tabela não parte da corrente da carga, mas da corrente nominal do dispositivo de proteção contra sobrecorrente que protege o circuito, e o relatório dá o exemplo de um circuito com carga de 30A protegido por disjuntor de 60A, cujo condutor de aterramento tem de seguir a linha de 60A. As faixas vão de 15A a 6.000A, com colunas separadas para cobre e para alumínio ou alumínio revestido de cobre, e o alumínio exige, para a mesma proteção, duas bitolas acima do cobre, como 12 AWG (3,31mm²) de cobre contra 10 AWG (5,26mm²) de alumínio. O piso é 14 AWG (2,08mm²) de cobre para dispositivos de 15A, mas o código não exige que o condutor de aterramento seja maior que os condutores de fase, de modo que em circuitos especiais com condutores de 18 AWG (0,82mm²) ou 16 AWG (1,31mm²), como certos circuitos de motor, ele pode acompanhar a bitola menor. ## A história e a física por trás dos valores Segundo a revisão, a primeira tabela apareceu na edição de 1930 do NEC, limitada a 500A, a de 1931 foi até 1.200A e a de 1968 chegou aos 6.000A atuais, e a base física dos valores são as curvas de dano térmico da isolação, derivadas da equação de Onderdonk ou da fórmula de Preece, em que o quadrado da corrente multiplicado pelo tempo de falta é proporcional ao quadrado da seção do condutor. Os autores ligam a ampliação para 6.000A a três mudanças: o uso de condutores em paralelo nos circuitos grandes, como um circuito de 400A feito com um único condutor de cobre de 500kcmil (253,35mm²) ou com condutores de 3/0 AWG (85,03mm²) em paralelo, o disparo instantâneo dos disjuntores de grande porte e a proteção de falta à terra de equipamentos, que passou a ser obrigatória, entre as edições de 1968 e 1971, nas entradas de serviço de 1.000A ou mais. O relatório explica que, para um disjuntor de 6.000A atuar no instantâneo, em geral em menos de 0,05s, a impedância do caminho de retorno tem de ser muito baixa, e que um condutor de aterramento subdimensionado limita a corrente de falta abaixo do limiar instantâneo, que costuma ser de 10 a 12 vezes a corrente nominal, o que atrasa o desligamento e pode levar a incêndio. Os autores lembram que a tabela traz só o mínimo e que, em circuitos longos, cabe ao projetista calcular a impedância da malha de falta até a carga mais distante e aumentar o condutor quando a corrente calculada não garantir o disparo magnético. ## A comparação com outras normas A revisão compara o NEC com a IEC 60364, com a francesa NF C 15-100, com a britânica BS 7671, com a norma chinesa e com a japonesa, e a diferença principal é que o NEC usa só a corrente nominal do dispositivo de proteção, enquanto as outras admitem também dimensionar o condutor de proteção pela seção dos condutores de fase ou por cálculo térmico da falta. O relatório reproduz a regra da norma chinesa que cita como GB/T 1895.3-2017, que liga a seção mínima do condutor de proteção à seção do condutor de fase: igual à fase até 16mm², 16mm² para fases de mais de 16mm² até 35mm² e metade da fase acima de 35mm², com fator de correção quando os materiais são diferentes. A norma francesa permite reduzir a seção do condutor de proteção pela fórmula adiabática, em que a seção é a raiz da energia da falta dividida por uma constante do material, aproveitando a energia menor deixada passar por disjuntores rápidos, e o NEC, segundo os autores, proíbe reduzir o condutor com base na velocidade de disparo. Quanto aos materiais, o NEC limita o condutor de aterramento em forma de fio a cobre, alumínio e alumínio revestido de cobre, embora aceite eletrodutos metálicos e armaduras como caminho de aterramento, enquanto a IEC e a BS 7671 aceitam um leque maior, como aço galvanizado, desde que o material resista à corrosão e passe no cálculo da falta. ## O que os autores propõem A revisão aponta como vantagem da tabela a objetividade, que simplifica projeto e fiscalização, e como desvantagem o conservadorismo e a falta de detalhe para sistemas complexos. As sugestões são usar programas de cálculo de falta à terra, como o SKM e o GEMI, para verificar se o caminho de falta é efetivo, considerar a duração da falta além da intensidade, discutir a inclusão de aço e de capas de chumbo como caminho de proteção e adotar monitoramento contínuo de corrente, temperatura e resistência do condutor. Na conclusão, os autores dizem que disjuntores com microprocessador encurtam a falta e reduzem a energia que passa pelo condutor de aterramento, mas que pelas regras atuais da tabela 250.122 essa margem não pode servir de justificativa para reduzir o condutor, embora forneça dados para uma eventual mudança futura em direção a um dimensionamento por desempenho. A fundação ressalva no prefácio que o conteúdo, as opiniões e as conclusões são só dos autores e não representam necessariamente a posição da fundação, da NFPA ou do painel técnico. Para a perícia elétrica, o relatório reúne em um só lugar a lógica do dimensionamento pelo dispositivo de proteção, a verificação da impedância da malha de falta e a diferença entre a regra americana e as normas da família IEC, e no Brasil as instalações de baixa tensão são regidas pela ABNT NBR 5410, Instalações elétricas de baixa tensão. --- # Carl Case é declarado inocente após 44 anos preso no Novo México, com ajuda da entomologia forense - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/carl-case-inocentado-apos-44-anos-entomologia-forense-novo-mexico/ - Fonte original: Santa Fe New Mexican, https://www.santafenewmexican.com/news/local_news/convicted-killer-carl-case-declared-innocent-released-after-44-years-in-prison/article_62e6f5bc-cae4-436f-bd34-691c8bf76ca6.html, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: entomologia forense, erro judiciário, inocência, Novo México, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Carl Case é declarado inocente após 44 anos preso no Novo México, com ajuda da entomologia forense", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/carl-case-inocentado-apos-44-anos-entomologia-forense-novo-mexico/ ## O que importa - Carl Case, condenado em 1982 pelo estupro e assassinato de uma adolescente perto de Carlsbad, no Novo México, saiu da prisão em 27 de outubro de 2026, aos 65 anos, depois que uma juíza reconheceu sua inocência. - A análise das larvas de insetos vistas nas fotos do corpo, cruzada com dados de temperatura do local, indicou que a morte aconteceu entre meados e o fim de dezembro de 1981, e não em 1º de janeiro de 1982, como sustentava a acusação. - A condenação se apoiava quase só no depoimento de três jovens, dois dos quais disseram depois ter mentido sob pressão da polícia, e o estado recorreu da decisão. Carl Case saiu da Penitenciária do Novo México, ao sul de Santa Fé, ao pôr do sol de terça-feira, 27 de outubro de 2026, livre pela primeira vez em 44 anos, depois que a juíza distrital Lisa Riley se disse convencida, por provas novas, de que ele era inocente do estupro e do assassinato de uma adolescente encontrada morta às margens do rio Pecos, perto de Carlsbad, e uma dessas provas veio da entomologia forense, a análise de insetos encontrados no corpo para estimar há quanto tempo a pessoa morreu, segundo o jornal Santa Fe New Mexican. ## A condenação de 1982 Case foi condenado em 1982 à prisão perpétua mais 14 anos, tinha 19 anos quando foi preso e saiu aos 65, e a condenação se apoiou quase toda no depoimento de três testemunhas oculares descritas nos documentos do processo como "garotos", também eles. Dois desses jovens se retrataram mais tarde e disseram ter mentido sob pressão das autoridades, por medo de serem eles próprios processados, segundo os autos e reportagens anteriores do jornal. "Eu usei o que eles me disseram, só juntei dois mais dois e contei uma história", disse depois uma das testemunhas, que contou ter inventado "uma história muito simples, com o pouco de informação que a polícia basicamente tinha me dado e o que eu tinha ouvido os outros rapazes dizerem na minha audiência de fiança", feita simples "para ser fácil de lembrar, porque eles esperavam que eu a repetisse várias vezes". Mesmo com as admissões de falso testemunho, Case perdeu vários recursos na Justiça estadual e federal ao longo dos anos, até que os advogados Marc Lowry e Clay Wilwol, do escritório Rothstein Donatelli, assumiram o caso, num trabalho que reuniu três gerações de advogados do escritório, o New Mexico Innocence and Justice Project e estudantes de direito da Universidade do Novo México. ## O que os insetos mostraram A juíza Riley escreveu que foi convencida em parte por provas científicas novas, obtidas com técnicas forenses que não existiam na época da condenação, em especial a entomologia forense, que analisou o desenvolvimento das larvas vistas nas fotos do corpo da vítima para contestar a tese da acusação sobre a data da morte. Segundo um documento do processo citado pelo jornal, a "análise científica dos espécimes de insetos fotografados no corpo", feita "em conjunto com dados climatológicos de ponta sobre a temperatura ambiente no local onde estava o corpo", indica que a vítima provavelmente morreu entre meados e o fim de dezembro de 1981, e não em 1º de janeiro de 1982, a data proposta pela promotoria. A data importa porque a confissão de falso testemunho das testemunhas, segundo a juíza, também explicava "inconsistências materiais sobre os fatos básicos do caso", inclusive a forma como o grupo se reuniu naquela noite e quando e onde o crime aconteceu. ## As outras provas da decisão A juíza também levou em conta provas sobre a "consciência de culpa" demonstrada pela terceira testemunha, que se matou alguns anos depois de receber, em dezembro de 2003, a visita de Todd Coberly, então estudante de direito que reunia provas a favor de Case e hoje juiz no Primeiro Distrito Judicial, e de ouvir dele que as outras duas testemunhas tinham se retratado. Para Riley, as declarações dessa testemunha a Coberly, o comportamento dela durante a visita e o consumo de álcool e os pesadelos descritos depois pela ex-mulher são "prova persuasiva e confiável" de que ela tinha a consciência pesada pelo assassinato, a ponto de acreditar que poderia ser processada, e o advogado Lowry disse acreditar que foi ela quem matou a adolescente. A decisão cita ainda uma prova que tinha sido escondida da defesa, uma entrevista policial em que essa mesma testemunha admitiu ter tido contato sexual com a vítima e mostrou saber que ela tinha sido golpeada na cabeça, como prova convincente de que Case foi condenado por engano. A juíza também deu peso ao depoimento de um homem que, ainda adolescente, foi condenado por participação no crime e mandado para uma instituição de menores, e que disse ter recebido da promotoria oferta de imunidade para "ajudar na condenação", mas recusou e sustentou sempre a própria inocência, um testemunho que Riley considerou "altamente crível, extremamente convincente e muito confiável". Para a juíza, esse depoimento, somado ao que as outras testemunhas disseram e à forma como o estado lidou com elas, "indica como o estado dava crédito ou desacreditava o testemunho de uma pessoa de forma oportunista, sem levar em conta a verdade". ## Inocência de fato e o recurso do estado "Com base em todas as provas confiáveis apresentadas ao tribunal, o senhor Case cumpriu seu ônus probatório para obter o habeas corpus com fundamento em inocência de fato", concluiu Riley. Lowry e Wilwol disseram ao jornal acreditar que Case é um dos primeiros presos do Novo México, senão o primeiro, a ser libertado por provar a "inocência de fato" (actual innocence) desde que a Suprema Corte do estado abriu caminho para esse tipo de pedido, numa decisão de 2007. O estado do Novo México recorreu da decisão naquela mesma semana, mas Riley mandou soltar Case na terça-feira, depois que os advogados argumentaram que a lei exige a concessão da medida mesmo com recurso pendente, e Wilwol disse acreditar que a decisão vai resistir ao recurso. Na saída da prisão, Case disse que rezou todos os dias durante anos para ser libertado, mesmo depois de cada recurso negado, e que foi a equipe de defesa que manteve sua esperança: "Eles acreditaram em mim, foram os únicos, então eu acreditei neles". --- # Oito trabalhadores morrem eletrocutados na Índia quando máquina toca linha aérea de 11kV - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/eletrocussao-chhapoli-india-maquina-toca-linha-de-11kv/ - Fonte original: The Hindu, https://www.thehindu.com/news/national/rajasthan/labourers-electrocuted-in-jhunjhunu-rajasthan-while-working-on-road-construction-project/article71655841.ece, 02.Nov.2026 (inglês) - Marcadores: choque elétrico, linha aérea, concessionária de energia, Índia, Rajastão - Como citar: NEXO CAUSAL, "Oito trabalhadores morrem eletrocutados na Índia quando máquina toca linha aérea de 11kV", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/eletrocussao-chhapoli-india-maquina-toca-linha-de-11kv/ ## O que importa - Oito trabalhadores morreram e cinco ficaram feridos em Chhapoli, no distrito de Jhunjhunu, no estado indiano de Rajastão, na segunda-feira, 2 de novembro de 2026. - Uma máquina de mistura de cascalho encostou numa linha aérea de alta tensão de 11kV, e a corrente se espalhou pelo equipamento até os trabalhadores. - Moradores acusaram a administração e a concessionária de energia de negligência, e o governo estadual determinou um inquérito de alto nível. Oito trabalhadores morreram eletrocutados na segunda-feira, 2 de novembro de 2026, no vilarejo de Chhapoli, no distrito de Jhunjhunu, no estado indiano de Rajastão, depois que uma máquina tocou numa linha aérea de alta tensão de 11kV. Cinco morreram no local e outros três morreram durante o atendimento, e todas as vítimas fatais eram moradoras do próprio vilarejo, enquanto outras cinco pessoas feridas foram levadas ao Centro Comunitário de Saúde de Udaipurwati. ## Como o contato aconteceu A máquina de mistura de cascalho era usada na construção de uma estrada com participação da comunidade, num trecho estreito que liga Chhapoli a Kadamkund, quando um macaco hidráulico encostou na linha. A corrente elétrica se espalhou de imediato pelo equipamento e atingiu os trabalhadores que estavam no local. O vilarejo fica perto da rodovia estadual Sikar-Neem Ka Thana e pertence à área da delegacia de Udaipurwati. ## Denúncias sobre a rede Moradores que foram ajudar no resgate fizeram um protesto e acusaram a administração e a concessionária de energia de negligência. Segundo eles, cabos e postes encostavam em árvores, e nenhum funcionário atendeu na subestação da rede quando pediram o desligamento da energia. Para a perícia, as perguntas centrais são a distância entre o equipamento e a linha antes do contato, a altura do cabo naquele trecho e o tempo que a concessionária levou para desligar o circuito. ## Inquérito e socorro O governo do estado de Rajastão determinou um inquérito de alto nível sobre o acidente e pediu um relatório factual ao coletor do distrito. Um ministro foi designado para visitar o local, e o governo mandou que os funcionários prestem todo o apoio possível às famílias das vítimas. A reportagem não informa se a linha estava sinalizada nem se havia registro formal do pedido de desligamento, por isso a causa técnica depende do relatório do inquérito. --- # Perícia digital na Europa: relatório da Europol aponta ferramentas defasadas, falta de padrões e cuidados no uso de IA - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/europol-relatorio-lacunas-pericia-digital-uniao-europeia/ - Fonte original: Europol, https://www.europol.europa.eu/cms/sites/default/files/documents/Digital-forensics-gap-analysis.pdf, 16.Out.2026 (inglês) - Marcadores: Europol, perícia digital, cadeia de custódia, inteligência artificial, União Europeia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Perícia digital na Europa: relatório da Europol aponta ferramentas defasadas, falta de padrões e cuidados no uso de IA", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/europol-relatorio-lacunas-pericia-digital-uniao-europeia/ ## O que importa - A Europol e a Comissão Europeia publicaram em 16 de outubro de 2026 uma análise de lacunas da perícia digital nos países da União Europeia, feita com consultas, reuniões e questionários com especialistas e polícias. - O relatório diz que ferramentas, recursos e pessoal não acompanham a criptografia, a nuvem, a internet das coisas, os veículos conectados e as criptomoedas, e que a cadeia de custódia ainda é registrada quase toda à mão. - Entre as propostas estão formatos comuns de dados, um órgão europeu independente para testar ferramentas e regras para que o uso de IA na perícia seja rastreável, reproduzível e conferido por pessoas. A Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol) e a Comissão Europeia publicaram em 16 de outubro de 2026 o relatório "Digital forensics: gap analysis", uma análise das lacunas da perícia digital nos países do bloco, e a conclusão é que as polícias europeias não conseguem acompanhar com ferramentas, recursos e conhecimento a velocidade das mudanças tecnológicas, da criptografia às criptomoedas, o que, segundo o documento, ameaça a confiabilidade da prova e a cooperação entre os países. ## De onde vem o relatório O trabalho responde ao roteiro para acesso legal e efetivo a dados pelas forças de segurança, adotado pela Comissão Europeia em 24 de junho de 2025, que tem a perícia digital entre suas seis áreas de ação e registra que as autoridades nacionais sofrem com grave falta de recursos e de capacidade para esse tipo de exame. As conclusões vieram de consultas, reuniões e questionários com os interessados e com especialistas do Centro Europeu de Combate ao Crime Cibernético (EC3) da Europol, complementados por documentos de projetos e artigos científicos, e o relatório adota a definição de perícia digital do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST), que inclui busca autorizada, cadeia de custódia, validação, uso de ferramentas validadas, repetibilidade, relatório e, eventualmente, depoimento de perito. ## Ferramentas caras, fechadas e pouco testadas O documento diz que as empresas europeias têm uma parcela pequena do mercado de ferramentas comerciais de perícia digital, embora sejam mais baratas, e cobrem uma parte pequena dos aparelhos existentes, enquanto as soluções comerciais ficam obsoletas rápido, são caras e muitas vezes desenvolvidas fora da União Europeia. As ferramentas comerciais costumam usar formatos de dados proprietários, que impedem encadear o trabalho de vários programas sobre a mesma prova, e por isso os peritos perdem muito tempo preparando dados, e o relatório defende formatos padronizados por organismos de normalização como o Instituto Europeu de Normas de Telecomunicações (ETSI), que poderiam levar a cadeia de custódia registrada dentro dos próprios dados. A validação das ferramentas é muito fragmentada, com cada país aplicando os próprios critérios de teste, e o relatório recomenda que a União Europeia crie um órgão independente para testar e validar as ferramentas de perícia, comerciais ou não, já que testar exige comprar uma grande variedade de aparelhos e carregá-los com dados variados, um trabalho caro e demorado que hoje se repete em cada polícia. ## A cadeia de custódia ainda é manual Apesar das normas ISO/IEC 27037:2012, sobre identificação, coleta, aquisição e preservação da prova digital, e ISO/IEC 27042:2015, sobre análise e interpretação, o relatório considera incompleta a padronização, principalmente na documentação da cadeia de custódia e na coleta de provas em ambientes como a nuvem e a internet das coisas. Na nuvem, os dados ficam espalhados por vários lugares, o investigador não controla o equipamento, a prova pode ser apagada automaticamente e é preciso depender do provedor para copiar os dados, e manter uma cadeia de custódia confiável fica difícil quando a prova é coletada por terceiros ou em outros países, sem acesso a imagens completas de disco nem aos registros da infraestrutura. O relatório observa que a prova digital passa por muitas mãos, dos primeiros policiais no local aos laboratórios, investigadores, promotores e provedores de nuvem, e que, segundo pesquisadores, o registro da cadeia de custódia ainda é feito quase todo à mão, com risco de erro e de documentação faltando. ## Fabricantes, veículos e internet das coisas Os fabricantes de aparelhos, muitos de fora da União Europeia, costumam resistir a informar como extrair dados, e o relatório considera cada vez menos sustentável depender de falhas de segurança específicas de cada aparelho para fazer a extração, porque o resultado é incerto e a existência dessas falhas também pode ser aproveitada por criminosos. Nos veículos, os peritos relatam formatos proprietários, criptografia, dados guardados na nuvem e pouca cooperação das montadoras, e a ferramenta europeia European Vehicle Forensics Framework (EVFF), gratuita para as polícias, analisa imagens do sistema multimídia dos carros, mas não faz a aquisição dos dados. Para a internet das coisas, o documento diz que ainda não há ferramentas, técnicas nem boas práticas específicas, e cita como exemplo as câmeras de segurança domésticas, que guardam as gravações em servidores do fornecedor, em geral em outro país, o que torna a coleta mais complexa, demorada ou até impossível. ## Criptomoedas e casos perdidos na Justiça No rastreamento de criptomoedas, os países dependem de ferramentas de empresas americanas, o que o relatório trata como problema de soberania, porque dados sensíveis são compartilhados com essas empresas, e o preço das licenças anuais deve subir muito nos próximos anos. O documento afirma ainda que os profissionais se acostumaram a depender das ferramentas comerciais e nem sempre sabem interpretar corretamente os resultados, o que já leva tribunais a rejeitar casos por falta de prova confiável, e cita dois casos na França nos últimos meses, e diz que, por isso, a Europol testou com a Eurojust, no verão europeu de 2026, um programa de capacitação chamado [Block]Chain of Evidence. ## Regras para a IA na perícia Sobre inteligência artificial, o relatório alerta que sistemas usados sem controle podem comprometer a cadeia de custódia, a reprodutibilidade e a admissibilidade da prova, e defende uma plataforma controlada, com registro de cada ação da IA, documentação e verificação humana. Segundo o documento, a perícia tradicional se baseia na cadeia de custódia e na repetibilidade, enquanto a IA trabalha com probabilidade e contexto, e por isso a análise deve poder ser repetida e conferida manualmente, o arquivo analisado não pode ser alterado pela IA e uma resposta 99% correta não serve se o raciocínio e os passos por trás dela não puderem ser demonstrados. O relatório lembra que técnicas antiforenses usadas por criminosos podem confundir a IA e levar a resultados errados, e que o uso da tecnologia tem de seguir o regulamento europeu de IA (AI Act), o regulamento geral de proteção de dados (GDPR), as normas ISO/IEC e o marco de gestão de riscos de IA do NIST. ## Treinamento e certificação A falta de procedimentos padronizados e de reconhecimento mútuo da qualificação dos peritos entre os países atrapalha a cooperação, e o relatório pede treinamentos por público, de policiais de primeiro atendimento a promotores e juízes, que precisam entender, avaliar e apresentar a prova digital em juízo, e registro obrigatório da formação, com certificados e prazos de validade. A conclusão é que, sem uma ação coordenada, as lacunas em padronização, desenvolvimento de ferramentas, governança da IA e treinamento vão aumentar, e que a prioridade deve ser padronizar, usar soluções europeias, dar transparência à IA e criar plataformas compartilhadas. --- # Falha do ETCS perto de Welshpool, no País de Gales: diâmetro de roda errado deixou o trem 610m fora da posição real - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/etcs-falha-do-lado-inseguro-welshpool-diametro-de-roda-raib/ - Fonte original: Rail Accident Investigation Branch (RAIB), https://www.gov.uk/government/news/wrong-side-failure-near-welshpool, 21.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ferrovia, ETCS, sinalização ferroviária, odometria, RAIB, País de Gales - Como citar: NEXO CAUSAL, "Falha do ETCS perto de Welshpool, no País de Gales: diâmetro de roda errado deixou o trem 610m fora da posição real", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/etcs-falha-do-lado-inseguro-welshpool-diametro-de-roda-raib/ ## O que importa - Em 15 de setembro de 2026, um trem de monitoramento de infraestrutura parou no marco de fim de autorização perto de Welshpool, mas o equipamento de bordo do ETCS indicava ao maquinista que ainda havia 610m para percorrer. - O exame preliminar do RAIB atribuiu o erro ao diâmetro de roda incorreto usado no cálculo da posição, porque um componente do equipamento de bordo impediu que o valor certo fosse gravado depois de uma manutenção de rotina. - Nem o sistema independente de medição de velocidade nem as balizas instaladas na via corrigiram a distância, e o RAIB escreveu à Network Rail apontando possíveis fraquezas nas proteções do equipamento de bordo. O Rail Accident Investigation Branch (RAIB), órgão britânico de investigação de acidentes ferroviários, divulgou em 21 de outubro de 2026 o resultado do exame preliminar de uma falha do lado inseguro (wrong side failure) do European Train Control System (ETCS) ocorrida por volta das 23h52 de 15 de setembro de 2026 perto de Welshpool, em Powys, no País de Gales, em que o sistema de bordo de um trem indicou uma posição 610m diferente da real. Falha do lado inseguro é a falha de sinalização que deixa o trem numa condição menos restritiva do que a correta, como uma autorização para seguir onde deveria parar. ## O que o trem mostrava ao maquinista Um trem de monitoramento de infraestrutura que circulava sob supervisão do ETCS nível 2, em que as autorizações de movimento chegam ao trem por rádio, sem sinais luminosos ao lado da via, parou no marco de bloco que deveria corresponder ao fim da sua autorização de movimento. Mesmo com o trem parado no marco, o equipamento de sinalização de bordo informava ao maquinista que ainda faltavam 610m para chegar ao fim da autorização. O RAIB atribuiu o erro ao uso de uma informação incorreta de diâmetro de roda pelo equipamento de bordo do ETCS no cálculo da posição do trem, e a perícia feita depois do incidente identificou que um componente desse equipamento impediu que o diâmetro correto fosse gravado depois de uma manutenção de rotina no trem. ## As duas proteções que não corrigiram o erro O sistema tem duas formas de compensar um erro de distância calculada pela roda, segundo o RAIB, que são um sistema independente de medição de velocidade instalado no trem, que complementa as distâncias geradas a partir do diâmetro de roda para alcançar a precisão necessária, e as balizas fixadas na via, transmissores de rádio entre via e trem que devem zerar a distância registrada a bordo quando há imprecisão. Neste caso, nenhuma das duas corrigiu a distância errada, e o órgão afirma que o exame preliminar indica possíveis fraquezas nas proteções do equipamento de bordo do ETCS, que, na visão do RAIB, merecem análise da Network Rail, a gestora da infraestrutura, na investigação que ela conduz. ## Por que o RAIB não vai abrir investigação completa Uma falha do lado inseguro da sinalização que não termina em acidente ou quase acidente normalmente é investigada pela própria indústria ferroviária, e, depois de revisar o exame preliminar, o RAIB decidiu não fazer investigação completa, mas escreveu à Network Rail descrevendo as circunstâncias e chamando a atenção para os pontos encontrados. Cópias da carta foram enviadas ao Office of Rail and Road, o regulador de saúde e segurança da malha principal, e ao operador do trem de monitoramento. ## O histórico das linhas Cambrian A linha que passa por Welshpool faz parte das linhas Cambrian, onde o RAIB já tinha investigado problemas de integridade do ETCS, e o relatório 17/2019 do órgão tratou da perda de dados de sinalização críticos para a segurança na linha da costa Cambrian. Segundo esse relatório, a linha opera desde 2011 com uma instalação piloto do European Rail Traffic Management System (ERTMS), que substitui os sinais e as placas ao lado da via por autorizações de movimento transmitidas aos trens, com as velocidades máximas mostradas ao maquinista e usadas na supervisão automática da velocidade. Em 20 de outubro de 2017, quatro trens circularam pela linha da costa sem que as restrições temporárias de velocidade fossem enviadas a eles, e um trem se aproximou de uma passagem em nível a 80km/h (50mph), bem acima da restrição temporária de 30km/h (19mph) necessária para dar tempo de aviso a quem atravessava a passagem. As restrições não tinham sido carregadas durante um reinício automático do computador de sinalização na noite anterior, mas uma tela mostrava, de forma incorreta, que estavam prontas para transmissão, e o RAIB concluiu que o software tinha um ponto único de falha que afetava ao mesmo tempo o carregamento dos dados e a tela usada pelos sinaleiros para conferi-lo. No comunicado de 2026, o RAIB resume aquele caso dizendo que um sistema de apoio tinha provocado falha no sistema de sinalização de maior integridade e que não havia proteção adequada contra falhas previsíveis. ## O que o caso mostra sobre o diâmetro de roda O incidente de Welshpool mostra, pelo próprio relato do RAIB, que a distância que um trem com ETCS acredita ter percorrido depende de um parâmetro gravado na manutenção, o diâmetro de roda, e que, quando esse valor não é atualizado, o equipamento de bordo pode apresentar ao maquinista uma posição diferente da real mesmo com as correções previstas pelo sistema. Em 2019, o inspetor-chefe de acidentes ferroviários na época, Simon French, escreveu que as falhas críticas de segurança dos sistemas digitais tendem a estar ligadas ao modo como foram projetados ou ao modo como o projeto foi transformado num sistema em funcionamento, e que a ferrovia digital precisa detectar quando falha e avisar quem precisa saber. --- # Cigarro eletrônico pode pegar fogo na recarga e no descarte: estudo coreano reproduz sobrecarga, compressão e umidade - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/cigarro-eletronico-risco-de-incendio-sobrecarga-compressao-e-umidade/ - Fonte original: Journal of the Korean Society of Fire Investigation (resumo na earticle), https://www.earticle.net/Article/A492813, 30.Set.2026 (coreano (resumo em inglês)) - Marcadores: cigarro eletrônico, bateria de lítio, fuga térmica, origem e causa, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Cigarro eletrônico pode pegar fogo na recarga e no descarte: estudo coreano reproduz sobrecarga, compressão e umidade", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/cigarro-eletronico-risco-de-incendio-sobrecarga-compressao-e-umidade/ ## O que importa - Dois bombeiros de Pohang, na Coreia do Sul, reproduziram em laboratório três modos de falha da bateria de cigarros eletrônicos, em estudo publicado em setembro de 2026. - Na sobrecarga sem circuito de proteção funcionando, a bateria entrou em fuga térmica em 45 a 75 segundos, e cargas de compressão acima de 150kgf (1,47kN) provocaram curto-circuito interno. - Segundo os autores, o incêndio pode começar no uso, na recarga e também no descarte do aparelho, conforme o modo de falha da bateria. Chang-Hun Lee e Hui-Su Kang, do quartel de bombeiros do sul de Pohang (Pohang Nambu), na província de Gyeongsang do Norte, na Coreia do Sul, publicaram no volume 17, número 3, de setembro de 2026, da revista da Sociedade Coreana de Perícia de Incêndio (Fire Investigation Society of Korea) o estudo "Risco de incêndio por tipo de cigarro eletrônico", que reproduz em laboratório três situações em que a bateria desses aparelhos pode dar início a um incêndio. O artigo ocupa as páginas 75 a 87 do fascículo, está escrito em coreano e tem resumo em inglês, e o texto integral só é aberto por acesso institucional ou compra na base earticle, de modo que os números a seguir vêm do resumo e a organização do trabalho vem do sumário publicado na mesma página. ## O ponto de partida: as estatísticas de baterias Os autores partem das estatísticas da Agência Nacional de Bombeiros da Coreia do Sul (Korean Fire Agency), que registrou 678 incêndios ligados a baterias de íons de lítio no país nos cinco anos de 2020 a 2024, a maior parte em patinetes e bicicletas elétricas, mas com ocorrências contínuas envolvendo cigarros eletrônicos recarregáveis e descartáveis. Segundo o resumo, a preocupação com a segurança contra incêndio cresce à medida que o uso desses aparelhos se espalha, principalmente entre adolescentes. O sumário mostra que, antes dos ensaios, o trabalho define o cigarro eletrônico e o descartável, discute os fatores que levam esses aparelhos a pegar fogo, analisa as estatísticas de incêndio e descreve casos reais de incêndio. ## Três modos de falha reproduzidos Os ensaios foram feitos com baterias de íons de lítio e de polímero de lítio do tipo usado em cigarros eletrônicos, e cada um reproduz uma condição crítica de falha: a sobrecarga, a compressão mecânica e o vazamento do líquido do aparelho (o e-líquido) combinado com a entrada de umidade. O primeiro ensaio mede a possibilidade de ignição por sobrecarga, que é a carga da bateria além do limite para o qual ela foi feita, situação que nos aparelhos comuns é barrada por um circuito de proteção que interrompe a corrente. Sem circuito de proteção funcionando, a bateria entrou em fuga térmica entre 45 e 75 segundos depois do início da sobrecarga, com ruptura ou explosão da célula, e fuga térmica é o processo em que a reação interna da bateria gera mais calor do que ela consegue dissipar e passa a se alimentar sozinha. O segundo ensaio trata do dano físico por esmagamento, e cargas acima de 150kgf (1,47kN) provocaram curto-circuito interno e deformação térmica da bateria, o que, segundo os autores, indica risco de ignição na fase de descarte. O terceiro ensaio expôs o conjunto por tempo prolongado ao e-líquido e à umidade, e esse contato degradou o circuito de proteção e resultou em ignição retardada (delayed ignition). ## O que os autores concluem Para os autores, os resultados confirmam que o incêndio provocado por cigarro eletrônico pode começar não só durante o uso e a recarga, mas também no descarte, conforme o modo de falha da bateria. O resumo aponta a necessidade de melhorar as práticas de recarga, de projetar circuitos de proteção resistentes à entrada de líquido e de organizar o descarte dos cigarros eletrônicos que contêm bateria. ## Limites do que está publicado O resumo não informa quantas baterias foram ensaiadas, a capacidade e a tensão de cada uma, a corrente de sobrecarga usada, a velocidade da compressão nem o tempo de exposição ao líquido e à umidade, e esses dados, assim como a descrição dos casos reais e das estatísticas analisadas, estão no texto integral. A sociedade que publica a revista foi fundada em 2009 para desenvolver a perícia científica de incêndio, a determinação de causa e a prevenção, e a revista é trimestral e indexada no Korea Citation Index (KCI). Para a investigação de origem e causa, o trabalho registra em ensaio de laboratório que o mesmo aparelho pode dar início a um incêndio no uso, na recarga e no descarte, e que, depois de exposição prolongada a líquido e umidade, a ignição pode vir com atraso. --- # Autenticação de vídeo pela frequência da rede elétrica (ENF): em clipe curto, o que se lê é a taxa de quadros - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/autenticacao-de-video-pela-frequencia-da-rede-enf-falha-em-clipe-curto/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2610.20549, 14.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ENF, autenticação de vídeo, vídeo gerado por IA, rolling shutter, perícia de vídeo, prova digital - Como citar: NEXO CAUSAL, "Autenticação de vídeo pela frequência da rede elétrica (ENF): em clipe curto, o que se lê é a taxa de quadros", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/autenticacao-de-video-pela-frequencia-da-rede-enf-falha-em-clipe-curto/ ## O que importa - Estudo da Southampton Solent University, publicado no arXiv em 14 de outubro de 2026, mostra que a frequência da rede lida num único clipe curto de vídeo é determinada pela taxa de quadros da câmera, e não pela rede elétrica. - Em 804 clipes com linha mensurável, o tremor de luz atribuído à rede não separou vídeo real de vídeo gerado por IA, com área sob a curva de 0,509, praticamente o acaso. - Os autores recomendam que a leitura da rede num clipe isolado seja informada junto com a taxa de quadros, ou nem seja informada quando a taxa coincide com as frequências da rede. Ryan Wyton e Bacha Rehman, da Southampton Solent University, no Reino Unido, publicaram no arXiv em 14 de outubro de 2026 o artigo "Frame Rate, Not the Grid: A Confound in Single-Clip Optical ENF Video Forensics", uma versão preliminar de quatro páginas submetida à revista IEEE Signal Processing Letters, que mostra por que a leitura da frequência da rede elétrica num único clipe curto de vídeo dá uma resposta confiante e errada. ## O que é a ENF e por que interessa à perícia A frequência da rede elétrica (electric network frequency, ENF) oscila em torno do valor nominal de 50Hz ou 60Hz de um jeito característico de cada rede regional, e esse sinal fica gravado no áudio, como zumbido, e no vídeo, como um tremor de luz quase invisível, o que fez da ENF uma assinatura usada para conferir a data de uma gravação e para indicar a região onde ela foi feita. No vídeo, a captura depende do obturador de rolagem (rolling shutter), em que o sensor lê as linhas da imagem uma depois da outra, de modo que uma lâmpada que pisca ao dobro da frequência da rede, 100Hz numa rede de 50Hz ou 120Hz numa rede de 60Hz, aparece como faixas claras e escuras distribuídas pelas linhas do quadro. A ideia examinada é ler a frequência nominal direto de um clipe isolado, de modo que uma leitura de 50Hz situaria a gravação numa rede de 50Hz, uma de 60Hz numa rede de 60Hz, e um vídeo gerado por IA, sem assinatura de rede, poderia ser separado de um vídeo real. ## O problema técnico: um pente de frequências da própria câmera Os autores mostram que qualquer variação de brilho de um quadro para o outro, causada pela exposição automática da câmera ou pela estrutura periódica do codificador de vídeo, forma na linha do tempo reconstruída um pente de frequências com dentes em cada múltiplo inteiro da taxa de quadros. Quando um desses dentes cai na faixa estreita onde o estimador procura o tremor, de mais ou menos 2Hz em torno de 100Hz e de 120Hz, ele não se distingue de uma linha legítima da rede, e o estudo chama essa coincidência de degenerescência entre a taxa de quadros e a frequência da rede. Nas taxas mais usadas isso acontece sempre, e a tabela do artigo mostra que a 25 quadros por segundo o quarto dente cai exatamente em 100Hz e o clipe é lido como rede de 50Hz, enquanto a 24, 23,976, 29,97 e 30 quadros por segundo um dente cai em torno de 120Hz e o clipe é lido como rede de 60Hz, e só taxas sem coincidência, como 23, 27 ou 45 quadros por segundo, deixam aparecer o tremor verdadeiro. Os autores reconhecem que esse rebatimento de frequência (aliasing) já era conhecido e tratado como incômodo na extração do sinal, e dizem que a contribuição do trabalho é mostrar a consequência pericial dele. ## O método: 1.072 clipes reais e gerados O levantamento reuniu 1.072 clipes, com vídeos gerados por seis sistemas de texto para vídeo tirados do conjunto VBench-2.0 (StepVideo, Kling, Sora, HunyuanVideo, Veo 3 e CogVideo) e vídeos reais de redes de 50Hz e de 60Hz de bases públicas, de aulas do MIT OpenCourseWare e de sessões do Parlamento britânico. O CogVideo, que gera a 16 quadros por segundo, ficou fora da análise da rede porque nessa taxa o tremor se rebate abaixo do limite de recuperação, e cada clipe foi analisado em trecho de até 120 segundos, com registro da proeminência da linha de tremor e da frequência nominal recuperada. Uma análise focada de 362 clipes de treze origens serviu para testar o mecanismo, e uma síntese controlada fixou a frequência real da rede e variou só a taxa de quadros, com cinco sementes aleatórias por taxa, para comparar o resultado com a resposta conhecida. ## O que foi encontrado Nos 804 clipes que tiveram linha mensurável na faixa, a proeminência do tremor não separou vídeo real de vídeo gerado, com área sob a curva ROC de 0,509 e intervalo de confiança de 95% entre 0,469 e 0,549, valor indistinguível do acaso, porque o vídeo gerado também traz linha na faixa com força comparável à do vídeo real. A frequência recuperada acompanhou a taxa de quadros: todos os clipes do StepVideo, que gera a 25 quadros por segundo, foram lidos como rede de 50Hz, enquanto os geradores de 24 e 30 quadros por segundo foram lidos como 60Hz em pelo menos 95% dos clipes, e na análise focada nenhum dos 346 clipes gravados a 24, 23,98, 29,97, 30, 25 ou 50 quadros por segundo fugiu dessa regra. Os autores frisam que o estimador não está com defeito, porque ele lê corretamente um dente do pente da câmera, que simplesmente não é a rede elétrica, e um sinal disso é o vídeo real de 60Hz gravado a 28 quadros por segundo, uma taxa sem coincidência, que foi lido como 60Hz. Na síntese controlada, sem rede presente, o estimador comum devolveu uma rede com confiança em todas as taxas coincidentes, sempre igual à previsão pela taxa de quadros e sem nunca se abster, enquanto uma rede verdadeira foi lida corretamente em todas as taxas pelo voto da maioria. ## A correção proposta e seus limites Como mitigação, os autores ajustaram um detector treinado para reconhecer o pente, com espectrograma que cobre o segundo, o quarto e o sexto harmônicos do tremor, uma razão entre as energias das faixas de 100Hz e de 120Hz e uma classe de treino própria para o pente, e em 40 pentes sintéticos sem rede o detector anterior chamou todos de genuínos, enquanto o ajustado classificou todos como pente, sem errar nenhum clipe real. Os próprios autores chamam isso de mecanismo demonstrado, e não de problema resolvido, porque separar uma linha fraca da rede de um pente da câmera num único clipe real continua exigindo uma referência externa, e esse passo fica para trabalho futuro. ## O trabalho complementar No dia seguinte, 15 de outubro de 2026, os mesmos autores publicaram no arXiv "An Agentic ENF Framework for Forensic Video Authentication Against Generative AI", que propõe autenticar vídeo pela coerência da ENF com uma referência independente da rede, e não pela simples presença do sinal, já que, segundo o resumo, o tremor na faixa da ENF aparece em vídeo gerado com proeminência indistinguível da de vídeo real. ## O que muda na prática da perícia A conclusão do artigo é que a presença de uma linha de 100Hz ou de 120Hz não prova que um vídeo é autêntico e que, na prática pericial, a leitura da rede num clipe isolado deve ser informada junto com a taxa de quadros, ou deixada de fora quando a taxa coincide com as frequências da rede. Para quem examina vídeo no Brasil, onde a frequência nominal da rede é de 60Hz, isso significa que um clipe a 30 ou a 29,97 quadros por segundo dará leitura de 60Hz com ou sem rede elétrica por trás, pelo mecanismo descrito no estudo, e que o código e os dados para reproduzir os resultados foram publicados pelos autores no GitHub. --- # Coupang: governo sul-coreano confirma ordem do fundador para apagar registro de excesso de trabalho de funcionário morto, mas crime prescreveu - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Cadeia de custódia e qualidade - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/coupang-ordem-para-ocultar-excesso-de-trabalho-morte-jang-deok-jun/ - Fonte original: The Kyunghyang Shinmun, https://www.khan.co.kr/en/article/202610222309057, 22.Out.2026 (inglês) - Marcadores: Coupang, acidente de trabalho, ocultação de prova, câmeras de segurança, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Coupang: governo sul-coreano confirma ordem do fundador para apagar registro de excesso de trabalho de funcionário morto, mas crime prescreveu", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/coupang-ordem-para-ocultar-excesso-de-trabalho-morte-jang-deok-jun/ ## O que importa - O Ministério do Emprego e do Trabalho da Coreia do Sul confirmou em 22 de outubro de 2026 que Kim Beom-seok, presidente do conselho da Coupang Inc., mandou garantir que não houvesse registro de que Jang Deok-jun, morto em 2020, trabalhava muito. - Seguindo a ordem, a empresa entregou primeiro ao órgão que analisa acidentes de trabalho um vídeo de câmera de segurança em que o trabalhador não aparecia. - O ministério disse que o crime de ocultação de acidente de trabalho prescreveu em cinco anos e que nem caberia no caso, e a família pediu ao Conselho de Auditoria e Inspeção que investigue o fiscal que viu as imagens na época. O Ministério do Emprego e do Trabalho da Coreia do Sul confirmou que Kim Beom-seok, fundador e presidente do conselho da Coupang Inc., gigante sul-coreana do comércio eletrônico, deu ordem para que não ficasse registro do excesso de trabalho de Jang Deok-jun, funcionário de um centro de distribuição que morreu em 2020, e que a empresa, seguindo a orientação, entregou primeiro às autoridades um vídeo de câmera de segurança em que o trabalhador nem aparecia, mas concluiu que o crime de ocultação de acidente de trabalho não pode ser aplicado, segundo o jornal sul-coreano Kyunghyang Shinmun. ## A morte no centro de Chilgok Jang Deok-jun trabalhava no centro de distribuição da Coupang em Chilgok, na região de Daegu, e morreu em outubro de 2020, e o Serviço Coreano de Compensação e Bem-Estar dos Trabalhadores, órgão público que analisa se uma morte é acidente de trabalho, reconheceu depois a morte como causada por excesso de trabalho, segundo editorial do jornal. A mãe do trabalhador, Park Mi-suk, cobra há anos a apuração dos fatos e a punição dos responsáveis, e em 23 de dezembro de 2025 o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Entrega apresentou queixa à Agência Nacional de Polícia contra Kim, acusando-o de incitar a destruição de provas e de violar a lei de segurança e saúde no trabalho, segundo a agência Yonhap, em texto publicado pelo Korea JoongAng Daily. ## O que o ministério encontrou Na apuração da denúncia de ocultação, o ministério obteve registros de mensagens e depoimentos de testemunhas que mostram Kim instruindo: "Garantam que não haja registro de que ele trabalhava muito", e, em outra mensagem, "Eles são trabalhadores de meio período, recebem por hora, não por produção", segundo o Kyunghyang. De acordo com os resultados divulgados em 22 de outubro de 2026, a Coupang seguiu as instruções e analisou as imagens das câmeras de segurança (CCTV) em que Jang aparecia, separando o tempo dele em categorias como "beber água", "ir ao banheiro", "esperar" e "conversar", e publicou na sua página de notícias um texto dizendo que a carga de trabalho dele não era pesada. Na primeira entrega ao serviço de compensação, a empresa mandou um vídeo de CCTV em que Jang não aparecia, e só depois entregou as imagens em que ele estava, e um funcionário da Coupang ainda deu declarações sobre as condições de trabalho dele que não batiam com o vídeo, segundo o jornal. O ministério disse, porém, que não confirmou o envio desse material a outros órgãos nem o uso dele com outras instituições externas, e que não encontrou manipulação nem vazamento das imagens de CCTV. A pasta também recebeu da Coupang um "manual de gestão de crise", com planos de resposta à Assembleia Nacional, à imprensa e às autoridades trabalhistas, mas concluiu que a simples existência do manual não é motivo de punição. ## Por que não haverá processo Na entrevista coletiva de 22 de outubro de 2026, o diretor-geral de supervisão de segurança e saúde do ministério, Oh Young-min, classificou a ordem de Kim como "um ato inadequado", mas disse que é "difícil aplicar o crime de ocultação de acidente de trabalho". O comunicado à imprensa diz que o prazo de prescrição de cinco anos já tinha passado e que, por isso, Kim não pode ser punido criminalmente, e o ministério vai encaminhar o caso ao Ministério Público com recomendação de não oferecer denúncia, mas, internamente, a conclusão foi de que nem o próprio crime de ocultação ficaria caracterizado. Oh explicou que, para o crime ser reconhecido, é preciso que o acidente não tenha sido comunicado e que tenha havido uma ação concreta para impedir que ele se tornasse conhecido fora da empresa, e que, no caso de Jang, a ocorrência de acidente grave foi comunicada às autoridades trabalhistas logo depois da morte, sem interferência identificada no processo de reconhecimento do acidente de trabalho. ## As imagens que o fiscal viu e que sumiram Continua sem resposta a suspeita de que o fiscal do trabalho que acompanhou o caso em 2020 viu imagens de CCTV com Jang trabalhando e, ainda assim, não fez uma investigação adequada. O ministério informou que existe um documento em que o fiscal relata à sede ter visto as imagens, mas que não conseguiu determinar quais imagens a Coupang entregou nem o que e como o fiscal verificou. Um servidor do ministério disse ao Kyunghyang que "se presume que, na época, o fiscal concluiu que não havia violação da jornada de trabalho e devolveu as imagens", e acrescentou: "Fizemos análise forense nos computadores da divisão responsável, mas não encontramos as imagens". ## A reação da família e dos trabalhadores Park Mi-suk disse se sentir "sufocada e impotente", contou que, no fim do ano passado, surgiu prova material nova de que Kim tinha ordenado a ocultação e que, por isso, a família pediu que a verdade fosse esclarecida mesmo depois da prescrição, mas que o ministério "só repete que há limites para a punição criminal". Kim Hye-jin, presidente do comitê de trabalhadores que acompanha o caso, afirmou que, "por se tratar de um acidente fatal, ele não poderia deixar de ser comunicado", que "o que importa é que a Coupang tentou esconder a causa do acidente de trabalho" e que, mesmo sem punição possível, deveria haver investigação sobre quais instruções Kim deu e como elas foram seguidas. A família e o comitê pediram ao Conselho de Auditoria e Inspeção, órgão de auditoria do Estado sul-coreano, uma investigação sobre a suspeita de que o fiscal participou da ocultação, e o ministério pediu desculpas por ter levado mais de sete meses para divulgar o resultado da fiscalização, iniciada em março. ## O resto da fiscalização A fiscalização planejada passou por 105 centros de distribuição e bases de entrega da Coupang e de suas empresas de logística, a Coupang Fulfillment Services (CFS) e a Coupang Logistics Services (CLS), e, segundo o Kyunghyang, o ministério identificou violações da lei de segurança e saúde no trabalho e da lei de normas trabalhistas, abriu processo criminal em 61 casos e aplicou multas administrativas de cerca de 1,96 bilhão de wons em 144. O ministério informou ainda que continua investigando outros indícios de ocultação de acidentes de trabalho pela Coupang. --- # Colapso da ponte de Jianzha, na China: árvore de falhas separa a causa raiz (parafusos e emenda defeituosos) do gatilho (a protensão do cabo) - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-ponte-jianzha-rio-amarelo-analise-por-arvore-de-falhas/ - Fonte original: Civil Engineering and Architectural Research, https://doi.org/10.57237/j.cear.2026.01.002, 22.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ponte, árvore de falhas, parafusos de alta resistência, estrutura provisória, causa raiz, China - Como citar: NEXO CAUSAL, "Colapso da ponte de Jianzha, na China: árvore de falhas separa a causa raiz (parafusos e emenda defeituosos) do gatilho (a protensão do cabo)", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-ponte-jianzha-rio-amarelo-analise-por-arvore-de-falhas/ ## O que importa - Pesquisadores da University of Emergency Management, da China, aplicaram a análise por árvore de falhas aos fatos do relatório oficial sobre o colapso, em 22 de agosto de 2025, de parte da ponte em arco de Jianzha sobre o rio Amarelo, que matou 13 pessoas e deixou 3 desaparecidas. - O relatório apontou parafusos de alta resistência com capacidade cerca de 41% menor que a da norma e furos alargados em obra na emenda de uma viga do sistema provisório de estais. - O estudo classifica esses defeitos como causa principal e a protensão do cabo nº 4, feita dentro do valor de controle, como gatilho da ruptura. Hou Wenyan e Zhao Fengxia, da Faculdade de Engenharia Sísmica e Segurança de Edificações da University of Emergency Management, em Langfang, e Guo Zhengting publicaram on-line em 22 de outubro de 2026, na revista Civil Engineering and Architectural Research, uma análise por árvore de falhas do colapso de parte da ponte de Jianzha sobre o rio Amarelo, na ferrovia Xining-Chengdu, na província de Qinghai, ocorrido durante a construção, às 3h01 de 22 de agosto de 2025. O desabamento matou 13 pessoas, deixou 3 desaparecidas e causou prejuízo direto de cerca de 48,86 milhões de yuans, segundo o relatório da equipe de investigação do governo da província de Qinghai, publicado em abril de 2026, única base de fatos do estudo, que, segundo os autores, não substitui as conclusões oficiais. ## A obra e o sistema provisório de estais A ponte tem 1.596,2m de comprimento, e o vão principal é um arco treliçado de aço contínuo de três vãos, de 141m, 366m e 141m, dividido em 50 painéis de montagem e erguido em balanço, sem cimbramento, com guindastes montados sobre o próprio arco. Enquanto o arco não se fecha no meio, cada metade fica pendurada num sistema provisório de estais, formado por torres de retenção nas margens, cabos de retenção ancorados nos segmentos do arco e vigas de distribuição no alto das torres, que recebem as forças de todos os cabos por meio de vigas de ancoragem. Cada viga de distribuição era feita de segmentos de aço soldado unidos por emendas parafusadas, e toda a força dos cabos passava pelos parafusos de alta resistência dessas emendas, o que, segundo os autores, fazia delas o ponto mais vulnerável do sistema provisório. ## O que o relatório oficial encontrou A equipe de investigação, com 15 especialistas, usou vistoria, entrevistas, análise de vídeo, ensaios em material recolhido e cálculos e reconstituiu a sequência: às 10h30 de 21 de agosto começou a primeira etapa de protensão do cabo nº 4, que chegou a 67% da força de projeto monitorada, e a segunda etapa começou às 23h39 e terminou às 2h56 do dia 22. Cinco minutos depois, o arco em balanço e o tabuleiro do lado de Xining desabaram, e no vídeo analisado pela investigação o cabo de retenção nº 1 do vão central se rompe às 3h01min42s e, três segundos depois, a nervura do arco se quebra no nó A16. Os parafusos da emenda, de classe de resistência 8.8 nos tamanhos M27×140 e M27×180, não atendiam à norma chinesa GB/T 3098.1-2010 em dimensões, composição química, dureza e resistência, com grande dispersão entre as amostras: a resistência média à tração foi de 608,3MPa, entre 583MPa e 630MPa, e a resistência de cálculo ao cisalhamento convertida ficou em 234,5MPa, 27% abaixo da norma. A rosca dos parafusos era mais longa do que a norma permite e entrava no plano de cisalhamento da emenda, o que reduziu em 20% a seção efetiva em relação ao projeto, e o relatório estima que, somados os dois efeitos, a capacidade dos parafusos caiu cerca de 41%. A viga de distribuição também tinha defeitos de fabricação e de montagem, porque a maior parte dos furos foi aberta com diâmetro maior que o de projeto, de 28mm, e na obra, por falta de alinhamento entre os furos da viga e os da chapa de emenda, houve alargamento de furos em formato oval e de cabaça, até 32,75mm, parafusos que não foram colocados e, em emendas isoladas, chapas pequenas soldadas por baixo da mesa inferior no lugar dos parafusos. Pelo cálculo teórico do sistema, a viga de distribuição suportaria até 1.884 toneladas de força do cabo nº 4, cuja própria capacidade era de 3.120 toneladas, e a instrução de monitoramento fixava a força de controle em 1.200 toneladas, valor que, depois do exame dos registros de protensão, dos certificados de calibração dos macacos, dos dados de monitoramento e de uma simulação independente, a investigação concluiu que não foi ultrapassado. ## O método: uma árvore em três níveis A árvore de falhas é um diagrama lógico que desce do evento indesejado, o evento de topo, até os eventos básicos que podem produzi-lo, ligados por portas lógicas "e" e "ou", e aqui é usada de forma só qualitativa. O evento de topo é o colapso de parte do arco e do tabuleiro do lado de Xining, e os eventos básicos são os parafusos fora de especificação (X1), os defeitos de fabricação e de montagem da viga (X2) e a carga máxima de obra criada pela segunda etapa de protensão do cabo nº 4 (X3). X1 e X2 entram numa porta "e" que representa o defeito composto da emenda, com a ressalva dos autores de que as provas mostram a coexistência dos dois defeitos, mas não que ambos fossem necessários para o colapso sob a carga real, e o defeito composto, somado à carga X3, abre o caminho de ruptura em cascata: cisalhamento dos parafusos, fratura da viga de distribuição, perda do sistema de estais e queda da nervura do arco. O segundo nível reúne seis barreiras de gestão que falharam: compra, recebimento e reensaio, que deveriam barrar os parafusos, qualificação do fabricante e inspeção do processo, que deveriam barrar os defeitos da viga, e a aceitação física final, que poderia barrar os dois. Segundo o relatório, os parafusos foram escolhidos entre fornecedor e comprador antes do registro da compra na plataforma de compras, o recebimento conferiu especificação, quantidade e embalagem sem checar o certificado do fabricante original, e as vigas foram feitas por equipe terceirizada sem capacidade técnica nem equipamento adequados. O terceiro nível, fora da lógica do evento de topo, trata do que aumentou o número de vítimas: muitos trabalhadores ainda estavam na zona de risco depois da protensão, e faltavam procedimentos para comunicar anomalias do monitoramento, parar a obra, evacuar e contar as pessoas. ## Causa raiz e gatilho A conclusão central do estudo é que os defeitos de material e de detalhe foram a causa principal e que a carga máxima de obra foi um gatilho, porque a segunda etapa de protensão era uma condição normal e prevista, que apenas submeteu a emenda já defeituosa à maior carga do ciclo de montagem. Para os autores, monitorar só a força de protensão, sem verificar fisicamente as emendas da estrutura provisória, não interrompe esse caminho de falha na origem, e eles propõem uma aceitação conjunta das emendas antes de cada protensão, com projetista, construtora, fiscalização e laboratório, e a regra de não protender com parafusos faltando, furos alargados ou irregulares, certificados que não batem com as peças instaladas ou problemas de qualidade sem solução. ## Limites apontados pelos autores O estudo não calcula a probabilidade do evento de topo, os conjuntos mínimos de corte nem a importância de cada evento básico, porque não há dados estatísticos de falha dos componentes nem ensaios comparativos das ligações, e não conclui que X1 ou X2, isoladamente, bastaria para causar o acidente. Os autores observam ainda que os 41% valem para os parafusos afetados, e não para a emenda inteira, cuja perda adicional pelos furos alargados e parafusos faltantes não foi quantificada, e sugerem ensaios mecânicos em quatro combinações de parafusos conformes ou não com detalhe correto ou defeituoso. --- # Fentanil com xilazina, medetomidina e BTMPS: estudo do NIST com 4.563 amostras mostra como os adulterantes mudam nos EUA - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Toxicologia forense - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nist-adulterantes-do-fentanil-xilazina-medetomidina-dart-ms/ - Fonte original: NIST (National Institute of Standards and Technology), https://www.nist.gov/news-events/news/2026/10/nist-study-shows-how-toxic-substances-mixed-fentanyl-vary-across-us-and, 08.Out.2026 (inglês) - Marcadores: fentanil, xilazina, medetomidina, espectrometria de massas, drogas sintéticas, NIST - Como citar: NEXO CAUSAL, "Fentanil com xilazina, medetomidina e BTMPS: estudo do NIST com 4.563 amostras mostra como os adulterantes mudam nos EUA", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nist-adulterantes-do-fentanil-xilazina-medetomidina-dart-ms/ ## O que importa - Estudo do NIST, publicado on-line em 7 de outubro de 2026 na revista Drug Testing and Analysis, analisou resíduos de drogas recolhidos em 17 estados americanos entre janeiro de 2024 e junho de 2026. - Os resultados mostram a troca da xilazina pela medetomidina, a chegada do composto industrial BTMPS e amostras cada vez mais complexas, muitas com mais de cinco compostos no fim de 2025. - A triagem é feita por espectrometria de massas com análise direta em tempo real (DART-MS), que identifica os componentes de uma amostra em segundos. O National Institute of Standards and Technology (NIST), órgão de metrologia do governo dos Estados Unidos, divulgou em 8 de outubro de 2026 um estudo do químico Edward Sisco e de colegas que acompanha, ao longo de dois anos e meio e em várias regiões do país, as substâncias misturadas ao fentanil fabricado ilegalmente, e o artigo "Trends in Fentanyl Adulteration From Rapid Drug Analysis and Research (RaDAR) Drug Checking Samples, January 2024 to June 2026" saiu on-line um dia antes na revista Drug Testing and Analysis. Os autores são Edward Sisco, Elise M. Pyfrom, Meghan G. Appley, Elizabeth L. Robinson, Katya A. Beltran e Sarah A. Shuda, do NIST, em Gaithersburg, Maryland, e o texto integral é de acesso por assinatura, de modo que o que se segue vem do comunicado do NIST, do resumo indexado na base Europe PMC e da página do programa RaDAR. ## O problema: um mercado que muda de composição Segundo o NIST, as autoridades de saúde pública e de segurança não têm informação detalhada e rápida sobre os anestésicos, produtos químicos industriais, sedativos veterinários e outros adulterantes que os fornecedores misturam cada vez mais ao fentanil ilegal, e a maior parte desses compostos não é opioide, o que exige tratamento médico adicional para conter os efeitos. Um exemplo citado é a xilazina, anestésico de uso veterinário que provoca feridas nas pernas ou nos braços tão graves que, sem tratamento, podem levar à amputação. ## O programa RaDAR e a amostragem O estudo faz parte do programa Rapid Drug Analysis and Research (RaDAR), da Divisão de Ciência de Medição de Materiais do NIST, que trabalha com órgãos de saúde pública, polícias, laboratórios de ciência forense, institutos médico-legais e alfândega dos Estados Unidos para registrar depressa a composição química das drogas ilícitas em circulação. Pela descrição do programa, os parceiros recolhem amostras de resíduos de droga e as enviam ao NIST, onde são extraídas e analisadas por espectrometria de massas de ionização ambiente para triagem de drogas, adulterantes e agentes de corte, e o resultado volta ao parceiro em até 48 horas. Uma parte das amostras passa por análise mais completa, com técnicas de espectrometria de massas acopladas à cromatografia, para confirmar compostos recém-identificados ou medir a composição da amostra. O estudo reúne 4.563 resultados qualitativos e 1.224 quantitativos de amostras recolhidas em 17 estados, entre janeiro de 2024 e junho de 2026, com material do leste e do oeste do país. ## O método: DART-MS A triagem usa a espectrometria de massas com análise direta em tempo real (Direct Analysis in Real Time Mass Spectrometry, DART-MS), em que o espectrômetro de massas gera uma assinatura química própria para cada composto presente na amostra. Segundo o NIST, os espectrômetros convencionais dos laboratórios forenses e de saúde pública levam dezenas de minutos para identificar os componentes de uma amostra, porque o material precisa ser vaporizado e atravessar uma coluna com revestimento especial, a da cromatografia, e a DART-MS dispensa essa etapa e mostra todos os componentes, inclusive adulterantes em quantidade mínima, em segundos. ## O que foi encontrado O resumo do artigo registra um aumento acentuado da complexidade das amostras, muitas com mais de cinco compostos no fim de 2025, e o NIST acrescenta que no começo de 2024 o comum era achar um ou dois aditivos por amostra e que hoje seis ou mais compostos são mais frequentes, o que, segundo Sisco, torna mais difícil tanto analisar a amostra quanto tratar uma overdose. Entre os sedativos do grupo dos agonistas alfa-2, a xilazina é muito mais comum na costa leste do que no oeste e está sendo substituída pela medetomidina, sedativo bem mais potente que pode causar sintomas graves de abstinência. O estudo também acompanha a chegada e o deslocamento regional de anestésicos locais, como a lidocaína, a tetracaína e a procaína, e do BTMPS, produto químico industrial usado na fabricação de plásticos, que aparece em amostras de fentanil do leste e do oeste desde o verão americano de 2024 e pode causar inflamação e ardor nos olhos. Os aditivos seguem um padrão cíclico, cada um subindo e caindo de forma independente, e as amostras do oeste tendem a ter menos aditivos, mas em concentração mais alta do que as do leste. Na parte quantitativa, o fentanil do oeste teve pureza maior, de cerca de 13% em fração mássica, contra cerca de 5% no leste, e a análise de concentrações em pares indica que a presença de fentanil em estimulantes como a cocaína e a metanfetamina vem provavelmente de contaminação acidental em nível baixo, e não de mistura intencional. ## Do alerta à previsão Com amostras de várias regiões, a equipe consegue ver o deslocamento de alguns aditivos ao longo do tempo, por exemplo da Filadélfia para Delaware e Maryland e depois para o oeste, e agora tenta modelar esse movimento para avisar as autoridades de saúde quando um aditivo novo que surgiu numa região deve chegar a outra. "O RaDAR permite ao NIST alertar de imediato as autoridades de saúde pública sobre a presença de novos adulterantes na sua região, para que possam planejar um tratamento mais eficaz para as pessoas que consumiram fentanil", disse Sisco no comunicado. A página do programa diz que os resultados servem para informar quem usa drogas e a comunidade, para acompanhar a entrada de substâncias novas, como xilazina, medetomidina, nitazenos e BTMPS, e para avisar os laboratórios forenses sobre substâncias novas que podem aparecer nos casos que eles examinam. Os próximos passos anunciados pelo NIST são um levantamento semelhante de aditivos na cetamina, anestésico cada vez mais presente no mercado ilícito, e o estudo de aditivos nas orfinas, uma classe nova de opioides, alguns mais potentes que o fentanil. --- # Locomotiva a vapor se moveu sozinha durante o engate na Bluebell Railway, na Inglaterra: o que diz o relatório do RAIB - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/locomotiva-a-vapor-se-moveu-durante-engate-bluebell-railway-relatorio-raib/ - Fonte original: Rail Accident Investigation Branch (RAIB), https://www.gov.uk/government/news/report-112026-unsafe-movement-of-locomotives-being-coupled-on-the-bluebell-railway, 08.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ferrovia, locomotiva a vapor, engate, avaliação de risco, RAIB, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Locomotiva a vapor se moveu sozinha durante o engate na Bluebell Railway, na Inglaterra: o que diz o relatório do RAIB", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/locomotiva-a-vapor-se-moveu-durante-engate-bluebell-railway-relatorio-raib/ ## O que importa - O relatório 11/2026 do RAIB, órgão britânico de investigação de acidentes ferroviários, publicado em 8 de outubro de 2026, analisa o movimento inesperado de duas locomotivas a vapor com um manobrador entre elas na estação de Sheffield Park, em 9 de agosto de 2025. - O regulador de vapor não estava totalmente fechado, o reversor estava engatado em ré e o freio a ar da locomotiva não estava totalmente aplicado, e o manobrador usou um procedimento que só funciona em veículos com freio a vácuo. - O RAIB considerou irreal a avaliação de risco da ferrovia, que dava risco residual zero ao esmagamento entre veículos, e recomendou uma revisão das regras de engate e desengate. O Rail Accident Investigation Branch (RAIB), órgão do Departamento de Transportes do Reino Unido que investiga acidentes ferroviários sem atribuir culpa ou responsabilidade, publicou em 8 de outubro de 2026 o relatório 11/2026, sobre o movimento inesperado de duas locomotivas a vapor que estavam sendo engatadas com um manobrador entre elas na estação de Sheffield Park, da Bluebell Railway, em East Sussex, Inglaterra. ## O que aconteceu em Sheffield Park Por volta das 15h de sábado, 9 de agosto de 2025, durante o pequeno festival de 65 anos da Bluebell Railway, uma ferrovia histórica de bitola padrão com 11mi (17,7km) operada sobretudo por voluntários, o manobrador fazia o engate das locomotivas Fenchurch e Stepney, ambas da classe A1X, as "Terriers", construídas entre 1872 e 1880, para levá-las de volta ao galpão. A Stepney, fora de serviço desde uma falha num tubo de vapor em 2014 e incapaz de andar com a própria força, estava parada junto à plataforma 1 e presa apenas pelo freio manual, enquanto a Fenchurch era conduzida pelo maquinista até encostar nela. Com o manobrador entre as duas, ele ouviu dois ruídos de escape de vapor e as locomotivas começaram a andar em velocidade de passo, percorreram cerca de 3m e só pararam quando o foguista, que estava com um pé na plataforma e outro no estribo da Fenchurch, levou a alavanca do freio a ar até a posição de aplicação total, e o manobrador, que acompanhou o movimento andando apoiado nas duas máquinas, saiu sem ferimentos, mas abalado. ## Como uma locomotiva a vapor anda sem comando O regulador é a válvula que deixa o vapor sair da caldeira para os cilindros e o reversor define o sentido de marcha, e, para nenhum vapor chegar aos cilindros, o regulador precisa estar totalmente fechado, explica o RAIB. O maquinista acreditava ter fechado o regulador, mas logo depois do incidente conseguiu empurrá-lo um pouco mais na direção do fechamento, o que, segundo o relatório, mostra que ele estava ligeiramente aberto e que o vapor acumulou pressão nos cilindros. Um laudo encomendado pela ferrovia depois do incidente concluiu que o regulador funcionava como devia e que sua rigidez era semelhante à de outras locomotivas, mas apontou que a resistência perto do fim do curso pode levar o maquinista a achar que ele está fechado quando não está, e o maquinista relatou que o regulador fica mais duro ao longo do dia por efeito do calor, da pressão e da dilatação. O reversor estava todo puxado para a posição de ré o que deixou o vapor que passava pelo regulador empurrar a locomotiva na direção do manobrador, e nessa posição a alavanca ainda atrapalhava o acesso ao regulador. A boa prática, segundo o RAIB, é deixar o reversor no ponto morto (mid-gear, equivalente ao neutro de um carro), exigência que as regras da Bluebell faziam em outras tarefas com a locomotiva parada, como o acesso ao cinzeiro, mas não no engate. ## O freio errado A Fenchurch é uma das duas locomotivas da frota operacional da Bluebell com freio a ar, numa ferrovia que em geral usa carros com freio a vácuo, e ela tem uma válvula própria de freio a ar para se manter parada em manobras de engate e desengate. Ensaios encomendados pela ferrovia mostraram que a Fenchurch não se moveu com o freio a ar totalmente aplicado, mesmo com o regulador todo aberto, e o fato de o movimento ter parado assim que o foguista mexeu na alavanca indica, para o RAIB, que o freio não estava totalmente aplicado no momento do incidente. Antes de entrar entre veículos com freio a vácuo, o manobrador tira a mangueira de vácuo do bocal de descanso (dummy), o que destrói o vácuo e aplica os freios, mas em veículos com freio a ar o equivalente é abrir a torneira do encanamento do freio a ar, e o manobrador, que não tinha sido informado de que a Fenchurch usava freio a ar, tirou a mangueira de vácuo achando que isso a imobilizaria, sem efeito nenhum sobre os freios dela. O freio manual da Stepney também não resistiu, porque, segundo o RAIB, foi feito para segurar a locomotiva numa rampa suave e não contra outra locomotiva sob tração. ## A avaliação de risco com risco residual zero A avaliação de risco de engate e desengate da ferrovia, de junho de 2024, dava ao esmagamento de uma pessoa entre veículos probabilidade 4 e gravidade 5 numa matriz de 5 por 5, ou 20 pontos de 25, a categoria mais alta, e, depois de listar oito medidas de controle baseadas em ações das pessoas, atribuía risco residual zero, o que o RAIB considerou irreal. Uma avaliação de outubro de 2022 sobre a operação da Fenchurch já registrava que tirar a mangueira de vácuo do bocal não garantia que ela ficasse parada, mas a medida de controle, que mandava aplicar o freio manual "e ou" abrir o encanamento do freio a ar, podia ser lida como dispensa de abrir a torneira, e o RAIB não achou prova de que isso tivesse sido passado aos funcionários em instrução, regra ou treinamento. Nem o livro de regras da Bluebell, de 1º de outubro de 1997 e baseado no das ferrovias britânicas de 1955, nem o apêndice geral, nem o procedimento de engate de 2019 mandavam abrir a torneira do freio a ar antes de entrar entre veículos. O treinamento de familiarização da Fenchurch, em janeiro de 2023, alcançou 19 maquinistas e foguistas, mas não o maquinista do dia, que tinha trabalhado na revisão geral da máquina, nem os limpadores, categoria que faz as manobras e à qual o manobrador pertencia. O maquinista, com mais de 40 anos de função e avaliador de outros maquinistas, foi reavaliado depois do incidente numa manobra de engate semelhante, e a locomotiva voltou a se mover de forma inesperada, enquanto a avaliação de competência de manobra da ferrovia não verificava se o maquinista deixava a locomotiva imobilizada antes de autorizar alguém a entrar entre os veículos. ## Fatores e recomendação O RAIB aponta como fatores causais a pressão de vapor nos cilindros, pelo regulador não totalmente fechado e pelo reversor fora do ponto morto, e a falta de imobilização efetiva da Fenchurch, pelo freio a ar não totalmente aplicado e pela providência ineficaz do manobrador, e como fator subjacente a gestão ineficaz, pela Bluebell, dos riscos de engatar material rodante com freio a ar. O relatório cita três casos anteriores investigados pelo órgão, entre eles as mortes de um guarda de trem voluntário prensado entre carros na Gwili Railway, em 2006, e de outro em Grosmont, na North Yorkshire Moors Railway, em 2012, quando o reversor passou de ré para frente e a locomotiva mudou de sentido. A única recomendação pede à Bluebell uma revisão, baseada em risco, das regras de engate e desengate que considere os diferentes tipos de tração e de freio, as responsabilidades de cada função e o modo de verificar se os controles funcionam, e o RAIB anota que ela pode valer para outras ferrovias históricas, enquanto a ferrovia informou que já publicou um novo procedimento de engate e está reescrevendo o livro de regras. --- # Choque elétrico na piscina do hotel Conrad, em Bengaluru, mata tripulante da Lufthansa e executivo da IBM - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/choque-eletrico-piscina-hotel-conrad-bengaluru-dois-mortos/ - Fonte original: The Federal, https://thefederal.com/category/states/south/karnataka/conrad-bengaluru-fatal-pool-electrocution-foreigners-261437, 31.Out.2026 (inglês) - Marcadores: choque elétrico, piscina, aterramento, hotel, Índia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Choque elétrico na piscina do hotel Conrad, em Bengaluru, mata tripulante da Lufthansa e executivo da IBM", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/choque-eletrico-piscina-hotel-conrad-bengaluru-dois-mortos/ ## O que importa - Dois hóspedes estrangeiros morreram na noite de 30 de outubro de 2026 na piscina do terceiro andar do hotel Conrad, em Bengaluru, na Índia, e a polícia suspeita de fuga de corrente elétrica para a água. - Um hóspede americano e um salva-vidas do hotel levaram choque ao tentar tirar os dois da piscina e foram hospitalizados, sem risco de morte. - A polícia abriu inquérito por morte causada por negligência contra a direção do hotel, e técnicos examinam a bomba, a iluminação subaquática e o aterramento da piscina. Dois hóspedes estrangeiros morreram na noite de sexta-feira, 30 de outubro de 2026, na piscina do hotel Conrad, em Halasuru, bairro de Bengaluru, no sul da Índia, num caso que a polícia trata como suspeita de choque elétrico causado por fuga de corrente para a água, e a investigação técnica tenta descobrir qual falha deixou a piscina energizada. Os mortos são o alemão Alexander Maximilian Theiss, de 57 anos, tripulante da companhia aérea Lufthansa, e o eslovaco Juraj Horvat, de 45 anos, gerente de projetos da IBM, que estavam na piscina do terceiro andar do hotel por volta das 18h30, quando teriam sido eletrocutados, segundo a polícia. ## O resgate Dois homens ficaram feridos ao tentar tirar as vítimas da água, o americano Mathew DeSantis, de 41 anos, hóspede do hotel, e Rahul Tiwari, de 28 anos, atendente da piscina e salva-vidas contratado pelo hotel, e os dois levaram choque durante o resgate, segundo o The Federal. Os quatro foram levados ao Manipal Hospital, onde, segundo os médicos ouvidos pelo The Federal, uma das vítimas chegou sem vida e a equipe de emergência tentou reanimar a outra sem sucesso, enquanto DeSantis e Tiwari foram tratados e estão fora de perigo. Pela polícia, Horvat tinha se hospedado no hotel com a família no próprio dia 30 de outubro, e Theiss estava hospedado desde 20 de outubro, segundo o Daily Jagran, que cita a agência indiana PTI. ## A suspeita de fuga de corrente O comissário de polícia de Bengaluru, Seemant Kumar Singh, disse que na piscina, que fica no nível do terraço, no terceiro andar, "há suspeita de fuga de energia elétrica" e que o caso "parece ser de eletrocussão", mas que só será possível determinar exatamente o que aconteceu depois que saírem os laudos médicos e os relatórios técnicos e periciais. Segundo o comissário, a área foi isolada e a polícia trabalha para descobrir a causa exata, e o vice-comissário da zona leste, Vikram Amathe, confirmou as mortes e a abertura do inquérito, segundo a Outlook India. Um comissário assistente da polícia disse ao The Federal que a investigação técnica é conjunta com técnicos da BESCOM, a distribuidora de energia de Bengaluru, e da BWSSB, a companhia de água e esgoto da cidade, e que os especialistas examinam o conjunto da bomba da piscina, as luminárias subaquáticas e as linhas de aterramento "para localizar a falha exata que mandou corrente viva para a água". O Daily Pioneer informa que fazem parte da apuração a sequência dos fatos, o estado das instalações elétricas da piscina e o histórico de manutenção, e que a causa exata ainda não foi estabelecida nem há conclusão registrada contra o hotel. ## Inquérito por negligência A mulher de uma das vítimas registrou queixa acusando o hotel de negligência grave e de manutenção precária, e a polícia de Halasuru abriu inquérito contra a direção e os funcionários do hotel com base na seção 106 do Bharatiya Nyaya Sanhita, o código penal indiano, que trata de morte causada por negligência, segundo o The Federal e o Daily Jagran. A polícia também analisa as imagens das câmeras de segurança, interroga funcionários e colhe depoimentos de testemunhas, segundo o Daily Jagran, e os corpos foram levados ao Manipal Hospital. ## O que diz o hotel O Conrad Bengaluru, hotel de cinco estrelas e 24 andares do portfólio de luxo da rede Hilton, disse em nota que estava profundamente consternado, que deu apoio total à investigação da polícia e que a causa do incidente depende de uma apuração completa das autoridades locais, segundo o Daily Jagran, que cita a NDTV. No sábado, 31 de outubro de 2026, o site do hotel mostrava a piscina fechada para manutenção de 31 de outubro a 30 de novembro, e o The Federal encontrou o hotel funcionando normalmente, com reuniões e conferências, enquanto um representante disse que o foco era apoiar as famílias e que um comunicado oficial sairia no domingo. ## O que ainda falta saber Até agora, a polícia não divulgou qual equipamento apresentou defeito nem o resultado da inspeção da bomba, da iluminação subaquática e do aterramento, e o comissário condicionou qualquer conclusão aos laudos médicos e aos relatórios técnicos e periciais, que ainda não foram tornados públicos. Segundo o The Federal, as mortes num hotel de uma rede internacional provocaram críticas nas redes sociais e levantaram dúvidas sobre a segurança dos hóspedes e sobre os padrões básicos de manutenção nos hotéis de alto padrão da Índia. --- # Tribunal do Arizona anula pena porque juiz se apoiou em vídeo feito por IA em que a vítima perdoava o réu - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/arizona-anula-pena-por-video-de-ia-da-vitima-exibido-na-sentenca/ - Fonte original: FOX 10 Phoenix, https://www.fox10phoenix.com/news/arizona-manslaughter-sentencing-vacated-due-use-ai-victim-impact-statement, 01.Out.2026 (inglês) - Marcadores: inteligência artificial, declaração de impacto da vítima, devido processo legal, Arizona, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Tribunal do Arizona anula pena porque juiz se apoiou em vídeo feito por IA em que a vítima perdoava o réu", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/arizona-anula-pena-por-video-de-ia-da-vitima-exibido-na-sentenca/ ## O que importa - A Corte de Apelação do Arizona anulou em 30 de setembro de 2026 a pena de 10,5 anos de Gabriel Paul Horcasitas, condenado por homicídio culposo na morte de Christopher Pelkey numa briga de trânsito em Chandler, em 2021. - Na audiência de fixação da pena, em maio de 2025, a família exibiu um vídeo gerado por IA em que Pelkey aparecia falando de perdão, e o juiz disse ter adorado o vídeo. - Para a corte, o vídeo não tinha a confiabilidade mínima exigida e tornou o procedimento fundamentalmente injusto, e a condenação foi mantida, com nova audiência de pena ainda sem data. A Corte de Apelação do Arizona (Divisão Um), nos Estados Unidos, anulou em 30 de setembro de 2026 a pena de 10,5 anos de prisão de Gabriel Paul Horcasitas, condenado por homicídio culposo (manslaughter) na morte de Christopher Pelkey, porque o juiz que fixou a pena levou em conta um vídeo gerado por inteligência artificial em que a própria vítima aparecia falando ao réu, e, segundo a corte, nenhum caso no estado tinha tratado até então da admissão de uma representação da vítima feita por IA como prova de impacto do crime. ## O crime e a audiência de 2025 Pelkey, veterano do Exército americano, tinha 37 anos quando foi morto a tiros numa briga de trânsito em Chandler, no Arizona, em novembro de 2021, e Horcasitas foi condenado por homicídio culposo e sentenciado em maio de 2025 no Tribunal Superior do Condado de Maricopa. Na fase da audiência reservada às declarações de impacto da vítima, em que parentes e amigos falam ao juiz sobre a pessoa morta e sobre o que a morte causou, amigos e familiares falaram, o irmão de Pelkey leu um texto que ele próprio tinha escrito e, por fim, a irmã, Stacey Wales, apresentou o vídeo feito com IA. Wales contou à FOX 10 que a família tinha reunido 49 cartas, que o juiz pôde ler antes da audiência, mas que faltava uma voz, a do irmão, e que a ideia do vídeo surgiu enquanto ela juntava as declarações e preparava a sua. O vídeo foi produzido por ela, pelo marido e por um amigo que trabalham há anos com tecnologia de IA, a partir de um vídeo gravado anteriormente, de uma foto e de um roteiro escrito pela irmã, segundo a FOX 10 e a emissora AZFamily, e usava a imagem e um perfil de voz de Pelkey, com alguns trechos de gravações reais e uma versão gerada por IA dizendo frases sobre suas crenças, o perdão e a família, segundo a ABC15. Na gravação, o Pelkey gerado por IA dizia ao réu que "em outra vida, provavelmente poderíamos ter sido amigos" e que acreditava "no perdão e em Deus, que perdoa". O juiz Todd Lang disse na audiência: "Eu adorei essa IA, obrigado por isso, senti que foi genuíno", e afirmou que o perdão "evidente" de Pelkey a Horcasitas refletia o caráter de que tinha ouvido falar naquele dia, antes de fixar a pena em 10,5 anos, a pena presuntiva para o crime e acima dos nove anos pedidos pela promotoria, de acordo com a ABC15. ## Os argumentos no recurso Na apelação, a defesa sustentou que Horcasitas teve negado o devido processo legal porque o juiz "ouviu e se apoiou expressamente num vídeo gerado por IA que recriava a aparência e a voz da vítima", segundo o trecho da decisão citado pela FOX 10. A promotoria respondeu que o vídeo era confiável porque "reflete o que a irmã da vítima acreditava que a vítima teria dito" se tivesse falado na audiência, e que a relação próxima entre os dois permitia "a inferência razoável de que os sentimentos transmitidos pela vítima de IA eram provavelmente corretos", segundo a FOX 10. ## O que a corte decidiu O colegiado de três juízes escreveu que o vídeo "apaga a distância interpretativa entre a crença da família sobre o que a vítima teria dito e a própria voz e as opiniões da vítima", porque "apresenta uma representação da vítima e de seus pensamentos criada a partir da imaginação da irmã da vítima". A decisão diz que, "embora o processo não mostre com precisão como o vídeo de IA entrou no cálculo da pena, não há dúvida de que ele teve um papel", e que, diante desse registro, "a consideração do vídeo de IA pelo juiz prejudicou Horcasitas a ponto de tornar o procedimento de fixação da pena fundamentalmente injusto". A corte reconheceu que a lei do Arizona garante à vítima o direito de falar na audiência de pena, mas afirmou que esse direito não se sobrepõe ao direito constitucional do réu ao devido processo, e lembrou que, nessa fase, o juiz pode considerar um leque de informações mais amplo do que no julgamento, desde que elas tenham um nível mínimo de confiabilidade, que o vídeo de IA não tinha, segundo a ABC15. Os juízes deixaram claro que as gravações reais de Pelkey exibidas eram admissíveis, e que o problema estava nos trechos gerados por IA em que ele dizia coisas que nunca disse. A condenação por homicídio culposo foi mantida, a pena foi anulada e o caso voltou ao Tribunal Superior do Condado de Maricopa para nova audiência de fixação da pena, que, até a reportagem da ABC15, ainda não tinha data marcada. ## As reações Wales disse à FOX 10 em 1º de outubro de 2026 que a família ficou decepcionada e está pronta para uma segunda audiência, e que a lei de direitos das vítimas do Arizona (Arizona Victims' Bill of Rights) permite que elas falem "de qualquer forma", o que agora está sendo revisto pelos tribunais. Ela sustenta que o vídeo foi feito diretamente a partir de publicações e textos de Pelkey em redes sociais, que transmite com precisão o que ele teria dito ao homem que tirou sua vida e que cerca de 40 pessoas a procuraram para dizer que era exatamente aquilo que ele diria. À ABC15, Wales disse que, se tirar a camada de IA eliminar qualquer dúvida sobre a pena que o juiz decidir, ela concorda, e que a família aceita que o juiz diga qual é a pena, com ou sem IA. O advogado de Horcasitas, Jason Lamm, disse à ABC15 que entende que o momento foi catártico para a família, mas que o vídeo era constrangedor, que a nova pena pode ficar entre sete e 10,5 anos e que o caso ainda pode chegar à Suprema Corte do estado, e afirmou que os tribunais vêm mostrando muito ceticismo em relação ao uso de IA na prática jurídica. --- # Ensaio de fogo fora da configuração ensaiada: o alerta da CROSS-UK sobre avaliações de engenharia - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ensaio-de-fogo-fora-da-configuracao-ensaiada-alerta-cross-uk/ - Fonte original: CROSS-UK (Collaborative Reporting for Safer Structures), https://www.cross-safety.org/uk/safety-information/cross-topic-paper/fire-test-evidence-and-product-assurance, 22.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ensaio de fogo, resistência ao fogo, avaliação de engenharia, compartimentação, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Ensaio de fogo fora da configuração ensaiada: o alerta da CROSS-UK sobre avaliações de engenharia", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ensaio-de-fogo-fora-da-configuracao-ensaiada-alerta-cross-uk/ ## O que importa - A CROSS-UK publicou em 22 de outubro de 2026 um documento técnico sobre produtos de construção instalados em configurações que nenhum ensaio de fogo cobre. - Relatos recebidos pela organização mostram desempenho ao fogo sustentado por avaliação de engenharia ou por simples declaração, com uma confiança que nem sempre corresponde à prova disponível. - O documento lista as características de uma avaliação confiável, como escopo definido, raciocínio transparente e limitações declaradas. A CROSS-UK (Collaborative Reporting for Safer Structures), sistema britânico de relatos confidenciais de segurança de estruturas e edificações, publicou em 22 de outubro de 2026 o documento técnico "Fire test evidence and product assurance", sobre o uso de produtos de construção em configurações para as quais não existe ensaio de fogo aplicável ou em que o ensaio disponível não corresponde ao uso pretendido. O texto parte de vários relatos recebidos pela organização e é dirigido a engenheiros de incêndio, projetistas, construtoras, fiscalização, fabricantes, proprietários e seguradoras. ## O limite de todo ensaio O documento lembra que os métodos de ensaio padronizados permitem comparar desempenho em condições definidas e são a base do sistema regulatório, mas que o ensaio é feito em condições controladas e não cobre a variedade de geometrias, interfaces, fixações, métodos de instalação e qualidade de execução que aparece na obra real. Segundo a CROSS, revisões do governo e do setor mostraram que uma parcela significativa dos produtos de construção não está sujeita a normas regulatórias abrangentes nem a regimes de ensaio consistentes, e por isso é comum que um produto seja especificado e instalado numa configuração sem nenhuma prova de ensaio diretamente aplicável. A norma britânica BS 6336:1998, guia para o desenvolvimento de ensaios de fogo, já reconhecia que o resultado de um ensaio não deve ser aplicado sem considerar as condições em que foi obtido, porque o ensaio isola variáveis para dar resultado repetível e não reproduz a complexidade de um edifício real. ## Dois relatos que mostram o problema No relato 1030, sobre estrutura de perfis leves de aço formados a frio (light gauge steel framing), alguém sugeriu numa reunião de projeto trocar a marca da placa de gesso de um sistema ensaiado, com o argumento de que as placas do mercado são "praticamente iguais", e o autor do relato discordou porque não havia dados de ensaio que sustentassem a troca. Nesse tipo de construção, a resistência ao fogo vem do sistema completo, em que as camadas de placas protegem o perfil de aço que sustenta o prédio, e o autor do relato observou que paredes sem função de compartimentação, como a que separa dois quartos de um apartamento, também precisam resistir ao fogo para proteger a estrutura, o que muitas vezes passa despercebido. Os ensaios citados para esses conjuntos são os de forno das normas BS EN 1364-1, para paredes sem função estrutural, e BS EN 1365-1 e BS EN 1365-2, para paredes e pisos estruturais, e a orientação do relato é que mudanças de dimensão, de carga ou de componentes, como placas, fixações e acabamentos, não sejam feitas sem uma avaliação documentada. No relato 1242, um profissional foi chamado para avaliar uma grade de redução de ruído formada por placas verticais penduradas no teto de um escritório aberto, e o fabricante apresentou a classificação B da norma de reação ao fogo BS EN 13501, obtida com o ensaio de objeto isolado em combustão (SBI, single burning item) da BS EN 13823. Os dados mostravam que a placa tinha sido ensaiada na montagem padrão, como um único painel grande fixado sobre substrato sólido e com fogo em uma só face, e o profissional concluiu que o resultado só valia para uso como revestimento de parede ou teto e não endossou o produto, e o cliente acabou procurando outro fornecedor. O painel de especialistas confirmou que o ensaio SBI expõe o material de um lado só e que não existe ensaio comparável para esse tipo de montagem aberta, e recomendou uma avaliação de risco que considere, entre outros pontos, a altura e a extensão da grade, a rapidez com que as fixações cederiam no fogo, as rotas de fuga e o sistema de alarme. ## Avaliação de engenharia no lugar do ensaio A avaliação em apoio a resultados de ensaio, antes chamada de "avaliação em substituição ao ensaio" ou "estudo de escritório" (desktop study), é a prática usada quando não há ensaio para a configuração específica, e o documento registra que depois do incêndio da Grenfell Tower ela passou a ser examinada com mais rigor, por dúvidas sobre transparência, base de prova e competência de quem a faz. A CROSS afirma que a avaliação é parte necessária do sistema de garantia, sobretudo em edifícios existentes e históricos e em detalhes construtivos únicos, em que a montagem real não pode ser reproduzida num ensaio padronizado, e que a questão não é se ela deve ser usada, mas como é feita, documentada e aceita. Onde houver método de cálculo estrutural em situação de incêndio, norma de produto ou regra de aplicação estendida, ele deve ser seguido, e o documento cita a BS EN 15725:2023, que trata das normas e relatórios de aplicação estendida (EXAP), com regras, cálculos e julgamento especializado para estender resultados de ensaio dentro de limites definidos. Para avaliações fora desses casos, o texto cita o guia de 2021 da Passive Fire Protection Federation sobre avaliações técnicas baseadas em ensaios de fogo, que está sendo transformado na norma britânica BS 8623, e ressalva que esses métodos pressupõem um conjunto aplicável de ensaios padronizados e não servem para dar garantia a produto que não tem norma de produto nem de ensaio. ## Quando sobra só a declaração Nos casos em que não há nem ensaio aplicável nem avaliação estruturada, os relatos mostram desempenho sustentado por declarações gerais do fabricante ou do fornecedor, e a CROSS observa que essas formas de garantia nem sempre dão confiança equivalente e que a fronteira entre avaliação baseada em prova e afirmação sem suporte nem sempre é clara na prática. O documento atribui o problema também a fatores do sistema, como pressão comercial e de prazo, divisão das responsabilidades de projeto e execução, falta de clareza sobre quem responde por quê e competência desigual sobre métodos de ensaio, e lembra que onde o desempenho é presumido e não demonstrado o risco é maior na compartimentação e na proteção passiva de passagens, que dependem da integridade das interfaces. A CROSS também aponta o risco contrário, o de tratar a falta de ensaio exato para cada detalhe como prova de desempenho inadequado, porque não é possível ensaiar todas as variações da construção, e por isso defende a avaliação proporcional desde que escopo, raciocínio e limitações estejam claros. ## O que caracteriza uma avaliação confiável As avaliações que dão mais confiança, segundo o documento, têm escopo claro, identificam o ensaio usado e quanto a aplicação proposta se afasta dele, mostram de forma transparente como as conclusões saem da prova, tratam das diferenças de geometria, materiais, interfaces, fixações e instalação, declaram premissas, limitações e incertezas e usam linguagem cautelosa, proporcional à confiança possível. A organização acrescenta que a competência exigida varia com a complexidade e as consequências da avaliação e que também precisam de competência quem especifica, aceita e aplica as conclusões, o que inclui projetistas, construtoras e fiscalização. Na conclusão, a CROSS afirma que ensaio e avaliação são partes necessárias da segurança contra incêndio, mas que a eficácia de ambos depende de suas limitações serem entendidas e de as conclusões estarem apoiadas em prova clara, com métodos reconhecidos, premissas declaradas, responsabilidades definidas e revisão adequada. --- # Queda de Cessna 210 em Goolwa, na Austrália: ATSB conclui que instrutor fez parafuso proibido e já tinha violações não comunicadas - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/atsb-queda-cessna-210-goolwa-parafuso-proibido-instrutor/ - Fonte original: ABC News (Austrália), https://www.abc.net.au/news/2026-10-28/goolwa-triple-fatal-plane-crash-likely-followed-spin-violation/107318258, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: acidente aéreo, ATSB, parafuso, Cessna 210, Austrália - Como citar: NEXO CAUSAL, "Queda de Cessna 210 em Goolwa, na Austrália: ATSB conclui que instrutor fez parafuso proibido e já tinha violações não comunicadas", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/atsb-queda-cessna-210-goolwa-parafuso-proibido-instrutor/ ## O que importa - O Cessna 210N que caiu no mar perto de Goolwa, no sul da Austrália, em 6 de fevereiro de 2026, matando três homens, provavelmente entrou num parafuso intencional para o piloto treinar a recuperação, manobra para a qual o avião não é homologado. - O relatório final do ATSB, divulgado em 28 de outubro de 2026, aponta que o piloto errou na recuperação, que o instrutor não interveio a tempo e que ele já tinha feito parafusos em voos anteriores, cada vez mais baixo, sem que ninguém comunicasse ao operador ou à autoridade de aviação. - O órgão concluiu que os pilotos que sabiam das manobras não as relataram por se sentirem sem poder para agir ou por acharem que não era responsabilidade deles. O Departamento Australiano de Segurança nos Transportes (Australian Transport Safety Bureau, ATSB) concluiu que o Cessna 210N que caiu no mar perto de Goolwa, ao sul de Adelaide, em 6 de fevereiro de 2026, matando os três homens a bordo, provavelmente entrou num parafuso intencional, a manobra em que o avião perde a sustentação e desce girando, feito pelo instrutor para que o piloto treinasse a recuperação, num avião que não é homologado para isso, e que o instrutor tinha um histórico de violações desse tipo que nunca foi comunicado, segundo a ABC News australiana. ## O voo e as vítimas Morreram o instrutor de voo Leo Howard, de 53 anos, morador de Morphett Vale, Tristan Scheffers, de 18 anos, de Freeling, e um jovem de 20 anos de Pasadena, e um dos dois mais novos tinha licença de piloto comercial e o outro, licença de piloto recreativo, e o objetivo do voo era dar a um deles experiência no Cessna. O avião, de prefixo VH-RDH, decolou do aeroporto de Goolwa por volta das 16h08 num voo local privado, com o instrutor no assento direito e o piloto com licença comercial no esquerdo, e era a última sessão de um pacote de dez horas de experiência no Cessna 210 Centurion, segundo o site especializado AeroCorner. O radar mostra que o avião seguiu a costa para leste e voltou em direção à foz do rio Murray, onde subiu a 3.375ft (1.028,7m) enquanto a velocidade em relação ao solo caía a 74 nós (137,05km/h), o que o ATSB considera compatível com a preparação de uma entrada em parafuso, e, 12 minutos depois da decolagem, testemunhas viram o avião descer numa espiral fechada até bater na água, na área de Long Bay. ## O que o vídeo mostrou Uma testemunha filmou o fim da descida, e a análise quadro a quadro feita pelo ATSB mostra um parafuso para a esquerda, com o nariz cerca de 72 graus abaixo do horizonte e o trem de pouso recolhido, e uma taxa de rotação que caiu de cerca de 180 para 76 graus por segundo, sinal de que o avião estava saindo do parafuso quando bateu na água, a cerca de 14km a sudeste do aeroporto. O ATSB considerou improvável que uma falha técnica tenha contribuído para o acidente, e, como o avião já estava se recuperando pouco antes do impacto, concluiu que ele provavelmente poderia ter sido recuperado se a altura de entrada não tivesse sido rebaixada. ## As conclusões do relatório Segundo o relatório final, "depois de entrar no parafuso, é provável que o piloto no assento esquerdo tenha conduzido mal a recuperação durante a fase incipiente, e o instrutor não interveio a tempo de impedir que o avião entrasse num parafuso plenamente desenvolvido e de recuperá-lo dentro da altura disponível". O ATSB acrescenta que o instrutor "tinha um histórico de violações com parafusos, das quais se recuperou com sucesso na fase incipiente, o que provavelmente lhe deu confiança para baixar progressivamente a altura de entrada que vinha usando". ## O histórico que ninguém relatou Howard tinha sido aprovado em 2009 para dar treinamento de parafuso e acrobacia, mas havia queixas de alunos contra ele em outro operador, no aeroporto de Aldinga, e ele se envolveu num "quase choque" no ar em 2022, segundo o ATSB citado pela ABC. Depois de examinar dados e vídeos de bordo de voos anteriores, o ATSB concluiu que o instrutor fez pelo menos seis parafusos em voo, e, segundo o AeroCorner, as entrevistas revelaram sete voos anteriores com parafusos iniciados por ele, e os dados gravados registraram seis parafusos em quatro desses voos, três deles no VH-RDH. Pela reconstituição do relatório descrita pelo AeroCorner, os parafusos no VH-RDH começaram em dezembro de 2025, a partir de cerca de 4.500ft (1.371,6m), e no primeiro voo do piloto morto, em 7 de janeiro de 2026, o instrutor demonstrou um parafuso e deixou o piloto conduzir a recuperação de um segundo, com entradas a cerca de 3.500ft (1.066,8m). Em 1º de fevereiro de 2026, o primeiro de dois parafusos terminou a 1.952ft (594,97m), a recuperação mais baixa registrada, e o segundo, iniciado pouco abaixo de 3.000ft (914,4m), passou perto de outro avião, um Bristell, sem aviso à tripulação dele, e no dia do acidente a entrada foi cerca de 1.000ft (304,8m) mais baixa que a usada pelo instrutor dois meses antes. Num dos voos, um piloto disse ao instrutor que o avião "não podia ser usado para parafuso", e ele respondeu que o avião era homologado para parafuso e que, portanto, eles fariam, segundo o ATSB, e o instrutor acabou não dando como concluída a revisão de voo daquele piloto. Como nenhuma das violações foi comunicada ao operador do avião nem à Autoridade de Segurança da Aviação Civil (CASA), "nenhuma providência foi tomada para interromper essas atividades", segundo o relatório. ## Por que o Cessna 210N não pode entrar em parafuso O Cessna 210N é homologado na categoria normal, e a norma de certificação exige apenas que ele se recupere de um parafuso de uma volta dentro de mais uma volta, uma margem pensada para proteger o piloto que erra num estol, enquanto um avião aprovado para parafusos intencionais precisa demonstrar recuperação de um parafuso de seis voltas, ensaio a que o 210N nunca foi submetido, de modo que seu comportamento num parafuso plenamente desenvolvido é desconhecido e a recuperação pode ser difícil, segundo o ATSB citado pelo AeroCorner. O fabricante disse ao ATSB que o 210N foi feito para uso pessoal e empresarial, "não como avião de treinamento usado para parafusos", e forneceu uma placa de cabine que proíbe parafusos intencionais, mas ela não estava no painel do VH-RDH. O limite de altura para acrobacia do instrutor tinha sido reduzido de 3.000ft (914,4m) para 1.500ft (457,2m) em novembro de 2025, um mês antes do primeiro parafuso relatado no VH-RDH, e o manual de instrutores da CASA diz que parafusos devem ser ensinados a uma altura que permita a recuperação até 3.000ft (914,4m). ## Barreiras para denunciar "Outros pilotos que sabiam dos parafusos não autorizados relutaram em relatá-los, inclusive porque se sentiam sem poder para agir ou acreditavam que não era responsabilidade deles", disse o comissário-chefe do ATSB, Angus Mitchell, em comunicado, e acrescentou que isso "mostra a importância de criar e divulgar sistemas de comunicação que reconheçam e enfrentem as barreiras para relatar práticas de voo inseguras". O relatório final não faz recomendação formal de segurança, e a mensagem de segurança repete a circular de 2020 da CASA: não se deve induzir parafuso em avião que não seja certificado ou aprovado para parafusos intencionais. --- # Incêndio com aquecedor elétrico e a querosene: o que 543 acidentes analisados no Japão mostram sobre a distância segura de materiais combustíveis - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/aquecedores-incendio-distancia-segura-materiais-combustiveis-nite-japao/ - Fonte original: National Institute of Technology and Evaluation (NITE), https://www.nite.go.jp/jiko/chuikanki/press/2026fy/prs261029.html, 29.Out.2026 (japonês) - Marcadores: aquecedores, incêndio residencial, origem e causa, calor radiante, NITE, Japão - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio com aquecedor elétrico e a querosene: o que 543 acidentes analisados no Japão mostram sobre a distância segura de materiais combustíveis", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/aquecedores-incendio-distancia-segura-materiais-combustiveis-nite-japao/ ## O que importa - O NITE, instituto japonês de avaliação técnica que reúne os acidentes com produtos de consumo, divulgou em 29 de outubro de 2026 a análise de 543 acidentes com aquecedores ocorridos no Japão de 2021 a 2025. - Os aparelhos elétricos e os a querosene respondem por cerca de 80% dos casos, com 178 incêndios entre os 204 acidentes com elétricos e 233 entre os 239 com aparelhos a querosene. - Entre as causas mais frequentes estão o contato de roupas, cobertores e outros combustíveis com o aparelho ou com o calor irradiado por ele, a tampa do tanque mal fechada e a gasolina colocada no lugar do querosene. O National Institute of Technology and Evaluation (NITE), instituto administrativo independente do Japão que recebe e analisa as notificações de acidentes com produtos de consumo, publicou em 29 de outubro de 2026 um levantamento dos acidentes com aquecedores domésticos notificados de 2021 a 2025, com tabelas por tipo de aparelho, por gravidade e por evento causador, quatro casos descritos e as distâncias mínimas entre o aparelho e os materiais combustíveis. ## O universo dos dados A base reúne os acidentes graves notificados por força da lei japonesa de segurança de produtos de consumo e os acidentes menos graves reunidos por um sistema de coleta de informações sobre acidentes, e cobre aquecedores elétricos (inclusive halógenos e de painel), termoventiladores elétricos, aquecedores e termoventiladores a querosene, aparelhos a gás, radiadores a óleo, tapetes térmicos e kotatsu, a mesa baixa com aquecedor embaixo. Foram 543 acidentes em cinco anos, e os aparelhos a querosene, com 239 casos, e os elétricos, com 204, somam cerca de 80% do total, segundo o instituto. Nos aparelhos elétricos, o número ficou praticamente estável, em torno de 40 acidentes por ano, e nos dois grupos os casos começam a subir em novembro e se concentram de dezembro a fevereiro. ## Aparelhos elétricos: 178 incêndios em 204 acidentes Dos 204 acidentes com aparelhos elétricos, 178 foram incêndios, 17 tiveram morte, somando 18 vítimas, e outros 120, sem vítimas, causaram dano que se estendeu a outros objetos ou ao imóvel, o que o NITE chama de dano ampliado, distinto do dano restrito ao próprio aparelho. Entre os casos em que a causa foi identificada, ou em que um evento é a causa provável, o mais frequente foi o aquecimento anormal por fio interno rompido ou mau contato, com 36 casos, seguido do rompimento do cabo de alimentação por dobras repetidas, com 24, de acidentes com produtos sob recall cujo dono não tinha atendido ao chamado, com 20, do fogo iniciado por contato de material combustível ou pelo calor irradiado, com 16 casos e duas mortes, e do aquecimento anormal de placas de circuito e componentes eletrônicos, com 13. O instituto classifica parte desses eventos como ligada ao produto, como o fio interno e a placa de circuito, e parte como ligada ao modo de uso, como o cabo dobrado repetidamente e o combustível encostado no aquecedor. ## Aparelhos a querosene: mais mortes e mais vítimas idosas Dos 239 acidentes com aparelhos a querosene, 233 foram incêndios e 45 tiveram morte, somando 51 vítimas, e, enquanto nos elétricos os acidentes se espalham por várias faixas de idade, nos aparelhos a querosene pesa mais a faixa de 70 anos ou mais, o que o NITE atribui, como fatores possíveis, à queda da capacidade de julgamento e das funções físicas com a idade e ao excesso de confiança de quem usa o aparelho há muitos anos. O evento mais comum foi o querosene derramado por tampa do tanque esquecida aberta ou mal apertada, que pegou fogo, com 24 casos e cinco mortes, seguido do contato de combustível ou do calor irradiado, com 17 casos e uma morte, da gasolina colocada por engano no lugar do querosene, com 17, da combustão anormal ou ignição de depósitos por falta de limpeza, com 13, e de latas de aerossol que estouraram ou cujo gás pegou fogo perto do aparelho, com cinco. ## Quatro casos descritos Em janeiro de 2025, na província de Ehime, uma mulher na faixa dos 70 anos dormiu com o aquecedor elétrico ligado, o cobertor caiu sobre ele quando ela se virou na cama e a casa foi destruída pelo fogo, com a vítima queimada, e o NITE lembra que o manual proibia o uso durante o sono e pedia uma área livre de combustíveis em volta do aparelho. Em outubro de 2025, em Kanagawa, o fogo começou perto do cabo de alimentação de um aquecedor elétrico, e a causa estimada foi o rompimento dos condutores no meio do cabo, com faísca, num ponto que não recebe esforço no uso normal, razão pela qual o instituto considerou o acidente não atribuível ao produto. Em dezembro de 2024, em Tóquio, a tampa do tanque removível de um termoventilador a querosene se soltou quando o tanque foi recolocado depois do abastecimento, o combustível derramou e pegou fogo no aparelho, e o incêndio destruiu um imóvel e atingiu outros cinco, com uma mulher na faixa dos 80 anos ferida. Em janeiro de 2024, em Chiba, o termoventilador foi abastecido com gasolina por engano, teve combustão anormal e o fogo destruiu a casa, embora o manual, o aparelho e o tanque trouxessem o aviso de proibição de gasolina. ## Distância de combustíveis e calor radiante O NITE explica que o combustível perto do aparelho pode pegar fogo por superaquecimento causado pelo calor radiante, o calor que um corpo quente transmite à distância por radiação infravermelha, ou por contato direto com as partes quentes, e o instituto divulgou imagens e vídeos de reconstituição em que roupas encostam num aquecedor elétrico e peças de roupa caem sobre um aquecedor a querosene e pegam fogo, com a ressalva de que as imagens são reconstituições sem relação com acidentes reais. Como exemplo, o instituto cita a distância exigida pelas normas municipais japonesas de prevenção de incêndio para um aquecedor elétrico de radiação frontal com potência nominal de até 2kW, que é de pelo menos 100cm à frente e acima, 30cm dos lados e 4,5cm atrás, e ressalta que a distância varia conforme o modelo e deve ser conferida no manual. Uma pesquisa do governo metropolitano de Tóquio de novembro de 2014, anexada ao levantamento, ouviu 520 usuários de aquecedor elétrico e mostrou que 63,1% deixavam objetos a menos de 1m à frente do aparelho, quando os manuais pedem em geral 1m ou mais. ## Outros pontos técnicos do levantamento O querosene velho, que sobrou da temporada anterior, se degrada com o tempo e pode causar combustão anormal e geração elevada de monóxido de carbono, às vezes sem mudança evidente de cor ou de cheiro, e a poeira acumulada na base de um aquecedor a querosene pode provocar o retorno de chama por baixo do aparelho e pegar fogo. Os aparelhos a querosene passaram a ser "produtos especificados" pela lei de segurança de produtos de consumo em 2009, e os vendidos a partir de 2011 permitem confirmar pelo som, pela visão ou pelo tato que a tampa do tanque está fechada, e alguns modelos não deixam o combustível vazar mesmo com a tampa solta. --- # Ataque hacker ao sistema de saúde da Universidade do Novo México desviou ambulâncias e cancelou cirurgias - Publicado: 03.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ataque-hacker-unm-health-novo-mexico-ambulancias-desviadas/ - Fonte original: The Record (Recorded Future News), https://therecord.media/university-of-new-mexico-hospital-diverts-cyber-incident, 26.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ataque hacker, ransomware, hospital, resposta a incidentes, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Ataque hacker ao sistema de saúde da Universidade do Novo México desviou ambulâncias e cancelou cirurgias", 03.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ataque-hacker-unm-health-novo-mexico-ambulancias-desviadas/ ## O que importa - Um ataque cibernético atingiu em 26 de outubro de 2026 o centro de ciências da saúde da Universidade do Novo México (UNM), nos Estados Unidos, que desviou ambulâncias por cerca de duas horas e cancelou consultas e cirurgias ambulatoriais pelo resto do dia. - A universidade diz que o ataque atingiu só parte dos computadores dos usuários e não chegou aos sistemas centrais nem aos servidores, enquanto o grupo de ransomware BYOD afirma ter comprometido 36.000 máquinas e levado dados de pacientes, alunos e funcionários. - O caso está sob investigação criminal, com a polícia estadual e a federal avisadas, e nenhuma das afirmações do grupo foi confirmada. O centro de ciências da saúde da Universidade do Novo México (UNM Health Sciences Center), em Albuquerque, nos Estados Unidos, sofreu um ataque cibernético na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, que obrigou o sistema de saúde da universidade a desviar ambulâncias para outros hospitais e a cancelar consultas e cirurgias ambulatoriais pelo resto do dia, segundo reportagem de Jonathan Greig no The Record, da Recorded Future News. O UNM Health é o braço assistencial da universidade e mantém a única unidade de queimados, o único hospital infantil e o único centro de trauma de nível 1 do estado, que recebe os pacientes mais graves, com mais de 1 milhão de atendimentos por ano, cerca de 900.000 ambulatoriais e 100.000 no pronto-socorro, segundo a Infosecurity Magazine. ## Como o incidente se desenrolou Os técnicos começaram a tentar conter o ataque às 11h da segunda-feira, segundo comunicado do UNM Health citado pelo Albuquerque Journal, e funcionários receberam no celular um alerta que mandava desligar e tirar da tomada todos os computadores de mesa e desconectar os aparelhos móveis da rede sem fio do hospital, de acordo com veículos locais citados pelo The Record. Durante cerca de duas horas no início da tarde, as ambulâncias foram encaminhadas a hospitais de Albuquerque e de Santa Fé, e o aviso publicado pelo centro pedia que os pacientes não fossem às unidades naquele dia, que as emergências fossem tratadas pelo 911 e que o restante esperasse novo aviso. A partir das 14h30, o UNM Health começou a religar os sistemas em etapas, "à medida que era seguro fazê-lo", e uma atualização publicada às 22h27 informou que os hospitais estavam abertos e que as clínicas retomariam as consultas e os procedimentos marcados na terça-feira, 27 de outubro de 2026, e o BleepingComputer registrou que o UNM Hospital e o Sandoval Regional Medical Center permaneciam abertos. As aulas da faculdade de medicina e das escolas de enfermagem, farmácia e saúde populacional foram suspensas também na terça-feira, inclusive as remotas, e os funcionários não essenciais do centro foram mandados para casa, enquanto os demais campi da universidade não foram afetados. ## O que a universidade diz ter sido atingido Na terça-feira, a universidade informou que todos os sistemas eletrônicos críticos estavam de volta, que o tráfego de ambulâncias era normal e que a recuperação rápida foi possível porque as equipes de segurança da informação trabalharam "com parceiros externos para proteger a rede". Segundo o comunicado, a avaliação dessas equipes concluiu que o evento "afetou alguns dispositivos de usuários, mas não penetrou os sistemas centrais nem os servidores", e o UNM Health avisou a polícia estadual e a federal e disse que, como o caso continua sob investigação criminal, não pode dar mais informações. Um porta-voz não respondeu ao The Record se o incidente envolveu ransomware, o programa que trava os arquivos da vítima e cobra resgate para liberá-los, e o centro também não detalhou ao BleepingComputer o tipo de ataque sofrido. ## O que o grupo BYOD afirma Na noite de segunda-feira, um grupo de ransomware chamado BYOD reivindicou o ataque no seu site de vazamento, onde disse ter comprometido 36.000 máquinas do campus principal e do hospital, incluindo as florestas de Active Directory, a infraestrutura de políticas de grupo, todo o ambiente Microsoft Entra da universidade e dois bancos de dados Oracle. O grupo diz ter levado números de seguro social, registros de recursos humanos e de folha de pagamento, registros acadêmicos do sistema Banner, e-mails internos, dados de pesquisa, agendamentos do hospital, informações de pacientes e listas do prontuário eletrônico Cerner, e escreveu que a rede e a infraestrutura da universidade estavam "completamente" comprometidas. Para forçar o pagamento, o BYOD disse que tiraria a publicação do ar se a universidade abrisse negociação, e no dia seguinte afirmou que daria de graça as chaves para destravar os sistemas das unidades de saúde e que pagaria até US$ 2.500 a cada paciente afetado, embora tenha dito também que manteria todos os dados roubados, segundo o BleepingComputer. O BYOD surgiu no mês anterior, tem poucos alvos conhecidos e listava seis vítimas no site, três delas com dados já publicados, e na página de perguntas frequentes se apresenta como quem faz "pentest" para expor falhas e responsabilizar os controladores de dados. ## Duas versões ainda sem confirmação A distância entre o que a universidade diz, alguns dispositivos de usuários sem acesso aos servidores, e o que o grupo afirma, 36.000 máquinas e o domínio inteiro, ainda não foi resolvida por nenhuma fonte independente, e a quantidade de máquinas e a lista de dados vêm só da reivindicação do próprio BYOD. O UNM Health recomendou a pacientes, funcionários e alunos atenção a mensagens não solicitadas e a tentativas de phishing, e o The Record lembra que este é o segundo grande ataque do ano a um hospital estadual de grande porte, depois do que paralisou por semanas o centro médico da Universidade do Mississippi em março. --- # Julgamento de ex-policial em Boston usa dados do celular da vítima para reconstituir a última hora de Sandra Birchmore - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/julgamento-farwell-birchmore-pericia-do-celular-linha-do-tempo/ - Fonte original: Boston.com, https://www.boston.com/crime/live/live-updates-matthew-farwell-trial-sandra-birchmore-oct-28-2026/, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, metadados, celular, julgamento federal, Massachusetts, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Julgamento de ex-policial em Boston usa dados do celular da vítima para reconstituir a última hora de Sandra Birchmore", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/julgamento-farwell-birchmore-pericia-do-celular-linha-do-tempo/ ## O que importa - Os dados do iPhone de Sandra Birchmore mostram o último bloqueio às 21h13 de 1º de fevereiro de 2021, a câmera aberta sem desbloqueio às 21h18 e oito passos às 21h40, enquanto as câmeras do prédio registram o ex-policial Matthew Farwell entrando às 21h14 e saindo às 21h43. - O perito da polícia estadual que examinou o celular de Farwell em 2021 não achou mensagens com a vítima, e os investigadores federais depois acharam cerca de 40 mil mensagens entre os dois. - A acusação encerrou a apresentação de provas em 28 de outubro de 2026, Farwell se declara inocente e a defesa sustenta que Birchmore se matou. A última testemunha da acusação no julgamento federal de Matthew Farwell, ex-policial de Stoughton, Massachusetts (Estados Unidos), acusado de matar Sandra Birchmore, de 23 anos, e de montar a cena para parecer suicídio, foi a perita em perícia digital Jessica Hyde, que em 28 de outubro de 2026 mostrou ao júri, minuto a minuto, o que o iPhone da vítima registrou na noite de 1º de fevereiro de 2021, quando a promotoria afirma que ela foi morta. ## O caso Birchmore, que estava grávida, foi encontrada morta no apartamento dela em Canton, a morte foi registrada primeiro como suicídio pelo instituto médico-legal do estado, que hoje a classifica como de causa indeterminada, e a investigação estadual nunca resultou em acusação, segundo o Boston Globe. O FBI assumiu o caso em outubro de 2023, depois de denúncias de dois policiais e de um civil, e Farwell foi indiciado em agosto de 2024 por matar uma vítima ou testemunha, acusação federal que obriga a promotoria a provar que ele matou Birchmore para esconder provas de outros crimes, entre eles relações sexuais com ela quando ainda era menor de idade, quando ele era policial. Farwell se declara inocente e, se condenado, pode pegar prisão perpétua, e a defesa sustenta que Birchmore tinha histórico de problemas de saúde mental e se matou depois de ele terminar o relacionamento. ## A linha do tempo do celular Segundo a NBC 10 (WJAR) e o Boston.com, às 21h07 Farwell perguntou por mensagem se podia passar no apartamento, Birchmore respondeu que sim, e às 21h13 ela mandou a última mensagem, dizendo que a porta estava aberta, quase no mesmo momento em que o celular foi bloqueado pela última vez. Às 21h14, as câmeras de segurança registram Farwell entrando no prédio, e às 21h18 os metadados mostram o aplicativo da câmera aberto sem que o celular fosse desbloqueado, o que, segundo Hyde, indica que alguém interagiu com o aparelho, já que a câmera pode ser acessada com a tela bloqueada. Às 21h40min22s o celular registrou os últimos passos, oito ao todo, numa distância de 6m, às 21h40min44s o botão liga/desliga foi apertado pela última vez, e às 21h43 as câmeras mostram Farwell saindo do prédio. Hyde também mostrou ao júri o gráfico da bateria, que foi carregada pela última vez às 18h, teve uso constante até as 21h e depois caiu devagar até o celular desligar pouco antes da meia-noite de 3 de fevereiro, uma queda que, segundo ela, indica que o aparelho não estava sendo usado, e o celular continuou bloqueado até desligar. A defesa contesta que Farwell ainda estivesse no apartamento quando os passos foram registrados, e Hyde também falou ao júri de duas buscas feitas no celular depois que, entre 7h45 e 7h55 daquela manhã, imagens do Facebook, entre elas a de uma fita roxa, ficaram em cache no aparelho, uma sobre o significado da fita roxa e outra sobre a cor da fita do suicídio, em que as palavras finais vieram do recurso de autocompletar. Hyde, que já depôs nos julgamentos de Karen Read, contou ainda que tentou extrair dados de saúde de um Apple Watch que parece ser o que estava no corpo de Birchmore, mas não conseguiu obter contagem de passos nem frequência cardíaca. ## O exame estadual e o exame federal Em 15 de outubro de 2026, o analista forense digital Nicholas Guarino, que hoje trabalha como civil para a promotoria do condado de Norfolk e antes era policial estadual lotado nela, disse que em 9 de fevereiro de 2021, a pedido do investigador da polícia estadual John Fanning, fez a extração do iPhone 11 pessoal de Farwell, limitada às mensagens trocadas com Birchmore, e que, ao buscar o número dela, nada apareceu, e o celular foi devolvido a ele, segundo o Boston Globe. A promotoria afirma que Farwell só autorizou a busca por mensagens com Birchmore e que, quando deu a autorização, já tinha apagado todas elas e dito isso aos investigadores, enquanto a defesa diz que ele permitiu uma busca mais ampla do que a descrita no julgamento. No mesmo dia, segundo a NBC 10, Farwell pesquisou no celular funcional se um iMessage apagado podia ser recuperado pelo Cellebrite, programa de extração de dados usado pela polícia. Guarino contou ainda que recebeu três aparelhos de Birchmore, um iPhone 12, um iPhone XS e um MacBook, que a ferramenta GrayKey tirou do iPhone 12 informações que incluíam a senha de uma conta de entrega de comida usada depois para abrir o notebook, e que as mensagens estavam também no MacBook porque o computador era sincronizado com o celular. Eram tantas mensagens que os computadores do escritório travavam, e por isso Fanning, tenente da polícia estadual que chefiava a investigação, passou a lê-las direto no notebook de Birchmore, o que, segundo Guarino, alterou dados do aparelho, embora houvesse uma cópia da extração original, e a defesa anunciou que o perito dela vai dizer que essa revisão manual mudou os dados. Do lado federal, o examinador forense digital do FBI Christopher Beckstrom disse em 16 de outubro de 2026 que o celular de Birchmore tinha cerca de 240 mil comunicações, perto de 10% delas com Farwell, e, segundo documentos da promotoria citados pelo Boston Globe, os investigadores federais acharam cerca de 40 mil mensagens entre os dois, muitas das quais a polícia estadual não tinha examinado. A agente especial do FBI Heidi Kelsch, uma das principais investigadoras do caso, disse ao júri que leu "linha por linha centenas de milhares de mensagens" e que conferiu o que elas diziam em prontuários médicos e registros escolares, e a investigação ouviu cerca de 130 testemunhas. ## Estado atual do julgamento A acusação encerrou a apresentação de provas em 28 de outubro de 2026, depois de mais de três dezenas de testemunhas em quase três semanas, entre elas um perito independente que disse ao júri que Birchmore foi estrangulada, e a defesa pediu a absolvição sem que o caso fosse ao júri, enquanto a juíza-chefe Denise Casper decidiu que há provas suficientes de que o réu tornou Birchmore indisponível como testemunha. Nessa decisão, a juíza citou entre os elementos de prova o fato de Farwell ser a última pessoa com Birchmore quando o celular dela parou de se mover, segundo a NBC Boston. A defesa começou a chamar as próprias testemunhas no mesmo dia e previa ouvir em seguida a médica-legista-chefe do estado, Mindy Hull, enquanto a juíza pretende ter as alegações finais na quinta ou na sexta-feira da semana seguinte, e os advogados de Farwell ainda não disseram se ele vai depor. --- # Vazamentos em série no Japão expõem dezenas de milhões de registros, e nenhuma empresa revelou por onde o invasor entrou - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/onda-de-vazamentos-de-dados-no-japao-capcom-burger-king-terceirizadas/ - Fonte original: BleepingComputer, https://www.bleepingcomputer.com/news/security/capcom-confirms-data-breach-affecting-117-million-accounts/, 22.Out.2026 (inglês) - Marcadores: vazamento de dados, Japão, ataque hacker, terceirizadas, resposta a incidentes - Como citar: NEXO CAUSAL, "Vazamentos em série no Japão expõem dezenas de milhões de registros, e nenhuma empresa revelou por onde o invasor entrou", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/onda-de-vazamentos-de-dados-no-japao-capcom-burger-king-terceirizadas/ ## O que importa - Burger King Japan, Capcom, Sony Network Communications, Lawson e a fabricante de karaokê Daiichi Kosho comunicaram em outubro de 2026 incidentes que, somados, passam de 36 milhões de registros de clientes. - Em pelo menos dois casos, o da Daiichi Kosho e o da Japan Airlines, o ponto de entrada foi um fornecedor, e a Capcom diz ter identificado o método de intrusão sem divulgá-lo. - A primeira-ministra Sanae Takaichi reuniu o gabinete em 26 de outubro de 2026 e prometeu um pacote de medidas de emergência contra ataques cibernéticos. Uma sequência de vazamentos de dados atingiu grandes empresas japonesas em outubro de 2026, com a Burger King Japan, a Capcom, a Sony Network Communications, a rede de lojas de conveniência Lawson e a fabricante de karaokê Daiichi Kosho comunicando incidentes que, somados, passam de 36 milhões de registros de clientes, e em nenhum dos comunicados a empresa explicou como o invasor conseguiu o primeiro acesso aos sistemas, segundo a cobertura do BleepingComputer e do The Record. ## Os casos, um a um A Burger King Japan informou, em comunicado de quinta-feira, 15 de outubro de 2026, que uma investigação concluída em 13 de outubro confirmou acesso não autorizado ao sistema que gerencia os membros do aplicativo oficial entre 2 e 7 de outubro de 2026, com vazamento de 11,18 milhões de registros que incluem nome, data de nascimento, gênero, e-mail, telefone e histórico de pedidos, e a empresa diz que o servidor não guardava número de cartão e que não achou indício de acesso às senhas dos usuários. A Daiichi Kosho, maior fabricante de karaokê do Japão e operadora da rede Big Echo, contou que a Nippon Columbia, grupo de entretenimento a quem terceiriza o tratamento dos dados de clientes, avisou em 5 de outubro de 2026 que havia encontrado um programa malicioso no computador de um funcionário e isolou a máquina no dia seguinte, o que expôs registros de 93.000 empregados e 8.631.000 clientes, com nome, gênero, data de nascimento, e-mail e telefone. A Lawson anunciou em 8 de outubro de 2026 o vazamento de 2.155.345 registros por acessos não autorizados ao Lawson ID entre 12 e 14 de setembro e a um serviço de reservas pelo aplicativo em 17 de setembro, este último com 26 registros que incluíam parte do número do cartão, segundo o ASCII.jp. A Capcom, dona de séries como Resident Evil e Street Fighter, confirmou em 22 de outubro de 2026 que invasores entraram no CAPCOM ID, o sistema de contas usado nos serviços on-line da empresa, e expuseram mais de 11,7 milhões de e-mails de clientes com a data de criação da conta, o último acesso, o número de acessos e o endereço IP usado no último login. A Sony Network Communications, provedora de internet do grupo Sony, divulgou em 27 de outubro de 2026 que a base de membros do serviço So-net foi acessada em 19 de outubro e que a invasão só foi detectada quatro dias depois, quando a empresa desligou os servidores comprometidos, num total de 2.585.481 registros, dos quais 2.141.986 do So-net e 443.495 do plala, serviço que atende clientes da operadora NTT Docomo, além de 54.401 endereços de e-mail que vazaram junto com as senhas das contas. ## O que os comunicados mostram e o que escondem Os comunicados seguem um padrão parecido, com data de detecção, tipo de dado exposto, aviso à Comissão de Proteção de Informações Pessoais (Personal Information Protection Commission) e alerta contra golpes por e-mail, mensagem e telefone, mas nenhum diz qual foi o vetor de acesso inicial, que é o ponto de partida de qualquer perícia em incidente desse tipo. A Capcom é o caso mais explícito, porque afirma ter identificado o método de intrusão durante a investigação e adotado medidas para evitar repetição, mas não compartilhou nenhum detalhe sobre como o acesso começou, e a data em que a invasão começou não foi esclarecida, já que a empresa só detectou a atividade suspeita e confirmou o acesso indevido em 19 de outubro de 2026 e, no dia seguinte, concluiu que dados de clientes tinham sido comprometidos. O comunicado da Capcom mostra o que o invasor fez lá dentro: em 43 contas também ficaram expostos data de nascimento, gênero, apelido e país, e em outras 196 os invasores trocaram a senha de login para tirar o acesso dos donos, que a empresa depois redefiniu, e a ocorrência foi comunicada à polícia em 21 de outubro de 2026. A Burger King Japan diz que ainda apura, com ajuda de especialistas externos em segurança, como o servidor foi acessado, e a Sony informou à comissão japonesa que investiga a causa e a extensão do incidente, enquanto a Daiichi Kosho afirma que os próprios sistemas não foram invadidos e que a Nippon Columbia redefiniu senhas e credenciais e apura a causa e o alcance do problema. ## O fornecedor como porta de entrada No caso da Daiichi Kosho, o dado saiu de um computador de outra empresa, a Nippon Columbia, contratada para tratar as informações dos clientes, e o BleepingComputer registrou que não encontrou comunicado público da Nippon Columbia sobre o incidente e que a Daiichi Kosho ainda não confirmou se os dados foram de fato copiados ou publicados. A Japan Airlines entrou na lista em 28 de outubro de 2026 por um caminho parecido, ao informar que a Amadeus, empresa que opera os sistemas de reserva, emissão de bilhetes e check-in da companhia, foi invadida e que dados de reserva de 92.000 clientes foram acessados, com número de passaporte, número de passageiro frequente, e-mail e telefone de cerca de 2.000 deles, segundo o The Record. O histórico da própria Capcom mostra por que o vetor importa para a investigação, porque em novembro de 2020 a empresa sofreu um ataque reivindicado pelo grupo de ransomware Ragnar Locker e só em abril de 2021 divulgou que os invasores tinham entrado por um equipamento de VPN antigo. ## A contagem do ano e a reação do governo O pesquisador Yutaka Sejiyama, da empresa de segurança Macnica, contou 119 incidentes com roubo ou exposição de dados pessoais no Japão neste ano e observou que os atacantes vasculham sites e APIs em busca de falhas de controle de acesso, de configuração e de autenticação, além de explorar vulnerabilidades já conhecidas, as chamadas n-day. A primeira-ministra Sanae Takaichi reuniu o gabinete na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, numa reunião centrada nos ataques cibernéticos, e prometeu um pacote de medidas de emergência, dizendo, segundo o Japan Times citado pelo The Record, que a situação é grave, que cresce a preocupação com danos causados pelo uso indevido das informações vazadas e que o país precisa reforçar as contramedidas com urgência. Até as datas dos comunicados, nenhuma das empresas tinha confirmado uso indevido dos dados vazados, e todas pediram aos clientes atenção a e-mails, mensagens e ligações que imitem a marca para pedir senha, pagamento ou dados pessoais, como os e-mails falsos que, segundo a NTT Docomo, imitam o programa d POINT Club e uma campanha do parque Universal Studios Japan para dizer ao destinatário que ele ganhou ingressos e pedir os dados dele. --- # Roubo de US$ 387 milhões da Bitget: falha de dia zero em equipamento de segurança, rastreamento automatizado e atribuição à Coreia do Norte - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/roubo-bitget-rastreamento-blockchain-ia-coreia-do-norte/ - Fonte original: Chainalysis, https://www.chainalysis.com/blog/387m-bitget-theft-2026/, 01.Out.2026 (inglês) - Marcadores: Bitget, criptomoedas, rastreamento em blockchain, Coreia do Norte, resposta a incidentes - Como citar: NEXO CAUSAL, "Roubo de US$ 387 milhões da Bitget: falha de dia zero em equipamento de segurança, rastreamento automatizado e atribuição à Coreia do Norte", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/roubo-bitget-rastreamento-blockchain-ia-coreia-do-norte/ ## O que importa - Invasores tiraram cerca de US$ 387,5 milhões das carteiras quentes da corretora Bitget em 24 de setembro de 2026, e as perícias da SlowMist e da Mandiant apontam que eles entraram por dois equipamentos de segurança de terceiros com falhas de dia zero. - A Chainalysis diz que, com automação feita por inteligência artificial, reduziu de mais de 20 horas para menos de 10 minutos a conciliação das transferências entre blockchains. - A Chainalysis atribui o ataque a agentes norte-coreanos, e em 30 de outubro de 2026 disse ter visto fundos do ataque à Binance se misturarem aos da Bitget. O roubo de cerca de US$ 387,5 milhões da corretora de criptomoedas Bitget, em 24 de setembro de 2026, virou um caso de estudo de perícia digital nas duas pontas, porque as investigações das empresas SlowMist e Mandiant reconstruíram pelos registros dos sistemas como os invasores entraram, e a empresa de análise de blockchain Chainalysis publicou em 1º de outubro de 2026 como seguiu o dinheiro por quatro redes com ferramentas automatizadas por inteligência artificial e atribuiu o ataque a agentes da Coreia do Norte. ## A detecção e o tamanho da perda Os sistemas de segurança da Bitget detectaram transferências não autorizadas das carteiras quentes e mornas às 18h31 em UTC (15h31 em Brasília), a corretora suspendeu os saques e informou inicialmente uma perda de US$ 351,6 milhões, número que subiu para US$ 387,5 milhões no dia seguinte, depois do rastreamento e da classificação das transações, segundo o BleepingComputer. A diretora-executiva da Bitget, Gracy Chen, afirmou que o invasor comprometeu um sistema interno da infraestrutura de carteiras, falsificou os dados das transações e acionou o próprio processo de autorização da corretora para tirar os fundos, sem roubar chaves privadas e sem atingir as carteiras frias, e a TRM Labs comparou o método ao do roubo da Bybit, em fevereiro de 2025, em que também se manipulou o que os responsáveis pela autorização viam. ## Como o invasor entrou Em 30 de setembro de 2026, a Bitget divulgou que duas investigações separadas, uma da empresa de segurança em blockchain SlowMist e outra da Mandiant, braço de defesa cibernética do Google Cloud, concluíram que os invasores chegaram ao ambiente de carteiras depois de comprometer dois equipamentos de segurança de terceiros com falhas de dia zero, ainda desconhecidas do fabricante, segundo o BleepingComputer. A SlowMist registrou que a atividade maliciosa mais antiga nos registros disponíveis é de 31 de agosto de 2026, quando um serviço num dos nós do equipamento chamado de produto A foi afetado pela falha, e o invasor rodou um script oculto sob o processo desse serviço, leu a variável de ambiente que guardava a senha do banco de dados e se conectou ao banco, com atividade parecida em outros dois nós em 23 e 25 de setembro. A Mandiant descreveu que, em 24 de setembro de 2026, o invasor obteve acesso privilegiado aos equipamentos A e B, instalou uma web shell no equipamento B, abriu uma conexão de comando e controle e, a partir dali, passou ao servidor de produção que executa as tarefas das carteiras, onde instalou pacotes maliciosos e uma ferramenta própria de saque usada no roubo. Pela linha do tempo da SlowMist, a primeira transferência saiu às 2h31 de 25 de setembro no fuso UTC+8 e a última às 5h23, quase três horas de ataque em várias redes, o que corresponde ao intervalo das 15h31 às 18h23 de 24 de setembro em Brasília. ## O rastreamento do dinheiro Nas três primeiras horas, os US$ 387 milhões saíram da Bitget em 23 transferências para quatro redes, com 49,7% em Ethereum, 40,8% em XRP, 7,6% em Zcash e 1,8% em Tron, e a partir daí os invasores usaram protocolos de liquidez e de mensagens entre blockchains, trocas instantâneas e serviços de lavagem, segundo a Chainalysis. O caso do XRP foi o que mais exigiu dos peritos, porque os invasores não mandaram a moeda para uma corretora, e sim para um protocolo de liquidez entre redes que recebe um ativo numa blockchain e entrega outro em outra, de onde saiu bitcoin, sem conta nem intermediário ligando os dois lados, mas com registro público de cada troca, e os investigadores casaram cada depósito com o pagamento correspondente para estender a trilha. Dezenas de milhões de dólares passaram por esse caminho em cerca de um dia e meio até chegar a endereços de bitcoin controlados pelos invasores, que agora estão sob monitoramento, e a Chainalysis estima que a automação reduziu de mais de 20 horas para menos de 10 minutos esse trabalho manual de conciliação entre redes. A empresa ressalta que a inteligência artificial acelerou e não substituiu os investigadores, que definiram a lógica, revisaram os resultados e conduziram a apuração, e que os rótulos que marcam os endereços com dinheiro roubado entraram na plataforma minutos depois de identificados, para que corretoras e polícias pudessem agir. A TRM Labs observou que parte do ether e do XRP foi dividida em carteiras novas com valores redondos, de cerca de 10.000 ETH ou 20 milhões de XRP, que ficaram paradas, e que outra parte passou pela THORChain rumo ao bitcoin em cadeias de descasque (peel chains), e, segundo o site Decrypt, a Circle e a Tether congelaram cerca de US$ 318.000 em stablecoins ligados ao ataque. ## A atribuição A Bitget citou endereços IP ligados a serviços de VPN associados a um grupo hacker norte-coreano, a TRM encontrou sobreposição com carteiras usadas para lavar os roubos da Bybit e da AFX Bridge, atribuídos ao grupo TraderTraitor, mas ressalvou que não tinha atribuição definitiva e que outro autor ainda era tecnicamente possível, e a Chainalysis atribuiu o ataque a agentes ligados à Coreia do Norte, o que leva o total roubado por eles em 2026 a mais de US$ 1 bilhão. O caso voltou ao centro das investigações em 30 de outubro de 2026, quando a Chainalysis afirmou que a prova mais forte para atribuir ao TraderTraitor o ataque à [Binance](/artigos/ataque-hacker-binance-notebook-engenheiro-rastreamento-blockchain/) foi ver, em tempo real, fundos roubados da Binance se misturando aos fundos do roubo da Bitget. --- # Engenheiro filmado pondo cádmio na água de colega em Berkeley consegue extinguir a condenação - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Toxicologia forense - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/engenheiro-berkeley-envenenou-colega-com-cadmio-condenacao-extinta/ - Fonte original: Newsweek, https://www.newsweek.com/man-secretly-poisoning-co-worker-caught-camera-12560940, 13.Out.2026 (inglês) - Marcadores: cádmio, envenenamento, metal pesado, prova em vídeo, Califórnia, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Engenheiro filmado pondo cádmio na água de colega em Berkeley consegue extinguir a condenação", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/engenheiro-berkeley-envenenou-colega-com-cadmio-condenacao-extinta/ ## O que importa - Uma câmera escondida pela própria vítima filmou o engenheiro David Xu despejando uma substância na garrafa de água da colega Rong Yuan, e o exame achou cádmio em concentração 3,5 milhões de vezes acima do limite federal para água potável. - Acusado de tentativa de homicídio, ele não contestou uma única acusação de envenenamento e recebeu dois anos de liberdade condicional. - Em 12 de outubro de 2026, um juiz do condado de Alameda extinguiu a condenação, apesar da oposição da promotoria, e a vítima divulgou os vídeos. Um juiz do Tribunal Superior do condado de Alameda, na Califórnia (Estados Unidos), extinguiu na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, a condenação por envenenamento do engenheiro David Xu, que foi filmado por uma câmera escondida pondo cádmio, um metal pesado tóxico, na garrafa de água da colega Rong Yuan, e a vítima, que diz conviver até hoje com problemas de saúde, divulgou os vídeos depois da decisão. ## Os sintomas e a câmera Os dois trabalhavam na Berkeley Engineering and Research, uma empresa de engenharia de Berkeley, onde Yuan, metalurgista, começou a ter em 2017 sintomas que nenhum médico conseguia explicar, como vômitos, ânsia de vômito e queda de cabelo, segundo a Newsweek, o San Francisco Standard e a emissora KGO, da rede ABC. A virada veio quando a mãe de Yuan percebeu um cheiro estranho na garrafa de água da filha, e, como lavar a garrafa não resolveu, Yuan instalou uma pequena câmera na própria mesa para descobrir se alguém mexia nela. "Nunca esperei flagrar alguém, foi só uma rotina de engenheira: se você tem um problema, pensa na causa raiz", disse ela à KGO. As gravações de 11 de fevereiro de 2019 mostram Xu se aproximando da mesa e estendendo a mão para onde ficava a garrafa, e as de 4 de março de 2019 mostram ele despejando na garrafa uma substância tirada de um recipiente pequeno, segundo a Newsweek. Yuan levou as imagens à polícia na mesma hora, e foram esses vídeos que abriram a investigação criminal, de acordo com o San Francisco Standard. ## O que o exame encontrou O exame da água identificou cádmio, e uma das amostras tinha o metal em concentração 3,5 milhões de vezes acima do limite federal para água potável, segundo o laudo examinado pela KGO. Yuan e os pais também tiveram resultado positivo para intoxicação por cádmio, o que ela atribui ao fato de a família ter usado água da mesma garrafa para cozinhar, e o relatório da polícia de Berkeley citado pelo San Francisco Standard diz que Xu pôs cádmio na comida e na água da colega em várias ocasiões. Xu, que trabalhava como engenheiro de materiais na mesma empresa, foi preso em março de 2019 e acusado de tentativa de homicídio premeditado e de dois crimes de envenenamento, acusações que podiam levar à prisão perpétua. ## Do risco de prisão perpétua à condicional Em setembro de 2023, num acordo oferecido pela promotoria na gestão da então promotora Pamela Price, Xu deixou de contestar (no contest) uma única acusação de envenenamento, em troca de um ano de liberdade condicional e de um dia de prisão já cumprido, segundo o San Francisco Standard. Na sentença, em março de 2024, o juiz ampliou a condicional para dois anos e chamou o acordo de "extremamente generoso, considerando tudo neste caso", e Yuan, que pediu cerca de US$ 500 mil de reparação, recebeu US$ 7.058. Xu terminou a condicional em março de 2026 e, em julho, pediu ao tribunal que extinguisse a condenação com base na seção 1203.4 do Código Penal da Califórnia, que garante esse direito a quem cumpre todas as condições da condicional, desde que não esteja cumprindo outra pena, em condicional por outro crime nem respondendo a nova acusação. ## A decisão de 12 de outubro A audiência foi conduzida pelo juiz Pelayo Llamas, Yuan compareceu e leu uma declaração de impacto da vítima, a promotoria se opôs ao pedido, e Xu não apareceu nem em pessoa nem por vídeo, sendo representado pelo advogado por Zoom, segundo o relato da vítima ao San Francisco Standard. Segundo o mesmo jornal, tribunais de apelação da Califórnia já decidiram que o juiz só pode negar esse pedido quando o crime está numa lista curta de exceções, e o envenenamento não está nela. A atual promotora do condado de Alameda, Ursula Jones Dickson, disse à Newsweek que, em 2023, o caso foi resolvido com uma acusação de envenenamento, dois anos de condicional e nenhum dia a mais de prisão, e que a promotoria se juntou às vítimas para se opor ao pedido, que o tribunal concedeu "apesar das objeções". A medida, que costuma ser chamada de "expungement", não apaga o caso, porque a polícia continua vendo a prisão e a condenação, que pode ser usada contra Xu numa nova acusação e precisa ser declarada em pedidos de cargo público e de licenças estaduais e municipais, mas ele deixa de ser obrigado a informá-la a empregadores privados. ## As consequências para a vítima Yuan disse que teve um infarto em 2023, que hoje só consegue trabalhar meio período e que o pai, também intoxicado pela água que a mãe usou para cozinhar, morreu de insuficiência cardíaca no outono do ano passado. "O cádmio pode permanecer no corpo humano por décadas, e temo que os efeitos continuem a prejudicar nossa saúde pelo resto da vida", disse ela no tribunal, segundo o San Francisco Standard. Ela afirma que ainda não sabe por que Xu a escolheu, e, depois da decisão, disse à KGO que ele não merece uma segunda chance e que "envenenamento não é algo como ficar com raiva de repente e perder o controle, é planejado". Xu não respondeu aos pedidos de comentário do San Francisco Standard. --- # FTC processa empresa de Ohio que vendia perícia digital a vítimas de sextorsão e entregava relatórios fabricados - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ftc-processa-digital-forensics-corp-laudos-falsos-sextorsao/ - Fonte original: Federal Trade Commission (FTC), https://www.ftc.gov/node/337803, 13.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, sextorsão, fraude, FTC, Ohio, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "FTC processa empresa de Ohio que vendia perícia digital a vítimas de sextorsão e entregava relatórios fabricados", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ftc-processa-digital-forensics-corp-laudos-falsos-sextorsao/ ## O que importa - A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) acusa a Digital Forensics Corporation de ter recebido pelo menos US$ 60 milhões de vítimas de sextorsão por serviços que não prestava. - Segundo a ação, a empresa cobrava de US$ 1.499 a US$ 20.000 por rastreamento, relatório de investigação e contato com a polícia, e entregava transcrições de conversa inventadas e localizações reaproveitadas. - Um tribunal federal de Ohio suspendeu temporariamente as atividades da empresa e do dono, Dmitry Belkin, enquanto o processo corre. A Federal Trade Commission (FTC), a agência federal de defesa do consumidor dos Estados Unidos, processou em 13 de outubro de 2026 a Digital Forensics Corporation, empresa de Ohio que se apresentava como especialista em perícia digital, sob a acusação de ter levado vítimas de sextorsão a pagar pelo menos US$ 60 milhões por investigações que não fazia, com relatórios montados com dados inventados. ## O que a empresa vendia Sextorsão é o crime em que alguém ameaça divulgar fotos íntimas ou informações sexuais da vítima, em geral para familiares e empregadores, se ela não pagar, e era a vítimas em pânico com esse tipo de ameaça que a empresa se dirigia, com anúncios no Google, no YouTube e no X, segundo a FTC. Pelo pacote que chamava de Fase 1, a empresa cobrava de US$ 1.499 a US$ 20.000 e prometia interromper o ataque, localizar o criminoso com uma "campanha de rastreamento", conversar com ele, entregar um relatório de investigação detalhado, comunicar o crime à polícia e mandar uma notificação extrajudicial, segundo a ação descrita pelo The Record. Depois vinha a Fase 2, vendida por mais alguns milhares de dólares como algo oferecido só em casos raros, embora, segundo a ação, todos os clientes fossem pressionados a comprá-la, com a promessa de monitorar continuamente as contas da vítima e a internet inteira contra novos ataques e de continuar avisando a polícia. A ação diz que o esquema funcionou de fevereiro de 2023 a julho de 2026 e atinge, além da empresa, o dono e diretor-executivo, Dmitry Belkin, e outras onze empresas ligadas a ele. ## O que a FTC diz que era falso Segundo a queixa citada pelo The Record, em vez de falar com o criminoso pela conta da vítima, os funcionários costumavam só mudar as configurações da conta para bloquear as mensagens dele, algo que a própria vítima podia fazer sozinha, e, em vez de obter informações de investigação, fabricavam transcrições de conversa. A empresa também reaproveitava coordenadas de localização já salvas, em geral da Nigéria e das Filipinas, para convencer os clientes de que tinha achado o criminoso, e, segundo a FTC, não comunicava o caso à polícia. "Os réus se apresentam falsamente como especialistas em perícia digital, dizendo que conseguem rastrear e identificar quem pratica a sextorsão, impedir a divulgação do material explícito e trabalhar com a polícia para levar os criminosos à Justiça", diz a queixa, segundo o The Record. A FTC também acusa os funcionários de dizer às vítimas que a polícia não as ajudaria e de mandar que não bloqueassem o criminoso e deixassem a comunicação com a empresa, ao contrário da orientação do FBI, que recomenda ignorar e bloquear quem pratica a sextorsão, conduta que, segundo a queixa, os funcionários chamavam de "a última coisa que você quer fazer". ## Medo sob medida e avaliações compradas As ligações de venda seguiam um roteiro adaptado ao medo de cada vítima, e, segundo a ação, militares ouviam que podiam ser expulsos das Forças Armadas por má conduta, enquanto pessoas casadas eram avisadas de que o criminoso podia procurar o cônjuge e os sogros. A FTC também acusa a empresa de criar avaliações positivas falsas, com funcionários na Índia e com motoristas de Uber pagos para publicar depoimentos com fotos encenadas sem nunca ter usado o serviço, de pressionar clientes a avaliar antes de receber o serviço e de esconder as avaliações negativas. Clientes insatisfeitos eram mandados a sites falsos do Better Business Bureau (BBB), a entidade americana que registra reclamações contra empresas, e Ericka Dilworth, vice-presidente de operações do BBB da região de Cleveland, disse à emissora News 5 Cleveland que os consumidores achavam que falavam com o BBB, mas os sites eram controlados pela empresa. Muitos clientes pediram reembolso com base na política do contrato e não foram atendidos, e alguns ouviram que só teriam devolução parcial se apagassem as avaliações negativas, segundo a queixa citada pelo The Record. ## A decisão e o que vem agora A ação foi proposta no tribunal federal do Distrito Norte de Ohio, que atendeu ao pedido da FTC e suspendeu temporariamente as atividades da empresa e de Belkin enquanto o processo corre, e a Comissão aprovou a ação por 2 votos a 0. A FTC acusa os réus de violar a lei que criou a própria agência (FTC Act), a regra de vendas por telefone (Telemarketing Sales Rule), a regra sobre avaliações e depoimentos de consumidores (Reviews and Testimonials Rule) e a lei Gramm-Leach-Bliley, que trata da proteção de dados financeiros, por obter informações financeiras com declarações falsas. "A Digital Forensics se aproveita de consumidores que já estão em crise", disse Christopher Mufarrige, diretor do Bureau of Consumer Protection, o departamento de defesa do consumidor da FTC, e a agência agradeceu ao BBB de Cleveland e ao National Center for Missing & Exploited Children, centro americano de proteção a crianças desaparecidas e exploradas. A FTC lembra que só entra com uma ação quando tem motivo para acreditar que a lei está sendo violada, e que quem decide o caso é o tribunal, enquanto o The Record informa que a agência recebeu centenas de reclamações sobre a empresa, que não respondeu aos pedidos de comentário do veículo nem da News 5 Cleveland. Em março de 2025, o jornal USA Today já tinha publicado uma reportagem com acusações parecidas, segundo a qual a empresa oferecia parcelamento com juros de até 18% e ligava dezenas de vezes para cobrar os clientes. Na reportagem da News 5 Cleveland, o BBB e o FBI orientam as vítimas de sextorsão a não pagar, a parar de responder e bloquear o criminoso, a guardar as mensagens como prova e a denunciar o crime à polícia, e lembram que há serviços gratuitos para pedir a retirada das imagens, como o Take It Down, para menores, e o StopNCII, para adultos. --- # Prédio que desabou em Istambul tinha andares fora da licença com ordem de demolição de 1989 nunca cumprida, aponta laudo preliminar - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/desabamento-predio-maltepe-istambul-andares-sem-licenca/ - Fonte original: Turkish Minute (agência AFP), https://turkishminute.com/2026/10/09/death-toll-rises-to-5-in-istanbul-building-collapse/, 09.Out.2026 (inglês) - Marcadores: desabamento, construção irregular, laudo pericial, Istambul, Turquia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Prédio que desabou em Istambul tinha andares fora da licença com ordem de demolição de 1989 nunca cumprida, aponta laudo preliminar", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/desabamento-predio-maltepe-istambul-andares-sem-licenca/ ## O que importa - Os três andares inferiores de um prédio de sete pavimentos de 1987 cederam na madrugada de 8 de outubro de 2026 no bairro de Cevizli, em Maltepe, no lado asiático de Istambul, e cinco pessoas morreram, entre elas três crianças. - O laudo pericial preliminar concluiu que o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto andares foram construídos fora da licença e que as ordens de demolição desses andares, de 1989 e 1990, nunca foram executadas. - O arquiteto responsável técnico e o encarregado da obra foram presos, e dois inspetores do Ministério do Interior apuram se servidores públicos falharam na fiscalização. O laudo pericial preliminar sobre o prédio que desabou parcialmente em Maltepe, no lado asiático de Istambul, na Turquia, concluiu que quatro andares foram construídos fora da licença e que as ordens de demolição desses andares, emitidas em 1989 e 1990, nunca foram cumpridas, segundo o jornal turco Milli Gazete, que noticiou o documento em 9 de outubro de 2026, um dia depois do desabamento que matou cinco pessoas, entre elas três crianças. ## O desabamento O prédio ficava na rua Doğu, no bairro de Cevizli, e por volta das 5h40 da quinta-feira, 8 de outubro de 2026, os três andares inferiores cederam e deixaram os quatro de cima apoiados sobre os escombros, segundo a agência AFP, reproduzida pelo Turkish Minute. O edifício tinha térreo e mais seis andares, com uma loja no térreo e moradias nos andares de cima, num total de 12 apartamentos e 33 moradores registrados, e nos três pavimentos que desabaram ficavam a loja e quatro apartamentos, segundo o Milli Gazete. Nove pessoas foram retiradas com vida dos escombros, o risco de novo desabamento dificultou o resgate e levou à retirada preventiva de 55 moradores dos arredores, e as buscas terminaram às 6h15 da sexta-feira, 9 de outubro de 2026, quando as equipes chegaram ao corpo da última vítima, segundo o gabinete do governador de Istambul. ## Andares que não estavam na licença O prédio foi construído em 1987, segundo o governador de Istambul, Davut Gül, e o vice-prefeito de Istambul, Nuri Aslan, disse que o subsolo, o térreo e os dois primeiros andares seguiam as normas da época, enquanto os demais foram acrescentados depois. A prefeita de Maltepe, Esin Köymen, afirmou que os registros do arquivo municipal mostram que os dois andares de cima foram construídos sem licença depois da emissão do habite-se, e que a prefeitura não tinha recebido reclamação anterior sobre o prédio, cuja licença de construção original foi emitida pela prefeitura vizinha de Kartal, porque a de Maltepe ainda não existia, segundo o site turco soL. O laudo preliminar dos peritos foi além da conta da prefeita e apontou quatro andares fora da licença, o terceiro, o quarto, o quinto e o sexto, e registrou que a fiscalização lavrou autos de embargo por causa dessas irregularidades e que o conselho executivo municipal (encümen) decidiu demolir esses pavimentos em 14 de agosto de 1989 e em 11 de junho de 1990, decisões que não foram executadas, segundo o Milli Gazete. Com isso, a irregularidade não foi descoberta só agora, porque já tinha sido objeto de atos oficiais há cerca de 36 anos, e a investigação passou a examinar também o histórico de obra e de fiscalização do prédio. ## Trincas desde abril A gerente de uma loja do térreo disse à imprensa turca que tinha notado trincas na estrutura desde abril, informação reproduzida pela AFP, e ainda não há conclusão técnica que ligue o desabamento ao acréscimo de andares, como ressalvou o Milli Gazete no dia do acidente. Durante a remoção dos escombros, os técnicos retiraram amostras de concreto dos pilares, os chamados testemunhos, para exame em laboratório, e alguns prédios vizinhos foram esvaziados e lacrados por precaução, segundo o soL. ## Quem responde A promotoria do lado asiático de Istambul abriu investigação e designou um promotor-chefe adjunto e dois promotores para o caso, e o Ministério do Interior nomeou dois inspetores para verificar se servidores públicos tiveram responsabilidade por negligência ou falha no planejamento, na construção ou nas alterações do prédio, segundo a agência turca DHA citada pela AFP. O arquiteto que assinou como responsável técnico na licença de construção e o encarregado da obra foram detidos em 8 de outubro de 2026 e presos por decisão judicial no dia seguinte, e o laudo preliminar aponta culpa dos dois e também dos proprietários e dos construtores, segundo o soL e o Milli Gazete. O construtor do prédio morreu em 2016, segundo o soL, e a investigação também deve examinar a responsabilidade dos servidores que assinaram os documentos de licença do edifício. ## Contexto Istambul e outras regiões da Turquia passam por um programa de renovação urbana que pretende substituir prédios antigos e vulneráveis a terremotos por moradias mais seguras, e a causa do desabamento de Maltepe ainda não foi oficialmente estabelecida, porque o laudo divulgado até agora é preliminar e depende dos exames técnicos que seguem em andamento. --- # Caixa-preta da balsa Filo Jet, que naufragou em Kyrenia, foi desligada dois dias antes do acidente - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/naufragio-filo-jet-kyrenia-caixa-preta-desligada/ - Fonte original: Cyprus Mail, https://cyprus-mail.com/2026/10/09/kyrenia-ferrys-black-box-was-turned-off-days-before-it-sank-2, 09.Out.2026 (inglês) - Marcadores: naufrágio, caixa-preta, registrador de dados de viagem, Filo Jet, Chipre, Turquia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Caixa-preta da balsa Filo Jet, que naufragou em Kyrenia, foi desligada dois dias antes do acidente", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/naufragio-filo-jet-kyrenia-caixa-preta-desligada/ ## O que importa - A balsa Filo Jet afundou em 30 de agosto de 2026 logo depois de sair de Kyrenia, no norte de Chipre, rumo a Taşucu, na Turquia, com 259 passageiros e oito tripulantes, e 27 pessoas morreram. - Em audiência de 9 de outubro de 2026, a polícia disse que o registrador de dados de viagem estava desligado desde a noite de 28 de agosto, sem nenhuma gravação do dia do naufrágio. - As gravações anteriores registram tripulantes falando de entrada de água, falhas no leme e no gerador e do risco de o barco afundar, e nove pessoas seguem presas. A caixa-preta da balsa Filo Jet, que afundou em 30 de agosto de 2026 ao sair de Kyrenia, no norte de Chipre, estava desligada desde dois dias antes do naufrágio, e por isso não existe nenhuma gravação do dia do acidente, segundo o que a polícia informou ao tribunal distrital de Kyrenia em 9 de outubro de 2026, numa das audiências do processo contra as nove pessoas presas depois do desastre. ## O naufrágio A Filo Jet, balsa de passageiros da empresa Filo Denizcilik, saiu do porto novo de Kyrenia pouco depois do meio-dia de domingo, 30 de agosto de 2026, com destino a Taşucu, na província de Mersin, no sul da Turquia, levando 259 passageiros e oito tripulantes, e afundou pouco depois da partida. Morreram 27 pessoas, e uma pessoa continua desaparecida, segundo o Cyprus Mail e o Hürriyet Daily News, enquanto nove pessoas estão presas e são investigadas por causar mortes por negligência: o comandante, Mustafa Öz, sete tripulantes e um diretor da Filo Denizcilik. No dia seguinte ao acidente, um representante da polícia disse ao tribunal que o número de passageiros não passava da capacidade da embarcação, que ela era tecnicamente capaz de navegar com ondas de até 3m e que o serviço meteorológico do norte de Chipre tinha considerado as condições adequadas para a travessia. O mesmo representante informou que o barco tinha sofrido um acidente doze anos antes, foi reparado na Turquia e comprado pela Filo Denizcilik em 2024, e que, em junho, a sociedade classificadora Türk Loydu, de Istambul, o tinha declarado em condições de navegar. ## A caixa-preta desligada A caixa-preta da Filo Jet é o registrador de dados de viagem (voyage data recorder, VDR), e é o conteúdo desse equipamento que a polícia vem apresentando ao tribunal a cada audiência. Segundo o jornal Yenidüzen, citado pelo Cyprus Mail, o último registro disponível no aparelho é o som de passos gravado às 20h39 de 28 de agosto, e nada foi gravado em 30 de agosto. O representante da polícia disse ao tribunal que o equipamento "é responsabilidade do comandante" e que o departamento de portos do norte de Chipre "não foi informado" da decisão de desligá-lo, como a lei exige. As gravações anteriores, de acordo com o site Gündem Kıbrıs, também citado pelo Cyprus Mail, trazem conversas sobre falhas técnicas, uma em que alguém diz que "este barco não vai aguentar a temporada" e outras sobre a entrada de água no barco em viagens anteriores, com participação do comandante Öz. ## O que mais as gravações mostram Na audiência de 16 de outubro de 2026, a polícia relatou ao tribunal conversas sobre falhas no gerador de energia, no escapamento e no leme, e numa delas o imediato, que também está preso, diz que "o barco precisa de uma revisão completa". Sobre o leme, a polícia citou uma conversa em que alguém conta que, numa viagem anterior, o barco "chegou muito perto de outra embarcação" por causa da falha, e outra gravação menciona que "outro comandante" bateu com o navio em Yumurtalık, na província turca de Adana, um comandante que, segundo a polícia, já foi identificado. Nessa mesma audiência, a polícia informou que peças recuperadas do barco estão sendo examinadas por engenheiros navais e que foi aberta uma investigação sobre um mecânico que, acredita-se, sabia de todas as falhas, embora ele ainda não seja suspeito. Em 23 de outubro de 2026, o Hürriyet Daily News relatou que os tripulantes discutiam problemas no sistema de direção, no radar, nas câmeras e no casco de boreste, reclamavam do pouco investimento da operadora no navio e temiam que as falhas fizessem o barco afundar, e que o comandante seguiu viagem apesar de a tripulação falar de água entrando na embarcação. Numa das gravações, segundo o mesmo jornal, o segundo maquinista diz que "somos a única coisa inteira neste navio, todo o resto está meio quebrado". Também em 23 de outubro de 2026 foi dito no tribunal que, numa viagem anterior, passageiros entraram na cabine do comandante e pediram que ele voltasse ao porto, assustados com o estado do barco. ## A trinca no casco e a licença do comandante Em setembro, o tribunal ouviu que uma trinca apareceu no lado esquerdo da embarcação quase dois meses antes do naufrágio, e fotos recuperadas do celular do imediato mostram que o reparo foi feito em 17 de junho pelo próprio comandante e pela tripulação, num porto de Chipre, sem aviso às autoridades do norte da ilha, embora a empresa e o comandante fossem obrigados a avisar. O reparo aconteceu apenas 15 dias depois da certificação da Türk Loydu, e, embora o certificado diga que vale até 2029, a base de dados da classificadora na internet o mostra como "inválido", sem que se saiba se isso foi registrado antes ou depois do naufrágio. O tribunal também ouviu que Öz, cuja licença turca de comandante tinha perdido a validade depois de dez anos sem exercer a função, obteve uma licença hondurenha por US$ 3.500, por meio de contatos na Grécia e usando o número da licença turca antiga. ## Estado atual da investigação Até 23 de outubro de 2026, a polícia tinha examinado 32 dias de gravações do registrador, e o Cyprus Mail informou que faltavam 34, enquanto o Hürriyet Daily News fala em 68 dias gravados no total. Uma equipe de peritos da Turquia e um especialista de uma universidade turca vão participar da investigação, um engenheiro naval já examinou partes dos destroços trazidas à terra ou arrastadas pelo mar, e os nove presos passaram por avaliação psiquiátrica. A cada audiência o tribunal tem prorrogado a prisão dos nove por mais sete dias, e, segundo o Hürriyet Daily News, a polícia ampliou para seis o número de pessoas procuradas por suspeita de responsabilidade no desastre. As famílias das vítimas têm se reunido diante do tribunal de Kyrenia nos dias de audiência e pedem que, além do comandante e da tripulação, sejam levados à Justiça os que autorizaram a viagem, outros dirigentes da Filo Denizcilik e representantes da autoridade portuária. --- # Ataque hacker forçou degelo em refrigeradores de centenas de supermercados na França e provocou incêndios - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/hackers-refrigeracao-supermercados-franca-degelo-incendios/ - Fonte original: Al Jazeera, https://www.aljazeera.com/news/2026/10/13/unprecedented-cyberattack-hits-french-supermarkets-causing-food-losses, 13.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ataque cibernético, refrigeração comercial, sistemas conectados, incêndio, França - Como citar: NEXO CAUSAL, "Ataque hacker forçou degelo em refrigeradores de centenas de supermercados na França e provocou incêndios", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/hackers-refrigeracao-supermercados-franca-degelo-incendios/ ## O que importa - Na noite de 11 para 12 de outubro de 2026, invasores tomaram o controle remoto de controladores de refrigeração ligados à internet e levaram balcões e câmaras frias de centenas de supermercados franceses a até 50°C, com perda de alimentos e incêndios. - A maior parte dos equipamentos atingidos eram controladores Danfoss antigos, sem atualização de segurança ou com firmware desatualizado, e a agência francesa de cibersegurança ampliou depois o alerta a sistemas Copeland e Dixell. - A promotoria de Paris abriu investigação conduzida pelo escritório de combate ao crime cibernético, e até agora ninguém reivindicou o ataque nem pediu resgate. Um ataque cibernético na noite de 11 para 12 de outubro de 2026 tomou o controle remoto dos sistemas de refrigeração de centenas de supermercados na França, elevou a temperatura de geladeiras e freezers a até 50°C, estragou alimentos e provocou incêndios em algumas lojas, segundo a Al Jazeera, e a promotoria de Paris confirmou que o ataque, de "grande escala", atingiu "refrigeradores conectados em várias grandes redes de varejo alimentar" e causou "perdas de alimentos e incêndios". ## Como o ataque funcionou Os corredores de refrigerados dos supermercados costumam ser comandados por painéis de controle que gerenciam todas as geladeiras e freezers da loja e podem ser acessados pela internet, o que permite às empresas de manutenção ajustar os equipamentos à distância, e foi por esse caminho que os invasores entraram e acionaram à distância o degelo forçado dos sistemas de refrigeração em muitas lojas, segundo a emissora francesa BFM TV, citada pela Al Jazeera. Segundo o jornal Le Monde, citado pela SecurityWeek, os invasores alongaram os ciclos de degelo de uma hora para até oito horas, o que atrasou o disparo dos alarmes, e na rede Intermarché os equipamentos ficaram a 50°C durante seis horas e todos os alimentos foram descartados, de acordo com o grupo Les Mousquetaires, dono da rede. A promotoria fala em incêndios entre os danos, mas as fontes consultadas não detalham em quantas lojas houve fogo nem como ele começou em cada caso. ## O equipamento atingido Uma fonte do gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu disse à Reuters que a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI) identificou uma vulnerabilidade em software da empresa dinamarquesa Danfoss, que reconheceu incidentes na França com "um número limitado de sistemas de gestão de refrigeração" e disse que as unidades afetadas "rodavam firmware desatualizado". A Danfoss informou depois que a maioria dos aparelhos atingidos eram dos modelos AK-SM 800, sem suporte desde maio de 2021, e AK-SC 355, descontinuado em 2016, ambos em fim de vida e sem atualizações de segurança, e que alguns controladores atuais AK-SM 800A com firmware desatualizado também foram afetados, segundo a SecurityWeek. Em 9 de agosto de 2026, a empresa de segurança Claroty tinha detalhado falhas no AK-SM 800A, já corrigidas, que permitiam contornar a autenticação e executar código nos aparelhos, e na convenção DEF CON, em agosto, a equipe Team82 da Claroty mostrou como usar um mecanismo oculto de autenticação por "código do dia" e uma falha de injeção de comandos para assumir o controle desses equipamentos, segundo o Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP). A Danfoss tinha lançado em agosto de 2025 uma atualização de firmware contra essas falhas, mas a Claroty contou 2.765 controladores da marca expostos na internet, e até agora nem a Danfoss nem as autoridades francesas ligaram o ataque às falhas publicadas pela Claroty, nem foi divulgado o mecanismo exato da invasão. ## O alerta oficial O CERT-FR, centro de resposta a incidentes ligado à ANSSI, publicou em 12 de outubro de 2026 um alerta sobre "numerosos comprometimentos" dos controladores remotos de refrigeração Danfoss das séries AK-SM e AK-SC, ampliado no dia seguinte aos supervisores Copeland XWEB e Dixell XWEB, e lembrou que expor uma interface de gestão na internet contraria as boas práticas. O alerta manda tirar da internet os aparelhos expostos em endereço IP público, conferir toda a configuração, em especial os horários de degelo, restabelecer o acesso só por VPN segura ou rede protegida, atualizar o firmware, trocar as senhas padrão e, nos aparelhos comprometidos, reiniciar ou restaurar a configuração de fábrica antes de reconfigurá-los. O CERT-FR adverte que as campanhas de ataque provavelmente continuam e que, num equipamento em fim de vida mantido na internet, a restauração de fábrica apaga a presença do invasor, mas deixa o aparelho vulnerável e quase certamente sujeito a nova invasão. ## Tamanho do estrago Os números cresceram com o passar dos dias, e o ministro das Finanças, Roland Lescure, disse a parlamentares que cerca de 700 dos aproximadamente 10 mil supermercados da França foram atingidos, depois de estimativas iniciais de 300 a 350 lojas, segundo a SecurityWeek. A rede Carrefour informou 80 lojas atingidas, a Monoprix cerca de 5% das suas aproximadamente 490 lojas e o grupo Les Mousquetaires, dono do Intermarché e do Netto, falou em 300 lojas ao OCCRP, enquanto o presidente da Coopérative U, Dominique Schelcher, disse que 80 das quase 2 mil lojas do grupo foram alvo e que, na maioria dos casos, a intervenção das equipes evitou a quebra da cadeia do frio. O presidente do Intermarché, Thierry Cotillard, disse à BFM TV que o ataque representaria perdas de "dezenas de milhões de euros no país inteiro num único dia", e dois supermercados da Alsácia relataram prejuízo de €270 mil. O analista Félix Aimé, da empresa Sekoia, disse à Reuters que lojas na Espanha, em Portugal, na Polônia, na Alemanha e na Bélgica também foram afetadas, sem dar detalhes. ## A investigação A seção de crimes cibernéticos da promotoria de Paris abriu investigação e a entregou ao Escritório Anticibercrime (Office anti-cybercriminalité, OFAC), com o objetivo de "identificar as vítimas e estabelecer a ligação entre o incidente e os danos" relatados por elas, "especialmente a deterioração de alimentos e o início de incêndios", segundo o OCCRP. A falta de reivindicação por ativistas ou de pedido de resgate intrigou os investigadores, segundo uma fonte ouvida pela Reuters, e Ken Munro, da empresa britânica Pen Test Partners, disse que o caso é de "higiene cibernética básica", porque as falhas eram conhecidas e as interfaces estavam abertas na internet. A empresa de varredura Censys contou quase 3 mil painéis Danfoss expostos na internet em 11 de outubro de 2026, mais de 1.800 deles na França, e em 14 de outubro de 2026 o número francês tinha caído para 537, com versões corrigidas e não corrigidas sumindo no mesmo ritmo, sinal de que os operadores estavam desligando os aparelhos da rede em vez de atualizá-los. O caso também abriu a discussão sobre responsabilidade, porque o grupo Les Mousquetaires afirmou que os sistemas de refrigeração eram administrados pela Danfoss e que cabe ao fornecedor apresentar queixa às autoridades, segundo a Bloomberg, citada pela SecurityWeek. --- # Carteiras Ledger vendidas por revendedora do Sudeste Asiático tinham chip espião que roubava as frases de recuperação - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/carteiras-ledger-chip-espiao-implante-frases-de-recuperacao/ - Fonte original: BleepingComputer, https://www.bleepingcomputer.com/news/security/ledger-confirms-hardware-wallet-spy-implant-behind-crypto-thefts/, 12.Out.2026 (inglês) - Marcadores: Ledger, carteira de hardware, ataque à cadeia de suprimentos, criptomoedas, rastreamento em blockchain - Como citar: NEXO CAUSAL, "Carteiras Ledger vendidas por revendedora do Sudeste Asiático tinham chip espião que roubava as frases de recuperação", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/carteiras-ledger-chip-espiao-implante-frases-de-recuperacao/ ## O que importa - A Ledger confirmou em 10 de outubro de 2026 que carteiras vendidas pela revendedora CryptoBilis tinham um implante escondido que lia na tela as 24 palavras da frase de recuperação e as enviava pela rede de celular. - A desmontagem feita por pesquisadores mostrou microcontrolador, eSIM e módulo LTE dentro do aparelho, e a verificação de autenticidade da própria Ledger não detecta esse tipo de acréscimo. - Empresas de análise de blockchain estimam o desvio entre US$ 86 milhões e US$ 103,4 milhões, números que a Ledger diz ainda não ter verificado. A Ledger, fabricante de carteiras de hardware para criptomoedas com sede em Paris, confirmou que aparelhos vendidos pela CryptoBilis, revendedora com sede na Malásia que atua no Sudeste Asiático, foram adulterados com um implante de hardware que capturava a frase de recuperação dos compradores e permitia esvaziar as carteiras, segundo reportagem de Bill Toulas no BleepingComputer publicada em 12 de outubro de 2026. ## Como o caso começou Em 9 de outubro de 2026, depois de relatos de usuários que viram suas criptomoedas sumirem, a Ledger abriu uma investigação e pediu à CryptoBilis que parasse de vender e despachar seus aparelhos, e no mesmo dia o analista de blockchain conhecido como Specter disse ter rastreado mais de US$ 86 milhões em supostos desvios no Ethereum, na Tron e no Bitcoin. No dia seguinte, 10 de outubro de 2026, a empresa confirmou que o aparelho de um dos usuários atingidos tinha um implante de hardware não autorizado, e depois informou que todos os relatos de esvaziamento de carteira estavam ligados a aparelhos vendidos pela CryptoBilis. Durante a configuração, a carteira mostra na tela uma frase de recuperação de 24 palavras com a qual qualquer pessoa consegue restaurar a carteira em outro aparelho e mover os fundos. ## O que a perícia do hardware encontrou Mark Karpelès, que dirige o Karpeles Lab e é diretor de tecnologia da Shells.com, publicou a foto de um implante num Ledger Nano X comprado, segundo ele, numa plataforma conhecida de um vendedor chinês com envio da Malásia, e explicou que o circuito ficava escondido atrás da tela, capturava a imagem do visor e os toques nos botões para identificar a frase e a transmitia ao invasor por conexão LTE com um eSIM. O estúdio de pesquisa Tibane Labs confirmou o achado e examinou duas versões do implante em aparelhos Nano X, um comprado de um vendedor da China na Amazon do Japão, com envio da Malásia, e outro arrematado num leilão do Yahoo! no Japão. No primeiro aparelho, o invasor trocou a bateria original por uma menor, que alimentava ao mesmo tempo o implante e a carteira, e debaixo da bateria e da antena estavam um microcontrolador ST STM32G431KBU6, um eSIM minúsculo de 2×2mm ao lado dele e um módulo LTE blindado que enviava as palavras. No segundo, mais avançado e aparentemente igual ao descrito por Karpelès, o implante funcionava com a bateria original, ocupava o espaço da espuma que fica sob a tela OLED e tinha as marcações do microcontrolador e do eSIM raspadas para esconder a identificação das peças. Nos dois casos, o sinal que denunciava a adulteração era o fio da antena, e os pesquisadores observaram que um dos exemplares usava uma placa de circuito flexível projetada e encomendada a um fabricante de placas, e não uma peça montada à mão. A equipe de segurança da própria Ledger, a Ledger Donjon, descreveu em 13 de outubro de 2026 o mesmo funcionamento: o implante fica dentro da carcaça, lê o que aparece na tela e, quando reconhece as telas da frase de recuperação, o microcontrolador decodifica as palavras e as transmite por LTE usando um eSIM já habilitado, sem alterar o chip de segurança (Secure Element), o sistema operacional da carteira, as transações ou as assinaturas. Por isso o mecanismo de verificação de autenticidade da Ledger, o Genuine Check, não ajuda nesse caso, porque a própria empresa avisa que ele não detecta implantes acrescentados quando o Secure Element original continua intacto. ## O rastreamento na blockchain A empresa de análise Bitquery contou US$ 93,2 milhões retirados de 315 carteiras em seis blockchains (Tron, Bitcoin, Ethereum, BNB Chain, Polygon e Solana), com a maior saída na Tron, cerca de US$ 70,5 milhões, e numa análise de 12 de outubro de 2026 chegou a cerca de US$ 102 milhões em 324 carteiras, enquanto os pesquisadores da YFarmX contaram 530 endereços atingidos e US$ 103,4 milhões em perdas. Segundo a Bitquery, o invasor começou a sacar em 9 de outubro de 2026 e esvaziou carteiras nas seis redes em 47 minutos, com 111 endereços de bitcoin esvaziados num único bloco e 25 carteiras da Tron assinando a mesma autorização de transferência de USDT em três segundos, o que lhe permitiu retirar cerca de 29 milhões de USDT em segundos. A empresa também encontrou pelo menos 21 operações de teste na Tron e 20 no Ethereum nas duas semanas anteriores ao ataque, em que o autor mandava pequenas quantias para pagar taxas, pedia autorizações de transferência e devolvia os ativos, sequência que, para a Bitquery, indica que um único invasor ou um sistema automatizado já tinha as chaves de muitas carteiras antes do saque. A Tether bloqueou 37 endereços ligados ao ataque, 20 deles com cerca de US$ 10 milhões em USDT, mas o invasor trocou cerca de US$ 14,9 milhões por USDD, uma stablecoin que a Tether não consegue congelar, e passou cerca de 2.990 ETH pelo misturador Tornado Cash antes de convertê-los em Zcash. ## A investigação fora da Ásia Em 13 de outubro de 2026, a MediaMarkt Saturn, uma das maiores redes de eletrônicos da Europa, suspendeu com a concordância da Ledger a venda das carteiras nas lojas e na internet, depois do relato de um implante feito por um cliente na Alemanha, caso em que a Ledger diz não ter havido perda de fundos. Um usuário da rede X identificado como Johannes afirmou ter achado cabos extras e módulos de celular em dois aparelhos comprados em lojas diferentes da MediaMarkt, cujo estoque, segundo os registros da loja, veio da distribuidora Aqipa GmbH, e no mesmo dia Karpelès disse ter confirmado um implante num Ledger Flex comprado no aeroporto de Singapura, mas a Ledger não confirmou ligação entre esses aparelhos e o caso da CryptoBilis. A CryptoBilis suspendeu a venda e o envio de carteiras de todas as marcas na Indonésia, na Malásia e nas Filipinas e fechou temporariamente as lojas físicas, enquanto a Trezor e a OneKey tiraram a revendedora das suas redes de parceiros. ## O que ainda não está confirmado A Ledger afirma que não confirmou o número total de vítimas nem o valor perdido, que os números que circulam vêm de terceiros e não foram totalmente verificados, e que não sabe ainda como nem quando os aparelhos foram adulterados. A empresa pede a quem perdeu fundos ou tem um aparelho adulterado que registre ocorrência na polícia e não abra nem envie o aparelho a ninguém antes de falar com o suporte da Ledger ou com as autoridades, e diz que a Ledger Donjon vai analisar os aparelhos que receber. --- # Chave privada que era o número 4 leva a indiana eMudhra a deixar o mercado mundial de certificados de sites - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/emudhra-chaves-fracas-autoridades-certificadoras-tls/ - Fonte original: The Record (Recorded Future News), https://therecord.media/indian-tech-company-announces-withdrawal-certificate-business-incident, 22.Out.2026 (inglês) - Marcadores: certificado digital, autoridade certificadora, criptografia, eMudhra, Índia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Chave privada que era o número 4 leva a indiana eMudhra a deixar o mercado mundial de certificados de sites", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/emudhra-chaves-fracas-autoridades-certificadoras-tls/ ## O que importa - As chaves privadas de oito certificados intermediários da autoridade certificadora indiana eMudhra eram números menores que 256, em vez de valores aleatórios de 384 bits, e qualquer pessoa podia recuperá-las em menos de um segundo. - A empresa atribuiu o erro a um script com defeito usado na cerimônia de geração de chaves de abril de 2025, falha que passou por duas auditorias independentes antes de ser descoberta. - Navegadores bloquearam os certificados em poucos dias, e em 22 de outubro de 2026 a eMudhra anunciou a saída do mercado global de certificados SSL/TLS. A eMudhra, uma das poucas autoridades certificadoras raiz da Índia aceitas pelos grandes navegadores, anunciou que vai sair voluntariamente do mercado global de certificados SSL/TLS depois que as chaves privadas de oito dos seus certificados intermediários se revelaram tão fracas que Firefox, Chrome e Apple passaram a bloqueá-los, segundo reportagem de Jonathan Greig no The Record, da Recorded Future News. ## Uma chave que qualquer um adivinha Um certificado de site prova ao navegador que ele está falando com o servidor verdadeiro, e quem tem a chave privada de uma autoridade certificadora pode emitir certificados que os navegadores aceitam, por isso o Google, a Mozilla e outras empresas alertaram que essas chaves permitiriam a um atacante emitir certificados HTTPS falsos para sites que não controla e, se conseguisse interceptar a conexão do usuário, se passar pelo site e ler ou alterar o tráfego. Uma chave privada desse tipo deveria ser um número aleatório com mais de 100 dígitos, mas cada uma das oito era menor que 256, de modo que basta testar no máximo 256 valores para encontrá-la, segundo o Help Net Security. O pesquisador de segurança Scott Helme, um dos que recuperaram as chaves, escreveu que uma delas "é o número 4", não um número que começa com 4 nem o 4 seguido de algumas centenas de dígitos aleatórios, que outra era 56 e outra 115, e que recuperou todas a partir dos certificados públicos no próprio notebook em menos de um segundo, e outros pesquisadores acharam chaves como 66, 155, 156, 230 e 237, segundo o The Register. Helme explicou que uma chave privada P-384 deveria ser um número aleatório de 384 bits, o que dá 2³⁸⁴ possibilidades, cerca de 10¹¹⁵, um espaço que ninguém conseguiria vasculhar, e observou que, num caso comum de chave comprometida, alguém a rouba num momento identificável, enquanto aqui a chave foi, na prática, pública desde o dia em que o certificado existiu. ## Como a falha foi descoberta Um pesquisador identificado como Wayne encontrou o problema em 17 de outubro de 2026 ao rodar uma verificação na base de dados comum das autoridades certificadoras (Common CA Database, CCADB) e, para provar que as chaves estavam comprometidas, assinou com cada uma delas a mensagem "We have a problem here" e mandou o relatório para Apple, Google, Microsoft, Mozilla e eMudhra. A Mozilla recebeu o relatório às 20h06 em UTC daquele sábado (17h06 em Brasília), e Dennis Jackson, da equipe de engenharia de criptografia da Mozilla, tornou o incidente público em 20 de outubro de 2026 no fórum de política de segurança da organização. Pelo relatório de incidente da Mozilla, as oito chaves saíram de um lote de 24 intermediários gerado pela eMudhra em 30 de abril de 2025, seis deles usados para emitir certificados de sites e dois para assinatura de código, e todos os oito tinham sido assinados de forma cruzada pela autoridade certificadora Sectigo em maio de 2025. ## A causa apontada pela empresa No sistema de registro de falhas da Mozilla, a eMudhra atribuiu o problema a um script com defeito usado na cerimônia de geração de chaves de abril de 2025, que criou um segundo conjunto de chaves fracas cujos rótulos se pareciam com os das chaves geradas corretamente, e os funcionários escolheram as fracas ao preparar os certificados. A empresa admitiu erros humanos em várias etapas do processo, disse que vai reexaminar todas as cerimônias de chaves que já fez e afirmou que a falha passou despercebida por 18 meses e por duas auditorias independentes antes que um pesquisador chegasse às chaves fracas por engenharia reversa. Segundo a eMudhra, só um dos intermediários chegou a entrar em produção e nenhum foi usado para emitir certificados a clientes, e o Google relatou não ter encontrado nos registros públicos de transparência de certificados (Certificate Transparency) nenhum certificado ligado aos intermediários afetados antes do bloqueio, mas não se sabe se alguém recuperou e usou as chaves antes de a falha ser relatada. ## Revogação e bloqueio O Chrome e o Firefox bloquearam os certificados no dia do relatório, a eMudhra os revogou em 18 de outubro de 2026, a Apple fez o bloqueio no dia 19 e a Microsoft no dia 20, e o presidente do conselho da eMudhra, V. Srinivasan, disse que a revogação ocorreu em até 14 horas depois da descoberta e que não houve invasão da infraestrutura nem vazamento de dados. A Mozilla retirou a confiança na raiz emSign ECC Root CA G3, que tinha assinado os oito intermediários, e o Google informou que a remoção dessa raiz do Chrome chegaria a todos os aparelhos na manhã de 27 de outubro de 2026, no horário do Pacífico, enquanto a eMudhra parou de emitir por essa raiz e estima em cerca de 30.000 os certificados de clientes que precisam ser trocados. O Ministério de Eletrônica e Tecnologia da Informação da Índia disse que investiga o incidente, e o CERT-In, centro indiano de resposta a incidentes, alertou que quem explorasse as chaves poderia se passar por sites legítimos, interceptar ou alterar dados e também fazer um programa malicioso parecer assinado por um fornecedor confiável. ## O risco fora do navegador Os navegadores já estão protegidos, mas aplicativos, servidores e aparelhos que não recebem informação de revogação ainda podem confiar nos certificados, alertou Helme, e Brian Fox, cofundador da Sonatype, lembrou que os intermediários só venceriam em abril de 2040 e que contêineres antigos, aparelhos embarcados e ferramentas com lista própria de certificados podem continuar confiando neles até serem atualizados. A fornecedora de Java Azul afirmou que o Java não verifica a revogação de certificados por padrão, de modo que um kit de desenvolvimento sem atualização poderia aceitar um certificado falso assinado com uma das chaves comprometidas, e por isso a empresa incluiu os oito certificados na lista de bloqueio das suas distribuições. ## A saída do mercado Em 22 de outubro de 2026, cinco dias depois do relatório, o conselho da eMudhra decidiu deixar o mercado global de certificados SSL/TLS, que segundo Srinivasan responde por cerca de 1% da receita da empresa, que ofereceu aos clientes certificados emitidos pela Sectigo, manteve em funcionamento as raízes G1 RSA durante a transição e prometeu entregar aos programas de raízes dos navegadores um relatório completo de causa-raiz. --- # Invasão do FBI pelo ShinyHunters começou num sistema PeopleSoft sem atualização, e terceirizado foi afastado - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/fbi-invadido-shinyhunters-peoplesoft-terceirizada-presos/ - Fonte original: BleepingComputer, https://www.bleepingcomputer.com/news/security/fbi-arrests-another-suspected-shinyhunters-hacker-after-agency-breach/, 09.Out.2026 (inglês) - Marcadores: FBI, ShinyHunters, Oracle PeopleSoft, vazamento de dados, atualização de segurança - Como citar: NEXO CAUSAL, "Invasão do FBI pelo ShinyHunters começou num sistema PeopleSoft sem atualização, e terceirizado foi afastado", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/fbi-invadido-shinyhunters-peoplesoft-terceirizada-presos/ ## O que importa - O FBI atribuiu a invasão do seu portal de vagas a uma plataforma administrada por terceiros em que um contratado não aplicou uma atualização de segurança publicada para protegê-la. - O grupo ShinyHunters diz ter entrado pelo Oracle PeopleSoft e avançado até a nuvem AWS GovCloud do FBI, de onde afirma ter levado de 2TB a 3TB de dados de funcionários e candidatos. - Um suspeito foi detido na Jordânia e passou a colaborar com a investigação, e um executivo canadense de segurança foi preso na Pensilvânia em outubro de 2026. O FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, concluiu que a invasão do seu portal de vagas e recursos humanos, reivindicada pelo grupo de extorsão ShinyHunters em setembro de 2026, aconteceu numa plataforma administrada por terceiros, depois que um contratado deixou de aplicar uma atualização de segurança publicada justamente para protegê-la, e nas semanas seguintes as investigações levaram à detenção de um suspeito na Jordânia e à prisão de um executivo canadense na Pensilvânia, segundo o BleepingComputer. ## A reivindicação e o caminho alegado Em 22 de setembro de 2026, o ShinyHunters disse ao BleepingComputer que tinha usado na noite de segunda-feira uma falha desconhecida do Oracle PeopleSoft, sistema de gestão de pessoal, que permite executar código à distância, para entrar nos sistemas do FBI e depois se mover lateralmente até a infraestrutura do FBI na nuvem AWS GovCloud, onde ficavam dados de funcionários e candidatos. O grupo afirmou ter levado entre 2TB e 3TB de dados, com informações de funcionários atuais e antigos, de candidatos a vagas, registros médicos e psiquiátricos e registros de serviços internos, e mostrou ao site uma captura de tela do portal apply.fbijobs.gov desfigurado com o logotipo do grupo e o aviso de que os dados tinham sido comprometidos. Segundo o próprio grupo, o FBI percebeu a intrusão rapidamente, tirou os sistemas afetados do ar e cortou ao mesmo tempo o acesso a várias redes, e o ShinyHunters disse também ter tentado apagar dos servidores os rastros da sua atividade para dificultar a identificação da falha usada. Na época, o FBI confirmou apenas que investigava as alegações de atividade não autorizada no FBIjobs.gov, e o BleepingComputer registrou que não tinha conseguido verificar de forma independente a falha, o movimento lateral nem o volume de dados. ## A confirmação pelas amostras As amostras de dados enviadas pelo grupo ao BleepingComputer e a outros veículos confirmaram depois que a invasão expôs informações de funcionários como endereços residenciais, números do Social Security, designações de trabalho sensíveis e dados de familiares, e o site 404 Media verificou que parte de uma amostra de cerca de 5.000 supostos registros de funcionários era verdadeira, inclusive telefones que correspondiam a pessoas do Departamento de Justiça com os mesmos nomes. O The New York Times informou que um memorando interno do FBI partia do princípio de que todos os funcionários tinham sido atingidos, e a Reuters noticiou que os dados expostos incluíam prontuários médicos e psiquiátricos, endereços de agentes de inteligência humana e descrições detalhadas das funções de contrainteligência de funcionários identificados pelo nome, segundo o site Hackread. ## A causa apontada pelo FBI Brett Leatherman, diretor-assistente da Divisão Cibernética do FBI, disse à Reuters que a análise feita até então mostrava que o incidente resultou de uma falha de segurança de uma plataforma administrada por uma organização terceirizada, depois que um contratado deixou de implementar uma atualização de segurança publicada explicitamente para proteger a plataforma, e que o FBI afastou esse contratado e tomou medidas para limitar novos riscos e proteger os funcionários, segundo reportagem do Hackread de 6 de outubro de 2026. O FBI não identificou o contratado, a plataforma nem a empresa que a administrava, mas duas fontes disseram à Reuters que o software era o Oracle PeopleSoft e que o prestador de serviço era a Accenture, que respondeu ter orgulho de apoiar a missão do FBI e não comentou o contratado nem a atualização que não foi aplicada. ## A falha conhecida e o desvio do firewall A empresa de resposta a incidentes Mandiant, do Google, já tinha documentado a exploração pelo ShinyHunters da falha CVE-2026-35273, que permite executar código à distância sem autenticação no componente Environment Management do PeopleSoft, usada como falha de dia zero entre 27 de maio e 9 de junho de 2026, sobretudo contra universidades, e corrigida pela Oracle em junho, embora a Mandiant não tenha ligado publicamente suas observações à invasão do FBI. Em relatório noticiado pelo BleepingComputer em 26 de setembro de 2026, a Mandiant e o Threat Intelligence Group do Google relataram que o grupo passou a escapar das regras de firewall de aplicação web (WAF) que bloqueavam o endereço vulnerável /PSEMHUB/, trocando a letra P pelo código %50, de modo que o firewall, que compara o caminho literal antes de decodificá-lo, deixava passar o pedido, enquanto o servidor Oracle WebLogic decodificava a letra e o entregava ao componente vulnerável. Com esse desvio, o grupo instalou web shells em dezenas de sistemas PeopleSoft pelo mundo, inclusive em servidores cujos operadores tinham criado regras no firewall sem instalar a atualização da Oracle, e por isso a Mandiant recomenda aplicar a correção em vez de confiar no firewall e procurar nos registros de acesso do WebLogic pedidos a /PSEMHUB/ e a variações codificadas como /%50SEMHUB/. O ShinyHunters confirmou ao BleepingComputer que usou esse desvio contra o FBI Jobs, mas continua a afirmar que também explorou uma falha nova e desconhecida no mesmo componente PSEMHUB. ## Detenções e prisões Segundo a Reuters, autoridades da Jordânia detiveram no fim de setembro de 2026 Saif al-Din Khader, suspeito conhecido na internet como "Rey", que, de acordo com uma fonte, passou a mostrar aos investigadores seus aparelhos eletrônicos e comunicações digitais para ajudar a localizar outros integrantes do grupo, detenção que o FBI não confirmou publicamente. Em 9 de outubro de 2026, o diretor do FBI, Kash Patel, anunciou na rede X a prisão de mais um suspeito de ser coautor do ataque, e o The New York Times informou que se tratava de um cidadão canadense preso na Pensilvânia e considerado um dos principais envolvidos na invasão. No dia seguinte, o Politico e o KrebsOnSecurity identificaram o preso como Edward Dubrovsky, de 54 anos, executivo de empresas que ajudam vítimas de ransomware a negociar pagamentos, detido quando participava de uma conferência de segurança na Pensilvânia e transferido para o Distrito Leste do Texas, onde o processo sob sigilo lista acusações de conspiração e extorsão, embora o FBI não tenha confirmado publicamente a ligação dele com o caso. Segundo o FBI, o ShinyHunters e grupos associados invadiram mais de 140 organizações e receberam mais de US$ 70 milhões em pagamentos de extorsão no último ano, e o principal representante do grupo, que falava com jornalistas pelo Telegram, parou de responder, enquanto um novo site de vazamentos do ShinyHunters entrou no ar, sinal de que parte da operação continua ativa. --- # Revisão forense amplia vazamento da Legal Aid Agency, no Reino Unido, até registros de 1978 - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/vazamento-legal-aid-agency-revisao-forense-registros-desde-1978/ - Fonte original: GOV.UK (Legal Aid Agency), https://www.gov.uk/government/news/legal-aid-agency-cyber-security-incident-data-update-october-2026, 14.Out.2026 (inglês) - Marcadores: vazamento de dados, análise forense, ataque cibernético, Legal Aid Agency, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Revisão forense amplia vazamento da Legal Aid Agency, no Reino Unido, até registros de 1978", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/vazamento-legal-aid-agency-revisao-forense-registros-desde-1978/ ## O que importa - Dezoito meses depois do ataque de abril de 2025, a Legal Aid Agency confirmou em 14 de outubro de 2026 que cerca de 250 mil registros roubados são anteriores a 2007, e o mais antigo verificado é de 1978. - A análise também achou, no mesmo material levado pelos criminosos, dados do serviço de liberdade condicional de pessoas acompanhadas entre 2010 e 2017. - O governo diz que boa parte dos dados estava desestruturada, fragmentada ou incompleta e que não há indício de publicação. A análise forense dos dados roubados da Legal Aid Agency (LAA), a agência do Ministério da Justiça britânico que administra a assistência jurídica gratuita na Inglaterra e no País de Gales, mostrou que o vazamento é mais antigo e mais amplo do que o governo tinha dito, com cerca de 250 mil registros anteriores a 2007, o mais antigo deles de 1978, segundo atualização oficial publicada em 14 de outubro de 2026, dezoito meses depois do ataque. ## Como o caso começou A agência identificou o ataque aos seus serviços digitais na quarta-feira, 23 de abril de 2025, e nos dias seguintes avisou os prestadores de assistência jurídica de que parte das informações deles, inclusive financeiras, podia ter sido comprometida. Em 16 de maio de 2025, a LAA concluiu que o ataque era mais extenso do que se pensava e que o grupo criminoso tinha acessado e retirado dos sistemas (exfiltrado) uma quantidade grande de dados pessoais de quem pediu assistência jurídica e de quem presta o serviço. Na época, segundo o The Record e o BleepingComputer, a agência falava em dados de pessoas atendidas a partir de 2010, como contatos, datas de nascimento, número do seguro social britânico (National Insurance), antecedentes criminais e situação de emprego, e os invasores diziam ter dados de mais de 2 milhões de pessoas e ameaçavam publicá-los se não recebessem pagamento. Em declaração escrita ao Parlamento, a ministra dos Tribunais e Serviços Jurídicos, Sarah Sackman, disse que o ataque aconteceu porque os criminosos exploraram vulnerabilidades nos sistemas de TI da LAA, entraram em sistemas com informações pessoais e copiaram e retiraram parte dos dados guardados pelo ministério. ## O que a análise forense mudou Segundo o comunicado, equipes técnicas e de dados especializadas continuaram, desde o ataque, uma análise digital detalhada para estabelecer com mais precisão o que foi levado, e esse trabalho refinou tanto o período coberto quanto o tipo de informação atingida. A maior parte dos dados da LAA continua sendo de pedidos, cobranças ou pagamentos feitos entre janeiro de 2007 e 16 de maio de 2025, ou de casos em andamento nesse período, mas a agência confirmou que cerca de 250 mil registros são anteriores a 2007, quase todos das décadas de 1990 e 2000, com uma parcela muito pequena anterior a 1990, e o mais antigo verificado até agora é de 1978. A análise também mostrou que o material exfiltrado no mesmo ataque continha dados do HM Prison and Probation Service (HMPPS), o serviço prisional e de liberdade condicional, com nomes, datas de nascimento, nacionalidades e números de processo de um número relativamente pequeno de condenados acompanhados pelo serviço entre 2010 e 2017, dos quais mais de 99% estavam sob supervisão em 2016 e 2017, e o governo afirma que nenhum desses dados se refere a vítimas de crimes. A ministra disse à Câmara dos Comuns que a compreensão do incidente continuaria a mudar à medida que avançasse a análise técnica, e a LAA explicou que o ataque atingiu sistemas complexos e volumes grandes de informação, boa parte dela desestruturada, fragmentada ou incompleta, o que tornou a análise difícil. Para a agência, a nova capacidade de identificar dados permitiu chegar a uma visão mais completa do que foi comprometido, e as atualizações públicas anteriores refletiam a melhor informação disponível em cada momento. ## O que os registros podem conter O comunicado traz uma tabela por grupo de pessoas e por período, e a LAA avisa que estar num desses grupos não significa que todos os dados listados, ou algum deles, tenham sido levados, porque o que foi exfiltrado varia muito de uma pessoa para outra. Entre os itens possíveis estão nome completo, data de nascimento, número do National Insurance, código postal, datas de início e fim do caso, custos cobrados e códigos do tipo de assistência recebida, e, em casos civis geridos no sistema de gestão de clientes e custos (CCMS), as respostas dadas nos pedidos, com avaliação financeira e do mérito, que podem incluir dados de cônjuges e outros familiares. Para quem recebeu assistência na Crown Court, o tribunal criminal superior, a lista inclui acusações, alegação de culpa ou inocência, condenação e pena, além de dados patrimoniais e bancários usados no cálculo da contribuição do réu, enquanto, entre os pagamentos feitos à agência em casos civis, alguns feitos com cartão aparecem com os números parcialmente ocultos. Nos julgamentos da Crown Court entre agosto de 2010 e agosto de 2017 e entre julho de 2018 e janeiro de 2025, também foram atingidos nomes de juízes, de advogados de defesa e de acusação e de taquígrafos judiciais, e a parte mais antiga inclui pagamentos de casos de custo muito alto feitos entre 1981 e 2004 e registros de verificação de benefícios sociais entre 1978 e 2012. Segundo a ministra, em nenhum caso foi atingido o registro completo de um processo de assistência jurídica, e em parte dos casos o que saiu foi um único documento, como uma carta enviada pela LAA ou o registro de um pagamento. ## Estado atual da investigação O governo diz que não tem indício de que os dados roubados tenham sido publicados ou compartilhados, o que, segundo o The Record, é uma mudança em relação a maio de 2025, quando um porta-voz do ministério disse ao veículo que a publicação era questão de "quando, não se". A LAA continua trabalhando com a National Crime Agency, a agência britânica de combate ao crime organizado, com o National Cyber Security Centre (NCSC) e com a autoridade de proteção de dados, a Information Commission, que recebeu a atualização sobre o material exfiltrado. O ministério afirma ter reforçado a autenticação e os controles de acesso, melhorado o monitoramento de segurança, tratado vulnerabilidades e começado a desativar ou isolar sistemas antigos de maior risco, e Sackman informou que foram destinados £200 milhões à recuperação e à migração desses sistemas para uma plataforma moderna. A ministra também disse que o ministério trabalha para identificar, onde os dados permitirem, se as informações de uma pessoa específica foram levadas, e lembrou que, por estarem desestruturados, fragmentados e incompletos, os dados em muitos casos não permitem aos próprios criminosos identificar com facilidade a quem pertencem. --- # Relatório do incêndio de Wang Fuk Court, em Hong Kong, aponta cigarro como causa mais provável e telas fora de norma na propagação - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/relatorio-inquerito-incendio-wang-fuk-court-hong-kong/ - Fonte original: The Irish Times (agência Reuters), https://www.irishtimes.com/world/asia-pacific/2026/10/29/hong-kong-leader-apologises-for-deadly-tai-po-fire/, 29.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio em edifício alto, origem e causa, andaimes, reforma predial, Hong Kong - Como citar: NEXO CAUSAL, "Relatório do incêndio de Wang Fuk Court, em Hong Kong, aponta cigarro como causa mais provável e telas fora de norma na propagação", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/relatorio-inquerito-incendio-wang-fuk-court-hong-kong/ ## O que importa - O comitê independente presidido por um juiz concluiu que o incêndio que matou 168 pessoas em Wang Fuk Court, em Tai Po, em 26 de novembro de 2025, começou provavelmente com um cigarro aceso sobre papéis num terraço da Wang Cheong House. - Testes em escala real mostraram que as telas de proteção dos andaimes sem retardante de chama fizeram um foco pequeno virar uma coluna de fogo nas reentrâncias da fachada, e os alarmes de incêndio dos oito prédios estavam desligados. - O relatório, divulgado em 29 de outubro de 2026, aponta a construtora Prestige e a consultora Will Power como principais culpadas e atribui falhas a quatro órgãos do governo, que pediu desculpas. O incêndio que matou 168 pessoas no conjunto residencial Wang Fuk Court, em Tai Po, Hong Kong, em 26 de novembro de 2025, foi causado mais provavelmente por um cigarro aceso que incendiou papéis num terraço da Wang Cheong House e espalhou-se tão rápido por causa de telas de proteção de andaimes sem retardante de chama, placas de espuma nas janelas e alarmes desligados, segundo o relatório do comitê independente presidido pelo juiz David Lok, divulgado em 29 de outubro de 2026, quando o chefe do Executivo, John Lee, pediu desculpas pela tragédia, segundo a Reuters, em texto publicado pelo The Irish Times. O relatório tem mais de mil páginas em dois volumes, foi entregue ao governo em 22 de outubro de 2026 e saiu com trechos tarjados para não prejudicar os processos criminais em curso, e o comitê ouviu 80 testemunhas de fato e peritos em 30 dias de audiências e analisou mais de um milhão de arquivos, segundo o documento, publicado no site do comitê. ## Onde e como o fogo começou Os oito prédios de 31 andares do conjunto passavam por uma reforma de HK$336 milhões e estavam cobertos por andaimes de bambu e telas de proteção, e o fogo começou entre 14h30 e 14h40 no terraço entre os apartamentos 104 e 105 da Wang Cheong House (Bloco F), de onde passou rapidamente para outros seis prédios, segundo o resumo executivo do relatório. O comitê concluiu que uma fonte incandescente, provavelmente um cigarro, incendiou materiais de papel no terraço e os fez queimar sem chama por algum tempo, e, embora não haja prova direta, reuniu farta prova circunstancial, como as duas bitucas e o resto queimado de uma terceira achados no entulho do terraço junto a caixas de papelão e papéis de pastilhas parcialmente queimados, a imagem de câmera de um operário de uniforme da construtora fumando na cobertura do prédio pouco antes de o fogo ser descoberto e o áudio em que operários no andaime atribuíam a fumaça a um cigarro mal apagado. A hipótese de incêndio criminoso com acelerante foi descartada porque a química do Laboratório do Governo não achou resíduo de líquido inflamável nos destroços do terraço e o piso de concreto quase não foi afetado, sem o desplacamento que costuma aparecer quando o fogo é iniciado com acelerante. ## Por que o fogo subiu tão rápido Os peritos do comitê e da força-tarefa interdepartamental do governo concordaram que o fogo se desenvolveu de três modos, subindo depressa pelas reentrâncias da fachada, passando delas para dentro dos apartamentos e provocando ignições secundárias em materiais combustíveis presos à fachada, e o foco na reentrância da Wang Cheong House virou em minutos uma coluna de chamas, enquanto outras 11 reentrâncias foram tomadas pelo mesmo tipo de fogo vertical. A geometria das reentrâncias funcionou como chaminé parcial, porque os gases quentes sobem e puxam ar pela base, o que acelera a combustão, e simulações mostraram que, se o fogo tivesse começado junto a uma parede plana, as chamas não teriam chegado ao topo do prédio, mas o relatório ressalta que a forma da fachada sozinha não explicaria o desastre sem o acúmulo de material combustível dentro dessas reentrâncias. O fator decisivo foram as telas e lonas sem retardante de chama, porque nos ensaios em escala real feitos na Sichuan University of Science and Engineering as telas com retardante se apagaram sozinhas diante de um foco pequeno, enquanto as sem retardante continuaram queimando, pingaram gotas em chamas e levaram o fogo até o bambu, num teste que liberou 10.155,92MJ de energia, 27 vezes os 367,65MJ do ensaio com material retardante. Um dos peritos, o professor Yuen, concluiu que, com telas retardantes e todas as outras condições iguais, o foco inicial provavelmente teria se apagado sozinho, e outro perito, o professor Usmani, preferiu dizer que ele "poderia" ter se apagado, enquanto as simulações computacionais de Yuen com um foco de 700kW chegaram a um pico de 35MW com telas retardantes e a mais de 700MW com as telas sem retardante. ## Falhas da obra O relatório aponta como principais culpadas a construtora Prestige Construction & Engineering, a consultora Will Power Architects e o inspetor registrado contratado pela consultora, e afirma que elas sabiam dos riscos de incêndio, ignoraram as reclamações dos moradores, usaram telas sem retardante, cobriram por muito tempo as janelas dos oito prédios com placas de espuma inflamável e abriram passagens nas escadas de emergência para facilitar o trabalho. Segundo o comitê, as empresas também foram responsáveis por os sistemas de alarme e de hidrantes não estarem funcionando no dia do incêndio, porque a administradora do condomínio deixou um funcionário sem habilitação desligar a alimentação dos alarmes dos oito prédios, e por isso nenhum alarme soou para avisar os moradores. Para contornar a fiscalização, as empresas usaram um inspetor registrado e uma empresa de instalações contra incêndio de fachada, só para entregar documentos e cumprir as exigências no papel, e a subcontratada dos andaimes, Gain Profit Shed Industry, participou da troca de telas sem retardante por telas retardantes na hora das vistorias, segundo o relatório. ## Responsabilidade do Estado e estado atual O comitê concluiu que nenhum órgão do governo assumiu de fato as questões de segurança contra incêndio e que as reclamações dos moradores "caíram num vácuo", e atribuiu falhas à Independent Checking Unit (ICU), ao Departamento de Edificações, ao Corpo de Bombeiros e ao Departamento do Trabalho, com a parcela maior para a ICU, e um resumo da Reuters publicado pelo Insurance Journal registra que as autoridades confiavam em certificados em papel dos materiais provisórios, sem ensaio de laboratório nem amostragem no canteiro. O relatório também descreve um "ecossistema corrupto" de combinação de propostas em licitações de manutenção predial, com participação de grupos ligados às tríades, e o governo anunciou que vai transformar em crime a combinação de propostas nessas obras e criar uma força-tarefa com a polícia, a comissão anticorrupção (ICAC) e a Comissão de Concorrência. A secretária de Habitação, Winnie Ho, apresentou a renúncia, e Lee recomendou ao governo central chinês o afastamento dela do cargo, enquanto a Comissão do Serviço Público abriu uma investigação sobre a responsabilidade individual de servidores, e Prestige, Will Power e sete pessoas já respondem a pelo menos 25 acusações criminais, entre elas homicídio culposo, conspiração para fraude, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. O comitê registrou ainda que, entre os 168 mortos, está o bombeiro Ho Wai Ho, que morreu durante o resgate, e que 79 pessoas ficaram feridas, e a versão integral do relatório só será divulgada depois que terminarem os processos criminais. --- # Script envenenado de um fornecedor de monitoramento esvaziou centenas de contas da Polymarket em uma hora - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/polymarket-script-envenenado-fornecedor-debugbear/ - Fonte original: BleepingComputer, https://www.bleepingcomputer.com/news/security/polymarket-halts-trading-after-crypto-draining-script-breach-25m-traced/, 29.Out.2026 (inglês) - Marcadores: Polymarket, ataque à cadeia de suprimentos, JavaScript malicioso, criptomoedas, rastreamento em blockchain - Como citar: NEXO CAUSAL, "Script envenenado de um fornecedor de monitoramento esvaziou centenas de contas da Polymarket em uma hora", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/polymarket-script-envenenado-fornecedor-debugbear/ ## O que importa - Em 29 de outubro de 2026, invasores comprometeram a DebugBear, empresa que mede o desempenho de sites, e usaram o script dela embutido na Polymarket para sequestrar sessões de usuários e desviar os fundos. - A Bitquery rastreou na blockchain da Polygon US$ 2,73 milhões tirados de 737 contas entre 17h10 e 18h10 em UTC, todos por aprovações válidas e sem quebra de nenhum contrato inteligente. - A Polymarket suspendeu as negociações por cerca de uma hora, levou o caso às autoridades e prometeu reembolsar todos os usuários atingidos. A Polymarket, plataforma de mercados de previsão em criptomoedas, suspendeu temporariamente as negociações na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, depois que invasores comprometeram um serviço terceirizado e o usaram para distribuir um JavaScript que esvaziava as carteiras dos usuários, segundo reportagem de Lawrence Abrams no BleepingComputer, que rastreou cerca de US$ 2,5 milhões até uma carteira atribuída ao atacante. ## Como o ataque chegou ao site O código malicioso estava hospedado em cdn.debugbear.com, endereço da DebugBear, serviço que mede a velocidade de carregamento e a experiência de quem visita um site e que, no produto de monitoramento de usuários reais (Real User Monitoring), funciona por meio de um JavaScript embutido nas páginas dos clientes, que coleta métricas no navegador de cada visitante. Como o script do fornecedor era carregado nas páginas da Polymarket, o código malicioso hospedado na infraestrutura da DebugBear rodava no navegador de quem acessava a plataforma, forma de ataque à cadeia de suprimentos em que o invasor chega à vítima por meio de um fornecedor. A DebugBear confirmou na rede X que estava sendo afetada por um incidente de segurança em andamento e pediu aos clientes do produto de monitoramento que retirassem o código de incorporação dos seus sites, e na hora da reportagem o site da empresa estava fora do ar, sem que fosse possível saber se por contenção ou por consequência do ataque. ## O que o script fazia Pesquisadores da empresa de inteligência Hudson Rock encontraram dentro do JavaScript malicioso o endereço de uma carteira que seria do atacante, e o BleepingComputer analisou uma cópia do arquivo e concluiu que ele foi feito para sequestrar sessões de negociação já autenticadas, liquidar as posições dos usuários e transferir criptomoedas e outros ativos para essa carteira. O código verificava se o visitante estava logado, usava a sessão aberta e as próprias funções de negociação da plataforma para fazer transações não autorizadas, consultava os saldos e as posições para calcular o valor de cada conta e, conforme a forma de autenticação do usuário, tentava vender automaticamente as apostas em aberto ou mandar os tokens das apostas direto para a carteira do invasor. O script também se comunicava com data.debugbear.com para receber instruções e enviar dados das contas atingidas, endereços de carteira, saldos e resultados das transações, e o uso da mesma infraestrutura para distribuir o código, servir de comando e controle e receber os dados extraídos levanta dúvidas sobre o grau de acesso que os invasores tiveram aos sistemas da DebugBear, segundo o BleepingComputer. ## O rastreamento na blockchain A empresa de análise Bitquery seguiu cada transferência na blockchain da Polygon, onde a Polymarket funciona, e contou US$ 2,73 milhões tirados de 737 contas em uma hora, entre 17h10 e 18h10 em UTC (14h10 e 15h10 em Brasília), em 985 retiradas que tinham, cada uma, uma aprovação válida da própria conta e foram enviadas pelo relayer da Polymarket, o serviço que paga as taxas da rede pelos usuários, sem que nenhum contrato inteligente fosse quebrado. As aprovações eram recentes, porque cada uma traz um prazo de validade de uma hora que revela quando foi criada, e nas 30 retiradas conferidas pela Bitquery cada aprovação foi usada de 3 a 7 segundos depois de feita, ritmo que, para a empresa, só um programa consegue manter em centenas de contas. A Bitquery ressalva que a blockchain mostra que as aprovações eram válidas, mas não mostra quem as fez, e aponta duas explicações compatíveis com o registro, a de código plantado no site pedindo aprovações aos usuários logados, com o relato de um usuário que viu um pedido de saque que não tinha iniciado, e a de vazamento das chaves pelos sistemas de um fornecedor. Quase metade do dinheiro, 48%, já tinha saído quando um usuário publicou um alerta na rede X às 17h45 em UTC (14h45 em Brasília), a perda mediana por conta foi de US$ 171, quatro contas perderam mais de US$ 100 mil cada, somando 43% do total, e a maior retirada, de US$ 358 mil, saiu de uma única conta. O invasor também levou apostas em aberto de 33 contas e, 34 minutos depois do início do ataque, abriu uma conta nova na própria Polymarket para vender essas apostas, conta que a Bitquery considera a pista mais clara do caso, porque o cadastro deixa registros que a plataforma pode consultar. Dezoito minutos depois da última retirada, o dinheiro, já convertido em POL, a moeda da Polygon, foi dividido entre três carteiras novas e começou a ser levado para o Ethereum pelas pontes Relay e deBridge e pela ponte da própria Polygon, mas na última leitura da Bitquery cerca de US$ 2,17 milhões em POL ainda estavam nessas três carteiras. O BleepingComputer, por sua vez, verificou que a carteira apontada pela Hudson Rock transferiu cerca de 28,6 milhões de POL, perto de US$ 2,57 milhões, para três outras carteiras e fez várias transações com o contrato dos tokens de previsão da Polymarket entre 13h50 e 13h56 no horário da costa leste dos Estados Unidos (14h50 e 14h56 em Brasília), pouco antes da suspensão. ## A resposta da plataforma A Polymarket colocou a bolsa em modo só de cancelamento às 14h05 no horário da costa leste (15h05 em Brasília), pausou o relayer, anunciou às 14h37 que tinha identificado e corrigido o problema e voltou a operar por volta das 15h05 (16h05 em Brasília), com a declaração de que um dos seus fornecedores terceirizados tinha sido comprometido e de que o caso fora levado às autoridades policiais. Os pesquisadores da Hudson Rock acharam ainda nos metadados de publicação do site uma alteração de código com a mensagem de remoção do script de monitoramento da DebugBear, registrada às 13h59 no horário da costa leste (14h59 em Brasília), e a Bitquery encontrou mais uma conta esvaziada pelo relayer às 19h11 em UTC (16h11 em Brasília), depois do anúncio de que a causa estava corrigida. A empresa prometeu reembolsar integralmente todos os usuários atingidos, mas não informou quantas contas foram afetadas, quanto foi levado nem como o reembolso será feito, e é o segundo caso do ano atribuído a um fornecedor, depois de junho de 2026, quando um JavaScript malicioso injetado por um fornecedor do site levou cerca de US$ 3 milhões de um pequeno número de contas. --- # Erin Patterson perde recurso no caso dos cogumelos venenosos e passa a cumprir prisão perpétua sem condicional - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Toxicologia forense - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/erin-patterson-perde-recurso-caso-dos-cogumelos-venenosos/ - Fonte original: ABC News (Austrália), https://www.abc.net.au/news/2026-10-30/erin-patterson-loses-mushroom-murder-convictions-appeal/107326714, 30.Out.2026 (inglês) - Marcadores: toxicologia forense, amanitina, prova circunstancial, recurso criminal, Austrália - Como citar: NEXO CAUSAL, "Erin Patterson perde recurso no caso dos cogumelos venenosos e passa a cumprir prisão perpétua sem condicional", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/erin-patterson-perde-recurso-caso-dos-cogumelos-venenosos/ ## O que importa - A Corte de Apelação de Victoria, na Austrália, rejeitou em 30 de outubro de 2026 todos os fundamentos do recurso de Erin Patterson, condenada por matar três parentes do ex-marido com cogumelos cicuta-verde num almoço em 2023. - Os juízes mantiveram como prova os dados de antenas de celular e de acesso ao site iNaturalist, que a defesa queria tirar do julgamento, e a condenação se apoiou também em exames toxicológicos que acharam amanitinas na comida e num desidratador. - A corte acolheu o recurso da acusação e retirou o prazo mínimo de 33 anos para pedir liberdade condicional, e resta à defesa só um pedido à Suprema Corte da Austrália. A Corte de Apelação do estado de Victoria, na Austrália, rejeitou na sexta-feira, 30 de outubro de 2026, todos os fundamentos do recurso de Erin Patterson, de 52 anos, contra a condenação por três homicídios e uma tentativa de homicídio com cogumelos cicuta-verde (death cap), e, ao acolher o recurso da acusação, retirou o prazo mínimo de 33 anos para pedir liberdade condicional, de modo que a pena de prisão perpétua só termina com a morte dela, segundo a ABC News. ## O almoço de julho de 2023 Em 29 de julho de 2023, Patterson serviu bife Wellington na casa dela, em Leongatha, a Don e Gail Patterson, pais do ex-marido, a Heather Wilkinson, irmã de Gail, e ao marido de Heather, Ian Wilkinson, e os quatro passaram mal com sintomas compatíveis com envenenamento por cicuta-verde, segundo o resumo do julgamento publicado pela 1News, da Nova Zelândia. Don e Gail, ambos de 70 anos, e Heather, de 66, morreram nos dias seguintes, e Ian, de 71, sobreviveu depois de tratamento intensivo que incluiu um transplante de fígado, enquanto Patterson sempre negou o crime e sustentou que o envenenamento foi acidental. ## O que a toxicologia mostrou No julgamento, de 2025, o toxicologista-chefe de Victoria, Dimitri Gerostamoulos, explicou que a cicuta-verde contém principalmente três toxinas, a alfa-amanitina, a beta-amanitina e a gama-amanitina, e que os exames das amostras foram feitos pelo Victorian Institute of Forensic Medicine, segundo relato do The Nightly. As duas primeiras toxinas foram encontradas na urina de Don Patterson, colhida cerca de 32 horas depois da refeição, e Ian Wilkinson teve beta-amanitina detectada no soro no dia seguinte ao almoço e alfa-amanitina na urina cerca de 73 horas depois, enquanto no sangue de Gail e de Heather não se acharam as toxinas, que, segundo o toxicologista, têm meia-vida curta e somem do sangue muito mais rápido do que da urina. Nas amostras de Erin Patterson colhidas cerca de 51 horas depois do almoço nenhuma toxina foi detectada, e a equipe do hospital relatou que ela não apresentava sintomas compatíveis com envenenamento por cogumelo, embora tenha dito à polícia que comeu a mesma refeição. Nas sobras, a micologista Camille Truong não viu sinal de cicuta-verde ao microscópio, mas o laboratório achou beta-amanitina numa de quatro amostras de pasta de cogumelo e numa amostra de carne, e Gerostamoulos explicou a diferença dizendo que o instituto não depende de detecção visual e usa instrumentos sensíveis capazes de detectar quantidades muito pequenas, invisíveis a olho nu. A defesa lembrou que as amostras de massa, pasta e carne não foram separadas por ingrediente, o que o toxicologista admitiu, mas no material vegetal achado dentro de um desidratador de alimentos foram detectadas alfa e beta-amanitina, toxinas que, perguntado pelo juiz, ele disse serem encontradas "exclusivamente" na cicuta-verde. O toxicologista estimou a dose letal das amatoxinas em cerca de 1mg por quilo de peso e disse que, para um adulto de 70kg, cerca de 50g do cogumelo, ou três colheres de sopa, seriam letais, embora tenha concordado que idade, peso, saúde, atendimento recebido e resposta individual influenciam o desfecho. ## O rastro digital e material O desidratador foi a peça que ligou a toxicologia à investigação, porque Patterson negou à polícia ter um aparelho desses, mas um manual foi encontrado na casa e imagens de câmera de segurança mostraram uma mulher descartando um desidratador num ponto de coleta de lixo pouco depois do almoço, segundo a 1News. O detetive Stephen Eppingstall, que chefiou a investigação, apresentou provas de que o computador de Patterson foi usado em maio de 2022 para acessar o iNaturalist, site de ciência cidadã que registra avistamentos de cicuta-verde, e a acusação mostrou dados de que ela foi até a cidade de Loch, onde havia registro de cicuta-verde, horas antes de comprar o desidratador. O celular entregue à polícia tinha sido restaurado às configurações de fábrica três vezes nos dias seguintes ao almoço, e outro aparelho, chamado no processo de "Phone A", perdeu a conexão com a rede durante a busca policial na casa e nunca foi achado. ## Os fundamentos rejeitados Os advogados apresentaram sete fundamentos, e a corte só admitiu o exame de dois, o de que o júri ficou hospedado no mesmo hotel que integrantes da acusação e uma testemunha policial e o de que os dados de antenas de celular, usados para indicar que ela esteve em áreas com registro de cicuta-verde, eram especulativos e não deviam ter ido ao júri, segundo análise de especialistas em direito publicada pelo The Conversation. A corte concluiu que não havia possibilidade real de a hospedagem ter afetado os veredictos, já que a própria defesa admitiu não haver prova de contato entre jurados e acusação ou polícia, e considerou admissíveis os dados de antenas e do iNaturalist, por serem relevantes para a acusação, que era baseada em prova circunstancial. Entre os cinco fundamentos que nem passaram dessa etapa estavam a alegação de que o juiz do julgamento errou ao excluir fotos e vídeos de cicuta-verde achados num cartão SD antigo na casa de Patterson, o que, segundo a defesa, a obrigou a depor para explicar o interesse dela por coleta de cogumelos, a tentativa de excluir mensagens que ela escreveu no Facebook sobre a família do ex-marido e as queixas contra o interrogatório feito pela promotora Nanette Rogers. ## A pena e o que resta O juiz Stephen McLeish disse que a intenção de matar as quatro vítimas durou quase três semanas, do convite para o almoço ao preparo da refeição e ao longo sofrimento que se seguiu, e os juízes classificaram o caso como de criminalidade "tão chocante" que não cabe fixar prazo mínimo para condicional. Patterson é só a segunda mulher na Austrália condenada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, segundo a Al Jazeera, e o único caminho que resta é pedir à Suprema Corte da Austrália (High Court) autorização especial para recorrer, pedido que, pelas ordens da Corte de Apelação, deve ser apresentado até 27 de novembro de 2026. --- # Relatório do Exército dos EUA aponta falhas em camadas na colisão entre helicóptero e jato em Washington - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/exercito-eua-falhas-sistemicas-colisao-aerea-washington/ - Fonte original: WCAX (agência AP), https://www.wcax.com/2026/10/08/army-finds-systemic-failures-behind-dc-midair-collision-calls-safety-fixes/, 08.Out.2026 (inglês) - Marcadores: acidente aéreo, investigação de acidentes, helicóptero, controle de tráfego aéreo, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Relatório do Exército dos EUA aponta falhas em camadas na colisão entre helicóptero e jato em Washington", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/exercito-eua-falhas-sistemicas-colisao-aerea-washington/ ## O que importa - O relatório do Exército dos Estados Unidos sobre a colisão de 29 de janeiro de 2025 entre um Black Hawk e um jato regional perto do aeroporto Reagan, que matou 67 pessoas, foi divulgado em 8 de outubro de 2026. - O documento aponta duas transmissões de rádio cortadas como o fator que mais contribuiu, ao lado de uma rota de helicópteros com só 75ft (22,86m) de separação vertical, erro de altímetro, óculos de visão noturna e o ADS-B Out do helicóptero inoperante. - As conclusões reforçam as do NTSB, que pôs o peso maior na FAA, e o Exército inspecionou e reconfigurou 3.585 helicópteros, mas distribuiu a responsabilidade de forma ampla pela instituição, sem descrever punição a nenhum comandante. O Exército dos Estados Unidos concluiu que uma série de falhas sistêmicas levou à colisão de 29 de janeiro de 2025 entre um helicóptero Black Hawk e um jato regional perto do aeroporto Ronald Reagan, em Washington, que matou 67 pessoas, e recomendou várias medidas para evitar novos acidentes, segundo o relatório divulgado em 8 de outubro de 2026 e relatado pela agência AP em texto publicado pela emissora WCAX. O relatório foi concluído em maio, e as famílias de parte das vítimas pressionavam havia meses pela divulgação, tanto que a AP recebeu uma cópia delas na manhã de 8 de outubro de 2026, horas antes de o Exército tornar o documento público, com trechos tarjados. ## O acidente Às 20h48 de 29 de janeiro de 2025, no horário do Leste dos Estados Unidos, o helicóptero Sikorsky UH-60L do Exército, de indicativo PAT25, colidiu com o CRJ700 da PSA Airlines que fazia o voo 5342 da American Airlines e descia para pousar, e as duas aeronaves caíram no rio Potomac, com 64 mortos no avião e três no helicóptero, segundo a página da investigação do NTSB, o órgão americano de investigação de acidentes de transporte. O jato, que vinha de Wichita, no Kansas, circulava para pousar na pista secundária do aeroporto, e foi o acidente aéreo mais letal em solo americano em mais de duas décadas. ## O fator principal e as outras camadas O tenente-general que assinou o relatório escreveu que "falhas em todas as camadas de gestão de conflitos de tráfego causaram este acidente", mas que "o fator contribuinte mais saliente foram as duas transmissões de rádio cortadas", que impediram a tripulação do helicóptero de identificar o jato que se preparava para pousar. Os pilotos militares usavam óculos de visão noturna, que limitavam o campo de visão e dificultavam enxergar o avião em meio às luzes da cidade, e o relatório diz que o controlador da torre do aeroporto deveria ter dado à tripulação mais detalhes sobre a posição exata do avião e deveria ter avisado o avião sobre o helicóptero que vinha na direção dele. A rota de helicópteros usada na época dava só 75ft (22,86m) de separação vertical entre um helicóptero e um avião que pousasse na pista secundária, e só se o helicóptero se mantivesse junto à margem do rio, o que não cobria o erro aceito no altímetro de um Black Hawk, enquanto o NTSB constatou que o helicóptero voava quase 100ft (30,48m) acima do que os instrumentos indicavam. No relatório de recomendações urgentes de março de 2025, o NTSB mostrou que um helicóptero no teto da rota, de 200ft (60,96m), sobre a margem leste do rio ficaria a cerca de 75ft (22,86m) de um jato em aproximação para a pista 33, número que o relatório do Exército repete, segundo o site especializado AeroCorner. ## Falhas que o Exército reconhece O relatório constatou que o helicóptero não transmitia a sua posição pelo ADS-B Out por causa de manutenção inadequada, que muitos helicópteros do batalhão, inclusive o do acidente, não tinham sistema de alerta de tráfego e prevenção de colisão (TCAS) e que havia um padrão de tripulações que não cumpriam o mínimo semestral de horas de voo, segundo a agência Reuters. O documento também diz que o Exército não tinha resolvido os problemas que levaram o helicóptero a informar altitude errada, que os pilotos precisam de equipamento de visão noturna mais avançado e que o grupo de trabalho com a Administração Federal de Aviação (FAA) sobre helicópteros na região de Washington "não discutia violações de espaço aéreo, relatos de quase colisão nem desvios de pilotos". Segundo o AeroCorner, que cita o The Washington Post e o Stars and Stripes, os altímetros barométricos dos Black Hawks mais antigos podem errar até 140ft (42,67m) e continuar dentro do limite admitido, os tanques extras de combustível que o helicóptero levava também podem afetar a leitura, e o Exército não tem uma definição formal de quase colisão nem um sistema para relatá-la. O relatório também critica o controle de tráfego aéreo da FAA por usar "terminologia fora do padrão para dirigir o tráfego" e dar "avisos de tráfego incompletos", segundo a Reuters. ## O que mudou e o que falta Quando ficou claro que o ADS-B Out do Black Hawk estava inoperante, os 3.585 helicópteros do Exército afetados foram inspecionados e reconfigurados, e o Exército diz que reforçou o treinamento das tripulações, fez testes de percepção de altitude e busca um acordo com a FAA para trocar dados sobre quase colisões. O relatório recomenda revisar as operações de helicópteros do Exército perto de grandes cidades dos Estados Unidos, da Coreia do Sul, do Japão e da Alemanha, e um funcionário do Exército disse à AP que a revisão dos voos em cidades como Los Angeles e a região de Seattle-Tacoma está em andamento. O NTSB, que em 27 de janeiro de 2026 apontou como causa provável a rota de helicópteros que a FAA colocou perto da trajetória de aproximação da pista, a falta de revisão dessas rotas e a dependência excessiva da separação visual, incluiu entre os fatores a falha do Exército em garantir que os pilotos entendessem as tolerâncias de erro do altímetro barométrico. Em carta de 1º de outubro de 2026, a presidente do NTSB, Jennifer Homendy, reconheceu avanço do Exército nas recomendações, mas disse que o sistema de segurança de aviação da força "falhou em detectar, interpretar e agir de forma consistente sobre sinais de perigos latentes", e a AP registra que o órgão está satisfeito com o progresso em sete das oito recomendações dirigidas ao Exército. Tim Lilley, ex-piloto de Black Hawk e pai do primeiro oficial do jato, Sam Lilley, cobrou do Exército uma prestação de contas completa sobre quem foi responsável pelas decisões que deixaram os riscos persistir, porque o relatório distribui a responsabilidade de forma ampla pela instituição, e o grupo das famílias do voo 5342 pede que o Congresso torne obrigatório um sistema que permita às aeronaves verem umas às outras no céu. --- # Quatro trabalhadores morrem em queda na obra da TSMC em Kaohsiung, e investigação apura ruptura de parafusos de chapa de ligação - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/queda-de-trabalhadores-obra-tsmc-kaohsiung-ruptura-de-parafusos/ - Fonte original: Focus Taiwan (agência CNA), https://focustaiwan.tw/society/202610210009, 21.Out.2026 (inglês) - Marcadores: queda de altura, estrutura metálica, TSMC, Taiwan, terceirização - Como citar: NEXO CAUSAL, "Quatro trabalhadores morrem em queda na obra da TSMC em Kaohsiung, e investigação apura ruptura de parafusos de chapa de ligação", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/queda-de-trabalhadores-obra-tsmc-kaohsiung-ruptura-de-parafusos/ ## O que importa - Quatro empregados da terceirizada Shang Hao Machinery caíram do terceiro andar da estrutura metálica da Fab 22 da TSMC, em Kaohsiung (Taiwan), em 20 de outubro de 2026, durante o içamento de peças de aço. - A apuração preliminar indica que os parafusos de uma chapa de ligação romperam, e os quatro usavam cinto de segurança, mas o ponto de ancoragem das cordas pode ter caído junto com a estrutura. - O içamento de aço na obra só volta depois da aprovação de um plano de melhorias da contratada, e a TSMC suspendeu os serviços de estrutura metálica em todas as fábricas que constrói em Taiwan. Quatro trabalhadores morreram depois de cair do terceiro andar da estrutura metálica em montagem da Fab 22 da TSMC, maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, em Kaohsiung, no sul de Taiwan, na tarde de 20 de outubro de 2026, e a apuração preliminar indica que os parafusos de uma chapa de ligação romperam durante o içamento de peças de aço, segundo a administração do Parque Científico do Sul de Taiwan e a agência CNA. ## Como foi a queda O acidente aconteceu por volta das 16h53 de terça-feira, 20 de outubro de 2026, na obra da fase 4 da Fab 22, no distrito de Nanzi, uma fábrica que deve produzir chips de 2 nanômetros e de tecnologias mais avançadas e cuja construção tem conclusão prevista para 2027, segundo a Focus Taiwan. Os quatro homens eram empregados da contratada Shang Hao Machinery e faziam o içamento e a montagem de componentes de aço na face externa do terceiro andar quando os parafusos da chapa de ligação romperam de repente, a peça perdeu o apoio e caiu levando os trabalhadores junto, segundo o jornal The Standard, de Hong Kong. A primeira versão da polícia local, divulgada na noite do acidente, era a de que os quatro tinham caído de um andar superior junto com uma viga de aço enquanto faziam a solda dela, e a polícia ressalvou que os detalhes e a causa ainda estavam sob investigação. O corpo de bombeiros de Kaohsiung mandou 10 viaturas e 22 bombeiros, três trabalhadores morreram na noite de terça-feira apesar do atendimento e o quarto, de 37 anos, morreu na manhã de quarta-feira, 21 de outubro de 2026, no hospital, segundo o Taiwan News. ## O cinto estava preso ao que caiu Os quatro usavam cinto de segurança, mas o colapso da estrutura impediu que as cordas funcionassem, segundo o Taiwan News, e o jornal taiwanês Min Pao (People News) detalhou, citando a administração do parque, que o montante onde as cordas estavam ancoradas pode ter caído junto com a estrutura, o que anulou a proteção contra queda. A mesma reportagem registra que ainda depende de perícia saber se os parafusos sofreram fadiga, se estavam em número insuficiente ou se houve outra falha de execução, e os inspetores vão examinar as chapas de ligação, os parafusos, os procedimentos de içamento e o cumprimento das normas de segurança do trabalho antes de definir responsabilidades e penalidades, segundo a CNA citada pelo Taiwan News. ## Obra parada e cena preservada A administração do parque mandou parar o içamento de vigas de aço na obra e proibiu que o local do acidente fosse mexido, e informou que o serviço só volta depois que a Shang Hao Machinery apresentar um plano de melhorias aprovado em análise, com as penalidades definidas pela investigação com base na Lei de Segurança e Saúde Ocupacional de Taiwan. O órgão também informou que a obra passou por 3 inspeções do trabalho em 2025 e 18 em 2026, incluindo uma inspeção da estrutura metálica em 8 de julho, e que nesse período duas outras contratadas foram multadas em NT$ 210.000 no total. A TSMC disse que a área do acidente estava sob responsabilidade da contratada, que a equipe de segurança da obra colabora com as autoridades para esclarecer a causa e que suspendeu por iniciativa própria os serviços de estrutura metálica em Kaohsiung e em todas as fábricas que constrói em Taiwan. ## O histórico da contratada Segundo o banco de dados de infrações do Ministério do Trabalho de Taiwan, citado pelo Min Pao, a Shang Hao Machinery foi multada em NT$ 60.000 em julho de 2024 pela administração do Parque Científico de Hsinchu, porque não preparou, antes de uma montagem de estrutura metálica, o plano de trabalho exigido por lei para evitar queda de peças, desabamento, queda de pessoas e acesso à área de trabalho, e o jornal questiona se essa infração entrou na avaliação de segurança da contratada pela TSMC. A ata da assembleia de acionistas da TSMC de junho de 2026, citada pelo mesmo jornal, registra que a empresa passou a gerir diretamente os canteiros de obra e mudou as regras de compra para pôr a segurança em primeiro lugar, incluindo na avaliação dos fornecedores a ocorrência recente de acidente grave. ## Outros acidentes nas obras da empresa A Associação de Vítimas de Acidentes de Trabalho de Taiwan contou 15 acidentes fatais e 18 mortes em obras ligadas à TSMC entre 2019 e 20 de outubro de 2026 e pediu inspeções de segurança em todos os canteiros da empresa e um sistema independente de fiscalização por terceiros, com participação dos trabalhadores. Um dos casos citados pelo Min Pao ocorreu em 16 de julho de 2025, na obra da unidade AP7 em Chiayi, onde um tubo de 383kg caiu de 4,45m de altura e matou uma faxineira, e a promotoria de Chiayi concluiu em setembro de 2026 que os montadores usaram broca fora da especificação, forçaram os chumbadores a martelo num furo pequeno demais, de modo que eles ficaram mal instalados e três se soltaram do suporte, e denunciou sete pessoas da contratada e da subcontratada por homicídio culposo, num processo que ainda aguarda julgamento. --- # Terremoto da Venezuela: vídeo de câmera de segurança, solo mole e ressonância entram na investigação da queda das torres de Caraballeda - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/terremoto-venezuela-colapso-de-torres-caraballeda-engenharia-sismica/ - Fonte original: Associated Press (via WKMG ClickOrlando), https://www.clickorlando.com/news/world/2026/09/30/takeaways-from-ap-investigation-into-collapse-of-housing-towers-during-venezuelas-earthquakes/, 30.Set.2026 (inglês) - Marcadores: terremoto, engenharia sísmica, colapso estrutural, Venezuela, ressonância - Como citar: NEXO CAUSAL, "Terremoto da Venezuela: vídeo de câmera de segurança, solo mole e ressonância entram na investigação da queda das torres de Caraballeda", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/terremoto-venezuela-colapso-de-torres-caraballeda-engenharia-sismica/ ## O que importa - Os dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela em 24 de junho de 2026 mataram mais de 6.500 pessoas, e as torres de habitação pública de Caraballeda, no estado de La Guaira, estão entre os colapsos mais estudados. - Com os sismógrafos locais desligados, uma equipe da Universidade Stanford reconstruiu o movimento do solo quadro a quadro a partir de duas câmeras de segurança que filmaram oito prédios caindo em menos de um segundo. - O governo não divulgou plantas, estudos de solo nem registros de fiscalização das torres, e não informou se fez perícia no local antes de demolir os prédios danificados. Quatro meses depois dos dois terremotos que atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho de 2026, a investigação da agência Associated Press, publicada em 30 de setembro, e análises de engenheiros publicadas em outubro apontam uma combinação de solo mole, proximidade da falha, ressonância dos prédios e um pulso sísmico muito forte para explicar a queda das torres de habitação pública de Caraballeda, no estado de La Guaira, enquanto o governo não divulgou os documentos que permitiriam saber se as normas de construção foram cumpridas. ## O que aconteceu A sequência teve um tremor de magnitude 7,2 seguido, 39 segundos depois, por outro de magnitude 7,5, o que os sismólogos chamam de dupleto, e os dois terremotos mataram mais de 6.500 pessoas e deixaram mais de 17.000 desabrigadas, segundo a AP. Os epicentros ficaram a cerca de 80 a 110 milhas (128,7 a 177,0km) de Caracas, mas o dano foi grave na capital e no litoral de La Guaira, e a consultoria de engenharia americana SGH (Simpson Gumpertz & Heger) registrou que, no início de julho, as autoridades contavam cerca de 800 prédios desabados, quase 200 deles destruídos, com intensidade estimada em grau IX na escala Mercalli modificada nas áreas mais atingidas. Em Caraballeda, o conjunto OPPPE, de grandes torres de concreto do programa habitacional do governo, teve 16 torres que desabaram por completo e outras 27 que precisam ser demolidas, segundo reportagem do Christian Science Monitor de julho. ## Torres erguidas às pressas sobre solo de enxurrada A AP ouviu especialistas e ex-funcionários em dezenas de entrevistas e concluiu que a origem do problema está em 2010, quando deslizamentos e chuvas fortes desalojaram mais de 100.000 pessoas no país e o governo correu para construir apartamentos numa faixa de terra entre o mar do Caribe e as montanhas, sobre um solo siltoso e solto, depositado ao longo de séculos por enchentes e deslizamentos. Os especialistas disseram à agência que o governo desconsiderou o histórico de enchentes e deslizamentos da área, que pode agravar o efeito de um terremoto, e que a proximidade da falha de San Sebastián, que corre ao largo da costa e passa por baixo do estado de La Guaira, aumentava o risco. ## Ressonância e pulso de falha próxima Os prédios de Caraballeda tinham entre 10 e 20 andares, altura em que a estrutura pode oscilar exatamente no mesmo ritmo das ondas sísmicas, fenômeno conhecido como ressonância, que faz o prédio balançar mais longe e por mais tempo e aumenta o esforço sobre os pilares, segundo os especialistas ouvidos pela AP. Os engenheiros Brian Carlton e Jörgen Johansson, do instituto norueguês de geotecnia NGI, explicaram em 20 de outubro de 2026 que o solo e o prédio têm cada um o seu período natural de oscilação e que, quando os dois coincidem, um reforça o outro e o tremor se multiplica, mecanismo que já explicou a concentração de danos em prédios de certa altura em Caracas em 1967 e na Cidade do México em 1985, mas os dois ressalvam que descrevem mecanismos gerais e que só uma investigação em cada local pode dizer por que um prédio específico caiu. O geólogo Michael Schmitz, da Universidade Central da Venezuela, disse à AP que os terremotos ainda produziram o tipo de golpe que os engenheiros mais temem, o pulso de falha próxima, porque a energia sísmica se acumulou na frente da ruptura enquanto ela avançava para o leste e atingiu a base dos prédios com força, tirando o apoio deles e impedindo que dissipassem energia ao oscilar. ## O vídeo que substituiu o sismógrafo A intensidade do tremor muda de bairro para bairro e até de rua para rua, e o governo tinha deixado os instrumentos sísmicos locais pararem de funcionar, de modo que os cientistas ficaram sem dados para medir o que o solo de Caraballeda sofreu, segundo a AP. O professor Eduardo Miranda, de engenharia civil e ambiental da Universidade Stanford, e a equipe dele analisaram então as imagens de duas câmeras de segurança perto de um boliche em Caraballeda, que mostram oito prédios desabando ao mesmo tempo em menos de um segundo, e, acompanhando o movimento quadro a quadro, reconstruíram como o terremoto produziu o que aparece no vídeo. A análise revelou um dos maiores movimentos do solo já documentados no mundo e é, segundo a AP, a única informação quantitativa sobre o tremor perto da ruptura, e o artigo da equipe, em revisão para publicação no The Seismic Record, revista da Sociedade Sismológica da América (Seismological Society of America), concluiu que os prédios foram empurrados para um lado tão longe e por tanto tempo que chegaram ao ponto de ruptura. Miranda disse à agência que mesmo estruturas que cumprem as normas de segurança do Japão, das mais rigorosas do mundo, teriam dificuldade de resistir ao que aconteceu em 24 de junho de 2026. ## O que as normas dizem e o que falta saber A SGH lembra que a Venezuela não tem um código de obras único, e sim uma série de normas COVENIN, com a norma sísmica atual sendo a COVENIN 1756-1:2019, e aponta como mecanismos de colapso observados no país o desabamento andar sobre andar, o dano grave em pilares e a perda de resistência a esforços horizontais, ligados a detalhamento não dúctil, armadura de confinamento insuficiente e pavimento flexível (soft story), mas essa avaliação trata sobretudo dos prédios de concreto mais antigos, e as torres de Caraballeda são posteriores a 2010. O engenheiro Carlton, do NGI, resume que quase todo país tem um código de obras adequado e que o problema é que muitas vezes ele não é seguido no projeto ou na execução, e a AP registra que não se sabe se as empreiteiras do governo cumpriram as normas venezuelanas nem se houve estudo de solo antes da obra, ou se ele foi ignorado. O governo não tornou públicos as plantas, os estudos de solo nem os registros de fiscalização das torres, e o governo da presidente interina Delcy Rodríguez também não informou se fez as análises periciais no local que os especialistas consideram indispensáveis para apontar causas e responsáveis, enquanto a limpeza, com demolição a explosivos de prédios danificados, e a reconstrução seguem em andamento, segundo a AP. --- # Learjet 60 cai em área residencial da Flórida com nove mortos, e a causa ainda não foi determinada - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/learjet-60-palm-beach-florida-investigacao/ - Fonte original: AVweb, https://avweb.com/flight-safety/accidents-ntsb/nine-killed-in-florida-learjet-accident/, 01.Nov.2026 (inglês) - Marcadores: Learjet 60, acidente aéreo, NTSB, gelo em aeronave, investigação de acidente - Como citar: NEXO CAUSAL, "Learjet 60 cai em área residencial da Flórida com nove mortos, e a causa ainda não foi determinada", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/learjet-60-palm-beach-florida-investigacao/ ## O que importa - Um Learjet 60 caiu em área residencial do condado de Palm Beach, na Flórida, em 1 de novembro de 2026, e as nove pessoas a bordo morreram, segundo o secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy. - As gravações do controle de tráfego aéreo registram o piloto relatando gelo e turbulência e, minutos depois, uma descida que ele mesmo informou em 20.000 pés por minuto (6.096m por minuto). - O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) lidera a investigação, com apoio da Administração Federal de Aviação (FAA), e nenhuma causa foi estabelecida até agora. Um Learjet 60 caiu em área residencial do condado de Palm Beach, no sul da Flórida, no domingo, 1 de novembro de 2026, e as nove pessoas a bordo morreram, segundo o secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, que confirmou as mortes em publicação na rede X. O avião saiu do Aeroporto Internacional de Austin-Bergstrom, no Texas, com destino ao Aeroporto de North Eleuthera, nas Bahamas, e o acidente ocorreu por volta das 12h50, horário local, segundo a AVweb e a NBC News. ## O voo e as comunicações com o controle Os dados de rastreamento identificam a aeronave como um Learjet 60 de 2004, fabricado pela Bombardier e registrado como N722BD, segundo a Aerospace Global News e a Aviation International News. Nas gravações do controle de tráfego aéreo de Miami, o piloto relatou gelo "leve e claro", que chamou de controlável, e turbulência moderada, informação que a CNN e a NBC News reproduziram. Depois de relatar precipitação, o piloto pediu para subir, e as fontes divergem sobre o nível pedido, que foi de 37.000 pés (11.278m) segundo a Forbes e a AIN, ou de 2.000 pés (610m) segundo a NBC Miami. Pouco depois, o piloto declarou emergência e informou uma descida de 10.000 pés por minuto (3.048m por minuto), que logo passou a 20.000 pés por minuto (6.096m por minuto), com o avião em condição de velocidade excessiva, o chamado overspeed. Os registros de rastreamento indicam uma taxa de descida acima de 30.000 pés por minuto (9.144m por minuto), e a Flightradar24 chegou a citar valor superior a 32.000 pés por minuto (9.754m por minuto). Segundo a CNN, com base no ADS-B Exchange, o avião perdeu cerca de 27.000 pés (8.230m) em um minuto, enquanto a SOFX resume a queda como de cerca de 35.000 pés (10.668m) para menos de 9.000 pés (2.743m) em pouco mais de um minuto. O último sinal foi registrado a 8.750 pés (2.667m) de altitude, segundo a Flightradar24 citada pela Aerospace Global News. Na última transmissão ouvida, o piloto disse que o avião iria bater no solo, e a frase "não temos mais tempo" foi captada cerca de 35 segundos depois da declaração de emergência, segundo a Forbes. ## Tempestades na rota Havia trovoadas e chuva forte na região no domingo, de acordo com a AVweb e a NBC Miami, e a própria rota atravessou uma área de tempestades. Segundo a CNN e a AVweb, o avião passou por uma célula de tempestade mais forte alguns minutos antes de começar a descer. A investigação ainda não definiu se o tempo contribuiu para a queda, e nenhuma autoridade atribuiu o acidente ao clima. ## Local da queda e evacuação O avião caiu perto da Military Trail, em Greenacres, deixou uma cratera na via e espalhou destroços perto de casas e de um condomínio de casas móveis. Cerca de 600 moradores desse condomínio foram retirados e levados a dois abrigos montados pelo condado com apoio da Cruz Vermelha, segundo a Aerospace Global News e a aerocorner. Não havia confirmação de vítimas no solo nas reportagens, segundo a SOFX e a AIN. A via foi fechada até nova ordem, e as autoridades avisaram que o trecho pode ficar interditado por bastante tempo, segundo a aerocorner. ## Quem investiga e o que ainda não se sabe O NTSB lidera a investigação, com apoio da FAA, segundo a AVweb e a Aerospace Global News. O NTSB enviou uma equipe de campo, o chamado Go Team, e marcou uma coletiva de imprensa em West Palm Beach para segunda-feira, 2 de novembro de 2026, segundo a SOFX e a aerocorner. Até o momento, nenhuma causa foi estabelecida, e a AVweb informa que os investigadores ainda não determinaram o que provocou a descida rápida. Também não se sabe quantas das nove pessoas eram tripulação e quantas eram passageiros, e a identidade delas não foi divulgada, segundo a CNN e a NBC News. ## O que a investigação costuma examinar No manual de investigação de grandes acidentes, o próprio NTSB prevê que a equipe de campo pode reunir especialistas em controle de tráfego aéreo, operações, meteorologia, fatores humanos, sistemas, motores, registros de manutenção, gravador de voz da cabine (CVR) e gravador de dados de voo (FDR). O mesmo manual prevê um especialista em meteorologia quando o acidente ocorre em condições de gelo ou de convecção, e especialistas em estruturas, sistemas, motores e registros de manutenção quando há indício de falha da aeronave. O processo do NTSB inclui a coleta de fatos no local e fora dele, com registros de voo, registros de manutenção e entrevistas, antes da análise que define a causa provável. Como o piloto falou em gelo, o histórico de manutenção do sistema antigelo e dos componentes de proteção pode entrar na conferência, embora nenhuma autoridade tenha dito até agora que o gelo contribuiu para a queda. Os documentos de peso e balanceamento da aeronave no momento da decolagem também costumam ser conferidos, porque mostram se a carga e a sua distribuição estavam dentro dos limites do projeto. ## Pontos em aberto Os relatos divergem em dois pontos principais: o nível pedido na subida e o nome do local da queda, que as reportagens dão como Greenacres, Cresthaven ou Lake Worth Beach. Ainda não se sabe o que os gravadores de bordo vão mostrar sobre a cabine nos segundos finais do voo. A próxima informação oficial esperada é a coletiva do NTSB, marcada para segunda-feira. --- # Incêndio que matou quatro militares na base de Wainwright, no Canadá, começou no estande do lançador de granadas - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-base-militar-cfb-wainwright-alberta-canada/ - Fonte original: Global News, https://globalnews.ca/news/12113035/officials-to-provide-update-on-fatal-fire-at-cfb-wainwright-in-alberta/, 22.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio de vegetação, origem e causa, base militar, Alberta, Canadá - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio que matou quatro militares na base de Wainwright, no Canadá, começou no estande do lançador de granadas", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-base-militar-cfb-wainwright-alberta-canada/ ## O que importa - O fogo começou durante um treino de rotina no estande do lançador automático de granadas da base CFB Wainwright, em Alberta, na tarde de 17 de outubro de 2026, e matou quatro militares e feriu 39. - Os bombeiros da base não podiam entrar no estande, que é área de perigo permanente por causa de munição não detonada, e o vento levou as chamas por cima dos aceiros até soldados que treinavam a cerca de um quilômetro dali. - A polícia militar, uma junta de inquérito das Forças Armadas e o médico-legista-chefe de Alberta investigam o caso, e o que provocou a ignição ainda não foi determinado. O incêndio que matou quatro militares e mandou 39 para o hospital na Canadian Forces Base (CFB) Wainwright, em Alberta, no Canadá, na tarde de 17 de outubro de 2026, começou no estande do lançador automático de granadas como resultado de um treino militar de rotina, segundo a brigadeiro-general Vanessa Hanrahan, chefe da polícia militar das Forças Armadas canadenses (Provost Marshal), na entrevista coletiva de 22 de outubro de 2026 relatada pela Global News. O primeiro-ministro Mark Carney chamou o que aconteceu de uma das piores tragédias das Forças Armadas em solo canadense em tempo de paz, e a base, a 200km a sudeste de Edmonton, é usada para treino de combate e de tiro real de tropas que vão servir no exterior, entre elas os soldados que se preparavam para missão na Letônia, segundo o The Globe and Mail. ## Onde o fogo começou O fogo de vegetação começou numa área de perigo permanente (permanent danger area), onde fica o estande do lançador automático de granadas, e ali passou horas sendo apenas monitorado, porque os bombeiros da base não podem entrar nessas áreas, que podem estar contaminadas por munição não detonada capaz de explodir se alguém pisar nela, como explicou a CBC News. Hanrahan resumiu o que a investigação já tinha confirmado naquele momento dizendo que "o fogo se iniciou no estande do lançador automático de granadas" e "como resultado do treino militar de rotina que acontecia naquele estande". O estande onde o fogo começou não foi o estande onde as mortes aconteceram, e a chefe da polícia militar disse que o foco da investigação, naquele momento, era a propagação do fogo pela área de treino até o ponto em que estavam os soldados. ## Como as chamas chegaram aos soldados Pouco antes das 16h, no horário local, ventos fortes e repentinos empurraram as chamas em outra direção, e o fogo passou por cima dos aceiros da base e chegou ao estande de duplas (pairs range), onde dois soldados atacam um alvo revezando-se na cobertura e no tiro, segundo o major-general Wade Rutland, comandante da 1ª Divisão Canadense, em relato da agência The Canadian Press publicado pela CP24. Cerca de 84 soldados do Princess Patricia's Canadian Light Infantry participavam do exercício de campo, e na entrevista de 18 de outubro de 2026 Rutland disse que o fogo percorreu um quilômetro em 30 a 60 segundos, enquanto Carney, no Parlamento, no dia seguinte, afirmou que o fogo, "empurrado por ventos ferozes", saltou quase um quilômetro em menos de um minuto até onde os soldados estavam reunidos. As rajadas chegaram a 69km/h, a previsão para a região naquele sábado falava em rajadas de até 90km/h, e o sistema federal de informação sobre incêndios florestais do Canadá mostrava o perigo de incêndio e o índice meteorológico de incêndio (Fire Weather Index) muito altos ou extremos perto de Wainwright naquela tarde, com a vegetação muito seca, segundo o The Globe and Mail. ## Hipóteses descartadas Os primeiros relatos falaram em explosão e em sete mortos, mas Rutland afirmou em 18 de outubro de 2026 que não houve explosões, e Hanrahan disse depois que não há indício de explosão de nenhum tipo que tenha provocado o fogo ou sido provocada por ele, nem de envolvimento da infraestrutura de gás natural da região. O que exatamente provocou a ignição no estande ainda não foi determinado, e Hanrahan disse que seria inadequado especular sobre as decisões tomadas desde que o fogo começou até o acidente, porque a equipe de investigação ainda estava em campo levantando cada uma delas. ## O horário do treino em exame As normas permanentes dos estandes de treino da base recomendam que as unidades que atiram entre agosto e outubro planejem os tiros para o início da manhã, quando o risco de incêndio é menor, e dizem que antes das 10h o risco "normalmente é baixo o bastante para permitir o disparo da maioria dos tipos de munição", segundo a Global News. Rutland disse que o horário do exercício fará parte da análise, mas pediu cautela com o documento, porque se trata de uma diretriz e os comandantes no terreno precisam avaliar vários fatores, como o tempo, a secura da vegetação e o tipo de munição, e "o que precisa ser examinado são os fatores daquele dia, e não as diretrizes gerais dos estandes". Jen Beverly, pesquisadora de incêndios em vegetação da Universidade de Alberta, disse à CTV News que vento forte e passagem de frente fria podem mudar de repente a direção de um incêndio ativo, comportamento bem conhecido das equipes de combate, e que os investigadores provavelmente vão coletar amostras do capim em volta para medir a carga de combustível. ## Três investigações A polícia militar, com 30 integrantes no caso, investiga de forma independente da cadeia de comando para apurar os fatos e verificar se houve crime ou infração disciplinar militar, e Hanrahan ressaltou que a participação da polícia militar não deve ser interpretada como indício de que houve infração. A junta de inquérito (Board of Inquiry) das Forças Armadas é uma apuração de fatos que vai examinar as circunstâncias mais amplas e recomendar medidas para evitar que algo parecido se repita, e em 22 de outubro de 2026 ainda não tinha sido instalada, porque os termos de referência e a composição estavam em definição, enquanto o Departamento de Defesa Nacional informou que esse tipo de inquérito costuma levar de nove a doze meses. O escritório do médico-legista-chefe de Alberta investiga as mortes, e a apuração conta ainda com o apoio da Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) e do serviço de bombeiros das Forças Armadas (CAF Fire Marshal), com 50 investigadores no local, segundo Carney. A chefe do Estado-Maior da Defesa, general Jennie Carignan, prometeu tornar públicas as conclusões da junta de inquérito, e Rutland disse que as Forças Armadas vão rever, entre outros pontos, os padrões de segurança de munição, de estandes e de treino. ## As vítimas Morreram o sargento Morgan Wong, de 26 anos, de Edmonton, e os soldados Shaun Farrell, de 23 anos, de Prince Albert, Aidan Goulding, de 23 anos, de North Vancouver, e Hayden Lykkemark, de 19 anos, de Langley, todos do 3º Batalhão do Princess Patricia's Canadian Light Infantry. Em 22 de outubro de 2026, 27 militares continuavam internados, 13 deles em estado crítico, e 12 já tinham recebido alta, enquanto o treino na base foi retomado apenas a seco, sem munição, num tipo de atividade que Rutland descreveu como completamente diferente do que acontecia no dia do incêndio. --- # PHP2Shell: falhas críticas do PHP vazaram antes da correção e já eram testadas por invasores quatro dias antes - Publicado: 02.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/php2shell-falhas-criticas-php-vazadas-antes-da-correcao/ - Fonte original: BleepingComputer, https://www.bleepingcomputer.com/news/security/cisa-confirms-php2shell-vulnerabilities-now-exploited-in-attacks/, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: PHP, vulnerabilidade, CISA, honeypot, execução remota de código - Como citar: NEXO CAUSAL, "PHP2Shell: falhas críticas do PHP vazaram antes da correção e já eram testadas por invasores quatro dias antes", 02.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/php2shell-falhas-criticas-php-vazadas-antes-da-correcao/ ## O que importa - Detalhes de duas falhas críticas do PHP, a linguagem por trás de cerca de 70% dos sites, vazaram em 20 de outubro de 2026, véspera da correção, e obrigaram a equipe do PHP a antecipar a atualização. - Os sensores-armadilha da Amazon registraram uma tentativa de exploração em 17 de outubro de 2026, quatro dias antes da correção, e a empresa afirma que as falhas passaram a ser exploradas em larga escala. - A CISA incluiu as falhas no catálogo de vulnerabilidades exploradas em 26 de outubro de 2026, e mais de 5,1 milhões de servidores com PHP estão expostos na internet, segundo o VirusTotal. A agência americana de segurança cibernética e de infraestrutura, a CISA, incluiu em 26 de outubro de 2026 no seu catálogo de vulnerabilidades exploradas duas falhas críticas do PHP, conhecidas em conjunto como PHP2Shell (CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619), que permitem a um invasor sem nenhum privilégio executar código à distância em servidores sem atualização, segundo o BleepingComputer, e o caso ficou marcado porque os detalhes vazaram antes da correção e as primeiras tentativas de ataque apareceram dias antes de existir conserto. ## A descoberta e o embargo As falhas foram encontradas em agosto de 2026 pela Wiz Research, com a empresa Calif e a iniciativa Patch the Planet, da OpenAI, e, pela linha do tempo publicada pela Recorded Future, a Wiz achou a primeira em 19 de agosto, confirmou a execução de código sem autenticação contra o Drupal no dia 20 e contra o WordPress no dia 21 e comunicou o problema em sigilo à equipe de segurança do PHP em 24 de agosto de 2026. O plano era divulgar as falhas junto com a correção, num processo de divulgação coordenada em que todos guardam o segredo até a data combinada, mas na manhã de 20 de outubro de 2026 um usuário do fórum Hacker News publicou que duas falhas críticas do PHP estavam para ser reveladas, e o texto foi apagado depois de as capturas de tela já circularem nas redes, segundo a empresa de segurança Huntress. A empresa watchTowr confirmou em poucas horas que as falhas eram reais e que todos deveriam esperar até quinta-feira às 11h no horário da costa leste dos Estados Unidos, e a equipe do PHP antecipou a atualização para quarta-feira, 21 de outubro de 2026, às 14h em UTC, depois que vazaram também os números das falhas e as medidas de mitigação repassadas a alguns operadores de infraestrutura crítica. Um arquivo com informações vazadas das falhas foi enviado ao VirusTotal às 2h29 em UTC de 21 de outubro de 2026, a Patchstack recebeu às 7h34 em UTC avisos de parceiros de hospedagem sobre vários casos de exploração ativa, e o PHP publicou as versões corrigidas 8.2.35, 8.3.36, 8.4.27 e 8.5.12 às 13h52 em UTC (10h52 em Brasília), antes do horário anunciado. ## Onde está o defeito As duas falhas são de segurança de memória no próprio PHP, e não num aplicativo construído sobre ele, de modo que até um site com código seguro pode ser atingido, segundo a Recorded Future. A CVE-2026-109618 está no tratamento do erro de falta de memória: quando o PHP fica sem memória enquanto prepara os dados de uma requisição, a preparação é interrompida pela metade e, na limpeza da requisição, esses dados incompletos são tratados como válidos, o que abre caminho para executar código com a conta do processo do servidor web, explica a Huntress. A CVE-2026-109619 acontece porque o PHP guarda o estado de uma requisição depois que a memória por trás dele já foi liberada, e, se o mesmo processo atender a uma requisição seguinte, o PHP pode usar esse estado velho antes de reiniciá-lo, falha que leva a uso de memória já liberada (use-after-free), vazamento de memória e execução remota de código. Parte dos caminhos de ataque passa pela função de acompanhamento do progresso de envio de arquivos, que existe desde o PHP 5.4.0 e vem ativada por padrão, e a Wiz mostrou que o vazamento de memória pode expor senhas, tokens de autenticação, chaves de API e certificados de outras requisições. ## A linha do tempo da exploração A equipe de inteligência de ameaças da Amazon informou que os seus sensores-armadilha, a rede de honeypots MadPot, registraram uma tentativa de exploração em 17 de outubro de 2026, quatro dias antes da correção, vinda de um endereço de uma rede comercial de anonimização, o que, para a empresa, indica um atacante, embora não esteja claro como ele obteve informação do ataque antes da divulgação. No dia 21, a Amazon detectou várias explorações de prova de conceito por volta das 2h no horário de Greenwich, cerca de 12 horas antes da divulgação, com novas tentativas contra os sensores até as 8h a partir de outra infraestrutura, e o diretor de segurança da AWS, CJ Moses, disse que a variação das cargas e das redes de anonimização sugere vários atacantes e que não se sabe se alguma dessas tentativas teria dado certo em sistemas reais. O presidente da Cloudflare, Matthew Prince, escreveu na rede X que a empresa viu milhares de tentativas de exploração nas 10 horas anteriores à divulgação, dezenas de milhares nos 45 minutos seguintes ao anúncio, centenas de milhares em duas horas e depois milhões, e Cloudflare, Amazon, Hadrian, watchTowr, Previdian e Patchstack registraram tentativas antes da divulgação, todas classificadas como malsucedidas. A primeira confirmação de exploração real veio no fim de semana de 24 e 25 de outubro de 2026, quando Adel Karimi, responsável por detecção e resposta da Perplexity, relatou que honeypots da empresa registraram execução remota de código contra uma instalação Apache com mod_php rodando o PHP 8.4.26, e na segunda-feira, 26 de outubro, a CISA incluiu as falhas no catálogo e deu às agências civis federais até quinta-feira para se protegerem. ## Exposição e o que fica para a investigação O VirusTotal conta mais de 5,1 milhões de servidores com PHP expostos na internet, cerca de 3,8 milhões deles com pelo menos uma porta aberta a ataques, e, entre os que informam a versão, a maioria roda ramos sem suporte, enquanto as versões corrigidas oficiais saíram só para os ramos do 8.2 em diante. Como as tentativas começaram antes da divulgação, Moses alertou que os defensores não devem tomar a data da divulgação como a data mais antiga de exploração, a Recorded Future recomenda estender o período de busca para antes da divulgação, já que a exploração ocorre abaixo da camada do aplicativo e os registros podem mostrar pouco, e a Huntress aconselha procurar processos do PHP abrindo shells, interpretadores ou ferramentas de download e, se algo for achado, isolar o servidor e preservar os registros. Na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a equipe do PHP divulgou ainda mitigação, sem correção, para uma terceira falha de execução remota (CVE-2026-115560), explorável apenas numa combinação incomum de configuração e código do aplicativo. --- # Comitê de regras de prova dos EUA reescreve a Rule 707 para prova gerada por IA e detalha o teste em dois passos contra deepfakes - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/regras-de-prova-dos-eua-rule-707-ia-e-rule-901c-deepfakes/ - Fonte original: Judicial Conference of the United States, Advisory Committee on Evidence Rules, https://www.uscourts.gov/sites/default/files/document/2026-10-evidence-rules-agenda-book.pdf, 13.Out.2026 (inglês) - Marcadores: inteligência artificial, deepfake, admissibilidade da prova, Federal Rules of Evidence, Justiça federal, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Comitê de regras de prova dos EUA reescreve a Rule 707 para prova gerada por IA e detalha o teste em dois passos contra deepfakes", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/regras-de-prova-dos-eua-rule-707-ia-e-rule-901c-deepfakes/ ## O que importa - O caderno da reunião de 15 de outubro de 2026 do comitê consultivo de regras de prova da Justiça federal americana traz a nova versão da Rule 707, que aplica à saída de inteligência artificial os mesmos requisitos de confiabilidade exigidos do perito pela Rule 702. - A primeira versão foi retirada depois da consulta pública, e a nova presume, sem exigir em todos os casos, que um especialista explique como o sistema produziu o resultado. - O mesmo caderno traz a minuta da Rule 901(c), em que quem alega deepfake precisa primeiro apresentar indícios concretos e só então a outra parte tem de provar que o item é mais provavelmente autêntico. O comitê consultivo de regras de prova da Conferência Judicial dos Estados Unidos (Advisory Committee on Evidence Rules), que propõe mudanças nas Federal Rules of Evidence, as regras de prova da Justiça federal americana, publicou o caderno de pauta da reunião de 15 de outubro de 2026, em Boston, com duas minutas que tratam de inteligência artificial: a nova versão da Rule 707, sobre prova produzida por IA e apresentada sem perito, e a Rule 901(c), sobre a alegação de que uma prova é deepfake. ## O problema que a Rule 707 tenta resolver Pela Rule 702, o juiz só admite o depoimento de um perito se ele ajudar o julgador, se basear em fatos ou dados suficientes, resultar de princípios e métodos confiáveis e refletir a aplicação confiável desses métodos ao caso, e o relator do comitê, o professor Daniel J. Capra, da Fordham University, registra no memorando que essa filtragem não alcança a saída de um sistema de IA quando ela chega ao processo sem perito, por exemplo pelas mãos de uma testemunha que operou o programa e não sabe nada sobre a sua confiabilidade. O memorando reproduz exemplos discutidos na literatura jurídica, como o técnico de radiologia que relata o diagnóstico de um sistema de IA sobre uma ressonância e o regulador de sinistros que gera com IA, a partir do registrador de dados do veículo, um modelo da sequência de um acidente, situações em que, sem perito, a Rule 702 não se aplica. ## O caminho até a retirada da primeira versão A primeira proposta foi aprovada para consulta pública na reunião da primavera de 2025, o prazo de comentários terminou em 16 de fevereiro de 2026 e, segundo a ata da reunião de 7 de maio de 2026, houve duas audiências públicas e 59 comentários escritos dentro do prazo, dos quais só 3 apoiavam a regra sem ressalvas, 27 a apoiavam com mudanças e 27 eram contrários. As críticas registradas na ata incluíam a amplitude da expressão "machine-generated evidence" (prova gerada por máquina), a imprecisão da exceção para "instrumentos científicos simples", o risco de a regra abrir um caminho para admitir IA sem perito e a avaliação de que a regra seria prematura, e em maio o comitê decidiu retirar o texto publicado e levar adiante uma das três versões revistas preparadas pelo relator, a chamada Versão 2. ## O que diz a nova versão Pela minuta, quando a prova é produto de IA, é apresentada sem perito e estaria sujeita à Rule 702 se fosse dita por uma testemunha, quem a apresenta precisa demonstrar os quatro requisitos da Rule 702, e normalmente deve providenciar um especialista que explique como o sistema produziu o resultado de forma confiável, embora em circunstâncias excepcionais o juiz possa aceitar outra prova. A minuta também exige aviso prévio razoável a todas as partes, exclui os fatos que podem ser objeto de notícia judicial (judicial notice), como as distâncias do Google Maps citadas como exemplo pelo relator na reunião de maio, e define inteligência artificial como sistema baseado em máquina que, para um conjunto de objetivos definidos por pessoas, faz previsões, recomendações ou decisões que influenciam ambientes reais ou virtuais, definição tirada do National Artificial Intelligence Initiative Act of 2020, com a possível inclusão da expressão "fornecer análise", que o relator deixou entre colchetes para discussão no painel de especialistas. A nota explicativa da minuta lista o que o juiz deve examinar, como a representatividade dos dados de treinamento para a população envolvida no caso, a validação do sistema em condições parecidas com as do caso, os registros que o sistema guarda e apaga e a possibilidade de reproduzir ou auditar o resultado, a avaliação por entidades independentes do desenvolvedor e o acesso da parte contrária a informações sobre como e por que o processo funciona. A mesma nota afirma que, se o processo não puder ser explicado, o juiz deve na maioria dos casos concluir que a confiabilidade não foi demonstrada, a não ser que se mostre, por exemplo com estudos de validação, como o sistema foi treinado e que a taxa de erro é baixa, e, como a saída de um programa não pode ser submetida a perguntas da outra parte como um perito, sugere que o juiz considere advertir o júri de que prova produzida por máquina está sujeita a erro. ## Deepfake: o teste em dois passos da Rule 901(c) Na minuta da Rule 901(c), quem contesta a autenticidade de uma prova alegando que ela foi fabricada, no todo ou em parte, por IA generativa precisa primeiro apresentar elementos suficientes para sustentar a conclusão de que houve fabricação, porque a simples alegação de "falso" não basta, e só então quem apresentou a prova tem de demonstrar ao juiz que ela é mais provavelmente autêntica do que não. O memorando do relator, de 15 de setembro de 2026, propõe acrescentar à nota uma lista não exaustiva de fatos que podem justificar a investigação, como metadados ausentes ou anômalos, datas de criação e carimbos de tempo inconsistentes, edições ou artefatos de compressão sem explicação, ausência do arquivo nativo quando se oferece uma versão derivada, falhas na cadeia de custódia que dariam oportunidade de adulteração, padrões de áudio incomuns e problemas de sincronia, uso conhecido de IA generativa pela parte que apresenta a prova e prova independente que contradiz o conteúdo do item. O próprio relator anota que essa lista tende a ficar incompleta e desatualizada, porque a IA generativa evolui muito depressa, e que por isso ela seria submetida ao painel de especialistas convidado para a reunião de outubro. ## O que os documentos mudam para a perícia A minuta da Rule 707 diz que os requisitos de confiabilidade normalmente serão impossíveis de cumprir sem um perito e que a regra não tem o objetivo de estimular a troca do perito pela saída de IA, e a lista de indícios proposta para a Rule 901(c) é formada por elementos técnicos, como metadados, arquivo nativo, artefatos de compressão e cadeia de custódia. As duas minutas ainda não foram aprovadas em definitivo, e a ata de maio registra que o comitê pretende examinar a Rule 707 e a Rule 901(c) em conjunto, o que permitiria publicar as duas propostas para consulta pública ao mesmo tempo. --- # Registro de normas forenses da OSAC inclui a ISO/IEC 17020:2026 e as boas práticas da SWGDE para coleta e extração de celular - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/registro-da-osac-inclui-iso-iec-17020-2026-e-boas-praticas-swgde-para-celular/ - Fonte original: NIST, Organization of Scientific Area Committees (OSAC), https://www.nist.gov/osac/osac-registry, 06.Out.2026 (inglês) - Marcadores: OSAC, ISO/IEC 17020, SWGDE, celular, cadeia de custódia, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Registro de normas forenses da OSAC inclui a ISO/IEC 17020:2026 e as boas práticas da SWGDE para coleta e extração de celular", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/registro-da-osac-inclui-iso-iec-17020-2026-e-boas-praticas-swgde-para-celular/ ## O que importa - Em 6 de outubro de 2026 a OSAC, organização de normas forenses ligada ao NIST, incluiu quatro documentos no seu registro de normas recomendadas aos laboratórios e peritos dos Estados Unidos. - Entraram a nova edição da ISO/IEC 17020, norma de requisitos para organismos de inspeção, duas boas práticas da SWGDE, uma sobre celular e outra sobre ocultação de trechos em vídeo e áudio, e um guia da ASTM sobre vestígios. - O guia de celular manda isolar o aparelho da rede sem cortar a blindagem, manter ligado o que está ligado e desligado o que está desligado, e registrar tudo o que o perito fizer no aparelho. A Organization of Scientific Area Committees for Forensic Science (OSAC), organização administrada pelo National Institute of Standards and Technology (NIST), a agência de padrões dos Estados Unidos, e criada em 2014 para suprir a falta de normas específicas das disciplinas forenses, incluiu em 6 de outubro de 2026 quatro documentos no OSAC Registry, a lista de normas que ela recomenda aos laboratórios e peritos forenses do país, entre eles a nova edição da ISO/IEC 17020 e a versão 2.0 das boas práticas da SWGDE para coleta, preservação e extração de dados de celular. ## O que é o registro da OSAC O registro reúne normas publicadas e propostas com requisitos mínimos, boas práticas, protocolos e terminologia para resultados forenses válidos, confiáveis e reprodutíveis, e cada documento só entra depois de uma revisão técnica e de qualidade aberta a peritos, pesquisadores, especialistas em fatores humanos, estatísticos, juristas e ao público, e de ser aprovado por pelo menos dois terços do subcomitê que o propôs e do Forensic Science Standards Board, o conselho de normas da OSAC. A OSAC incentiva a comunidade forense a adotar o que está no registro, que tem normas já publicadas por organismos de normalização, como ISO, ASTM e SWGDE, e normas propostas pela própria OSAC enquanto o organismo responsável conclui a publicação. ## Os quatro documentos incluídos O primeiro é a ISO/IEC 17020:2026, sobre requisitos para organismos que executam inspeção, indicada pelo comitê interdisciplinar da OSAC, e o segundo é a SWGDE 18-F-003-2.0, as boas práticas para coleta, preservação, manuseio e extração de dados de dispositivos móveis do Scientific Working Group on Digital Evidence (SWGDE), grupo de trabalho americano de prova digital, versão de 21 de agosto de 2025. O terceiro é a SWGDE 18-M-001-2.3, diretrizes para ocultar trechos de gravações de vídeo e áudio, versão de 19 de dezembro de 2025, e o quarto é a ANSI/ASTM E3462-25e1, guia da ASTM International para interpretação e relato de comparações forenses de vestígios, que a ASTM disponibiliza de graça mediante cadastro. ## A nova ISO/IEC 17020 A ISO/IEC 17020:2026 foi publicada em 27 de março de 2026 e substitui a edição de 2012, e o resumo de mudanças divulgado pelo UKAS, o organismo de acreditação do Reino Unido, cita estrutura mais clara, definições novas como cliente e item, exigências mais fortes de imparcialidade e independência, controle de equipamentos que passa a incluir verificações em serviço, sistemas tecnológicos, inteligência artificial e ferramentas remotas, e uma seção nova sobre controle de dados e informações, com validação e segurança de software. O mesmo resumo aponta que os métodos de inspeção passam a exigir desenvolvimento planejado e validação dos métodos não normalizados, que o cadastro de fornecedores externos se torna obrigatório, que o tratamento de apelações e reclamações precisa ser público e que a gestão de riscos e oportunidades substitui a ação preventiva. O prazo de transição foi fixado internacionalmente em três anos a partir da publicação, de modo que, segundo o UKAS, a partir de 27 de março de 2029 só valem acreditações pela edição de 2026, e no Brasil a edição de 2012 tem versão da ABNT, a ABNT NBR ISO/IEC 17020, sem que as fontes consultadas indiquem se a nova edição já foi adotada. ## Celular: isolar, manter o estado e registrar A SWGDE 18-F-003-2.0 se dirige a quem tem qualificação para coletar, preservar, manusear ou extrair prova digital, no laboratório ou em campo, e avisa que não é um roteiro passo a passo nem orientação jurídica. Na documentação, o guia pede fotos do local, do estado do aparelho (ligado ou desligado, bloqueado ou desbloqueado), da hora mostrada na tela, das conexões de rede e das marcas físicas, e exige que a cadeia de custódia seja registrada no momento dos fatos, com descrição do item, identificador único, data e hora de cada entrega e identificação completa de quem recebeu. Para isolar o aparelho da rede e evitar apagamento remoto ou chegada de dados novos, o documento diz que o modo avião das versões novas dos sistemas pode não desligar Bluetooth e Wi-Fi, ou desligar só por um tempo, e recomenda conferir à mão ou usar um invólucro de blindagem de radiofrequência, a chamada bolsa de Faraday, lembrando que a blindagem não é sempre total, gasta a bateria e não pode ser furada por um cabo que vá a uma tomada do lado de fora. Celular ligado deve ficar ligado e na energia, porque um temporizador de inatividade pode reiniciar o aparelho e levá-lo do estado depois do primeiro desbloqueio (AFU) ao estado antes do primeiro desbloqueio (BFU), o mais seguro do sistema, em que parte dos dados fica irrecuperável, e celular desligado deve ficar desligado, porque novos ciclos de energia afetam os dados e alguns aparelhos ligam sozinhos quando conectados à energia. Aparelho encontrado submerso deve ir ao laboratório num recipiente estanque, mergulhado no mesmo líquido, e aparelho que esteve molhado deve ter a bateria retirada na coleta, se possível, sem tentativa de ligá-lo. Na extração, a ordem recomendada para um aparelho desbloqueado com senha conhecida começa pela extração AFU, segue com memória, registros do sistema, sistema de arquivos completo e extração lógica, e o guia lembra que não há bloqueador de escrita para o próprio celular, que a extração pode deixar vestígios e exige anotações feitas na hora, e que os valores de hash de duas extrações do mesmo aparelho podem não coincidir porque o armazenamento muda o tempo todo. ## Vídeo e áudio: ocultar sem permitir reverter A SWGDE 18-M-001-2.3 trata da ocultação de trechos em gravações de câmeras corporais, viaturas, gravadores de vídeo, ligações ao 911 e locais de crime antes de serem divulgadas, e diz que a decisão sobre o que ocultar deve ser tomada antes, com assessoria jurídica, numa lista com descrição, código de tempo e transcrição. O documento recomenda escolher filtros que não possam ser revertidos depois de exportados, lembra que pesquisas mostram que um desfoque gaussiano forte engana o olho humano, mas pode ser desfeito por aprendizado de máquina a partir das bordas que sobram, enquanto um mosaico de pixelização extrema impede a identificação por pessoas e por reconhecimento facial, e desaconselha alterar o tom da voz, que pode ser revertido, e o silêncio, que se confunde com silêncio original, recomendando um tom fixo. O guia também pede atenção aos metadados embutidos, como coordenadas de GPS, números de série de câmeras e nomes de autores, que devem ser lidos com mais de um programa e removidos antes da divulgação, e exige que cada trecho ocultado seja documentado com o código de tempo, o filtro usado e a justificativa, para que o trabalho seja transparente e possa ser repetido. --- # Fundação de pesquisa da NFPA lidera projeto de três anos para criar modelo de cálculo de arco elétrico em corrente contínua - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nfpa-projeto-modelo-de-arco-eletrico-em-corrente-continua/ - Fonte original: NFPA / Fire Protection Research Foundation, https://www.nfpa.org/about-nfpa/press-room/news-releases/2026/fire-protection-research-foundation-leading-dc-arc-flash-research-project, 02.Out.2026 (inglês) - Marcadores: arco elétrico, corrente contínua, NFPA 70E, IEEE 1584, energia incidente, baterias - Como citar: NEXO CAUSAL, "Fundação de pesquisa da NFPA lidera projeto de três anos para criar modelo de cálculo de arco elétrico em corrente contínua", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nfpa-projeto-modelo-de-arco-eletrico-em-corrente-continua/ ## O que importa - A Fire Protection Research Foundation, afiliada de pesquisa da NFPA, anunciou em 2 de outubro de 2026 um projeto de três anos para desenvolver o cálculo do risco de arco elétrico em corrente contínua. - Os métodos usados hoje para calcular a energia incidente se baseiam em corrente alternada, e o guia IEEE 1584-2018 se limita a ela, enquanto a corrente contínua se espalha em data centers, baterias e sistemas fotovoltaicos. - O primeiro ano trata de data centers de 800V, e as equações devem ser publicadas de graça no relatório final e subsidiar a edição de 2030 da NFPA 70E. A Fire Protection Research Foundation (FPRF), afiliada de pesquisa independente da National Fire Protection Association (NFPA), anunciou em 2 de outubro de 2026 que lidera um projeto de três anos para desenvolver o cálculo do risco de arco elétrico (arc flash) em corrente contínua, com patrocínio da NFPA, da Siemens, da Schneider Electric, da Eaton, da ABB e da Mersen. O projeto, chamado Development of a Model for Direct Current (DC) Arc Flash Phenomena, responde ao aumento do uso de corrente contínua em data centers, veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, sistemas fotovoltaicos e outros ambientes industriais e comerciais, e a fundação lembra que o arco elétrico pode expor o trabalhador a riscos graves, com perigo de morte, em fração de segundo. ## A lacuna nos métodos de cálculo atuais A página do projeto explica que a NFPA 70E, Standard for Electrical Safety in the Workplace, resume no Anexo D os métodos de cálculo disponíveis, entre eles o IEEE 1584-2018, Guide for Performing Arc-Flash Hazard Calculations, que traz modelos matemáticos para determinar a distância de risco do arco e a energia incidente, isto é, a energia térmica que chega ao corpo do trabalhador, mas cujas orientações se limitam à corrente alternada. Segundo a fundação, os outros métodos listados na NFPA 70E podem adotar uma abordagem mais conservadora para o risco em corrente contínua, e a seção 110.16 do National Electrical Code (NEC) exige etiqueta com a fronteira de arco e a energia incidente disponível ou o nível de equipamento de proteção individual exigido, regra que vale para sistemas de corrente alternada e de corrente contínua. O comunicado diz que a maior parte dos métodos de cálculo de arco usados hoje se baseia em sistemas de corrente alternada e que faltam abordagens validadas e práticas para a corrente contínua, e a diretora executiva da FPRF, Amanda Kimball, afirmou que, com esses sistemas cada vez mais comuns em instalações críticas e em tecnologias novas, cresce a necessidade de orientação de segurança prática e baseada em evidências. ## O que o modelo precisa entregar Os objetivos publicados pedem, primeiro, um modelo de cálculo da corrente de curto-circuito em corrente contínua com resultado em função do tempo, em forma fechada, ou seja, por equações explícitas, semelhante ao da norma IEC 61660, que possa ser aplicado em qualquer programa de computador. O segundo objetivo é um modelo da energia térmica incidente que o arco impõe a uma superfície a uma dada distância e da fronteira de arco, definida como a distância em que essa energia chega a 1,2cal/cm² (5,02J/cm²), com resultado entre 0% e 10% acima do valor real quando as entradas tiverem erro de até 10% para mais ou para menos, desenvolvido como modelo teórico e validado por ensaios. Os modelos devem aceitar tensões nominais de distribuição de 250V a 3.000V em corrente contínua, distância de trabalho de 18" (45,72cm), com resultado convertível para outras distâncias, conversores de até 5.000A, demais fontes sem limite de potência, arranjos de condutores ao ar livre e dentro de caixa e tempo de arco sem restrição, e devem fornecer a corrente de curto-circuito de cada fonte em kA ao longo do tempo, a energia incidente em cal/cm² e a fronteira de arco em polegadas. Para o tempo de eliminação da falta, o projeto pede um método baseado na energia acumulada que chega ao arco e na energia total de interrupção nominal do dispositivo de proteção contra sobrecorrente, ou, quando o dispositivo não tiver esse valor informado, nas suas curvas de tempo e corrente. ## Ensaios em três fases Pelo comunicado, o primeiro ano se concentra em data centers de 800V, com ensaios iniciais numa tensão e numa configuração de fonte específicas, e as fases seguintes ampliam os ensaios e o modelo geral para baterias, sistemas fotovoltaicos, conversores, motores e capacitores de corrente contínua. A página do projeto detalha que a primeira fase vai caracterizar o comportamento do arco e a contribuição do conversor para a corrente de falta e validar os cálculos de curto-circuito, que a segunda deve concluir o modelo validado para data centers de 800V e definir a base para estendê-lo de cerca de 200V a 3.000V, e que a terceira inclui baterias de íons de lítio, de chumbo-ácido e de níquel-cádmio, considerando o estado de carga. Os ensaios podem ser feitos em qualquer laboratório, desde que os procedimentos de controle de qualidade sejam publicados e auditados com critério de aprovação e reprovação, e uma auditoria reprovada invalida todos os resultados produzidos depois da última auditoria aprovada, enquanto o registro da onda de pressão do arco (arc blast) é recomendado, embora não seja exigido. O custo estimado está na faixa de US$ 3 milhões a US$ 4 milhões, conforme as fontes de corrente contínua que forem incluídas, e o trabalho será acompanhado por um painel técnico com especialistas independentes e representantes dos patrocinadores, que vai revisar o andamento e os produtos de cada etapa. ## O que a fundação prevê para as normas Os modelos, com as equações, devem ser publicados de graça no relatório final da FPRF, e a fundação diz que os resultados vão subsidiar a revisão de normas de consenso, inclusive a edição de 2030 da NFPA 70E, que poderá citá-los como métodos adicionais de cálculo. Até lá, a própria página do projeto registra que o IEEE 1584-2018 não cobre a corrente contínua e que os demais métodos reunidos na NFPA 70E podem ser mais conservadores quando aplicados a instalações de corrente contínua, como as de baterias e de sistemas fotovoltaicos citadas pela fundação. --- # Norma de inspeção predial ganha emenda e cinco novas partes por sistema em Consulta Nacional da ABNT - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Normas e padrões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nbr-16747-inspecao-predial-emenda-e-novas-partes-em-consulta-nacional/ - Fonte original: CBIC, Boletim de Normas Técnicas do setor da construção civil, https://cbic.org.br/wp-content/uploads/2026/10/boletim-de-normas-tecnicas-setor-da-construcao-civil-set-e-out26.pdf, 20.Out.2026 (português) - Marcadores: inspeção predial, ABNT NBR 16747, Consulta Nacional, normalização, manutenção predial, Brasil - Como citar: NEXO CAUSAL, "Norma de inspeção predial ganha emenda e cinco novas partes por sistema em Consulta Nacional da ABNT", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nbr-16747-inspecao-predial-emenda-e-novas-partes-em-consulta-nacional/ ## O que importa - A ABNT colocou em Consulta Nacional, até 16 de dezembro de 2026, o projeto de Emenda 1 da ABNT NBR 16747 e os projetos das partes 2 a 6, que tratam da inspeção de sistemas específicos da edificação. - As novas partes cobrem instalações hidráulicas e sanitárias, sistema estrutural, instalações elétricas de baixa tensão e SPDA, sistemas AVAC-R e proteção contra incêndio, todas com o subtítulo Procedimento. - Os textos só podem ser lidos e comentados no portal da Consulta Nacional, com cadastro gratuito, e qualquer interessado pode recomendar aprovação ou reprovação com objeções técnicas. A ABNT NBR 16747, norma brasileira de inspeção predial publicada em 21 de maio de 2020, está com um projeto de emenda e com cinco projetos de novas partes em Consulta Nacional, todos da Comissão de Estudo Especial ABNT/CEE-249 Inspeção predial e com prazo para manifestação até 16 de dezembro de 2026, segundo a lista de projetos em consulta do portal da ABNT e o Boletim de Normas Técnicas do setor da construção civil publicado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). ## O que está em consulta O primeiro projeto é a Emenda 1 da própria ABNT NBR 16747, que mantém o título "Inspeção predial - Diretrizes, conceitos, terminologia e procedimento", e os outros cinco criam uma série de partes com o mesmo número, cada uma voltada a um sistema da edificação e todas com o subtítulo "Procedimento". A Parte 2 trata do sistema de instalações hidráulicas e sanitárias prediais, a Parte 3 do sistema estrutural, a Parte 4 dos sistemas de instalações elétricas de baixa tensão e de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), a Parte 5 dos sistemas de aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração (AVAC-R) e a Parte 6 do sistema de proteção contra incêndio. O portal da Consulta Nacional, consultado em 29 de outubro de 2026, mostrava seis projetos da ABNT/CEE-249 em consulta, e a data de abertura de cada consulta não aparece na lista pública, que traz só a data-limite de 16 de dezembro de 2026. ## O que a norma de 2020 já estabelece Quando foi publicada, a ABNT NBR 16747 passou a valer para edificações de qualquer tipologia, públicas ou privadas, com conceitos, diretrizes e procedimentos para uniformizar a metodologia da inspeção predial e definir as suas etapas mínimas, segundo a CBIC, que acompanhou a elaboração e registrou que o processo começou em 14 de maio de 2013, com a instalação da comissão de estudo. A CBIC descreveu a inspeção predial definida na norma como uma avaliação global da edificação, que observa, por exemplo, o estado de conservação e a conformidade da manutenção com a ABNT NBR 5674 (Manutenção de edificações) e que, conforme o porte e a complexidade do imóvel, pode exigir equipe multidisciplinar de profissionais habilitados. Trabalho do Contecc 2022 publicado no site do Confea, de Mariana Fonseca Alves Ribeiro, Paulo Otávio Barboza dos Santos e Ricardo Barbosa Ferreira, resume o procedimento da norma de 2020 como uma avaliação sistêmica e predominantemente sensorial, feita na data da vistoria, numa sequência de etapas que começa pela coleta e análise da documentação, passa pela anamnese e termina na inspeção no local, sempre por profissional registrado no CREA ou no CAU. Pelo mesmo trabalho, as irregularidades encontradas são classificadas em anomalias, que podem ser endógenas, exógenas ou funcionais, e em falhas de uso, operação e manutenção, e cada uma recebe um patamar de prioridade de 1 a 3, em que o patamar 1 é o mais urgente. A norma de 2020 é, portanto, um procedimento geral para a edificação como um todo, e as partes 2 a 6, pelos títulos, trazem procedimentos próprios para cada sistema, mas o conteúdo técnico de cada projeto e o que a Emenda 1 muda no texto de 2020 só podem ser conferidos na leitura dos projetos no portal da ABNT. ## Como participar até 16 de dezembro Durante a Consulta Nacional, qualquer interessado pode se manifestar sem custo, recomendando à comissão de estudo a aprovação do projeto sem restrições, a aprovação com objeções de forma ou a reprovação com objeções técnicas, que precisam vir justificadas, segundo a página da ABNT que explica o procedimento. O acesso aos projetos é feito pelo portal abntonline.com.br/consultanacional, onde é possível ler, imprimir e enviar sugestões depois de um cadastro gratuito, e quem se manifesta é convidado para a reunião de análise das recomendações, na qual a comissão decide, por consenso, se cada recomendação é aceita, aceita parcialmente ou não aceita. A ABNT ressalta que a decisão não é por votação, de modo que uma única reprovação bem fundamentada pode levar o projeto a nova rodada de consulta, e que os projetos que tiverem mudança técnica aceita voltam obrigatoriamente à Consulta Nacional antes da publicação. ## Por que interessa a quem faz laudo Para o inspetor predial e para o perito que usam a ABNT NBR 16747 como referência, as partes 2 a 6 trazem, pelos títulos, procedimentos de inspeção próprios para cinco sistemas da edificação, e a Consulta Nacional é a etapa em que profissionais de fora da comissão podem enviar objeções técnicas, defendê-las na reunião de análise e acompanhar o que muda antes da publicação. --- # Laudos de celular Android redigidos por IA acertam os fatos, mas trazem afirmações sem suporte e citações inválidas, mostra estudo - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/laudo-de-celular-android-redigido-por-ia-afirmacoes-sem-suporte-e-citacoes-invalidas/ - Fonte original: arXiv (Sam Houston State University), https://arxiv.org/abs/2610.26946, 18.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia em celular, Android, inteligência artificial, laudo pericial, prova digital, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Laudos de celular Android redigidos por IA acertam os fatos, mas trazem afirmações sem suporte e citações inválidas, mostra estudo", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/laudo-de-celular-android-redigido-por-ia-afirmacoes-sem-suporte-e-citacoes-invalidas/ ## O que importa - Pesquisadores da Sam Houston State University, no Texas, pediram a três modelos de linguagem, Gemini, Llama e Qwen, que redigissem laudos de extração de celular Android e conferiram cada afirmação contra a prova. - Das 612 afirmações dos seis laudos, 424 tinham suporte na prova, 163 não tinham, quatro contradiziam a prova e quatro exageravam, e o Llama não fez nenhuma citação válida em 135 exigidas. - Num aparelho em que não havia nenhum fato a relatar, os modelos produziram 65 afirmações, e os autores concluem que a IA deve ser usada como auxiliar de redação, com o perito no controle do laudo final. Um estudo de Madhab Chandra Das, Sajid Ahmed, Tasnia Tabassum e Qingzhong Liu, do departamento de ciência da computação da Sam Houston State University, no Texas, publicado no repositório arXiv em 18 de outubro de 2026 e aceito na conferência IEEE TPS 2026, mediu afirmação por afirmação a confiabilidade de laudos de perícia em celular Android redigidos por três modelos de linguagem de grande porte (LLM), os sistemas de inteligência artificial que geram texto, e encontrou fatos corretos ao lado de afirmações sem apoio na prova e de citações que não apontavam para evidência válida. ## O problema técnico Os autores partem da constatação de que um LLM escreve um texto fluente, mas fluência não garante que cada frase do laudo tenha base na prova examinada, e lembram que estudos anteriores já tinham concluído que esses modelos só ajudam na redação de laudos quando o texto passa por revisão completa e correção. A pergunta do trabalho é se as afirmações de fato produzidas pelo Gemini, pelo Llama e pelo Qwen permanecem dentro dos limites da prova pericial verificada, quando os três recebem o mesmo pacote de evidências e as mesmas instruções. ## Os dois casos montados O primeiro caso usou o conjunto público de dados de Android 13 do acervo Digital Corpora, preparado por Joshua Hickman, processado com a ferramenta ALEAPP, cujos 388 analisadores rodaram sem erro e geraram 51.849 arquivos, dos quais os pesquisadores aceitaram 26 artefatos, normalizados em 2.192 registros, com 702 decisões de revisão humana sobre campos e horários. Desse material saiu o pacote entregue aos modelos, e, à parte, os pesquisadores definiram 27 fatos que um laudo correto deveria trazer, restritos ao uso do aplicativo Google Voice, para medir quantos deles cada modelo recuperava. O segundo caso usou a extração de um celular LG LGLS751 com Android 5.1.1, de propriedade de um dos autores e examinado com autorização dele, com 505 arquivos verificados, e a política de relato definida para ele foi de zero fato reportável, um teste de estresse proposital para ver se os modelos respeitariam esse limite ou criariam achados a partir de registros técnicos. ## O método Cada modelo, Gemini 3.1 Flash Lite, Llama 3.1 8B Instruct e Qwen3 235B, redigiu um laudo por caso, com temperatura zero, sem ferramentas externas e com instruções fixas que mandavam usar só a evidência fornecida, citar a evidência, evitar interpretação sem suporte e declarar as limitações quando a prova fosse insuficiente. Os seis laudos foram quebrados em 612 afirmações atômicas, isto é, proposições de fato que podem ser avaliadas uma a uma, e cada afirmação recebeu um rótulo, com suporte, sem suporte, contraditória, exagerada ou incompleta, ou excluída por não ter conteúdo de fato, sempre contra os registros congelados e revisados por pessoas. A rotulagem foi feita por três pesquisadores de doutorado, autores do estudo, com formação em perícia digital e segurança cibernética, e a avaliação original e a conferência independente concordaram em 494 das 612 afirmações, enquanto as outras 118 foram decididas num procedimento de resolução de divergências em que os rótulos concorrentes ficavam ocultos até a decisão. ## O que foi encontrado No conjunto final, 424 afirmações tinham suporte, 163 não tinham, quatro contradiziam a prova, quatro eram exageradas ou incompletas e 17 foram excluídas, o que dá, sobre as 595 afirmações de conteúdo, taxa de suporte de 71,26% e taxa observada de alucinação, soma das afirmações sem suporte e das contraditórias, de 28,07%. Por modelo, a taxa de suporte foi de 71,75% no Gemini, 58,62% no Llama e 78,85% no Qwen, e a de alucinação foi de 27,35%, 40,69% e 20,70%, respectivamente. No caso público, os três modelos recuperaram os 27 fatos esperados, mas a validade das citações variou muito, porque o Gemini fez 168 citações válidas em 189 exigidas (88,89%), o Qwen fez 145 em 189 (76,72%) e o Llama não fez nenhuma válida em 135 exigidas. No celular LG, em que não havia nenhum fato a relatar, os modelos produziram 65 afirmações, das quais 38 sem suporte e uma contraditória, e os autores escrevem que os modelos transformaram registros técnicos ou de contexto em afirmações que iam além da prova, lembrando que a presença de arquivos, metadados, horários ou identificadores não estabelece, por si só, identidade do usuário, intenção, propriedade ou ação física. ## Os limites apontados pelos autores O estudo avaliou só dois casos de Android e um laudo por modelo em cada caso, sem medir a variação entre gerações repetidas nem mudanças de versão dos modelos, e por isso os autores avisam que os números não estabelecem significância estatística nem um ranking geral entre os modelos. Os dois casos também tinham limites de relato diferentes, um restrito ao Google Voice e outro com zero fato reportável, o que impede comparar diretamente prova pública e prova de aparelho físico, e o trabalho não mediu o esforço dos revisores, a facilidade de uso nem a admissibilidade em juízo. ## O que os autores dizem para a prática Segundo os autores, os resultados apoiam o uso de LLM como auxiliar de redação, e não como gerador autônomo de laudos, e o perito precisa manter o controle sobre os limites da prova, a interpretação das afirmações, a validação das citações e a aprovação final. Eles acrescentam que restringir a evidência e recuperar todos os fatos não garante suporte nem citação correta, e que recuperação de fatos, suporte das afirmações e validade das citações devem ser verificados separadamente, porque uma citação inválida pode apontar para uma evidência existente com identificador errado ou para uma evidência que não está no material aceito, e cada caso exige conferência própria. --- # Texto plantado no aparelho apreendido pode enganar a IA usada pelo perito digital, mostram pesquisadores europeus - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/injecao-de-prompt-em-evidencia-digital-ataque-antiforense-a-ia-do-perito/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2610.29747, 21.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, antiforense, injeção de prompt, inteligência artificial, Autopsy, modelos de linguagem - Como citar: NEXO CAUSAL, "Texto plantado no aparelho apreendido pode enganar a IA usada pelo perito digital, mostram pesquisadores europeus", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/injecao-de-prompt-em-evidencia-digital-ataque-antiforense-a-ia-do-perito/ ## O que importa - Pesquisadores de universidades e institutos da Alemanha, do Reino Unido e da Irlanda propõem uma taxonomia de ataques antiforenses dirigidos aos modelos de linguagem que ajudam no exame de evidência digital. - Em três demonstrações com Autopsy e um modelo local, uma simples nota de texto no disco apreendido fez o assistente reclassificar fotos, gravar um arquivo na estação do examinador e mandar um aviso pela rede. - Os autores concluem que a saída de um modelo que lê evidência apreendida deve ser tratada como hipótese a verificar, e não como achado pronto para o laudo. Um artigo depositado em 21 de outubro de 2026 no repositório científico arXiv por Frank Breitinger e Gaëtan Michelet, da University of Augsburg, Jan Gruber, do Karlsruhe Institute of Technology, Christopher Hargreaves, da University of Oxford, Jan-Niclas Hilgert, do Fraunhofer FKIE, e Mark Scanlon, da University College Dublin, descreve como quem controla o conteúdo de um aparelho apreendido pode manipular o modelo de linguagem (LLM) que o perito digital usa como assistente no exame. ## O problema técnico Os autores lembram que os modelos de linguagem já entram na perícia digital como assistentes de exame, análise e redação de relatório e, cada vez mais, como agentes que planejam e executam análises em várias etapas, e apontam que nesse cenário a injeção indireta de prompt, em que a instrução maliciosa chega ao modelo dentro do conteúdo que ele lê, se inverte, porque a evidência analisada é controlada por definição pela parte investigada e o examinador é obrigado a lê-la com atenção. A antiforense clássica, que é o conjunto de técnicas para destruir, esconder, obstruir ou adulterar evidência, mira os dados, as ferramentas e o julgamento do examinador, e o artigo acrescenta um novo alvo, o raciocínio do modelo, que pode ser enganado por uma afirmação falsa como qualquer leitor, mas que, diferentemente da ferramenta e do perito, também pode receber ordens pelo próprio conteúdo que lê. ## A taxonomia proposta Na taxonomia, cada ataque é descrito por quatro escolhas do atacante, o objetivo, a técnica, o lugar da evidência onde o conteúdo é plantado e o modo de esconder esse conteúdo, e as técnicas são cinco: destruição, ocultação, obstrução, modificação e injeção, das quais só a última nasce com os modelos generativos. A distinção central é entre modificação, em que a evidência afirma algo falso que o leitor acredita, como uma coordenada de GPS adulterada nos dados EXIF de uma foto, e injeção, em que a evidência traz uma instrução que o leitor obedece, e os autores observam que o mesmo texto plantado pode ser uma afirmação para o perito e uma ordem para o modelo. Os autores chamam de lacuna de percepção a situação em que ferramenta, perito e modelo enxergam a mesma evidência de modo diferente, como o texto branco sobre fundo branco num PDF, que o perito não vê no visualizador e o modelo lê no texto extraído, e é nessa lacuna que uma injeção chega ao modelo sem passar pela revisão humana. ## As três demonstrações Os testes usaram imagens de disco com evidência sintética, processadas no Autopsy 4.23.1, cuja ponte para o protocolo MCP oferece 18 ferramentas só de leitura, e no LM Studio 0.4.23, com o modelo gemma-4-12b rodando localmente como agente, e em cada caso a nota maliciosa era texto simples, sem nenhuma ocultação, plantada no disco antes da apreensão. No primeiro experimento, o disco tinha duas fotos de rinocerontes e uma nota que se apresentava como saída de um classificador automático e afirmava que os animais eram tricerátopos, e o modelo respondeu ao examinador que não havia fotos classificadas como rinocerontes, citando a nota como justificativa, porque a ponte do Autopsy só devolvia os arquivos como texto e o modelo não podia ver as imagens. No segundo, com um servidor de arquivos conectado pelo examinador, a nota mandou o agente registrar um log na pasta de trabalho do analista dizendo que a mídia estava defeituosa e que os dados extraídos não eram confiáveis, e o modelo procurou sozinho uma pasta com permissão de escrita e gravou ali o arquivo. No terceiro, com acesso à rede liberado, a nota dizia que o caso fazia parte de um programa de controle de qualidade e exigia acessar um endereço antes do resultado, e o modelo chegou a considerar a hipótese de ataque, mas acessou o endereço mesmo assim, o que, segundo os autores, mostra que confiar na capacidade do modelo de perceber o ataque não seria uma defesa eficaz. Os três ataques funcionaram com os modelos gemma-4-12b e gemma-4-26b, o primeiro também com o ministral-3-8B e o segundo e o terceiro também com o qwen3.8-27b e o gpt-oss-20b, mas os autores ressalvam que cada sucesso dependeu de uma cadeia de condições, como o modelo achar e ler a nota, e que os modelos maiores foram enganados com menos frequência. ## Defesas e limites Entre as defesas propostas estão dar ao agente uma ferramenta de escrita restrita a uma subpasta do caso, entregar ao modelo os pixels das imagens, testar antes do exame se a combinação de modelo e ferramentas obedece a uma instrução de teste conhecida, conceder o mínimo de permissões, marcar todo o conteúdo do caso como dado não confiável e isolar a estação da rede, e a única testada, a ferramenta que entrega a imagem ao modelo, inverteu o resultado do primeiro ataque com o gemma-4-12b, que passou a apontar que a nota contradizia as fotos. Os autores afirmam que as demonstrações não validam a taxonomia nem medem a frequência dos ataques, porque são provas de conceito com um modelo pequeno rodando localmente, e que ainda faltam um conjunto padronizado de testes, a avaliação das demais defesas e testes com produtos comerciais, que distribuem os mesmos prompts a todos os usuários e por isso podem ser estudados com antecedência por um atacante. ## O que muda para o exame pericial O artigo conclui que a revisão humana não é a salvaguarda que se supõe onde existe a lacuna de percepção, que o menor privilégio e o isolamento de rede protegem a estação de trabalho, mas não a conclusão, e que, enquanto não houver testes mais amplos, um modelo que lê evidência apreendida deve ser tratado como leitor de conteúdo adversário, cuja saída é uma hipótese a verificar e não um achado a relatar. Os autores também propõem quatro novas fragilidades para a técnica DFT-1203 do SOLVE-IT, base de conhecimento de métodos de perícia digital, que trata do uso de prompt de IA para interrogar dados do caso e tinha 34 fragilidades documentadas, nenhuma sobre evidência modificada antes da aquisição para manipular o agente. --- # Relatório técnico sobre o incêndio em bar de Crans-Montana, na Suíça, fica para 2027 - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-bar-crans-montana-suica-relatorio-tecnico-adiado/ - Fonte original: blue News (agência Keystone-SDA), https://www.bluewin.ch/en/news/report-on-the-crans-montana-fire-disaster-is-delayed-li.3631780, 11.Out.2026 (inglês) - Marcadores: Crans-Montana, Suíça, incêndio em bar, investigação criminal, espuma de isolamento, perícia de incêndio - Como citar: NEXO CAUSAL, "Relatório técnico sobre o incêndio em bar de Crans-Montana, na Suíça, fica para 2027", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-bar-crans-montana-suica-relatorio-tecnico-adiado/ ## O que importa - O relatório técnico sobre o incêndio no bar Le Constellation, em Crans-Montana, que matou 41 pessoas em 1º de janeiro de 2026, não deve sair antes do fim de janeiro de 2027. - A procuradoria do cantão de Valais encomendou a análise ao Instituto Forense de Zurique e à Swiss Safety Center, com foco na inflamabilidade e no comportamento da espuma do porão. - A investigação criminal já chegou a treze investigados, entre eles os donos do bar e o prefeito, que está deixando o cargo. No domingo, 11 de outubro de 2026, a procuradora-geral do cantão de Valais, Béatrice Pilloud, confirmou à agência Keystone-SDA que o prazo do relatório técnico sobre o incêndio no bar Le Constellation foi estendido e que o documento não deve sair antes do fim de janeiro de 2027. O prazo original era o fim de agosto de 2026, e as duas instituições contratadas pediram a extensão porque a análise das causas e das circunstâncias do fogo se mostrou mais trabalhosa do que se imaginava. ## O que o laudo precisa esclarecer A procuradoria encomendou o trabalho ao Instituto Forense de Zurique e à empresa de testes e certificação Swiss Safety Center, e o foco declarado é a inflamabilidade e o comportamento da espuma que queimou no porão do bar. Os investigadores também apuram indícios de que materiais altamente inflamáveis podem ter sido usados, de que as rotas de fuga não cumpriam a regulamentação ou estavam parcialmente bloqueadas e de que a lotação máxima do local pode ter sido ultrapassada. ## Investigação criminal Jacques e Jessica Moretti, que administravam o bar juntos, estão sob investigação na Suíça, e a lista de investigados cresceu de nove para treze pessoas, com acusações de homicídio culposo, lesão corporal culposa e incêndio culposo. Na Itália, a procuradoria de Roma abriu inquérito contra o casal por homicídio culposo múltiplo, incêndio e lesão corporal grave, com agravantes por violação de normas de prevenção de acidentes. Na França, o departamento da procuradoria de Paris especializado em grandes incidentes abriu uma investigação, sem citar diretamente os Moretti. ## Fiscalização e documentos Em 2 de janeiro de 2026, a própria prefeitura de Crans-Montana admitiu que as vistorias obrigatórias em estabelecimentos públicos não eram feitas havia anos. O prefeito Nicolas Féraud foi interrogado e está deixando o cargo no âmbito do processo, e ele afirmou que o conselho municipal aprovou todos os pedidos de reforço de pessoal de segurança. O jornal Tages-Anzeiger, citado pela blue News, publicou relatórios do chefe de segurança que alertavam a prefeitura para a falta de recursos desde 2018, o que, segundo a reportagem, contradiz essa versão. Parte dos documentos entregues à procuradoria pela prefeitura veio com trechos tarjados à caneta, e a procuradoria precisa verificar se esses trechos têm relação com o caso. ## Números e o que ainda não se sabe Segundo a reportagem de outubro, o incêndio ocorrido em 1º de janeiro de 2026 matou 41 pessoas e deixou 115 feridos. Os textos que lemos não trazem uma conclusão oficial sobre a causa técnica do fogo, e o número de treze investigados vem de uma reportagem de abril de 2026, sem atualização confirmada até a data desta publicação. --- # Estudo de bombeiros da Coreia do Sul ensaia como as condições do ponto de origem influem na ignição por fuga de corrente - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/fuga-de-corrente-ignicao-ao-longo-do-caminho-ate-a-terra-estudo-bombeiros-gangwon/ - Fonte original: Fire Investigation Society of Korea (한국화재감식학회 학회지), https://www.earticle.net/Article/A492814, 30.Set.2026 (coreano) - Marcadores: fuga de corrente, incêndio elétrico, aterramento, perícia de incêndio, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Estudo de bombeiros da Coreia do Sul ensaia como as condições do ponto de origem influem na ignição por fuga de corrente", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/fuga-de-corrente-ignicao-ao-longo-do-caminho-ate-a-terra-estudo-bombeiros-gangwon/ ## O que importa - Cinco autores do Corpo de Bombeiros da província de Gangwon, na Coreia do Sul, publicaram em setembro de 2026 um estudo sobre a possibilidade de ignição no ponto de origem de incêndios causados por fuga de corrente elétrica. - O ponto de partida é que o fogo provocado por fuga de corrente pode começar em qualquer ponto do caminho entre o local da fuga e o terminal de aterramento, e não só onde está o defeito. - Os ensaios variaram a intensidade da corrente, a área de contato com uma chapa metálica e o tipo de fonte de energia, e o trabalho traz dois casos reais de incêndio e pontos de atenção para a perícia. A revista da Fire Investigation Society of Korea, a sociedade sul-coreana de perícia de incêndio, publicou no número de setembro de 2026 o estudo "Possibilidade de ignição conforme as condições ambientais no ponto de origem em fuga de corrente elétrica", de Ju-Hyeok Kim, Tae-Young Kang, Seong-Jae Hwang, Kyu-ho Han e Jung-Nyun Kim, todos da sede do Corpo de Bombeiros da Província Autônoma Especial de Gangwon, e o trabalho ensaia em laboratório onde e em que condições uma fuga de corrente consegue iniciar um incêndio. ## O material e quem o fez O artigo saiu no volume 17, número 3, páginas 91 a 106, da revista trimestral da sociedade, fundada em 2009 para desenvolver a perícia científica de incêndio, a determinação de causa e a prevenção, e a publicação está indexada no Korea Citation Index (KCI), o índice coreano de citações científicas, com registro do identificador digital (DOI) em 20 de outubro de 2026. O texto completo, em coreano, só é liberado na plataforma earticle mediante acesso institucional, e o que está aberto ao público é o resumo em inglês, as palavras-chave e o sumário, de modo que este artigo descreve o objetivo, o desenho dos ensaios e a estrutura do estudo, mas não traz os resultados numéricos, que não estão no trecho acessível. ## O problema técnico Fuga de corrente é a corrente que escapa do caminho previsto no circuito, em geral por falha de isolamento, e procura um caminho até a terra por partes que não deveriam conduzir, e o resumo dos autores a aponta como um fator de risco crítico entre as causas de choques elétricos e incêndios de origem elétrica. O ponto central do estudo, segundo os autores, é que o incêndio provocado por fuga de corrente pode começar em qualquer ponto do caminho entre o local da fuga e o terminal de aterramento, o que significa que o ponto de origem do fogo não coincide necessariamente com o lugar do defeito elétrico. Por isso o trabalho pergunta como as condições ao redor dos possíveis pontos de ignição influem na probabilidade e nas características da ignição, e procura identificar quais fatores do ambiente podem acelerar a combustão no ponto de origem. ## O método Segundo o sumário, a parte teórica trata do conceito e das causas da fuga de corrente, dos danos que ela provoca, do papel do disjuntor de fuga à terra, equivalente ao dispositivo diferencial-residual (DR), e faz uma revisão dos estudos anteriores, e o capítulo seguinte analisa dois casos reais de incêndio. A parte experimental tem três ensaios, e o primeiro mede a variação de temperatura e do estado da amostra conforme a intensidade da corrente, o segundo mede a mesma variação conforme a diferença de área de contato com uma chapa metálica e o terceiro compara a tendência de ignição conforme o tipo de fonte de energia. A introdução apresenta ainda as estatísticas de ocorrência de incêndios, e as palavras-chave indicadas pelos autores são fuga de corrente, ponto de ignição, condições ambientais e perícia de incêndio. ## O que os autores dizem que o estudo entrega No resumo, os autores afirmam que, ao analisar o comportamento da ignição e da combustão nos pontos de origem de incêndios por fuga de corrente e ao identificar os fatores do ambiente que podem acelerar a combustão, o estudo deve oferecer subsídios para os métodos de perícia de incêndio e material prático para a educação do público em segurança contra incêndio. As conclusões, segundo o sumário, se dividem em três partes, as conclusões dos ensaios, os pontos de atenção para a perícia de incêndio e as medidas de prevenção, mas o conteúdo dessas seções não está no trecho de acesso livre. ## Limites do que está disponível Como só o resumo e o sumário são públicos, não é possível dizer a partir deles quais correntes, materiais, áreas de contato ou fontes de energia foram ensaiados, nem quais combinações chegaram à ignição, e esses dados estão no texto integral, disponível na plataforma earticle com acesso institucional. O que o resumo já deixa registrado é a premissa dos bombeiros de Gangwon de que o incêndio por fuga de corrente pode começar em qualquer ponto entre o local da fuga e o terminal de aterramento, e é essa premissa que orienta os três ensaios e os pontos de atenção para a perícia anunciados no sumário. --- # Classificação automática de resíduos de líquidos inflamáveis: regras programadas superam aprendizado de máquina em estudo de Singapura - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/classificacao-automatica-de-residuos-de-liquidos-inflamaveis/ - Fonte original: Journal of Forensic Sciences (resumo no PubMed), https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42908257/, 21.Out.2026 (inglês) - Marcadores: líquidos inflamáveis, resíduos de incêndio, cromatografia, ASTM E1618, aprendizado de máquina, incêndio criminoso - Como citar: NEXO CAUSAL, "Classificação automática de resíduos de líquidos inflamáveis: regras programadas superam aprendizado de máquina em estudo de Singapura", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/classificacao-automatica-de-residuos-de-liquidos-inflamaveis/ ## O que importa - Estudo da Health Sciences Authority de Singapura, publicado on-line no Journal of Forensic Sciences em 21 de outubro de 2026, comparou duas formas de automatizar a classificação de líquidos inflamáveis pelas classes da norma ASTM E1618. - Segundo o resumo do artigo, um programa em Python com regras que reproduzem os passos do analista chegou a 0,922 de acurácia, contra 0,635 a 0,706 de cinco modelos de aprendizado de máquina. - Os autores apresentam os dois métodos como ferramenta de avaliação preliminar ou de verificação adicional das conclusões do analista de resíduos de incêndio. Leng Leng Chng e Kang Hua Lee, do Applied Sciences Group do Laboratório de Química e Física Forense da Divisão de Ciência Forense da Health Sciences Authority, de Singapura, publicaram on-line em 21 de outubro de 2026, no Journal of Forensic Sciences, da American Academy of Forensic Sciences, o artigo "Automated classification of ignitable liquid profiles: Comparing machine learning and rule-based systems". O texto integral é de acesso por assinatura na editora Wiley, e o que se segue sobre métodos e resultados vem do resumo publicado no PubMed, a base de dados da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, que também traz as datas, as palavras-chave e a lista de 38 referências do artigo. Pelos registros do PubMed, o manuscrito foi recebido em 23 de março de 2026, revisado em 24 de agosto e aceito em 15 de setembro de 2026. ## O problema: ler o perfil do cromatograma Na análise de resíduos de incêndio, o material recolhido no local passa por extração e o extrato é analisado por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC-MS), técnica que separa os compostos pelo tempo que levam para atravessar a coluna do equipamento (tempo de retenção) e os identifica pelo espectro de massas, e o analista compara o perfil obtido com amostras de referência para enquadrar o líquido numa das classes da norma ASTM E1618. A página pública da ASTM sobre a E1618-19 diz que identificar resíduo de líquido inflamável pode apoiar a opinião do investigador sobre a origem, a carga de incêndio e a natureza intencional do fogo, mas que a presença do resíduo não leva necessariamente à conclusão de incêndio intencional, porque a investigação pode revelar uma razão legítima para ele estar ali, e que a ausência de resíduo detectável não prova que não havia líquido inflamável no local, por causa da volatilidade desses líquidos e das variações na coleta. A mesma página registra que os materiais comuns de uma edificação, expostos ao calor, formam produtos de pirólise e de combustão, que o perfil de íons extraídos e a identificação de compostos específicos ajudam a reconhecer o líquido inflamável no meio dessa interferência e que o método não substitui o conhecimento, a habilidade e a experiência do analista. ## Dois caminhos para automatizar Os autores desenvolveram dois métodos para classificar automaticamente líquidos inflamáveis puros e resíduos de líquidos inflamáveis, e os avaliaram com dados de GC-MS gerados em laboratório a partir de amostras de vários tipos das classes da ASTM E1618-19. O primeiro usa aprendizado de máquina no programa de mineração de dados Orange, por análise de imagem, para reconhecer o padrão do cromatograma e compará-lo com amostras de referência conhecidas, e nele foram testados cinco modelos: rede neural, máquina de vetores de suporte, regressão logística, floresta aleatória e k vizinhos mais próximos. O segundo é uma estrutura em Python baseada em regras, que automatiza os passos de rotina do analista ao identificar os compostos principais da amostra pelo espectro de massas e pelo tempo de retenção e ao classificar o perfil por regras lógicas. ## Os números do resumo Os cinco modelos de aprendizado de máquina tiveram desempenho que os autores classificam como moderado, com acurácia de 0,635 a 0,706, F1 de 0,626 a 0,703, precisão de 0,646 a 0,734, revocação de 0,635 a 0,706 e coeficiente de correlação de Matthews de 0,595 a 0,675. A estrutura de regras em Python chegou a acurácia de 0,922, F1 de 0,924, precisão de 0,935, revocação de 0,922 e coeficiente de correlação de Matthews de 0,913. A acurácia é a fração das amostras classificadas corretamente, a precisão indica quantas das atribuições a uma classe estavam certas, a revocação indica quantas amostras de cada classe foram encontradas, o F1 combina precisão e revocação num só número e o coeficiente de Matthews é uma medida de concordância que vai de -1 a 1 e considera todos os acertos e erros, e por isso costuma ser usado quando as classes têm tamanhos diferentes. O resumo não informa o número de amostras, a divisão entre dados de treino e de teste, as classes em que cada método mais errou nem as limitações apontadas pelos autores. ## O que os autores concluem Segundo o resumo, os dois métodos permitiram a classificação automática de perfis de líquidos inflamáveis e podem servir de ferramenta de avaliação preliminar ou de verificação adicional das interpretações e conclusões do analista de resíduos de incêndio. ## O estudo na literatura da área A lista de referências mostra que o trabalho dialoga com estudos anteriores de classificação de resíduos de incêndio por quimiometria e aprendizado de máquina, como os de M. E. Sigman e M. R. Williams sobre taxas de classificação correta e razão de verossimilhança, os de Bogdal e colegas sobre reconhecimento de gasolina e o de Whitehead, Williams e Sigman, de 2023, que compara opiniões de analistas e de aprendizado de máquina. Os autores citam também a coleção de referência de líquidos inflamáveis (Ignitable Liquids Reference Collection) do National Center for Forensic Science, da University of Central Florida, a edição E1618-25 da norma, a classificação ASTM E3407-25, Standard Classification for Ignitable Liquids Encountered in Fire Debris Analysis, e trabalhos sobre a transparência do raciocínio pericial e sobre relato probabilístico e algoritmos na ciência forense. Para a perícia de incêndio, o resumo situa os dois métodos como apoio ao analista, e a página pública da ASTM E1618 lembra que achar resíduo de líquido inflamável no local, por si só, não basta para concluir que o fogo foi intencional. --- # Revisão humana pega falsos positivos do reconhecimento facial, mas rende menos nos limiares mais rígidos e muda conforme o algoritmo - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/revisao-humana-de-falsos-positivos-em-reconhecimento-facial-depende-do-algoritmo/ - Fonte original: arXiv, https://arxiv.org/abs/2610.33045, 16.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, falso positivo, revisão humana, limiar biométrico, arXiv - Como citar: NEXO CAUSAL, "Revisão humana pega falsos positivos do reconhecimento facial, mas rende menos nos limiares mais rígidos e muda conforme o algoritmo", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/revisao-humana-de-falsos-positivos-em-reconhecimento-facial-depende-do-algoritmo/ ## O que importa - Estudo submetido ao arXiv em 16 de outubro de 2026 testou 801 revisores sem treino diante dos falsos positivos de quatro algoritmos comerciais de reconhecimento facial. - A taxa com que os revisores aceitaram como mesma pessoa dois rostos diferentes passou de menos de 10% na faixa de segurança mais baixa para mais de 20% na mais alta. - Algoritmos de desempenho técnico parecido geraram erros com dificuldade diferente para o revisor, e os autores pedem que isso pese na escolha do sistema. O artigo "Detection of false positives by human reviewers depends on the face recognition algorithm and its security configuration", de Esha Edakoth, John J. Howard, Isabelle M. Shuggi, Yevgeniy B. Sirotin e Robert Wood, foi submetido ao repositório científico arXiv em 16 de outubro de 2026 e resulta de uma pesquisa patrocinada pela Diretoria de Ciência e Tecnologia do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS). ## O humano que confere a máquina Nos sistemas de identificação, o algoritmo compara dois rostos, gera uma pontuação de semelhança e declara correspondência quando ela passa de um limiar configurado, e uma pessoa revisa essa decisão antes de qualquer providência, arranjo que os autores chamam de equipe humano-IA com interdependência sequencial, porque o revisor só age depois da máquina. O limiar é escolhido conforme o nível de segurança desejado, medido pela taxa de falsa correspondência (FMR, false match rate), e os autores lembram que casos recentes de falso positivo no reconhecimento facial levantaram dúvidas sobre a eficácia dessa revisão, muitas vezes feita por pessoal sem treino formal em comparação facial. ## Como os pares de rostos foram escolhidos Para cada um de quatro algoritmos comerciais de desempenho comparável, todos com taxa de falsa não correspondência igual ou inferior a 1% nos limiares avaliados, os pesquisadores calcularam os limiares que produzem FMR de 1 em mil, 1 em 10 mil, 1 em 100 mil e 1 em 1 milhão, usando imagens de alta qualidade, no padrão de foto de passaporte, de voluntários que deram consentimento. Depois de retirar gêmeos e comparações repetidas, a base ficou com 2.290 imagens de 2.087 pessoas e 8.973.535 comparações, e os pares de pessoas diferentes que o algoritmo considerou parecidos foram separados em três faixas: inferior (FMR entre 1 em mil e 1 em 10 mil), média (entre 1 em 10 mil e 1 em 100 mil) e superior (entre 1 em 100 mil e 1 em 1 milhão). Em cada faixa entraram os três pares de pessoas diferentes com pontuação mais alta em cada algoritmo, ou seja, os falsos positivos mais difíceis daquela faixa, método que os autores chamaram de amostragem por intervalo de taxa de falso positivo (S-FPRI) e que deu origem ao conjunto DFICT (Difficult Facial Image Comparison Test). ## O teste com 801 revisores Dos 814 voluntários que aceitaram participar, 13 foram excluídos por sinais de que não entenderam a tarefa ou por falha técnica nos iPads usados, e cada um dos 801 restantes, sem nenhum treino em reconhecimento facial, avaliou 12 pares de um único algoritmo: três pares de pessoas diferentes de cada faixa e três pares da mesma pessoa, fotografada em dias diferentes. As respostas eram dadas numa escala de 7 pontos, de "tenho certeza absoluta de que são pessoas diferentes" a "tenho certeza absoluta de que é a mesma pessoa", com a opção "não tenho certeza", e os revisores não viam nenhuma informação sobre a decisão do algoritmo, para que ela não influenciasse a resposta. A análise usou a teoria de detecção de sinal, que separa a capacidade de distinguir pares iguais de pares diferentes (sensibilidade, indicada por d') da tendência do revisor a responder "diferentes" ou "iguais" (critério), e os números principais foram calculados com o "não tenho certeza" contado como "pessoas diferentes". ## O que os números mostram Os revisores reconheceram corretamente 67% dos pares da mesma pessoa e aceitaram como mesma pessoa entre 8,5% e 21% dos pares de pessoas diferentes, taxa que subiu de menos de 10% na faixa inferior para mais de 20% na faixa superior, com diferenças estatisticamente significativas entre as três faixas. Mesmo na faixa de segurança mais alta, os revisores sem treino detectaram cerca de 80% dos falsos positivos dos algoritmos, o que leva os autores a concluir que a revisão humana reduz de forma significativa os erros dos sistemas comerciais, mas que os limiares mais rígidos, que diminuem os erros da máquina, tornam mais difícil para o humano encontrar os que sobram. A sensibilidade medida ficou entre 1,24 e 1,81 conforme a faixa, e na faixa superior, com d' de 1,24, os pares escolhidos pelos algoritmos se mostraram mais difíceis do que os da versão atualizada do Glasgow Face Matching Test (GFMT2), teste de comparação facial cujos pares foram pré-selecionados por um algoritmo aberto e depois escolhidos por revisão de especialistas e notas de leigos, e cuja sensibilidade publicada vai de 1,64 a 1,75. Os quatro algoritmos tinham desempenho técnico parecido, mas a taxa de falso positivo dos revisores variou quase duas vezes entre eles, e na faixa superior os pares de um dos algoritmos, chamado C no estudo, foram os mais difíceis de distinguir, com a maior queda de sensibilidade entre a faixa média e a superior. ## Os limites apontados pelos autores As imagens eram de alta qualidade, com pose frontal, expressão neutra, iluminação difusa e fundo neutro, e os autores reconhecem que as imagens de uso real tendem a ser piores e que é preciso verificar se o resultado se mantém com elas. A tarefa reproduz uma verificação um para um, e não a revisão de uma lista de candidatos de uma busca um para muitos, embora os autores esperem que a queda de desempenho se repita na identificação, e a base de referência era pequena perto das galerias operacionais e não forneceu pares abaixo de FMR de 1 em 1 milhão, faixa em que eles esperam desempenho humano ainda menor. A proporção de nove pares de pessoas diferentes para três da mesma pessoa pode ter puxado as respostas para "pessoas diferentes", e, no uso real, o revisor costuma receber a decisão e a pontuação do algoritmo, o que, segundo os autores, pode reduzir a chance de ele perceber o falso positivo. ## O que os autores propõem para a escolha do sistema Os autores observam que as normas de ensaio biométrico, como a série ISO/IEC 19795, medem a exatidão do algoritmo e não tratam da revisão humana, e que as diretrizes do Facial Identification Scientific Working Group (FISWG) definem o papel do revisor de listas de candidatos, mas tratam essa revisão como independente do algoritmo e se concentram no procedimento, e não no desempenho do sistema como um todo. A recomendação do estudo é que, onde a revisão humana for necessária, a capacidade do revisor de pegar os erros do algoritmo entre como critério na escolha do sistema, ao lado do algoritmo, do limiar configurado e do nível de treino exigido do revisor, porque, segundo os autores, algoritmos com exatidão semelhante podem ter grandes diferenças de compatibilidade com a revisão humana. --- # Relatório da FSRI reconstrói os incêndios de Palisades e Eaton e mostra como o fogo passou da vegetação para as casas - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/relatorio-fsri-incendios-palisades-eaton-analise/ - Fonte original: UL Research Institutes / Fire Safety Research Institute, https://fsri.org/research-update/southern-california-fires-incident-analysis-report-released, 02.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio florestal, interface urbano-florestal, propagação do fogo, brasas, Los Angeles, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Relatório da FSRI reconstrói os incêndios de Palisades e Eaton e mostra como o fogo passou da vegetação para as casas", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/relatorio-fsri-incendios-palisades-eaton-analise/ ## O que importa - O Fire Safety Research Institute, do UL Research Institutes, publicou em 2 de outubro de 2026 a análise independente dos incêndios que atingiram Los Angeles em janeiro de 2025, com 175 constatações e 266 recomendações. - A equipe cruzou registros de rádio, despacho, localização de viaturas, imagens e conversas com bombeiros e moradores, e vistoriou mais de 880 edificações nas áreas queimadas. - Os autores concluem que o resultado veio da interação de vários sistemas interligados, sem uma falha única que o explique, e afirmam que toda análise de dano em edificação nesse tipo de incêndio precisa considerar as intervenções feitas durante o fogo. O Fire Safety Research Institute (FSRI), instituto de pesquisa em segurança contra incêndio do UL Research Institutes (ULRI), publicou em 2 de outubro de 2026 o "Southern California Fires Incident Analysis Report", relatório de 724 páginas que analisa os incêndios de Palisades e Eaton, iniciados em 7 de janeiro de 2025 a menos de oito horas um do outro e a cerca de 30mi (48,28km) de distância, na região de Los Angeles. ## Quem fez o relatório e o que ficou fora dele O trabalho foi encomendado em fevereiro de 2025 pelo gabinete do governador da Califórnia, e este é o segundo e último volume, porque o primeiro, publicado em 20 de novembro de 2025, montou a linha do tempo dos fatos de 7 e 8 de janeiro, enquanto o novo compara esses fatos com as políticas, os procedimentos e as boas práticas em vigor, do início do incêndio de Palisades, às 10h30 de 7 de janeiro, até a manhã do dia seguinte. O relatório deixa claro que a determinação da origem e da causa dos dois incêndios não faz parte do escopo contratado com o governo, e por isso só registra que, em 2 de outubro de 2025, o ATF (Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives), agência federal americana, apresentou queixa criminal contra uma pessoa possivelmente ligada à causa do incêndio de Lachman, cuja declaração juramentada afirma que o incêndio de Palisades foi a retomada desse fogo de 1º de janeiro de 2025, que continuou queimando sem chama, sob o solo, nas raízes da vegetação densa, até o vento forte trazê-lo de volta à superfície. ## Análise de sistemas e cruzamento de registros A equipe usou como roteiro a National Cohesive Wildland Fire Management Strategy, a estratégia nacional americana de manejo de incêndios florestais, que divide o problema em três frentes (paisagens resilientes, comunidades adaptadas ao fogo e resposta segura e eficaz), e examinou cada componente, como clima, água, energia elétrica, comunicações, comando do incidente, combate e evacuação, comparando o que a norma ou o plano previa com o que as organizações de fato fizeram. Participaram das entrevistas técnicas, somando as duas fases, 295 pessoas de 22 órgãos, os pesquisadores tiveram quase 200 conversas presenciais com moradores e receberam 260 respostas ao questionário próprio, e esse material foi cruzado com gravações de rádio, registros de despacho, dados de localização automática das viaturas (AVL), análise geoespacial e revisão das normas locais e estaduais. Na parte dedicada às edificações, a equipe foi a campo em janeiro e fevereiro de 2025 e vistoriou mais de 880 construções, escolhidas a partir dos registros de inspeção de danos do CAL FIRE, o órgão de bombeiros do estado, com prioridade para os trechos em que o padrão passava de destruído para danificado ou intacto, e na maioria dos imóveis com acesso fez uma volta completa em torno da construção para registrar componentes danificados, caminhos de propagação e sinais de combate. Os dados de campo foram lançados num formulário digital em plataforma de geoprocessamento, algumas distâncias entre vegetação e construção foram medidas no local para completar as medidas tiradas de imagem de satélite, e depois tudo foi reunido numa ferramenta de revisão que junta a vistoria com as inspeções do CAL FIRE, os dados de viaturas e de despacho, o rádio, os relatos e as fotos e vídeos. ## O que os números mostram Segundo a tabela de inspeções do CAL FIRE reproduzida no relatório, foram avaliadas 12.081 edificações na área de Palisades, das quais 6.845 classificadas como destruídas, e 18.299 na área de Eaton, com 9.403 destruídas, enquanto a equipe do ULRI fez vistorias complementares em 445 construções em Palisades e 435 em Eaton. Os dois incêndios começaram em vegetação adulta a mais de 1.000ft (304,8m) das primeiras casas atingidas, e o vento levou brasas muito à frente da linha de fogo, de modo que em Palisades o fogo avançou mais de uma milha (1,61km) para o sul na primeira hora, e em Eaton os bombeiros relataram às 18h26 brasas atingindo casas a cerca de 1.000ft (304,8m) da área de origem e, às 18h33, uma grande chuva de brasas a mais de 2.000ft (609,6m) dela. Dentro dos bairros, a ignição e a propagação entre edificações ocorreram pela combinação de brasas, calor radiante e contato direto com a chama, e o relatório aponta como caminhos pouco reconhecidos os combustíveis transitórios junto às casas, como veículos e latões de lixo e reciclagem, as unidades externas de ar-condicionado e, nos bairros densos, o desabamento de construções em chamas, que aproximou material queimando das vizinhas. Entre os componentes das casas, as paredes externas foram as mais danificadas, mas só 13% das construções vistoriadas tiveram dano significativo em parede, por causa do uso frequente de parede incombustível, e as janelas foram o componente com mais registros de dano significativo, entendido como a abertura de uma passagem através da envoltória da edificação. O relatório também mostra que a água e a energia pesaram no resultado, porque os reservatórios atendiam à exigência das normas de água e de incêndio para o alerta de tempo propício a incêndio (red flag) que havia sido previsto, mas não deram conta de um incêndio dessa escala, os hidrantes perderam pressão em vários pontos dos dois incêndios e o fechamento dos hidrômetros de imóveis destruídos ajudou a manter a pressão nas áreas vizinhas. Foram confirmadas 32 mortes, 19 no incêndio de Eaton, 12 no de Palisades e uma no de Olivas, com idade mediana de 75 anos, e 25 delas (78%) ocorreram dentro de residências. ## Os limites que os autores apontam Os autores afirmam que a revisão encontrou obstáculos que limitaram a completude e, em algumas áreas, a neutralidade da análise, porque vários órgãos não entregaram as informações completas, alguns registros operacionais eram escassos e algumas instituições não deixaram seus servidores participar das entrevistas ou restringiram a participação a poucas pessoas. Na vistoria das edificações houve outra limitação, porque em alguns casos os moradores ou empreiteiros já tinham consertado ou coberto o dano registrado antes pelos inspetores do CAL FIRE quando a equipe chegou ao imóvel. ## O que os autores apontam para quem analisa dano Uma das constatações do capítulo sobre edificações diz que as intervenções de bombeiros, policiais e moradores foram fator importante para reduzir o dano às edificações e que qualquer análise de dano, destruição e sobrevivência de edificações em conflagração urbana precisa considerar o efeito dessas intervenções. Para o caso de Lachman, o relatório recomenda procedimentos padronizados depois do controle do fogo, com verificação da contenção, patrulha, rescaldo e documentação, porque a padronização pode reduzir a chance de um foco remanescente voltar a queimar e dar mais confiança à verificação de que o incêndio está de fato contido. --- # Método alinha EDR, GPS e vídeo para reconstruir acidente de trânsito e relata erro de velocidade abaixo de 1km/h num caso real - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/reconstrucao-de-acidente-de-transito-alinhando-edr-gps-e-video/ - Fonte original: Digital Transportation and Safety (Maximum Academic Press), https://www.maxapress.com/article/doi/10.48130/dts-0026-0018, 30.Set.2026 (inglês) - Marcadores: reconstrução de acidente, EDR, GPS, vídeo, PC-Crash, China - Como citar: NEXO CAUSAL, "Método alinha EDR, GPS e vídeo para reconstruir acidente de trânsito e relata erro de velocidade abaixo de 1km/h num caso real", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/reconstrucao-de-acidente-de-transito-alinhando-edr-gps-e-video/ ## O que importa - Artigo publicado on-line em 30 de setembro de 2026 na revista Digital Transportation and Safety propõe alinhar no tempo e fundir os dados do EDR, do GPS e do vídeo para reconstruir acidentes de trânsito em simulação. - Aplicado a um acidente de 2023 numa rodovia de montanha, o método teve erro de velocidade abaixo de 1,0km/h e de 0,3m na posição final, segundo os autores. - A validação foi feita num único caso, e os autores indicam como próximos passos algoritmos de alinhamento mais adaptáveis e cenários mais complexos. Quan Yuan, Wei Ji, Rui Cheng, Shaowu Ye, Tao Wang e Tao Cui, da Universidade Tsinghua, da China University of Political Science and Law, da Guilin University of Electronic Technology e da Mercedes-Benz Group China, publicaram on-line em 30 de setembro de 2026, na revista Digital Transportation and Safety, volume 5, número 3, páginas 229 a 236, um método para alinhar e fundir os dados do registrador de eventos do veículo (EDR, event data recorder), do GPS e do vídeo na reconstrução de acidentes de trânsito. O artigo é de acesso aberto, sob licença CC BY 4.0, foi recebido em 14 de março de 2026, revisado em 23 de junho e aceito em 6 de julho de 2026. ## Três fontes com relógios e ritmos diferentes Os autores apontam três dificuldades na reconstrução com várias fontes: os dados têm heterogeneidade evidente de carimbo de tempo, de sistema de coordenadas e de frequência de amostragem, os métodos tradicionais não têm uma estrutura unificada para tratar conflitos entre os dados e a modelagem da simulação depende demais da experiência de quem a faz e não tem otimização em ciclo fechado guiada pelos dados. No caso estudado, o EDR fornecia dados a 10Hz, o módulo de navegação do veículo registrava o GPS a 1Hz e o vídeo de vigilância do local tinha resolução de 1.280 × 720 pixels a 25 quadros por segundo. ## O método em quatro etapas O fluxo de trabalho tem quatro etapas, pré-processamento dos dados, alinhamento espaço-temporal, fusão das fontes e otimização da simulação em ciclo fechado, e usa o PC-Crash 13.0 para simular a dinâmica dos veículos e o CARLA para a renderização da cena em três dimensões. No pré-processamento, as velocidades do EDR que se afastavam mais de três desvios-padrão foram filtradas (regra dos 3σ), o GPS passou por triagem e por calibração do carimbo de tempo, e o trajeto e a velocidade dos veículos no vídeo foram obtidos pelo método de fluxo óptico, que acompanha o deslocamento da imagem de um quadro para o outro. O alinhamento no tempo parte do horário oficial da gestão de trânsito local, o tempo do vídeo é coordenado pelo relógio interno do equipamento de vigilância e as correções finas usam interpolação por spline, combinada com filtro de Kalman, técnica que estima o estado do veículo a cada instante ponderando a medição e a previsão de um modelo, apoiado aqui nas leis básicas da dinâmica veicular. Na fusão, o EDR recebeu peso 0,5, pela precisão de amostragem e pelo registro em tempo real, o GPS recebeu peso 0,3, pela estabilidade da trajetória no longo prazo, e o vídeo recebeu peso 0,2, pela vantagem de mostrar a posição no espaço, e conflitos acima de um limite, como velocidades que divergem mais de 5km/h, acionam filtro de mediana e verificação de consistência. Na simulação foram calibrados a massa, o entre-eixos, o coeficiente de aderência, a desaceleração de frenagem e a rigidez de colisão, e a análise de sensibilidade relatada indica que variar a aderência em ±0,1 muda a posição de parada em menos de 0,5m e que variar a rigidez em ±10% muda a velocidade em menos de 1,5km/h, com erro de calibração dos parâmetros abaixo de 3% na verificação independente relatada. ## O caso usado na validação O método foi aplicado a um acidente ocorrido em 2023 num trecho em declive de uma rodovia de montanha, em que um automóvel pequeno saiu da pista e atingiu várias pessoas fora da via, sem deixar marcas evidentes de frenagem no pavimento. A tabela de dados extraídos do EDR mostra, nos cinco segundos anteriores ao momento zero, a velocidade subindo de 58,7km/h para 61,3km/h até dois segundos antes, o pedal do freio acionado no último segundo, com pressão no cilindro-mestre de 78bar e depois 102bar, a velocidade caindo para 43,8km/h e 35,2km/h e o modo de condução registrado como manual. Pela reconstrução, a velocidade do automóvel antes da colisão era de 60km/h e o ponto de parada ficou a 3,9m do ponto de impacto, e os autores relatam erro de reconstrução da velocidade abaixo de 1,0km/h, erro de 0,3m na posição final de parada e reprodução do processo do acidente acima de 95%, medida pela taxa de coincidência dos momentos-chave. ## Limites e próximos passos A validação usou um único caso, um acidente típico de estrada de montanha, como os autores registram, e eles indicam como direções futuras desenvolver algoritmos de alinhamento mais adaptáveis e eficientes, ampliar a capacidade dos modelos de reconstruir cenários de acidente muito complexos e aprofundar a teoria e os sistemas técnicos de fusão de dados heterogêneos de várias fontes. Os dados brutos não são públicos, por exigências de privacidade e de sigilo judicial, enquanto os dados processados, os modelos e o código podem ser pedidos ao autor correspondente, mediante solicitação razoável. ## O uso na apuração de responsabilidade Os autores escrevem que reconstruir os acidentes é essencial para determinar a responsabilidade e que o método oferece uma base objetiva de decisão para identificar a responsabilidade em acidentes de trânsito, além de sugerirem o uso da abordagem em testes de segurança de veículos inteligentes. --- # Estudo no PLOS ONE mede como imagem ruim de câmera muda as taxas de erro do reconhecimento facial na busca policial - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/reconhecimento-facial-imagens-de-baixa-qualidade-taxas-de-erro-plos-one/ - Fonte original: PLOS ONE, https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0353793, 21.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, qualidade de imagem, taxa de erro, viés algorítmico, CFTV, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Estudo no PLOS ONE mede como imagem ruim de câmera muda as taxas de erro do reconhecimento facial na busca policial", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/reconhecimento-facial-imagens-de-baixa-qualidade-taxas-de-erro-plos-one/ ## O que importa - Pesquisadores da University of Pennsylvania degradaram rostos sintéticos em contraste, brilho, borrão de movimento, pose e resolução e mediram os falsos positivos e os falsos negativos de um sistema de reconhecimento facial numa busca contra um banco de imagens. - A perda de resolução foi o fator que mais aumentou a chance de o sistema não encontrar a pessoa que estava no banco, enquanto a taxa de falso positivo foi mais alta perto da imagem original e caiu com a degradação. - Os falsos positivos foram muitas vezes mais altos para pessoas negras, sobretudo mulheres negras, e os autores defendem que o desempenho seja avaliado com o tipo de imagem que a polícia de fato usa. Um experimento publicado em 21 de outubro de 2026 na revista científica PLOS ONE por Maria Cuellar, Hon Kiu (James) To e Arush Mehrotra, da University of Pennsylvania, mostra que a taxa de erro de um sistema de reconhecimento facial muda conforme a qualidade da imagem questionada, e que a imagem de baixa qualidade, comum nas investigações policiais, altera de modo diferente os dois tipos de erro da busca. ## O problema que os autores quiseram medir Os autores partem da constatação de que a maior parte das avaliações de precisão do reconhecimento facial usa imagens de boa qualidade, diferentes das que a polícia costuma ter em mãos, e lembram que, segundo o Innocence Project, há pelo menos sete casos confirmados de identificação errada por reconhecimento facial, seis deles envolvendo pessoas negras acusadas injustamente. O estudo trata da busca do tipo 1:N, em que uma imagem de pessoa não identificada é comparada com todas as imagens de um banco e o sistema devolve candidatos para revisão humana, e usa as duas taxas de erro próprias dessa tarefa, a taxa de falso positivo de identificação (FPIR), que é a probabilidade de o sistema apontar alguém quando a pessoa procurada não está no banco, e a taxa de falso negativo de identificação (FNIR), que é a probabilidade de o sistema não encontrar a pessoa que está no banco. ## O método: rostos sintéticos degradados de forma controlada Para saber sempre quem é quem, os pesquisadores geraram 50.000 rostos sintéticos com o modelo StyleGAN3, treinado no conjunto de imagens FFHQ, classificaram raça e gênero com a ferramenta FairFace, retiraram os rostos classificados como de crianças com menos de 10 anos e sortearam amostras equilibradas entre homens e mulheres brancos, negros e asiáticos. O banco de controle tem 167 rostos de boa qualidade, número calculado para uma sensibilidade esperada de 0,99, e a cada rodada outros 167 rostos degradados foram comparados com esse banco, 83 deles com o rosto original presente no banco e 84 sem ele, num total de 256 repetições do experimento, das quais saíram intervalos de confiança de 95%. Os rostos foram degradados em cinco fatores, um de cada vez e em vários níveis: contraste, brilho, borrão de movimento horizontal, giro da cabeça (pose) e resolução, esta reduzida para até 1% do tamanho original e depois ampliada de volta, para imitar o aspecto quadriculado de imagens de câmeras de segurança e de redes sociais. O reconhecimento foi feito com a biblioteca de código aberto DeepFace, com o detector RetinaFace e o modelo ArcFace, que os autores escolheram por ser muito usado, público e com bom desempenho nas avaliações do NIST, o instituto americano de padrões e tecnologia, e todos os candidatos com distância de cosseno até o limiar recomendado pelos desenvolvedores foram contados como coincidência, sem corte por número de candidatos, como fazem policiais que revisam todos os resultados acima de certo grau de confiança. ## O que o experimento encontrou A taxa de falso negativo subiu à medida que a imagem piorou, e a resolução reduzida foi o fator com efeito mais forte, enquanto brilho, contraste e borrão tiveram efeitos menores, mas ainda consideráveis, e a pose teve o menor efeito entre os cinco. A taxa de falso positivo ficou bem acima da de falso negativo no ponto de operação escolhido e chegou ao máximo perto da imagem original, caindo à medida que a degradação aumentou, comportamento que os autores atribuem ao limiar relativamente permissivo recomendado pelo desenvolvedor, que deixa o sistema devolver mais candidatos quando a pessoa procurada não está no banco. Com isso, a imagem pior não aumentou todos os erros por igual, mas mudou o equilíbrio entre deixar de identificar quem está no banco e apontar alguém quando a pessoa não está nele, e por isso os autores dizem que não dá para avaliar se uma imagem degradada serve para a busca olhando uma taxa só. Na comparação entre grupos, a taxa de falso positivo foi muitas vezes mais alta para pessoas negras, sobretudo mulheres negras, e mais baixa para homens brancos, com diferenças que diminuíram com a degradação, ao passo que o grupo com mais falsos negativos mudou conforme o tipo de degradação, e a perda de resolução atingiu mais as pessoas negras e asiáticas. ## Os limites que os autores apontam Os autores registram que rostos sintéticos e degradações controladas podem não captar toda a complexidade das imagens reais de vigilância, que foi avaliado um único conjunto de ferramentas e que o resultado pode mudar com outros algoritmos, limiares e bancos de imagens, e que cada fator foi testado isoladamente, embora as imagens reais costumem somar vários defeitos ao mesmo tempo. A amostra original de rostos gerados era 73% branca, 17% asiática, 5% negra e 5% indiana, herança do conjunto de treinamento, e os autores tratam raça como construção social, com categorias simplificadas que, segundo eles, devem ser refinadas em trabalhos futuros, assim como o efeito do tamanho do banco de imagens, que ficou fora do estudo. ## O que isso muda para quem examina uma identificação Os autores afirmam que o desempenho do reconhecimento facial não deve ser resumido numa única taxa de acerto, porque o erro depende da qualidade da imagem, e propõem as curvas de erro condicionadas à degradação como forma de estimar como o perfil de erro de uma busca muda quando a imagem questionada tem pouco brilho, borrão ou baixa resolução. O artigo também distingue o desempenho do algoritmo em teste padronizado do desempenho na operação real, que depende do tratamento da imagem, da escolha do limiar, da formação do banco e das decisões de quem usa o sistema, e conclui que mesmo um algoritmo muito preciso pode gerar resultado pouco confiável ou enviesado se for usado sem considerar as limitações da imagem. --- # Relatório do MAIB sobre morte no poço de elevador do navio Arvia mostra por que intertravamento de porta não é bloqueio - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/maib-arvia-morte-no-poco-de-elevador-intertravamento-de-porta/ - Fonte original: Marine Accident Investigation Branch (MAIB), https://www.gov.uk/maib-reports/fatal-accident-to-a-crew-member-on-board-the-bermuda-registered-passenger-vessel-arvia, 08.Out.2026 (inglês) - Marcadores: elevador, permissão de trabalho, bloqueio de energia, acidente marítimo, MAIB, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Relatório do MAIB sobre morte no poço de elevador do navio Arvia mostra por que intertravamento de porta não é bloqueio", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/maib-arvia-morte-no-poco-de-elevador-intertravamento-de-porta/ ## O que importa - O MAIB, órgão britânico que investiga acidentes marítimos, publicou em 8 de outubro de 2026 o relatório sobre a morte de um técnico eletricista esmagado no poço de um elevador de passageiros do navio de cruzeiro Arvia. - O elevador estava em modo normal e subiu para atender a uma chamada guardada assim que as portas de pavimento se fecharam e o circuito de segurança se completou, com o técnico dentro do poço. - A investigação aponta comunicação falha, falta de controle do elevador antes da entrada no poço, uso de intertravamentos com rearme automático como barreira e uma permissão de trabalho que não acompanhou a mudança da tarefa. O Marine Accident Investigation Branch (MAIB), órgão do Reino Unido que investiga acidentes marítimos, publicou em 8 de outubro de 2026 o relatório 20/2026, sobre a morte de um técnico eletricista esmagado entre a parede do poço e a cabina de um elevador de passageiros do navio de cruzeiro Arvia, durante uma manutenção que confiou num dispositivo que se rearma sozinho. ## O relatório e quem o fez O Arvia é um navio de passageiros de bandeira das Bermudas, construído em 2022, com 344,5m de comprimento, e a investigação foi feita pelo MAIB em nome do registro de navios das Bermudas. O acidente ocorreu por volta das 5h52 de 26 de outubro de 2025, a 75nm (138,9km) a noroeste do Cabo Finisterra, na Espanha, durante a viagem de Southampton a Santa Cruz de Tenerife, e a vítima era um técnico filipino de 35 anos. Como todo relatório desse tipo, o documento avisa que a investigação de segurança tem como único objetivo prevenir acidentes e não apurar culpa, e que, pela regulamentação das Bermudas, o relatório não é admissível em processo judicial que vise atribuir responsabilidade. ## Duas noites de reparo O elevador de passageiros 14, um dos 24 fabricados e instalados pela OTIS Marine a bordo, ficou parado no deck 11 depois de uma travessia com mar de força 12 na escala Beaufort, e a equipe noturna de manutenção elétrica, formada por um técnico eletricista, um assistente e o terceiro oficial eletrotécnico, que a chefiava, passou duas noites trabalhando nele. Na primeira noite a porta de pavimento do deck 12 não abriu nem com a chave de destravamento, e o técnico entrou no poço pelo deck 14, logo acima, já que o navio não tem deck 13, desceu pela escada fixa até o teto da cabina, acionou a parada de emergência, passou o elevador para o modo de inspeção e consertou provisoriamente o cabo de manobra, que leva energia e sinais à cabina. Na segunda noite a equipe trocou um fusível queimado, ouviu um ruído de atrito no poço, que atribuiu ao contato do cabo de manobra com o suporte em L que o sustenta, ajustou o suporte com ferramentas manuais e testou o elevador nos modos de inspeção e normal. ## Como o elevador voltou a andar Por volta das 5h30 o terceiro oficial avisou ao chefe do departamento eletrotécnico que o serviço estava concluído, e o técnico recolocou o elevador em modo normal e soltou a parada de emergência para que o chefe fizesse um teste de funcionamento, com uma chave de proximidade que dá prioridade às chamadas escolhidas. Durante o teste, com os decks 11 e 17 selecionados, o chefe decidiu olhar o suporte consertado, ficou no deck 11 segurando a porta da cabina aberta, e o técnico subiu pela escada do navio, não conseguiu abrir de novo a porta do deck 12, abriu com a chave a porta do deck 14 e gritou "OK boss" para baixo. Logo depois o chefe se afastou da porta para ir ao deck 14 pela escada, quase ao mesmo tempo o técnico entrou no poço, a porta do deck 14, que tem contrapeso, fechou-se atrás dele, e às 5h52 as portas do deck 11 se fecharam e o elevador subiu para atender à chamada pendente do deck 17. O relatório explica que o movimento seguiu a lógica de projeto, porque, quando as portas dos dois decks se fecharam, o circuito de segurança se completou e o comando atendeu à chamada guardada. ## Intertravamento não é bloqueio Cada porta de pavimento tem um intertravamento mecânico, ligado ao circuito de segurança, que impede abrir a porta sem a cabina no andar ou sem a chave, e que impede a cabina de andar enquanto a porta estiver aberta, mas, segundo o MAIB, esses intertravamentos não eram um bloqueio, porque se rearmam sozinhos quando a porta fecha. O manual do fabricante, a permissão de trabalho e as instruções da Carnival UK exigiam que, antes de entrar no poço, a pessoa assumisse o controle do elevador, acionasse a parada de emergência e passasse o equipamento para o modo de inspeção, em que só os comandos do teto da cabina movimentam o elevador e em velocidade reduzida, e nada disso foi feito antes da entrada. Com isso, a proteção dependia de as pessoas manterem a configuração pretendida e coordenarem os seus atos, e o relatório conclui que usar os intertravamentos de porta como barreira não oferecia proteção eficaz. A única recomendação do relatório, a 2026/159, pede à Carnival UK que revise o uso de intertravamentos de porta com rearme automático como barreira de segurança contra o acionamento do elevador durante manutenção ou inspeção. ## Comunicação e permissão de trabalho A inspeção surgiu de improviso, sem revisão da permissão de trabalho, sem a análise de segurança da tarefa e sem combinar o método, e o MAIB identificou dois entendimentos diferentes, porque o chefe pretendia olhar o reparo do pavimento e não esperava que o técnico entrasse no poço, enquanto as ações do técnico indicam que ele achava necessário voltar ao teto da cabina. A troca do deck 12 pelo deck 14 foi, segundo o relatório, uma nova chance de parar a tarefa e confirmar um método seguro, que não foi aproveitada. As permissões de trabalho das duas noites foram emitidas pelo terceiro oficial e autorizadas pelo primeiro oficial eletrotécnico, que trabalhava de dia, horas antes do início do serviço, de modo que quem autorizava não tinha como verificar se as precauções declaradas estavam de fato aplicadas na hora do trabalho. O relatório conclui que os controles de gestão de segurança, entre eles a permissão de trabalho e o procedimento de bloqueio e etiquetagem, foram usados de forma ineficaz para identificar e controlar os perigos criados pelas mudanças no escopo, como o acesso pelo deck de cima, o uso da escada do poço e o trabalho em altura. ## Treinamento e a porta que não abria O terceiro oficial, que chefiava a manutenção e emitia as permissões, não tinha treinamento formal de segurança em elevadores na empresa, fator que o MAIB classifica entre os que não contribuíram diretamente para o acidente. O mecanismo de destravamento da porta do deck 12 foi testado depois do acidente e estava defeituoso, porque o pino girado pela chave passava direto pela alavanca que deveria abrir o circuito, e o relatório conclui que esse defeito contribuiu indiretamente, ao levar ao uso de um acesso alternativo antes de o elevador estar sob controle, quando já seria possível levá-lo a outro andar com a porta funcionando. ## Acidentes anteriores e o que mudou O relatório lembra mortes parecidas no petroleiro British Mallard, em 2007, em que a cabina subiu e prendeu um técnico contra a escada do poço, no porta-contêineres MSC Colombia, também em 2007, e no Carnival Ecstasy, em 2015. Depois do acidente, a Carnival UK proibiu na frota o uso da escada fixa do poço para chegar ao teto da cabina, reforçou as regras de comunicação e de permissão de trabalho, passou a exigir treinamento básico de segurança feito pelo fabricante ou por empresa de manutenção de elevadores nos últimos seis meses e criou uma avaliação de competência depois do treinamento, com registro formal do resultado. --- # Estudo do NIST mostra que especialistas em comparação facial acertam vendo um único traço do rosto, e preferem a orelha - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/especialistas-em-comparacao-facial-acertam-vendo-um-unico-traco-orelha-nist/ - Fonte original: PLOS ONE, https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0359520, 21.Out.2026 (inglês) - Marcadores: comparação facial, análise morfológica, NIST, FBI, FISWG, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Estudo do NIST mostra que especialistas em comparação facial acertam vendo um único traço do rosto, e preferem a orelha", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/especialistas-em-comparacao-facial-acertam-vendo-um-unico-traco-orelha-nist/ ## O que importa - Pesquisadores do NIST publicaram no PLOS ONE, em 21 de outubro de 2026, um experimento com 27 especialistas em comparação facial que só podiam ver o rosto questionado por partes, um traço de cada vez. - Quando escolhiam o que ver, os especialistas decidiram com um único traço em 75,89% das tentativas, e a orelha foi o traço mais escolhido e um dos mais associados a acerto. - A testa teve a maior taxa de acerto quando mostrada sozinha, mas quase nunca foi escolhida, e os autores dizem que o resultado não substitui a análise morfológica completa exigida no exame pericial. Um estudo publicado em 21 de outubro de 2026 na revista científica PLOS ONE por Carina A. Hahn, P. Jonathon Phillips e Amy N. Yates, do laboratório de tecnologia da informação do National Institute of Standards and Technology (NIST), a agência de padrões dos Estados Unidos, e por John D. Grantham, da empresa Systems Plus, mediu quais partes do rosto os especialistas em comparação facial realmente olham para decidir uma identidade, e quais delas levam ao acerto. ## O problema técnico A comparação facial forense é o exame em que o especialista compara imagens de rosto para dizer se mostram a mesma pessoa ou pessoas diferentes, e as diretrizes do Facial Identification Scientific Working Group (FISWG), grupo internacional de pesquisadores e peritos, mandam fazer uma análise morfológica, isto é, descrever e comparar em detalhe os traços do rosto inteiro, método que também orienta o treinamento dado pela divisão de informações de justiça criminal do FBI (CJIS) às polícias americanas. Os autores partem de pesquisas anteriores segundo as quais alguns traços, como orelhas, cicatrizes e pintas, dizem mais sobre a identidade do que outros, e lembram que as pessoas percebem o rosto como um todo, o que dificulta avaliar um traço isolado, e por isso perguntaram se o especialista deve comparar cada traço como aprendeu ou dar prioridade aos traços que carregam mais informação. ## Como o experimento foi montado As imagens vieram do teste Triad Identity Matching (TIM), do qual os pesquisadores tiraram as 40 tríades mais difíceis, e em cada tentativa o participante via dois rostos de referência, sempre de pessoas diferentes, e um terceiro rosto, o questionado, que era de uma delas e começava totalmente coberto. O rosto questionado foi dividido em nove regiões, bochechas, queixo, orelhas, olhos, sobrancelhas, testa, pescoço, nariz e boca, a partir de 68 pontos de referência marcados automaticamente com a biblioteca de aprendizado de máquina dlib, e os limites das regiões foram ajustados com gerentes de projeto do FBI e um examinador facial do FBI, que por isso ficou fora do teste. Antes do experimento principal, 34 voluntários do NIST e do FBI que não eram especialistas deram notas de semelhança, numa escala de 0 a 4, para cada traço dos pares de referência, e essas notas mostraram que, em média, as orelhas eram o traço que mais variava entre pessoas diferentes e o pescoço o que menos variava, com grande dispersão em todos os traços. O experimento principal teve 27 participantes de órgãos federais que declararam experiência ou formação em comparação facial, ouvidos entre outubro de 2023 e julho de 2024, cada um em 24 tentativas, num total de 648, e eles foram divididos em dois grupos, um que escolhia quais traços revelar e outro em que a ordem era imposta, ora do traço mais parecido entre as duas referências para o mais diferente, ora o contrário. Um sistema de pontos desestimulava revelar demais e chutar, porque cada acerto valia 100 pontos, cada erro tirava 200, o primeiro traço revelado era de graça e cada traço a mais custava 30 pontos. ## O que foi encontrado A taxa de acerto ficou alta e praticamente estável, qualquer que fosse o número de traços revelados, com médias estimadas entre 91,8% e 98,3% nos grupos de ordem imposta, e no grupo que escolhia os traços a queda para 76,9% com três traços revelados não foi estatisticamente significativa depois da correção para comparações múltiplas. Quando escolhiam o que ver, os especialistas decidiram depois de revelar um único traço em 75,89% das tentativas e com dois traços em 16,67%, e quando a ordem começava pelo traço mais diferente decidiram com um traço em 55,13% das vezes, enquanto, quando começava pelo mais parecido, a decisão com um ou com dois traços ficou quase empatada, em 35,26% e 36,54%. Nas 396 tentativas decididas com um só traço, a testa teve a maior probabilidade de acerto, de 0,94, mas com intervalo de confiança de 95% que descia a 0,71, e a orelha teve probabilidade de 0,93 com intervalo bem mais estreito, de limite inferior 0,88, enquanto pescoço, nariz e queixo se mostraram menos confiáveis, e o queixo, revelado primeiro em só três tentativas, errou nas três. A orelha dominou as escolhas, porque respondeu por 74,32% dos acertos com um traço no grupo que escolhia, contra 9,46% do nariz, e cada participante usou o seu traço favorito, em média, em 54,26% das revelações, mas os especialistas também se adaptaram, porque revelavam menos os traços que pareciam parecidos nas duas referências e, quando a ordem imposta começava pelo traço mais diferente, acertaram com a orelha em 34,67% dos casos, com a boca em 18,67% e com o nariz em 14,67%. Não houve relação consistente entre os traços preferidos e os que mais levaram ao acerto, com correlação de Pearson de 0,24 e p de 0,53, e os autores observam que a orelha foi ao mesmo tempo a mais usada e uma das mais precisas, enquanto a testa, a mais precisa quando vista sozinha, quase nunca foi escolhida, e nariz e boca foram escolhidos com frequência moderada, mas acertaram menos. ## Os limites apontados pelos autores Os próprios autores avisam que as condições do teste eram artificiais e não refletem a precisão no trabalho real, que as 40 tríades foram escolhidas entre as mais difíceis e podem ter propriedades da câmera e da foto que não se repetem em outros acervos, que as imagens eram sobretudo de pessoas brancas e do leste asiático e que o teste não incluiu fotos de câmera de segurança comparadas com fotos de identificação, nem variação de pose e iluminação. Eles também apontam que não houve grupo de controle de leigos, que as regiões fixas podem ter cortado detalhes que atravessam os limites, como rugas, marcas e cicatrizes, que os participantes não podiam ampliar a imagem e que a forma de escolha entre duas pessoas pode não valer para o exame em que o especialista decide se duas imagens são ou não da mesma pessoa. A queda de acerto com três traços revelados, segundo os autores, sugere que os especialistas podem ter se apoiado no traço visto por último em vez de somar o que já tinham visto, e eles lembram que, na prática, os examinadores usam fichas, listas de verificação e anotações para acumular e pesar a evidência do rosto inteiro, recurso que o teste não oferecia. ## O que os autores dizem para a prática Os autores escrevem que não propõem trocar a análise morfológica completa, em que a comparação de todos os traços disponíveis é a prática padrão do exame forense, mas que incluir nas diretrizes a utilidade relativa de traços como testa e orelha pode ajudar em triagens de grande volume e servir, no exame completo, como verificação final de que a informação mais útil foi considerada. O trabalho foi financiado por um acordo entre o NIST e o FBI, que opinou sobre o desenho do estudo para aproximá-lo das condições de trabalho dos especialistas, mas não decidiu sobre a análise nem sobre a publicação, segundo a declaração de financiamento do artigo, e os dados das tentativas estão no repositório público do NIST. --- # Colisão de trens em Elstow: relatório interino do RAIB mostra como alinhar o tempo do registrador de bordo, das câmeras e da sinalização - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/colisao-de-trens-em-elstow-relatorio-interino-do-raib/ - Fonte original: Rail Accident Investigation Branch (RAIB), https://www.gov.uk/government/news/interim-report-012026-collision-between-passenger-trains-near-elstow, 01.Out.2026 (inglês) - Marcadores: acidente ferroviário, registrador de dados, sincronização de tempo, reconstrução de acidente, RAIB, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Colisão de trens em Elstow: relatório interino do RAIB mostra como alinhar o tempo do registrador de bordo, das câmeras e da sinalização", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/colisao-de-trens-em-elstow-relatorio-interino-do-raib/ ## O que importa - O RAIB publicou em 1º de outubro de 2026 o relatório interino da colisão entre dois trens de passageiros perto de Elstow, na Inglaterra, ocorrida em 19 de junho de 2026. - O trem 1H46 passou o sinal WH154 em vermelho e bateu na traseira do 1B67, que estava parado, numa colisão que matou o maquinista do 1H46 e feriu pelo menos 160 pessoas. - Para montar a linha do tempo, os investigadores sincronizaram registrador de bordo, câmeras e sinalização num único relógio e trataram com ressalva os dados corrompidos na batida. O Rail Accident Investigation Branch (RAIB), órgão britânico que investiga acidentes ferroviários de forma independente, publicou em 1º de outubro de 2026 o relatório interino IR1/2026, de 21 páginas, sobre a colisão entre dois trens de passageiros da East Midlands Railway (EMR) perto de Elstow, no condado de Bedfordshire, Inglaterra, ocorrida por volta das 17h13 de sexta-feira, 19 de junho de 2026. O documento avisa que as informações de uma investigação em andamento podem mudar até o relatório final e que o RAIB investiga para melhorar a segurança, sem apontar culpa ou responsabilidade. ## A colisão na Midland Main Line O trem 1H46, que fazia o serviço das 16h40 de Corby para London St Pancras, bateu na traseira do trem 1B67, das 15h50 de Nottingham para St Pancras, que estava parado na linha Up Fast da Midland Main Line, cerca de 2,5mi (4,02km) ao sul da estação de Bedford, e os dois trens descarrilaram. O maquinista do 1H46 morreu na cabine, e das 257 pessoas que o RAIB identificou a bordo até agora, pelo menos 160 se feriram e 102 foram levadas ao hospital. O 1B67 tinha parado sob o pórtico do sinal WH152 depois de uma frenagem de emergência automática, e, como o trem ocupava a via, o sinal anterior, WH154, mostrava vermelho para protegê-lo de outros trens. As imagens da câmera frontal (FFCCTV) do 1H46 mostram que o WH154 estava corretamente em vermelho quando o trem se aproximou e passou por ele, a cerca de 58mph (93,3km/h) e acelerando, e os dados do registrador de bordo (OTDR, on-train data recorder, a "caixa-preta" do trem) mostram que o maquinista freou pela primeira vez cerca de 10 segundos antes do impacto, a cerca de 76mph (122,3km/h), e que a velocidade tinha caído para cerca de 50mph (80,5km/h) no momento da colisão. ## Por que o trem da frente estava parado O OTDR do 1B67 registrou, às 17h10min42s, um alerta do AWS (Automatic Warning System, sistema que dá um sinal sonoro de via livre antes de sinal verde e uma buzina de advertência antes de qualquer outro aspecto, que o maquinista precisa reconhecer apertando um botão) na altura dos ímãs de via do WH154, embora a câmera frontal mostrasse o sinal em verde, que deveria ter gerado só a indicação de via livre. Pela norma do setor RIS-0775-CCS, o trem tinha de frear em emergência se o alerta não fosse reconhecido em 2,7 segundos, e foi o que aconteceu às 17h10min45s, porque, segundo as testemunhas e o OTDR, nem o maquinista nem o instrutor que o acompanhava na cabine reconheceram o som do alto-falante como alerta do AWS, e o botão de reconhecimento não foi apertado. Em 9 de julho de 2026 outra unidade da classe 810 recebeu o mesmo alerta indevido no WH154 com o sinal em verde, e a verificação que se seguiu encontrou o eletroímã do AWS, que só é energizado com o aspecto verde, montado mais baixo que o ímã permanente associado e 16mm abaixo do topo do trilho, fora da tolerância exigida de ±12mm, embora o RAIB afirme que não achou indício de que o eletroímã não estivesse energizado corretamente e que ainda estuda a interação entre ele e o equipamento de bordo do 1B67. ## Um relógio de referência para todas as fontes O parágrafo 10 do relatório explica como a linha do tempo foi montada: os dados vieram de vários equipamentos que não compartilham a mesma fonte de tempo, e o RAIB sincronizou todos os registros com o relógio do registrador de dados da sinalização (signalling data logger), que é o horário corrigido citado em todo o documento. O mesmo parágrafo registra que, pelo modo de funcionamento de alguns registradores, pode passar um pequeno intervalo, em geral menos de um segundo, entre o evento e a sua gravação, e que houve corrupção de dados no OTDR e nas câmeras dos dois trens durante a colisão, por isso o relatório apresenta os dados como foram gravados e analisados até agora e avisa que os horários devem ser lidos com um pequeno grau de imprecisão, enquanto o órgão ainda verifica a confiabilidade dos dados armazenados nos dois trens. ## A aproximação reconstruída segundo a segundo Com os registros alinhados, o relatório mostra que às 17h12min46s o 1H46 recebeu o alerta do AWS do WH154, que o maquinista reconheceu, mas o trem, que tinha começado a acelerar a partir de cerca de 49mph (78,9km/h), continuou ganhando velocidade, passou o sinal em vermelho às 17h12min53s e chegou à máxima de 76mph (122,3km/h). O 1B67 aparece pela primeira vez nas imagens do 1H46 às 17h13min13s, a gravação termina cerca de 2 segundos depois, a cerca de 600m da traseira do trem parado, e nesse ponto, por causa da curva, não é possível saber pela imagem se o 1B67 está na mesma linha, limitação de visibilidade que, segundo o RAIB, um maquinista pode ter também. O OTDR registra a redução da tração a partir de 17h13min24s, a frenagem de serviço plena às 17h13min25s, cerca de 260m antes da traseira do 1B67, e a frenagem de emergência às 17h13min27s, cerca de 200m antes do ponto de colisão, que ocorreu por volta das 17h13min35s. A cabine dianteira do 1H46 e a cabine traseira do 1B67 ficaram encravadas uma na outra, os trens andaram juntos por cerca do comprimento de um veículo e o comprimento total do conjunto diminuiu de 9 a 10m, e a vistoria inicial do RAIB encontrou danos estruturais no ponto de impacto e em todas as ligações entre os veículos. ## Um sinal sem TPWS e com risco classificado como baixo O WH154 tinha equipamento de via do AWS, mas não tinha o TPWS (Train Protection and Warning System), que aplica o freio automaticamente quando o trem passa um sinal em vermelho, porque o regulamento britânico de segurança ferroviária de 1999 dispensa esse sistema quando passar o sinal pode levar a uma colisão na traseira de outro trem que segue no mesmo sentido e na mesma via. Na avaliação de risco da Network Rail de 29 de outubro de 2025, o WH154 recebeu 3,844 × 10⁻⁷ FWI por ano (fatalities and weighted injuries, índice que soma mortes e feridos ponderados pela gravidade), na faixa de risco baixo e abaixo do limite de 3,000 × 10⁻⁵ FWI por ano que levaria o sinal à análise detalhada, e o banco de dados do RSSB não registra nenhuma passagem do WH154 em vermelho desde 1985. ## Provas reunidas e próximos passos Entre as provas reunidas estão os OTDR, alguns retirados só durante a remoção dos veículos, as câmeras, os dados da sinalização, as gravações de rádio, a varredura a laser e as imagens aéreas dos danos e os ensaios supervisionados da sinalização e do AWS e do TPWS do 1B67. A investigação continua a apurar, entre outros pontos, a conduta dos envolvidos, por que o 1H46 passou o WH154 em vermelho, o estado dos freios e do AWS do 1H46, por que o 1B67 parou, a visibilidade e o AWS do sinal, o comportamento estrutural dos trens e a avaliação de risco de ultrapassagem nesse local, e o relatório final, com as eventuais recomendações de segurança, será publicado ao fim da investigação. --- # Pessoa morre em obra de Austin depois que cesto aéreo bate em rede elétrica, segundo os bombeiros - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/morte-por-choque-em-obra-de-austin-cesto-aereo-atinge-rede/ - Fonte original: Hoodline, https://hoodline.com/2026/10/downtown-austin-construction-site-electrocution-kills-one-person-second-person-pulled-to-safety/, 10.Out.2026 (inglês) - Marcadores: choque elétrico, acidente de trabalho, construção civil, distância de segurança, Texas - Como citar: NEXO CAUSAL, "Pessoa morre em obra de Austin depois que cesto aéreo bate em rede elétrica, segundo os bombeiros", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/morte-por-choque-em-obra-de-austin-cesto-aereo-atinge-rede/ ## O que importa - Uma pessoa morreu num canteiro de obras da Reserve Road, em Austin, no Texas, na tarde de 9 de outubro de 2026, depois de levar um choque elétrico. - Segundo o corpo de bombeiros, a equipe trabalhava num cesto elevado que girou, bateu numa linha de energia e passou a falhar. - A concessionária levou cerca de duas horas para desenergizar a linha e permitir o resgate das duas pessoas que estavam no local. Uma pessoa morreu depois de levar um choque elétrico num canteiro de obras da Reserve Road, em Austin, no Texas (Estados Unidos), na tarde de sexta-feira, 9 de outubro de 2026, e uma segunda pessoa que estava no local foi resgatada com vida, segundo as reportagens da Hoodline, da KVUE e do Austin American-Statesman com base em informações do corpo de bombeiros de Austin (Austin Fire Department). ## Como o acidente aconteceu De acordo com o corpo de bombeiros, citado pela KVUE, uma equipe trabalhava num prédio alto da Reserve Road, dentro de um cesto elevado, quando o cesto girou, bateu numa linha de energia e o mecanismo do equipamento passou a funcionar mal. A polícia de Austin recebeu o chamado por volta das 14h41, e uma das pessoas foi declarada morta no local. ## Resgate só depois de desligar a linha As equipes de emergência não puderam se aproximar enquanto a linha, que passava muito perto das duas pessoas, continuava energizada, e a Austin Energy, a concessionária municipal, precisou desenergizá-la antes do resgate, trabalho que levou cerca de duas horas segundo a KVUE. O primeiro caminhão da concessionária enviado ao local era pequeno demais para o serviço, e um segundo, maior, chegou com escolta policial, enquanto os bombeiros usaram um caminhão com escada e cesto para retirar as duas pessoas. A capitã Christa Stedman, do serviço de emergência médica de Austin e do condado de Travis (Austin-Travis County EMS), disse que o paciente ficou inacessível por um longo período por causa do risco elétrico. As fontes divergem sobre a segunda pessoa, porque o Austin American-Statesman e a KXAN, citada pela Hoodline, dizem que ela foi avaliada no local e não precisou ir ao hospital, enquanto a KVUE informa que ela foi levada a um hospital sem ferimentos aparentes. ## Investigação e regras de distância O Austin American-Statesman publicou em 14 de outubro de 2026 reportagem com a informação de que a OSHA, agência federal de segurança e saúde do trabalho, investiga a morte, e as reportagens lidas não trazem o nome da vítima nem a causa oficial do acidente. Austin tem regra própria para afastar obras das redes de distribuição: desde 2021, a Austin Energy exige pelo menos 15ft (4,57m) entre edificações novas e linhas de distribuição, 5ft (1,52m) a mais que a regra anterior, segundo o Austin Monitor. A mudança veio depois que um júri considerou a Austin Energy negligente, em 2019, pela morte de Jaime Membreno, operário que levou um choque quando o material metálico que cortava na fachada de uma casa noturna encostou numa linha de energia mais próxima do que o permitido pelo National Electrical Safety Code, e a indenização total à família foi de US$ 9,3 milhões. Na comparação feita pelo Austin Monitor, o National Electrical Safety Code exige afastamento de 7,5ft (2,29m) e a OSHA recomenda 10ft (3,05m), e a Hoodline observa que não se sabe se a obra da Reserve Road estava sujeita à regra de 2021 nem se alguma regra de segurança teve relação com o acidente. --- # ACLU e Innocence Project entram em ação contra a polícia de Reno por prisão baseada no reconhecimento facial de um cassino - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/aclu-e-innocence-project-apoiam-acao-contra-policia-de-reno-por-prisao-baseada-em-reconhecimento-facial/ - Fonte original: Biometric Update, https://www.biometricupdate.com/202609/civil-liberties-groups-join-lawsuit-over-reno-pd-reliance-on-third-party-lfr-match, 24.Set.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, prisão indevida, causa provável, Nevada, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "ACLU e Innocence Project entram em ação contra a polícia de Reno por prisão baseada no reconhecimento facial de um cassino", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/aclu-e-innocence-project-apoiam-acao-contra-policia-de-reno-por-prisao-baseada-em-reconhecimento-facial/ ## O que importa - Jason Killinger foi preso em 2023 no cassino Peppermill, em Reno (Nevada), porque o sistema do cassino o confundiu com um cliente banido, mesmo depois de ele mostrar a carteira de motorista. - O policial disse que fez a prisão como já tinha feito até centenas de vezes, seguindo a prática da polícia de Reno, e a ação acusa a cidade de não treinar os policiais no uso da tecnologia. - Num parecer como amigos da corte, a ACLU e o Innocence Project dizem que a pontuação de semelhança não é probabilidade de identificação e que faltou qualquer confirmação independente. A organização de direitos civis ACLU e o Innocence Project entraram na ação que Jason Killinger move contra a polícia de Reno, no estado americano de Nevada, e contra o policial que o prendeu em 2023 com base num alerta do reconhecimento facial ao vivo do cassino Peppermill, um sistema operado por empresa privada, segundo o site Biometric Update em 24 de setembro de 2026. ## A prisão Em setembro de 2023 a segurança do cassino cercou Killinger, levou-o para a sala de segurança e o reteve até a chegada de um policial, porque o sistema de câmeras apontou que ele podia ser outro homem, proibido de entrar no local, segundo a página do caso mantida pela ACLU. Killinger mostrou a carteira de motorista válida, emitida no padrão federal Real ID, mas o policial Richard Jager, novato na polícia de Reno, concluiu que o reconhecimento facial estava certo e que o documento devia ser falso, em parte porque a altura de Killinger diferia em cerca de 2" (5,08cm) da que constava na carteira. Depois que ele foi levado para a cadeia, uma consulta às impressões digitais confirmou que ele era quem dizia ser, e a investigação feita depois por um detetive concluiu que o reconhecimento facial do cassino estava errado. ## A prática da polícia e a falta de treinamento Jager disse que prendeu Killinger com base no alerta do cassino como já tinha feito até centenas de vezes, seguindo a orientação da polícia de Reno, e a ação ajuizada em 2026, segundo o Biometric Update, sustenta que a falta de treinamento dos policiais no uso do reconhecimento facial pode ter levado a milhares de prisões ilegais. Num documento de 9 de setembro de 2026, os advogados de Killinger afirmam que funcionários do Peppermill levavam cidadãos à Justiça criminal sem supervisão da polícia e que isso envolvia quase 1.000 pessoas por ano, segundo registros do cassino obtidos por intimação. A ex-chefe de polícia de Reno Kathryn Nance, afastada do cargo por outro motivo, chegou a dizer que não era essencial treinar os policiais no programa biométrico. ## O que dizem os amigos da corte A juíza federal Miranda Du já autorizou a participação das duas organizações, que pedem para apresentar um parecer como amigos da corte (amicus curiae) a favor de uma decisão contra a cidade e o policial, segundo o jornal Reno Gazette Journal. No parecer, as duas organizações pedem que o tribunal declare que a polícia não tinha causa provável para a prisão, porque o reconhecimento facial não é confiável por natureza, e que a cidade responda pelo erro, já que o risco de os policiais confiarem demais na tecnologia era evidente e previsível. Segundo o Biometric Update de 14 de outubro de 2026, o parecer lembra que a pontuação de semelhança mede o grau de parecença entre dois rostos e não a probabilidade de se tratar da mesma pessoa, que a revisão humana acrescenta mais risco de erro e que no caso de Killinger "a confirmação necessária faltou por completo". O mesmo site informa, com base em reportagem do This Is Reno, que registros do processo mostram que uma detetive recebeu ordem de não escrever relatório sobre sua conclusão de que a prisão foi indevida, e que a detetive Monique Sheahan viu as imagens da câmera corporal do homem que tinha recebido a notificação de proibição e constatou que ele e Killinger são pessoas diferentes. Os advogados de Killinger pediram à juíza julgamento antecipado parcial para declarar a cidade responsável, e a cidade de Reno pediu mais prazo para analisar o parecer das organizações por causa do tamanho do documento. --- # Teste de reconhecimento facial em estações de trem de Londres examinou mais de 500 mil rostos e teve um único alerta, que estava errado - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/teste-de-reconhecimento-facial-em-estacoes-de-londres-teve-um-alerta-falso-e-nenhuma-prisao/ - Fonte original: The Register, https://www.theregister.com/security/2026/09/30/uk-rail-cops-320k-face-scanning-spree-nets-zero-matches/5299793, 30.Set.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, falso positivo, transporte público, Londres, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Teste de reconhecimento facial em estações de trem de Londres examinou mais de 500 mil rostos e teve um único alerta, que estava errado", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/teste-de-reconhecimento-facial-em-estacoes-de-londres-teve-um-alerta-falso-e-nenhuma-prisao/ ## O que importa - A British Transport Police, polícia das ferrovias britânicas, fez 18 operações de reconhecimento facial ao vivo em estações de Londres entre fevereiro e julho de 2026, a um custo de £320.786. - Em seis meses o sistema examinou mais de 500 mil rostos e gerou um só alerta, que era falso, sem nenhuma prisão que tenha partido diretamente da tecnologia. - Mesmo assim o teste foi prorrogado até novembro e levado também para o metrô de Londres. A British Transport Police (BTP), polícia responsável pelas ferrovias da Inglaterra, da Escócia e do País de Gales, gastou mais de £320 mil num teste de seis meses de reconhecimento facial ao vivo em estações de trem de Londres que examinou mais de 500 mil rostos e gerou um único alerta, e esse alerta era um falso positivo, segundo reportagem de Carly Page publicada pelo The Register em 30 de setembro de 2026. Os números foram obtidos pela organização Liberty Investigates por meio de pedidos de acesso à informação (Freedom of Information) e divulgados primeiro pelo jornal The Guardian. ## O que os números mostram Entre fevereiro e julho de 2026 a BTP fez 18 operações, e o teste custou £320.786 e consumiu quase 100 horas de trabalho de policiais, segundo o site ID Tech, que publicou os mesmos dados. O sistema não produziu nenhuma correspondência correta, e nenhuma prisão resultou diretamente de um alerta, embora a BTP diga que os policiais fizeram outras prisões durante as operações, sem relação com a tecnologia. O ID Tech informa ainda que a corporação relatou três alertas confirmados numa fase posterior do teste, já prorrogada, e lembra que esse resultado não muda a contagem da primeira fase. ## Como o sistema funciona O teste começou na estação London Bridge, em fevereiro de 2026, e usa o algoritmo NeoFace M40, da empresa NEC, com câmeras que captam os rostos numa área definida e os comparam com uma lista de procurados da polícia. Quando o programa acha que encontrou alguém da lista, gera um alerta que um policial precisa revisar antes de decidir se aborda a pessoa, e a BTP diz que não consegue identificar quem não está na lista e que apaga na hora os dados biométricos dessas pessoas. A corporação afirma também que as operações são feitas a partir de informações de inteligência, em pontos de maior criminalidade por onde acredita que passem infratores de alta periculosidade. ## Críticas e prorrogação "Os números do piloto de reconhecimento facial ao vivo da British Transport Police seriam risíveis se não tivessem implicações tão preocupantes para os nossos direitos e liberdades", disse ao The Register Jasleen Chaggar, da organização Big Brother Watch, que defendeu o abandono da tecnologia pela polícia ferroviária. Sarah Simms, da Privacy International, disse que o resultado mostra quantos inocentes têm os dados do rosto processados no caminho e que a polícia continua ampliando as operações sem que exista um marco legal específico para regular o reconhecimento facial. Ainda assim, o teste foi prorrogado até novembro de 2026 e levado das estações da Network Rail para o metrô de Londres, começando pela estação Victoria, numa rede que, segundo o The Register, recebe mais de 3,7 milhões de viagens por dia nos dias úteis. O ex-comissário britânico de biometria Fraser Sampson disse, segundo o ID Tech, que o resultado depende de onde e quando as câmeras são instaladas, de como a lista de procurados é montada e da chance de essas pessoas passarem pelo local. --- # Escalador de 30 anos morre eletrocutado ao tocar em cabo elétrico em trilha de Plan, no Pirineo de Huesca - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/escalador-electrocutado-cabo-solto-plan-huesca/ - Fonte original: EFE, via Infobae, https://www.infobae.com/espana/agencias/2026/10/31/muere-un-montanero-en-plan-huesca-al-tocar-un-cable-electrico-caido-en-un-desfiladero/, 31.Out.2026 (espanhol) - Marcadores: choque elétrico, cabo elétrico, escalada, Pireneus, Espanha, investigação - Como citar: NEXO CAUSAL, "Escalador de 30 anos morre eletrocutado ao tocar em cabo elétrico em trilha de Plan, no Pirineo de Huesca", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/escalador-electrocutado-cabo-solto-plan-huesca/ ## O que importa - Um escalador de 30 anos morreu eletrocutado no desfiladeiro de La Inclusa, em Plan, no Pirineo de Huesca, na Espanha, no sábado, 31 de outubro de 2026, ao tocar num cabo elétrico. - As reportagens descrevem o cabo de formas diferentes, como solto ou caído, e não informam a tensão da linha nem quem a mantinha. - A Guardia Civil investiga as causas do acidente, e a perícia precisará separar o estado do cabo, a manutenção da rede e a responsabilidade pelo trecho. Um escalador de 30 anos morreu no sábado, 31 de outubro de 2026, depois de tocar num cabo elétrico no desfiladeiro de La Inclusa, no município de Plan, no Pirineo de Huesca, na Espanha, e a Guardia Civil investiga as causas do acidente. ## O que se sabe do acidente Segundo a Guardia Civil de Huesca, a central de emergências recebeu às 9h30 um aviso do 112 SOS Aragón de que um dos quatro escaladores de um grupo havia sido eletrocutado com um cabo quando se dirigia a uma atividade na zona do desfiladeiro. A Comandância ativou o GREIM de Boltaña, o grupo de resgate e intervenção em montanha da Guardia Civil, a Unidade Aérea de Huesca e um médico do serviço de emergência 061, e os agentes do GREIM encontraram o escalador inconsciente e em parada cardiorrespiratória, enquanto os três companheiros já faziam manobras de reanimação. Os socorristas continuaram a reanimação dentro do helicóptero até o escalador apresentar sinais incompatíveis com a vida, e o corpo foi levado ao ponto de pouso de Boltaña e depois ao Instituto de Medicina Legal de Zaragoza. ## Quem era a vítima A vítima tinha 30 anos e morava na comarca de La Ribagorza, e as reportagens lidas não trazem o nome dele, por isso este texto também não o publica. ## O cabo e a rede elétrica As reportagens não concordam sobre o estado do cabo, porque o elDiario.es fala em cabo solto, a agência EFE descreve o cabo como caído e outros veículos dizem apenas que o escalador tocou num cabo. Nenhuma das fontes lidas informa a tensão da linha, a qual empresa ela pertencia ou o ponto exato em que o cabo estava, e esses são os primeiros dados que uma perícia precisaria estabelecer. O elDiario.es lembra que o prefeito de San Juan de Plan já havia denunciado a falta de manutenção das linhas elétricas da região, ao relatar em maio ramos de pinheiros apoiados sobre os fios, mas nenhuma fonte liga essa denúncia ao cabo do acidente. ## O que a investigação precisa comprovar Para determinar a causa, a investigação precisa estabelecer se o cabo havia se rompido ou apenas estava solto e pendurado, qual era a tensão da linha naquele momento e há quanto tempo o defeito existia. Também precisa identificar quem operava e mantinha aquele trecho da rede, porque a resposta define se a inspeção, a manutenção e a proteção da linha eram de uma concessionária ou de outro responsável. Para isso, o cabo, os isoladores, os postes próximos, o registro de desligamento e as inspeções anteriores são os itens que um perito costuma pedir, na ordem em que foram encontrados. ## A regra de prevenção Cabo caído deve ser tratado como energizado até que a empresa responsável pela rede confirme que ele está desligado, e a regra vale para quem está na trilha, para o grupo de escalada e para quem chega para socorrer. Quem encontrar um cabo no chão deve manter distância, não tocar no cabo nem em objetos em contato com ele, e acionar a concessionária e o 112 imediatamente. Socorristas que chegam a uma vítima de choque devem confirmar que a fonte foi desligada antes de encostar nela, porque a corrente pode passar para o solo e para quem ajuda, como acontece com a tensão de passo perto de um cabo caído. Em trilhas que passam perto de linhas aéreas, vale verificar o trajeto antes de sair, com atenção ao trecho em que a linha se aproxima do caminho. ## Responsabilidade pela rede A concessionária responde pela manutenção da rede que opera, mas a extensão dessa responsabilidade depende de quem era o dono do trecho, do contrato de operação e das normas em vigor na época do acidente, e isso só se fecha com a investigação. A investigação ainda não divulgou conclusão, e este texto não atribui culpa a ninguém, nem à empresa da rede, nem ao grupo de escalada. --- # FBI atribui à Coreia do Norte o roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/fbi-atribui-coreia-do-norte-roubo-binance-6-bilhoes/ - Fonte original: Al Jazeera, https://www.aljazeera.com/news/2026/11/1/fbi-blames-north-korea-for-record-6-3bn-crypto-heist, 01.Nov.2026 (inglês) - Marcadores: Binance, FBI, Coreia do Norte, rastreamento em blockchain, criptomoedas, atribuição de ataque - Como citar: NEXO CAUSAL, "FBI atribui à Coreia do Norte o roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/fbi-atribui-coreia-do-norte-roubo-binance-6-bilhoes/ ## O que importa - O FBI atribuiu ao grupo norte-coreano TraderTraitor o roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões da Binance, ocorrido em 29 de outubro de 2026, em comunicado divulgado em 31 de outubro de 2026. - O comunicado descreve a conversão dos fundos roubados para ether e a expectativa de novas lavagens, mas os textos que lemos não detalham as evidências que sustentam a atribuição. - Antes do FBI, a Elliptic já apontava o mesmo grupo com base em ligações de infraestrutura, mistura de fundos e semelhança de método com o ataque à Bybit. O FBI afirmou em comunicado divulgado no sábado, 31 de outubro de 2026, que o grupo norte-coreano TraderTraitor está por trás do roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos da Binance, ocorrido na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, e que a empresa de análise Elliptic considera o maior roubo já registrado de qualquer tipo. ## O que o FBI declarou Segundo a descrição do comunicado feita pela Al Jazeera e pela ABC australiana, a unidade converteu os ativos roubados principalmente em ether, e o órgão espera que eles sejam lavados em novas etapas. O FBI também prevê que o grupo tente converter os fundos por finanças descentralizadas (DeFi) e serviços de troca instantânea, e pediu aos provedores de serviços de ativos virtuais que bloqueiem as transações ligadas aos endereços que indicou. A Binance, em comunicado separado, afirmou ter reposto 90% do valor com recursos próprios e disse que segue comprando o restante, formado por tokens menos líquidos que levam mais tempo para ser adquiridos. ## Os indícios que a Elliptic apontou antes Antes da atribuição oficial, a Elliptic já considerava o grupo o provável responsável e apoiava essa avaliação em três tipos de indícios, que precisam ser lidos separadamente. O primeiro é a infraestrutura de lavagem, porque a Elliptic identificou serviços usados em comum por quem movimenta os fundos da Binance e por quem lavou o produto de três roubos anteriores atribuídos ao mesmo grupo, nas corretoras BigONE, WOO X e AFX. O segundo é a mistura de fundos, já que parte dos recursos roubados da Binance foi lavada junto com o produto do ataque à Bitget de setembro de 2026, que a própria Elliptic considera muito provavelmente ligado à Coreia do Norte, ligação que o pesquisador ZachXBT reportou primeiro. O terceiro é o método, porque a Elliptic vê semelhança entre a preparação prolongada, a aparente escolha de funcionários como alvo e o uso dos sistemas de assinatura da própria corretora para autorizar as transferências, e o ataque à Bybit, de cerca de US$ 1,5 bilhão em fevereiro de 2025. ## Por que o método pesa tanto No caso da Bybit, os invasores comprometeram a máquina de um desenvolvedor da Safe{Wallet}, fornecedora da carteira, e manipularam a transação que os signatários de uma carteira multiassinatura, sistema em que várias chaves precisam aprovar a mesma operação, aprovaram. A Elliptic diz que, na Binance, o que foi comprometido foi a infraestrutura e as pessoas ao redor das carteiras, e não a criptografia, o que segue o mesmo padrão. Segundo a mesma análise, as carteiras quentes da Binance, conectadas à internet, foram esvaziadas em 11 blockchains em cerca de três horas, e parte dos fundos passou por pontes entre blockchains, serviços que levam ativos de uma rede a outra. Para a Elliptic, poucos atores conseguiriam coordenar um ataque desse porte em tão pouco tempo. ## Onde a atribuição oficial se separa das análises A diferença entre as duas etapas está em quem assume a afirmação, porque as empresas trabalham com probabilidades construídas sobre dados públicos da blockchain, enquanto o FBI assume a acusação em nome do governo dos Estados Unidos. Os textos que lemos sobre a atribuição descrevem o comunicado, mas não detalham as evidências que o órgão tem fora da blockchain, e por isso não é possível medir o peso delas na conclusão. A semelhança com a Bybit, atribuída ao mesmo grupo em 2025, reforça o padrão, mas não identifica pessoas nem prova autoria sozinha neste caso. ## O que ainda não foi comprovado A Binance também não explicou como o computador do engenheiro de DevOps foi comprometido, nem quais foram os outros pontos de invasão que disse ter encontrado, e afirma apenas que o ataque não foi feito por uma pessoa só. A Elliptic admite que os dados da blockchain não permitem dizer se a automação das transferências usa agentes de inteligência artificial ou scripts convencionais. Por fim, a Elliptic estima que cerca de US$ 3,25 bilhões ainda estão sob controle do invasor, em ativos que os emissores de stablecoins não conseguem congelar, espalhados por mais de 800 endereços, a preços da data da atualização do texto. Uma atribuição oficial é, portanto, a posição de um governo sustentada por evidências que os textos consultados não detalham, e o que se pode verificar hoje é a coerência entre os indícios da blockchain, o método do ataque e os casos anteriores. --- # Cargueiro da Amazon que saiu da pista em Miami teve pedido de arremetida no gravador de voz, diz relatório preliminar do NTSB - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/queda-cargueiro-amazon-ntsb-gravador-de-voz-tentativa-de-arremetida/ - Fonte original: NTSB (National Transportation Safety Board), relatório preliminar DCA26MA352, https://www.ntsb.gov/investigations/Documents/DCA26MA352%20Prelim.pdf, 09.Set.2026 (inglês) - Marcadores: acidente aéreo, gravador de voz da cabine, NTSB, arremetida, cargueiro, Miami - Como citar: NEXO CAUSAL, "Cargueiro da Amazon que saiu da pista em Miami teve pedido de arremetida no gravador de voz, diz relatório preliminar do NTSB", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/queda-cargueiro-amazon-ntsb-gravador-de-voz-tentativa-de-arremetida/ ## O que importa - Um Boeing 767 cargueiro da 21 Air, operado para a Amazon, saiu da pista do Aeroporto Internacional de Miami em 6 de setembro de 2026 e atingiu veículos no solo. - Cinco pessoas morreram no solo, três ficaram gravemente feridas e os dois tripulantes tiveram ferimentos leves. - O relatório preliminar do NTSB registra um pedido de arremetida no gravador de voz, mas ainda não traz causas nem conclusões. O voo 7598 da 21 Air, um Boeing 767-33A cargueiro operado para a Amazon, pousou na pista 30 do Aeroporto Internacional de Miami às 13h53 (horário local) de 6 de setembro de 2026, e o relatório preliminar do NTSB descreve o que aconteceu depois disso. ## O que o relatório registra Segundo o NTSB, o avião tocou a pista cerca de 3.750ft (1.143m) depois da cabeceira, a 160kts (296km/h), e atravessou o fim do asfalto a 113kts (209km/h). Depois de bater no sistema de luzes de aproximação e no localizador, o avião saiu do asfalto, atingiu uma van que seguia numa via interna do aeroporto e um utilitário na avenida NW 67th, e parou num estacionamento a cerca de 1.200ft (366m) do asfalto. Dos sete ocupantes da van, cinco morreram e dois ficaram gravemente feridos, e o único ocupante do utilitário também teve ferimentos graves. Os dois tripulantes deixaram o avião pela porta 1L e pela janela da cabine, com ferimentos leves, e houve incêndio pós-impacto na asa direita. ## O que o gravador de voz registrou O gravador de voz da cabine (CVR) tem cerca de duas horas e quatro minutos de registro, e o trecho final mostra o comandante pedindo arremetida (go-around) 15 segundos antes do fim da gravação. Cerca de 1 minuto e 42 segundos antes do fim, o copiloto avisou que a aeronave estava rápida demais, e ele repetiu o alerta até o fim sem resposta verbal consistente. Os avisos eletrônicos de "too low terrain" e de "sink rate" aparecem várias vezes nos minutos finais, antes do pedido de arremetida. Os sons de toque na pista aparecem cerca de 31 segundos antes do fim da gravação, e os de saída do asfalto, 10 segundos antes. ## O que o gravador de dados de voo mostra O gravador de dados de voo (FDR) traz cerca de 54 horas de dados de 16 voos, com mais de 400 parâmetros, e foi lido com sucesso no laboratório da NTSB em Washington. Esses dados indicam que os freios foram soltos e os manetes foram levados à potência de arremetida, e depois voltaram à marcha lenta quando os freios foram reaplicados. O relatório também diz que os spoilers (speed brakes) e os reversores não foram acionados durante a corrida na pista. A imprensa americana resumiu o caso como uma tentativa de abortar o pouso, enquanto o NTSB usa o termo técnico arremetida (go-around). ## Controle de tráfego aéreo O relatório registra que o controlador da posição sul autorizou o pouso sem informar o vento, embora a norma da FAA exija direção e velocidade quando há componente de cauda. Cerca de quatro minutos antes, esse mesmo controlador havia informado a outro voo um vento de 190° a 19kts (35km/h) com rajadas de 22kts (41km/h), mas o voo 7598 não estava nessa frequência. O NTSB apenas registra a falta de informação e não conclui se ela contribuiu para o acidente. ## O que é preliminar e o que falta O documento é preliminar, e o próprio NTSB escreve que as informações ainda podem mudar. Os horários do gravador de voz e os do gravador de dados ainda não estão sincronizados, e o NTSB vai reunir um grupo específico do CVR para revisar a gravação e produzir a transcrição escrita. O relatório final é o documento que traz as causas prováveis e as recomendações, e até agora a investigação segue em andamento sem conclusão sobre a causa. O NTSB também não divulgou o conteúdo das entrevistas com os pilotos, embora use essas entrevistas para descrever a experiência de cada um. ## Como ler esse caso na perícia O relatório ainda não explica por que o pedido de arremetida veio só cerca de 15 segundos antes da saída da pista, depois de os alertas de velocidade começarem quase dois minutos antes. Para o perito, o ponto útil é separar o que o relatório afirma, como os horários do CVR e os valores registrados pelo FDR, do que ainda depende de análise, como a causa. --- # Relatório preliminar do NTSB sobre a queda fatal de avião nas montanhas Wrangell, no Alasca - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/relatorio-preliminar-ntsb-queda-aviao-montanhas-wrangell-alasca/ - Fonte original: Alaska's News Source (KTUU), https://www.alaskasnewssource.com/2026/10/30/ntsb-releases-preliminary-report-investigation-into-fatal-wrangell-mountains-plane-crash/, 30.Out.2026 (inglês) - Marcadores: relatório preliminar, NTSB, Piper Super Cub, Alasca, acidente aéreo, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Relatório preliminar do NTSB sobre a queda fatal de avião nas montanhas Wrangell, no Alasca", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/relatorio-preliminar-ntsb-queda-aviao-montanhas-wrangell-alasca/ ## O que importa - O Piper PA-18-150 (Super Cub) que caiu logo após decolar de uma pista de terra perto de Nabesna, no Alasca, em 17 de setembro de 2026, matando o piloto e um passageiro, é o caso do relatório preliminar divulgado pelo NTSB em 30 de outubro de 2026. - O documento registra o estalo de metal ouvido pelas testemunhas, a separação da fuselagem logo à frente da coluna de comando e a ausência de água no combustível. - O relatório não indica causa, e a análise final depende do exame da aeronave, que foi retirada do local. O National Transportation Safety Board (NTSB), agência de investigação de acidentes dos Estados Unidos, divulgou em 30 de outubro de 2026 o relatório preliminar sobre a queda de um Piper PA-18-150, o modelo Super Cub, que matou duas pessoas nas montanhas Wrangell, no Alasca, em 17 de setembro de 2026, e o documento reúne os fatos apurados até agora, sem indicar causa. ## O voo e as vítimas O avião decolou por volta das 19h30, no horário local do Alasca, de uma pista de terra perto de Snag Creek, na região de Nabesna, no norte do Parque Nacional e Reserva Wrangell-St. Elias, depois de uma inspeção pré-voo que os funcionários do local não acharam nada de anormal. O objetivo do voo era levar um dos auxiliares de acampamento de caça (packers, no original) a um acampamento de caça de alces junto ao Snag Creek e, em seguida, a outro, cerca de 10 milhas (16,09km) a leste. Morreram o piloto, de 42 anos, morador de Palmer, e o passageiro, de 18 anos, do estado de Michigan, que eram as únicas pessoas a bordo e as únicas vítimas do acidente. ## O que o relatório registra Segundo o relatório, funcionários que estavam no local ouviram, logo após a decolagem, o que descreveram como estalos de metal, e viram o avião no chão do outro lado do riacho, a cerca de 750ft (228,6m) da pista de terra. O tempo estava bom para voo, com ventos fracos, e os principais componentes da aeronave permaneceram presos ao avião e foram todos localizados no local, segundo um investigador do NTSB. A fuselagem estava separada logo à frente da coluna de comando, e o painel de instrumentos e o anteparo corta-fogo (firewall) também se soltaram da estrutura. O combustível foi testado para verificar a presença de água, e o resultado foi negativo, enquanto a tela de óleo estava limpa e desobstruída. A aeronave foi retirada do local para exame posterior, e o relatório preliminar não traz uma causa provável para o acidente. ## O que ainda falta Como o próprio nome indica, o relatório preliminar reúne fatos verificados nos primeiros momentos da investigação, e a análise que leva à causa fica para o relatório final. A reportagem não menciona o estado do motor, o histórico de manutenção nem o registro de peso e balanceamento do avião, pontos que não aparecem no texto divulgado até agora e que a apuração ainda precisa esclarecer. O exame da aeronave, feito fora do local, é o passo que pode associar o estalo relatado pelas testemunhas a uma peça ou a um ponto de ruptura, e assim mostrar o que começou a falhar antes da queda. ## Preliminar ou final O relatório preliminar é a primeira publicação do NTSB sobre o caso e traz apenas o que a agência verificou, sem análise de causa. O relatório final reúne a análise técnica, a causa provável e, quando há, as recomendações de segurança, e para a aviação geral a agência costuma levar de 12 a 24 meses para concluí-lo, segundo a AeroCorner. Neste caso, o relatório preliminar saiu cerca de seis semanas depois do acidente, quando a própria agência, citada pela AeroCorner, costuma publicar esse documento em até duas semanas para a aviação geral. ## Leitura pericial Pela descrição publicada, o ponto que a perícia precisa esclarecer é a sequência entre o estalo, a separação da fuselagem e a perda de controle, e isso depende do exame dos componentes, não da reportagem. Quem acompanha o caso deve esperar o relatório final antes de tirar conclusões sobre a causa, porque o texto de agora apenas descreve o que foi encontrado no local. --- # Itália libera reconhecimento facial em tempo real nas investigações, com autorização do juiz e prazo limitado - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/italia-libera-reconhecimento-facial-em-tempo-real-pela-policia-com-autorizacao-judicial/ - Fonte original: Geopop, https://www.geopop.it/riconoscimento-facciale-in-tempo-reale-con-lai-cosa-cambia-da-oggi-le-nuove-regole-per-la-polizia/, 30.Set.2026 (italiano) - Marcadores: reconhecimento facial, biometria, AI Act, processo penal, Itália - Como citar: NEXO CAUSAL, "Itália libera reconhecimento facial em tempo real nas investigações, com autorização do juiz e prazo limitado", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/italia-libera-reconhecimento-facial-em-tempo-real-pela-policia-com-autorizacao-judicial/ ## O que importa - Desde 30 de setembro de 2026 a polícia italiana pode usar sistemas de inteligência artificial para identificação biométrica à distância em tempo real, nos termos do decreto legislativo nº 160, de 9 de setembro de 2026. - No processo penal, o uso depende de pedido do Ministério Público e de decisão fundamentada do juiz, que delimita a área, as pessoas procuradas e o prazo, de no máximo 15 dias prorrogáveis. - O banco de comparação tem de ser montado para cada autorização e apagado no fim, e o resultado obtido fora das regras não pode ser usado como prova. A polícia italiana pode usar, desde 30 de setembro de 2026, sistemas de inteligência artificial para a identificação biométrica à distância em tempo real, com regras previstas no decreto legislativo nº 160, de 9 de setembro de 2026, que adapta a legislação do país ao regulamento europeu de inteligência artificial (AI Act, Regulamento UE 2024/1689), segundo reportagem de Giuseppe Servidio publicada pelo site Geopop no dia em que a norma entrou em vigor. O decreto foi publicado na Gazzetta Ufficiale em 15 de setembro de 2026 e regulamenta a lei nº 132, de 23 de setembro de 2025, segundo a revista jurídica Sistema Penale, que resumiu as principais mudanças de interesse penal. ## O novo artigo do Código de Processo Penal O decreto incluiu no Código de Processo Penal italiano o artigo 359-ter, que permite o uso do sistema para confirmar a identidade de uma pessoa contra quem haja indícios suficientes de um dos crimes listados no anexo II do AI Act punidos com pena máxima de pelo menos quatro anos, ou para procurar e localizar essa pessoa. O mesmo artigo autoriza a busca de foragidos com prisão já decretada por esses crimes e a busca de vítimas específicas de sequestro, tráfico de pessoas ou exploração sexual. O pedido é feito pelo Ministério Público ao juiz das investigações preliminares, que decide por decreto fundamentado e nele delimita a área geográfica, indica as pessoas procuradas e fixa o tempo estritamente necessário, que não pode passar de 15 dias, prorrogáveis por novos períodos de 15 dias se as condições continuarem presentes. Em caso de urgência o próprio Ministério Público pode determinar o uso, comunicando o juiz em até 24 horas para que ele confirme a medida nas 48 horas seguintes, e se não der para esperar nem o Ministério Público a polícia judiciária pode ligar o sistema, desde que envie o pedido de autorização ao Ministério Público em até 12 horas, e o juiz também precisa confirmar a medida. ## Banco de comparação e validade da prova O rosto captado pelas câmeras só pode ser comparado com um banco de referência montado para cada autorização, apenas com os dados biométricos ligados àquela finalidade, que são apagados quando a autorização perde a validade, e é proibido usar bancos alimentados por coleta indiscriminada de imagens na internet (scraping). Se o sistema for usado fora dos casos previstos em lei ou sem a autorização exigida, os resultados não podem ser usados, e todos os dados e resultados obtidos são apagados, a não ser que constituam o próprio corpo do delito. O Geopop explica que o sistema extrai do vídeo uma assinatura do rosto e avisa os operadores quando encontra uma possível correspondência no banco, mas não decide sozinho que a pessoa é a procurada, e a avaliação continua sendo dos policiais, com o resultado juntado ao processo do Ministério Público. ## Uso fora do processo e reconhecimento posterior Fora das investigações de crimes já cometidos, o decreto admite a identificação em tempo real para procurar vítimas e pessoas desaparecidas e para prevenir ataques terroristas ou ameaças iminentes à integridade física das pessoas, com autorização do procurador da República da capital do distrito, sob pena de o material obtido não poder ser usado. Para o reconhecimento facial feito depois, sobre imagens já gravadas, a versão final do decreto passou a exigir autorização do juiz quando se trata de procurar uma pessoa suspeita de um crime, e o processamento biométrico das imagens só pode ocorrer depois de o crime ter sido cometido, como havia pedido a autoridade italiana de proteção de dados (Garante per la protezione dei dati personali). --- # Prisões indevidas na região de Jacksonville, na Flórida, expõem uso de reconhecimento facial sem investigação complementar - Publicado: 01.Nov.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/prisoes-indevidas-na-regiao-de-jacksonville-expoem-uso-de-reconhecimento-facial-sem-investigacao/ - Fonte original: Biometric Update, https://www.biometricupdate.com/202610/with-wrongful-arrests-jacksonville-police-show-how-not-to-use-facial-recognition, 01.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, prisão indevida, causa provável, Flórida, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Prisões indevidas na região de Jacksonville, na Flórida, expõem uso de reconhecimento facial sem investigação complementar", 01.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/prisoes-indevidas-na-regiao-de-jacksonville-expoem-uso-de-reconhecimento-facial-sem-investigacao/ ## O que importa - Um gerente-assistente de supermercado de 38 anos foi preso pela polícia de Jacksonville depois que um programa de reconhecimento facial o indicou a partir de fotos dele usadas por outra pessoa num aplicativo de encontros. - O caso se soma aos de Jalil Richardson e de Robert Dillon, também presos na mesma região depois de indicações erradas do software. - O gabinete do xerife do condado de Pinellas, que mantém o sistema usado por mais de 200 órgãos, diz que o resultado do reconhecimento facial nunca é uma correspondência e exige investigação independente. O gabinete do xerife de Jacksonville (Jacksonville Sheriff's Office), na Flórida (Estados Unidos), prendeu um homem de 38 anos com base apenas numa indicação de reconhecimento facial, e o caso, revelado pelo Florida Trib, da rádio WLRN, e comentado pelo site Biometric Update em 1º de outubro de 2026, se soma a outras prisões indevidas na mesma região que partiram de indicações do software. ## Fotos de um inocente usadas por outra pessoa As fotos que levaram à prisão tinham sido enviadas a um policial disfarçado por uma conta no aplicativo de encontros Skout, e a conta pertencia a um condenado por crime sexual, que usou duas imagens copiadas do Facebook do homem de 38 anos. A polícia passou as fotos pelo FACESNXT, um banco de referência biométrica mantido pelo gabinete do xerife do condado de Pinellas com algoritmos da empresa Idemia, recebeu um candidato e prendeu esse candidato, um gerente-assistente de supermercado e pai de dois filhos que não tinha relação com o crime. Depois de pagar fiança, ele foi obrigado pela Justiça a morar longe dos filhos, um deles ainda bebê, e o Florida Trib não publicou o nome dele para não atrapalhar a busca de emprego no futuro. O FACESNXT tem cerca de 15 milhões de fotos de fichamento policial e cerca de 25 milhões de fotos de carteira de motorista, e hoje 221 órgãos municipais, estaduais e federais têm acesso a ele, segundo o Biometric Update. ## Os casos anteriores Em junho de 2026 veio a público o caso de Jalil Richardson, morador de Charlotte, na Carolina do Norte, preso pelo mesmo gabinete do xerife numa investigação de furto de carro depois que um policial comparou o suspeito filmado por câmeras de segurança com uma identidade falsa da Geórgia usada na venda do veículo e o sistema apontou Richardson com 85% de semelhança. Richardson perdeu o emprego e a guarda dos filhos e disse que "não houve investigação adequada nem para entrar em contato comigo ou ver se eu sequer estava na Flórida", e a organização de direitos civis ACLU afirma que ele passou três meses preso até que as acusações fossem retiradas. Em agosto de 2024, a polícia de Jacksonville Beach prendeu Robert Dillon, de 52 anos, morador de Fort Myers, a mais de 300 milhas (482,8km) dali, acusado de tentar atrair uma criança numa lanchonete, depois que um funcionário do gabinete do xerife de Jacksonville passou fotos granuladas de câmeras de segurança pelo reconhecimento facial e o programa indicou Dillon como possível correspondência. Segundo a ação movida em junho de 2026 pela ACLU contra a polícia de Jacksonville Beach e os gabinetes dos xerifes de Jacksonville e de Pinellas, o mandado de prisão saiu com base só nessa indicação e no reconhecimento feito por um funcionário da lanchonete numa sessão de fotos, que a ação considera viciada porque o software tende a apontar alguém parecido com o suspeito. A ação também diz que a polícia não contou ao juiz que o suspeito era cliente frequente da lanchonete, que Dillon morava a cinco horas de distância e nunca tinha estado em Jacksonville Beach, e que a busca nos leitores automáticos de placas não registrou o carro dele perto do local nos dias do crime, e as acusações contra ele foram retiradas. ## Indicação não é prova Em resposta à ação de Dillon, o gabinete do xerife de Pinellas, que opera o sistema usado em todo o estado, disse que os resultados do reconhecimento facial "nunca são correspondências" e que é necessária investigação independente. O Biometric Update lembra que a indicação do reconhecimento facial, sozinha, não pode servir de causa provável para uma prisão, e que nos casos de Jacksonville a acusação é justamente a de que a polícia não fez nenhuma outra apuração antes de prender. --- # Dono de salão de festas é condenado na Argentina pela morte de jovem em cerca eletrificada ligada direto à rede - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/dono-de-salao-condenado-por-morte-em-cerca-eletrificada-corrientes/ - Fonte original: Examedia (texto também publicado pelo DataChaco), https://examedia.com.ar/portada/post/88136843, 28.Out.2026 (espanhol) - Marcadores: cerca elétrica, choque elétrico, homicídio culposo, responsabilização, Argentina - Como citar: NEXO CAUSAL, "Dono de salão de festas é condenado na Argentina pela morte de jovem em cerca eletrificada ligada direto à rede", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/dono-de-salao-condenado-por-morte-em-cerca-eletrificada-corrientes/ ## O que importa - Um tribunal de Corrientes condenou em 28 de outubro de 2026 o dono do salão La Realeza Tus Sueños a três anos de prisão com execução suspensa por homicídio culposo. - Juan Cruz Delgado, de 20 anos, morreu em 27 de setembro de 2020 ao tocar a cerca eletrificada do salão, que segundo a acusação estava ligada direto à rede elétrica, sem os dispositivos aprovados e sem placas de aviso. - A pena foi a mesma pedida pelo Ministério Público, e os fundamentos da sentença serão divulgados em 5 de novembro de 2026. O Tribunal Oral Penal nº 1 da cidade de Corrientes, na Argentina, condenou na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, Alberto Antonio Gómez, dono do salão de eventos La Realeza Tus Sueños, a três anos de prisão com execução suspensa por homicídio culposo pela morte de Juan Cruz Delgado, que levou um choque na cerca eletrificada do local em 27 de setembro de 2020, segundo o texto publicado pelo Examedia e pelo DataChaco. ## A cerca ligada à rede Segundo a acusação, a cargo do promotor Carlos Lértora, Gómez instalou de forma irregular uma cerca eletrificada no quintal dos fundos do salão, na avenida Libertad, altura do número 5800, e o sistema estava ligado diretamente à rede elétrica, sem os dispositivos homologados e sem a sinalização de advertência correspondente, conforme relataram o El Litoral e o Corrientes Hoy na abertura do julgamento. Para a acusação, Delgado tocou a cerca por acidente durante uma festa no salão e recebeu a descarga que causou sua morte. ## O que se noticiou em 2020 Na época, o El Litoral informou que Delgado tinha 20 anos e jogava basquete no Club Córdoba, e que a festa no salão era clandestina, porque eventos desse tipo estavam proibidos pela pandemia, e a polícia chegou ao local por volta das 4h45, depois de um alerta ao 911. Segundo aquela reportagem, alguns jovens fugiram pulando os muros vizinhos para não serem detidos, e Delgado levou o choque ao tentar pular um muro que tinha três fios de arame ligados à rede elétrica, morrendo na hora, e o organizador da festa, então com 64 anos, foi detido, com o caso registrado como homicídio culposo. ## O julgamento O julgamento começou na terça-feira, 27 de outubro de 2026, com seis testemunhas convocadas, depois de a audiência marcada para 24 de agosto ter sido suspensa porque o réu não compareceu e apresentou atestado médico, e a defesa ficou com a advogada Claudia Valeria Vallejos. O tribunal, presidido pelo juiz Darío Alejandro Ortiz e integrado por Ana del Carmen Figueredo e Oscar Ignacio Dubrez, proferiu a Sentença nº 247 e aplicou a pena pedida pelo Ministério Público nas alegações finais, com base nos artigos 45, 84, 40 e 41 do Código Penal argentino e 575 do Código Processual Penal, além das custas do processo. Até a sentença se tornar definitiva, Gómez terá de manter endereço fixo, sem mudá-lo sem autorização, comparecer quando chamado, não cometer crimes e não consumir bebidas alcoólicas nem drogas, e, segundo o texto, a pena com execução suspensa não será cumprida na prisão, sem prejuízo dessas obrigações e das consequências legais de descumpri-las. Os fundamentos da sentença ficam à disposição das partes em 5 de novembro de 2026, às 12h30. --- # Mulher presa por 13 dias por acidente fatal que não causou depõe no Senado dos EUA sobre o uso de leitores de placas - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/mulher-presa-13-dias-por-acidente-fatal-apos-leitura-de-placa-depoe-no-senado-dos-eua/ - Fonte original: Law Commentary, https://www.lawcommentary.com/articles/florida-woman-flock-camera-wrongful-arrest-senate, 24.Set.2026 (inglês) - Marcadores: acidente de trânsito, leitor de placas, reconstituição de acidente, prisão indevida, Flórida - Como citar: NEXO CAUSAL, "Mulher presa por 13 dias por acidente fatal que não causou depõe no Senado dos EUA sobre o uso de leitores de placas", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/mulher-presa-13-dias-por-acidente-fatal-apos-leitura-de-placa-depoe-no-senado-dos-eua/ ## O que importa - Lindsey Isaacs, de 23 anos, foi presa em abril de 2026 por um acidente com três mortos na rodovia I-4, na Flórida, depois que uma câmera de leitura de placas da empresa Flock registrou o carro dela a cerca de 3 milhas (4,83km) do local. - A testemunha que ligou para o 911 tinha descrito um Dodge Durango vinho com outra placa, e o carro de Isaacs era preto, e uma equipe de reconstituição da patrulha rodoviária não achou nele nenhum dano de colisão. - As acusações foram retiradas em 22 de maio de 2026, outra motorista foi presa, e Isaacs processa dois sargentos da patrulha por prisão ilegal. Lindsey Isaacs, de 23 anos, moradora de Palm Coast, na Flórida (Estados Unidos), contou ao subcomitê de Crime e Contraterrorismo da Comissão de Justiça do Senado americano, em 23 de setembro de 2026, como passou 13 dias presa, acusada de causar um acidente com três mortos, depois que uma busca nas câmeras de leitura de placas da empresa Flock Safety levou os investigadores ao carro dela, segundo o site Law Commentary e a emissora FOX 13. ## O acidente e a leitura da câmera O acidente aconteceu por volta das 21h53 de 4 de outubro de 2025 na rodovia interestadual I-4, no condado de Volusia, perto de DeBary, e o motorista de um Dodge Durango fugiu do local depois da batida. Uma câmera da Flock registrou o Durango preto 2025 de Isaacs às 21h51, seguindo para o leste perto da divisa entre os condados de Seminole e Volusia, cerca de 3 milhas (4,83km) a oeste do ponto do acidente, e a ação que ela move diz que os investigadores omitiram esse horário no pedido do mandado de prisão. Segundo a ação, uma pessoa que ligou para o 911 descreveu um Durango vinho e passou os três primeiros caracteres da placa, "458", e o carro de Isaacs, além de preto, tinha outra placa, e essa informação também ficou fora do pedido. Os policiais rodoviários foram à casa dela horas depois do acidente e apreenderam o carro, e Isaacs disse aos senadores que entregou um recibo e informações mostrando onde estava e afirmou que não tinha se envolvido em nenhuma colisão. ## Danos que não estavam no carro O mandado saiu em abril de 2026 com base, em parte, em descrições de arranhões, raspados e outras marcas que os investigadores consideraram compatíveis com a colisão, e Isaacs se entregou em 17 de abril, acusada de oito crimes graves, entre eles três homicídios culposos na direção de veículo. O juiz negou a fiança em 22 de abril, e dias depois o advogado de defesa Patrick McGeehan apresentou fotos do Durango no pátio da patrulha rodoviária da Flórida (Florida Highway Patrol, FHP) que, segundo ele, mostravam o carro sem os danos descritos pelos investigadores. Diante disso o promotor-assistente Mike Willard pediu ajuda à equipe de investigação especializada e reconstituição da FHP (Specialized Investigation and Reconstruction Team), que examinou o carro de Isaacs e não encontrou dano que indicasse batida em outro veículo. Os investigadores também identificaram transferência de tinta vermelha ou vinho no Ford Focus envolvido no acidente e reuniram indícios que apontavam para um Durango vinho. ## Soltura, nova prisão e processo Isaacs conseguiu fiança em 29 de abril, depois de 13 dias presa, e em 22 de maio a promotoria desistiu das oito acusações, e no mesmo dia outra motorista foi presa e acusada de nove crimes ligados ao mesmo acidente, entre eles homicídio culposo na direção e adulteração de prova, e se declarou inocente. Em junho Isaacs processou na Justiça federal os sargentos Tiffany Jateff e Joshua Buday, da FHP, por prisão ilegal, detenção indevida e acusação maliciosa, e a ação afirma que a descrição falsa dos danos e as provas omitidas pesaram na decisão que levou à prisão dela. A Flock contesta que a tecnologia tenha causado a prisão e diz que as câmeras dão pistas para a investigação e que, no caso de Isaacs, registraram corretamente o carro dela a algumas milhas do acidente, e a própria Isaacs processa os policiais, não a empresa. O diretor-executivo da Flock, Garrett Langley, e os diretores-executivos da Axon, da Motorola Solutions e da Verkada foram convidados para a audiência e não compareceram, e a FOX 13 informa que o departamento de transportes da Flórida já tinha cassado as licenças desses leitores de placas nas rodovias estaduais. "Essa informação passou a fazer parte de uma investigação que acabou levando à minha prisão", disse Isaacs aos senadores, ao encerrar o depoimento. --- # Juiz federal anula condenação de 1985 baseada em marca de mordida, e o Alabama tenta manter o réu preso - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/juiz-anula-condenacao-baseada-em-marca-de-mordida-alabama/ - Fonte original: The Intercept, https://theintercept.com/2026/10/28/bite-mark-forensics-junk-science-mccrory/, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: marca de mordida, odontologia forense, erro judiciário, ciência sem base, Alabama - Como citar: NEXO CAUSAL, "Juiz federal anula condenação de 1985 baseada em marca de mordida, e o Alabama tenta manter o réu preso", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/juiz-anula-condenacao-baseada-em-marca-de-mordida-alabama/ ## O que importa - O juiz federal R. Austin Huffaker Jr. anulou em 21 de setembro de 2026 a condenação de Charles McCrory pela morte da mulher, em 1985, e chamou a análise de marcas de mordida de grosseiramente não confiável. - A única prova física contra McCrory eram duas pequenas marcas no braço da vítima, que um dentista forense ligou aos dentes dele no julgamento e depois, em 2019, deixou de considerar confiável. - Mais de um mês depois da decisão, McCrory continua preso porque a procuradoria-geral do Alabama pediu que o juiz reconsidere. O juiz federal R. Austin Huffaker Jr. anulou em 21 de setembro de 2026 a condenação de Charles McCrory pelo assassinato da mulher, Julie Bonds McCrory, em 1985, em Andalusia, no Alabama (Estados Unidos), ao concluir que a análise de marcas de mordida que sustentou a acusação é grosseiramente não confiável e não tem apoio das entidades científicas da área, segundo reportagem de Liliana Segura e Jordan Smith publicada pelo The Intercept em 28 de outubro de 2026. ## A prova do julgamento Julie McCrory foi encontrada morta em casa em 31 de maio de 1985, o filho do casal, então com 3 anos, foi achado ileso, e a polícia apontou logo Charles McCrory, então com 26 anos e separado da mulher, como único suspeito, sem nenhuma prova física que o ligasse ao crime. Segundo o Intercept, a investigação ignorou pistas, como duas janelas abertas no quarto da vítima que não foram periciadas e um outro possível suspeito, e a acusação se apoiou numa única prova física: um par de pequenas marcas na parte de trás do braço direito da vítima, que a promotoria disse ser uma mordida feita pelos dentes de McCrory. O dentista forense Richard Souviron, conhecido por ter testemunhado no julgamento do serial killer Ted Bundy, foi quem fez a ligação, e embora de início tenha dito que não podia relacionar as marcas aos dentes de McCrory com certeza, no julgamento afirmou sem ressalvas que elas correspondiam. O New York Post, com base no AL.com, acrescenta que Souviron nunca examinou o corpo e trabalhou só com fotos. ## Por que a técnica caiu A análise de marcas de mordida parte de duas premissas, a de que a forma e a disposição dos dentes de cada pessoa são únicas e a de que a pele registra essa forma com fidelidade, e, segundo o Intercept, as pesquisas mostram o contrário, porque a arcada dentária não é única e a pele, por ser maleável, registra mal qualquer lesão. Em 2019, Souviron assinou uma declaração em que diz não acreditar mais que o seu testemunho de comparação individual de marcas de dentes no caso tenha sido confiável ou adequado, nem que exista base científica válida para ligar a lesão da vítima a uma pessoa específica. Numa audiência de 2021, a promotoria passou a chamar a prova de "marcas de dentes", como se fosse disciplina diferente, e sustentou que o júri poderia comparar sozinho as fotos e os moldes dentários de McCrory, tese aceita pelo juiz estadual Lex Short e mantida pelo tribunal de apelações criminais do Alabama. Huffaker rejeitou os dois argumentos: escreveu que a identificação por mordida se baseia justamente na análise das marcas de cada dente e, numa nota, que se um perito não pode depor sobre a técnica por ela não ter base científica, o júri também não poderia ter considerado a prova. ## Prazo e recurso Pela decisão, o estado tem seis meses (180 dias, segundo o New York Post) para marcar novo julgamento, ou McCrory deve ser solto, e o juiz escreveu que, sem a mordida, as demais provas contra ele eram frágeis e que o uso dela resultou num julgamento fundamentalmente injusto. Mais de um mês depois, McCrory continua preso: os advogados dele, Mark Loudon-Brown, do Southern Center for Human Rights, e Chris Fabricant, do Innocence Project, pediram que ele aguarde em liberdade, e a procuradoria-geral do Alabama pediu ao juiz que reconsidere a anulação. Segundo o New York Post, em 2020 o estado ofereceu a soltura em troca de uma confissão, que McCrory recusou, e, segundo o Intercept, em 2023 a junta de livramento condicional do Alabama negou a liberdade a ele. --- # Ex-segurança diz em declaração à Justiça que o reconhecimento facial de um cassino de Reno errava até 12 vezes por turno - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ex-seguranca-diz-que-reconhecimento-facial-de-cassino-de-reno-errava-ate-12-vezes-por-turno/ - Fonte original: Biometric Update, https://www.biometricupdate.com/202610/reno-pd-liability-in-facial-recognition-arrest-lawsuit-comes-down-to-training, 14.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, falso positivo, cassino, Nevada, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Ex-segurança diz em declaração à Justiça que o reconhecimento facial de um cassino de Reno errava até 12 vezes por turno", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ex-seguranca-diz-que-reconhecimento-facial-de-cassino-de-reno-errava-ate-12-vezes-por-turno/ ## O que importa - Aaron Gamino, que trabalhou na segurança do Peppermill, em Reno (Nevada), afirma que o sistema dava 100% de semelhança a pessoas que claramente não eram as procuradas. - Ele diz que até metade dos alertas nos seus turnos eram falsos, enquanto o diretor de segurança do cassino falou em cerca de 10% em depoimento. - A declaração foi juntada à ação de Jason Killinger, preso em 2023 depois que o sistema o confundiu com um cliente banido do cassino. Um ex-segurança do cassino Peppermill, em Reno, no estado americano de Nevada, afirmou numa declaração juramentada apresentada à Justiça federal que o sistema de reconhecimento facial do cassino errava com frequência e chegava a apontar 12 coincidências falsas com 100% de semelhança num único turno, segundo o site Biometric Update, que publicou o caso em 14 de outubro de 2026 com base em reportagens do This Is Reno e do Casino.org. ## O que diz a declaração Aaron Michael Gamino trabalhou na segurança do Peppermill de outubro de 2024 a julho de 2026, e a declaração dele, de 28 de agosto, foi juntada à ação de direitos civis movida por Jason Killinger, preso em 2023 depois que o mesmo sistema o confundiu com um cliente proibido de entrar no cassino, segundo o resumo da reportagem do Casino.org publicado pelo SCCG. Segundo Gamino, o sistema dava com frequência pontuação de 100% de semelhança a pessoas que claramente não correspondiam às imagens do banco, às vezes sem nenhuma semelhança física, e ele afirmou que isso lhe aconteceu "às vezes 12 vezes num único turno". De acordo com o This Is Reno, citado pelo Biometric Update, o ex-segurança diz que até metade dos alertas recebidos nos seus turnos eram falsos positivos, o bastante para virar motivo de piada entre os funcionários, enquanto o diretor de segurança do cassino declarou em juízo que a taxa de falso positivo ficava em torno de 10%. Gamino também relatou um caso em que uma conferência manual feita sem maior cuidado mostrou que uma coincidência apontada com confiança de 99,7% ou mais era falsa. ## Treinamento e pressão para prender O ex-segurança disse que a equipe recebeu pouco treinamento no sistema, com mudanças frequentes de regras, e que nunca foi orientada a tratar o alerta como pista de investigação em vez de prova de identidade. Ele afirmou ainda que havia pressão constante para prender as pessoas apontadas pelo sistema mesmo quando elas apresentavam carteira de motorista, passaporte, identidade militar ou cartão de fidelidade do cassino em outro nome, e que o banco de dados do cassino tinha informações erradas que não eram corrigidas. ## O caso Killinger Killinger foi abordado em 17 de setembro de 2023 enquanto jogava no Peppermill, depois que o sistema o identificou como um cliente banido, e mesmo com documento no próprio nome foi preso por invasão pelo policial Richard Jager, da polícia de Reno, e o caso foi arquivado depois que o registro de impressões digitais confirmou quem ele era. Os advogados de Killinger acusam Jager de fabricar prova e de enganar o magistrado, e o policial nega irregularidades e declarou que nunca tinha visto o sistema do Peppermill fazer uma identificação errada antes. O cassino fez acordo com Killinger em outra ação e não é réu no processo federal, em que ele pede julgamento antecipado parcial contra Jager e a cidade de Reno, e o Casino.org informou que o Peppermill não respondeu aos pedidos de comentário até a publicação. --- # Promotoria do condado de Cook, nos EUA, prevê abrir laboratório próprio de perícia digital em 2027 - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/promotoria-do-condado-de-cook-abre-laboratorio-de-pericia-digital-em-2027/ - Fonte original: FOX 32 Chicago, https://www.fox32chicago.com/news/cook-county-states-attorneys-office-open-new-digital-forensics-lab-2027, 26.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, laboratório, acreditação, prova digital, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Promotoria do condado de Cook, nos EUA, prevê abrir laboratório próprio de perícia digital em 2027", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/promotoria-do-condado-de-cook-abre-laboratorio-de-pericia-digital-em-2027/ ## O que importa - A promotoria do condado de Cook, onde fica Chicago, planeja abrir no início de 2027 um laboratório de perícia digital de cerca de 10.000ft² (929,03m²), perto das ruas Van Buren e Canal. - Até o verão de 2026 no hemisfério norte, os promotores dependiam de outras polícias para analisar a prova digital, e desde julho um espaço provisório no fórum criminal Leighton já faz esse trabalho dentro de casa. - O órgão diz que trabalha com um consultor para que o laboratório seja acreditado e que os resultados resistam ao exame no tribunal. A promotoria do condado de Cook (Cook County State's Attorney's Office, CCSAO), onde fica Chicago, no estado americano de Illinois, prevê abrir no início de 2027 um laboratório próprio de perícia digital, com cerca de 10.000ft² (929,03m²), para acelerar a análise de provas digitais e o andamento dos processos criminais, segundo reportagem de Kasey Chronis publicada pela FOX 32 Chicago em 26 de outubro de 2026. ## Por que a promotoria quer o próprio laboratório Registros de celular e imagens de câmeras de segurança passaram a ter peso grande nas investigações criminais, e com a demanda crescente por esse tipo de análise a promotoria diz que precisa acompanhar o ritmo. "O cenário da prova mudou nos últimos 20 anos, antes era a prova física, e todo mundo esperava o efeito CSI da prova física, e isso agora passou para a prova digital", disse James Roache, chefe do departamento de investigações da promotoria (Investigations Bureau). Segundo Roache, até o verão de 2026 no hemisfério norte os promotores dependiam de outras polícias para analisar a prova digital e cuidavam por conta própria das demais etapas, o que muitas vezes significava receber o material e tentar fazer as cópias sozinhos, num processo que ele chamou de trabalhoso. ## Espaço provisório e laboratório definitivo Em julho de 2026, na gestão da promotora Eileen O'Neill Burke, o órgão abriu um laboratório provisório dentro do fórum criminal Leighton (Leighton Criminal Courthouse), o que permitiu que os investigadores da própria promotoria passassem a fazer esse trabalho. O laboratório definitivo deve ficar num prédio perto das ruas Van Buren e Canal, e o condado já aprovou a locação do espaço até setembro de 2042, com aluguel médio anual de pouco mais de US$ 540 mil. Roache disse que reunir num mesmo caso todos os dados disponíveis, de câmeras de vigilância a câmeras da marca Ring, vai beneficiar os julgamentos e reduzir o tempo entre o crime e a decisão judicial. ## Equipe e acreditação A promotoria tem hoje três examinadores forenses certificados e outros quatro analistas em treinamento, e o projeto ainda está em fase de planejamento, com a avaliação das necessidades de pessoal, equipamentos e programas. O órgão também quer garantir que os resultados da perícia digital resistam ao exame no tribunal, e para isso contratou um consultor que já ajudou agências federais, estaduais e empresas privadas a montar seus laboratórios. "Não só colocar em funcionamento, mas também acreditar, que é o principal valor, porque aí você pode testemunhar em audiência pública que o seu laboratório atende a todos os padrões de acreditação", disse Roache sobre o trabalho do consultor. A reportagem informa que os dados vieram da própria promotoria e de uma entrevista com Roache. --- # Especialistas indianos defendem fusíveis e disjuntores em vez de desligar à noite as tomadas dos trens - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/india-especialistas-defendem-disjuntores-nas-tomadas-dos-trens/ - Fonte original: Prabhasakshi (agência PTI-Bhasha), https://www.prabhasakshi.com/national/railway-board-night-mobile-charging-ban-experts-suggest-circuit-breakers, 29.Out.2026 (hindi) - Marcadores: instalação elétrica, incêndio em trem, disjuntor, segurança ferroviária, Índia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Especialistas indianos defendem fusíveis e disjuntores em vez de desligar à noite as tomadas dos trens", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/india-especialistas-defendem-disjuntores-nas-tomadas-dos-trens/ ## O que importa - O Railway Board, das ferrovias indianas, mandou em 26 de outubro de 2026 que as tomadas de recarga de celulares e notebooks nos vagões fiquem desligadas das 23h às 5h, sem exceção. - A ordem retoma uma regra de 2014 e veio depois que um power bank explodiu e encheu um vagão de fumaça numa linha em que a equipe não tinha desligado as tomadas. - Um ex-membro de engenharia do Railway Board diz que os incêndios vêm de falhas em tomadas, circuitos e fiação, e que a solução é instalar fusíveis ou disjuntores. Especialistas e ferroviários aposentados da Índia, entre eles um ex-membro do Railway Board, criticaram a ordem do órgão que manda desligar das 23h às 5h as tomadas de recarga de celulares e notebooks nos vagões de trem e defenderam a instalação de fusíveis ou disjuntores que cortem a energia sozinhos quando passar corrente demais pelo circuito, segundo texto da agência PTI publicado em hindi pelo portal Prabhasakshi em 29 de outubro de 2026. ## A ordem do Railway Board Em carta de 26 de outubro de 2026, o Railway Board pediu a todas as regionais ferroviárias que cumpram com rigor a ordem de 2014 que manda desligar as tomadas dos vagões nesse horário, sem nenhuma exceção, com treinamento das equipes e inspeções surpresa feitas por oficiais e supervisores, segundo a PTI, em texto publicado pelo Telangana Today. A carta cita um caso recente na regional South Eastern Railway em que a equipe de bordo não desligou as tomadas no horário e, enquanto um aparelho carregava, o power bank de um passageiro explodiu e soltou fumaça. A regra nasceu em junho de 2014, por recomendação do Commissioner of Railway Safety (CRS), depois de um incêndio em 2013 num vagão com ar-condicionado do Hazur Sahib Nanded-KSR Bengaluru Express, e na época o CRS sugeriu desligar as tomadas das 22h às 6h, horário que o Railway Board fixou em 23h às 5h. Em novembro de 2023, um incêndio num vagão-leito do New Delhi-Darbhanga Humsafar Clone Special, no trecho Sarai Bhopat-Etawah, se espalhou pelo vagão e atingiu os vizinhos, e o CRS recomendou estender o desligamento aos vagões-leito sem ar-condicionado, mas o Railway Board respondeu que pôr funcionários para fazer isso nesses vagões não era viável pelo custo. ## O que dizem os críticos Subodh Jain, ex-membro de engenharia do Railway Board, disse à PTI que os incêndios acontecem por falhas em tomadas, circuitos elétricos ou fiação, e não pela recarga do celular em si, e que não é certo tirar dos passageiros um serviço essencial porque a ferrovia não garantiu a segurança da própria instalação elétrica. Para ele, a solução prática é instalar fusíveis ou disjuntores, e outra opção seria oferecer também portas USB. Outro especialista em segurança ferroviária ouvido pela agência concordou e afirmou que as análises de incêndios em trens mostram falhas em circuitos e fiação como as principais causas, defendendo que o fusível corte a alimentação sempre que a corrente subir de repente. Ele lembrou que o relatório do CRS sobre o incêndio de novembro de 2023 trouxe, entre as recomendações, a instalação de fusíveis de capacidade adequada em todos os vagões. A ferrovia, por sua vez, já tinha justificado o desligamento em instrução de 6 de março da regional South East Central Railway, que apontava risco de incêndio por aparelhos carregando sem vigilância e aumento de furtos de celulares durante a noite. --- # Colunas cortadas além do limite causaram colapso de torre de caldeira em usina de Ulsan, aponta investigação - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-usina-ulsan-colunas-com-cortes-excessivos-sete-mortos/ - Fonte original: Seoul Economic Daily, https://en.sedaily.com/finance/2026/10/30/over-cut-columns-caused-ulsan-power-plant-collapse-that, 30.Out.2026 (inglês) - Marcadores: colapso estrutural, demolição com explosivos, corte de colunas, flambagem local, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Colunas cortadas além do limite causaram colapso de torre de caldeira em usina de Ulsan, aponta investigação", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-usina-ulsan-colunas-com-cortes-excessivos-sete-mortos/ ## O que importa - Uma comissão do Ministério de Terra, Infraestrutura e Transportes da Coreia do Sul concluiu que o corte excessivo de colunas, feito antes de uma demolição com explosivos, causou o colapso da torre de caldeira da usina térmica de Ulsan em 6 de novembro de 2025. - O acidente matou sete trabalhadores e deixou dois feridos, e a comissão também apontou erros no cálculo estrutural e falhas na fiscalização da obra. - O resultado é de uma comissão administrativa, o relatório final deve sair em novembro de 2026, e a apuração de responsabilidades pela polícia e pelo Ministério do Emprego e Trabalho ainda não tem decisão. A torre de caldeira número 5 da usina térmica de Ulsan, na Coreia do Sul, desabou em 6 de novembro de 2025 durante os trabalhos preparatórios para a demolição do equipamento com explosivos, e a investigação concluída no fim de outubro de 2026 atribui a falha ao corte excessivo das colunas de sustentação. ## O que aconteceu em Ulsan A torre, concluída em julho de 1980, tinha 63,4 metros de altura (208 pés) segundo a Korea Times e a SBS, embora uma reportagem da Korea JoongAng Daily fale em cerca de 60 metros. No momento do colapso, oito dos nove trabalhadores da equipe cortavam aço numa plataforma a 25 metros (82 pés) do chão, enquanto um deles dirigia o serviço de fora da área de risco, segundo a Korea JoongAng Daily. Nove trabalhadores ficaram soterrados, sete morreram e dois foram resgatados com vida, com ferimentos. ## O que a comissão apurou A comissão de investigação do Ministério de Terra, Infraestrutura e Transportes (MOLIT) trabalhou por onze meses, de 18 de novembro de 2025 a 17 de outubro de 2026, e apresentou as conclusões em 30 de outubro de 2026, sob a presidência de Lee Kyung-koo. Segundo a comissão, durante o enfraquecimento prévio, etapa em que partes de colunas, vigas e outros elementos são cortadas para que a estrutura caia na direção planejada, o corte ultrapassou o limite que as colunas podiam suportar. Com as colunas enfraquecidas, elas deixaram de suportar o peso da parte de cima, as placas de aço sofreram flambagem local e a falha se propagou até provocar o colapso progressivo de toda a estrutura. ## Corte excessivo e flambagem local Flambagem local é a perda de estabilidade de uma placa de aço comprimida, que se deforma e se dobra num trecho pequeno antes de a peça atingir a resistência do material, e esta definição é apenas o conceito técnico, não uma conclusão sobre o caso. No caso de Ulsan, a parte da coluna que sobrava depois do corte era fina em relação ao comprimento, e o cálculo estrutural da obra não considerou esse risco. A revisão também não previu margem para a deformação acumulada de uma estrutura envelhecida nem para danos que o próprio corte poderia provocar. ## Erros no cálculo estrutural A espessura das placas de aço das colunas diminui em direção ao topo, mas ela foi medida em um único ponto do térreo, e o valor de 24 milímetros (0,94 polegada) foi aplicado a todas as colunas superiores. No ponto onde o colapso começou, a espessura real era de 15 milímetros (0,59 polegada), e essa diferença superestimou a capacidade de carga das colunas no cálculo. O peso da torre também foi calculado abaixo do real, porque a revisão estrutural usou 3.005,8 toneladas, enquanto o valor medido era de 3.525,8 toneladas. Esses erros de dados fizeram o volume de material que podia ser removido com segurança ser calculado de forma errada, e o corte feito em campo ultrapassou esse volume. ## Gestão da obra e fiscalização A comissão também apontou deficiências na construção e na gestão do projeto, porque a contratada principal confiou no critério de uma empresa especializada para o enfraquecimento e para a detonação, sem verificar de perto se os desenhos finais de fabricação correspondiam às condições do local. O contratante supervisionou a obra diretamente, sem um gestor de obra separado, e não fiscalizou de forma sistemática o trabalho de cada parte envolvida. Com isso, os erros de dados e as falhas técnicas não foram filtrados antes de a operação começar, o que faz da fiscalização um ponto central do resultado apurado. ## Responsabilização e o que ainda não está definido Em paralelo à comissão, o Ministério do Emprego e Trabalho e a polícia fizeram buscas conjuntas em seis endereços, inclusive na sede e no escritório de obra da contratada, e apreenderam documentos do projeto de demolição e registros de ocorrências anteriores. Segundo a Korea JoongAng Daily, o ministério vai examinar o material à luz da Lei de Punição de Acidentes Graves e da Lei de Segurança e Saúde Ocupacional, caso sejam encontradas violações, e a polícia disse que pretende apresentar acusações contra os responsáveis pela supervisão de segurança depois de analisar as provas. Nas fontes lidas para este texto não há decisão sobre responsabilidade criminal ou administrativa, e a comissão informou que vai complementar os resultados e entregar o relatório final ao ministério em novembro de 2026. Os valores de espessura e de peso aparecem como conclusões da comissão, e as reportagens não trazem os cálculos completos, por isso devem ser lidos como resultado apresentado e não como cálculo refeito. ## Lições para a demolição A comissão propôs vistorias de campo mais rigorosas no planejamento de demolições, normas técnicas específicas para esse tipo de serviço, controle mais estrito do projeto e da execução em demolições de alto risco e responsabilidades ampliadas para o contratante. O ministério diz que vai usar essas conclusões, junto com a investigação do colapso durante a demolição do viaduto de Seosomun, para revisar o sistema de demolição desde o projeto até a supervisão da execução. Para quem faz perícia de colapso, o caso de Ulsan mostra que o cálculo do que pode ser removido depende de medições representativas da estrutura inteira, e não de um único ponto de referência. --- # A350 da Delta atinge o estabilizador de um CRJ-900 em Atlanta, e a NTSB aponta perda de consciência situacional - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/delta-a350-crj900-atlanta-estabilizador-relatorio-final-ntsb/ - Fonte original: National Transportation Safety Board (NTSB), https://data.ntsb.gov/carol-repgen/api/Aviation/ReportMain/GenerateNewestReport/195092/pdf, 29.Out.2026 (inglês) - Marcadores: colisão em solo, NTSB, pista de táxi, aviação, perícia de acidentes - Como citar: NEXO CAUSAL, "A350 da Delta atinge o estabilizador de um CRJ-900 em Atlanta, e a NTSB aponta perda de consciência situacional", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/delta-a350-crj900-atlanta-estabilizador-relatorio-final-ntsb/ ## O que importa - Em 10 de setembro de 2024, a ponta da asa direita de um Airbus A350 da Delta Air Lines atingiu o estabilizador vertical de um CRJ-900 da Endeavor Air enquanto as duas aeronaves taxiavam no Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, em Atlanta. - O relatório da NTSB publicado em 29 de outubro de 2026 determina como causa provável a perda de consciência situacional da tripulação da Delta sobre a folga entre as duas aeronaves. - Como fator contribuinte, a tripulação da Endeavor parou o CRJ-900 longe demais da linha de espera, a 56ft (17,07m) dela. A ponta da asa direita de um Airbus A350 da Delta Air Lines atingiu o estabilizador vertical de um CRJ-900 da Endeavor Air enquanto as duas aeronaves taxiavam no Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, em Atlanta, e o relatório final da NTSB, publicado em 29 de outubro de 2026, descreve os fatos e determina a causa provável da colisão. ## A ocorrência O acidente ocorreu em 10 de setembro de 2024, por volta das 10h07 no horário local, quando o voo 295 da Delta, um A350-941 com destino a Tóquio, passava atrás do voo 5526 da Endeavor Air, um CRJ-900 com destino a Lafayette, na Louisiana, que aguardava na taxiway H a autorização para decolar pela pista 8R. O CRJ-900 estava parado a 56ft (17,07m) da linha de espera, e essa parada mais afastada do que o previsto deixou folga insuficiente para o A350 passar atrás dele pela taxiway E. No momento da colisão, o A350 taxiava a cerca de 12nós (22,22km/h) e a ponta da sua asa direita estava a aproximadamente 106ft (32,31m) do eixo da taxiway E, segundo a estimativa dos investigadores. ## Como a tripulação conduzia o táxi Pouco antes, a tripulação do A350 viu no ECAM a mensagem de alerta de navegação "NAV GNSS-2", e o controle de tráfego aéreo mandou o avião seguir o CRJ-900 pela taxiway E e parar na taxiway V para resolver o problema. O comandante estava concentrado em não deixar a ponta da asa esquerda atingir o tráfego que saía da taxiway V, enquanto o copiloto procurava a taxiway V no mostrador de navegação e na pasta eletrônica de voo (EFB). Nenhum dos dois identificou a perda de folga entre a ponta da asa direita e a empenagem do CRJ-900, e a tripulação só percebeu o contato depois que ele aconteceu. ## Danos nas aeronaves O estabilizador vertical do CRJ-900 se separou da aeronave, e a empenagem ficou presa à fuselagem apenas pelos cabos de comando de voo, pela fiação elétrica e por uma pequena faixa do revestimento do estabilizador. A parte traseira da fuselagem, do lado esquerdo, apresentava amassados e deformações acima e abaixo da estrutura do pilone, enquanto o lado direito tinha duas áreas de deformação por tração que imprimiram as cavernas da estrutura no revestimento. O dano na asa direita do A350 ficou restrito à seção externa, do início do slat externo até o winglet, com marcas de transferência de tinta azul e arranhões. Um tripulante do CRJ-900 sofreu lesão leve, e os demais ocupantes dos dois aviões não se feriram. ## Gravadores de voo e dados de posição O gravador de voz da cabine (CVR) e o gravador de dados de voo (FDR) dos dois aviões foram baixados e analisados junto com os dados de vigilância ADS-B. Pelos registros, a colisão ocorreu às 10h07min46s no horário da costa leste dos Estados Unidos, com o CRJ-900 parado e o A350 a cerca de 12nós (22,22km/h). O CRJ-900 sofreu acelerações laterais de 0,5g (4,90m/s²) para a esquerda e de 0,55g (5,39m/s²) para a direita, e seu rumo girou cerca de 9° no sentido horário. Os investigadores também avaliaram a visibilidade das pontas das asas a partir dos assentos do comandante e do copiloto, e concluíram que os pilotos precisariam sair do assento para vê-las pelas janelas mais à ré. Pela paralaxe e pela espessura do vidro das janelas traseiras, o relatório considera difícil avaliar, a partir delas, se a ponta de uma asa tem folga suficiente em relação a outra aeronave. ## Causa provável determinada pela NTSB A NTSB determinou que a causa provável foi a perda de consciência situacional da tripulação do voo da Delta sobre a folga entre a ponta da asa direita e a empenagem de um avião da Endeavor parado numa taxiway perpendicular, o que levou a ponta da asa a colidir com a empenagem. Como fator contribuinte, a tripulação da Endeavor parou o CRJ-900 longe demais da linha de espera, o que deixou folga insuficiente para a passagem do avião da Delta. ## Medidas adotadas pela Delta Depois do acidente, a Delta publicou em boletim interno um lembrete às tripulações para que permaneçam atentas nas operações no solo e identifiquem ameaças novas à medida que elas surgem. A companhia também acrescentou ao manual de operações de voo as áreas de vulnerabilidade do táxi e a orientação para que cada tripulante anuncie quando estiver com a atenção voltada a tarefas que reduzem a observação do lado de fora da cabine. ## Quem investiga e o que o relatório não estabelece A investigação é conduzida pela NTSB, com o investigador-chefe Chihoon Shin, e com a participação da FAA, da Delta, da Endeavor e das associações de pilotos ALPA da Delta e da Endeavor. A própria NTSB registra no relatório que não atribui culpa nem responsabilidade legal, porque sua apuração é de fatos, sem partes adversas. A lei federal dos Estados Unidos (49 U.S.C. 1154(b)) proíbe o uso de qualquer parte de um relatório da NTSB como prova em ação civil de indenização pelos fatos nele mencionados. O relatório não lista pontos pendentes, e os documentos do caso ficam na docket pública da NTSB, sob o número de projeto 195092. Para a perícia, o caso mostra que a folga entre a asa e a cauda, medida até a linha de espera, depende da posição em que cada avião para, e o relatório usa a distância de 56ft (17,07m) até essa linha para explicar a folga insuficiente. --- # Invasões em duas plataformas de hospedagem para desenvolvedores, em outubro de 2026, alcançaram variáveis de ambiente e chaves de IA - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/plataformas-de-hospedagem-para-desenvolvedores-invadidas-chaves-de-ia-expostas/ - Fonte original: Zeabur e Railway, comunicados oficiais das empresas, https://zeabur.com/blogs/october-2026-security-incident, 19.Out.2026 (inglês) - Marcadores: invasão de plataforma, variáveis de ambiente, chaves de API, credenciais expostas, Zeabur, Railway - Como citar: NEXO CAUSAL, "Invasões em duas plataformas de hospedagem para desenvolvedores, em outubro de 2026, alcançaram variáveis de ambiente e chaves de IA", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/plataformas-de-hospedagem-para-desenvolvedores-invadidas-chaves-de-ia-expostas/ ## O que importa - A Zeabur confirmou a leitura de 53 segredos de produção e do banco de dados da plataforma entre 14 e 15 de outubro de 2026, com o acesso iniciado por credenciais administrativas guardadas em texto puro. - A Railway informou uma intrusão entre 20 e 22 de outubro de 2026 que levou à descriptografia de um subconjunto de variáveis de ambiente, afetando no máximo 1,85% dos workspaces. - Em ambos os casos, as empresas dizem que o atacante procurava sobretudo chaves de API de serviços de IA, e a origem do acesso inicial ainda não está provada. Duas plataformas de hospedagem usadas por desenvolvedores sofreram invasões em outubro de 2026, e ambas as empresas dizem que o atacante buscava chaves de serviços de IA guardadas em variáveis de ambiente. Entre 14 e 15 de outubro de 2026, a Zeabur teve o cluster compartilhado, parte dos seus servidores dedicados e sistemas internos acessados por um atacante que usou credenciais internas vazadas, até chegar ao banco de dados da plataforma. Pouco depois, a Railway identificou uma intrusão entre 20 e 22 de outubro de 2026 que levou à descriptografia de um subconjunto de variáveis de ambiente armazenadas na plataforma. Este texto reúne o que as duas empresas publicaram em comunicados oficiais, separa o que cada uma provou do que ainda é hipótese e aponta o que a investigação precisa responder. Os horários abaixo seguem o UTC, como nos comunicados das empresas. ## Zeabur: o acesso começou por credenciais em texto puro O comunicado da Zeabur, publicado em 19 de outubro de 2026 e escrito em inglês, descreve dois caminhos de acesso que se encontraram dentro da rede interna da empresa. O primeiro caminho passou por chaves AWS internas e por tokens de administrador do cluster compartilhado, usados a partir de 14 de outubro de 2026, às 01h36 e às 01h40. Essas credenciais estavam guardadas em texto puro num repositório privado de configuração, e a empresa não consegue confirmar como o atacante chegou a elas. A interface de administração do cluster estava aberta à internet pública naquele momento, e os tokens não tinham data de expiração, pois tinham sido criados em janeiro de 2024. Com esses tokens, o atacante leu as configurações e os segredos de todos os serviços do cluster em 9 regiões, e a Zeabur só confirma a leitura nas regiões que têm registros completos. Nas regiões sem registros, a empresa trata o conteúdo como vazado, porque não há como conferir o que foi lido. Entre 13h40 e 17h04 do dia 14, o atacante também executou comandos dentro de contêineres de bancos de dados de clientes, em 865 serviços, embora nem todos os comandos tenham funcionado. Os registros de auditoria guardam os comandos, mas não guardam o que eles devolveram, então a empresa não consegue medir quanto de cada banco foi de fato copiado. ## Zeabur: o banco de dados da plataforma e as contas No dia 15, entre 16h10 e 16h47 UTC, o atacante leu o banco de dados de produção da plataforma com uma conta interna somente leitura, usando um nó que ele mesmo tinha adicionado à rede interna às 15h30. A empresa cruzou os registros das duas pontas da rede interna com os registros do banco e atribuiu as 29 conexões desse período ao mesmo nó, somando 8.903 operações rastreáveis. Os números confirmados pela Zeabur são 3.218.965 registros de variáveis de ambiente, 321.810 contas com dados de perfil como e-mail, nome de usuário e telefone, 566 chaves da API de envio zSend em texto puro e 11.536 tokens de acesso. Os tokens de acesso estavam guardados apenas como resumo criptográfico, que não se reverte, e todos foram revogados. Segundo a empresa, o atacante procurava chaves de API que pudesse usar diretamente, sobretudo de serviços de IA, e a Zeabur registra que essa leitura é apenas uma observação da intenção do atacante. Para isso, ele procurou chaves em variáveis de ambiente e arquivos de configuração, leu credenciais de instâncias de n8n e de new-api e one-api, e tentou chamar o Amazon Bedrock com as chaves AWS da própria Zeabur, sem êxito. Em 602 das 607 instâncias de n8n verificadas, a chave de criptografia estava numa variável de ambiente, de modo que as credenciais de terceiros guardadas ali ficaram efetivamente em texto puro. A empresa também confirmou que o atacante leu a chave usada para assinar os logins, e avalia que ela foi usada para forjar acessos. Entre 16h12 e 17h19 do dia 15, a API da Zeabur foi chamada como duas contas, uma delas de funcionário da empresa, e as listas de contas e projetos foram lidas sem alteração de recursos. A chave de assinatura foi trocada às 20h25 do dia 15, e todos os usuários tiveram a sessão encerrada. ## Zeabur: os servidores dedicados no GCP Em paralelo, o atacante entrou como root em 101 servidores dedicados que a Zeabur administra no GCP, a partir de 14 de outubro, às 13h40 UTC. As configurações de inicialização desses servidores guardavam a senha de root em texto puro, e a empresa avalia que uma chave antiga do GCP permitiu ler essas configurações. Em 50 desses servidores, o atacante acrescentou chaves SSH sob seu controle, para manter acesso permanente. Os registros confirmam ainda a criação de 5 máquinas virtuais no projeto da Zeabur no GCP, às quais foram anexadas 16 cópias de discos de servidores de clientes. A empresa classifica os 101 servidores como afetados, com possível exposição de dados e possíveis mecanismos de acesso não autorizado deixados no lugar. ## Railway: a escalada de privilégio e a descriptografia A Railway informa que a intrusão ocorreu entre 20 de outubro, às 13h58 UTC, e 22 de outubro, às 03h32 UTC, quando a empresa confirmou que o atacante já não tinha acesso aos sistemas internos. O ponto de partida foi uma escalada de privilégio na infraestrutura de build, detectada no dia 20, que levou a empresa a pausar os pipelines de compilação. Na madrugada do dia 21, a empresa percebeu que o atacante conseguia puxar segredos em formato criptografado, e depois chegou a credenciais do ambiente de integração contínua, onde descriptografou artefatos que guardavam acessos adicionais de API. Uma consulta registrada no banco mostrou a leitura não autorizada de variáveis de ambiente criptografadas, e a Railway diz que apenas um subconjunto foi descriptografado. Como as chaves estavam protegidas em criptografia de envelope, a consulta sozinha não permite saber quais chaves de quais projetos foram afetadas. Os registros das cargas do atacante, lidos pela equipe, mostraram os nomes das chaves de API que ele buscava, e os fornecedores foram avisados às 09h25 UTC do dia 21. ## Railway: o alcance e o número de 1,85% A Railway afirma que, pelo desenho de isolamento de chaves, no máximo 1,85% dos workspaces teve variáveis de ambiente potencialmente comprometidas. A própria empresa converte esse percentual em cerca de 100.000 workspaces, mas diz que o número de usuários atingidos por pedidos de troca de chaves dos fornecedores foi maior. Alguns fornecedores receberam a lista de todas as chaves armazenadas, e não apenas as chaves comprovadamente lidas, por precaução. Como não consegue saber quais variáveis foram descriptografadas, a Railway contata os clientes com impacto definido e também os que considera de alto risco. Segundo a empresa, o atacante buscava dois tipos de alvo, workspaces com muitas variáveis de ambiente e ambientes com muitas chaves de fornecedores de IA. A Railway diz que nenhuma conta de usuário foi acessada, mas não descarta o acesso ao código-fonte e promete confirmar esse ponto no relatório forense final. Na avaliação forense da empresa, o atacante provavelmente buscava chaves de IA e de plataformas de API para destilar modelos, e essa conclusão ainda é preliminar. ## O que já está provado e o que não está Pelos registros diretos citados pela Zeabur, estão provados a leitura de 53 segredos de produção entre 15 de outubro, às 14h52, e 16h51 UTC, a leitura do banco da plataforma e a entrada como root em 101 servidores. Não estão provados o início exato do acesso indevido, a origem das credenciais iniciais e o alcance real da leitura dos bancos de clientes. Na Railway, estão provados a escalada de privilégio, a obtenção de credenciais do ambiente de integração contínua e a descriptografia de um subconjunto de variáveis, mas não o conjunto exato das chaves afetadas. A Railway também não divulgou detalhes técnicos das explorações, por cautela, e isso limita a análise de quem depende do relato para reconstruir o caminho do ataque. ## O que a investigação precisa responder A primeira pergunta é como o atacante obteve a credencial inicial da Zeabur, já que os registros do cluster e da AWS não mostram uso de credenciais válidas antes de 14 de outubro, às 01h36 UTC. A segunda é quanto dos bancos de clientes foi copiado de fato, porque os registros guardam o comando e não a saída. A terceira é se o código-fonte de clientes da Railway foi lido, ponto que a empresa diz estar em aberto. A quarta é se as chaves descriptografadas foram usadas, e essa resposta depende dos registros dos próprios fornecedores de IA, e não só dos registros das plataformas. A quinta é por que a detecção demorou: a Zeabur registra mais de 16 horas de atividade em 14 de outubro sem nenhum alerta, e a investigação começou só no dia 15, após o relato de um usuário. ## Causa apontada pelas empresas e a correção de agosto A Zeabur atribui a causa principal a credenciais administrativas de longa duração, guardadas em texto puro e utilizáveis a partir da internet pública. A empresa admite que a troca feita após o incidente de agosto não cobriu os tokens de administrador nem as chaves AWS usadas agora. Ela também reconhece que o relatório de agosto dizia que todas as chaves administrativas internas tinham sido desativadas ou trocadas, e que essa afirmação estava incompleta. Uma hipótese da própria empresa liga o acesso inicial a uma chave de aplicativo do GitHub vazada em agosto, mas não há registro direto que comprove esse caminho. Os downloads do repositório de configuração em 30 de agosto e 2 de setembro, feitos com a autorização de um funcionário, também ainda não têm autor identificado. ## O que os clientes devem fazer segundo as empresas A Zeabur pede a troca de todas as senhas e chaves guardadas na plataforma, inclusive as trocadas após agosto, e a revogação da credencial antiga no fornecedor antes de criar outra. A empresa também registra que trocar as variáveis na plataforma não muda as senhas dentro dos bancos, e que a troca não invalida dados que já vazaram. A Railway pede a revogação e nova aplicação das variáveis sensíveis armazenadas antes de 21 de outubro, além da remoção do acesso público aos bancos de dados. A Railway também recomenda revisar os registros de auditoria do GitHub e dos registros de imagens de contêiner, para checar acessos e aplicativos autorizados. Os dois comunicados dizem que as investigações continuam, e que as empresas vão publicar atualizações quando tiverem respostas mais completas. --- # Bombeiros de Los Angeles encerram investigação do incêndio no armazém da Lineage sem definir a causa - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-armazem-lineage-boyle-heights-causa-indeterminada/ - Fonte original: LAist, https://laist.com/news/climate-environment/lafd-closes-investigation-into-lineage-warehouse-fire-without-determining-a-cause, 23.Set.2026 (inglês) - Marcadores: origem e causa, causa indeterminada, painéis solares, armazém frigorífico, Los Angeles, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Bombeiros de Los Angeles encerram investigação do incêndio no armazém da Lineage sem definir a causa", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-armazem-lineage-boyle-heights-causa-indeterminada/ ## O que importa - O Corpo de Bombeiros de Los Angeles concluiu que o incêndio de 17 de junho de 2026 no armazém frigorífico da Lineage, em Boyle Heights, começou no telhado, junto aos painéis solares, onde houve um evento elétrico, mas classificou a causa como indeterminada. - A Lineage atribui o fogo ao sistema solar e processa a dona dos painéis e a empresa contratada para a manutenção, que contestam a acusação. - Em 6 de outubro de 2026, uma investigação criminal conduzida pelo órgão estadual de controle de substâncias tóxicas chegou ao local. O Corpo de Bombeiros de Los Angeles (Los Angeles Fire Department, LAFD) encerrou a investigação do incêndio que destruiu boa parte do armazém frigorífico da Lineage em Boyle Heights, na Califórnia (Estados Unidos), sem conseguir apontar a causa, e o relatório divulgado na terça-feira, 22 de setembro de 2026, localiza a origem no telhado, junto a uma seção de painéis solares, mas classifica o incêndio como de causa indeterminada, conforme reportagem publicada pelo LAist em 23 de setembro de 2026. O fogo começou em 17 de junho de 2026 no armazém de 500.000ft² (46.451,52m²) da Rua Los Palos, teve reignições seguidas e só foi apagado por completo depois de oito dias, e a limpeza de mais de 89 milhões de libras (40,37 milhões de quilos) de alimentos que apodreceram lá dentro levou mais de dois meses, com mau cheiro, ratos e moscas na vizinhança. ## O que o relatório dos bombeiros concluiu A investigação ficou a cargo da seção de incêndios criminosos e contraterrorismo do LAFD (Arson Counter-Terrorism Section), que concluiu que o fogo começou no telhado, "em uma seção de painéis solares ou junto a ela", e que houve um evento elétrico na área de origem, mas, como a causa específica desse evento não pôde ser estabelecida de forma conclusiva, o incêndio ficou classificado como de causa indeterminada. O telhado tinha cerca de 12.400 painéis solares, e, pelos padrões de queima, os investigadores situaram a origem provável no trecho do telhado paralelo à Avenida Indiana, perto da Rua Los Palos, segundo a NBC Los Angeles, que teve acesso ao relatório completo. O documento diz que, "devido à complexidade do sistema de painéis solares, dos equipamentos elétricos associados e das atividades de manutenção que estavam sendo feitas no momento do incêndio", não foi possível eliminá-los como causa possível, e os painéis e seus componentes conectados foram a única fonte de ignição e de combustível que os bombeiros não conseguiram descartar. Os investigadores não encontraram nenhuma fonte de ignição acidental, embora houvesse no telhado materiais combustíveis como os da cobertura e componentes de equipamentos, e o relatório registra que os investigadores de incêndio criminoso não recolheram nenhum vestígio no local, ressalvando que a conclusão pode ser revista se surgirem novos dados. ## A manutenção no telhado Paul Scott, supervisor da Lineage responsável por verificar a segurança operacional dos painéis, disse ao LAFD em 22 de junho de 2026 que equipes de manutenção vinham trabalhando no sistema solar havia meses, fazendo reparos depois de um incêndio nos painéis em 2024, e um supervisor da empresa confirmou que técnicos da Pearce Renewables faziam serviços no telhado quando o fogo começou. Segundo o relatório, os trabalhadores viram fogo saindo de baixo de um painel do lado da Avenida Union Pacific e tentaram apagá-lo com um extintor, mas outros focos apareceram perto dali, e o sistema solar do telhado pertence à Altus Power. ## Gases e amônia O LAFD informou que não detectou amônia, usada como fluido refrigerante no armazém, durante o combate, e que oxigênio, monóxido e dióxido de carbono, gases combustíveis, cianeto de hidrogênio, sulfeto de hidrogênio e compostos orgânicos voláteis ficaram dentro dos limites normais de um incêndio estrutural comum. Uma análise do laboratório de pesquisa comunitária e ambiental da Universidade da Califórnia em Irvine e da organização East Yard Communities for Environmental Justice encontrou, semanas depois do incêndio, níveis elevados de amônia nas ruas próximas, com o maior valor, de 4.300 partes por bilhão, medido em 2 de agosto de 2026 na Rua Indiana, perto da Avenida Union Pacific, sem ultrapassar os padrões de saúde de curto prazo da Califórnia. ## Quem responde pelo incêndio A Lineage disse que o relatório "confirma o que sabíamos desde o início", que foi um incêndio do sistema solar, e um porta-voz da Los Palos Street Operating, subsidiária da Altus Power, respondeu que a empresa "continua a desinformar o público", porque a declaração contraria a conclusão do LAFD de que a causa é indeterminada. Antes do relatório, a Lineage processou a Altus Power e a contratada Pearce Services no Tribunal Superior de Los Angeles, alegando que as duas ignoraram alertas de segurança e religaram o sistema solar antes de concluídas verificações de segurança essenciais, e a subsidiária da Altus contesta as acusações e diz que vai se defender na Justiça. A investigação do LAFD não aponta nenhuma parte como responsável pelo evento elétrico, e a East Yard afirmou que a falta de uma causa definida abre espaço para que as empresas envolvidas culpem umas às outras e adiem a responsabilização e a reparação à comunidade. A vereadora Ysabel Jurado, cujo distrito inclui Boyle Heights, disse que o fato de ainda não se saber como a catástrofe começou é mais um motivo para continuar se opondo a qualquer licença de reconstrução, e a Câmara Municipal de Los Angeles já tinha votado pela retenção das licenças de reconstrução do armazém. A prefeita Karen Bass mandou publicar o relatório completo na internet, que antes só podia ser obtido por um pedido formal de acesso ao custo de US$ 5,50, e a Lineage estima em cerca de US$ 100 milhões o custo da limpeza e da recuperação. ## Investigação criminal e novas leis Na terça-feira, 6 de outubro de 2026, o escritório de investigações criminais do Departamento de Controle de Substâncias Tóxicas da Califórnia (Department of Toxic Substances Control), órgão que apura possíveis violações às leis estaduais de resíduos perigosos e tem agentes com poder de prisão, busca e apreensão, conduziu uma investigação no armazém, com a presença de policiais de Los Angeles e de integrantes da promotoria do condado, sem divulgar detalhes. A Lineage declarou que não guarda produtos químicos perigosos no armazém, apenas alimentos, e que o sistema de refrigeração por amônia foi esvaziado logo depois do início do incêndio, antes de o fogo chegar a ele, e a amônia foi retirada do local. No domingo, 27 de setembro de 2026, o governador Gavin Newsom sancionou duas leis motivadas pelo incêndio: a AB 817 impede a cidade e o condado de Los Angeles de emitir novas licenças de construção para armazéns frigoríficos sem um fundo de contingência ou seguro que possa atender moradores em situações de emergência, e a SB 716 aumenta as multas por infrações a normas locais que ponham em risco a saúde e a segurança, que podem chegar a US$ 50.000 por infração quando a violação decorre de declaração de desastre estadual ou federal. --- # Explosão no Rainbow Terrace, em Cleveland, fica com causa indeterminada e regulador aponta falhas da Enbridge na preservação das provas - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-rainbow-terrace-cleveland-causa-indeterminada-provas/ - Fonte original: Cleveland 19 News (WOIO), https://www.cleveland19.com/2026/09/28/undetermined-cause-deadly-rainbow-terrace-explosion-remains-mystery-report-reveals-post-blast-failures/, 28.Set.2026 (inglês) - Marcadores: explosão de gás, origem e causa, preservação da prova, Ohio, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Explosão no Rainbow Terrace, em Cleveland, fica com causa indeterminada e regulador aponta falhas da Enbridge na preservação das provas", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-rainbow-terrace-cleveland-causa-indeterminada-provas/ ## O que importa - A prefeitura de Cleveland (Ohio) classificou como indeterminada a causa da explosão que matou um morador do Rainbow Terrace Apartments em 23 de junho de 2025, depois de 15 meses de investigação de três órgãos. - O regulador estadual apontou que a retirada e a guarda das provas pela distribuidora Enbridge prejudicaram a definição da origem e da causa. - A família da vítima processa a Enbridge e os donos do prédio, alegando que o ramal de gás foi removido em menos de 24 horas e levado a um laboratório antes dos testes. A explosão que destruiu o Rainbow Terrace Apartments, no bairro de Garden Valley, em Cleveland, Ohio (Estados Unidos), em 23 de junho de 2025, terminou com a causa oficialmente classificada como indeterminada, segundo o relatório divulgado pela prefeitura em 28 de setembro de 2026, que reuniu as conclusões de três órgãos depois de 15 meses de investigação e registrou também falhas da distribuidora de gás no trato das provas. ## O que o relatório concluiu O relatório juntou o trabalho da unidade de investigação de incêndios do corpo de bombeiros de Cleveland (Fire Investigation Unit), da comissão estadual que regula os serviços públicos e fiscaliza as redes de gás, a PUCO (Public Utilities Commission of Ohio), e da própria Enbridge, empresa que fornecia o gás natural ao conjunto, conforme o Cleveland 19 News. O memorando da prefeitura, citado pelo News 5 Cleveland, diz que os investigadores acreditam ter havido "um rápido acúmulo de gás natural nos níveis inferiores" de dois prédios, "seguido de contato com uma fonte de calor desconhecida", o que resultou na explosão. A unidade dos bombeiros, porém, não conseguiu identificar de onde veio o vazamento nem o que provocou a ignição, e por isso classificou como indeterminadas tanto a causa quanto a fonte de calor. A PUCO não encontrou violação regulatória ou de conformidade da Enbridge que tenha causado a explosão, enquanto a investigação da Enbridge concluiu que o vazamento não estava na rede principal da empresa e que a causa aparente foi gás escapando da tubulação interna de 2" (5,08cm), que pertence ao prédio, embora o investigador contratado pela própria Enbridge também não tenha chegado a uma conclusão definitiva. ## Falhas depois da explosão A PUCO apontou falhas da Enbridge no atendimento posterior à explosão, a começar pelo mapeamento georreferenciado (GIS) da rede, que não identificou o ramal de serviço sul que abastecia o prédio e, por isso, deixou o gás escapar sem controle por cerca de 20 horas depois da explosão. O mesmo erro de mapeamento levou as equipes de emergência a cortar o gás do prédio errado, e o regulador registrou ainda uma detecção de vazamento malsucedida depois do acidente. Para a perícia, o ponto mais sensível é o da prova material, porque o memorando afirma que a PUCO identificou "deficiências na retirada e na preservação das provas pela Enbridge que prejudicaram a possibilidade de determinar a causa e a origem do incêndio", e o Cleveland 19 News resumiu que a tubulação recolhida foi manuseada de forma inadequada ou destruída antes de poder ser testada corretamente. ## O processo da família da vítima O espólio de Cordale Sheffield, morador que morreu 17 dias depois da explosão, em consequência das queimaduras, na unidade de terapia intensiva para queimados do hospital MetroHealth, entrou com uma ação por morte culposa contra a Enbridge Gas Ohio, empresas ligadas a ela e os donos e a administradora do Rainbow Terrace, segundo reportagem do News 5 Cleveland de 8 de outubro de 2026. Segundo a ação, o conjunto era abastecido por um ramal de serviço de aço sem revestimento instalado por volta de 1959, sem registro de teste de pressão e corroído no ponto em que atravessava a parede do prédio. A ação também afirma que a Enbridge removeu o ramal em menos de 24 horas depois da explosão e levou partes dele para um laboratório, e os advogados da família sustentam que essa remoção impediu que a linha passasse por teste completo de estanqueidade ou de pressão e dificultou a identificação da origem do vazamento. Os donos e os administradores do conjunto são acusados de não ter agido diante das queixas de moradores que sentiam cheiro de gás antes da explosão, e o espólio pede indenização compensatória e punitiva, enquanto as alegações contra a Enbridge ainda não foram provadas na Justiça e a empresa não respondeu ao pedido de comentário do News 5 Cleveland. ## Reação das autoridades e dos moradores A explosão deixou um morto, cinco feridos e mais de 100 moradores sem casa, e o prédio já foi demolido, com os donos, a American Community Developers, dizendo que pretendem reconstruir as unidades. Na entrevista coletiva em que o relatório foi apresentado, ao lado do prefeito Justin Bibb e do chefe interino dos bombeiros, Vince DiTeodoro, o diretor de segurança pública, Wayne Drummond, disse que investigações complexas levam tempo, mas que esse tempo tem um custo real para quem espera respostas. Famílias de ex-moradores, representadas pelo advogado Stanley Jackson, e o vereador Richard Starr pediram uma nova investigação e a divulgação das imagens das câmeras corporais e do material da apuração, e a prefeitura, em nota ao Cleveland 19 News, disse reconhecer a dor dos moradores e manter a confiança no trabalho da unidade de investigação de incêndios. --- # Explosão de tanque de metanol em usina de biodiesel na Argentina mata três trabalhadores terceirizados - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-tanque-de-metanol-albardon-bio-argentina/ - Fonte original: HazardEx, https://www.hazardexonthenet.net/article/224307/Argentina-methanol-tank-explosion-kills-two-at-biocombustibles-plant.aspx, 02.Out.2026 (inglês) - Marcadores: explosão industrial, metanol, biodiesel, trabalho terceirizado, Argentina - Como citar: NEXO CAUSAL, "Explosão de tanque de metanol em usina de biodiesel na Argentina mata três trabalhadores terceirizados", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-tanque-de-metanol-albardon-bio-argentina/ ## O que importa - Um tanque de metanol explodiu na tarde de 29 de setembro de 2026 na usina da Albardon Bio, em Puerto General San Martín, na província de Santa Fé (Argentina), durante serviço de uma empresa contratada. - Dois trabalhadores morreram no local e um terceiro, de 21 anos, morreu em 1 de outubro de 2026, e os três eram funcionários da contratada que fazia manutenção e solda na planta. - A causa técnica e a fonte de ignição ainda não foram apontadas, e há versões diferentes sobre a atividade que estava em andamento na hora da explosão. Uma explosão seguida de incêndio num tanque de metanol matou trabalhadores terceirizados na usina de biocombustíveis da Albardon Bio, em Puerto General San Martín, na província de Santa Fé (Argentina), na tarde de terça-feira, 29 de setembro de 2026, segundo a publicação especializada HazardEx, que registrou duas mortes e quatro feridos e informou que a causa continuava sob investigação. ## A explosão A explosão aconteceu no meio da tarde e danificou estruturas dentro da usina, que produz biodiesel e é operada pela Establecimiento El Albardón S.A., empresa do grupo Essential Energy Holding, segundo o site argentino Punto Biz, e o metanol usado na fabricação do biocombustível é um álcool industrial altamente inflamável, como lembra o site Bichos de Campo. Dois trabalhadores morreram no local e outros quatro ficaram feridos, dois deles com gravidade, e um dos feridos, com queimaduras em 60% do corpo, foi levado de helicóptero para um hospital de Rosario, segundo o Ciudadano News. Na quinta-feira, 1 de outubro de 2026, um dos feridos internados em Rosario, um jovem de 21 anos, também morreu, o que elevou a três o número de mortos, segundo o site SL24, e o jornal La Capital, de Rosario, publicou no dia seguinte a confirmação da terceira morte. ## O que se sabe sobre a causa Em comunicado, a Albardon Bio afirmou que a explosão no tanque de metanol ocorreu durante "tarefas de manutenção realizadas por um contratista", que as causas e os danos estavam sob investigação e que a empresa conduzia uma "investigação exaustiva". A HazardEx observa, porém, que relatos atribuídos aos serviços de emergência locais descreveram a ocorrência como tendo acontecido durante a descarga de metanol, e que a atividade em andamento no momento da explosão não estava definida de forma conclusiva nas informações publicadas. A polícia identificou como contratadas responsáveis pelo serviço as empresas Gélvez e Siming, segundo o Bichos de Campo, e, de acordo com o SL24, os três mortos não eram funcionários diretos da produtora de biodiesel, mas da Gélvez, de San Lorenzo, e faziam serviços de manutenção e de solda dentro da planta quando o tanque explodiu. As primeiras diligências ficaram a cargo da promotora de plantão de San Lorenzo, Melisa Serena, que começou o trabalho na mesma tarde com a Policía de Investigaciones (PDI) e a Divisão Científica, enquanto os bombeiros seguiram até tarde com o resfriamento da área para permitir o início das perícias. Até a publicação da HazardEx, nenhuma causa técnica definitiva nem fonte de ignição tinham sido divulgadas, e a empresa disse ter acionado medidas de contenção, prevenção e monitoramento ambiental depois do acidente. ## As críticas do sindicato O sindicato dos trabalhadores da indústria de óleos vegetais (SOEA) vinha denunciando, segundo o SL24, a precarização do trabalho terceirizado, a redução de custos com convenções coletivas de outras categorias e a falta de treinamento adequado para trabalhadores jovens expostos a serviços de alto risco químico, e a confirmação de que as três vítimas eram terceirizadas reforçou essas queixas. --- # Bombeiros de Edmonton ligam alta de incêndios a baterias modificadas, danificadas e carregadas de forma inadequada - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/edmonton-incendios-baterias-ions-de-litio-carregamento-inadequado/ - Fonte original: CTV News Edmonton, https://www.ctvnews.ca/edmonton/article/fire-officials-warn-improper-charging-behind-growing-number-of-lithium-ion-battery-fires/, 02.Out.2026 (inglês) - Marcadores: bateria de íons de lítio, bicicleta elétrica, investigação de incêndio, prevenção, Canadá - Como citar: NEXO CAUSAL, "Bombeiros de Edmonton ligam alta de incêndios a baterias modificadas, danificadas e carregadas de forma inadequada", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/edmonton-incendios-baterias-ions-de-litio-carregamento-inadequado/ ## O que importa - Os bombeiros de Edmonton (Canadá) atenderam 22 incêndios ligados a baterias de íons de lítio em 2026 até o início de outubro, contra 16 no ano anterior inteiro, com uma morte e mais de 2,1 milhões de dólares canadenses em danos. - O responsável pela prevenção e pela investigação de incêndios do departamento, que lê todos os laudos, diz que se repetem baterias modificadas, baterias danificadas e cabos de carregamento inadequados. - As baterias de íons de lítio foram pelo segundo ano seguido o tema da Semana de Prevenção de Incêndios. O Edmonton Fire Rescue Services (EFRS), corpo de bombeiros de Edmonton, no Canadá, atendeu em 2026, até o início de outubro, 22 incêndios ligados a baterias de íons de lítio, que causaram mais de 2,1 milhões de dólares canadenses em danos materiais e uma morte, contra 16 ocorrências desse tipo em todo o ano anterior, segundo reportagem de Craig Ellingson publicada pela CTV News Edmonton em 2 de outubro de 2026. ## O que os laudos mostram Justin Lallemand, vice-chefe assistente de prevenção e investigação de incêndios do EFRS, disse que, como responsável pelas investigações, lê todos os relatórios e que a tendência comum que vê em Edmonton é a de baterias modificadas, baterias danificadas e cabos de carregamento inadequados, situações que ele considera muito evitáveis. Lallemand chamou essas baterias de "muito explosivas" e "muito potentes" e contou que os bombeiros de todo o Canadá trocam informações e boas práticas para enfrentar o problema, mas que, para o departamento, o melhor caminho é evitar o incêndio por meio da educação, para que menos equipes precisem entrar para combater o fogo. Recentemente, uma bateria de bicicleta elétrica provocou o incêndio de um sobrado geminado que deu 470 mil dólares canadenses de prejuízo, e a foto que ilustra a reportagem mostra o atendimento a um incêndio de 14 de janeiro de 2026 num prédio da 115 Street cuja causa, segundo o EFRS, também foi a bateria de íons de lítio de uma bicicleta elétrica. ## Carregadores fáceis de comprar Graham McAlister, vice-chefe de segurança comunitária e risco do EFRS, disse que o aumento não é exclusivo de Edmonton e acompanha uma tendência vista no Canadá e na América do Norte, porque há cada vez mais equipamentos de mobilidade em uso e cada vez mais opções de compra. Segundo ele, é muito fácil encomendar carregadores diferentes, ou até comprá-los num posto de gasolina, sem que isso signifique que se trata do carregador certo, e é isso, na avaliação dele, que tem contribuído para o aumento expressivo de ocorrências. A campanha de educação inclui um trabalho com administradores de imóveis alugados para que coloquem avisos sobre os riscos das baterias de íons de lítio, que pelo segundo ano seguido foram o tema da Semana de Prevenção de Incêndios (Fire Prevention Week), aberta pelo EFRS numa entrevista no quartel número 8, no bairro de Blatchford. ## As recomendações do EFRS O departamento recomenda tirar o aparelho da tomada quando a carga se completa e parar de carregar na hora se a bateria esquentar, inchar, soltar fumaça ou cheiro forte, além de usar só o cabo e a fonte originais ou uma reposição aprovada pelo fabricante, com marca de certificação de segurança reconhecida, como UL, CSA ou ETL. Os bombeiros também orientam a não usar carregador danificado, a carregar os aparelhos sobre superfície dura e plana, longe de camas, sofás e tapetes, e nunca durante a noite ou embaixo de travesseiros, e a carregar bicicletas elétricas e ferramentas maiores ao ar livre sempre que possível, nunca num lugar onde possam bloquear uma saída. --- # Tubo de gás que o Texas mandou retirar há 25 anos é ligado a explosão de casa em Lake Dallas - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/tubulacao-de-gas-poly-1-explosao-lake-dallas-texas/ - Fonte original: CBS News Texas, https://www.cbsnews.com/texas/news/texas-natural-gas-explosion-poly-1-pipe/, 06.Out.2026 (inglês) - Marcadores: explosão de gás, gás natural, tubulação, fiscalização, Texas, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Tubo de gás que o Texas mandou retirar há 25 anos é ligado a explosão de casa em Lake Dallas", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/tubulacao-de-gas-poly-1-explosao-lake-dallas-texas/ ## O que importa - A explosão que destruiu uma casa em Lake Dallas (Texas) em 19 de março de 2026 foi causada por vazamento de gás natural num tubo plástico do tipo Poly-1, segundo a investigação. - A Railroad Commission do Texas tinha mandado retirar esse tipo de tubo depois de uma explosão que matou três pessoas em Garland em 2000, e registros indicam que ele continuou sendo encontrado anos depois do prazo. - A agência estadual não explicou como conferiu a retirada e diz que não comenta por se tratar de investigação em andamento. O tubo plástico de gás natural do tipo Poly-1, que o Texas mandou as distribuidoras retirarem do subsolo há mais de 25 anos, foi apontado como a origem do vazamento que causou a explosão de uma casa em Lake Dallas, no norte do estado, em março de 2026, segundo investigação da equipe I-Team da CBS News Texas assinada pelo repórter Brian New e publicada em 6 de outubro de 2026. ## A explosão em Lake Dallas A explosão aconteceu em 19 de março de 2026 e destruiu uma casa na rua Moseley, a poucas quadras do centro da cidade, e vizinhos que correram ao local depois do estrondo encontraram uma mulher com queimaduras graves presa sob os escombros, que foi levada para a unidade de queimados do Parkland Hospital, segundo a NBC 5 Dallas-Fort Worth. Na época, a prefeitura informou que a casa não tinha ligação de gás, e, numa reunião extraordinária da câmara municipal no início de abril, a Atmos Energy, distribuidora de gás da região, disse ter encontrado um vazamento na rede de distribuição sob a Wilson Drive, logo ao sul da rua Moseley, e ter mandado um pequeno trecho do tubo para análise em laboratório. Kyle Slaughter, vice-presidente de operações da Atmos para a região Mid-Tex, afirmou na reunião que o tubo era de um material instalado no início dos anos 1970 por uma empresa antecessora, que a Atmos não sabia que ele ainda estava ali e que, desde que comprou o sistema em 2004, a distribuidora retira esse tipo de tubo sempre que o encontra. Os investigadores concluíram depois que gás natural vazando causou a explosão e que a origem do vazamento foi um tubo Poly-1, segundo a CBS News Texas. ## O tubo que já tinha causado mortes O Poly-1 é um tubo plástico de gás natural de primeira geração, instalado nos anos 1970, que acumulou um histórico de trincas e vazamentos, em alguns casos seguidos de explosões, e a troca desse material ganhou força no Texas depois da explosão de 28 de janeiro de 2000 em Garland, que destruiu uma casa e matou um casal de idosos e a irmã da mulher. Os investigadores atribuíram a explosão de Garland a um tubo Poly-1, e a Railroad Commission do Texas, agência estadual que fiscaliza a segurança dos dutos, mandou então a distribuidora TXU Gas identificar e retirar todo o Poly-1 que restava na sua rede. Quando a TXU perdeu o primeiro prazo, a comissão aplicou multa, fixou novos prazos e exigiu relatórios de andamento, mas, quase três anos depois do fim desses prazos, técnicos que analisavam o caso para a comissão registraram que o trabalho "ainda não estava concluído". A TXU vendeu a rede para a Atmos em 2004, e, embora a Atmos diga que acreditava que todo o Poly-1 já tinha sido retirado quando assumiu o sistema, um registro da comissão de 2009 menciona a "substituição de tubo Poly 1" ainda em curso, o que indica que mais material continuava sendo encontrado e trocado anos depois. ## A fiscalização sob questionamento Os registros analisados pelo I-Team mostram tubos Poly-1 ainda sendo achados na rede anos depois do prazo fixado pelo estado, e, embora nenhuma agência consiga inspecionar fisicamente cada metro de tubo enterrado, não está claro que providências a comissão tomou para conferir se as distribuidoras concluíram a retirada que ela mesma ordenou. Os três comissários eleitos que dirigem a Railroad Commission recusaram vários pedidos de entrevista, e a única resposta da agência veio por e-mail de um porta-voz, que, perguntado sobre o que foi feito para verificar a retirada do tubo, escreveu que, "por se tratar de parte de uma investigação em andamento", a agência não podia comentar. Virginia Palacios, diretora-executiva da Commission Shift, organização sem fins lucrativos que acompanha a Railroad Commission, disse à CBS que o estado não tem "um sistema rigoroso" para acompanhar o que as operadoras de fato fazem e chamou a agência de "muito fechada" e pouco transparente. --- # Pintor é condenado na Inglaterra depois que o enteado morreu eletrocutado ao mover escada perto de rede aérea - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/pintor-condenado-apos-enteado-morrer-eletrocutado-com-escada-perto-de-rede-aerea/ - Fonte original: HSE Media Centre, https://press.hse.gov.uk/2026/10/06/painter-and-decorator-sentenced-after-stepson-electrocuted-on-job/, 06.Out.2026 (inglês) - Marcadores: rede aérea, trabalho em altura, escada, choque elétrico, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Pintor é condenado na Inglaterra depois que o enteado morreu eletrocutado ao mover escada perto de rede aérea", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/pintor-condenado-apos-enteado-morrer-eletrocutado-com-escada-perto-de-rede-aerea/ ## O que importa - Connor Lambert, pintor em formação de 24 anos, morreu em 29 de julho de 2024 quando a escada estendida que ele movia perto de uma rede elétrica aérea, em Farndon (Cheshire), tocou nos cabos ou chegou perto o bastante para formar um arco elétrico. - A investigação do HSE concluiu que o trabalho em altura não foi planejado, supervisionado nem executado com segurança e que o risco da rede aérea não foi avaliado nem controlado. - O padrasto, Daniel Watton, recebeu 16 semanas de prisão com suspensão por 12 meses e terá de pagar £10.645 de custas. O pintor Daniel Watton, de 50 anos, que trabalhava como autônomo com o nome Inside Out Painters and Decorators Property Maintenance, foi condenado na Inglaterra depois que o enteado, o pintor em formação Connor Lambert, de 24 anos, morreu eletrocutado ao mover uma escada perto de uma rede elétrica aérea numa casa em Farndon, em Cheshire, segundo comunicado do Health and Safety Executive (HSE), o órgão regulador britânico de saúde e segurança do trabalho, publicado em 6 de outubro de 2026. ## Como aconteceu A investigação do HSE concluiu que, em 29 de julho de 2024, Lambert movia com um colega uma escada totalmente estendida na empena da casa e que, durante a manobra, a escada encostou na rede aérea ou chegou perto o bastante para que se formasse um arco elétrico, e enquanto Lambert morreu, o colega sofreu queimaduras nas mãos, nos pés e no abdômen. ## O que a investigação encontrou Segundo o HSE, o trabalho em altura não foi planejado, supervisionado nem executado com segurança, o equipamento e os métodos escolhidos eram inadequados para a tarefa, os riscos de trabalhar perto da rede aérea não foram avaliados nem controlados de forma adequada e havia problemas de treinamento e de competência de quem fazia o serviço. O plano original previa uma torre de andaime e escadas para pintar a fachada, incluindo uma área com cobertura de vidro, o que o HSE considera que já não era adequado nem seguro, e na prática o serviço se afastou desse plano e foi feito o tempo todo com escadas, método aprovado por Watton e que, segundo o órgão, também era inadequado e inseguro, como o acidente fatal demonstrou. A orientação do HSE é que, quando o trabalho em altura não pode ser evitado, ele precisa ser bem planejado, supervisionado e executado com segurança, com equipamento e métodos adequados e pessoas competentes, e que, quando o trabalho perto de redes aéreas é inevitável, é preciso eliminar ou reduzir o risco com medidas como o desligamento da rede, o uso de equipamento apropriado e a manutenção de distâncias seguras. ## A sentença Watton, morador de Wollerton, em Market Drayton, admitiu ter violado o regulamento 4(1) do Work at Height Regulations 2005, o regulamento britânico de trabalho em altura, e foi condenado em 6 de outubro de 2026, no Warrington Magistrates Court, a 16 semanas de prisão, com suspensão da pena por 12 meses, e ao pagamento de £10.645 de custas. A inspetora do HSE Keeley Eves disse que o acidente poderia e deveria ter sido evitado com planejamento e medidas de controle adequados e que trabalho em altura e trabalho perto de redes aéreas são atividades de alto risco, em que o empregador precisa escolher o equipamento certo, avaliar todos os riscos e garantir que os trabalhadores estejam treinados e supervisionados. Lambert esperava a primeira filha com a companheira, Megan McCann, e o pai dele, Craig West, disse ao HSE que, depois das conclusões do inquérito, considera o acidente ainda mais trágico porque poderia ter sido evitado com facilidade. A BBC, que noticiou a sentença em 7 de outubro de 2026, trouxe os mesmos dados sobre a dinâmica do acidente, as conclusões da investigação e a pena aplicada. --- # Incêndio florestal Aspen Acres, no Colorado, começou com árvore derrubada pelo vento sobre a rede elétrica, conclui laudo estadual - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-aspen-acres-colorado-arvore-caiu-sobre-rede-eletrica/ - Fonte original: The Pueblo Chieftain, https://www.chieftain.com/story/news/fire/2026/10/12/colorado-fire-investigators-reveal-what-caused-the-aspen-acres-fire/92178636007/, 12.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio florestal, origem e causa, rede elétrica, laudo, Colorado, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio florestal Aspen Acres, no Colorado, começou com árvore derrubada pelo vento sobre a rede elétrica, conclui laudo estadual", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-aspen-acres-colorado-arvore-caiu-sobre-rede-eletrica/ ## O que importa - O laudo da Divisão de Prevenção e Controle de Incêndios do Colorado concluiu que um álamo arrancado pelo vento caiu sobre condutores energizados e deu início ao incêndio de 29 de junho de 2026. - Os peritos encontraram alumínio derretido sob o ponto de contato e descartaram raio, material de fumante e incêndio criminoso. - O fogo queimou 102.007 acres (41.281ha) e destruiu mais de 850 construções, e a cooperativa dona da rede responde a ações judiciais, embora o laudo não atribua responsabilidade legal. O incêndio florestal Aspen Acres, um dos maiores da história do Colorado (Estados Unidos), começou quando um álamo arrancado pelo vento caiu sobre condutores energizados de uma linha elétrica ao lado da rodovia estadual CO-165, no condado de Custer, segundo o laudo da Colorado Division of Fire Prevention and Control (DFPC), a divisão estadual de prevenção e controle de incêndios, obtido pelo jornal The Pueblo Chieftain por pedido de acesso a documentos públicos e noticiado por Zach Hillstrom em 12 de outubro de 2026. ## A área de origem O laudo situa a origem a cerca de 200ft (60,96m) a oeste da CO-165, na base de um morro, sob a linha de postes paralela à rodovia e a sudoeste do cruzamento com a Custer Drive, pouco antes de o fogo ser comunicado, às 5h39 de 29 de junho de 2026, quando o corpo de bombeiros de Rye foi acionado. O perito principal da DFPC, Josh Dreher, que conduziu a investigação junto com o investigador Earl Huie, do Serviço Florestal dos Estados Unidos, escreveu que, durante ventos fortes, o álamo foi derrubado e arrancado pela base e encostou nos condutores, e a emissora KXRM informou que a árvore esticou os cabos até cerca de 3ft (0,91m) do chão, em contato com os condutores fase e neutro. Segundo o laudo, os condutores energizados forneceram calor suficiente para levar a casca da árvore e a vegetação próxima ao ponto de combustão, e havia alumínio derretido sob o ponto de contato entre o condutor e a árvore, o que, para o perito, também deve ser considerado como contribuição para a ignição. A árvore tinha marcas de carbonização e os condutores mostravam sinais de arco elétrico, fusão e carbonização, e, segundo Dreher, os indicadores de padrão de queima mostraram um fogo de baixa intensidade que se espalhou em círculo a partir do ponto de ignição e depois avançou para o norte e para o sul, recuando para o leste e avançando para o oeste à medida que ganhava força. ## As hipóteses descartadas Os peritos avaliaram quatro hipóteses, raio, material de fumante descartado, incêndio intencional e rede elétrica, e descartaram as três primeiras, porque o relatório de descargas atmosféricas não registrou nenhum raio nuvem-solo num raio de 5mi (8,05km) entre 28 e 30 de junho de 2026 e porque não havia vestígio de material de fumante na área, que também não ficava perto de construções. Dreher escreveu que um incêndio causado por material de fumante seria incompatível com o tipo e a disposição da vegetação, a temperatura, a umidade e o tempo envolvido, e excluiu também chama aberta, como velas, fósforos, isqueiros, chamas-piloto e lampiões. Os investigadores analisaram ainda um segundo ponto, perto do fim da Silvercliffe Drive, onde uma foto mostrava outra árvore encostada em fios, e concluíram, pelos padrões de queima, pelas fotos e pelos depoimentos, que o incêndio não começou ali. Dois moradores ajudaram a reconstituir o início do fogo, e um deles contou ter acordado por volta das 5h30 com as luzes piscando e o gerador ligando, sentido cheiro de fumaça e, depois de falar com um vizinho, ido até a rodovia, onde viu fogo e fumaça na linha de árvores junto aos fios, já com focos do outro lado da pista. ## O tamanho do incêndio e as ações judiciais Segundo a emissora KRDO, os ventos chegaram a 50mph (80,47km/h) na hora do início do fogo, e o laudo apontou o vento forte como fator importante para a propagação rápida do incêndio, que em 12 de outubro de 2026 estava 82% contido, com 102.007 acres (41.281ha) queimados, mais de 850 construções destruídas, das quais 324 casas, e cerca de 11.600 moradores retirados no pico da emergência nos condados de Pueblo, Custer e Fremont. A San Isabel Electric Association, cooperativa dona da linha, responde a pelo menos cinco ações que atribuem o incêndio aos seus equipamentos e à falta de redução do risco de fogo, como a poda de árvores perto da rede, segundo o Axios e a CBS News Colorado, mas o laudo não atribui responsabilidade legal nem conclui que a empresa foi negligente, e a cooperativa disse que não comenta assuntos sob litígio. --- # Varanda desaba em prédio já listado como perigoso em Limassol, no Chipre, e 56 apartamentos são evacuados - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/varanda-desaba-em-limassol-e-predio-de-56-apartamentos-e-evacuado/ - Fonte original: Cyprus Mail, https://cyprus-mail.com/2026/09/25/investigations-ongoing-into-limassol-balcony-collapse, 25.Set.2026 (inglês) - Marcadores: varanda, edificações perigosas, vistoria predial, Limassol, Chipre - Como citar: NEXO CAUSAL, "Varanda desaba em prédio já listado como perigoso em Limassol, no Chipre, e 56 apartamentos são evacuados", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/varanda-desaba-em-limassol-e-predio-de-56-apartamentos-e-evacuado/ ## O que importa - Uma varanda do quinto andar caiu sobre a de baixo em 24 de setembro de 2026, num conjunto residencial de Limassol que já estava na lista de edificações perigosas e tinha processo de desocupação em andamento. - O órgão distrital responsável diz que a cidade tem cerca de 1.100 edificações listadas e que os instrumentos legais para desocupá-las são demorados e ineficazes. - A Câmara Científica e Técnica do Chipre espera a lei revisada até o fim do ano e defende a vistoria obrigatória dos prédios como a única medida preventiva eficaz. Uma varanda do quinto andar de um prédio residencial de Limassol, no Chipre, caiu sobre a varanda de baixo por volta das 10h de quinta-feira, 24 de setembro de 2026, e a Defesa Civil evacuou os 56 apartamentos do conjunto, que já constava da lista de edificações perigosas da cidade e tinha processo de desocupação em andamento, segundo o Cyprus Mail. ## O que aconteceu O prédio faz parte do conjunto Rousos Olympic Palace, na esquina das ruas Georgios Katsounotos e Christodoulos Hadjipavlou, e ninguém ficou ferido, segundo o jornal, que informou em 25 de setembro de 2026 que as autoridades continuavam investigando em que circunstâncias a varanda caiu. O conjunto tem dois blocos, com 38 apartamentos no Bloco A e 18 no Bloco B, onde a varanda caiu, e a desocupação foi feita pela EOA de Limassol, a organização distrital de governo local, em conjunto com a Defesa Civil, por ordem do Ministério do Interior. Os moradores foram levados para outra acomodação "por um ou dois dias", e, segundo o presidente da EOA de Limassol, Yiannis Tsouloftas, os proprietários dos apartamentos agora precisam contratar um engenheiro civil para fazer os reparos e devolver a segurança ao prédio. ## O prédio já estava na lista Tsouloftas disse à Agência de Notícias do Chipre que uma varanda do mesmo prédio já tinha desmoronado em 2022 e que o imóvel estava listado como perigoso, com um escritório de advocacia encarregado de dar andamento às ordens de desocupação. Andreas Theodotou, secretário-geral da Câmara Científica e Técnica do Chipre (Etek), disse que o caso preocupa justamente porque o prédio já tinha sido declarado perigoso e havia processo judicial em curso. ## Os números de Limassol Segundo Tsouloftas, Limassol tem cerca de 1.100 edificações listadas como potencialmente perigosas, e as vistorias em andamento já levaram 370 casos a engenheiros civis particulares, que entregaram 296 laudos técnicos. A EOA analisou até agora os laudos de 157 edificações, que foram declaradas perigosas, das quais 60 precisam de desocupação imediata e duas já foram demolidas. Os instrumentos legais para desocupar essas edificações são, nas palavras de Tsouloftas, "demorados e ineficazes", e ele citou como exemplo um prédio em Yermasoyia com ordem de desocupação pendente desde maio e ainda não cumprida. Em junho, outro prédio de apartamentos de Limassol já tinha sido evacuado depois que duas varandas caíram na rua, e, no início de setembro, a associação das incorporadoras do Chipre pediu vistorias técnicas periódicas e pressa na lei sobre edificações perigosas, dizendo que "não há mais espaço para novos atrasos". ## A mudança na lei Theodotou disse que a discussão sobre alterar a lei de vias e edificações começou na comissão do Interior do Parlamento no início de setembro, com o objetivo de dar às EOAs poder para agir rápido, e que a Etek espera a lei revisada até o fim do ano. "O que estamos tentando mudar são os procedimentos demorados, ou seja, que as EOAs, se for preciso, possam lacrar um prédio de imediato e até fazer algumas obras", disse ele, lembrando que, pela lei atual, esses órgãos não podem agir sem o consentimento do proprietário. Para o secretário-geral, também é preciso resolver o financiamento, para que os órgãos possam pagar antes a desocupação ou o reparo e cobrar depois dos proprietários, quando for o caso, e a quantidade de edificações perigosas, segundo ele, já exige um orçamento relativamente alto. Theodotou afirmou que a vistoria obrigatória das edificações continua sendo a única medida preventiva eficaz e que, se ela existisse nos últimos dez anos em que o assunto vem sendo discutido, os prédios perigosos teriam sido identificados muito antes. Ele disse ainda que a vistoria regular mantém baixo o custo do reparo, porque um prédio de apartamentos de 20 a 25 anos tem pouco dano e um reparo proporcionalmente muito mais barato para cada proprietário do que um que passou de 40 a 50 anos sem nenhuma manutenção. O secretário-geral citou também um projeto separado, em discussão no Parlamento, sobre os prédios em condomínio, para tratar dos muitos blocos de apartamentos que nunca criaram comissão de administração nem fundo de reserva para manutenção, e disse que as emendas devem ser examinadas a partir do mês seguinte, com a meta de aprovar a lei até o fim do ano. Tsouloftas, por sua vez, pediu pressa na modernização da legislação para resolver o problema dos prédios envelhecidos do país e listou os pontos que precisam ser atualizados: a gestão das edificações perigosas, a gestão dos prédios em condomínio, o funcionamento das comissões de administração dos blocos de apartamentos e a vistoria técnica periódica das edificações. --- # Polícia indicia responsável por fábrica de Bucheon, na Coreia do Sul, após incêndio que matou bombeiro - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-fabrica-bucheon-bombeiro-morto-investigacao/ - Fonte original: SBS News, https://news.sbs.co.kr/english/article.do?news_id=N1008803145, 18.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio industrial, origem e causa, produtos inflamáveis, morte de bombeiro, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Polícia indicia responsável por fábrica de Bucheon, na Coreia do Sul, após incêndio que matou bombeiro", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-fabrica-bucheon-bombeiro-morto-investigacao/ ## O que importa - O incêndio de 16 de outubro de 2026 numa fábrica de peças metálicas em Bucheon matou o tenente bombeiro Kim Jin-seok e deixou outras sete pessoas feridas. - A perícia conjunta apontou como causa provável a ignição, por faísca de eletricidade estática, dos vapores de thinner usado na limpeza de peças, num setor sem instalação à prova de explosão. - A polícia indiciou o responsável pela fábrica, e a Agência Nacional de Bombeiros abriu uma investigação sobre a ordem de entrada da equipe num prédio onde não havia mais ninguém para resgatar. A polícia da província de Gyeonggi, na Coreia do Sul, indiciou o responsável por uma fábrica de injeção e impressão de peças metálicas no bairro de Nae-dong, distrito de Ojeong, em Bucheon, onde um incêndio em 16 de outubro de 2026 matou o tenente bombeiro Kim Jin-seok, de 44 anos, e deixou outras sete pessoas feridas, segundo reportagem de Hong Sun-jun publicada pela SBS News em 18 de outubro de 2026. ## O incêndio O chamado chegou por volta das 8h38 de sexta-feira, 16 de outubro de 2026, informando fogo na sala de limpeza do terceiro andar da fábrica, e Kim fazia parte da primeira equipe a chegar ao local, formada por quatro bombeiros que entraram no terceiro andar, onde ele e um colega ficaram presos quando as chamas e a fumaça se espalharam rapidamente. O colega foi resgatado antes, e Kim, que estava cerca de 5m mais para dentro, só foi alcançado por volta das 9h35, já em parada cardíaca, e morreu no hospital à 0h55 de sábado, 17 de outubro de 2026, enquanto outro bombeiro teve ferimentos graves, quatro sofreram exaustão pelo calor e dois funcionários da fábrica foram levados ao hospital por inalação de fumaça. O fogo foi controlado por volta das 10h22 e extinto às 11h06, duas horas e 28 minutos depois do início, e a Agência Nacional de Bombeiros promoveu Kim, depois da morte, de sargento a tenente. ## Origem e causa provável No dia seguinte ao incêndio, uma equipe conjunta de bombeiros, polícia, Serviço Nacional de Perícia Forense (National Forensic Service, NFS) e Korea Electrical Safety Corporation, empresa de segurança elétrica, examinou o local e verificou que, no momento do incêndio, os funcionários usavam thinner para limpar peças metálicas na sala do terceiro andar, onde o fogo parece ter começado. A hipótese dos investigadores é que o tolueno, componente inflamável do thinner, liberou vapores que se inflamaram com uma faísca provocada por descarga de eletricidade estática ou por atrito, e a equipe vai pedir ao NFS a análise detalhada do solvente que restou na sala de limpeza. Os peritos encontraram dezenas de latas de thinner, algumas abertas, a 1m ou 2m do ponto provável de origem, além de centenas de latas de tinta e cerca de 180 recipientes que guardavam ou tinham guardado produtos inflamáveis, classificados na Coreia como materiais perigosos, e as autoridades acreditam que esse material contribuiu para a propagação rápida do fogo. Kim Su-young, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa de Incêndios que participou da perícia, disse ao jornal Kyunghyang Shinmun que, em oficinas onde se limpam metais com produtos inflamáveis, os trabalhadores precisam usar roupa antiestática e o ambiente precisa ter instalações à prova de explosão, mas que a equipe não encontrou nenhum sinal dessas medidas. ## Falhas de prevenção A fábrica não tinha autorização para manusear materiais perigosos e por isso ficava fora das fiscalizações específicas para esse tipo de produto, e também não tinha chuveiros automáticos, porque a área de 362m² estava abaixo do limite que obriga a instalação. A polícia apurou ainda que a fábrica já tinha tido um incêndio em janeiro de 2021, e que, depois dele, a administradora do prédio fez a própria vistoria e entregou ao corpo de bombeiros um relatório sem apontamentos, com base no qual os bombeiros não fizeram nenhuma inspeção de segurança contra incêndio no local nos cinco anos seguintes. ## O indiciamento Em 17 de outubro de 2026 a polícia ouviu como testemunhas cinco pessoas da fábrica, entre elas o responsável e funcionários, sobre as condições de trabalho e a gestão de segurança, e, ao concluir que houve negligência relacionada ao início do fogo, indiciou o responsável, identificado apenas como uma pessoa de cerca de 70 anos de sobrenome A, por suspeita de negligência profissional com resultado de lesão e de incêndio por negligência profissional, por ter descuidado das medidas de prevenção de incêndio. A equipe especial de investigação da Polícia Provincial do Sul de Gyeonggi, que tem 33 integrantes, entre eles uma unidade de perícia, vai apurar como o fogo começou e se as regras de segurança eram cumpridas, e o número de indiciados pode aumentar conforme o resultado. ## A ordem de entrada A família de Kim pede uma investigação completa da morte, porque, segundo os parentes, todos os funcionários já tinham saído do prédio e não havia ninguém para resgatar quando a equipe recebeu a ordem de entrar, e o sogro do bombeiro atribuiu a tragédia a um erro de avaliação do comando e à falta de controle no local. A transcrição das comunicações de rádio, divulgada em 23 de outubro de 2026 pelo gabinete do deputado Yoon Kun-young, do Partido Democrático, mostra que às 8h47 uma equipe informou que todos os trabalhadores do terceiro andar tinham saído e às 8h48 avisou que ali funcionava um setor de pintura com provável presença de produtos inflamáveis, mas às 8h52 o comando no local manteve a estratégia de combate ofensivo, e às 9h09 veio o aviso de bombeiro isolado. A Agência Nacional de Bombeiros montou uma equipe conjunta de investigação com 22 integrantes, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisa de Incêndios, especialistas externos e representantes dos sindicatos de bombeiros, que vai trabalhar por 30 dias e examinar toda a resposta, do primeiro atendimento ao combate e ao resgate, além do armazenamento dos produtos perigosos, das medidas de prevenção e dos riscos estruturais do edifício de fábricas em andares. O chefe da agência, Choi Yong-chul, disse que o órgão vai investigar a fundo a causa do acidente e a gestão de segurança de materiais perigosos sem autorização, e que vai preparar, com base no resultado, medidas práticas para proteger os bombeiros e evitar que casos semelhantes se repitam. --- # EUA acusam executivos da Oxygen Forensics de esconder que software pericial vendido ao governo era russo - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/eua-acusam-ceo-da-oxygen-forensics-de-esconder-donos-russos-de-software-pericial/ - Fonte original: The Record from Recorded Future News, https://therecord.media/russia-forensics-technology-doj, 24.Set.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, software forense, extração de dados, fraude em contratação, Rússia, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "EUA acusam executivos da Oxygen Forensics de esconder que software pericial vendido ao governo era russo", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/eua-acusam-ceo-da-oxygen-forensics-de-esconder-donos-russos-de-software-pericial/ ## O que importa - O Departamento de Justiça dos EUA anunciou em 23 de setembro de 2026 a prisão do diretor-executivo da Oxygen Forensics, Lee Reiber, e do russo Oleg Davydov, acusados de conspiração para fraude eletrônica. - Segundo a acusação, a empresa de extração de dados de celulares vendeu software ao Serviço Secreto, a outros órgãos de segurança interna e ao Departamento de Defesa escondendo que pertencia a cinco russos e era desenvolvida na Rússia. - O Departamento de Justiça diz que a acusação não aponta código malicioso no software nem uso dele para acesso indevido aos sistemas dos clientes. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, a prisão de dois dirigentes da Oxygen Forensics, empresa de extração e análise de dados de celulares que vendeu seu software a órgãos do governo americano, acusados de mentir sobre os verdadeiros donos da empresa e sobre o fato de o programa ser desenvolvido na Rússia, segundo reportagem de Suzanne Smalley publicada pelo The Record em 24 de setembro de 2026. ## Os acusados O diretor-executivo da Oxygen, Lee Reiber, de 55 anos, morador de Boise, no Idaho, foi preso no domingo, 20 de setembro de 2026, e solto mediante fiança, e o russo Oleg Sergeyevich Davydov, de 52 anos, morador de Moscou e diretor de tecnologia, foi detido no mesmo dia no aeroporto de Heathrow, em Londres, antes de embarcar para Istambul, segundo a OCCRP, e as autoridades americanas vão pedir a extradição dele. Os dois respondem por conspiração para cometer fraude eletrônica (wire fraud), crime com pena de até 20 anos de prisão, e no mesmo dia 20 de setembro as autoridades apreenderam cerca de 57 domínios de internet, infraestrutura digital e contas bancárias da empresa. ## O que diz a acusação Segundo a acusação, apresentada numa queixa-crime (criminal complaint), Davydov e outros quatro russos eram os verdadeiros donos da empresa por meio de uma holding com sede no Chipre, embora a Oxygen tenha sede formal na Virgínia, e Reiber teria dito a órgãos interessados em contratar a empresa que o software era desenvolvido nos Estados Unidos, quando na verdade era feito na Rússia. Os cinco russos também eram donos da empresa Oxygen Software LLC, de Moscou, hoje chamada MKO Systems LLC, onde Davydov era diretor de tecnologia e comandava o desenvolvimento, e, segundo o Departamento de Justiça, o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), o Comitê de Investigação russo e o Ministério do Interior compraram o mesmo software dessa empresa, vendido com outro nome. Os promotores dizem que o esquema foi montado depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, quando os Estados Unidos ampliaram as sanções, e que os nomes dos russos foram retirados dos registros da empresa logo depois de Reiber assumir, em março de 2022, como diretor-executivo, presidente e presidente do conselho, enquanto os donos russos continuavam a tomar as decisões importantes, a fixar o salário dele, a desautorizá-lo em pagamentos e a assinar pelas contas bancárias. Em novembro de 2023, quando um jornalista perguntou a Reiber sobre os vínculos russos, ele teria escrito a Davydov que a atenção da imprensa "poderia destruir toda essa oportunidade", e, segundo os promotores, a oportunidade era um contrato pendente com o National Computer Forensics Institute (NCFI), ligado ao Serviço Secreto, que em setembro de 2024 assinou com a Oxygen um contrato de cinco anos com a declaração de Reiber de que a empresa não tinha nenhuma controladora acima dela. ## Clientes no governo americano Usaram os produtos da Oxygen o Serviço Secreto e o NCFI, a Homeland Security Investigations, o gabinete do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna e o Departamento de Defesa, e, segundo o CyberScoop, a queixa-crime afirma que os responsáveis pelas compras disseram que não teriam fechado nem renovado os contratos se soubessem que a empresa era russa. O Departamento de Justiça afirmou que a queixa-crime não acusa o software de conter código malicioso nem de ter sido usado para acesso não autorizado aos sistemas ou dados dos clientes, e, como lembrou a OCCRP, o documento traz acusações e os dois são presumidos inocentes até prova em contrário. Natalia Krapiva, consultora jurídica sênior da organização Access Now, disse ao The Record que nenhuma ferramenta de vigilância deveria chegar perto de uma investigação americana antes que se saiba quem é o dono, quem a desenvolve e para quem mais ela é vendida, e que o mesmo software vendido à polícia americana foi usado pelo FSB para extrair dados dos celulares de russos contrários à guerra. --- # Queda de forro em salão de vendas de Daegu fere 38 pessoas e polícia investiga reparo antigo e possíveis camadas acrescentadas - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/queda-de-forro-estande-de-vendas-daegu-coreia-do-sul/ - Fonte original: Korea JoongAng Daily, https://www.koreajoongangdaily.com/korea/vendor-booked-on-negligence-charges-in-daegu-ceiling-collapse/12915456, 12.Out.2026 (inglês) - Marcadores: forro, queda de forro, inspeção predial, perícia, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Queda de forro em salão de vendas de Daegu fere 38 pessoas e polícia investiga reparo antigo e possíveis camadas acrescentadas", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/queda-de-forro-estande-de-vendas-daegu-coreia-do-sul/ ## O que importa - O forro suspenso do segundo andar de um prédio comercial de 1994 em Daegu, na Coreia do Sul, caiu em 10 de outubro de 2026 durante uma venda de utensílios para idosos e deixou 38 feridos leves. - A perícia conjunta encontrou um forro de três camadas sobre estrutura de aço, e a polícia apura se camadas foram acrescentadas, quem fez o último reparo e qual o peso das luminárias instaladas para o evento. - O vendedor foi indiciado por lesão culposa, e o prédio, com 892m², estava fora da inspeção periódica obrigatória, que só vale a partir de 3.000m². O forro suspenso do segundo andar de um prédio comercial de quatro andares no bairro de Gwaneum-dong, no distrito de Buk, em Daegu (Coreia do Sul), caiu por volta das 10h16 de sábado, 10 de outubro de 2026, durante um evento de venda de utensílios de cozinha e outros produtos voltado a idosos, e deixou 38 das 66 pessoas presentes com ferimentos leves, segundo os bombeiros e a polícia de Daegu. ## Como o forro caiu O que desabou foi o forro, montado abaixo da laje de concreto para esconder tubulação e fiação, e não a estrutura do prédio, porque, segundo a polícia, o acabamento e a estrutura de aço que o sustentava caíram juntos enquanto a estrutura de concreto, concluída em 1994, ficou de pé. O acabamento de um dos lados cedeu primeiro e, em cerca de 10 segundos, as outras seções do forro foram caindo uma depois da outra, segundo o Korea JoongAng Daily, e o Kyunghyang Shinmun informou que a análise das câmeras internas e dos destroços indicou que a queda começou sobre o palco montado na frente, à esquerda, do lado oposto à entrada do andar. As pessoas presentes, de 60 a 80 anos, saíram do prédio por conta própria e se feriram na fuga, com arranhões causados pelos destroços, segundo os bombeiros, e, até a segunda-feira, 12 de outubro de 2026, 18 tinham sido atendidas em hospital e cinco seguiam internadas, sem risco de morte. Os bombeiros mandaram 60 profissionais e 14 equipamentos para a busca e o isolamento do local, e a varredura feita depois da saída de todos não encontrou outras vítimas. ## A equipe de investigação A Polícia Metropolitana de Daegu montou no mesmo sábado uma equipe exclusiva de 33 integrantes, chefiada pelo chefe da unidade de investigação metropolitana, com 23 policiais de três unidades, entre elas a de investigação de acidentes graves, seis peritos criminais, dois agentes de comunicação e dois de proteção às vítimas, segundo o The Herald Business. No domingo, 11 de outubro de 2026, a polícia fez uma perícia conjunta no local, por cerca de duas horas a partir das 9h, com o Serviço Nacional de Perícia Forense (National Forensic Service), a prefeitura de Daegu e a administração do distrito de Buk, para examinar como o acabamento tinha sido instalado e por que caiu. A perícia constatou que o forro tinha três camadas, com placas de gesso e de papelão sobre a estrutura de aço, e a polícia apura se o forro foi instalado assim desde o início ou se camadas foram acrescentadas depois, além de examinar as 10 luminárias que o vendedor prendeu no forro ao preparar o evento. Um policial disse ao Kyunghyang Shinmun que o exame detalhado vai mostrar se a queda se deveu à carga, a defeito da estrutura ou ao envelhecimento, e a polícia estimou em cerca de duas semanas o prazo para o resultado. ## Reparo antigo e responsabilidade O andar funcionou como salão de bilhar até a troca de operador, por volta de 2019, e o forro passou por um reparo depois disso, e o primeiro operador do salão disse à polícia, na prática, que a estrutura do forro no dia do acidente era diferente da que existia no tempo dele. A polícia indiciou o vendedor, que alugou o andar vazio por um mês a partir de 3 de outubro de 2026, por lesão corporal culposa no exercício da atividade, sob a acusação de não ter garantido a segurança dos clientes, e ouviu como testemunhas o filho do proprietário, que administra o prédio, e um antigo operador do salão de bilhar. Os investigadores concentram o trabalho em quem fez o reparo do forro, quando e o que foi feito, para decidir se um serviço malfeito causou a queda e se o proprietário e outros envolvidos também devem responder pela mesma acusação. Um morador de 51 anos disse ao Kyunghyang Shinmun que, entre 2019 e 2020, os cabos que sustentavam o forro já estavam corroídos e esticados e parte do forro tinha cedido, que o operador do bilhar pediu um reparo com estrutura de aço leve e que o proprietário recusou por causa do custo, ficando só em remendos como pintura, e o jornal informou também que o evento acontecia sem a comunicação de atividade de vendas exigida pela administração do distrito. ## Fora da inspeção obrigatória Com 892m² de área construída total, o prédio não estava sujeito à inspeção periódica de segurança, que pelas regras atuais só alcança edificações com 3.000m² ou mais, segundo a administração do distrito de Buk. A prefeitura de Daegu vai fazer, até dezembro, uma inspeção conjunta de técnicos públicos e privados em 1.743 prédios pequenos com 30 anos ou mais e área total entre 500m² e 1.000m², com foco em fissuras, deformações, descolamentos, danos e infiltrações nos elementos estruturais principais e nos acabamentos de forro, e vai orientar os donos e administradores de 22.435 prédios comerciais de bairro com 30 anos ou mais e até 1.000m² a conferir o forro dos seus imóveis. Uma força-tarefa com o vice-prefeito de administração, os vice-chefes dos distritos e especialistas em arquitetura do setor privado vai acompanhar as inspeções e discutir mudanças na regulamentação, e o prefeito Choo Kyung-ho disse que a cidade vai agir rápido, com inspeções intensivas nas instalações antigas que escapam da fiscalização e com orientação de segurança aos proprietários. --- # Empresa inglesa é multada em £450 mil por homicídio corporativo após morte de trabalhador em rede elétrica aérea - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/empresa-condenada-por-homicidio-corporativo-apos-choque-em-rede-aerea-oxfordshire/ - Fonte original: The Workers Union, https://www.theworkersunion.com/2026/10/14/450000-corporate-manslaughter-fine-after-worker-killed-in-preventable-electrical-accident/, 14.Out.2026 (inglês) - Marcadores: rede aérea, choque elétrico, homicídio corporativo, avaliação de riscos, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Empresa inglesa é multada em £450 mil por homicídio corporativo após morte de trabalhador em rede elétrica aérea", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/empresa-condenada-por-homicidio-corporativo-apos-choque-em-rede-aerea-oxfordshire/ ## O que importa - A Cotswold Rainwater Services, de Witney, no condado inglês de Oxfordshire, admitiu culpa por homicídio corporativo pela morte de Andrew Claridge, de 34 anos, eletrocutado por uma rede aérea em 14 de novembro de 2024. - Outro empregado da empresa já tinha levado choque da rede aérea no mesmo local em 2020, e mesmo assim não foi feita avaliação de riscos antes de os trabalhadores voltarem ao endereço. - A empresa foi condenada em 9 de outubro de 2026 a multa de £450 mil, mais custas de £15.735 e taxa de £2 mil para o fundo de vítimas. A Cotswold Rainwater Services Limited, empresa de Witney, no condado inglês de Oxfordshire, foi condenada em 9 de outubro de 2026 no Oxford Crown Court a pagar multa de £450 mil por homicídio corporativo (corporate manslaughter) pela morte do empregado Andrew Claridge, de 34 anos, eletrocutado por uma rede elétrica aérea, segundo reportagem do The Workers Union publicada em 14 de outubro de 2026. ## O acidente e o aviso anterior Claridge morreu em 14 de novembro de 2024 enquanto trabalhava num imóvel em Longworth, perto de Abingdon, e o caso foi apurado numa investigação conjunta da polícia de Thames Valley e do Health and Safety Executive (HSE), o órgão britânico de saúde e segurança do trabalho. Os investigadores descobriram que outro empregado da mesma empresa já tinha levado um choque da rede aérea no mesmo local em 2020, com ferimentos leves, e que mesmo assim a empresa não fez avaliação de riscos antes de mandar os trabalhadores de volta ao endereço em 2024 nem identificou o perigo representado pelos cabos, segundo a polícia, em declarações reproduzidas pela rádio Greatest Hits Radio. De acordo com o resumo do caso publicado pelo site Health & Safety Matters, as provas mostraram que a empresa não fez avaliação de riscos adequada nem antes nem depois do primeiro choque no local, não deu a Claridge o equipamento necessário para reduzir o risco de morte ou de lesão grave, nem tomou outras medidas que reduzissem esse risco, e descumpriu tanto as normas do setor quanto as próprias regras internas de saúde e segurança para trabalhos perto de redes aéreas, embora o risco fosse altamente previsível. ## O que disseram os investigadores O detetive sargento Nathan Adby, da polícia de Thames Valley, disse que a morte de Claridge era totalmente evitável e que espera que o resultado sirva de lembrete ao setor de que cumprir as regras de saúde e segurança é obrigatório para todo empregador. A inspetora do HSE Simran Sapal afirmou que, se tivessem sido feitos o planejamento prévio, a avaliação do local e as medidas de controle de risco adequadas, o perigo da rede aérea poderia ter sido identificado e o trabalho, planejado e executado de forma a impedir que os empregados se aproximassem de condutores energizados. ## A condenação A empresa tinha admitido a culpa no mesmo tribunal em 10 de setembro de 2026 e, além da multa, foi condenada a pagar £15.735 de custas da acusação e uma taxa de £2 mil para o fundo de apoio a vítimas (victim surcharge), além de ter de divulgar a condenação no próprio site, e continua operando com o mesmo nome. O promotor Eran Cutliffe, da divisão de crimes especiais do Crown Prosecution Service (CPS), órgão responsável pela acusação, disse que, ao se declarar culpada de homicídio corporativo, a empresa aceitou a responsabilidade criminal pelas falhas que levaram à morte de Claridge. ## O risco das redes aéreas O The Workers Union lembra que a eletricidade pode formar um arco através do ar sem contato direto com o condutor, de modo que o trabalhador pode sofrer ferimentos graves ou fatais mesmo achando que mantém uma distância segura, e que a orientação do HSE sobre redes aéreas inclui identificar os cabos antes do início do serviço, consultar a concessionária quando necessário, definir zonas de exclusão, usar métodos de trabalho mais seguros e, quando o serviço não puder ser feito com segurança, pedir à concessionária o desligamento da linha. Pela lei britânica de 2007 sobre homicídio corporativo (Corporate Manslaughter and Corporate Homicide Act 2007), uma organização pode ser condenada quando a forma como suas atividades são geridas ou organizadas causa uma morte e configura violação grave de um dever de cuidado, e as falhas da alta administração têm de ser parte substancial dessa violação. --- # Fábrica da Intel em Israel tem novo vazamento de material perigoso cinco dias depois de explosão que matou dois funcionários - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/vazamento-na-fabrica-da-intel-em-israel-apos-explosao-de-tanque-de-nf3/ - Fonte original: Ynetnews, https://www.ynetnews.com/article/rypgmdmhze, 19.Out.2026 (inglês) - Marcadores: explosão industrial, produtos perigosos, semicondutores, acidente de trabalho, Israel - Como citar: NEXO CAUSAL, "Fábrica da Intel em Israel tem novo vazamento de material perigoso cinco dias depois de explosão que matou dois funcionários", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/vazamento-na-fabrica-da-intel-em-israel-apos-explosao-de-tanque-de-nf3/ ## O que importa - A explosão de 14 de outubro de 2026 na fábrica da Intel em Kiryat Gat aconteceu durante a descarga de trifluoreto de nitrogênio (NF3) de um caminhão para os tanques da unidade. - Os bombeiros de Israel apontam, em conclusão preliminar, uma falha técnica no gargalo de um tanque com oito toneladas do gás, e ainda não se sabe se a falha veio de desgaste ou se poderia ter sido evitada. - Em 19 de outubro de 2026 houve novo vazamento, que a Intel atribuiu, com base nos bombeiros, ao trabalho de correção do vazamento anterior. A fábrica de semicondutores da Intel em Kiryat Gat, no sul de Israel, registrou na manhã de segunda-feira, 19 de outubro de 2026, a suspeita de um novo vazamento de material perigoso, cinco dias depois da explosão de um tanque de trifluoreto de nitrogênio (NF3) que matou dois funcionários e deixou um terceiro em estado grave, segundo reportagem de Roni Green Shaulov publicada no Ynetnews. ## A explosão durante a descarga do gás A explosão aconteceu na tarde de quarta-feira, 14 de outubro de 2026, na unidade que fica no parque industrial Rabin, conhecida como Fab 28 e usada na produção de chips para os processadores da empresa, e ocorreu no momento em que caminhões descarregavam material nos tanques da fábrica. O comandante da delegacia de polícia de Kiryat Gat, Shai Elali, explicou no local que um caminhão tinha terminado a descarga e se desconectado e que a explosão ocorreu logo depois da conexão do segundo caminhão, acrescentando que a polícia entendia ter havido uma falha e que, naquele momento, não podia apontar suspeita de crime ou de negligência. O Serviço de Bombeiros e Resgate de Israel informou que o incidente envolveu o NF3, gás usado na fabricação de semicondutores, que não é inflamável mas tem propriedades oxidantes e é tóxico quando inalado, e por isso equipes de produtos perigosos fizeram monitoramento contínuo e avaliações de risco no local. Oito equipes de combate a incêndio e resgate foram enviadas à fábrica, junto com unidades especializadas em produtos perigosos de outras estações, a área foi isolada num raio de meio quilômetro e o fogo provocado pela explosão foi controlado e depois extinto, enquanto os tanques eram resfriados para evitar outro incidente. Segundo Elali, os técnicos verificaram se havia outro vazamento, sem encontrar indício disso naquele momento, e não foi preciso retirar moradores de Kiryat Gat nem funcionários da fábrica, e as preocupações com risco para a população foram suspensas. ## As vítimas Os três trabalhadores sofreram queimaduras graves e foram levados ao Centro Médico Soroka, em Beersheba, e um técnico de gases da Intel, que chegou em estado crítico, morreu na noite da própria quarta-feira, enquanto um segundo funcionário, de 49 anos, morreu na manhã de quinta-feira, 15 de outubro de 2026. O terceiro ferido, um homem de 26 anos, continuava internado em estado grave na unidade de terapia intensiva, sedado e com respiração mecânica, segundo o Ynetnews. ## Falha no gargalo do tanque De acordo com os bombeiros de Israel, as conclusões preliminares indicam que a explosão foi causada por uma falha técnica no gargalo de um tanque que continha oito toneladas de NF3, e as autoridades descreveram o acidente como muito incomum, sem saber ainda se a falha resultou de desgaste ou se poderia ter sido evitada. ## O novo vazamento Na segunda-feira, funcionários relataram ter recebido ordem de se abrigar dentro do prédio por causa da suspeita de vazamento, e mais tarde os trabalhadores foram retirados da unidade, segundo nova reportagem do Ynetnews publicada no mesmo dia. Em nota, a Intel afirmou que, segundo o Serviço de Bombeiros e Resgate, a causa do vazamento foi o trabalho de correção do vazamento anterior, provocado pela explosão, e que o incidente estava sob controle e a empresa buscava uma forma de resolver o problema para que ele não se repetisse. --- # Caso Nolan Wells: perito que examinou o celular esclarece o que foi apagado e diz que o aparelho não foi desbloqueado - Publicado: 31.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/investigacao-de-celular-no-caso-nolan-wells-perito-esclarece-mensagens-apagadas/ - Fonte original: Mississippi Free Press, https://www.mississippifreepress.org/crumps-expert-who-examined-nolan-wells-phone-clarifies-misinterpreted-claims-about-deleted-messages/, 29.Set.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, extração de dados, celular, Snapchat, Mississippi, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Caso Nolan Wells: perito que examinou o celular esclarece o que foi apagado e diz que o aparelho não foi desbloqueado", 31.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/investigacao-de-celular-no-caso-nolan-wells-perito-esclarece-mensagens-apagadas/ ## O que importa - Andrew Garrett, perito em forense digital contratado pela equipe do advogado Ben Crump, afirmou em 24 de setembro de 2026 que mensagens do Snapchat foram apagadas do celular de Nolan Wells entre o último uso e a entrega aos pais. - Dias depois, numa transmissão ao vivo, o perito esclareceu que as exclusões podem ter sido feitas à distância por quem enviou as mensagens e que o aparelho não foi desbloqueado por ninguém depois do último uso. - A promotora do condado de Jackson, no Mississippi, diz ter recebido só cerca de 300 páginas de resultados selecionados, e não a extração completa do aparelho. O perito em forense digital Andrew Garrett, fundador da Garrett Discovery e contratado pela equipe do advogado de direitos civis Ben Crump, que representa a família de Nolan Wells, voltou a público dias depois de uma entrevista coletiva para esclarecer o que quis dizer com "coisas apagadas" do celular do jovem de 18 anos, segundo reportagem de Amy Schafer e Nick Judin publicada pelo Mississippi Free Press em 29 de setembro de 2026. ## O caso Nolan Wells foi de barco com um grupo grande de amigos até Horn Island, no Mississippi, para comemorar o 4 de julho, e, depois que o barco em que tinha ido começou a fazer água, parte do grupo decidiu voltar ao continente enquanto ele ficou na ilha dizendo que voltaria em outra embarcação, até desaparecer e ter o corpo encontrado na ilha em 6 de julho. Na semana da entrevista coletiva, a promotora do condado de Jackson, Angel McIlrath, anunciou que o grande júri não apresentou denúncia por nenhum crime relacionado à morte, e tanto a necropsia oficial quanto a necropsia independente pedida pela família classificaram a causa e a circunstância da morte como indeterminadas, enquanto o relatório do grande júri tratou o afogamento como um diagnóstico de exclusão, ou seja, a causa provável depois de descartadas as demais. ## O que a perícia do celular apontou Na entrevista coletiva de 24 de setembro de 2026, em Orlando, Garrett disse que os dados mostram que o celular de Nolan ficou no barco o tempo todo e que o último acesso dele ao aparelho foi por volta das 14h18, e afirmou que "coisas foram apagadas do telefone" entre esse último uso e o momento em que os pais receberam o aparelho, especificando, a pedido de um advogado da equipe, que se tratava de mensagens do Snapchat. O perito disse que não pode falar sobre intenção, porque isso não é da área dele, e que o exame levou cerca de 30 horas, bem mais do que as extrações comuns de uma ou duas horas, porque Nolan usava uma versão nova do Snapchat que o programa de extração não suportava, o que obrigou a equipe a decifrar os dados manualmente e remontar as mensagens. Segundo Garrett, havia mais de 1 milhão de artefatos de dados no aparelho, Nolan usava Snapchat e Instagram em 90% das comunicações, e a equipe produziu também um vídeo com o trajeto do aparelho pelo GPS ao longo do dia, sincronizado com as mensagens e ligações. ## O esclarecimento do perito Numa transmissão ao vivo pelo TikTok, publicada no YouTube em 24 de setembro de 2026, Garrett já tinha dito que é preciso cuidado com a palavra "apagado", porque no Snapchat quem participa da conversa pode apagar à distância as mensagens que enviou, e que algumas mensagens foram recolhidas e apagadas do aparelho dessa forma. Em outro trecho da transmissão, publicado no Facebook pela cineasta Ashley Brant em 27 de setembro de 2026, o perito afirmou que o último desbloqueio do aparelho foi feito pelo próprio Nolan, por volta das 14h18 de 4 de julho, e que o celular ficou bloqueado até ser entregue aos pais, às 3h14 de 5 de julho. Garrett disse que não afirmou que alguém desbloqueou o telefone e começou a apagar dados, e que as interações registradas depois do último uso foram de pessoas que acenderam a tela e viram as notificações, sem desbloquear o aparelho, e um representante do escritório dele confirmou ao Mississippi Free Press que as declarações da transmissão estavam corretas. ## A disputa sobre a extração completa A promotora McIlrath, em vídeo publicado antes da entrevista coletiva, disse que o relatório preliminar da extração indicava que o telefone não tinha sido acessado por ninguém além da família e que nada tinha sido apagado desde o último uso de Nolan, e informou que o grande júri analisou um relatório de 282 páginas. Garrett afirmou que todas as 282 mensagens do Snapchat e todos os dados periciais do aparelho foram entregues à promotoria, enquanto McIlrath, em nota divulgada no mesmo dia em resposta à coletiva, disse que a equipe de Crump nunca entregou a extração completa do celular e mandou apenas dois e-mails com cerca de 300 páginas de resultados selecionados. A família e os investigadores do condado chegaram a planejar um exame conjunto do aparelho, que não aconteceu porque a família não aceitou a condição da promotoria de deixar o celular com a polícia, segundo a equipe de Crump, e a advogada Liza Park afirmou que os pais nunca afastaram o aparelho da promotoria de propósito, e, segundo a emissora WLOX, depois da perícia independente a família entregou à promotoria uma cópia preliminar do relatório e, mais tarde, o relatório completo. O relatório do grande júri lembra que no Mississippi não há prescrição para homicídio e recomenda que o caso volte ao grande júri se surgir prova confiável de que a morte não foi acidental, e a promotora pediu à equipe da família que entregue qualquer informação nova que tenha. --- # Deck desaba em festa perto da Indiana University, em Bloomington, e cidade avalia criar regras para decks - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-de-deck-em-festa-perto-da-indiana-university-bloomington/ - Fonte original: Indiana Public Media (WFIU), https://www.ipm.org/news/2026-10-20/deck-collapse-near-iu-injures-five-prompts-talk-of-stricter-safety-standards, 20.Out.2026 (inglês) - Marcadores: deck, colapso estrutural, sobrecarga, Bloomington, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Deck desaba em festa perto da Indiana University, em Bloomington, e cidade avalia criar regras para decks", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-de-deck-em-festa-perto-da-indiana-university-bloomington/ ## O que importa - O deck de uma casa alugada perto do campus da Indiana University, em Bloomington, desabou durante uma festa na noite de 16 de outubro de 2026 e deixou pelo menos cinco feridos. - A maioria dos feridos estava embaixo do deck, que ficava sobre a entrada de um pequeno porão, e a causa ainda não foi apontada. - Bloomington não tem norma municipal específica para decks, nem limite de ocupação ou de peso, e o corpo de bombeiros diz que o caso é oportunidade para avaliar novas exigências de segurança. O deck de uma casa alugada a leste do campus da Indiana University, na N Bryan Ave., em Bloomington, Indiana (Estados Unidos), desabou durante uma festa na noite de sexta-feira, 16 de outubro de 2026, e deixou pelo menos cinco feridos, a maioria deles embaixo da estrutura, que ficava sobre a entrada de um pequeno porão com saída para o quintal, segundo reportagem de Ethan Sandweiss na Indiana Public Media. ## O atendimento O Corpo de Bombeiros de Bloomington (BFD) foi acionado às 22h29, junto com o IU LifeLine e as polícias da universidade e da cidade, e, quando as equipes chegaram, cerca de quatro minutos depois, as pessoas que estavam na festa já tinham tirado a parte principal do deck de cima dos que ficaram presos embaixo. O IU LifeLine fez a triagem e o atendimento no local e levou de ambulância pelo menos cinco feridos para o IU Health Methodist, em Indianápolis, e para o IU Health Bloomington Hospital, segundo Sophie Wolanin, porta-voz do IU Health, e registros das chamadas de emergência indicam que quatro jovens foram levadas de helicóptero para o Methodist em estado estável, com fraturas e outras lesões causadas pelo colapso. O vice-chefe da polícia de Bloomington, Ryan Pedigo, disse que o colapso "não teria sido causado por ato criminoso", e os bombeiros não divulgaram o número total de feridos nem o estado de cada um. ## Quem examina o local O departamento de edificações do condado de Monroe vai vistoriar a barreira de isolamento que os proprietários montaram em volta do local, segundo o advogado do condado, Juston Roddye, depois de o condado ter corrigido a informação anterior de que vistoriaria o próprio deck, cujo piso foi retirado na tarde de terça-feira, 20 de outubro de 2026. O departamento municipal de Habitação e Desenvolvimento de Bairros (HAND) informou que entrou em contato com o administrador do imóvel para avaliar a segurança dos inquilinos, e não para investigar a causa do colapso, e Angela Van Rooy, gerente de operações do departamento, disse ao The Bloomingtonian que um fiscal concluiu que era preciso instalar um guarda-corpo na varanda, no ponto de onde o deck se soltou da casa. Kenny Liford, fiscal de conformidade do HAND, disse que é cedo para especular sobre a causa e contou que o departamento vistoria todas as casas de aluguel da cidade a cada poucos anos, e que essa foi vistoriada, segundo ele, em 2023, quando recebeu licença de cinco anos, que só é dada a imóvel sem nenhuma infração. Naquela vistoria, os proprietários instalaram, a pedido da prefeitura, um guarda-corpo no lado aberto da varanda, e, segundo Liford, os fiscais olham o deck em busca de sinais visíveis de dano e testam a firmeza das escadas e dos guarda-corpos, e a casa da Bryan Ave. passou na última vistoria. A casa pertence à Weybright Management, empresa de Indianápolis que aluga imóveis para centenas de estudantes da Indiana University, da Butler, da Manchester University, da Ball State e da Marian University, e que não respondeu ao pedido de comentário da reportagem. ## Sem regra para decks Em comunicado, o BFD disse que a cidade não tem fiscalização específica para decks e seus limites, inclusive de ocupação ou de peso, e que o caso "é uma oportunidade para avaliar se são necessárias exigências de segurança adicionais". A reportagem lembra que o International Code Council fixa 40lb/ft² (1,92kN/m²) como sobrecarga mínima de projeto para varandas e decks, a mesma da maioria dos ambientes internos de uma casa, de modo que um deck deve ser tão estável quanto qualquer outro piso. Um artigo publicado no Journal of Performance of Constructed Facilities aponta que colapsos de decks e pisos são mais comuns perto de universidades, onde é mais provável haver muita gente pulando ou dançando, mas as autoridades não confirmaram se havia esse tipo de atividade na festa. Esses acidentes também são mais prováveis em decks antigos e sem manutenção recente, e a North American Deck and Railing Association estimava, em 2024, que 30 milhões de decks nos Estados Unidos já tinham passado da vida útil. Não é o primeiro caso em Bloomington: em 2013, segundo o jornal Herald-Times, uma varanda com 15 a 20 pessoas se soltou de um prédio na East 15th Street, e em 2014 um guarda-corpo cedeu durante uma festa numa sacada da East 8th Street e deixou pelo menos quatro feridos. Liford pediu que inquilinos e proprietários avisem o HAND sempre que desconfiarem da segurança de uma estrutura, para que um fiscal vá ao local vistoriar o deck. --- # Polícia canadense diz que choque elétrico que matou homem na Nova Escócia aconteceu durante furto de fios de cobre - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/eletrocussao-furto-de-cobre-oxford-nova-escocia/ - Fonte original: CTV News (agência The Canadian Press), https://www.ctvnews.ca/atlantic/nova-scotia/article/electrocution-that-left-nova-scotia-man-dead-happened-during-copper-wire-theft-rcmp/, 17.Out.2026 (inglês) - Marcadores: choque elétrico, furto de cobre, morte suspeita, Nova Escócia, Canadá - Como citar: NEXO CAUSAL, "Polícia canadense diz que choque elétrico que matou homem na Nova Escócia aconteceu durante furto de fios de cobre", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/eletrocussao-furto-de-cobre-oxford-nova-escocia/ ## O que importa - Um homem de 51 anos, de Amherst, levou um choque elétrico em 29 de julho de 2026 num imóvel comercial em Oxford, na Nova Escócia, e morreu no hospital em 5 de outubro de 2026. - A Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) trata o caso como morte suspeita e diz acreditar que o choque aconteceu durante um furto de fios de cobre. - Os investigadores sabem que outras pessoas estavam com o homem no momento do choque e pedem imagens de câmeras da região. A Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) informou que acredita que o choque elétrico que matou um homem de 51 anos no norte da Nova Escócia aconteceu durante um furto de fios de cobre, segundo reportagem da agência The Canadian Press publicada pela CTV News em 17 de outubro de 2026. ## O que a polícia sabe O comunicado da RCMP de 16 de outubro de 2026 diz que, em 2 de agosto, policiais do distrito do condado de Cumberland e outras equipes de emergência atenderam a um chamado sobre um homem ferido num imóvel comercial no trecho dos números 3000 da Highway 321, em Oxford, e que ele foi levado ao hospital com ferimentos ligados a um choque elétrico ocorrido em 29 de julho. O homem, morador de Amherst, morreu no hospital em 5 de outubro de 2026 em consequência desses ferimentos, e o comunicado registra que o choque não foi um acidente de trabalho. A investigação está com a unidade de crimes graves da RCMP do nordeste da Nova Escócia (Northeast Nova RCMP Major Crime Unit), que trabalha com o serviço médico-legal da província (Nova Scotia Medical Examiner Service) para definir a forma da morte, e os investigadores dizem acreditar que houve crime, embora não vejam risco para a população. ## O intervalo entre o choque e o socorro Uma porta-voz da polícia, Allison Gerrard, disse à The Canadian Press que o alerta sobre o homem ferido foi dado em 2 de agosto por um representante do imóvel comercial e que os policiais tentam esclarecer o que aconteceu entre 29 de julho, data em que se acredita que o choque ocorreu, e 2 de agosto. Por isso a RCMP pede imagens de câmeras de painel de veículos ou de câmeras de segurança da região da Highway 321, em Oxford, gravadas entre essas duas datas, para identificar pessoas ou veículos que estiveram no local. Os investigadores também afirmam saber que outras pessoas estavam com o homem quando ele levou o choque e querem ouvir quem estava presente. ## O que ainda não foi divulgado O comunicado oficial não detalha de onde vinha a energia que causou o choque nem que tipo de instalação foi atingida, e a ligação com o furto de cobre aparece na reportagem da The Canadian Press, atribuída à RCMP, e nenhuma das publicações informa se alguém foi identificado ou acusado. A reportagem da agência foi publicada também pela CP24 e, em francês, pelo Noovo Info, com os mesmos dados sobre as datas, o local e o pedido de imagens. --- # Causa do incêndio Dome Fire, em Yosemite, volta a ficar sob investigação depois de ser atribuída a fogueira abandonada - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-dome-yosemite-causa-fogueira-revista/ - Fonte original: The Fresno Bee (via Yahoo News), https://www.yahoo.com/news/weather-news/articles/dome-fire-yosemite-now-fully-164000990.html, 21.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio florestal, origem e causa, investigação, Yosemite, Califórnia, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Causa do incêndio Dome Fire, em Yosemite, volta a ficar sob investigação depois de ser atribuída a fogueira abandonada", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-dome-yosemite-causa-fogueira-revista/ ## O que importa - O Dome Fire começou em 15 de setembro de 2026 perto da cachoeira Chilnualna Falls, no sul do Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, e queimou 6.788 acres (2.747,01ha). - No fim de setembro, a página oficial do incidente passou a indicar como causa uma fogueira abandonada, depois de o Serviço Nacional de Parques ter pedido informações ao público sobre fogueiras na trilha. - A conclusão foi retirada, e o Serviço Nacional de Parques não comenta a mudança porque a investigação do seu setor de investigações continua aberta. A causa do Dome Fire, incêndio florestal que queimou parte do sul do Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia (Estados Unidos), continua sob investigação, depois de o Serviço Nacional de Parques (National Park Service, NPS) ter publicado numa página oficial do incidente que o fogo foi provocado por uma fogueira abandonada e de as autoridades terem recuado dessa conclusão, segundo reportagem do The Fresno Bee publicada em 21 de outubro de 2026. ## O início do incêndio O fogo foi comunicado na manhã de terça-feira, 15 de setembro de 2026, a cerca de 1/4 de milha (402,34m) ao norte da cachoeira Chilnualna Falls, perto da entrada sul do parque, no condado de Mariposa, e no primeiro comunicado do NPS já ocupava 100 acres (40,47ha) e avançava para o norte e o nordeste. Em dois dias a área queimada quase quadruplicou e passou de 1.177 acres (476,32ha), com o fogo avançando em direção à área de Badger Pass, e o incêndio ocorreu enquanto vigoravam restrições ao uso de fogo, em vigor desde 1º de agosto nas áreas situadas a 8.000ft (2.438,4m) de altitude ou abaixo disso. ## O pedido de informações ao público Antes de qualquer conclusão sobre a causa, o NPS pediu que quem tivesse passado pela trilha de Chilnualna Falls entre 9 e 15 de setembro de 2026 e visto uma fogueira entrasse em contato com o serviço, por telefone, por formulário na internet ou por e-mail, conforme reportagem da emissora ABC30, de Fresno. Na mesma reportagem, Benjamin Cossel, da equipe de gerenciamento do incidente (California Incident Management Team 3), disse que quem descumpre uma ordem de fechamento ou restrição do parque ou da floresta pode ser autuado por um guarda-parque ou por um agente de proteção florestal, e acrescentou que a infração também pode levar à prisão. ## A causa publicada e depois retirada Em 29 de setembro de 2026, o Fresno Bee informou que a página de informações do incidente no InciWeb indicava que o fogo começara às 7h de 15 de setembro e trazia como causa "Human - Abandoned Campfire", ou seja, ação humana por fogueira abandonada, embora a causa não aparecesse em nenhuma das atualizações diárias e não houvesse informação sobre quem teria acendido a fogueira. A rede CBS, em Sacramento, e a ABC30 publicaram a mesma informação naquele dia, e a CBS acrescentou que não havia indicação de que os investigadores tivessem identificado a pessoa que deixou a fogueira acesa. As atualizações do incidente publicadas no site da CAL FIRE, a agência de incêndios da Califórnia, em 28 de setembro e em 5 de outubro de 2026 também registravam como causa uma fogueira, enquanto a página principal do incidente no mesmo site, atualizada em 17 de outubro de 2026, passou a indicar a causa como sob investigação. Segundo o Fresno Bee, as autoridades recuaram da conclusão sobre a fogueira abandonada, e o NPS não quis comentar a mudança, alegando que a investigação do Investigative Services Branch, o setor de investigações do próprio NPS, ainda está aberta. ## Tamanho e perdas O incêndio foi dado como totalmente contido com um perímetro de 6.788 acres (2.747,01ha), de acordo com a CAL FIRE, embora, nos primeiros dias, observadores tenham questionado se o parque não estaria subestimando a área queimada, porque o mapeamento por satélite indicava fogo além do perímetro oficial de 1.977 acres (800,06ha). Dois pilotos de helicóptero da empresa Fly Precision, Greg King e Ryan Cutter, morreram em 20 de setembro de 2026, quando o helicóptero em que faziam lançamentos de água a partir do lago Ostrander caiu no condado de Mariposa, e mais de 1.000 pessoas chegaram a trabalhar no combate, que manteve fechada por mais de duas semanas a Glacier Point Road, estrada muito usada pelos turistas. --- # Fabricante do GrayKey diz manter iPhones apreendidos acessíveis mesmo depois do reinício automático de 72 horas - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/graykey-diz-manter-iphones-apreendidos-acessiveis-apos-reinicio-automatico-de-72-horas/ - Fonte original: MacDailyNews, https://macdailynews.com/2026/10/02/graykey-maker-claims-tools-can-hold-seized-iphones-in-unlockable-state-past-apples-72-hour-reboot/, 02.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, extração de dados, iPhone, GrayKey, preservação de prova, Apple - Como citar: NEXO CAUSAL, "Fabricante do GrayKey diz manter iPhones apreendidos acessíveis mesmo depois do reinício automático de 72 horas", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/graykey-diz-manter-iphones-apreendidos-acessiveis-apos-reinicio-automatico-de-72-horas/ ## O que importa - Um vídeo de treinamento da Magnet Forensics, obtido pelo site 404 Media, apresenta o GrayKey Preserve e o modo Evidence Preservation, que preservariam o estado de um iPhone apreendido mesmo se o aparelho reiniciar. - O reinício por inatividade, criado pela Apple em 2024, devolve o iPhone ao estado mais protegido depois de 72 horas sem desbloqueio, o que dificulta a extração pericial. - O vídeo não explica como a técnica funciona, e não se sabe se ela vale para as versões atuais do iOS. A Magnet Forensics, empresa que fabrica o GrayKey, aparelho usado pela polícia para desbloquear celulares e extrair dados, afirma ter conseguido manter iPhones apreendidos num estado mais acessível à perícia mesmo depois do reinício automático criado pela Apple, segundo um vídeo de treinamento obtido pelo site 404 Media e descrito pelo MacDailyNews em 2 de outubro de 2026. ## O reinício por inatividade A Apple incluiu no iOS 18 o recurso chamado reinício por inatividade (inactivity reboot), reforçado no iOS 18.1, que reinicia sozinho o iPhone que passa 72 horas sem ser desbloqueado e o devolve ao estado chamado Before First Unlock (BFU), anterior ao primeiro desbloqueio. No estado BFU, as chaves que decifram a maior parte dos dados do usuário ficam presas no Secure Enclave, o chip de segurança do aparelho, até que a senha seja digitada de novo, enquanto no estado After First Unlock (AFU), depois do primeiro desbloqueio, parte dos dados fica sem criptografia e pode ser extraída com mais facilidade pelas ferramentas periciais, mesmo com a tela bloqueada. Quando o recurso apareceu, em novembro de 2024, policiais reclamaram porque muitas vezes o celular apreendido não pode ser examinado logo, seja porque se espera autorização judicial, seja porque há fila de aparelhos no laboratório, e a própria Magnet confirmou na época ao site TechCrunch que o prazo era de 72 horas. ## O que o vídeo mostra O vídeo, descrito como um tutorial feito só para agentes da lei e aparentemente de início de 2025, apresenta um aparelho novo, o GrayKey Preserve, e uma função para os GrayKey já existentes, o modo Evidence Preservation, e um funcionário da Magnet diz que os dois "capturam" o estado AFU do iPhone, de modo que ele não se perde se o aparelho reiniciar "por qualquer motivo, manutenção de memória ou falta de energia". Segundo o MacDailyNews, o GrayKey Preserve é descrito como uma unidade de campo sem capacidade própria de quebra de senha ou de extração completa, cuja função é segurar o estado do aparelho até que um GrayKey de laboratório faça a cópia, e o modo Evidence Preservation segue a mesma lógica: obter o acesso inicial, congelar o estado e esperar a autorização para extrair os dados. O vídeo diz ainda que as ferramentas impedem a limpeza programada que apagaria com o tempo dados como localizações em cache, fotos apagadas recentemente e mensagens do iMessage, e que, depois da conexão inicial, cortam a rede celular, o Bluetooth e o Wi-Fi para que o aparelho não possa ser apagado ou atualizado à distância. ## O que não se sabe A gravação não explica o método técnico, e a pesquisadora de segurança Jiska Classen, que em 2024 demonstrou o reinício de 72 horas, levantou ao 404 Media a hipótese de que a Magnet manipule o relógio do iPhone ou desligue os processos que fazem certos dados expirarem, o que continua sendo uma hipótese de fora, não algo mostrado no vídeo. A Apple e a Magnet Forensics não responderam aos pedidos de comentário do 404 Media, e, segundo o 9to5Mac, não está claro há quanto tempo a técnica está disponível para a polícia, se já foi usada em investigações reais nem se continua funcionando nas versões mais recentes do iOS. Na avaliação do MacDailyNews, se a descrição da Magnet estiver correta, o órgão que conectar o Preserve ou ativar o modo Evidence Preservation antes de vencerem as 72 horas pode manter o aparelho no estado AFU enquanto espera a ordem judicial, sem que o celular volte sozinho ao estado mais protegido. --- # Excesso de neve acumulada causou o colapso parcial de garagem em Ottawa, conclui investigação contratada pela dona - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/excesso-de-neve-causou-colapso-parcial-de-garagem-em-ottawa-canada/ - Fonte original: CTV News Ottawa, https://www.ctvnews.ca/ottawa/article/excessive-snow-loading-caused-partial-collapse-of-downtown-ottawa-parking-garage-investigation/, 23.Out.2026 (inglês) - Marcadores: colapso estrutural, sobrecarga de neve, edifício-garagem, Ottawa, Canadá - Como citar: NEXO CAUSAL, "Excesso de neve acumulada causou o colapso parcial de garagem em Ottawa, conclui investigação contratada pela dona", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/excesso-de-neve-causou-colapso-parcial-de-garagem-em-ottawa-canada/ ## O que importa - Parte do último andar de um edifício-garagem no centro de Ottawa, no Canadá, desabou em 26 de fevereiro de 2025, sem feridos, e cerca de 50 veículos ficaram presos por semanas. - Segundo a proprietária, a GWLRA, uma investigação independente concluiu que o peso da neve retirada e amontoada no último andar passou da carga de projeto da estrutura. - Engenheiros e vereadores apontam que Ontário não exige vistoria de edifícios depois de ocupados, e a empresa planeja reconstruir e reabrir a garagem. O colapso parcial de um edifício-garagem no centro de Ottawa, capital do Canadá, no inverno de 2025, foi causado por "carga excessiva de neve", segundo uma investigação independente contratada pela proprietária, a GWLRA (Great West Life Realty Advisors), que divulgou a conclusão em nota publicada pela CTV News em 23 de outubro de 2026. ## O colapso Parte do último andar da garagem, que ocupa a quadra entre a Slater Street e a Laurier Avenue West (endereços 170 Slater e 265 Laurier), desabou em 26 de fevereiro de 2025 e levou placas de concreto, montes de neve e entulho três níveis abaixo, até o chão, e cerca de 50 veículos ficaram presos lá dentro por semanas, segundo a CTV News. Na véspera, às 16h55 de 25 de fevereiro de 2025, um usuário da garagem com conhecimento de construção ligou para o 911 e relatou dano num dos pilares, e os bombeiros de Ottawa confirmaram que as colunas de concreto que sustentavam a cobertura estavam trincadas e quebradas e registraram nas redes sociais uma "carga pesada de neve" no último andar, segundo reportagem de Guy Quenneville na CBC, publicada em março de 2026. Os engenheiros temeram um colapso iminente, a prefeitura mandou esvaziar e isolar o prédio, e às 4h47 de 26 de fevereiro de 2025, 11 horas e 52 minutos depois da ligação, o canto noroeste cedeu e parte da parede superior caiu do lado oeste, num colapso que a prefeitura chamou de colapso em panqueca, sem mortos nem feridos, segundo a CBC. ## O que a investigação concluiu Na nota, a GWLRA diz que a investigação concluiu que o peso da neve acumulada depois de retirada das vagas superou as cargas de projeto da estrutura e que o colapso não teve relação com o projeto, a construção, a manutenção ou os reparos da garagem. Segundo a empresa, a investigação foi feita por uma firma independente "com experiência técnica e de engenharia global", que analisou avaliações anteriores do estado da estrutura, relatórios de inspeção, registros de reparo e dados meteorológicos e fez exames no local, e a nota publicada pela CTV não diz qual é a firma. Depois do colapso, o departamento de serviços do código de obras da prefeitura fez uma avaliação de segurança, notou a "concentração significativa" de neve e apontou como provável fator contribuinte a "sobrecarga localizada", que a prefeitura definiu à CBC como peso concentrado de forma desigual numa parte específica da estrutura. ## Neve, projeto e norma Fevereiro de 2025 foi um mês de muita neve em Ottawa, com pouco mais de 109cm, quase o dobro da média de 56cm dos cinco fevereiros anteriores, segundo dados da Environment Canada citados pela CBC, que registra ainda mais de 30cm de neve em 16 de fevereiro de 2025, dez dias antes do colapso, e 2,1mm de chuva em 25 de fevereiro, o dia em que as trincas foram descobertas. O engenheiro estrutural Chris Roney, de Kingston, disse à CBC que, pela experiência dele com garagens e investigação de falhas, é raro que uma garagem seja projetada para receber neve amontoada daquele jeito, e que um anexo das normas citadas pelo código de obras de Ontário desaconselha o empilhamento de neve, mas não o proíbe. Roney explicou também que, a partir de 1988, essas normas passaram a exigir materiais mais resistentes à deterioração causada pelo sal de degelo e por outros produtos trazidos pelos veículos e pela neve, e, segundo a prefeitura, a licença de obra da garagem foi emitida em setembro de 1987 e a construção foi feita em 1989, e a GWLRA comprou o prédio em 2003. A retirada da neve com a garagem em funcionamento era responsabilidade da GWLRA, segundo a prefeitura, e a empresa diz que contrata a remoção regularmente, enquanto o departamento municipal de fiscalização informou que não recebeu nenhuma reclamação sobre acúmulo de neve na garagem antes do colapso. ## Vistoria depois de ocupado A GWLRA afirma que a garagem era inspecionada todo ano por engenheiros qualificados e que as recomendações eram atendidas logo depois de cada inspeção, mas não disse à CBC quais problemas essas inspeções encontraram, e Roney lembrou que o código de obras de Ontário não exige vistoria depois que o prédio é ocupado e que a província não tem padrão mínimo de manutenção. Segundo Roney, há anos se cobra do governo de Ontário que feche essa lacuna, principalmente depois de 2012, quando a cobertura de uma garagem desabou em Elliot Lake, em Ontário, e matou duas pessoas, enquanto a prefeitura de Ottawa diz que só vistoria prédios quando há preocupação concreta com segurança, reclamação ou pedido de serviço. A vereadora Ariel Troster, que representa a região, disse à CBC em março de 2026 que a falta de respostas completas sobre a causa era "incrivelmente frustrante" e que não tinha muita confiança na reabertura daquela estrutura. ## Reconstrução A GWLRA anunciou que vai reconstruir partes da garagem do endereço 265 Laurier, com reforços na estrutura, e diz que o prédio inteiro passou por avaliação completa de firmas de engenharia independentes e que vai obter as licenças de ocupação e as aprovações da prefeitura antes de reabrir. --- # Justiça do País Basco reabre investigação da morte de menino eletrocutado em torre de alta tensão em Usurbil - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/justica-reabre-caso-de-menino-morto-em-torre-de-alta-tensao-em-usurbil/ - Fonte original: ORAIN, https://orain.eus/es/actualidad/sociedad/2026/10/22/ordenan-reabrir-la-causa-la-muerte-del-menor-electrocutado-en-una-torre-alta-tension-en-usurbil/, 22.Out.2026 (espanhol) - Marcadores: torre de alta tensão, choque elétrico, homicídio culposo, País Basco, Espanha - Como citar: NEXO CAUSAL, "Justiça do País Basco reabre investigação da morte de menino eletrocutado em torre de alta tensão em Usurbil", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/justica-reabre-caso-de-menino-morto-em-torre-de-alta-tensao-em-usurbil/ ## O que importa - A Audiencia Provincial de Gipuzkoa revogou o arquivamento do caso de um menino de 11 anos que morreu depois de subir numa torre de alta tensão em Usurbil, em março de 2025. - Para o tribunal, há indícios de homicídio culposo e de lesões culposas atribuíveis à empresa dona da torre e à responsável pela manutenção, porque a escada era acessível e faltavam proteções antiescalada e sinalização adequada. - Os administradores das duas empresas serão ouvidos como investigados, e o tribunal quer saber se as proteções instaladas depois do acidente deveriam existir antes. A Audiencia Provincial de Gipuzkoa, tribunal da província basca de Gipuzkoa, na Espanha, mandou reabrir a investigação sobre a morte de um menino de 11 anos que levou uma descarga elétrica ao subir numa torre de alta tensão em Usurbil, em março de 2025, ao revogar o arquivamento provisório decidido pelo juízo de instrução, e considerou haver indícios de homicídio culposo e de lesões culposas por parte da empresa dona da torre e da empresa encarregada da manutenção, segundo reportagem do site de notícias basco ORAIN publicada em 22 de outubro de 2026. ## O acidente Por volta das 18h10 de sábado, 8 de março de 2025, três menores que estavam numa celebração familiar num restaurante da área de Errota Berri, em Usurbil, saíram do local e dois deles subiram na torre, testemunhas contaram ter ouvido uma espécie de explosão e a energia caiu no polígono industrial vizinho, segundo as reportagens do ORAIN publicadas na época. Os feridos, primos de 11 e de 15 anos, foram levados ao Hospital Donostia, e o menino foi transferido em estado grave para a unidade de grandes queimados do Hospital de Cruces, onde morreu no sábado seguinte, 15 de março de 2025, enquanto a menina teve alta no mesmo dia do acidente. Depois do acidente, a Iberdrola, responsável pelo fornecimento de energia, informou que desligou as linhas para o resgate e afirmou que a torre e o terreno eram de um particular, a quem caberia garantir a segurança e delimitar o acesso, e a empresa não está entre as partes a quem se atribui responsabilidade nesta fase do processo, segundo o El Diario Vasco, citado pelo Telecinco. ## O que o tribunal quer apurar Um relatório técnico do Departamento de Indústria do governo basco apontou deficiências de segurança na instalação, porque o alçapão que deveria impedir o acesso à escada não era eficaz, faltavam elementos antiescalada e a sinalização de perigo elétrico não era adequada, e o mesmo departamento indicou dúvidas sobre o cumprimento das revisões periódicas exigidas para esse tipo de instalação. Segundo o Telecinco, a questão central da nova fase é a acessibilidade da torre, cuja escada vertical começava a apenas 66cm do chão, e embora houvesse uma proteção metálica e um alçapão para dificultar a subida, os documentos técnicos indicam que esses elementos não impediam o acesso de forma efetiva. O tribunal destacou que a torre ficava junto de uma calçada e de uma área de pedestres urbanizada em 2024, e por isso deveria ser tratada como instalação frequentada, com as proteções correspondentes, e observou que ela não tinha medidas presentes em outras torres do entorno, como chapas metálicas que dificultam a escalada e cerca no perímetro. Para os magistrados, há indícios de que a falta dessas medidas pode ter contribuído para o acidente, e a decisão registra que, depois do caso, foram instaladas barreiras antiescalada, o acesso à escada foi modificado e se colocou uma cerca externa, e o tribunal quer saber se essas obras deveriam ter sido feitas antes. ## Os próximos passos A decisão não é uma condenação, mas manda continuar a apuração, com o depoimento como investigados dos dois administradores da empresa dona da torre, a Tremefil-Izaguirre, e do procurador e diretor técnico da empresa de manutenção, a Electrónica del Urumea. O tribunal também pediu esclarecimentos ao Departamento de Indústria do governo basco e à prefeitura de Usurbil sobre as inspeções, as medidas de segurança e as obras feitas na área, e encomendou uma avaliação médico-legal das lesões dos dois menores que sobreviveram. --- # Vereador pede investigação independente da explosão de ônibus a gás natural que matou três passageiros em Calgary - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-onibus-gas-natural-calgary-pedido-de-investigacao-independente/ - Fonte original: CBC News, https://www.cbc.ca/news/canada/calgary/calgary-fatal-bus-explosion-raj-dhaliwal-saddle-ridge-9.7392456, 22.Out.2026 (inglês) - Marcadores: explosão, gás natural veicular, transporte público, investigação de acidente, Canadá - Como citar: NEXO CAUSAL, "Vereador pede investigação independente da explosão de ônibus a gás natural que matou três passageiros em Calgary", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-onibus-gas-natural-calgary-pedido-de-investigacao-independente/ ## O que importa - Em 15 de outubro de 2026, um ônibus municipal de Calgary (Canadá) bateu em outros veículos e na traseira de um segundo ônibus, movido a gás natural comprimido, cujos tanques pegaram fogo antes de uma explosão que matou três passageiros. - Os bombeiros e a polícia investigam a causa do fogo com apoio do Transport Canada, e o vereador da região quer uma apuração externa, com análise de causa raiz que inclua o projeto do cruzamento. - Especialistas ouvidos pela CBC dizem que os tanques passam por ensaio de fogo e têm válvulas de alívio, e um deles levanta a hipótese de rompimento da linha de combustível na colisão. O vereador Raj Dhaliwal, que representa o bairro de Saddle Ridge, no nordeste de Calgary (Canadá), pediu uma investigação independente da colisão seguida de explosão de um ônibus municipal movido a gás natural comprimido (GNC) que matou três passageiros e deixou 16 feridos em 15 de outubro de 2026, segundo reportagem de Kelsea Arnett publicada pela CBC News uma semana depois. ## A sequência de colisões Pouco depois das 13h daquela quinta-feira, um ônibus da Calgary Transit que seguia para o norte pela Saddletowne Circle, em direção à 80th Avenue, bateu numa caminhonete que andava no mesmo sentido, e a caminhonete invadiu a faixa ao lado, raspou num utilitário esportivo e atingiu a traseira de um caminhão-baú, segundo a reconstituição apresentada pela polícia no dia seguinte. O ônibus seguiu em frente, bateu na traseira de um sedã e o empurrou pelo cruzamento até um caminhão, e depois atingiu a traseira de um segundo ônibus, que ainda avançou e bateu em outro sedã, e foi nessa colisão entre os dois ônibus que os tanques de gás natural do segundo veículo pegaram fogo, num incêndio que, segundo a polícia, se intensificou em segundos até uma explosão dentro do ônibus. Os três mortos eram passageiros do segundo ônibus, o motorista do primeiro sofreu ferimentos graves e o do segundo conseguiu sair do veículo, e a polícia afirmou que ainda era cedo para dizer se álcool ou drogas, velocidade ou distração contribuíram para a colisão, fatores que continuam sob investigação. ## Quem investiga O Corpo de Bombeiros e a polícia de Calgary disseram à CBC que a investigação da causa do fogo está no início e que o Transport Canada, ministério federal dos transportes, também ajuda, e o porta-voz dos bombeiros Alex Kwan afirmou que os investigadores tentam determinar como o fogo se espalhou e o que pode tê-lo provocado, sem prazo para concluir. Dhaliwal chamou o caso de "acidente bizarro" e disse querer uma investigação feita fora das apurações dos bombeiros e da polícia, por uma ou duas pessoas, desde que seja externa e sem vieses nas recomendações finais, numa revisão ampla como a feita depois das duas rupturas da adutora Bearspaw, que leve em conta fatores próprios do transporte coletivo e o projeto do cruzamento onde ocorreu a colisão. O vereador disse que o objetivo é dar segurança aos usuários do transporte de que o caso foi analisado até o fim, com análise de causa raiz, e que qualquer recomendação será aplicada. ## O que dizem os especialistas sobre o GNC Os ônibus a GNC são cerca de 30% da frota da Calgary Transit, e Gordon McTaggart-Cowen, professor da Escola de Engenharia de Energia Sustentável da Simon Fraser University, disse que, pelos regulamentos e normas de projeto, o que aconteceu não deveria ter acontecido, porque os tanques passam por ensaios de fogo (bonfire tests) que verificam se resistem às chamas ou se liberam o gás rápido o bastante para não romper. Segundo o professor, os motores a GNC precisam de vela de ignição, ao contrário do diesel, o gás natural é relativamente difícil de queimar e exige temperatura alta ou faísca de tamanho razoável, os sistemas têm válvulas de alívio de pressão que liberam o gás automaticamente em caso de fogo e os tanques são projetados para resistir a cerca de 20 minutos de incêndio. McTaggart-Cowen não quis especular sobre a causa, mas disse que a colisão entre os dois ônibus pode ter rompido a linha de combustível de GNC, o que poderia ter levado ao incêndio. Josipa Petrunic, diretora-executiva do Canadian Urban Transit Research and Innovation Consortium, contou que há perto de 1.000 ônibus a GNC rodando no Canadá, que os tanques, mantidos sob alta pressão, são a parte "mais pesada e mais robusta" do veículo e que os ônibus passam por protocolos de ensaio como o de Altoona, num laboratório na Pensilvânia, que avalia falhas mecânicas e elétricas e vazamento de combustível. A Calgary Transit informou que trabalha com os investigadores e vai avaliar sua operação com GNC para saber se são necessárias mais medidas de segurança, e Petrunic disse esperar que, se houver uma lacuna, o caso resulte em normas mais seguras. --- # Juíza da Flórida é suspensa por usar em campanha gravação falsa, feita com IA, de ministros da Suprema Corte - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/juiza-da-florida-suspensa-por-usar-gravacao-falsa-feita-com-ia-de-ministros-da-suprema-corte/ - Fonte original: Bloomberg Law, https://news.bloomberglaw.com/litigation/florida-judge-suspended-over-deepfake-call-mimicking-justices, 09.Out.2026 (inglês) - Marcadores: deepfake, áudio falso, inteligência artificial, ética judicial, Flórida, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Juíza da Flórida é suspensa por usar em campanha gravação falsa, feita com IA, de ministros da Suprema Corte", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/juiza-da-florida-suspensa-por-usar-gravacao-falsa-feita-com-ia-de-ministros-da-suprema-corte/ ## O que importa - A Suprema Corte da Flórida suspendeu por 30 dias e multou em US$ 10.000 a juíza Lauren Nichole Peffer, do condado de Broward, em decisão de 9 de outubro de 2026. - Em 2024, durante a campanha, ela enviou a um jornal o link de uma gravação de telefonema entre ministros da corte e um juiz-presidente de circuito que se revelou um deepfake. - A corte concluiu que a juíza não verificou a autenticidade da gravação nem do livro em que se apoiou, e que a conduta abalou a confiança do público no Judiciário. A Suprema Corte da Flórida suspendeu por 30 dias e multou em US$ 10.000 a juíza Lauren Nichole Peffer, do condado de Broward, por ter usado na campanha eleitoral uma gravação de telefonema falsa, gerada por inteligência artificial, que simulava uma conversa privada entre ministros da própria corte, segundo reportagem de Alex Ebert publicada pela Bloomberg Law em 9 de outubro de 2026, dia da decisão. ## Como a gravação entrou na campanha Em 2024, numa entrevista ao conselho editorial do jornal South Florida Sun Sentinel, em busca do apoio do jornal, Peffer afirmou que "revelações recentes" do Nono Circuito Judicial da Flórida, que abrange os condados de Orange e Osceola, tinham evidenciado uma crise de imagem no Judiciário do estado, e, quando o jornal pediu provas, ela citou um livro de um ex-funcionário do circuito que acusava juízes de corrupção, livro que ela não tinha lido. Em seguida, a então candidata mandou ao jornal o link do site do autor do livro, onde estava a gravação de um suposto telefonema entre o presidente da Suprema Corte, Carlos Muñiz, a ministra Renatha Francis e a juíza-presidente do Nono Circuito, Lisa Munyon, segundo a acusação formal apresentada por um painel de investigação da comissão de conduta judicial do estado (Judicial Qualifications Commission) em maio de 2025 e noticiada pela News Service of Florida. ## O que disse a acusação sobre o áudio A acusação afirmou que a gravação era fabricada, provavelmente com manipulação por computador ou IA generativa, e que, embora as vozes lembrassem as dos supostos participantes, o jeito de falar, o tom e boa parte do conteúdo eram "objetivamente irreais". O documento acusou a juíza de não ter tomado a cautela de verificar se a gravação era fabricada antes de usá-la em público para ajudar a campanha, e registrou que ela admitiu ter ouvido apenas parte do áudio e o divulgado mesmo diante de "clara evidência de sua inautenticidade". ## A decisão Na decisão de 9 de outubro de 2026, sem autoria declarada, a Suprema Corte da Flórida concluiu que o uso do livro e do telefonema falso violou as regras de ética que obrigam o juiz a manter a dignidade própria do cargo, e afirmou que a juíza não tinha base para sugerir desconfiança em relação aos juízes do Nono Circuito e não verificou a exatidão do livro nem da gravação em que se apoiou. "Intencional ou não, a conduta dela abalou a confiança do público na integridade do Judiciário, ao promover acusações falsas contra o Judiciário do Nono Circuito e envolver ministros em exercício da Suprema Corte da Flórida", diz a decisão. Os ministros Carlos G. Muñiz e Renatha S. Francis, que tiveram as vozes imitadas no telefonema, se declararam impedidos de julgar, e o ministro Adam Tanenbaum concordou com a punição, mas divergiu da parte que manda a juíza pagar as custas administrativas do processo. O advogado da juíza, Scott K. Tozian, disse por e-mail que Peffer está satisfeita por deixar o caso para trás e dedicar todo o seu tempo à população do condado de Broward, e os advogados que representam a comissão não responderam de imediato aos pedidos de comentário da Bloomberg Law. O processo é o Inquiry Concerning a Judge JQC No. 2025-001, que tramitou na Suprema Corte da Flórida sob o número SC2025-0647, e o caso também foi noticiado pelo ABA Journal, da Ordem dos Advogados dos Estados Unidos, em 12 de outubro de 2026. --- # Revestimento cerâmico se solta de escada do Congresso do Paraguai e destrói refeitório, e perícia vai apurar a causa - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/desprendimento-de-revestimento-no-congresso-do-paraguai-pericia/ - Fonte original: La Tribuna, https://www.latribuna.com.py/nacionales/locales/2026/10/23/inician-peritaje-por-derrumbe-en-el-quincho-del-congreso/, 23.Out.2026 (espanhol) - Marcadores: revestimento cerâmico, desplacamento, perícia, Congresso, Paraguai - Como citar: NEXO CAUSAL, "Revestimento cerâmico se solta de escada do Congresso do Paraguai e destrói refeitório, e perícia vai apurar a causa", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/desprendimento-de-revestimento-no-congresso-do-paraguai-pericia/ ## O que importa - O revestimento cerâmico de uma escada externa do bloco da Câmara dos Deputados, no Congresso do Paraguai, desprendeu-se em 22 de outubro de 2026 e destruiu o refeitório no térreo, sem deixar feridos. - Um informe preliminar atribui o desprendimento à perda progressiva de aderência das peças, por desgaste, exposição ao tempo e variações de temperatura. - A perícia, prevista para cerca de dez dias, vai apurar a causa, sem descartar rajadas de vento de até 65km/h, e calcular o dano para acionar o seguro. O Congresso Nacional do Paraguai fechou de forma preventiva a área do quincho-refeitório do setor da Câmara dos Deputados e abriu uma auditoria técnica depois que o revestimento cerâmico de uma escada externa do bloco se desprendeu e destruiu as instalações do térreo, segundo reportagens do jornal paraguaio La Tribuna publicadas em 22 e 23 de outubro de 2026. ## O que se soltou O desplacamento ocorreu na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, no revestimento cerâmico da estrutura da escada de emergência do bloco dos Deputados, e um comunicado da Câmara de Senadores informou que houve apenas danos materiais, sem feridos, o que o jornal atribui ao fato de o episódio ter ocorrido depois das 13h. Um informe preliminar da Dirección de Recursos Físicos, a diretoria que cuida da infraestrutura do Congresso, atribui o desprendimento a uma perda progressiva de aderência das cerâmicas, provocada pelo desgaste natural dos materiais, pela exposição ambiental e pelas variações de temperatura. ## A perícia A perícia, que deve durar cerca de dez dias, quer determinar as causas exatas do desprendimento, sem descartar a influência de rajadas de vento de até 65km/h, e quantificar os danos materiais para acionar a apólice de seguro contratada pela instituição. No primeiro anúncio, as autoridades informaram que a auditoria técnica teria peritos da própria instituição e profissionais externos, para verificar a resistência dos suportes e definir as causas do que chamaram de desabamento parcial, e que os relatórios finais e as medidas corretivas seriam divulgados ao fim das revisões. O diretor de Recursos Físicos do Congresso, o engenheiro Sebastián Romero, disse que o setor atingido já fazia parte de um plano de melhorias de infraestrutura recomendado pela Facultad de Ingeniería e que as perícias vão indicar que intervenção fazer e quanto ela vai custar. Segundo Romero, o revestimento tinha função apenas estética e decorativa, e por isso a reforma pode acabar por eliminá-lo por completo. ## Área fechada e seguro A área continua isolada e sem uso para funcionários e parlamentares até o fim das inspeções técnicas de segurança, e a estrutura do quincho-refeitório, construída em 2024 com investimento superior a 200 milhões de guaranis, depende do laudo pericial para que a cobertura seja cobrada da seguradora. O plano de contingência do Legislativo lembra ainda que a instituição já vinha fazendo adequações recomendadas por especialistas em instalações elétricas, cabeamento estruturado e manutenção de elevadores. --- # Agência americana pede que consumidores parem de usar lavadoras de alta pressão PowRyte por falta de proteção contra choque - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/cpsc-alerta-lavadoras-de-alta-pressao-powryte-sem-protecao-contra-choque/ - Fonte original: U.S. Consumer Product Safety Commission (CPSC), https://www.cpsc.gov/Warnings/2027/CPSC-Warns-Consumers-to-Stop-Using-PowRyte-Pressure-Washers-Immediately-Due-to-Serious-Shock-and-Electrocution-Hazards-Risk-of-Serious-Injury-or-Death, 22.Out.2026 (inglês) - Marcadores: choque elétrico, segurança de produto, recall, GFCI, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Agência americana pede que consumidores parem de usar lavadoras de alta pressão PowRyte por falta de proteção contra choque", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/cpsc-alerta-lavadoras-de-alta-pressao-powryte-sem-protecao-contra-choque/ ## O que importa - A Consumer Product Safety Commission (CPSC) publicou em 22 de outubro de 2026 um alerta para que os donos de lavadoras de alta pressão PowRyte parem de usá-las imediatamente. - Segundo a agência, os aparelhos não têm o interruptor de circuito por falha à terra (GFCI) no plugue ou perto dele, o que traz risco de morte ou ferimento grave por choque elétrico. - O fabricante, da China, não respondeu aos pedidos de recolhimento, e a CPSC orienta inutilizar o aparelho cortando o cabo de alimentação. A Consumer Product Safety Commission (CPSC), agência federal dos Estados Unidos responsável pela segurança de produtos de consumo, publicou em 22 de outubro de 2026 o alerta de segurança número 27-036, em que pede aos donos de lavadoras de alta pressão da marca PowRyte que parem de usá-las imediatamente por risco de choque elétrico e morte. ## O defeito apontado Segundo a CPSC, as lavadoras não têm um dispositivo de proteção contra imersão integrado no plugue ou perto dele, conhecido como interruptor de circuito por falha à terra (Ground-Fault Circuit-Interrupter, GFCI), e essa falta expõe o usuário a risco de morte ou de ferimento grave por choque elétrico. A reportagem da FOX 5 DC sobre o alerta explica que esse dispositivo compara a corrente que circula no circuito e, ao detectar uma diferença mesmo pequena, corta a energia antes que a pessoa receba uma descarga letal, e lembra que ele teve papel importante na redução das mortes por choque. A agência registrou um incidente, relativo a uma unidade sem o GFCI, e não informa feridos. ## O produto e a falta de recolhimento As lavadoras são verdes com preto e vêm com mangueira, vários bicos de engate rápido e um aplicador de espuma, foram fabricadas na China e vendidas pela internet na Amazon.com e no eBay.com por valores entre US$ 92 e US$ 320. A CPSC informa que a fabricante, a Powell Works, Inc., da China, não respondeu aos pedidos de recolhimento (recall), e por isso a agência publicou o alerta em vez de um recall. A orientação é desligar o aparelho da tomada, cortar o cabo de alimentação e descartá-lo, e a agência pede que ninguém venda nem doe as unidades. ## Outros alertas do mesmo tipo em 2026 O alerta da PowRyte repete o defeito de outros avisos publicados pela CPSC no mesmo ano: em 2 de abril de 2026 a agência pediu que os consumidores parassem de usar as lavadoras SEN-QII e Vlaseo, também sem GFCI e, segundo a CPSC, fora da norma voluntária aplicável ao produto. Em 24 de setembro de 2026 foi a vez das lavadoras FOTING, que, além de não terem GFCI, vinham com cabo de alimentação curto demais, com um relato de unidade sem o dispositivo e seis relatos de cabo curto, sem feridos registrados. Em 13 de agosto de 2026 a própria importadora SUGIFT, de Albany, Nova York, anunciou com a CPSC o recolhimento de 13 lavadoras vendidas na Best Buy, sem GFCI integrado e com cabo curto, e a agência observa que o cabo curto pode levar o usuário a usar extensão, o que agrava o risco de choque. Nos alertas da PowRyte, da SEN-QII, da Vlaseo e da FOTING, a orientação da CPSC é a mesma: inutilizar o aparelho cortando o cabo e não repassá-lo a ninguém. --- # Laboratório de criminalística dos Carabineros faz perícia em planta de algas destruída por incêndio no sul do Chile - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-planta-gelymar-calbuco-chile-labocar-pericia/ - Fonte original: BioBioChile, https://www.biobiochile.cl/noticias/nacional/region-de-los-lagos/2026/10/25/incendio-en-planta-salmonera-en-puerto-montt-alertan-por-quimicos-y-petroleo-en-bodegas.shtml, 25.Out.2026 (espanhol) - Marcadores: incêndio industrial, produtos perigosos, perícia de incêndio, Labocar, Chile - Como citar: NEXO CAUSAL, "Laboratório de criminalística dos Carabineros faz perícia em planta de algas destruída por incêndio no sul do Chile", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-planta-gelymar-calbuco-chile-labocar-pericia/ ## O que importa - O incêndio atingiu na tarde de 25 de outubro de 2026 os armazéns da Gelymar, processadora de algas na divisa entre Puerto Montt e Calbuco, onde havia plásticos, líquidos, produtos químicos e combustível. - Cerca de 180 bombeiros trabalharam no combate, a Ruta 5 Sur foi interditada e as cerca de 35 pessoas que estavam na planta saíram sem ferimentos. - Por ordem da promotoria de Calbuco, o Labocar dos Carabineros assumiu a perícia, que o chefe do laboratório descreveu como de alta complexidade pelo grau de destruição e pela possível presença de materiais perigosos. O Laboratório de Criminalística dos Carabineros (Labocar), a polícia nacional do Chile, assumiu por ordem da promotoria local de Calbuco a perícia do incêndio que destruiu armazéns da Gelymar, empresa que processa algas, na tarde de domingo, 25 de outubro de 2026, numa planta à beira da Ruta 5 Sur, na divisa entre Puerto Montt e Calbuco, na região de Los Lagos. ## O incêndio A planta fica no quilômetro 25 da estrada para Pargua, no setor de Puente Gómez, e o fogo atingiu armazéns onde havia material plástico, líquidos, produtos químicos e combustível, segundo informaram as autoridades à BioBioChile. Funcionários da empresa disseram que o fogo teria começado num armazém onde eram guardados tintas e plásticos, segundo relato do SoyChile reproduzido pelo Diario de Puerto Montt, e as chamas ameaçavam outras instalações com álcool e produtos químicos inflamáveis. Vídeos gravados por motoristas e moradores mostraram uma coluna de fumaça preta visível a quilômetros de distância e estrondos dentro da planta, e, segundo relatos das equipes de emergência reunidos pelo site En Cancha, o contato do fogo com tanques de combustível e com solventes como o álcool isopropílico provocou uma sequência de deflagrações. ## O combate O comandante do Corpo de Bombeiros de Puerto Montt, Roberto Angulo, disse que o combate reuniu 26 viaturas e cerca de 180 bombeiros de Puerto Montt, Calbuco e Maullín, com caminhões-pipa e a unidade de materiais perigosos, e que no início o fogo estava em fase de queima livre, com propagação iminente para outros armazéns. Um rio que passa junto à planta evitou falta de água para as bombas, e os bombeiros montaram um comboio de caminhões-pipa para abastecer os reservatórios de ataque, o que permitiu circunscrever o fogo, que, pela avaliação preliminar, atingiu quatro ou cinco armazéns do complexo. O prefeito de Calbuco tratou o caso como uma emergência química e informou que os bombeiros passaram da estratégia de ataque para a defensiva em relação aos tanques de combustível e de armazenamento, enquanto a Ruta 5 Sur ficou interditada perto do acesso a Calbuco e só foi totalmente liberada na manhã de segunda-feira, 26 de outubro de 2026. O diretor regional do Senapred, o serviço nacional de prevenção e resposta a desastres, Mitzio Riquelme, informou que foi acionada a unidade de planejamento para materiais perigosos e que, pela baixa densidade populacional da área e pela coluna de fumaça alta e bem ventilada, não havia risco para a população naquele momento, embora nada pudesse ser descartado. Segundo Jorge Rivero, subgerente de pessoas da Gelymar, cerca de 35 pessoas estavam na planta quando o fogo começou e todas saíram sem ferimentos, e a empresa, que trabalha com carragena, suspendeu as atividades e disse que a causa ainda era desconhecida. ## A perícia O tenente Manuel Angulo, chefe do Labocar, disse que a equipe trabalha num "cenário de alta complexidade, pelo nível de destruição da estrutura e pela possível presença de materiais perigosos", fatores que exigem medidas extremas de segurança e procedimentos especializados para a perícia, segundo a Radio Sago. A prefeitura de Calbuco também acionou o seu departamento de meio ambiente para avaliar possíveis impactos ecológicos da fumaça, e a remoção de escombros e o resfriamento da área deviam continuar até a extinção total do fogo e a apuração da origem das chamas. --- # OSHA autua empreiteira por violação dolosa após soterramento fatal em vala sem escoramento na Pensilvânia - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/osha-autua-empreiteira-apos-soterramento-fatal-em-vala-na-pensilvania/ - Fonte original: OSHA, Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, https://www.osha.gov/news/newsreleases/philadelphia/20261007, 07.Out.2026 (inglês) - Marcadores: escavação, soterramento, OSHA, Pensilvânia, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "OSHA autua empreiteira por violação dolosa após soterramento fatal em vala sem escoramento na Pensilvânia", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/osha-autua-empreiteira-apos-soterramento-fatal-em-vala-na-pensilvania/ ## O que importa - Um trabalhador de 20 anos morreu em 2 de abril de 2026 quando a parede de uma vala de 12ft (3,66m) de profundidade desabou numa obra de galeria de águas pluviais em Hamilton Township, na Pensilvânia. - A OSHA, agência federal de segurança do trabalho dos Estados Unidos, concluiu que a vala não tinha proteção adequada contra desmoronamento e autuou a J.D. Wagoner Excavating por uma violação dolosa, duas reincidentes e três graves. - As multas propostas somam US$ 254.884, e a empresa tem 15 dias úteis para pedir reunião informal ou contestar a autuação. A Occupational Safety and Health Administration (OSHA), agência do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos responsável pela segurança do trabalho, autuou o empreiteiro Jonas David Wagoner, que opera como J.D. Wagoner Excavating, de Chambersburg, na Pensilvânia, por violações dolosas e graves depois da morte de um trabalhador jovem soterrado numa vala, segundo comunicado da agência divulgado em 7 de outubro de 2026. ## O desmoronamento A OSHA abriu a fiscalização em 2 de abril de 2026 e concluiu que os trabalhadores instalavam uma galeria de águas pluviais a 12ft (3,66m) abaixo do nível do terreno, numa vala que não tinha proteção adequada contra o desmoronamento do solo, e quando parte da parede cedeu, a terra sem contenção soterrou um deles. O trabalhador era Dalen Martin, de 20 anos, morador de Smithsburg, em Maryland, que segundo as autoridades citadas pela rádio WFMD ficou preso na vala, com cerca de 50ft (15,24m) de comprimento e 6ft (1,83m) de largura, numa obra em Hamilton Township, no condado de Franklin, por volta das 14h, e foi declarado morto no local, apesar de um resgate que mobilizou dezenas de socorristas e equipamento pesado. A polícia estadual da Pensilvânia classificou a morte como acidental e encerrou a investigação policial, ainda segundo a WFMD, e a apuração das responsabilidades pela segurança da obra ficou com a OSHA. ## As infrações A agência registrou uma violação dolosa (willful) por não proteger os trabalhadores contra desmoronamentos, classificação que, como explica o site MyChesCo, indica que a OSHA entende que o empregador desrespeitou conscientemente uma exigência legal de segurança ou agiu com indiferença em relação à segurança dos trabalhadores. Vieram também duas violações reincidentes, por não designar uma pessoa competente para inspecionar a vala todos os dias e por não retirar os empregados de condições perigosas, e três violações graves, por não dar treinamento em prevenção de riscos da construção, não garantir uma saída segura da escavação, não manter os materiais a pelo menos 2ft (0,61m) da borda e não conter os materiais laterais que podiam rolar para dentro da vala. As multas propostas somam US$ 254.884, e o empregador tem 15 dias úteis, contados do recebimento das autuações, para pedir uma reunião informal com o diretor regional da OSHA ou contestar as conclusões na Occupational Safety and Health Review Commission, comissão independente que julga esses recursos. O comunicado não detalha as autuações anteriores que levaram à classificação de reincidência, e a própria agência ressalva que as informações podem mudar até a decisão final, inclusive nos valores e nas classificações das infrações. ## O que diz a norma O MyChesCo lembra que as normas federais de escavação exigem que o empregador avalie as condições da vala e adote medidas de proteção adequadas para evitar que os trabalhadores sejam soterrados pelo solo que desmorona, e a OSHA encerra o comunicado indicando aos empregadores o material da agência sobre segurança em valas e escavações. --- # Julgamento de ex-presidente da Câmara de Michigan é adiado por disputa sobre a perita contábil da acusação - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/julgamento-de-ex-presidente-da-camara-de-michigan-e-adiado-por-disputa-sobre-perita-contabil/ - Fonte original: Bridge Michigan, https://bridgemi.com/michigan-government/lee-chatfield-trial-delayed-again-this-time-over-disputed-expert-witness/, 21.Set.2026 (inglês) - Marcadores: prova pericial, perícia contábil, admissibilidade, Michigan, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Julgamento de ex-presidente da Câmara de Michigan é adiado por disputa sobre a perita contábil da acusação", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/julgamento-de-ex-presidente-da-camara-de-michigan-e-adiado-por-disputa-sobre-perita-contabil/ ## O que importa - A juíza Morgan Cole, do condado de Ingham, em Michigan (EUA), admitiu a contadora forense Michelle Gallagher como perita no processo por desvio de recursos contra Lee Chatfield, ex-presidente da Câmara estadual. - A defesa recorreu, alegando que a perita não tem experiência suficiente e contestando o relatório financeiro dela, e o julgamento, que começaria em 22 de setembro de 2026, foi suspenso até a decisão do recurso. - O relatório de Gallagher classificou os gastos das contas políticas como permitidos ou questionáveis e é peça central da acusação. O julgamento de Lee Chatfield, ex-presidente da Câmara dos Deputados de Michigan (Estados Unidos), foi adiado de novo em 21 de setembro de 2026, depois que a advogada dele anunciou recurso contra a decisão que admitiu a contadora forense Michelle Gallagher como perita da acusação, segundo reportagem de Simon D. Schuster publicada pelo Bridge Michigan no mesmo dia. ## A decisão sobre a perita A juíza Morgan Cole, do tribunal do condado de Ingham, decidiu que Gallagher poderá depor no julgamento, e a advogada de Chatfield, Mary Chartier, anunciou que vai recorrer, alegando que a perita não tem experiência suficiente para atuar como especialista e contestando o relatório financeiro que ela assinou. Segundo a rádio Michigan Public, Chartier disse que a experiência da perita não tem relação com as especificidades do caso e que a procuradoria só informou que ela seria testemunha no julgamento menos de um mês antes da data marcada, e ao Bridge Michigan a advogada afirmou que a defesa pediu a exclusão da perita menos de três semanas depois de receber o aviso. A procuradoria pediu à juíza que não suspendesse o julgamento por causa do recurso, e o procurador-assistente Dan Gunderson chamou o pedido de "frívolo e nada além de uma tentativa de adiar ainda mais o dia do acerto de contas do senhor Chatfield". A juíza disse que estava de mãos atadas pelas regras dos tribunais estaduais e que não tinha escolha senão suspender o processo, e a seleção dos jurados, marcada para o dia seguinte, não aconteceu. ## O peso do relatório contábil O depoimento de Gallagher é considerado central na acusação, e na audiência preliminar, mais de 18 meses antes, ela apresentou uma análise dos extratos das contas de arrecadação política, com um relatório que classificava cada gasto como permitido ou questionável. Gallagher disse naquela audiência que, ao longo de um ano, entre 2020 e 2021, o casal Chatfield lançou mais de US$ 153 mil em cartões de crédito pessoais, e que o Peninsula Fund, principal entidade política sem fins lucrativos de Chatfield, administrada por dois assessores, pagou mais de US$ 152 mil dessa dívida. Segundo a perita, quase US$ 21,7 mil eram despesas indevidas, entre elas ingressos para os estúdios da Universal na Flórida, um jantar de US$ 1.353 em Naples, quase US$ 1 mil em lavanderia e mais de US$ 650 em roupas. ## Acusação e prazo Chatfield, republicano que presidiu a Câmara em 2019 e 2020, responde a 13 acusações de crimes graves, entre elas a de comandar uma organização criminosa ao usar contas de arrecadação política para pagar viagem ao Caribe e compras de luxo, e se declarou inocente. A mulher dele e os dois assessores fizeram acordo com a Justiça e receberam liberdade condicional, e os assessores se comprometeram a depor contra o ex-chefe. O recurso vai para a Corte de Apelação de Michigan e pode levar de semanas a meses, o que pode empurrar o julgamento para 2027, depois da saída da procuradora-geral Dana Nessel, que chamou o adiamento de "ultrajante e fora do comum". A juíza Cole disse que, quando o processo voltar, ele será o caso mais antigo da sua pauta e terá prioridade, e completou que "justiça atrasada é justiça negada". --- # OpenAI e Meta dizem a comitê de juízes dos EUA que detecção de deepfake não será infalível - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/openai-e-meta-dizem-a-juizes-americanos-que-deteccao-de-deepfake-nunca-sera-infalivel/ - Fonte original: IBTimes UK, https://ibtimes.co.uk/openai-ai-deepfake-evidence-courts-1826007, 16.Out.2026 (inglês) - Marcadores: deepfake, autenticidade da prova, inteligência artificial, prova digital, Justiça federal, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "OpenAI e Meta dizem a comitê de juízes dos EUA que detecção de deepfake não será infalível", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/openai-e-meta-dizem-a-juizes-americanos-que-deteccao-de-deepfake-nunca-sera-infalivel/ ## O que importa - Representantes da OpenAI e da Meta disseram, em 15 de outubro de 2026, ao comitê que estuda as regras de prova da Justiça federal americana que imagens e vídeos feitos por IA estão ficando impossíveis de distinguir dos reais. - Uma pesquisa com 931 juízes encontrou só 15 que já enfrentaram contestação de prova como deepfake, e o comitê está dividido sobre a necessidade de uma regra específica. - A proposta em estudo, chamada Rule 901(c), exigiria que quem alega falsificação apresentasse indícios antes de a outra parte ter de provar a autenticidade. Representantes da OpenAI e da Meta disseram ao comitê consultivo de regras de prova da Conferência Judicial dos Estados Unidos (Advisory Committee on Evidence Rules), reunido em Boston em 15 de outubro de 2026, que vai ficar cada vez mais difícil saber se um áudio ou um vídeo apresentado como prova é verdadeiro ou foi fabricado por inteligência artificial, segundo reportagem publicada pelo IBTimes UK em 16 de outubro de 2026. ## O que as empresas disseram Shira Anderson, consultora de políticas públicas da OpenAI, afirmou que as imagens feitas por IA "só estão ficando melhores" e que não acredita que vá existir, daqui para a frente, um método científico capaz de detectá-las. Devin Norder, diretor de gestão de produto da Meta, disse ao comitê que o material produzido pelas últimas gerações de modelos de IA não pode ser distinguido do material autêntico por uma pessoa e que o custo e o tempo para produzir esse tipo de conteúdo são hoje irrisórios. As duas empresas criaram ferramentas para verificar se um conteúdo visual é autêntico, e a Califórnia e a União Europeia aprovaram leis que exigem marca d'água para identificar material gerado por IA, mas Anderson lembrou que cada empresa usa um sistema próprio, que as ferramentas de uma não leem as marcas das outras e que a marca d'água deve melhorar, mas "nunca vai ser à prova de balas", conforme o relato da agência Reuters reproduzido pelo site Breitbart. ## Poucos casos nos tribunais até agora O comitê estuda desde 2023 como os tribunais devem tratar provas que podem ter sido falsificadas ou alteradas com IA, e uma pesquisa do Federal Judicial Center, o órgão de pesquisa do Judiciário federal, divulgada em março, ouviu 931 juízes e encontrou apenas 15 que já tinham julgado um caso em que uma das partes contestou a prova alegando que era deepfake. O juiz federal Jesse Furman, de Manhattan, que preside o comitê, disse que há muitos comentários acadêmicos prevendo que os tribunais vão lidar com deepfakes, mas que isso ainda não apareceu em grande quantidade, e nomeou uma subcomissão para estudar o assunto. A juíza federal Valerie Caproni, também de Manhattan e integrante do comitê, defendeu que os tribunais já têm o que precisam, porque lidam com quem apresenta prova falsa "desde Caim e Abel", e que não convém criar às pressas uma regra específica para IA sem prova de que o problema se espalhou. ## A proposta em estudo A pauta de outubro do comitê traz uma proposta de emenda, chamada Rule 901(c), preparada mas ainda não aprovada, pela qual a parte que contesta uma prova como deepfake teria de apresentar primeiro indícios suficientes para sustentar a alegação, e, superada essa etapa, a parte que apresentou o material teria de demonstrar que é mais provável que ele seja autêntico do que falso. A regra atual, a Rule 901 das Federal Rules of Evidence, já exige que a parte apresente base suficiente para concluir que a prova é o que ela diz ser, e permite ao juiz examinar contestações a gravações e outros materiais, e a questão em aberto é se esses procedimentos tradicionais de autenticação vão continuar funcionando quando as falsificações ficarem mais convincentes e mais baratas. Para o IBTimes UK, o advogado pode precisar mostrar de onde veio o arquivo, como foi produzido e se foi alterado antes de o tribunal avaliar a autenticidade, porque uma gravação que parece verdadeira não é, por isso, autêntica, e a dúvida sobre um arquivo também não prova, sozinha, que houve manipulação. --- # Engenheiro apontado pela autoridade de construção nega participação na obra que desabou em Eastleigh, no Quênia - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/engenheiro-nega-participacao-em-obra-que-desabou-em-eastleigh-quenia/ - Fonte original: The Kenya Times, https://thekenyatimes.com/latest-kenya-times-news/eastleigh-building-nca/, 26.Out.2026 (inglês) - Marcadores: responsabilidade técnica, colapso progressivo, fiscalização de obras, desabamento, Quênia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Engenheiro apontado pela autoridade de construção nega participação na obra que desabou em Eastleigh, no Quênia", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/engenheiro-nega-participacao-em-obra-que-desabou-em-eastleigh-quenia/ ## O que importa - O engenheiro estrutural que a National Construction Authority (NCA) registrou como responsável pelo prédio que desabou em Nairóbi em 23 de outubro de 2026 divulgou nota em que se desvincula da obra e pede acesso aos registros que o apontaram. - O Ministério Público do Quênia mandou investigar se atos ou omissões de servidores do condado, da incorporadora, da construtora e dos profissionais do projeto contribuíram para o colapso, e afirmou que a prefeitura nunca lhe enviou inquérito sobre a obra. - Engenheiros descrevem o desabamento como colapso em panqueca, em que uma falha inicial num elemento estrutural faz os pavimentos caírem uns sobre os outros. O engenheiro estrutural Joseph Muturi Mugu, que a National Construction Authority (NCA), autoridade nacional de construção do Quênia, apontou como responsável pelo projeto estrutural do prédio que desabou em 23 de outubro de 2026 na 9th Street, no bairro de Eastleigh, em Nairóbi, divulgou em 26 de outubro de 2026 uma nota em que se desvincula da obra, segundo reportagem de Faith Mwangi no The Kenya Times. ## O que diz o registro da NCA Na nota divulgada no dia do colapso, a NCA informou que registrou a obra em 30 de julho de 2025 como empreendimento proposto no lote 36/II/40 da 9th Street, com o número de projeto 53128815710410, e listou a incorporadora 9th Street Plaza Limited, a construtora Stromax Holdings E.A Limited, o arquiteto Emmanuel Mwangi Maina, registro A2045, e o engenheiro Joseph Muturi Mugu, registro A2750, como engenheiro estrutural do projeto. A Citizen Digital relatou que uma consulta ao portal da NCA na noite de sexta-feira, 23 de outubro de 2026, pelo número de registro do projeto, não trouxe nenhum dado da obra, que só apareceu no sábado, o que levantou dúvida sobre se o registro já estava completo antes ou se o portal foi atualizado depois do desabamento, e o engenheiro Raymond Karani, da direção da NCA e responsável pelos registros, também passou a ser questionado pela demora. ## A nota do engenheiro Na nota de 26 de outubro de 2026, Mugu escreveu que se manifestava em resposta ao comunicado da NCA de 23 de outubro de 2026 que o identificou como engenheiro estrutural do prédio e que se desvinculava "das obras de construção envolvidas naquele edifício". Ele informou que pediu, por meio de seus advogados, os registros do projeto à NCA e ao governo do condado de Nairóbi, para saber em que informação os órgãos se basearam para ligá-lo ao prédio, e defendeu uma investigação completa da construção e do colapso, dizendo-se disposto a colaborar com as autoridades. Segundo a Citizen TV, o governador de Nairóbi, Johnson Sakaja, disse que os engenheiros costumam ser usados por construtoras e incorporadoras nas etapas iniciais de aprovação, para fins de documentação, mas não avisam a prefeitura nem a NCA quando deixam de responder pela obra, enquanto Harrison Keter, apresentado pela Citizen Digital como presidente da Institution of Engineers of Kenya, respondeu que cabe ao condado aprovar projetos, processos e materiais e fazer várias inspeções para garantir que a obra cumpra o aprovado. ## Projeto recusado e obra sem licenças Segundo a Citizen Digital, a prefeitura recusou os projetos de arquitetura apresentados em novembro de 2024 pelo arquiteto Emmanuel Mwangi Maina, e mesmo assim a construção teria começado em junho de 2025 e seguido até 2026. A National Environment Management Authority (NEMA), órgão ambiental do país, escreveu à incorporadora em 6 de janeiro de 2026 pedindo desenhos de arquitetura legíveis e com todas as dimensões, deu 60 dias para a reapresentação e, como os desenhos não foram entregues, considerou o projeto irregular, sem licença de avaliação de impacto ambiental, segundo o diretor-geral Mamo B Mamo. Um relatório citado pela Citizen TV sobre o lote apontou que os projetos de arquitetura previam lojas no subsolo, não tinham estacionamento no terreno, não traziam a autorização de altura da Kenya Civil Aviation Authority e não respeitavam o recuo de três metros no subsolo e no primeiro pavimento, e o mesmo relatório colocou na lista negra o proprietário registrado, o arquiteto, o engenheiro e a construtora. A emissora apurou ainda que, em 17 de junho de 2026, fiscais do condado prenderam 14 pessoas ligadas à obra por suposta infração à lei de planejamento urbano e que dez delas foram soltas horas depois, mediante fiança de KES 50.000 cada, sem acusação formal, enquanto o proprietário registrado, o arquiteto, o engenheiro e a construtora não estavam entre os presos. O deputado Babu Owino divulgou um documento que daria a obra como aprovada em 13 de fevereiro de 2024, com a condição de apresentar detalhes estruturais das fundações, vigas, pilares e treliças e de obter o habite-se antes da ocupação, mas Sakaja disse em 25 de outubro de 2026 que o documento é falso e que a prefeitura só aprovou, em 17 de outubro de 2024, a mudança de uso do terreno. ## Ministério Público manda investigar Em comunicado de 26 de outubro de 2026, o Office of the Director of Public Prosecutions (ODPP), o Ministério Público do Quênia, determinou que a Diretoria de Investigação Criminal apure se atos ou omissões de servidores do condado, da incorporadora, das construtoras ou de outros profissionais que atuaram no planejamento, na aprovação, na supervisão e na construção do prédio contribuíram para o colapso, e prometeu processar os responsáveis quando houver prova suficiente de culpa criminal, "independentemente de cargo ou posição". No mesmo comunicado, o ODPP afirmou que, até aquela data, o governo do condado de Nairóbi nunca lhe enviou inquérito sobre a construção do prédio, enquanto Sakaja, segundo o The Kenya Times, havia citado uma notificação de fiscalização do condado e dito que um investigador do condado encaminhou ao Ministério Público um processo por supostas infrações à lei de planejamento. ## O que é o colapso em panqueca O engenheiro estrutural Robert Otieno Ogallo disse à Citizen TV que as equipes conseguiram identificar visualmente que o prédio sofreu um colapso em panqueca (pancake collapse), que ele traduziu para o suaíli como "kuanguka kichapati", ou seja, cair como um chapati. Na explicação publicada pela Citizen Digital, o colapso em panqueca é um tipo de colapso progressivo que começa quando um elemento estrutural crítico, como um pilar principal, uma parede portante ou a ligação de uma laje, falha num pavimento por sobrecarga, defeito estrutural, material de má qualidade ou impacto externo, e o pavimento de cima, sem apoio, cai sobre o de baixo. O peso do pavimento em queda, somado ao impacto, supera a capacidade do pavimento inferior, que também cede, e o processo se repete em cascata até as lajes ficarem empilhadas umas sobre as outras, com pouquíssimo espaço livre entre elas. Por isso esse tipo de colapso é o mais difícil para o resgate, porque, ao contrário do colapso em "V" (V-shape) ou do colapso com a laje apoiada de um lado (lean-to), que costumam formar bolsões triangulares onde vítimas podem sobreviver, ele quase não deixa vazios, e as equipes de busca e salvamento só avançam nas lajes comprimidas com equipamento de corte pesado, guindastes e escoramento para impedir novos deslocamentos. --- # Justiça argentina condena seis proprietários de casa em Tunuyán por morte de jovem eletrocutado em instalação sem aterramento e sem DR - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/tunuyan-argentina-proprietarios-condenados-por-morte-por-choque-eletrico/ - Fonte original: 8 Digital, https://www.8digital.com.ar/tunuyan-condenaron-a-seis-propietarios-a-indemnizar-a-la-familia-de-un-joven-que-murio-electrocutado/, 26.Out.2026 (espanhol) - Marcadores: choque elétrico, instalação elétrica, aterramento, responsabilidade civil, Argentina - Como citar: NEXO CAUSAL, "Justiça argentina condena seis proprietários de casa em Tunuyán por morte de jovem eletrocutado em instalação sem aterramento e sem DR", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/tunuyan-argentina-proprietarios-condenados-por-morte-por-choque-eletrico/ ## O que importa - O Tribunal de Gestión Asociada Civil de Tunuyán, na província de Mendoza, condenou os seis donos de uma casa a indenizar a família de um jovem de 18 anos que morreu eletrocutado no imóvel em 8 de agosto de 2013. - A sentença apontou cabos expostos, emendas precárias e falta de aterramento e de disjuntor diferencial na instalação elétrica da casa. - Os pedidos contra a EDEMSA e contra o município de Tunuyán foram rejeitados, porque a instalação interna era responsabilidade dos proprietários. A Justiça civil da província de Mendoza, na Argentina, condenou os seis proprietários de uma casa em Tunuyán a pagar uma indenização de $ 178.992.480, em pesos argentinos, mais juros, à família de Jesús Andrés Rivas, que morreu aos 18 anos depois de levar uma descarga elétrica no imóvel em 8 de agosto de 2013, e o fundamento da condenação foram as falhas encontradas na instalação elétrica da casa, segundo reportagem do site 8 Digital publicada em 26 de outubro de 2026. ## O que o tribunal encontrou na casa A sentença do Tribunal de Gestión Asociada Civil de Tunuyán avaliou as condições de segurança do imóvel onde ocorreu a morte e considerou que a presença de cabos expostos, de emendas precárias e a falta de aterramento e de um disjuntor diferencial representavam risco para quem morava ou entrava no local. Segundo os fundamentos do julgamento, as falhas da instalação comprometiam a segurança e foram decisivas para atribuir aos donos a responsabilidade civil pela morte, e o site El Monterizo, que também noticiou o caso, informa que, para os magistrados, esses elementos de proteção poderiam ter evitado o desfecho fatal. ## Quem responde pela instalação interna A decisão rejeitou os pedidos de indenização contra a EDEMSA e contra o Município de Tunuyán, por entender que não cabia responsabilizá-los pelas deficiências da instalação elétrica interna do imóvel, que ficou a cargo de seus proprietários. ## Como fica a indenização O valor foi dividido em dois processos, sendo $ 70.513.600 para as duas filhas de Rivas, representadas pela mãe, e os $ 108.478.880 restantes para a companheira e para os pais da vítima. Pela sentença, o pagamento deve ser feito em até dez dias depois que a decisão transitar em julgado, e a resolução encerra esta instância do processo civil, no qual a família buscou definir as responsabilidades e obter reparação pela morte, segundo o El Monterizo. Os dois sites não informam se os proprietários vão recorrer, e a decisão chega mais de 13 anos depois da morte do jovem, ocorrida em agosto de 2013. --- # Caminhão elétrico Tesla Semi pega fogo sem colisão e fecha rodovia na Califórnia por quase dez horas - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/tesla-semi-pega-fogo-sem-colisao-i-880-hayward-california/ - Fonte original: The Mercury News, https://www.mercurynews.com/2026/10/27/tesla-semi-truck-bursts-into-flames-on-i-880-in-hayward-spurs-full-closure/, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: veículo elétrico, bateria de íons de lítio, incêndio veicular, Califórnia, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Caminhão elétrico Tesla Semi pega fogo sem colisão e fecha rodovia na Califórnia por quase dez horas", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/tesla-semi-pega-fogo-sem-colisao-i-880-hayward-california/ ## O que importa - Um Tesla Semi pegou fogo na pista sul da Interstate 880, em Hayward (Califórnia), por volta das 17h35 de 27 de outubro de 2026, sem ter batido em nada. - A polícia rodoviária fechou os dois sentidos por causa do risco de fumaça química perigosa e só liberou a pista sul às 3h30 do dia seguinte, depois de extinto o fogo das células de íons de lítio da bateria. - O motorista saiu ileso e disse não saber por que o caminhão pegou fogo, e a causa está sob investigação. Um caminhão elétrico Tesla Semi pegou fogo na pista sul da Interstate 880, em Hayward, na região da baía de São Francisco (Califórnia, Estados Unidos), na noite de terça-feira, 27 de outubro de 2026, sem ter se envolvido em nenhuma colisão, e a California Highway Patrol (CHP), a polícia rodoviária do estado, fechou a rodovia nos dois sentidos por causa da bateria de íons de lítio em chamas. ## A ocorrência Segundo a CHP, o fogo começou por volta das 17h35, na pista sul, perto da Route 92, e às 17h45 os dois sentidos já estavam interditados entre a Winton Avenue e a Route 92, com o trânsito desviado para fora da rodovia na Winton Avenue. O policial Rolando Guzman, da CHP, disse que a interdição total foi feita "devido ao risco potencial de fumaça química perigosa", e a própria corporação avisou aos motoristas que não havia previsão de reabertura e que deveriam esperar atrasos extremos e usar rotas alternativas. A pista norte foi liberada às 20h40, mas a pista sul, onde estava o caminhão, só reabriu por volta das 3h30 de quarta-feira, 28 de outubro de 2026, porque a CHP precisava que o fogo que consumia as células de íons de lítio da bateria estivesse totalmente extinto antes de devolver a via ao trânsito. No início do atendimento, a CHP chegou a estimar que a bateria poderia queimar por 15 a 18 horas, prazo que as equipes acabaram superando, e as fotos divulgadas pela polícia mostram bombeiros espalhando espuma em volta da cabine destruída e a frente do reboque chamuscada logo atrás. ## O que se sabe sobre a causa Só o caminhão se envolveu no caso, e o motorista, que saiu sem ferimentos, disse aos policiais que o veículo simplesmente pegou fogo e que não sabia por quê, relato que Guzman afirmou à rádio pública KQED estar tentando confirmar com um investigador. A investigação está em andamento, a Tesla não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela imprensa e a empresa que operava o caminhão não foi identificada oficialmente, embora a KQED tenha observado que vídeos publicados nas redes sociais sugerem que o veículo pertence à Frito-Lay, que também não respondeu. O site especializado Electrek aponta que, sem colisão, a investigação se volta para o próprio caminhão, e lista como pontos possíveis de origem o conjunto de baterias, o sistema de alta tensão, os motores de tração ou mesmo um fogo comum de pneu ou freio que tenha se propagado para o veículo. ## O precedente na Interstate 80 Em agosto de 2024, outro Tesla Semi pegou fogo na Interstate 80, perto de Emigrant Gap, cerca de 70mi (112,65km) a nordeste de Sacramento, e, naquele caso, o National Transportation Safety Board (NTSB), órgão federal que investiga acidentes de transporte, concluiu que o caminhão saiu da pista numa curva, bateu num balizador e numa árvore e que a bateria pegou fogo depois do impacto. Naquela ocorrência, os bombeiros usaram cerca de 50.000gal (189.271L) de água no combate e a rodovia ficou fechada por até 15 horas, enquanto as equipes esperavam as baterias esfriarem o suficiente para a remoção do caminhão. ## Por que a bateria complica o combate A U.S. Fire Administration, órgão federal de prevenção de incêndios citado pela KQED, informa que as baterias de íons de lítio podem pegar fogo por superaquecimento, sobrecarga ou envelhecimento e que esse tipo de incêndio traz desafios próprios para os bombeiros, como a exposição a produtos químicos e a possibilidade de o fogo reacender. Para dar a dimensão do problema nos caminhões em geral, o Electrek cita dados da National Fire Protection Association (NFPA) segundo os quais os bombeiros americanos atenderam, em média, 15.462 incêndios em caminhões pesados por ano entre 2018 e 2022, a maioria em veículos a diesel, com falha mecânica como fator em 44% dos casos e colisão em cerca de 2%. --- # Operário morre após queda de plataforma elevatória na obra da ponte Brent Spence, em Cincinnati, e OSHA investiga - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/operario-morre-em-queda-de-plataforma-elevatoria-na-obra-da-ponte-brent-spence/ - Fonte original: FOX19 (WXIX), https://www.fox19.com/2026/10/19/worker-dies-after-crane-falls-brent-spence-bridge-corridor-project-construction-zone/, 19.Out.2026 (inglês) - Marcadores: plataforma elevatória, OSHA, obra de ponte, segurança do trabalho, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Operário morre após queda de plataforma elevatória na obra da ponte Brent Spence, em Cincinnati, e OSHA investiga", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/operario-morre-em-queda-de-plataforma-elevatoria-na-obra-da-ponte-brent-spence/ ## O que importa - Um operário da Walsh-Kokosing, consórcio que constrói o Brent Spence Bridge Corridor Project, morreu depois que a plataforma elevatória com lança que ele operava se deslocou e caiu, na manhã de 17 de outubro de 2026, em Cincinnati (Ohio). - A seção de investigação criminal da polícia de Cincinnati e a OSHA, agência federal de segurança do trabalho, investigam o caso, e a causa não foi divulgada. - A regra da OSHA para plataformas aéreas em obras exige, entre outros pontos, teste diário dos comandos, operador autorizado, respeito ao limite de carga e freios e estabilizadores apoiados em base firme. Um operário morreu depois que o equipamento que ele operava se deslocou e caiu num canteiro do Brent Spence Bridge Corridor Project, a obra que vai construir uma nova ponte ao lado da Brent Spence sobre o rio Ohio, em Cincinnati, nos Estados Unidos, na manhã de sábado, 17 de outubro de 2026, segundo a polícia de Cincinnati, em informação divulgada pela FOX19. ## O acidente Os policiais foram chamados por volta das 10h30 à área da West Third Street com a Pete Rose Way, no centro da cidade, para atender a um "acidente de trabalho", e a polícia informou que o homem operava uma plataforma elevatória com lança (boom lift), chamada pela imprensa local de guindaste, quando o equipamento se deslocou e tombou. Segundo o Cincinnati Enquirer, em texto republicado pelo Yahoo News, a polícia descreveu o equipamento como projetado para elevar pessoas e ferramentas, e a queda causou ferimentos com risco de morte. O operário foi levado ao University of Cincinnati Medical Center, onde morreu horas depois, e a polícia não divulgou o nome dele. ## Quem investiga A investigação está com a seção de investigação criminal da polícia de Cincinnati (Criminal Investigation Section) e com a OSHA, a agência federal americana de segurança e saúde do trabalho, e, até as reportagens consultadas, as autoridades não tinham informado o que fez o equipamento tombar, como registrou a emissora WCPO. Em 26 de outubro de 2026, o Cincinnati Enquirer voltou ao caso com uma reportagem cujo título informa que o acidente envolveu uma plataforma de elevação de pessoas (manlift). ## A empresa e a obra O Departamento de Transportes de Ohio (ODOT) informou que o operário era integrante de uma equipe da Walsh-Kokosing, consórcio da The Walsh Group com a Kokosing que é o principal contratado do projeto e recebeu o contrato de projeto e construção, e disse em nota estar consternado com a perda do trabalhador "enquanto operava equipamento" num canteiro da obra em Ohio. Na mesma nota, o ODOT afirmou que leva a sério a segurança de todos os que trabalham no projeto e que vai continuar acompanhando o caso com a Walsh-Kokosing e com os órgãos de investigação, e a página oficial do projeto no Facebook, segundo a WHIO-TV, também identificou o trabalhador como integrante da equipe da Walsh-Kokosing, enquanto a FOX19 procurou o consórcio e não teve resposta. A ponte Brent Spence leva as rodovias interestaduais I-71 e I-75 sobre o rio Ohio, entre Covington, no Kentucky, e Cincinnati, e o plano prevê uma ponte complementar estaiada para o tráfego rodoviário de passagem, com obras iniciadas oficialmente em 8 de maio de 2026, e o cronograma divulgado antes do início previa a abertura da nova ponte e da Brent Spence reconfigurada em 2032, segundo o histórico do projeto reunido na Wikipédia. ## O que a regra federal exige As plataformas aéreas usadas em obras nos Estados Unidos seguem a seção 1926.453 do título 29 do Código de Regulamentos Federais, que inclui as plataformas de lança telescópica e de lança articulada e exige que os comandos sejam testados todos os dias antes do uso, que só pessoas autorizadas operem o equipamento e que os limites de carga da lança e do cesto definidos pelo fabricante não sejam ultrapassados. A mesma regra determina que os freios estejam acionados, que os estabilizadores, quando usados, fiquem apoiados em calços ou em superfície firme e que se usem calços nas rodas em terreno inclinado, e proíbe deslocar o equipamento com a lança erguida e trabalhadores no cesto, a não ser que ele tenha sido projetado para isso. A norma também manda que o trabalhador fique em pé no piso do cesto, com cinto e talabarte presos à lança ou ao cesto, mas nenhuma das reportagens disse qual desses pontos, se algum, está sob análise da polícia e da OSHA. --- # Ataque à Binance começou no notebook de um engenheiro, diz a corretora, e empresas de rastreamento em blockchain ligam o caso à Coreia do Norte - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ataque-hacker-binance-notebook-engenheiro-rastreamento-blockchain/ - Fonte original: Cointelegraph, https://cointelegraph.com/news/binance-hack-may-involve-private-key-misuse-not-theft-blockaid-ceo, 30.Out.2026 (inglês) - Marcadores: Binance, criptomoedas, rastreamento em blockchain, ataque hacker, Coreia do Norte - Como citar: NEXO CAUSAL, "Ataque à Binance começou no notebook de um engenheiro, diz a corretora, e empresas de rastreamento em blockchain ligam o caso à Coreia do Norte", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ataque-hacker-binance-notebook-engenheiro-rastreamento-blockchain/ ## O que importa - A Binance afirmou que o ataque de 29 de outubro de 2026, com impacto estimado em US$ 6,3 bilhões, pode ter começado no notebook comprometido de um engenheiro de DevOps, por onde o invasor chegou a um contêiner de serviço e enviou saques não autorizados. - Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados, em boa parte em stablecoins como USDT e USDC, cujas emissoras conseguem bloquear o saldo de um endereço, o que não vale para bitcoin e ether. - As empresas de análise Chainalysis e TRM Labs atribuem o ataque ao grupo norte-coreano TraderTraitor, enquanto a Binance diz que ainda não identificou os autores. A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, afirmou na noite de 29 de outubro de 2026 que a investigação preliminar do ataque sofrido naquele dia aponta para o notebook comprometido de um engenheiro de DevOps, que teria dado ao invasor acesso a um contêiner de serviço onde ele enviou transações de saque não autorizadas, segundo o comunicado reproduzido pelo Cointelegraph. ## O que a corretora disse sobre a intrusão No mesmo comunicado, a Binance estimou o impacto total em cerca de US$ 6,3 bilhões, disse que não encontrou evidência de vazamento das chaves privadas das carteiras, que revogou a autorização do endereço afetado e que vai publicar uma análise técnica detalhada (post-mortem) quando a investigação terminar e os fatos estiverem verificados. Na madrugada de 30 de outubro de 2026, o co-CEO Richard Teng escreveu na rede X que o invasor não usou simplesmente as permissões de um engenheiro, que o caso envolveu "um processo de ataque mais complexo" e não uma única ação de "um clique", e que a investigação "não atribuiu responsabilidade a nenhuma pessoa". Pouco depois, a corretora informou que encontrou "pontos adicionais de invasão" além do notebook e que continua levantando os fatos com as autoridades policiais, mas ainda não explicou como o computador foi comprometido, como o acesso chegou ao contêiner nem quais controles deixaram as transações passar, como observou o site CyberInsider. ## O que a blockchain mostra O primeiro alerta público veio do pesquisador conhecido como Spreek, que apontou na rede X a saída de ativos de uma carteira de Ethereum ligada à Binance para um endereço recém-criado, por meio de uma chamada de contrato que teria sido financiada pelo misturador Tornado Cash. A empresa de segurança Blockaid descreveu, na análise publicada na rede X, uma transação com 50 autorizações do padrão EIP-7702 dirigidas à carteira quente Binance 14, das quais uma coincidia com o contador de transações da conta e foi aceita, delegando a carteira a um contrato não verificado que permitia a um operador esvaziar tokens e ether. O CEO da Blockaid, Ido Ben-Natan, disse ao Cointelegraph que a avaliação preliminar indicava "uso indevido de chave", isto é, o comprometimento da infraestrutura de assinatura para autorizar transações maliciosas sem extrair a chave privada, e que a empresa não acredita que uma chave tenha vazado. A Chainalysis afirma que os fundos começaram a sair das carteiras quentes da Binance por volta das 16h20 no horário da costa leste dos Estados Unidos (17h20 em Brasília), que no Ethereum uma carteira operacional abastecida pelo Tornado Cash enviou autorizações assinadas válidas para a carteira da corretora rodar o código do invasor e que outras carteiras afetadas mandaram os fundos por transferências assinadas comuns. A TRM Labs, segundo o crypto.news, rastreou as saídas em 10 blockchains, calculou US$ 6,36 bilhões pelo preço de cada transferência e registrou que a maior parte saiu em cerca de 20 minutos, a partir das 20h05 em UTC (17h05 em Brasília), enquanto a plataforma Arkham Intelligence passou a marcar um conjunto de carteiras como "binance-hacker-1029", com saldo de cerca de US$ 5,84 bilhões, valor que o Cointelegraph ressalva ser o saldo das carteiras e não o total confirmado do roubo. ## Congelamento e rastreabilidade O fundador da Binance, Changpeng Zhao, agradeceu na rede X à Tether pelo congelamento de cerca de US$ 971 milhões e à Circle por cerca de US$ 823 milhões, enquanto o CEO da Tether, Paolo Ardoino, informou ter congelado mais de US$ 1,567 bilhão em USDT e o CEO da Circle, Jeremy Allaire, disse ter congelado mais de US$ 800 milhões em USDC em coordenação com as autoridades policiais. O total verificado de ativos congelados divulgado pela Binance passou de US$ 2,54 bilhões, às 20h35 de Brasília, para US$ 3 bilhões, às 21h52, depois que o Conselho de Segurança da rede Arbitrum transferiu US$ 30,5 milhões do invasor, em 74,6 milhões de ARB e 8.425 ETH, para uma carteira intermediária congelada, e o congelamento incluiu também tokens de Ripple, World Liberty Financial e First Digital, entre outros. A Chainalysis relata que o invasor tentou correr contra os bloqueios, levando US$ 500 milhões em stablecoins para uma carteira que, em cerca de 20 minutos, trocou US$ 325 milhões por US$ 285 milhões em ETH e, dez minutos depois, mandou os US$ 175 milhões restantes para carteiras de passagem, mas os congelamentos começaram às 17h14 no horário da costa leste (18h14 em Brasília), e a empresa contava cerca de US$ 2,8 bilhões congelados na manhã de 30 de outubro de 2026. O emissor de uma stablecoin pode bloquear o saldo de um endereço, recurso que não existe para bitcoin e ether, cujas movimentações continuam visíveis na blockchain sem que isso dê a alguém o poder de revertê-las, como explica o crypto.news. O chefe de pesquisa da CryptoQuant, Julio Moreno, acompanhou 18.270 BTC saídos de uma carteira da Binance para 19 endereços novos, 17 deles com exatamente 1.000 BTC cada, e escreveu que nada havia passado por corretora centralizada, ponte entre blockchains ou misturador até a publicação, segundo a Forbes. A Chainalysis também descreve um padrão de lavagem que diz não ter visto antes, com milhares de transações em pouco tempo, fundos que voltam a endereços usados no início da sequência e endereços que recebem exatamente 1 TRX antes de receber e repassar outros valores, o que indica, para a empresa, um processo automatizado. ## Atribuição A Chainalysis atribui o ataque ao grupo norte-coreano TraderTraitor e diz que a evidência mais forte foi ver, em tempo real, fundos da Binance misturados a fundos do ataque de setembro à corretora Bitget, já atribuído a agentes da Coreia do Norte, e o investigador independente ZachXBT afirmou que os dois conjuntos de fundos se juntaram no mesmo endereço depois de passar pela THORChain. A TRM Labs também atribui o ataque ao TraderTraitor com "alta confiança", com base em informações obtidas dentro e fora da blockchain, segundo Ari Redbord, da empresa, enquanto a Binance afirma que ainda trabalha com as autoridades para identificar os autores. ## O precedente da Bybit O FBI apontou o mesmo TraderTraitor como autor do ataque de fevereiro de 2025 à Bybit, de US$ 1,5 bilhão, cuja atualização pericial relatou que os invasores comprometeram as credenciais de um desenvolvedor da Safe, entraram na infraestrutura do fornecedor da carteira e enganaram os signatários para aprovar uma transação maliciosa, e Ben-Natan classificou os dois casos como "muito, muito parecidos", embora tenha ressalvado que a atribuição do ataque à Binance ainda não estava confirmada. ## Os números ao longo do dia A Chainalysis chegou a calcular US$ 5,912 bilhões no momento do roubo e depois US$ 6,4 bilhões, a TRM Labs fala em US$ 6,36 bilhões, e o número oficial mais recente é o da Binance, de cerca de US$ 6,3 bilhões de impacto e US$ 3 bilhões congelados, com a promessa de cobrir as perdas com o fundo de emergência SAFU e recursos próprios. --- # Análise de manchas de sangue encomendada pelo Guardian apoia tese de suicídio no caso White House Farm, que condenou Jeremy Bamber - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/white-house-farm-analise-de-manchas-de-sangue-caso-bamber/ - Fonte original: The Guardian, https://www.theguardian.com/uk-news/ng-interactive/2026/oct/23/the-white-house-farm-massacre-exclusive-new-forensic-evidence-suggests-sheila-caffell-killed-herself-is-jeremy-bamber-innocent, 23.Out.2026 (inglês) - Marcadores: análise de manchas de sangue, erro judiciário, local de crime, revisão criminal, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Análise de manchas de sangue encomendada pelo Guardian apoia tese de suicídio no caso White House Farm, que condenou Jeremy Bamber", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/white-house-farm-analise-de-manchas-de-sangue-caso-bamber/ ## O que importa - A bióloga forense Sue Carney-Gannon analisou, a pedido do jornal The Guardian, as fotos do local dos cinco homicídios de 1985 na White House Farm, na Inglaterra. - Na opinião dela, o sangue na camisola e no braço direito de Sheila Caffell indica que ela estava sentada quando levou o tiro e é explicado se ela tirou a própria vida. - As conclusões serão entregues à Criminal Cases Review Commission, órgão que pode devolver o caso ao tribunal de apelação, e a polícia de Essex mantém que Bamber é o autor. Uma análise das manchas de sangue nas fotos do local do crime, encomendada pelo jornal britânico The Guardian à bióloga forense Sue Carney-Gannon, concluiu que o padrão de sangue no corpo e na roupa de Sheila Caffell é explicado se ela tirou a própria vida, o que contraria a tese da acusação que levou à condenação de Jeremy Bamber pelos cinco homicídios da White House Farm, segundo reportagem de Simon Hattenstone publicada em 23 de outubro de 2026. ## O caso Em 7 de agosto de 1985, cinco pessoas foram encontradas mortas a tiros de rifle na White House Farm, em Tolleshunt D'Arcy, no condado de Essex, na Inglaterra: Sheila Caffell, de 28 anos, os dois filhos gêmeos dela, de seis anos, e os pais adotivos, June e Nevill Bamber. O caso foi tratado no início como homicídio seguido de suicídio cometido por Caffell, que tinha diagnóstico de transtorno esquizoafetivo, mas um mês depois o irmão adotivo, Jeremy Bamber, então com 24 anos, foi preso, e em 28 de outubro de 1986 foi condenado pelas cinco mortes no Chelmsford Crown Court por maioria de 10 a 2 do júri. Bamber está preso há 41 anos e sempre negou os crimes, e na época o juiz disse aos jurados que o autor só podia ser Sheila ou Jeremy. ## Local contaminado e fotos tardias A reportagem lembra que o local foi muito contaminado: pelo menos 43 policiais passaram pela casa, roupas e roupas de cama foram destruídas, corpos e armas foram deslocados e o imóvel ficou 32 dias sem ser isolado. O registro mais confiável é a série de fotos que o fotógrafo da polícia começou a tirar duas horas e meia depois da entrada dos primeiros policiais, e só em 2011, depois de décadas de disputa judicial, a polícia de Essex entregou 406 negativos à Criminal Cases Review Commission (CCRC), que se recusou a pagar a revelação, feita por apoiadores de Bamber por £ 2.295. ## O que a perita concluiu Carney-Gannon, que já atuou como perita em mais de 2.000 casos, examinou as fotos do quarto principal, e o relatório dela passou por revisão de pares. Na opinião da perita, o sangue na camisola e no braço direito de Caffell indica que ela estava sentada quando o tiro entrou sob o queixo, com o sangue escorrendo pela frente da roupa e respingando no antebraço direito e depois mudando de direção, pela gravidade, quando o corpo e os braços caíram para trás. Ela afirma que a hipótese da acusação, de que Bamber atirou na irmã deitada no chão, não explica bem o desvio do sangue para o lado direito, porque nesse caso o corpo não teria caído depois do tiro. A perita não descarta que Bamber tenha atirado com a irmã em pé, mas diz que esse cenário talvez não explique o sangue no antebraço se os braços dela estivessem ao lado do corpo, e ressalva que a análise das manchas não permite dizer quem atirou nas outras vítimas. O patologista Peter Vanezis, testemunha da própria acusação no julgamento, já tinha dito que Caffell estava sentada nos dois ferimentos e que o exame dele não revelou nada que contradissesse a hipótese de suicídio. ## Tiros que erraram o alvo A perita também identificou na cama dois furos de bala e um estojo de cartucho, que para ela provavelmente vêm de tiros que não atingiram ninguém, e isso contraria o perito em balística Malcolm Fletcher, que no julgamento falou em 25 acertos em 25 disparos, número usado pela acusação para sustentar que só um atirador experiente como Bamber poderia ser o autor. O padrão de gotas no carpete e nos pés de June Bamber indica, segundo a perita, que ela se movimentou pelo quarto depois de ferida. ## Silenciador e próximos passos As conclusões reforçam outra perícia encomendada pelo Guardian neste ano ao médico-legista Jason Payne-James, para quem não foi usado silenciador e os dois tiros em Caffell foram encostados ou quase encostados, um ponto central porque o juiz disse ao júri que, se o uso do silenciador estivesse provado, Bamber era culpado. O material será entregue à CCRC, órgão que pode devolver casos ao tribunal de apelação e que levou quatro anos para analisar quatro dos dez pontos do último pedido de Bamber, rejeitando todos. A polícia de Essex afirmou que todos os recursos e revisões feitos até hoje concluíram que Bamber matou a família, enquanto a campanha pela inocência dele disse que o relatório confirma o que ele sempre afirmou, e o advogado Mark Newby, citado pelo The Justice Gap, chamou o trabalho de mais um relatório independente que levanta dúvidas sérias sobre a condenação. --- # Perícia do Citizen Lab confirma Pegasus no iPhone do reitor da Universidade de Belgrado - Publicado: 30.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/pegasus-confirmado-no-iphone-do-reitor-da-universidade-de-belgrado/ - Fonte original: ABC News (agência AP), https://abcnews.com/Technology/wireStory/serbian-rectors-phone-infected-spyware-student-protests-group-137374496, 19.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, programa espião, Pegasus, Citizen Lab, iPhone, Sérvia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Perícia do Citizen Lab confirma Pegasus no iPhone do reitor da Universidade de Belgrado", 30.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/pegasus-confirmado-no-iphone-do-reitor-da-universidade-de-belgrado/ ## O que importa - O Citizen Lab confirmou com alto grau de confiança que o iPhone do reitor Vladan Đokić foi infectado em 2026 pelo programa espião Pegasus, da NSO Group, por meio de um ataque sem clique. - A análise foi feita em parceria com a SHARE Foundation sobre vestígios coletados do aparelho a pedido e com o consentimento do reitor, e a divulgação ocorreu em 19 de outubro de 2026, seis dias antes das eleições parlamentares na Sérvia. - O promotor associado Rade Bajić recebeu alertas de ameaça da Apple em agosto, e a análise do aparelho dele ainda está em andamento. O Citizen Lab, laboratório que faz análises forenses de ataques com programas espiões, confirmou "com alto grau de confiança" que o iPhone de Vladan Đokić, reitor da Universidade de Belgrado e apoiador do movimento estudantil que protesta contra o governo da Sérvia, foi infectado em 2026 pelo Pegasus, programa espião da empresa israelense NSO Group, segundo reportagem da agência AP publicada pela ABC News em 19 de outubro de 2026. ## Como foi feita a análise Segundo a nota de pesquisa do Citizen Lab, a equipe analisou, com a ajuda da SHARE Foundation, organização sérvia de direitos digitais, vestígios forenses coletados do iPhone do reitor a pedido dele e com o seu consentimento, e concluiu que a infecção usou uma falha explorada sem clique (zero-click), em que nenhuma ação do dono, como tocar num link ou abrir um arquivo, é necessária para o aparelho ser infectado. O Citizen Lab informou que a investigação do caso continua e não identificou quem estava por trás do ataque, e a agência AP lembra que a NSO diz vender o Pegasus a órgãos de governo para combater crimes graves e terrorismo, enquanto investigações de jornalistas e de pesquisadores de direitos humanos já documentaram o uso dele contra jornalistas, ativistas e outros membros da sociedade civil. Uma vez instalado, o Pegasus permite a quem o opera ler mensagens, acompanhar a localização do usuário e ligar o microfone e a câmera do aparelho em segredo, segundo a AP. ## O segundo caso O promotor associado Rade Bajić, que trabalhou na Procuradoria de Crime Organizado de Belgrado na investigação de corrupção conhecida como caso Generalštab, ligada ao projeto fracassado de uma Trump Tower em Belgrado sobre as ruínas de um prédio tombado, recebeu um alerta de ameaça da Apple em 13 de agosto de 2026 e um lembrete em 27 de agosto. O Citizen Lab trata o alerta da Apple como indicador de alta confiança de que o aparelho provavelmente foi alvo de um programa espião comercial, mas a análise forense dos vestígios coletados do celular de Bajić ainda está em andamento, sem confirmação de infecção. Bajić disse que foi afastado do caso em novembro de 2025 sem explicação, e afirmou ao The Record que seu trabalho na investigação foi o único motivo do ataque. ## O contexto Đokić é conhecido por ter se recusado a colaborar com a repressão do governo aos estudantes, teve o gabinete revistado pelas autoridades em 31 de março de 2026, com apreensão de computadores e servidores, e chegou a ser apontado, até setembro, como possível cabeça da lista estudantil para as eleições parlamentares antecipadas de 25 de outubro de 2026. Em publicação no Instagram, o reitor chamou a invasão do celular de "grave ataque à minha privacidade, à minha segurança e à integridade do cargo de reitor" e de "mais uma tentativa de intimidação", e a AP informou que as autoridades sérvias não comentaram de imediato, mas já negaram no passado estar por trás de ataques desse tipo. Com os dois casos, chega a pelo menos 16 o número de integrantes da sociedade civil sérvia que se sabe terem sido alvo ou vítima de programas espiões comerciais, depois de a SHARE Foundation ter relatado em 2 de setembro de 2026, com apoio do Citizen Lab e do Security Lab da Anistia Internacional, ao menos 14 alvos no início do ano, entre eles estudantes, ativistas, um deputado e um vereador de oposição. A SHARE Foundation lembra que, pelo Código Penal sérvio, instalar um programa desse tipo é crime, e afirma que, sem investigação efetiva e responsabilização, há sério risco de a repressão digital continuar e se espalhar. --- # Equações simplificadas avaliam punção em lajes lisas após perda súbita de pilar e foram testadas no desabamento de garagem na Espanha - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/metodo-de-calculo-evita-colapso-progressivo-apos-perda-de-pilar/ - Fonte original: University of Surrey, https://www.surrey.ac.uk/news/new-engineering-method-could-help-prevent-buildings-collapsing-after-column-failure, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: colapso progressivo, punção, lajes lisas, concreto armado, Eurocódigo 2 - Como citar: NEXO CAUSAL, "Equações simplificadas avaliam punção em lajes lisas após perda súbita de pilar e foram testadas no desabamento de garagem na Espanha", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/metodo-de-calculo-evita-colapso-progressivo-apos-perda-de-pilar/ ## O que importa - Pesquisadores liderados pela Universidade de Surrey publicaram na revista Structural Concrete equações fechadas para verificar a punção de lajes lisas de concreto armado quando um pilar some de repente. - O método indica quanta armadura a laje precisa para que a perda de um pilar não leve à ruptura dos vizinhos e ao colapso progressivo, e segue o formato da nova geração do Eurocódigo 2. - As equações foram conferidas com ensaios anteriores e com dados de campo do desabamento do estacionamento Nueva Montaña, em Santander, em 2020. Um grupo liderado pela Universidade de Surrey, no Reino Unido, publicou na revista científica Structural Concrete um conjunto de equações que simplifica a verificação de lajes de concreto armado apoiadas diretamente em pilares para o caso em que um desses pilares se perde de repente, com o objetivo de impedir que a falha de um apoio se transforme numa reação em cadeia que derrube o prédio inteiro, segundo comunicado da universidade de 28 de outubro de 2026. ## O problema da punção Garagens, prédios de escritórios e edifícios residenciais novos costumam usar lajes lisas, apoiadas direto nos pilares, solução que dá flexibilidade e aproveita bem o espaço, mas que fica sujeita à punção, a ruptura em que o pilar praticamente perfura a laje acima dele. Quando um pilar falha e o peso que ele carregava passa de repente para os pilares vizinhos, essa carga extra pode provocar a punção também em volta deles, e é essa sequência que leva ao colapso progressivo, segundo a universidade. ## O que o método muda Na prática de projeto, a punção é verificada com equações fechadas e simplificadas nas situações permanentes e transitórias, enquanto as situações excepcionais, como a perda de um pilar, costumam exigir métodos mais avançados por falta de uma abordagem equivalente, lacuna que o artigo procura cobrir, segundo o resumo publicado pelos autores. As novas expressões tratam da punção dinâmica na hipótese de remoção súbita de um pilar e foram deduzidas de forma analítica a partir de um modelo de punção dinâmica que os próprios autores já tinham desenvolvido, baseado na Teoria da Fissura Crítica de Cisalhamento (Critical Shear Crack Theory) para cargas quase estáticas e em princípios de balanço de energia. Com elas, o engenheiro consegue estimar quanta armadura a laje precisa para evitar que a falha se propague, e o resumo informa que as equações seguem a norma europeia EN 1992-1-1:2023, a nova geração do Eurocódigo 2, no formato, nos parâmetros, nos modos de ruptura considerados e nos coeficientes parciais de segurança, e chegam às mesmas expressões da norma quando se desprezam os efeitos dinâmicos e a perda de resistência depois da remoção do pilar. ## O teste com um desabamento real As equações foram conferidas com resultados de ensaios já publicados e com dados de campo, apresentados pela primeira vez no artigo, do desabamento do estacionamento Nueva Montaña, em Santander, na Espanha, em 2020, e previram o tipo de ruptura observado no local, que se deu em volta de um pilar vizinho, segundo a universidade. Os resultados mostraram ainda que o método pode ser usado quando vários pilares se perdem de uma vez, e o trabalho teve a colaboração da Universidad Politécnica de Madrid, da Universidad de Extremadura e da empresa Skidmore, Owings & Merrill (SOM), parceira do setor privado. O artigo, intitulado "Closed-form solutions for dynamic punching shear assessment in flat slabs subjected to sudden column removal", tem como autores Maria Liapopoulou, Juan Sagaseta, Miguel Fernández Ruiz e José A. Pérez-Díaz, e a primeira autora fez a pesquisa como pesquisadora de Surrey e hoje está na Universidade de Cambridge. O professor Juan Sagaseta, do Centre for Civil Infrastructure Systems and Engineering de Surrey e autor correspondente, disse que não dá para prever todo acidente ou evento que pode danificar um prédio, mas dá para projetar estruturas de modo que, quando algo dá errado, as consequências não sejam catastróficas, porque "a perda de um único pilar não deveria significar a perda do prédio inteiro". Liapopoulou afirmou que, depois de um caso como o do Nueva Montaña, é preciso entender exatamente o que deu errado, e que ver o quanto os cálculos se aproximaram do que aconteceu no local dá mais confiança de que o método pode fazer diferença na prática. --- # Incêndio que matou dois idosos em residência assistida de Clinton, no Mississippi, começou do lado de fora e foi causado por descarte de material de fumo - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-residencia-assistida-clinton-mississippi-material-de-fumo/ - Fonte original: WLBT, https://www.wlbt.com/2026/10/27/deadly-clinton-assisted-living-center-fire-started-by-smoking-materials-authorities-say/, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio em casa de repouso, origem e causa, material de fumo, Mississippi, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio que matou dois idosos em residência assistida de Clinton, no Mississippi, começou do lado de fora e foi causado por descarte de material de fumo", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-residencia-assistida-clinton-mississippi-material-de-fumo/ ## O que importa - O fogo de 21 de outubro de 2026 na Brookdale Senior Living, em Clinton (Mississippi), começou na área externa, perto da entrada da sala de manutenção, e passou para uma área de moradia. - Para o State Fire Marshal's Office, a causa mais provável foi o descarte inadequado de material de fumo, e o fogo se espalhou rápido por causa de um colchão, de bases de cama box e de outros objetos guardados na entrada. - Dois moradores, de 81 e 82 anos, morreram, e os detectores de fumaça e o sistema de supressão de incêndio estavam instalados. O incêndio que matou dois moradores da Brookdale Senior Living, residência para idosos em Clinton, no Mississippi (Estados Unidos), começou do lado de fora do prédio, perto da entrada da sala de manutenção, e teve como causa mais provável o descarte inadequado de material de fumo, segundo a conclusão do State Fire Marshal's Office (SFMO), o órgão estadual que investiga incêndios, divulgada em 27 de outubro de 2026 e noticiada pela emissora WLBT. ## A ocorrência O fogo começou por volta das 17h de quarta-feira, 21 de outubro de 2026, na unidade da Brookdale na East Northside Drive, em Clinton, cidade a cerca de 10mi (16,09km) a noroeste de Jackson, e o Corpo de Bombeiros de Clinton teve o apoio do Corpo de Bombeiros de Jackson, do corpo de bombeiros voluntários do condado de Hinds e de bombeiros aposentados de Clinton. A unidade reúne moradia independente, residência assistida e cuidados de memória, segundo o site da empresa citado pela agência Associated Press, que informou também que muitos dos moradores têm dificuldade de locomoção. O chefe dos bombeiros de Clinton, Levius Buckley, disse que 85 moradores tiveram de ser retirados do prédio e que quatro foram levados ao hospital com ferimentos que não pareciam graves, e informou que o fogo atingiu várias alas, "cerca de 45%" da edificação, que ficaria sem condições de ocupação por um tempo. Os dois moradores mortos foram identificados pelo coroner do condado de Hinds, Jeramiah Howard, como Sandra Laird, de 81 anos, e Harris Anthony, de 82, ambos de Vicksburg. ## Origem e causa Segundo o comunicado do SFMO, o fogo começou na área externa, junto à entrada da sala de manutenção, e de lá passou para dentro do prédio até uma área de moradia, e a causa mais provável foi o descarte inadequado de material de fumo. O órgão atribuiu a propagação rápida aos materiais combustíveis guardados na entrada da sala de manutenção, entre eles um colchão, bases de cama box e outros objetos de uso doméstico. ## Alarmes e sistema de supressão De acordo com o mesmo comunicado, os detectores de fumaça estavam instalados e funcionando, o prédio tinha sistema de supressão de incêndio e a empresa responsável pelo alarme de incêndio avisou cedo os serviços de emergência. Um dia depois do incêndio, o chefe Buckley já tinha chamado de "não factual" o boato de que os sprinklers da edificação não teriam funcionado, em declaração reproduzida pela WLBT e pela Gray News. ## Declarações O State Fire Marshal e comissário de seguros do Mississippi, Mike Chaney, ofereceu condolências às famílias e aos amigos de Laird e Anthony e disse que os pensamentos do órgão estão com todos os atingidos pela tragédia. Em nota divulgada na terça-feira, 27 de outubro de 2026, a Brookdale Clinton disse que a equipe está concentrada no cuidado dos moradores e em ajudar as famílias a retirar medicamentos e objetos pessoais quando for seguro, e que continua colaborando com as autoridades. A prefeitura de Clinton reconheceu as conclusões do SFMO e agradeceu ao órgão e ao Corpo de Bombeiros de Clinton pelo trabalho na investigação, e a emissora WJTV, em reportagem de Kaitlin Howell, trouxe os mesmos dados sobre a origem, a causa e as vítimas. --- # Coreia do Sul tem o menor número de mortes no trabalho da série, mas mortes em incêndios e explosões sobem 46% - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/coreia-do-sul-mortes-no-trabalho-caem-mas-incendios-e-explosoes-matam-mais/ - Fonte original: Asia Economy (아시아경제), https://view.asiae.co.kr/article/2026102009473027016, 20.Out.2026 (coreano) - Marcadores: acidente de trabalho, incêndio industrial, explosão, estatística, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Coreia do Sul tem o menor número de mortes no trabalho da série, mas mortes em incêndios e explosões sobem 46%", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/coreia-do-sul-mortes-no-trabalho-caem-mas-incendios-e-explosoes-matam-mais/ ## O que importa - De janeiro a setembro de 2026, 366 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho investigados na Coreia do Sul, 19,9% a menos que no mesmo período de 2025 e o menor número desde o início da série, em 2022. - As mortes em incêndios e explosões subiram de 26 para 38, embora o número desses acidentes tenha caído de 21 para 17, por causa de grandes acidentes em fábricas com muitas vítimas de uma vez. - O governo promete ampliar os setores sujeitos à gestão de segurança de processos e fazer em novembro uma fiscalização conjunta dos locais com risco de incêndio e explosão. O número de trabalhadores mortos em acidentes de trabalho na Coreia do Sul caiu ao menor nível desde o início da série estatística, em 2022, mas as mortes em incêndios e explosões aumentaram 46,2% e as da indústria de transformação 10,9%, segundo os dados do terceiro trimestre de 2026 divulgados em 20 de outubro de 2026 pelo Ministério do Emprego e do Trabalho e noticiados pelo jornal econômico Asia Economy em reportagem de Lee Dong-woo. ## Os números do período De janeiro a setembro, os acidentes fatais sujeitos a investigação do ministério mataram 366 trabalhadores em 342 ocorrências, contra 457 mortes em 440 ocorrências no mesmo período de 2025, uma queda de 91 mortes (19,9%), puxada pela construção civil, que passou de 210 para 150 mortes, e pelos demais setores, como serviços, que caíram de 128 para 84. Parte dos analistas atribuiu a queda na construção ao desaquecimento do setor, mas o chefe da área de segurança e saúde industrial do ministério, Ryu Hyun-cheol, disse que a retração não explica sozinha o resultado, porque o número de trabalhadores da construção caiu de 4% a 5% enquanto o de canteiros de obra ativos aumentou, segundo o jornal Herald Business. As quedas de altura, o tipo de acidente que mais mata no país, recuaram de 199 para 124 mortes, o que corresponde a 82,4% da redução total, enquanto as mortes por esmagamento ou capotamento subiram de 30 para 41 e as por prensamento em máquinas, de 37 para 40. ## Incêndios e explosões na contramão O número de incêndios e explosões fatais caiu de 21 para 17, mas as mortes nesses acidentes subiram de 26 para 38, porque uma sequência de grandes acidentes matou várias pessoas de uma vez, e a média de mortos por ocorrência passou de 1,24 para 2,24. Entre esses casos estão o incêndio de março na fábrica de autopeças da Anjeon Industrial, em Daejeon, que matou 14 pessoas, a explosão de junho na unidade da Hanwha Aerospace em Daejeon, com cinco mortos, e o incêndio de agosto numa fábrica de gordura animal, que matou três trabalhadores. Por causa desses acidentes, a indústria de transformação foi na direção oposta à dos outros setores, e, embora o número de acidentes fatais tenha caído de 115 para 113, as mortes subiram de 119 para 132, com alta de 30,9% nas empresas com 50 ou mais empregados, de 55 para 72, justamente as que têm estrutura de gestão de segurança e são o foco da lei coreana de punição de acidentes graves. As mortes de trabalhadores estrangeiros na indústria subiram de 18 para 24, o que fez a participação deles nas mortes do setor passar de 15,1% para 18,2%, e Ryu atribuiu o aumento ao trabalho em empresas pequenas e de alto risco e às barreiras de idioma, prometendo ampliar o treinamento básico de segurança e saúde. ## As medidas anunciadas Ryu disse ao jornal Seoul Shinmun que, para evitar novos casos, o governo pretende ampliar os setores obrigados a adotar a gestão de segurança de processos (PSM) e reforçar, junto com outros ministérios, a fiscalização dos estabelecimentos de risco, e lembrou que incêndios em fábricas também atingem quem vai combatê-los, como no caso de um bombeiro que morreu um dia depois de combater um incêndio numa fábrica de Bucheon, em 16 de outubro de 2026, ocorrência que ficou fora do período da estatística. Em novembro, o ministério fará uma fiscalização concentrada nos locais com risco de incêndio e explosão, com o Ministério do Interior e da Segurança, a Agência Nacional de Bombeiros e os governos locais, e em 2027 pretende destinar 40,1 bilhões de wons ao apoio a instalações e equipamentos de prevenção de incêndio e explosão em empresas pequenas e médias. --- # Inquérito sobre escola que desabou em Peshawar culpa o dono por material abaixo do padrão e aponta falha de órgãos públicos - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/inquerito-culpa-dono-de-escola-que-desabou-em-peshawar-paquistao/ - Fonte original: Arab News Pakistan, https://www.arabnews.pk/pakistan/pakistan-school-collapse-inquiry-blames-owner-identifies-official-negligence-3005505, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: desabamento, escola, material de construção, fiscalização de obras, Paquistão - Como citar: NEXO CAUSAL, "Inquérito sobre escola que desabou em Peshawar culpa o dono por material abaixo do padrão e aponta falha de órgãos públicos", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/inquerito-culpa-dono-de-escola-que-desabou-em-peshawar-paquistao/ ## O que importa - O teto de uma escola particular desabou durante as aulas em Peshawar, no Paquistão, em 15 de outubro de 2026, e 34 crianças e uma professora morreram, segundo a Arab News. - A comissão de inquérito responsabilizou o dono pelo uso de material de construção abaixo do padrão e apontou negligência de órgãos do governo, sem nomear os servidores. - Os relatórios técnicos dizem que o prédio foi erguido em 2011 como residência, sem planta aprovada nos registros da prefeitura, e que a cobertura provisória do pavimento superior não aguentou o peso dos alunos e dos móveis. A comissão de inquérito criada para apurar o desabamento do teto de uma escola particular em Dir Colony, bairro de Peshawar, no noroeste do Paquistão, responsabilizou o dono pelo uso de materiais de construção abaixo do padrão e apontou negligência de órgãos do governo, segundo nota do gabinete do governador da província de Khyber Pakhtunkhwa divulgada na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, e noticiada pela Arab News Pakistan. ## O desabamento O teto da escola, chamada de Al-Khair Education Center pela Arab News e de Al-Khair Education System School pelo site Nukta, desabou durante as aulas na manhã de quinta-feira, 15 de outubro de 2026, e matou 34 crianças e uma professora, segundo a Arab News, enquanto outros veículos trazem números diferentes, como o Nukta, que fala em 33 crianças mortas. O chefe de polícia da capital da província, Mian Saeed, disse à agência Reuters, em declaração reproduzida pela Arab News, que mais de 110 alunos assistiam às aulas no prédio, que ele descreveu como de três andares, quando o teto caiu, por volta das 8h48, e que a estrutura era fraca e o teto estava sobrecarregado por construção feita em cima dela. Saeed também disse que pôr alunos de três turmas num prédio tão frágil, numa viela tão apertada, foi uma grande negligência, e o resgate durou de quatro a cinco horas, segundo a Arab News, sem máquinas pesadas, porque o prédio continuava instável e as ruas estreitas impediam a aproximação dos equipamentos, como explicou um porta-voz do serviço de resgate à ARY News. ## O que os relatórios técnicos encontraram A comissão montou suas conclusões a partir de relatórios separados da zona leste da prefeitura de Peshawar (Capital Metropolitan Government Peshawar), da administração do distrito e da polícia, segundo o Departamento de Educação da província, citado pelo Nukta. O relatório da zona leste, descrito pelo jornal The Nation em 21 de outubro de 2026, diz que o prédio foi construído em 2011 como residência de térreo e mais um pavimento, quando a área estava sob a administração municipal Town-IV, e só depois passou a abrigar a escola, mas a planta aprovada não foi encontrada nos registros atuais da prefeitura. Segundo o mesmo relatório, as paredes do térreo eram de blocos de cimento e o teto desse pavimento se apoiava em vigas de ferro com telhas, enquanto as paredes do pavimento superior não tinham reboco e a cobertura era de tábuas de madeira com tijolos por cima, uma cobertura que o documento chamou de provisória e imprópria para uso escolar. A conclusão do relatório é que a estrutura não suportou o peso somado das crianças e dos móveis, e o Nukta acrescenta que a parte do pavimento superior caiu sobre o térreo, enquanto o The Nation registra que desabou a parte de trás de uma sala de aula. O documento da prefeitura diz também que, visto de fora, o prédio não parecia perigoso, o que impediu o inspetor de controle urbano de identificá-lo como risco, e lembra que cabe à autoridade reguladora das escolas particulares registrar, supervisionar e acompanhar essas instituições. ## Registro e vistoria da escola O diretor-executivo da autoridade reguladora das escolas particulares de Khyber Pakhtunkhwa (KP-PSRA), Javed Iqbal, disse, segundo a ARY News, que a escola foi registrada em março de 2026 e que os investigadores souberam que não havia técnicos presentes na vistoria da escola. Iqbal afirmou que a presença de técnicos nas vistorias é indispensável, porque nelas se avaliam o número de salas, as fundações e as condições estruturais do prédio, explicou que, no registro, as salas e as instalações são examinadas e se espera que especialistas em construção vistoriem o prédio e entreguem um relatório, e disse que o órgão não tem poder para fechar escola não registrada nas regras atuais. ## Processo criminal A polícia prendeu o dono da escola logo depois do desabamento e registrou boletim de ocorrência (First Information Report, FIR) na delegacia de Agha Mir Jani Shah contra os donos, os sócios e o empreiteiro que construiu o prédio, com base nos artigos 148, 322 e 149 do Código Penal do Paquistão, por mortes atribuídas a negligência, segundo a ARY News, e a Arab News registra que a acusação inclui causar morte sem intenção de matar. O boletim aponta o uso de material de construção abaixo do padrão, descreve o prédio como deteriorado e impróprio para uso e afirma que os donos não atenderam a reclamações anteriores sobre o estado das paredes e dos tetos, inclusive de alunos, segundo a ARY News, e parentes de vítimas disseram à Reuters, conforme a Arab News, que já tinham reclamado com o dono da infiltração de água de chuva nas salas. Um relatório da polícia enviado pelo superintendente de operações ao chefe de polícia da capital atribuiu o desabamento à idade e à má construção do prédio, mas registra que a responsabilidade ainda não foi definida e que a investigação continua, segundo o Economy.pk e o Daily Qudrat. ## O que o governador decidiu O governador Faisal Karim Kundi recebeu o relatório numa reunião com dirigentes da educação, o secretário-chefe da província e membros da comissão, que expuseram as causas do desabamento, os depoimentos de servidores, as responsabilidades de cada órgão e as recomendações, e a nota oficial diz que ele foi informado da negligência dos órgãos envolvidos, mas não nomeia os servidores nem detalha as falhas. Kundi mandou consultar o departamento jurídico da província sobre as consequências legais do relatório e tomar medidas rigorosas contra os responsáveis, mas a nota não anunciou novas prisões, processos ou punições disciplinares, nem trouxe resposta do dono ou dos órgãos criticados, segundo a Arab News. Depois do desabamento, o governo provincial criou comissões distritais para vistoriar os prédios das escolas particulares em busca de defeitos estruturais e riscos à segurança, com três dias para entregar os relatórios, segundo a ARY News, e Kundi mandou preparar uma lei que permita fechar as escolas que não cumprirem os padrões de segurança, segundo o Nukta. --- # Causa do incêndio que destruiu igreja histórica em Wilmington é declarada indeterminada - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-igreja-mother-african-union-wilmington-causa-indeterminada/ - Fonte original: Spotlight Delaware, https://spotlightdelaware.org/2026/10/29/cause-of-fire-at-historic-black-church-in-wilmington-ruled-undetermined/, 29.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio, causa indeterminada, igreja histórica, Delaware, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Causa do incêndio que destruiu igreja histórica em Wilmington é declarada indeterminada", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-igreja-mother-african-union-wilmington-causa-indeterminada/ ## O que importa - O Corpo de Bombeiros de Wilmington, no estado americano de Delaware, classificou como indeterminada a causa do incêndio que destruiu, em 17 de maio de 2026, o prédio da Mother African Union Church, uma das congregações fundadas por negros mais antigas dos Estados Unidos. - Os investigadores não puderam entrar em grande parte das ruínas porque um engenheiro estrutural considerou a estrutura instável, e o que restou do prédio acabou demolido. - A investigação continua aberta e teve a participação dos órgãos de investigação de incêndio da cidade e do estado, da agência federal ATF e da seguradora da igreja. A causa do incêndio que destruiu, em 17 de maio de 2026, o prédio da Mother African Union Church, em Wilmington, Delaware (Estados Unidos), foi classificada oficialmente como indeterminada, conforme comunicado do Corpo de Bombeiros de Wilmington publicado no Facebook na terça-feira, 27 de outubro de 2026, e noticiado pela repórter Brianna Hill no Spotlight Delaware em 29 de outubro de 2026. ## O que diz o comunicado Segundo o comunicado, os investigadores seguiram todas as linhas de apuração e vasculharam as áreas da estrutura carbonizada consideradas seguras para entrada, mas um engenheiro estrutural concluiu que grande parte do prédio estava instável demais para que alguém entrasse, e, de acordo com a Delaware Public Media, essas áreas não foram examinadas. O Corpo de Bombeiros afirma que a classificação de causa indeterminada reflete o que a investigação encontrou e não representa uma conclusão sobre como o fogo começou, e que a investigação continua aberta, com novas etapas "conforme necessário, com base em qualquer informação adicional que venha a surgir". Participaram da investigação o Wilmington Fire Marshal's Office, o Delaware State Fire Marshal's Office, a agência federal ATF (Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives) e a seguradora da igreja, que, segundo o pastor, faz também uma investigação própria, em paralelo. ## Acesso ao local Logo depois do incêndio, o departamento de uso do solo e planejamento de Wilmington trabalhou com um engenheiro para avaliar a estabilidade da estrutura, e a análise concluiu que o local era instável demais para que os investigadores entrassem com segurança. Em agosto, o diretor do departamento, Elliott Larkin, disse ao Spotlight Delaware que, "devido à instabilidade avaliada e ao nível de água no subsolo", bombeiros e autoridades não entrariam fisicamente no local e que seria usada, se possível, uma avaliação não tripulada, com drones, sem informar se ela chegou a ser feita. A gravidade dos danos levou à demolição do que restou do prédio, incluindo as treliças e as paredes de pedra, e o Fire Marshal's Office de Wilmington não respondeu à pergunta sobre se a investigação não tripulada foi de fato realizada. O vice-chefe Andre Cooper, do Fire Marshal's Office de Wilmington, também se recusou a responder sobre as provas coletadas e os métodos usados e não forneceu o relatório da análise estrutural feita pelo engenheiro, e um pedido do Spotlight Delaware para obter esses documentos pela lei de acesso a registros públicos ainda está pendente. ## O que diz um especialista Em agosto, quando a causa já constava como indeterminada, o professor Jim Milke, do Departamento de Engenharia de Proteção contra Incêndio da Universidade de Maryland, disse ao Spotlight Delaware que esse resultado é esperado nessa fase de uma investigação, principalmente quando o acesso à área do incêndio é limitado. Segundo Milke, essa limitação "torna difícil inspecionar a área em detalhe para ver que equipamentos havia ali ou identificar se algum acelerante foi usado para iniciar o fogo". Na mesma época, Cooper se recusou a comentar por que a investigação demorava e se alguma causa havia sido descartada, e disse que precisava proteger a integridade do caso. ## Boatos nas redes sociais Em junho, os bombeiros usaram o Facebook para desmentir boatos e afirmaram que "qualquer informação divulgada nas redes sociais é falsa", e entre os boatos estavam o de que uma bicicleta elétrica teria pegado fogo dentro do prédio e relatos de um estrondo, nenhum deles confirmado pelas autoridades da cidade. ## O incêndio e a igreja O incêndio de 17 de maio de 2026, um domingo, lançou chamas de 40ft (12,19m) acima da igreja, e o chefe dos bombeiros de Wilmington, John Looney, confirmou na época que dois bombeiros sofreram ferimentos leves, além de dizer que investigações de incêndio dessa importância "poderiam levar algumas semanas". O prédio, no número 812 da North Franklin Street, abrigava desde a década de 1960 a congregação fundada em 1813 por Peter Spencer, um homem que havia sido escravizado, e que, segundo o ex-pastor Lawrence M. Livingston, foi a primeira congregação afro-americana formalmente constituída no país. O pastor titular, o reverendo Ronald Whitaker, disse em agosto que entende que a causa pode nunca ser descoberta por causa da dimensão do incêndio e que a igreja será reconstruída no mesmo endereço, e em outubro de 2026 a Câmara Municipal de Wilmington aprovou uma contribuição de US$ 10.650 para a reconstrução, enquanto uma vaquinha no GoFundMe já arrecadou mais de US$ 24.000. --- # Morte na montanha-russa Goliath, na Geórgia, leva a investigação estadual e ao fechamento de brinquedos parecidos nos EUA e no Canadá - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/morte-na-montanha-russa-goliath-six-flags-georgia-investigacao/ - Fonte original: The Brock Press, https://brockpress.com/everything-we-know-about-the-ride-closures-in-canadas-wonderland-and-the-fatal-roller-coaster-accident-in-six-flags-over-georgia/, 25.Out.2026 (inglês) - Marcadores: montanha-russa, parque de diversões, investigação, Geórgia, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Morte na montanha-russa Goliath, na Geórgia, leva a investigação estadual e ao fechamento de brinquedos parecidos nos EUA e no Canadá", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/morte-na-montanha-russa-goliath-six-flags-georgia-investigacao/ ## O que importa - Um homem de 42 anos morreu em 12 de outubro de 2026 depois de cair da montanha-russa Goliath, no parque Six Flags Over Georgia, perto de Atlanta, e outras pessoas ficaram feridas. - O órgão estadual que fiscaliza brinquedos de parques examina o equipamento, a operação e os registros de manutenção e inspeção, e a última vistoria, em março de 2026, não apontou irregularidades. - Parques da Six Flags nos Estados Unidos e no Canadá fecharam montanhas-russas semelhantes por precaução, e o tipo de trava da Goliath, sem cinto de segurança secundário, entrou no debate. Um homem de 42 anos morreu em 12 de outubro de 2026 depois de cair da montanha-russa Goliath, no parque Six Flags Over Georgia, perto de Atlanta, nos Estados Unidos, e a morte levou o órgão estadual que fiscaliza os brinquedos de parques a abrir uma investigação sobre o equipamento, sua operação e seus registros, além do fechamento preventivo de montanhas-russas parecidas em parques do grupo nos Estados Unidos e no Canadá, segundo reportagem do The Brock Press publicada em 25 de outubro de 2026. ## O acidente A polícia do condado de Cobb confirmou a morte e informou que outras pessoas ficaram feridas, e testemunhas disseram às autoridades que o homem atingiu várias pessoas antes de cair sob o brinquedo, segundo relato da CNN com base em depoimentos dados à emissora local WXIA. A vítima foi identificada como Hassan Jihad Ibn Kariem, gerente de tecnologia da informação, professor de tecnologia e técnico de robótica da Wesley International Academy, escola de Atlanta, e o parque divulgou nota de pesar à família. ## Duas investigações paralelas A polícia do condado de Cobb conduz a investigação policial sobre as circunstâncias do caso, enquanto o Office of the Commissioner of Insurance and Safety Fire (OCI), órgão do estado da Geórgia que pela lei estadual concede licenças, inspeciona e investiga os brinquedos de parques, faz uma investigação própria sobre a segurança do brinquedo e o cumprimento das normas. Em comunicado de 15 de outubro de 2026, o comissário John F. King informou que investigadores e engenheiros do órgão estão no parque desde pouco depois do acidente, examinando o brinquedo, a operação e os registros para saber o que aconteceu e se todas as exigências estaduais de segurança foram cumpridas. Pela regra da Geórgia, os brinquedos fixos precisam ser inspecionados pelo OCI antes de abrir ao público e pelo menos uma vez por ano depois disso, com revisão de documentação, condições mecânicas, equipamentos de segurança e operação de acordo com as normas aplicáveis e as especificações do fabricante, e o regulamento estadual também traz exigências para sistemas de freio, equipamentos elétricos, procedimentos de emergência, restrições a passageiros, sinalização de segurança e qualificação dos operadores. A última inspeção do OCI na Goliath foi em 16 de março de 2026 e não registrou violações, deficiências, autuações ou interdições, e o órgão agora revisa os registros de inspeção, licenciamento e relatórios de incidentes do brinquedo. Desde o acidente, a Goliath está fora de operação e isolada, porque pelas normas estaduais todo brinquedo envolvido em acidente com morte ou ferimento grave só volta a funcionar depois da investigação completa do OCI, que vai decidir quando e em que condições isso pode acontecer. King disse que, se a investigação encontrar violações ou descumprimento das exigências de segurança, o órgão vai tomar as medidas previstas na lei da Geórgia, e que as conclusões serão divulgadas quando o trabalho terminar. ## A trava em discussão O caso levantou perguntas sobre as travas de segurança, porque, segundo a CTV News, a Goliath usa uma única trava de ombro do tipo concha, sem cinto de segurança secundário, e o engenheiro forense Doug Perovic, professor da Universidade de Toronto, disse à emissora que muitas montanhas-russas de anos atrás tinham uma espécie de sistema duplo de segurança. Perovic acrescentou que algumas travas secundárias foram retiradas para melhorar a experiência do passeio e agilizar o embarque e o desembarque, e o Brock Press observa que a causa do acidente ainda não foi confirmada e que não há conclusão de que a ausência do cinto tenha sido a causa. ## Fechamentos por precaução O Canada's Wonderland fechou temporariamente as montanhas-russas Behemoth e Leviathan, que têm cintos subabdominais de reserva instalados depois da montagem dos brinquedos, o La Ronde, em Montreal, fechou a sua Goliath para uma revisão de segurança com o fabricante, e também pararam a Fury 325 e a Thunder Striker, no Carowinds, na Carolina do Norte, a Orion e a Diamondback, no Kings Island, em Ohio, e a Nitro, no Six Flags Great Adventure, em Nova Jersey. A porta-voz do Canada's Wonderland, Grace Peacock, disse à CBC News que os brinquedos semelhantes foram fechados por excesso de cautela e que não há prazo para a reabertura. --- # Tornado em obra de Antalya, na Turquia, mata quatro operários, derruba guindaste e leva promotoria a investigar os responsáveis - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/tornado-em-obra-de-antalya-mata-quatro-operarios-e-derruba-guindaste/ - Fonte original: Daily Sabah (com agência Anadolu), https://www.dailysabah.com/turkiye/tornado-kills-4-construction-workers-in-antalya-turkiye/news, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: canteiro de obras, guindaste de torre, alojamento de operários, tornado, Turquia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Tornado em obra de Antalya, na Turquia, mata quatro operários, derruba guindaste e leva promotoria a investigar os responsáveis", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/tornado-em-obra-de-antalya-mata-quatro-operarios-e-derruba-guindaste/ ## O que importa - Um tornado atingiu um canteiro de obras no distrito de Kepez, em Antalya, por volta das 23h de 26 de outubro de 2026, destruiu os dois contêineres onde cinco operários estavam alojados e derrubou um guindaste de torre de cerca de 40m. - Quatro operários morreram e um ficou ferido, e o governador da província afirmou que as mortes não foram causadas pela queda do guindaste. - A promotoria de Antalya abriu investigação sobre culpa e negligência na obra, e o casal de empreiteiros dono do empreendimento, o técnico de segurança do trabalho e o chefe do canteiro foram alvo de ordens de detenção. Um tornado atingiu na noite de 26 de outubro de 2026 um canteiro de obras no bairro de Fevzi Çakmak, no distrito de Kepez, ao norte de Antalya, no sul da Turquia, e matou quatro operários que estavam alojados em contêineres dentro da obra, segundo o Daily Sabah, com informações da agência estatal Anadolu. ## O que aconteceu no canteiro Por volta das 23h, o vento arrancou e despedaçou os dois contêineres usados como alojamento, que abrigavam cinco operários, e todos foram arremessados para fora deles, e dois morreram no local, dois morreram depois no hospital, e o quinto ficou ferido, mas em bom estado, de acordo com as autoridades citadas pelo Daily Sabah e pela Al-Monitor. A agência turca DHA informou que o tornado derrubou também o guindaste de torre da obra, com cerca de 40m de altura e várias toneladas, que caiu sobre o terreno, e que os operários assistiam pela televisão, dentro do contêiner, ao clássico entre Galatasaray e Fenerbahçe quando o vento chegou. O governador de Antalya, Hulusi Şahin, disse aos jornalistas que a queda do guindaste não provocou vítimas e que as mortes e os ferimentos não foram causados por ele, versão repetida pela Euronews e pela Georgia Today. ## A força do vento e o rastro de destroços O jornal turco Istiklal relatou que os contêineres foram lançados a mais de 100m de distância e que até os beliches de ferro de dentro deles foram parar no jardim de um condomínio vizinho, enquanto imagens de drone mostraram material de construção e fôrmas metálicas espalhados ao redor, segundo o Daily Sabah. O governador contou à DHA que o tornado se formou num lugar inesperado, numa área montanhosa, e se desfez depois de algumas centenas de metros, derrubando tudo o que encontrou no caminho, e que pedaços dos contêineres chegaram ao telhado de uma escola de educação infantil a centenas de metros e nove veículos foram danificados. Şahin descreveu o caso como um fenômeno natural muito incomum, porque não houve registro de tornado ou tempestade em outro ponto da cidade e os prédios ao redor não sofreram danos semelhantes, e, segundo a Georgia Today, contou que o diretor regional de meteorologia tinha alertado durante o dia para a necessidade de preparo contra eventos climáticos extremos. O serviço meteorológico estatal turco tinha emitido alerta amarelo para chuva forte em Antalya, e a agência kuwaitiana KUNA, em texto publicado pelo Kuwait Times, atribuiu o tornado a um sistema de baixa pressão profundo centrado no leste do Mediterrâneo, que também afetou a Grécia. ## Investigação e responsabilização A promotoria-geral de Antalya abriu investigação, e o governador disse à DHA que o dono da obra, o último gerente e outras pessoas com responsabilidade no canteiro estavam sendo interrogados. A DHA informou que quatro pessoas foram detidas: o casal de empreiteiros dono do empreendimento, o técnico de segurança do trabalho e o chefe do canteiro, enquanto o Istiklal, em reportagem publicada na tarde de 27 de outubro de 2026, afirmou que a investigação apura alegações de culpa e negligência, que o casal seria levado ao fórum depois dos procedimentos na polícia e que o técnico de segurança e o chefe do canteiro, com ordem de detenção expedida, ainda não tinham sido localizados. Depois do tornado, as autoridades de Antalya mandaram desocupar os alojamentos provisórios dos canteiros de obras e fixar os guindastes de torre e os equipamentos pesados, segundo a KUNA, e pediram que os moradores ficassem longe das praias e das áreas baixas sujeitas a alagamento. O governador disse que três dos mortos eram sírios e um era turco, e que o operário ferido também é turco, mas a Caspian Post, citando a emissora TRT Haber, informou que as quatro vítimas e o ferido eram cidadãos turcos. --- # Documento vazado sugere que a Cellebrite acessa iPhones sem fio, a cerca de 8m de distância - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/documento-vazado-sugere-que-cellebrite-desbloqueia-iphones-sem-fio/ - Fonte original: Privacy Guides, https://www.privacyguides.org/news/2026/10/19/leaked-document-suggests-cellebrite-can-wirelessly-exploit-iphones/, 19.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, extração de dados, iPhone, Cellebrite, Bluetooth, vulnerabilidade - Como citar: NEXO CAUSAL, "Documento vazado sugere que a Cellebrite acessa iPhones sem fio, a cerca de 8m de distância", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/documento-vazado-sugere-que-cellebrite-desbloqueia-iphones-sem-fio/ ## O que importa - Um documento confidencial da Cellebrite, divulgado por um blogueiro em outubro de 2026, descreve o Advanced Unlocks, método para acessar iPhones 11 a 16 no estado posterior ao primeiro desbloqueio. - O método usa um aparelho dedicado com alcance de cerca de 8m, o que indica funcionamento sem fio, embora o documento não diga isso com todas as letras. - O blogueiro levanta a hipótese de uma falha no Bluetooth corrigida em silêncio pela Apple no iOS 26.5, o que não foi confirmado pela Apple nem pela Cellebrite. Um documento da Cellebrite marcado como confidencial, que um blogueiro diz ter recebido de uma fonte, descreve um novo método da empresa para dar à polícia acesso a iPhones a partir de um aparelho dedicado com alcance de cerca de 8m, o que indica funcionamento sem fio, segundo nota publicada pelo site Privacy Guides em 19 de outubro de 2026 com base no relato do blog justin.sh. ## O que diz o documento A Cellebrite, fabricante de ferramentas de extração de dados de celulares usadas pela polícia, chama o método de Advanced Unlocks, nome que não deve ser confundido com os "serviços avançados de desbloqueio" que a empresa vende há anos, e um comunicado à imprensa divulgado pela empresa mais cedo, em 2026, confirma que o Advanced Unlocks é um produto novo deste ano. Segundo o blogueiro, o documento, datado de março de 2026 e revisado pela última vez em 15 de setembro, apresenta o método como um "vetor AFU de nova geração, mais resistente às mudanças no sistema da Apple", ou seja, um caminho para acessar o iPhone no estado After First Unlock (AFU), em que o aparelho já foi desbloqueado uma vez desde que foi ligado e parte das chaves de criptografia fica disponível na memória. O documento diz que o método funciona com a proteção contra roubo de aparelho (Stolen Device Protection) ativada, que restringe a porta USB, cobre iPhones 11 a 16 com iOS 26 a 26.4 ou mais recente, "separa o acesso da extração" e depende de um aparelho dedicado com alcance declarado de cerca de 8m, e o Privacy Guides observa que isso sugere que a exploração não é feita pela porta USB, como costuma ser. O texto afirma ainda que "muitos laboratórios estão cada vez mais impedidos de acessar provas digitais essenciais nos iOS mais recentes", promete que o método reduz o risco de bloqueios repentinos trazidos por atualizações futuras do sistema e diz que ele foi liberado de forma limitada. ## A hipótese do Bluetooth O blogueiro avisa que o restante da análise é especulação, mas sustenta que o alcance combina com o do Bluetooth, que a Apple declara ser de cerca de 10m, e, comparando o programa bluetoothd do iOS 26.4 com o do iOS 26.5, encontrou correções de segurança na camada L2CAP, entre elas uma falha do tipo uso após liberação de memória (use-after-free) que poderia ser alcançada por qualquer aparelho dentro do alcance, antes de qualquer pareamento e sem ação do usuário. Ele não construiu uma prova de conceito e diz que a Apple corrigiu a falha no iOS 26.5 sem citá-la no boletim de segurança, e o especialista em segurança Bruce Schneier reproduziu o relato em seu blog em 20 de outubro de 2026 com o título "Possível nova falha de dia zero no rádio do iPhone usada pela Cellebrite". ## Por que o iPhone 17 ficou de fora O documento não inclui o iPhone 17 e o Air, lançados cerca de um ano antes, e tanto o blogueiro quanto o Privacy Guides apontam como explicação provável o Memory Integrity Enforcement, proteção de hardware contra falhas de segurança de memória que a Apple introduziu nesses aparelhos, embora nenhum dos dois afirme que essa seja a razão confirmada. O blogueiro diz que mantém o documento original em sigilo para proteger a fonte, que pode mostrá-lo a jornalistas e a funcionários da Apple, e que as conclusões técnicas são dele, sem confirmação da Apple ou da Cellebrite, enquanto o Privacy Guides lembra que documentos internos da Cellebrite já vazaram antes e confirmaram, na época, o que a empresa conseguia fazer. --- # Estatal de energia de Terra Nova e Labrador é multada pela morte de eletricista em pátio de alta tensão de usina - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/nl-hydro-multada-morte-de-trabalhador-subestacao-holyrood/ - Fonte original: CBC News, https://www.cbc.ca/news/canada/newfoundland-labrador/nl-hydro-ohs-fatal-guilty-plea-100k-fine-holyrood-9.7399442, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: choque elétrico, acidente de trabalho, segurança do trabalho, responsabilização, Canadá - Como citar: NEXO CAUSAL, "Estatal de energia de Terra Nova e Labrador é multada pela morte de eletricista em pátio de alta tensão de usina", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/nl-hydro-multada-morte-de-trabalhador-subestacao-holyrood/ ## O que importa - A Newfoundland and Labrador Hydro admitiu culpa por não garantir que os procedimentos de trabalho seguro fossem seguidos e foi multada em C$ 100.000 em 28 de outubro de 2026. - O eletricista industrial Bill Walsh, de 69 anos, morreu em agosto de 2023 ao levar um choque quando trabalhava numa plataforma de trabalho aéreo não isolada dentro do pátio de alta tensão da usina termelétrica de Holyrood. - A juíza aceitou a proposta conjunta de promotoria e defesa para o valor da multa, e as outras oito acusações apresentadas contra a empresa em 2025 foram retiradas. A Newfoundland and Labrador Hydro, empresa estatal de energia da província canadense de Terra Nova e Labrador, admitiu culpa em uma acusação de violação da lei provincial de saúde e segurança do trabalho pela morte de um eletricista em 2023 e foi multada em C$ 100.000 (dólares canadenses), segundo reportagem de Rob Antle publicada pela CBC News em 28 de outubro de 2026. ## O acidente Bill Walsh, eletricista industrial de 69 anos com mais de quatro décadas de profissão, morreu em agosto de 2023 ao levar um choque elétrico enquanto trabalhava numa plataforma de trabalho aéreo não isolada dentro do pátio de alta tensão (switchyard) da usina termelétrica de Holyrood, que pertence à empresa. A acusação que a empresa reconheceu foi a de não ter garantido, como empregadora, que os procedimentos de trabalho seguro fossem seguidos no local. ## As nove acusações de 2025 As acusações vieram de uma investigação da divisão de saúde e segurança do trabalho do Department of Government Modernization and Service Delivery, o órgão do governo provincial que fiscaliza a área, e foram anunciadas pela província em julho de 2025, com nove imputações contra a empresa e uma contra um supervisor. Entre as falhas atribuídas à empresa estavam não fornecer e manter local de trabalho, equipamentos, sistemas e ferramentas que garantissem a segurança, não dar a informação, o treinamento e a supervisão necessários, não garantir o uso das roupas e dispositivos de proteção, não escolher os equipamentos de proteção individual de acordo com normas reconhecidas e não operar cada ferramenta e máquina conforme as instruções do fabricante. Uma das imputações tratava das distâncias mínimas de aproximação: segundo a lista divulgada pelo governo, a empresa não obteve a garantia por escrito, assinada por um representante do dono do sistema elétrico, que o regulamento provincial exige quando as distâncias mínimas da subseção 498(3) não podem ser mantidas. O supervisor foi acusado de não garantir a saúde, a segurança e o bem-estar dos trabalhadores sob sua responsabilidade, e a reportagem de 28 de outubro de 2026 não informa o desfecho dessa acusação. ## A sentença Na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, na corte provincial em St. John's, a juíza Phyllis Harris aceitou a proposta conjunta da promotoria (Crown) e da defesa de uma multa de C$ 100.000, e as outras oito acusações contra a empresa foram retiradas. A juíza disse que a multa não reflete o valor da vida de Walsh e que o custo humano é incalculável, e a promotora Renee Coates afirmou que o valor é alto o bastante para ter efeito dissuasório e para garantir que medidas preventivas sejam tomadas pela saúde e segurança dos trabalhadores. O advogado da empresa, David Eaton, disse à corte que a Hydro revisou políticas e procedimentos e fez sessões de treinamento depois do acidente, e a presidente da empresa, Jennifer Williams, e outros executivos estavam no tribunal, mas não falaram e recusaram entrevistas à CBC. Em nota, a empresa afirmou que a morte teve impacto profundo em toda a organização e que pretende aprender com o caso. --- # Viaduto ferroviário de 140 anos desaba no rio Spey, na Escócia, e socavação é a causa provável - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-do-viaduto-do-spey-escocia-socavacao/ - Fonte original: The Times of India, https://timesofindia.indiatimes.com/world/rest-of-world/two-spans-of-a-140-year-old-scottish-railway-bridge-fell-into-the-river-spey-engineers-are-investigating-the-collapse-as-restoration-options-could-cost-more-than-1-million/articleshow/135253130.cms, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: ponte, socavação, colapso estrutural, Escócia, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Viaduto ferroviário de 140 anos desaba no rio Spey, na Escócia, e socavação é a causa provável", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-do-viaduto-do-spey-escocia-socavacao/ ## O que importa - Dois vãos do Spey Viaduct, ponte ferroviária de ferro construída entre 1883 e 1886 no nordeste da Escócia, caíram no rio Spey em 14 de dezembro de 2025. - O Moray Council aponta a socavação nas fundações, depois de uma mudança no curso do rio, como causa provável, mas a investigação só pode terminar depois que os vãos forem retirados da água. - A remoção em partes foi contratada por cerca de £806 mil, segundo o The Highland Times. Dois vãos do Spey Viaduct, também chamado de Garmouth Viaduct, ponte ferroviária de cerca de 140 anos sobre o rio Spey, no nordeste da Escócia, caíram no rio na manhã de 14 de dezembro de 2025, e os engenheiros do Moray Council, o conselho local que mantém a estrutura, apontam a socavação nas fundações como causa provável, embora a causa exata ainda dependa de uma investigação detalhada, segundo reportagem do Times of India publicada em 28 de outubro de 2026. ## A estrutura O viaduto foi construído entre 1883 e 1886 para a Great North of Scotland Railway, recebeu trens até o fechamento da ferrovia, em 1968, e desde então é mantido pelo conselho como trecho de caminhada e ciclismo da Moray Coastal Trail e da National Cycle Network Route 1, com acesso à Speyside Way. Segundo o histórico publicado pelo conselho, a ponte tem 950ft (289,56m) de comprimento, um vão central em treliça arqueada de ferro forjado com 350ft (106,68m) e três vãos de aproximação de 100ft (30,48m) de cada lado, apoiados em pilares de caixões de ferro fundido preenchidos com concreto e cravados até a rocha a profundidades de 25ft (7,62m) a 35ft (10,67m), com exceção dos pilares da ponta oeste do vão central, que desceram até 75ft (22,86m). O comprimento da obra foi definido pelo hábito do Spey de mudar de canal de tempos em tempos na planície perto da foz, e durante a construção o rio foi desviado para correr num canal único sob o vão central. ## Socavação e mudança no curso do rio Na avaliação inicial divulgada em 15 de dezembro de 2025, o conselho informou que o colapso parecia ter sido causado por socavação, processo em que a água em movimento rápido remove solo, areia ou cascalho em volta das fundações, dos pilares ou dos encontros de uma ponte até que a estrutura perca o apoio. A última avaliação feita por engenheiro especialista, em 2023, não encontrou sinal de socavação, mas o conselho afirma que o caminho do fluxo do rio parece ter mudado ao longo do último ano, o que pode ter alterado a ação da água sobre os pilares. A inspeção geral feita pelo inspetor de pontes do conselho em maio de 2025, que é visual e se repete a cada três anos, registrou necessidade de pintura do aço nos três vãos, perda de seção nas juntas sobrepostas, perda de argamassa nos pilares, um dos pilares do lado de montante trincado, madeira do piso com sinais de apodrecimento, parafusos soltos e sinais de socavação no leito sob o vão leste, e informou que as fundações não puderam ser inspecionadas com segurança, porque esse tipo de inspeção não alcança as partes submersas por causa da correnteza do Spey e da necessidade de apoio especializado. ## Remoção antes da investigação O conselho informou que a investigação começou, mas só pode ser concluída depois que os vãos caídos forem retirados do rio com segurança, quando serão examinados o que causou o colapso, o estado da estrutura remanescente e a viabilidade de recolocar o viaduto em uso. Os engenheiros compararam duas formas de retirada, a de içar cada vão inteiro, estimada em mais de £1 milhão e com riscos de segurança pela instabilidade da estrutura e de danos adicionais, e a de cortar os vãos em partes menores e removê-las uma a uma, estimada em cerca de £500 mil, que foi a escolhida por ser mais segura para os trabalhadores e reduzir o risco de danificar o que restou da ponte. Como o viaduto é protegido como patrimônio, o conselho pediu em fevereiro de 2026 a autorização específica para obras em bem tombado (Listed Building Consent) para desmontar os dois vãos, sem incluir no pedido reconstrução ou substituição. De acordo com o The Highland Times, citado pelo Times of India, o contrato de remoção ficou com a TMS Ltd, empresa especializada em engenharia marítima e civil, depois de uma concorrência com quatro propostas, por cerca de £806 mil, valor bem acima da estimativa inicial. A Transport Scotland, órgão de transportes do governo escocês, destinou £37 mil à investigação do colapso e da condição da estrutura, £16,5 mil a uma avaliação dos benefícios econômicos da travessia e £60 mil às primeiras rotas de desvio, num total de £113,5 mil, enquanto o conselho estima entre £1,5 milhão e £2 milhões o custo de uma travessia provisória pedida pela comunidade, opção que será analisada junto com a de recuperar o viaduto original. Com o viaduto fechado, a travessia mais próxima fica em Fochabers, cerca de 3mi (4,83km) rio acima, segundo o The Highland Times. --- # Incêndio no centro logístico da Coupang em Incheon teve como causa provável a fuga térmica de bateria de lítio, mas polícia encerra caso sem causa definida - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-coupang-incheon-bateria-de-litio-fuga-termica/ - Fonte original: Korea JoongAng Daily, https://www.koreajoongangdaily.com/korea/police-close-coupang-incheon-warehouse-fire-probe-with-cause-unknown/12945313, 29.Out.2026 (inglês) - Marcadores: bateria de íon-lítio, fuga térmica, centro logístico, origem e causa, Coreia do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio no centro logístico da Coupang em Incheon teve como causa provável a fuga térmica de bateria de lítio, mas polícia encerra caso sem causa definida", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-coupang-incheon-bateria-de-litio-fuga-termica/ ## O que importa - A Agência Nacional de Bombeiros da Coreia do Sul concluiu que o incêndio de julho no Centro Logístico 32 da Coupang, em Incheon, muito provavelmente começou com a fuga térmica de uma bateria de íon-lítio embutida em produtos domésticos estocados no sexto andar. - No mesmo dia, 29 de outubro de 2026, a polícia de Incheon encerrou o inquérito sem indiciar ninguém, porque as provas estavam queimadas demais para apontar a causa exata. - O prejuízo foi estimado em 114 bilhões de won, e os bombeiros vão mudar o combate a incêndio em grandes armazéns e as regras de estocagem de baterias. O incêndio que queimou por mais de quatro dias o Centro Logístico 32 da Coupang, no distrito de Seohae, em Incheon (Coreia do Sul), terminou com duas conclusões diferentes no mesmo dia, 29 de outubro de 2026, porque a Agência Nacional de Bombeiros apontou como causa provável a fuga térmica de uma bateria de íon-lítio, enquanto a polícia encerrou o inquérito dizendo que não conseguiu determinar a causa nem achar responsável, segundo reportagem de Byun Min-chul no Korea JoongAng Daily. ## O incêndio O fogo começou por volta das 6h54 de 18 de julho de 2026, no sexto andar do prédio, e as autoridades emitiram uma ordem nacional de mobilização, que levou ao local 917 bombeiros e policiais e 255 equipamentos, entre eles sete helicópteros, segundo o Seoul Economic Daily. O controle do incêndio levou 61 horas, o mais longo já registrado num centro logístico da Coreia, e a extinção completa só veio mais de 109 horas depois do início, com dois bombeiros com ferimentos leves por inalação de fumaça e exaustão e cerca de 200 moradores da vizinhança abrigados por quase duas semanas para fugir da fumaça e da poeira. ## O que concluíram os bombeiros A equipe central conjunta de investigação de incêndios da Agência Nacional de Bombeiros localizou a origem nas prateleiras de estocagem do sexto andar do Edifício B, que é o segundo mezanino, com base em depoimentos de testemunhas, imagens das câmeras de segurança, exame do local e ensaios de reconstituição, e nessas prateleiras ficavam produtos domésticos com baterias de íon-lítio embutidas. A conclusão dos bombeiros é que o fogo muito provavelmente começou com a fuga térmica, a reação em cadeia em que a bateria se aquece rapidamente e sem controle, numa bateria de íon-lítio dentro de um desses produtos, e a análise do Serviço Nacional de Perícia Forense (National Forensic Service) indicou que as baterias carbonizadas recolhidas no local podem ter pegado fogo depois da ruptura dielétrica, a perda do isolamento interno da célula. O dano, porém, foi tão grande que não permitiu identificar qual produto pegou fogo primeiro, e os investigadores reconstituíram a propagação: as chamas passaram para as embalagens dos produtos, o material de embalagem e as caixas de papelão próximas, subiram até o refeitório do sétimo andar e a cobertura no oitavo nível e avançaram pela fachada do Edifício B em direção ao Edifício A. Os bombeiros montaram uma linha defensiva na rampa de acesso e impediram que o fogo chegasse ao Edifício A e aos andares abaixo do quinto, e o prejuízo material foi estimado em 114 bilhões de won, sendo 37,4 bilhões de won em imóveis e 76,6 bilhões de won em bens móveis. ## O inquérito policial A polícia metropolitana de Incheon investigou incêndio criminoso, incêndio culposo e possíveis infrações à lei de sistemas de combate a incêndio e informou que não encontrou prova de crime, e chegou a indiciar uma pessoa não identificada por incêndio culposo, mas desistiu de mandar o caso ao Ministério Público por falta de provas. O inquérito também apurou se funcionários tinham desligado ou adulterado os sistemas de segurança contra incêndio e se havia problemas de manutenção, como os chuveiros automáticos (sprinklers) com defeito apontados em vistorias anteriores, e concluiu que as portas corta-fogo e os chuveiros automáticos funcionaram depois do início do fogo, segundo o The Asia Business Daily. Pela polícia, a origem foi o segundo compartimento de uma estante de três níveis no sexto andar, e, embora o Serviço Nacional de Perícia Forense tenha levantado a hipótese da ruptura dielétrica numa célula de bateria de um aparelho não identificado perto do ponto de origem, as provas estavam queimadas demais para que a causa fosse estabelecida. O professor In Se-jin, do departamento de engenharia de proteção contra incêndios e desastres da Universidade Woosong, disse ao Korea JoongAng Daily que é incomum não identificar a causa de um incêndio tão grande e que, sem causa definida, pode ser difícil levar o caso para a revisão das regras dos armazéns logísticos. ## Mudanças previstas O prédio recebeu o alvará de construção em maio de 2020 e por isso ficou fora das exigências mais rígidas de equipamentos de segurança contra incêndio para grandes armazéns logísticos que entraram em vigor neste ano, e a polícia pretende pedir ao Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes e à Agência Nacional de Bombeiros que essas exigências passem a valer também para os centros já existentes, além de regras de manejo das baterias suspeitas de ser fonte de ignição. A Agência Nacional de Bombeiros vai criar um procedimento de combate defensivo para armazéns sem janelas e de estrutura mista, chamado SOP 244, e discutir com os ministérios um limite para o estado de carga das baterias guardadas nesses armazéns, já que o risco de incêndio muda com a quantidade de carga, e o comissário da agência, Choi Yong-chul, recomendou às empresas que mantenham as baterias com a menor carga possível e cuidem da detecção precoce de incêndio. --- # Polícia de Suffolk, na Inglaterra, volta a usar reconhecimento facial ao vivo em três cidades - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/policia-de-suffolk-volta-a-usar-reconhecimento-facial-ao-vivo-em-tres-cidades/ - Fonte original: Suffolk News, https://www.suffolknews.co.uk/bury-st-edmunds/news/facial-recognition-van-to-be-rolled-out-in-three-town-centre-9488604/, 26.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, Inglaterra, polícia, lista de procurados, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Polícia de Suffolk, na Inglaterra, volta a usar reconhecimento facial ao vivo em três cidades", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/policia-de-suffolk-volta-a-usar-reconhecimento-facial-ao-vivo-em-tres-cidades/ ## O que importa - A polícia do condado inglês de Suffolk anunciou em 26 de outubro de 2026 que vai usar reconhecimento facial ao vivo em Lowestoft, Bury St Edmunds e Ipswich, numa terça, quarta e quinta-feira seguidas da semana seguinte. - A van e o equipamento foram emprestados pela polícia de Bedfordshire, e a corporação diz que as imagens de quem não está na lista de procurados são apagadas na hora. - Na passagem anterior por Ipswich, em 27 de agosto de 2026, o sistema examinou 27.531 rostos contra uma lista de 771 pessoas, gerou cinco alertas e levou a duas prisões. A polícia do condado inglês de Suffolk (Suffolk Constabulary) anunciou em 26 de outubro de 2026 que vai usar de novo o reconhecimento facial ao vivo nos centros de três cidades, Lowestoft, Bury St Edmunds e Ipswich, numa terça, quarta e quinta-feira seguidas da semana seguinte ao anúncio, à procura de pessoas procuradas por crimes graves, segundo o jornal Suffolk News. ## Como vai funcionar A van e o equipamento foram emprestados pela polícia de Bedfordshire, e o sistema compara as imagens ao vivo dos rostos de quem passa com um banco de pessoas procuradas, de modo que quem não está nessa lista de procurados não pode gerar uma coincidência. O sargento Anthony Welford, do núcleo de prevenção do condado, disse que as imagens de quem não é procurado são apagadas imediatamente e de forma automática, e defendeu a tecnologia como uma ferramenta eficaz para prender criminosos e proteger pessoas vulneráveis. Ele também disse que as operações são uma oportunidade de conversar com o público e convidou quem tiver dúvidas a procurar os policiais no local, e o comissário de polícia e crime de Suffolk, Tim Passmore, apoiou o plano e afirmou que a tecnologia tem enorme potencial para levar criminosos à Justiça e prevenir crimes. ## O que aconteceu nas operações anteriores Em 27 de agosto de 2026, com uma van emprestada pela polícia de Surrey, a operação em Ipswich funcionou das 10h20 às 13h50 na Tavern Lane e das 13h58 às 16h40 na Upper Brook Street, segundo o site Ipswich.co.uk. Naquele dia os policiais examinaram 27.531 rostos contra uma lista de 771 pessoas, o sistema gerou cinco alertas e dois deles terminaram em prisão, uma por uma agressão de violência doméstica ainda pendente e outra por descumprimento de uma ordem de prevenção de danos sexuais. Antes disso, em fevereiro de 2025, um teste de seis horas no Cornhill, em Ipswich, com equipamento emprestado pela polícia de Essex, examinou mais de 47.000 rostos e levou a cinco prisões, por crimes como deixar de comparecer ao tribunal e furto em loja. ## Alerta não é identificação Pelo funcionamento descrito pelo Ipswich.co.uk, a câmera capta os rostos dentro de uma área chamada zona de reconhecimento, o programa converte cada rosto num modelo numérico e o compara com os modelos da lista, gerando uma pontuação de semelhança que só vira alerta quando passa de um limite definido. O alerta vai para um policial treinado, que avalia o caso e decide se faz a abordagem, e quando não há coincidência o modelo numérico é apagado na hora. A polícia é obrigada a avisar o público antes de usar a tecnologia por causa da decisão do caso Bridges, em que a Corte de Apelação concluiu em agosto de 2020 que o uso oculto do reconhecimento facial automatizado não respeitava a Convenção Europeia de Direitos Humanos. Por isso as placas de aviso ficam fora da zona de reconhecimento, para que a pessoa possa evitar passar por ela, cada operação precisa de autorização por escrito de um oficial graduado, em geral do posto de superintendente para cima, e a lista de procurados deve ser revista antes de cada uso. --- # Perito em balística contratado pela defesa questiona a trajetória do disparo no caso do músico Shebeshxt, na África do Sul - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Balística forense - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/perito-em-balistica-questiona-trajetoria-do-disparo-no-caso-shebeshxt-na-africa-do-sul/ - Fonte original: Sunday World, https://sundayworld.co.za/news/ballistics-expert-questions-shooting-evidence-in-shebeshxt-case, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: balística forense, trajetória do projétil, prova pericial, fiança, África do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Perito em balística contratado pela defesa questiona a trajetória do disparo no caso do músico Shebeshxt, na África do Sul", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/perito-em-balistica-questiona-trajetoria-do-disparo-no-caso-shebeshxt-na-africa-do-sul/ ## O que importa - No pedido de fiança do músico Lehlogonolo Chauke, conhecido como Shebeshxt, o perito Christo De Klerk disse ao tribunal de Polokwane que as provas disponíveis não sustentam a trajetória do projétil apontada pela acusação. - Segundo ele, as fotos dos danos no encosto de cabeça do carro são incompletas, as marcas parecem grandes demais para um impacto de bala e faltam exames de imagem da vítima. - O perito pediu as fotos originais, os documentos de qualquer exame balístico e as provas físicas, como a arma, os projéteis, os fragmentos e os estojos. O perito independente em balística forense Christo De Klerk, chamado pela defesa do músico sul-africano Lehlogonolo Katlego Chauke, conhecido como Shebeshxt, disse ao Tribunal de Magistrados de Polokwane, na província de Limpopo, na terça-feira, 27 de outubro de 2026, que as provas disponíveis não sustentam de forma suficiente a trajetória do projétil proposta pela acusação, segundo reportagem de Coceka Magubeni publicada pelo jornal Sunday World no mesmo dia. ## O caso A acusação diz que em 19 de outubro de 2025, na Witklip Street, no bairro de Ladanna, em Polokwane, um motorista de 34 anos e um acompanhante que estavam num Nissan reconheceram Chauke e o cumprimentaram como fãs, e que o músico respondeu com um disparo na direção deles. Segundo a versão apresentada no tribunal, a bala quebrou o vidro do carro e atingiu o motorista no maxilar, e Chauke, preso em 12 de novembro de 2025 em casa, em Bendor, perto de Polokwane, responde por 20 acusações, entre elas tentativa de homicídio, posse de arma e munição sem registro e dano ao patrimônio, número que o jornal TimesLIVE dá como 21. O depoimento do perito faz parte de um novo pedido de fiança baseado em fatos novos, depois de pedidos anteriores negados, e em declaração juramentada citada pelo TimesLIVE em 9 de outubro de 2026 o músico afirmou que o inquérito entregue à defesa em julho não tinha laudo balístico confirmando que os ferimentos eram de arma de fogo. ## A trajetória contestada De Klerk analisou a relação entre os ferimentos na cabeça da vítima e os defeitos encontrados no encosto de cabeça do banco e disse que achou essa trajetória "altamente improvável", embora não tenha estado no local. Segundo ele, para que o caminho da bala pelo encosto coincidisse com os ferimentos de entrada e de saída relatados, a vítima teria de virar a cabeça a um ponto que ele considera muito pouco provável, e também não ficou claro se um único projétil poderia ter causado os ferimentos na sequência sugerida. O perito disse que a falta de exames de imagem impede saber se ficaram fragmentos do projétil ou outro material dentro do crânio da vítima, o que ajudaria a definir se o ferimento maior, na bochecha, foi o de entrada e o menor, na cabeça, o de saída. ## Fotos incompletas e provas que faltam De Klerk criticou a qualidade e a falta de detalhes das fotografias do carro e afirmou que os defeitos visíveis no encosto de cabeça parecem grandes demais para o impacto de uma bala, e disse no tribunal que não pode "excluir a possibilidade de que os defeitos tenham sido alterados antes de as fotografias serem tiradas". Ele explicou que as setas que aparecem nas fotos indicam onde estão os defeitos e não a direção em que o projétil viajou, e que as imagens da acusação são inconclusivas e deixam abertas outras hipóteses, como um disparo feito de dentro do carro ou pela janela aberta do lado do passageiro da frente. A posição dos bancos e dos vidros no momento do disparo também é incerta, segundo o perito, e essas variáveis mudam a reconstituição da trajetória. Para uma avaliação completa, De Klerk pediu as fotos originais do carro e do local, a documentação técnica de qualquer exame balístico feito e as provas físicas, como a arma, os projéteis recuperados, os fragmentos e os estojos, além de prontuários médicos e radiografias da vítima. O relatório dele conclui que a documentação disponível não dá base científica suficiente para atribuir os ferimentos a um disparo de arma de fogo sem outras provas que confirmem essa conclusão. Na mesma declaração citada pelo TimesLIVE, Chauke diz que a negativa da fiança em 30 de abril de 2026 se apoiou numa opinião do investigador do caso, Petrus Ralefatana, que segundo a defesa não tem formação em balística nem em medicina para explicar como os ferimentos foram produzidos. --- # Colisão de trens de alta velocidade em Urda, na Espanha, começou com falha do sistema de sinalização LZB - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Reconstrução de acidentes de trânsito - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/colisao-de-trens-de-alta-velocidade-em-urda-espanha-falha-de-sinalizacao/ - Fonte original: El País (edição em inglês), https://english.elpais.com/spain/2026-10-28/what-is-the-lzb-signaling-system-one-of-the-key-factors-in-the-fatal-train-accident-in-spain.html, 28.Out.2026 (inglês) - Marcadores: acidente ferroviário, trem de alta velocidade, sinalização ferroviária, LZB, Espanha - Como citar: NEXO CAUSAL, "Colisão de trens de alta velocidade em Urda, na Espanha, começou com falha do sistema de sinalização LZB", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/colisao-de-trens-de-alta-velocidade-em-urda-espanha-falha-de-sinalizacao/ ## O que importa - Um AVE da Renfe atingiu a traseira de um trem da Iryo parado na linha Madri-Sevilha, perto de Urda (Toledo), na manhã de 28 de outubro de 2026, e o balanço divulgado no mesmo dia era de pelo menos 68 mortos. - Segundo o governo espanhol, depois de uma falha do sistema de sinalização LZB, o centro de controle de Atocha mandou o AVE seguir em marcha normal, e não em marcha à vista, sem confirmar que o trem da frente tinha se afastado. - A comissão de investigação de acidentes ferroviários e a Justiça vão reconstruir a sequência, da falha da sinalização à ordem de partida e à colisão. Um trem AVE da estatal Renfe atingiu a traseira de um trem da empresa privada Iryo que estava parado na linha de alta velocidade Madri-Sevilha, no quilômetro 118, entre as cidades de Mora, Orgaz e Urda, na província de Toledo, às 8h54 de quarta-feira, 28 de outubro de 2026, e as primeiras indicações do governo espanhol apontam para um erro humano cometido depois de uma falha no sistema principal de sinalização da linha, segundo a cobertura do jornal El País. ## O balanço Os dois trens, que seguiam de Madri para Sevilha, levavam 544 passageiros, sendo 146 e um bebê no trem da Iryo e 397 no Renfe 2080, e o impacto fez dois carros do Iryo descarrilarem e caírem por um aterro, de acordo com o Ministério dos Transportes. Ainda em 28 de outubro de 2026, o presidente do governo regional de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, atualizou o balanço para 68 mortos, 15 feridos graves e 53 feridos com lesões menos graves, e fontes do governo central disseram esperar que o número de mortos subisse quando as equipes tivessem acesso completo aos carros destruídos do Iryo. ## Da falha da sinalização à ordem de partida A linha usa o sistema alemão LZB (Linienzugbeeinflussung), que monitora de forma contínua a velocidade dos trens e transmite as instruções de circulação para a cabine do maquinista, e quando essa proteção automática falha a operação passa para controle manual, segundo a declaração de rede da Adif, a estatal que administra a infraestrutura ferroviária. Os primeiros relatos indicam que o sistema falhou na quarta-feira e que cerca de oito trens da região pararam, depois do que o centro de controle passou à operação manual e mandou todos retomarem a viagem, mas o trem da Iryo não conseguiu partir e ficou parado na via. As gravações das conversas com o centro de regulação e controle de Atocha, em Madri, mostram que o controlador mandou o maquinista do AVE, que vinha atrás, retomar a "marcha normal", em velocidade normal, em vez da "marcha a vista", de 40km/h, que permite ao maquinista ver a tempo qualquer obstáculo na via e frear, e o AVE chegou a uma velocidade estimada de 200km/h antes de bater no Iryo, de acordo com reportagem de Carlos E. Cué publicada pelo El País em 29 de outubro de 2026. A maquinista do Iryo, que tinha recebido a mesma ordem de seguir, ligou sete minutos depois para o centro de controle para avisar que continuava parada porque não conseguia religar o trem, e mesmo assim ninguém avisou o maquinista do AVE de que precisava frear imediatamente, ainda segundo o jornal. Para o governo, o primeiro grande erro foi mandar o AVE voltar a andar às 8h36 sem que o centro de controle tivesse confirmado que o Iryo já se afastava, e em velocidade normal, quando o protocolo exige a marcha mais lenta enquanto não se confirma que o trem da frente está a mais de 30km de distância, e o El País informou que o trem da Renfe percorreu 25km desde a falha da sinalização até a colisão. ## As camadas de proteção da linha A Madri-Sevilha é a linha de alta velocidade mais antiga da Espanha, inaugurada em abril de 1992 para a Exposição Universal de Sevilha, e está em modernização, com a troca do LZB pelo ERTMS (European Rail Traffic Management System) de nível 2, padrão europeu que também supervisiona velocidade e frenagem de forma contínua, mas por comunicação de rádio, e não por informação transmitida em pontos fixos por equipamentos de via. A segurança da linha combina ainda o ASFA, sistema de anúncio de sinais e frenagem automática que passa informações de balizas na via para o maquinista e pode frear o trem em certas situações, como ao passar um sinal de parada, o bloqueio automático (BCA), os sistemas de detecção de trens previstos na norma técnica de sinalização da Adif (NAS 811), que dividem a via em seções e identificam se cada uma está ocupada, e a rede de comunicação GSM-R entre trens e centros de controle. ## A investigação O primeiro-ministro Pedro Sánchez foi a Urda e disse que a Comisión de Investigación de Accidentes Ferroviarios e as autoridades judiciais já trabalham no caso, enquanto o próprio ministério tenta determinar a causa, e afirmou que, se houve negligência, ela virá à tona e que, se houve falhas no sistema de segurança, haverá resposta firme. O tribunal da comarca de Orgaz vai conduzir a investigação judicial, e os investigadores terão de reconstruir toda a sequência, da possível falha de sinalização à ordem para os trens seguirem e à colisão, para verificar se os procedimentos previstos foram cumpridos e se erros técnicos ou humanos contribuíram para o acidente. Sindicatos ferroviários rejeitaram atribuir a culpa aos trabalhadores antes do fim das investigações, e o Sindicato de Circulación Ferroviaria (SCF) chamou atenção para a idade de parte dos equipamentos de informática do centro de controle de Atocha, que segundo a entidade ainda tem equipamentos da década de 1990. O acidente ocorreu nove meses depois do de Adamuz, na província de Córdoba, que matou 46 pessoas, e Sánchez disse que não é aceitável que um país como a Espanha sofra dois acidentes ferroviários desse porte no mesmo ano. --- # Juiz manda entregar registros do uso de ChatGPT e Claude por ex-engenheiro da Apple em processo contra a OpenAI - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/juiz-manda-entregar-registros-de-ia-de-ex-engenheiro-da-apple-em-processo-contra-openai/ - Fonte original: 9to5Mac, https://9to5mac.com/2026/10/27/apple-wins-expanded-access-to-evidence-in-openai-trade-secrets-lawsuit/, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: prova digital, segredo industrial, inteligência artificial, produção antecipada de provas, Apple, OpenAI - Como citar: NEXO CAUSAL, "Juiz manda entregar registros do uso de ChatGPT e Claude por ex-engenheiro da Apple em processo contra a OpenAI", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/juiz-manda-entregar-registros-de-ia-de-ex-engenheiro-da-apple-em-processo-contra-openai/ ## O que importa - O juiz federal Edward Davila ampliou em 27 de outubro de 2026 o acesso antecipado da Apple às provas no processo em que ela acusa dois ex-funcionários, a OpenAI e a io Products de apropriação de segredos industriais. - A decisão inclui os registros do uso de ChatGPT, Claude, Codex, OpenClaw e outras ferramentas de IA pelo ex-engenheiro Chang Liu, em aparelhos e contas pessoais e corporativas. - Os réus têm até 14 dias para entregar o material, e pedidos sobre aparelhos, contas e investigações internas da própria OpenAI foram negados. O juiz federal Edward Davila, do Distrito Norte da Califórnia, mandou que os réus do processo movido pela Apple contra dois ex-funcionários, a OpenAI e a io Products entreguem os registros do uso de ferramentas de inteligência artificial pelo ex-engenheiro Chang Liu, entre elas ChatGPT, Claude, Codex e OpenClaw, em aparelhos e contas pessoais e corporativas, segundo reportagem de Marcus Mendes publicada pelo 9to5Mac em 27 de outubro de 2026. ## O processo A Apple entrou com a ação em julho de 2026 acusando Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos da empresa, e Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design de produto do iPhone e do Apple Watch, além da OpenAI e da io Products, empresa de hardware comprada pela OpenAI, de usar informações confidenciais da Apple para ajudar o desenvolvimento de produtos de consumo da OpenAI, e a OpenAI pediu que a ação seja extinta. Na petição inicial, segundo a NBC News, a Apple alegou que Liu não devolveu um notebook da empresa e depois usou uma falha de autenticação para entrar na rede interna e baixar "dezenas de arquivos confidenciais relacionados a hardware". ## A perícia no notebook Em 31 de agosto de 2026, a Apple informou ao tribunal que os advogados de Liu tinham entregado o MacBook que ele usou depois de sair da empresa e que uma "análise forense inicial" do aparelho indicava que ele baixou um esquema de circuito confidencial da Apple e o usou no trabalho na OpenAI, segundo o 9to5Mac. No mesmo documento, a Apple alegou que Liu e outras pessoas na OpenAI sabiam do acesso dele ao armazenamento em nuvem de terceiros usado pela Apple, que ele mandou a uma colega da OpenAI instruções para destruir provas quando soube da investigação interna da Apple, e que ele rodou em março uma simulação com o esquema no LTspice, programa de engenharia elétrica, numa época em que dizia em mensagens que seu "agente" de IA tinha aprendido a usar o programa e revisar os resultados. A Apple soube do uso do esquema porque Liu trabalhou com ele num Mac mini que depois sincronizou pelo iCloud com o MacBook levado da empresa, e por isso pediu acesso também ao Mac mini, além de sustentar que, quando informação sigilosa alimenta um agente ou modelo de IA que aprende com ela, esse aprendizado "pode criar usos irreversíveis e que se propagam continuamente" do segredo industrial. ## O que o juiz liberou No início do mesmo mês, Davila já tinha dado à Apple acesso antecipado a alguns documentos internos, provas periciais e depoimentos, mas adiou outros pedidos por considerar ampla demais a definição de "informação originada da Apple", e, depois que as partes chegaram a uma definição mais estreita, que o juiz adotou com ajustes, ele concedeu na decisão de 27 de outubro de 2026 vários dos pedidos adiados. Além dos registros de uso de IA por Liu, a decisão inclui detalhes sobre os aparelhos, contas e aplicativos de mensagens que Liu e Tan teriam usado para acessar, guardar ou compartilhar informação confidencial da Apple, e detalhes sobre qualquer informação confidencial da Apple que possa ter sido apagada ou destruída, com quando, como, por que e por quem. A Apple também poderá ouvir representantes da OpenAI e da io Products sobre trabalhos com informação da Apple ligados a baterias, gerenciamento de energia e acabamento de metais, sobre entrevistas de emprego com funcionários da Apple e sobre as medidas que a OpenAI tomou, ou deixou de tomar, para evitar o uso indevido dessa informação. O juiz negou os pedidos de informações sobre os aparelhos e contas da própria OpenAI, sobre as investigações internas dela e sobre eventual exclusão de informação confidencial da Apple pela empresa, e negou ainda dois pedidos de depoimento corporativo por considerá-los amplos demais nesta fase, que a Apple poderá repetir na fase normal de produção de provas. Pela nova ordem, os réus têm até 14 dias para entregar os registros pedidos e responder às perguntas da Apple, enquanto a acusação de apropriação de segredos industriais ainda não foi julgada. --- # Operário morre na queda de guindaste de caminhão em Ramat Gan, e máquinas do fabricante já tinham sido suspensas em Israel por trincas nas lanças - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Acidentes de trabalho e máquinas - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/operario-morre-em-queda-de-guindaste-de-caminhao-em-ramat-gan-israel/ - Fonte original: Ynet, https://www.ynet.co.il/news/article/s1e4rskpzx, 28.Out.2026 (hebraico) - Marcadores: guindaste, acidente de trabalho, construção civil, inspeção de equipamentos, Israel - Como citar: NEXO CAUSAL, "Operário morre na queda de guindaste de caminhão em Ramat Gan, e máquinas do fabricante já tinham sido suspensas em Israel por trincas nas lanças", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/operario-morre-em-queda-de-guindaste-de-caminhao-em-ramat-gan-israel/ ## O que importa - Um operário de cerca de 30 anos morreu em 28 de outubro de 2026 numa obra perto do complexo da Bolsa, na Menachem Begin Road, em Ramat Gan (Israel), depois que um guindaste montado em caminhão desabou sobre ele. - Segundo um fórum de prevenção de acidentes de trabalho, o guindaste é da fabricante turca ERKIN, cujos equipamentos o Ministério do Trabalho mandou parar em março de 2025 por trincas nas lanças e suspeita de falha nas soldas e liberou de novo um mês depois. - O ministério diz que a causa está sob investigação técnica com a polícia e especialistas externos e nega ter ignorado os alertas. Um operário da construção civil de cerca de 30 anos morreu na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, numa obra na região do complexo da Bolsa, na Menachem Begin Road, em Ramat Gan (Israel), depois que um guindaste montado em caminhão desabou e o atingiu, e, segundo um fórum de prevenção de acidentes de trabalho ouvido pelo Ynet, a máquina é de um fabricante turco cujos guindastes o Ministério do Trabalho israelense proibiu em 2025 por trincas nas lanças e suspeita de defeito nas soldas. ## O acidente Bombeiros foram chamados para retirar o operário, que ficou preso sob o guindaste, e a equipe do Magen David Adom (MDA), o serviço de emergência médica de Israel, encontrou o homem inconsciente, sem respiração e sem pulso, com politraumatismo, e declarou a morte no local depois das manobras de reanimação, segundo o Ynet, o Maariv e o site Zo HaDerech. Os socorristas do MDA disseram que encontraram "uma cena muito difícil" e que o operário aparentemente tinha sido atingido por um objeto pesado, enquanto o JFeed e o Kikar HaShabat publicaram outra versão, de que ele foi retirado em estado grave e levado ao hospital, onde a morte foi confirmada. A polícia abriu investigação sobre as circunstâncias, que inclui a possibilidade de defeito técnico, descumprimento das regras de segurança ou falha de manutenção, e a via ficou fechada ao trânsito por algum tempo, segundo o JFeed e o Kikar HaShabat. ## O histórico do fabricante De acordo com o Fórum para a Prevenção de Acidentes de Trabalho, o guindaste foi fabricado pela empresa turca ERKIN, e o fórum afirma ter alertado o Ministério do Trabalho sobre os riscos desses equipamentos desde março de 2025. Documentos oficiais do ministério obtidos pelo Ynet mostram que a Administração de Segurança do ministério publicou em 13 de março de 2025 um aviso de que havia suspeita razoável de risco à vida e à saúde de pessoas com o uso continuado dos guindastes, orientou os fiscais do trabalho a emitir ordens de segurança para interromper o uso e recomendou aos proprietários que parassem as máquinas imediatamente, mesmo sem ordem emitida. Num documento de fundamentação, o ministério relatou trincas encontradas nas lanças de vários guindastes da marca e um laudo de engenharia que apontava suspeita real de defeito na qualidade das soldas, e escreveu que os achados indicavam risco de falha técnica imprevista e que o uso continuado poderia pôr em perigo os trabalhadores e quem estivesse por perto. Menos de um mês depois, em 10 de abril de 2025, o ministério publicou novas instruções que permitiram a volta dos guindastes ao trabalho, desde que submetidos a inspeções e condições, e fixou exigências mais rígidas para dois modelos, o ER265000 e o ER268000, com inspeções periódicas mais frequentes e ensaios especiais para detectar defeitos no material. Na fundamentação dessa segunda decisão, o ministério escreveu que, depois de uma série de inspeções e reuniões com o fabricante e seus representantes em Israel, não encontrou indício de problema de origem no projeto dos guindastes, e apontou a conduta dos operadores como fator que pode aumentar muito o risco de falha estrutural, entre outros motivos pela possibilidade de desativar dispositivos de segurança e de operar as máquinas com cargas acima do permitido. ## As acusações e as respostas O advogado Israel Asel, consultor jurídico do fórum, disse que um laudo de engenheiros do Technion, o Instituto de Tecnologia de Israel, apontou falhas graves no processo de fabricação dos guindastes e que o ministério "enterrou o laudo na gaveta" e, ao liberar as máquinas, adotou a posição do importador, que atribuía as trincas aos operadores. Asel lembrou que, em 28 de novembro de 2025, um guindaste do mesmo fabricante desabou perto de uma creche em Giv'at Shmuel, sem feridos, disse que desta vez a lança que se partiu atingiu o operário e atribuiu a responsabilidade aos dirigentes da Administração de Segurança que autorizaram a volta dos equipamentos, embora o Ynet ressalve que as circunstâncias do acidente e a causa exata da falha ainda não foram esclarecidas. O Ministério do Trabalho respondeu que as circunstâncias estão sob investigação técnica da Administração de Segurança com a Polícia de Israel e com especialistas externos em análise de falha do equipamento ou da operação, chamou de "totalmente infundadas" as acusações de ter ignorado alertas ou adotado a posição do importador e disse que foi a própria Administração de Segurança que emitiu os alertas, parou as máquinas e exigiu um protocolo rigoroso de inspeção de engenharia, com ensaios de laboratório e ensaios não destrutivos. O ministério acrescentou que a autorização de importação desses equipamentos cabe ao Ministério dos Transportes, e não a ele, que responde pela fiscalização e pela segurança nos locais de trabalho. A importadora dos guindastes ERKIN em Israel, por meio de seu advogado, apresentou condolências às famílias, disse não conhecer ainda os detalhes do acidente, afirmou que o ensaio atribuído ao Technion foi mal feito, chegou a resultados errados e foi depois refutado por um laboratório credenciado, sustentou que em todos os acidentes anteriores a culpa foi do uso inadequado do guindaste e defendeu fiscalização mais rígida sobre os operadores. Segundo o Grupo de Combate aos Acidentes na Construção e na Indústria, citado pelo Zo HaDerech, 60 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho em Israel desde o início do ano, 37 deles em canteiros de obras, e no mesmo dia do acidente em Ramat Gan um trabalhador indiano de 30 anos morreu depois de cair de grande altura numa obra em Herzliya. --- # Dados de celular de 2011 reanalisados levam à prisão do ex-noivo no caso Michelle Parker, em Orlando - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/dados-de-celular-reanalisados-levam-a-prisao-no-caso-michelle-parker-15-anos-depois/ - Fonte original: FOX 35 Orlando, https://www.fox35orlando.com/news/michelle-parker-update-dale-smith-jr-s-46-page-arrest-report-released-heres-what-we-know, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, dados de localização, torres de celular, caso arquivado, Flórida, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Dados de celular de 2011 reanalisados levam à prisão do ex-noivo no caso Michelle Parker, em Orlando", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/dados-de-celular-reanalisados-levam-a-prisao-no-caso-michelle-parker-15-anos-depois/ ## O que importa - A polícia de Orlando prendeu em 14 de outubro de 2026 Dale Smith Jr., ex-noivo de Michelle Parker, desaparecida desde 17 de novembro de 2011, sob acusação de homicídio de segundo grau. - Segundo a polícia, a reanálise com técnicas atuais de perícia digital dos dados de celular colhidos em 2011 trouxe informação de localização e de comunicação entre aparelhos que não se conseguia ler na época. - O relatório de prisão, de 46 páginas, foi tornado público em 27 de outubro de 2026, o corpo de Michelle nunca foi encontrado e o acusado nega envolvimento. A polícia de Orlando, na Flórida, atribui à reanálise de dados de celular colhidos em 2011, feita com técnicas atuais de perícia digital, a prisão de Dale Smith Jr., ex-noivo de Michelle Parker, mãe de três filhos desaparecida há quase 15 anos, e o relatório de prisão de 46 páginas, tornado público em 27 de outubro de 2026 por ordem de um juiz do condado de Orange, detalha esse trabalho, segundo reportagem de Josh Frigerio publicada pela FOX 35 Orlando no mesmo dia. ## O desaparecimento Michelle Parker, então com 33 anos, sumiu em 17 de novembro de 2011, depois de deixar os filhos gêmeos de 3 anos, que teve com Smith, no condomínio onde ele morava, no mesmo dia em que foi ao ar em todo o país um episódio do programa de TV "The People's Court" em que os dois disputavam um anel de noivado de US$ 5.000. Uma câmera de segurança registrou a chegada dela ao condomínio às 15h18, que foi a última vez que alguém a viu, e às 16h26 o irmão mandou uma mensagem perguntando onde ela estava e recebeu do celular dela a resposta "Waterford", nome de uma região de Orlando, enquanto os registros das torres de telefonia indicavam que o aparelho estava perto da Hoffner Avenue, próximo ao apartamento de Smith, segundo a cronologia montada pela emissora News 6 com base em informações dos investigadores e em autos judiciais. Por volta das 20h, o celular dela parou de se comunicar com uma torre na região de Belle Isle, e mergulhadores encontraram depois o iPhone debaixo de uma ponte sobre o lago Conway, enquanto o carro dela, sem os adesivos que o identificavam, foi filmado às 20h55 e achado abandonado no dia seguinte, perto de um conjunto de apartamentos. ## O que a reanálise trouxe Na entrevista coletiva de 14 de outubro de 2026, o chefe de polícia de Orlando, Eric Smith, que não tem parentesco com o acusado, disse que no último ano a equipe de investigação foi ampliada, reexaminou depoimentos e declarações contraditórias do suspeito e usou os avanços da perícia digital para descobrir e analisar provas adicionais. Um dos detetives responsáveis explicou que provas e dados antigos foram reexaminados com tecnologia nova e que hoje a equipe consegue "interpretar melhor esses dados", citando informação mais precisa de localização e de comunicação entre os aparelhos usados em 2011. O relatório de prisão diz que os detetives revisaram mensagens de texto e dados obtidos em 2011 entre Smith e Michelle e encontraram melhores dados de localização e de usuário, inclusive o conteúdo das mensagens, informação que, segundo os detetives, provavelmente não estava disponível em 2011, e registra que os dois trocaram mais de 1.000 mensagens de texto entre 1º de outubro e 17 de novembro de 2011. Segundo a FOX 13, a polícia também revisitou com essas técnicas informação de computadores e de câmeras colhida em 2011, e o documento descreve ainda fotos de arranhões no rosto, no braço e nas costas de Smith tiradas pelos detetives na época, que a investigação interpreta como lesões de defesa. ## A acusação e o que falta Smith foi apontado como único suspeito ainda em 2011, mas não havia sido preso nem acusado formalmente até a manhã de 14 de outubro de 2026, quando foi detido no local de trabalho pela unidade de capturas e pela equipe tática da polícia, e a promotora estadual Monique Worrell disse que a acusação começa como homicídio de segundo grau e pode ser agravada se as provas permitirem. Promotores e polícia queriam manter o relatório em sigilo por causa da investigação em andamento e do possível efeito sobre os futuros jurados, mas o juiz mandou divulgá-lo numa audiência em 26 de outubro de 2026, e a versão da polícia é a de que Michelle foi morta dentro da casa de Smith no dia do desaparecimento. O corpo de Michelle Parker nunca foi encontrado, uma busca feita em 2023 sob uma laje de concreto num terreno do pai do acusado não achou nada, e Smith, que não foi condenado, sempre negou qualquer envolvimento no desaparecimento. --- # Choques em transformadores e cabos da rede elétrica matam três homens no México e na Argentina em outubro - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/choques-em-transformadores-matam-tres-no-mexico-e-na-argentina/ - Fonte original: El Diario de Sonora, https://eldiariodesonora.com.mx/nogales/2026/10/29/muere-hombre-electrocutado-transformador-maquiladora-nogales.html, 29.Out.2026 (espanhol) - Marcadores: choque elétrico, transformador, furto de cobre, México, Argentina - Como citar: NEXO CAUSAL, "Choques em transformadores e cabos da rede elétrica matam três homens no México e na Argentina em outubro", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/choques-em-transformadores-matam-tres-no-mexico-e-na-argentina/ ## O que importa - Em Nogales, no México, um homem de 38 anos morreu dias depois de levar um choque ao mexer nos cabos de alta tensão do transformador de uma maquiladora, em 24 de outubro de 2026. - Em Lavalle, na Argentina, um homem de 30 anos foi encontrado morto numa vala de irrigação perto de um transformador com um cabo de alta tensão cortado, e levava uma tesoura de poda. - Em Playa del Carmen, no México, um homem morreu quando retirar cabo de cobre de uma caixa subterrânea da CFE, segundo os relatos preliminares, e a descarga cortou a luz da vizinhança. Três mortes por choque elétrico noticiadas em outubro de 2026 no México e na Argentina envolveram transformadores e cabos de alta tensão, e nos três casos a polícia e os órgãos de investigação locais foram acionados. ## Nogales, Sonora: transformador de uma maquiladora Raúl, de 38 anos, morreu no Hospital IMSS-Bienestar, em Nogales, no estado mexicano de Sonora, onde estava internado desde 24 de outubro de 2026 com as lesões de uma descarga elétrica sofrida na maquiladora MKS, segundo reportagem de Cesar Barragán publicada pelo El Diario de Sonora em 29 de outubro de 2026. Na manhã do sábado, 24 de outubro, ele foi resgatado por bombeiros de Nogales e paramédicos da Cruz Vermelha depois de levar o choque no transformador da empresa, onde, segundo o jornal, tentou manipular os cabos de alta tensão. A polícia municipal foi avisada da morte pelo rádio do C5 às 01h55, e a mãe do homem confirmou aos agentes que ele estava internado desde o acidente, enquanto a Fiscalía General de Justicia do estado ficou com as diligências legais, e a reportagem não informa se ele trabalhava na fábrica. ## Lavalle, Mendoza: cabo cortado e tesoura de poda Em Lavalle, na província argentina de Mendoza, um homem de 30 anos foi encontrado morto na manhã do sábado, 24 de outubro de 2026, dentro de uma vala de irrigação (acequia) perto de uma propriedade rural na região da rota 34 com a rua Pantano, segundo o Diario Mendoza. Policiais que patrulhavam a área foram avisados de uma pessoa caída e sem reação, e a equipe do Servicio de Emergencias Coordinado constatou a morte no local. O homem tinha queimaduras nas duas mãos e no abdome e estava com uma tesoura de poda e uma mochila, e na inspeção do local a polícia encontrou um cabo de alta tensão cortado num transformador próximo, o que levou à hipótese de que ele levou o choque ao cortar esse cabo. O caso foi registrado na Comisaría 17, e a Unidad Investigativa Departamental de Lavalle assumiu a investigação. ## Playa del Carmen, Quintana Roo: caixa subterrânea da CFE Em Playa del Carmen, no estado mexicano de Quintana Roo, um homem morreu na tarde de 14 de outubro de 2026 depois de receber uma forte descarga quando, segundo os relatos preliminares, tentava retirar cabo de cobre de uma caixa subterrânea (registro) da Comisión Federal de Electricidad (CFE), perto do assentamento irregular Bali, na avenida 115, de acordo com o jornal Por Esto!. Os moradores chamaram o 911 depois de ouvir um estrondo que cortou a energia das casas em volta, e o jornal atribui a explosão a um arco elétrico. Paramédicos confirmaram a morte no local, a polícia municipal isolou o perímetro para preservar os vestígios ligados à tentativa de furto até a chegada da Fiscalía General do estado, e equipes da CFE consertaram o cabeamento e religaram a energia da vizinhança. --- # Varandas que desabam na Grécia: engenheiro aponta corrosão da armadura e os sinais que pedem inspeção - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/varandas-de-concreto-na-grecia-corrosao-da-armadura-sinais-de-alerta/ - Fonte original: ProtoThema English, https://en.protothema.gr/2026/10/29/crumbling-balconies-in-greece-engineer-reveals-warning-signs-property-owners-must-watch-for/, 29.Out.2026 (inglês) - Marcadores: varanda, corrosão de armadura, concreto armado, inspeção predial, Grécia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Varandas que desabam na Grécia: engenheiro aponta corrosão da armadura e os sinais que pedem inspeção", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/varandas-de-concreto-na-grecia-corrosao-da-armadura-sinais-de-alerta/ ## O que importa - Quedas de varandas em Atenas, Lavrio, Creta e Tessalônica reacenderam na Grécia o pedido de inspeções sistemáticas em prédios antigos. - O professor Christos Zeris, da Universidade Técnica Nacional de Atenas, explica que trincas ao longo das barras, manchas de ferrugem e concreto que se solta indicam corrosão da armadura. - Ele defende mapear a exposição ambiental do país e priorizar as inspeções, com ensaios não destrutivos no local, antes do próximo acidente. A sequência de quedas de varandas nos últimos anos na Grécia, com casos em Neos Kosmos, bairro de Atenas, em janeiro de 2026, em Lavrio, em outubro de 2025, e antes disso em Creta e em Tessalônica, reacendeu no país o pedido de inspeções sistemáticas em prédios antigos, e o engenheiro Christos Zeris explicou ao site protothema.gr que trincas, manchas de ferrugem e pedaços de concreto que se soltam podem indicar corrosão da armadura, segundo reportagem publicada em 29 de outubro de 2026 pela edição em inglês do ProtoThema. Zeris é professor da Escola de Engenharia Civil da Universidade Técnica Nacional de Atenas (NTUA) e presidente da Seção Grega da American Society of Civil Engineers (ASCE), e na entrevista tratou das gerações de prédios mais vulneráveis, de como a corrosão avança e de por que a inspeção deveria ser rotina, e não providência tomada só depois de um acidente. ## Por que os prédios antigos são mais vulneráveis Segundo o professor, nos prédios antigos a proteção do aço contra a corrosão era menos eficaz, porque o concreto era mais poroso e o cobrimento das barras era mais fino que o usado hoje, de modo que a corrosão pode começar mais cedo, principalmente perto do mar ou em áreas industriais. Ele afirma que, pelas estatísticas, os prédios das décadas de 1960 e 1970 são os mais vulneráveis, mas que a idade sozinha não define o estado da estrutura, porque a qualidade dos materiais, da mão de obra e da fiscalização na obra pesa tanto quanto, e diz já ter visto prédios da década de 1970 resistirem bem à corrosão e prédios de apenas 20 anos com problemas. Como exemplo, citou um prédio antigo no bairro de Exarchia, em Atenas, construído sob uma lei de 1936, cujo abrigo antiaéreo no subsolo ficou alagado durante anos e ainda assim foi encontrado em bom estado, resultado que ele atribui às especificações mais altas de concreto exigidas para aquela estrutura. ## Os sinais de alerta Zeris explica que a corrosão faz o aço expandir, porque o óxido de ferro ocupa um volume muito maior que o metal original, o que cria pressão interna no concreto em volta e abre trincas na superfície que aceleram o processo, enquanto ao longo dos anos a barra perde parte da seção e a aderência com o concreto piora, e por isso trincas que acompanham as barras, sobretudo com sinais de oxidação, pedem inspeção e reparo do trecho. Essas trincas podem aparecer em pilares, paredes estruturais, vigas e varandas de concreto armado, e a umidade também conta, porque a água que entra por juntas, inclusive juntas danificadas por terremotos, ou por superfícies deterioradas pode chegar a elementos que normalmente seriam considerados protegidos, o que inclui andares baixos, partes encostadas em imóveis vizinhos e, no térreo, a umidade que sobe do solo. O professor ressalta que só um engenheiro habilitado pode avaliar dano estrutural, porque nem toda trinca vem da corrosão, e que a posição, a forma e a presença de ferrugem, umidade ou desplacamento do concreto definem o peso de cada uma. ## Varandas pedem atenção especial Nas varandas, a corrosão pode avançar em pontos difíceis de inspecionar, por baixo de mármore, cerâmica e outros revestimentos de piso, e Zeris diz que com frequência, por erro de execução, a armadura superior não foi posicionada corretamente, enquanto a fissuração progressiva contribui para a corrosão dela. Por isso, segundo ele, a inspeção não deve se limitar à superfície em que se pisa e precisa incluir a face inferior exposta e os pontos de apoio da varanda, e o concreto que se solta por baixo dela nunca deve ser tratado como defeito estético, porque até um fragmento pequeno caindo de grande altura pode ferir gravemente, e o caso pede avaliação de engenharia e, quando necessário, medidas imediatas de segurança e reparo. O professor lembra que a perda de massa da armadura não se recupera sozinha e que hoje é possível desacelerar ou interromper o processo com intervenções adequadas, desde que o diagnóstico seja preciso e feito a tempo, com soluções que vão de proteção adicional contra corrosão e recuperação do concreto à troca de trechos por concreto novo, menos poroso e com inibidores de corrosão, à substituição de armadura e ao reforço estrutural, sem uma receita única para todos os prédios. ## Exposição ambiental e prioridade nas inspeções Cloretos levados pelo ar, como o sal da maresia, aceleram a corrosão, enquanto a poluição industrial e o dióxido de carbono da atmosfera enfraquecem a proteção que o concreto dá ao aço, e Zeris também cita o uso excessivo de sal de degelo, além de observar que a distância de 1,5km do mar usada como critério de exposição a cloretos marinhos nem sempre reflete a realidade, porque o relevo e o vento podem levar e reter sal a distâncias maiores. Para ele, uma abordagem nacional deveria começar pelo mapeamento das condições ambientais, com medições ao longo do ano das concentrações de cloretos e de dióxido de carbono no ar em cada região, somadas às condições do solo, à umidade ascendente e aos sais agressivos de outras origens, como os fertilizantes em áreas agrícolas, para definir as áreas mais afetadas e só então classificar os prédios por idade, tipo estrutural e exposição. A avaliação não precisa ficar na inspeção visual, segundo o professor, porque engenheiros podem fazer no local ensaios não destrutivos no concreto, a custo relativamente baixo e sem afetar de forma significativa a estrutura, para verificar se há corrosão e até onde ela avançou, e a mensagem central da entrevista é que a deterioração precisa ser identificada e tratada antes de virar acidente. --- # Explosão que matou seis em Plaka, Atenas, foi causada por tentativa de furto de cobre, conclui o Corpo de Bombeiros grego - Publicado: 29.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-plaka-atenas-furto-de-cobre/ - Fonte original: Efimerida ton Syntakton (efsyn.gr), https://www.efsyn.gr/ellada/1499157/ekrixi-stin-plaka-apopeira-klopis-halkoy-prokalese-ti-diarroi-aerioy-symfona-me-tin-pyrosvestiki-taytopoiithikan-tria-atoma/, 29.Out.2026 (grego) - Marcadores: explosão de gás, origem e causa, furto de cobre, colapso de edificação, Atenas, Grécia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Explosão que matou seis em Plaka, Atenas, foi causada por tentativa de furto de cobre, conclui o Corpo de Bombeiros grego", 29.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/explosao-plaka-atenas-furto-de-cobre/ ## O que importa - A investigação do Corpo de Bombeiros da Grécia concluiu que o vazamento de gás que derrubou um prédio em Plaka, Atenas, em 25 de setembro de 2026, começou num tubo de cobre cortado por três homens que tentavam furtar o metal. - A Justiça de Atenas expediu mandados de prisão contra os três, identificados depois de 34 dias de investigação sob supervisão do Ministério Público. - O local da explosão foi reconstituído com o medidor e a tubulação de gás remontados a partir dos escombros, e a conclusão se apoiou em peritos nomeados e no laboratório de metalografia da Universidade Técnica Nacional de Atenas. O vazamento de gás natural que provocou a explosão e o desabamento de um prédio na rua Lysikratous, no bairro de Plaka, em Atenas (Grécia), na manhã de 25 de setembro de 2026, com seis mortos, começou num tubo de cobre danificado por três homens que tentavam furtar o metal, segundo a conclusão da Diretoria de Investigação de Incêndios Criminosos (DAEE) do Corpo de Bombeiros grego, divulgada em 29 de outubro de 2026. ## Os mandados de prisão A investigação durou 34 dias, foi conduzida sob a supervisão do Ministério Público e em sigilo, e levou à identificação de três homens, dois gregos e um albanês, contra os quais as autoridades judiciais de Atenas expediram mandados de prisão, porque, segundo os investigadores, eles teriam danificado a tubulação da instalação de gás natural do prédio ao tentar retirar canos de cobre. De acordo com a emissora grega ANT1, citada pelos jornais efsyn.gr, in.gr e Law & Order, os três têm 34, 37 e 55 anos e já tinham passado várias vezes pela polícia por furto, roubo, porte de armas e drogas. ## Como o vazamento começou A reconstituição divulgada pela ANT1 se apoia nas imagens de câmeras de segurança da região, examinadas quadro a quadro pela Diretoria de Investigações Criminalísticas da polícia, que mostram os três homens algumas horas antes da explosão, um deles parado na rua como vigia e os outros dois entrando no prédio. Segundo essa reconstituição, os dois tentaram retirar um trecho de tubo de cobre ao lado do medidor de gás e, depois de cortá-lo, puxaram o tubo com as mãos, o que abriu uma ruptura na instalação interna e causou um vazamento extenso, e em seguida saíram às pressas levando um pedaço do tubo. O in.gr resume o achado da perícia dizendo que o vazamento de gás natural começou exatamente no ponto em que o tubo foi cortado. ## A perícia no local da explosão O Corpo de Bombeiros informou que a reconstituição do local da explosão foi decisiva, com o registro da posição de cada vestígio e da relação entre eles para remontar a sequência dos fatos, e os investigadores conseguiram remontar, a partir dos escombros, o medidor e a tubulação de gás, o que permitiu localizar o ponto exato em que o vazamento começou. Esse trabalho foi cruzado com a análise das imagens, com dados obtidos pela quebra do sigilo das comunicações e com a avaliação dos vestígios recolhidos no local, e, para a fundamentação científica, a DAEE trabalhou com peritos nomeados, engenheiros eletricistas e um químico, e com a equipe do laboratório de metalografia do setor de Metalurgia e Tecnologia de Materiais da Universidade Técnica Nacional de Atenas (Politécnico Metsovio). Segundo o texto do Corpo de Bombeiros reproduzido pela agência de notícias grega ANA-MPA, "o exame especializado dos vestígios e a avaliação conjunta dos achados científicos e investigativos reforçaram a fundamentação das conclusões da investigação". ## As hipóteses de setembro Três dias depois da explosão, em 28 de setembro de 2026, o site ProtoThema informou, com base em fontes da investigação, que um teste de estanqueidade feito na calçada não encontrou vazamento na rede central de distribuição de gás e que a suspeita recaía sobre o apartamento do segundo andar, onde morava um casal de idosos, o único do prédio ligado à rede, com fogão, lareira e aquecedor de água a gás. No mesmo dia, o To Vima publicou que a distribuidora de gás EDA havia retirado e mandado para o Politécnico um trecho corroído do ramal de serviço, e que o perito judicial Michalis Avgouleas, oficial reformado do Corpo de Bombeiros, apontava a falta do isolamento externo exigido no ponto de conexão e não descartava um vazamento na rede externa, e a conclusão de 29 de outubro de 2026 acabou situando o início do vazamento no tubo de cobre cortado junto ao medidor. --- # Ucrânia alerta para invasões de câmeras de vigilância Dahua pelo acesso remoto em nuvem - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/ucrania-alerta-para-invasoes-de-cameras-dahua-pelo-acesso-em-nuvem/ - Fonte original: The Record from Recorded Future News, https://therecord.media/ukraine-cert-ua-warning-chinese-dahua-cameras-hacked, 26.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, câmeras de vigilância, Dahua, Ucrânia, vulnerabilidade - Como citar: NEXO CAUSAL, "Ucrânia alerta para invasões de câmeras de vigilância Dahua pelo acesso remoto em nuvem", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/ucrania-alerta-para-invasoes-de-cameras-dahua-pelo-acesso-em-nuvem/ ## O que importa - A equipe ucraniana de resposta a incidentes, CERT-UA, informou que invasores entraram em câmeras e gravadores da chinesa Dahua, mudaram configurações e criaram contas. - O caminho apontado é o Easy4IP, recurso de acesso pela nuvem do fabricante, combinado com senhas fracas ou duas falhas de 2021 no firmware. - O alerta não diz quantos aparelhos foram afetados, quando os ataques ocorreram nem quem está por trás deles. A CERT-UA, equipe de resposta a incidentes de computador da Ucrânia, alertou que invasores conseguiram acesso remoto não autorizado a câmeras e gravadores de vídeo da fabricante chinesa Dahua ligados à internet. Segundo o The Record, que noticiou o caso em 26 de outubro de 2026, os invasores mudaram configurações dos aparelhos e criaram contas de usuário sem autorização, e o site Security Affairs informa que o alerta é de 23 de outubro de 2026 e que os invasores também assistiram ao vídeo ao vivo das câmeras. A agência não disse quantos aparelhos foram comprometidos, quando os ataques aconteceram nem quem é o responsável, e o The Record lembra que equipamentos de vigilância chineses continuam muito usados na Ucrânia, inclusive por órgãos do governo e unidades militares. ## Como os invasores chegam às câmeras Segundo a CERT-UA, os ataques parecem explorar o Easy4IP, recurso que permite acessar as câmeras Dahua a distância pelo serviço em nuvem do fabricante. Com o recurso ligado, o aparelho abre por conta própria uma conexão de saída até a nuvem da Dahua e se registra pelo número de série, e a partir daí pode ser alcançado pela nuvem mesmo atrás de firewall ou sem acesso direto pela internet. Segundo o Security Affairs, a falta de acesso direto pela internet não garante a segurança do aparelho. O problema seguinte está nos números de série, que, de acordo com a CERT-UA, seguem padrões previsíveis, o que permite aos invasores testar uma grande quantidade de números e achar câmeras registradas na nuvem. Por isso, aparelhos com acesso remoto ligado podem estar expostos mesmo que o número de série nunca tenha sido divulgado. Achado o aparelho, os invasores podem tentar senhas fracas ou de fábrica, ou explorar falhas de firmware desatualizado que permitem pular a autenticação. A CERT-UA citou duas falhas críticas divulgadas em 2021, a CVE-2021-33044 e a CVE-2021-33045, que afetam certas câmeras e gravadores da Dahua e que, segundo o Security Affairs, permitem entrar sem senha, de modo que uma senha forte não protege um aparelho vulnerável. ## O que procurar no aparelho O alerta lista sinais de invasão: contas que o dono não reconhece, configurações alteradas (como texto sobreposto à imagem do vídeo) e registros de auditoria com acessos pelo protocolo DVRIP vindos do endereço 127.0.0.1, que podem indicar entrada pelo serviço em nuvem. A ausência de texto sobreposto não significa que a câmera esteja limpa. Entre as recomendações, a CERT-UA pede que o acesso P2P e em nuvem seja desligado quando não for usado, que as câmeras fiquem fora da internet (com acesso remoto só por VPN e de endereços autorizados), que a lista de contas seja revisada e que o firmware seja atualizado à mão para a versão mais recente. Organizações que encontrarem sinais de invasão devem comunicar à CERT-UA e verificar todos os aparelhos Dahua da rede, inclusive os esquecidos. ## Contas que sobrevivem à redefinição Em agosto, a empresa de segurança Hunt.io relatou que mais de 14.500 aparelhos Dahua tinham sido comprometidos no verão europeu, com as infecções confirmadas concentradas na Ucrânia e na Rússia. À reportagem do The Record, a Hunt.io disse que os métodos são muito parecidos com os descritos pela CERT-UA, mas que "não há evidência ligando os ataques aos mesmos hackers". A empresa alertou que as contas maliciosas e os códigos de recuperação sobrevivem à troca de senha e, na maioria das versões de firmware, à restauração de fábrica, o que pode manter as câmeras acessíveis por meses. Segundo os pesquisadores, apagar as contas não basta para proteger os aparelhos sem atualizar o firmware. O The Record registra ainda que, em janeiro de 2024, o SBU, serviço de segurança da Ucrânia, informou que a inteligência russa invadiu duas câmeras em prédios residenciais de Kiev para observar a defesa aérea e a infraestrutura crítica, câmeras que tiveram o ângulo alterado e passaram a transmitir as imagens no YouTube. Registros de compras públicas mostram que órgãos do governo e unidades militares ucranianas continuaram comprando equipamentos Dahua em 2026. --- # Polícias inglesas ampliam o reconhecimento facial ao vivo e divulgam os resultados - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/policias-inglesas-ampliam-reconhecimento-facial-ao-vivo-e-divulgam-resultados/ - Fonte original: BBC News (republicado pelo Yahoo News), https://www.yahoo.com/news/us/articles/police-force-introduces-facial-recognition-185118822.html, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, Inglaterra, videomonitoramento, polícia, biometria - Como citar: NEXO CAUSAL, "Polícias inglesas ampliam o reconhecimento facial ao vivo e divulgam os resultados", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/policias-inglesas-ampliam-reconhecimento-facial-ao-vivo-e-divulgam-resultados/ ## O que importa - A polícia de Hertfordshire passou a ter duas vans dedicadas ao reconhecimento facial ao vivo, pagas pelo comissário de polícia do condado. - Em Bedfordshire, a polícia diz que a tecnologia foi usada mais de 80 vezes, gerou mais de 260 alertas e levou diretamente a 105 prisões. - As duas polícias dizem que as imagens de quem não está na lista de procurados são apagadas na hora. As polícias dos condados ingleses de Hertfordshire e Bedfordshire divulgaram, em outubro, números e mudanças no uso do reconhecimento facial ao vivo (LFR, na sigla em inglês). A polícia de Hertfordshire passou a ter duas vans dedicadas à tecnologia, segundo a BBC em 27 de outubro de 2026, e a de Bedfordshire diz que o sistema já levou diretamente a 105 prisões, de acordo com o jornal local Bedford Independent. ## As vans de Hertfordshire Os veículos e a tecnologia foram pagos pelo comissário de polícia e criminalidade de Hertfordshire, Jonathan Ash-Edwards, depois de um teste considerado bem-sucedido, e o sistema, usado pela primeira vez em Cheshunt em dezembro de 2025, passou desde então por vários pontos do condado, numa implantação por etapas. As câmeras captam os rostos ao vivo e os comparam com uma lista previamente autorizada de pessoas procuradas pela polícia, e, quando o sistema aponta uma possível correspondência, gera um alerta que é examinado por policiais treinados. "Ter duas vans dedicadas ao reconhecimento facial ao vivo dá à polícia de Hertfordshire mais flexibilidade", disse o superintendente-chefe Nev Hanks, segundo a BBC, para usar a tecnologia em todo o condado. A rádio Hello Rayo detalha as regras que a polícia diz seguir: um alerta não leva automaticamente a uma abordagem, e os policiais avaliam cada caso. As imagens de quem não corresponde a ninguém da lista são apagadas imediatamente, e as ligadas a uma possível correspondência são apagadas automaticamente em até 24 horas. A polícia publica com antecedência os detalhes de cada operação e divulga os resultados em até cinco dias úteis, salvo quando isso comprometer um objetivo operacional. Ash-Edwards chamou as vans de "um passo importante no uso, pela polícia, de tecnologia eficaz para pegar criminosos". Uma pesquisa feita pelo gabinete do comissário teve 3.787 respostas: 82% disseram que o uso do LFR pela polícia é sempre ou geralmente aceitável, 91% acham que ele ajuda a prender mais criminosos e 93% disseram que a presença das câmeras não os faria deixar de ir ao centro da cidade. A polícia já tinha usado câmeras montadas em duas vans na High Street de Watford em 27 de fevereiro de 2026, das 10h18 às 14h45, segundo o site Nub News, com 56.232 rostos captados, nenhum alerta falso e um alerta que terminou em prisão. Outros três homens foram presos depois que os policiais perceberam que eles tentavam fugir das câmeras. ## Os números de Bedfordshire Em Bedfordshire, onde o sistema começou a ser usado no ano passado, a tecnologia foi empregada mais de 80 vezes no condado e gerou mais de 260 alertas, segundo o Bedford Independent, de 20 de outubro de 2026. Os alertas identificaram infratores de alto risco ou sob acompanhamento, portadores habituais de faca e pessoas sujeitas a medidas de proteção contra violência doméstica. As operações em dias de ação nos centros urbanos e em grandes eventos, como o festival do rio em Bedford, levaram diretamente a 105 prisões. Entre os presos estão um homem procurado por suspeita de porte de arma de fogo e, numa operação em Luton, um homem procurado por crimes sexuais contra crianças, e, no mês anterior à reportagem, três pessoas com mandados judiciais pendentes foram presas numa operação em Bedford. Lá, cada operação tem a própria lista de procurados, o sistema compara as imagens ao vivo com modelos biométricos criados a partir de fotos da polícia e os policiais recebem os alertas em aparelhos seguros. Antes de agir, os policiais abordam a pessoa e fazem outras checagens, e, sem correspondência, os dados biométricos captados são apagados na hora. "Ter o LFR nos nossos centros urbanos nos permite adotar uma postura proativa de policiamento", disse a sargento Kim Coates, responsável operacional pelo LFR em Bedfordshire, ao Bedford Independent, e à Hello Rayo ela acrescentou que o reconhecimento facial ao vivo "é, no fim das contas, sobre proteger pessoas". A polícia de Bedfordshire publica no próprio site as datas, os locais e os resultados de cada operação. --- # Polícia francesa usa reconhecimento facial e imagens de redes sociais para identificar saqueadores - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/policia-francesa-usa-reconhecimento-facial-e-redes-sociais-para-identificar-saqueadores/ - Fonte original: Biometric Update, https://www.biometricupdate.com/202610/french-police-use-facial-recognition-social-media-images-to-identify-rioters, 22.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, França, redes sociais, videomonitoramento, TAJ - Como citar: NEXO CAUSAL, "Polícia francesa usa reconhecimento facial e imagens de redes sociais para identificar saqueadores", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/policia-francesa-usa-reconhecimento-facial-e-redes-sociais-para-identificar-saqueadores/ ## O que importa - Investigadores franceses comparam imagens publicadas em redes sociais com o TAJ, o fichário de antecedentes da polícia, para identificar autores dos saques de 17 de outubro de 2026. - Doze especialistas fazem o reconhecimento facial, dentro de um grupo de 200 investigadores, e a polícia tem acesso a imagens de 80 mil câmeras. - O uso de reconhecimento facial pela polícia francesa já foi alvo da CNIL e de reportagens que apontaram consultas fora do previsto em lei. A polícia francesa está usando reconhecimento facial e imagens publicadas em redes sociais para identificar quem participou dos saques e da violência registrados à margem das manifestações de sábado, 17 de outubro de 2026, como relatou o Biometric Update em 22 de outubro de 2026. ## O anúncio do ministro O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, anunciou a medida no telejornal da noite da TF1 em 19 de outubro de 2026, segundo o site francês Next, e disse que o reconhecimento facial seria aplicado ao TAJ (Traitement des antécédents judiciaires), o fichário de antecedentes judiciais da polícia, "para ver se nas redes sociais não temos as mesmas imagens". O Biometric Update informa que o TAJ guarda milhões de perfis biométricos de rosto. Naquela noite, segundo o Next, Darmanin disse que havia 2.513 pessoas detidas, e pela manhã ele tinha enviado aos promotores de todo o país uma instrução para tratar os fatos como criminalidade organizada, o que permite usar técnicas especiais de investigação. O Next lista ainda, entre as medidas, a extensão da detenção para investigação de 48 para 72 horas, a geolocalização e a interceptação telefônica, inclusive a checagem dos celulares dos detidos. ## Como a investigação trabalha De acordo com o Biometric Update, doze policiais especializados fazem o reconhecimento facial, dentro de um grupo de 200 investigadores encarregados, em todo o país, de identificar e processar os responsáveis. A agência AFP, em texto publicado pelo Khaleej Times em 20 de outubro de 2026, informa que foi o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, quem determinou a mobilização de mais de 200 investigadores. A polícia tem acesso às imagens de cerca de 80 mil câmeras de segurança instaladas nas ruas e no transporte público de Paris, além das câmeras de lojas, e os investigadores também recorrem a plataformas como TikTok, Instagram e Discord. Segundo a AFP, as imagens dessas redes costumam dar a primeira pista: os policiais conferem as publicações e comparam com as ferramentas próprias para ver se o crime postado corresponde a algum caso em apuração. Parte dos casos chega por esse caminho sem nunca ter sido registrada: vítimas publicam o que aconteceu nas redes sociais sem procurar a polícia, e os investigadores localizam o fato pela geolocalização, encontram a vítima e passam o caso à polícia judiciária. A AFP relata que um policial especializado diz ter identificado quatro suspeitos dos saques em Paris, que foram acompanhados pelas câmeras das ruas e do transporte quase até a porta de casa. A chefatura de polícia de Paris disse à AFP que examina "todas as pistas, mas também as imagens disponíveis, de câmeras de segurança, câmeras de lojas e vídeos nas redes sociais". Um policial ouvido pela France24, citada pelo Biometric Update, resumiu o papel da ferramenta: "não é a única ferramenta para fechar um caso, mas é uma das ferramentas muito úteis para os investigadores". ## Histórico contestado O Biometric Update lembra que o uso de reconhecimento facial para identificação forense pela polícia está previsto na lei francesa e resistiu a contestações no âmbito da União Europeia, mas a relação da polícia com a tecnologia tem episódios de conflito. Em 2024, a CNIL, autoridade francesa de proteção de dados, e o Ministério do Interior investigaram o uso do reconhecimento facial do software BriefCam pela polícia em espaços públicos, depois de denúncias na imprensa. A CNIL concluiu que a gendarmaria usou a tecnologia em público sem autorização e sem os relatórios de impacto à proteção de dados exigidos, o que tornou essas operações ilegais. No início de 2026, o veículo Disclose publicou que policiais usavam a biometria facial da Cognitec para consultas em tempo real ao TAJ, prática que, segundo o Biometric Update, contraria o Código de Processo Penal, e a gendarmaria negou as acusações. O Biometric Update registra ainda que, na Alemanha, parlamentares propuseram neste ano mudanças no Código de Processo Penal para permitir que a polícia passe imagens de redes sociais por sistemas de reconhecimento facial, mas a proposta não foi aprovada. --- # Julgamento do caso AKA: policial mantém identificação de acusados em imagens, embora admita não ter treino em comparação facial - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/julgamento-aka-policial-mantem-identificacao-sem-treino-em-comparacao-facial/ - Fonte original: IOL (The Mercury), https://iol.co.za/mercury/news/2026-10-27-police-officer-concedes-he-is-not-a-facial-recognition-expert-in-aka-tibz-trial/, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, identificação por imagem, CCTV, prova pericial, África do Sul - Como citar: NEXO CAUSAL, "Julgamento do caso AKA: policial mantém identificação de acusados em imagens, embora admita não ter treino em comparação facial", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/julgamento-aka-policial-mantem-identificacao-sem-treino-em-comparacao-facial/ ## O que importa - No julgamento das mortes do rapper Kiernan "AKA" Forbes e do chef Tebello "Tibz" Motsoane, em Durban (África do Sul), um policial que analisou as imagens de câmeras de segurança reconheceu dois dos sete acusados. - Questionado pela defesa, ele admitiu não ser profissional treinado em comparação facial, mas manteve a identificação com base na própria observação e experiência. O policial Rajen Saunder, que analisou as imagens de câmeras de segurança no julgamento das mortes do rapper Kiernan "AKA" Forbes e do chef Tebello "Tibz" Motsoane, admitiu no Tribunal Superior de Durban, na África do Sul, que não é profissional treinado em comparação facial, mas manteve a identificação de dois dos acusados que fez a partir das gravações. O depoimento foi noticiado em 27 de outubro de 2026 pelo IOL e pelo EWN, e o sobrenome do policial aparece como Saunder no IOL, Sanders no EWN e Saunders no News24. Forbes e Motsoane foram mortos a tiros em frente ao restaurante Wish, na Florida Road, em Durban, em 10 de fevereiro de 2023, e sete homens respondem pelas mortes: Lindokuhle Mkhwanazi, Lindani Zenzele Ndimande, Siyanda Eddie Myeza, Mziwethemba Gwabeni, Lindokuhle Mhlaliseni Ndimande e os irmãos Malusi Dave Ndimande e Siyabonga Gezani Ndimande. ## O que o policial identificou Segundo o EWN, que o descreve como detetive técnico da polícia sul-africana (SAPS), Saunder depôs sobre mais de três horas de imagens de câmeras que ele mesmo reuniu depois do crime e, no depoimento à acusação, reconheceu dois dos réus nas gravações, os dois vistos seguindo Forbes no dia em que ele foi morto. Um dos trechos mostraria um homem vigiando o rapper no restaurante Wish antes dos disparos, e o outro mostraria um homem seguindo Forbes desde o Aeroporto Internacional King Shaka até Umhlanga. Saunder disse ter identificado Lindokuhle Mhlaliseni Ndimande e Mziwethemba Gwabeni comparando a aparência deles com a das pessoas nas imagens, e a acusação sustenta que Ndimande fazia a vigia no restaurante e que Gwabeni seguiu o grupo de Forbes do aeroporto até o Hilton Garden Inn, em Umhlanga. ## A contestação da defesa O advogado Musa Mzelemu, que defende Lindokuhle Mhlaliseni Ndimande, perguntou ao policial se ele sabia que a SAPS tem profissionais treinados em comparação facial, e Saunder confirmou, mas disse que não é um deles. O advogado quis saber, então, se as identificações se baseavam só na observação pessoal, e não em alguma técnica, e o policial respondeu que se baseavam na sua "observação humana, com a minha experiência". Segundo o EWN, Mzelemu afirmou ao policial que ele não tinha domínio nem conhecimento técnico de reconhecimento facial nem de medidas corporais, isto é, da análise do porte físico das pessoas, e Saunder respondeu: "Não, não tenho". O policial explicou que seu trabalho diário é baixar gravações de vídeo e deu como exemplo que reconheceria o próprio Mzelemu se o visse na televisão, e disse também que nunca foi chamado a depor como especialista em reconhecimento facial e que já depôs com base nas próprias observações. "Passei 10 meses com essas imagens, olhando para elas quase todos os dias, então, sim, mantenho o que declarei", afirmou, segundo o IOL. Outro advogado de defesa, Simphiwe Mlotshwa, perguntou se a equipe de investigação fazia reuniões sobre o andamento do caso, e Saunder respondeu que não e que o investigador responsável distribuía tarefas específicas a cada integrante. O interrogatório da defesa continua. --- # Avó presa por seis meses após indicação de reconhecimento facial processa cidade de Fargo, nos EUA - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/avo-presa-por-engano-apos-reconhecimento-facial-processa-fargo/ - Fonte original: ABC News, https://www.goodmorningamerica.com/news/story/grandmother-falsely-accused-bank-theft-after-alleged-ai-136536444, 17.Set.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, prisão indevida, inteligência artificial, Dakota do Norte, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Avó presa por seis meses após indicação de reconhecimento facial processa cidade de Fargo, nos EUA", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/avo-presa-por-engano-apos-reconhecimento-facial-processa-fargo/ ## O que importa - Angela Lipps, do Tennessee, foi presa em julho de 2025 por furtos a bancos em Fargo, Dakota do Norte, depois que um programa de reconhecimento facial apontou uma foto dela nas redes sociais. - As acusações caíram em 24 de dezembro de 2025, quando registros bancários mostraram que ela estava no Tennessee na época dos crimes. - A ação federal pede US$10 milhões e acusa o detetive do caso de usar a indicação do software sem investigação suficiente. Angela Lipps, de 50 anos, moradora de Elizabethton, no Tennessee (Estados Unidos), passou cerca de seis meses presa por furtos a bancos na região de Fargo, Dakota do Norte, um estado onde, segundo ela, nunca tinha estado, e a prisão partiu de uma indicação de software de reconhecimento facial. Avó de cinco netos, ela processa a cidade de Fargo e o detetive Lucas Heck, da polícia local, e pede US$10 milhões de indenização numa ação apresentada em 15 de setembro de 2026 no tribunal federal da Dakota do Norte, segundo a emissora Valley News Live. As acusações da ação são de prisão e detenção ilegais, violação do devido processo, acusação maliciosa e uma reclamação de direitos civis contra a cidade por suas regras e pelo treinamento dos policiais. ## Como o nome dela entrou na investigação Em abril e maio de 2025, uma mulher usou identidades roubadas e documento falso para tirar dinheiro de vários bancos da região de Fargo, e as câmeras de segurança das agências registraram a suspeita. Um investigador da polícia de West Fargo passou pelo software de reconhecimento facial a foto do documento falso usado por ela, e o programa apontou uma foto de Lipps nas redes sociais como possível pista. A ação sustenta que esse tipo de resultado serve só como pista de investigação e precisa ser confirmado por outros meios, e afirma que a própria polícia de West Fargo não considerava o resultado forte o bastante para justificar uma acusação. Em West Fargo, segundo o processo, o uso da ferramenta é restrito a policiais treinados, com proibição de prender alguém apenas com base numa correspondência, enquanto a polícia de Fargo, de acordo com a ação, não tinha na época regras, treinamento nem supervisão para o uso da tecnologia. O processo não diz que Heck operou o software, mas afirma que ele pediu o mandado de prisão sem investigar a fundo e sem motivo suficiente, mesmo sabendo que Lipps morava no Tennessee, nunca tinha ido à Dakota do Norte, não correspondia à descrição física da suspeita e não tinha dinheiro de origem sem explicação. Segundo a ação, ela era diferente da suspeita no porte físico, nos traços do rosto e nas tatuagens, e o detetive não informou que a correspondência tinha saído da foto do documento falso, e não das imagens das câmeras. "A tecnologia de reconhecimento facial por IA não deve ser usada como única base para extraditar e acusar uma pessoa", diz o texto da ação. ## Prisão e soltura Em 30 de junho de 2025, a Dakota do Norte acusou Lipps de oito crimes graves ligados às fraudes, o mais sério com pena de até 10 anos de prisão, e emitiu mandado válido em todo o país. Em 14 de julho de 2025, uma força-tarefa do U.S. Marshals Service a prendeu sob a mira de armas na casa de uma vizinha, onde ela cuidava das crianças da família. Ela ficou presa no condado de Carter, no Tennessee, e depois foi extraditada para a cadeia do condado de Cass, na Dakota do Norte, com fiança de US$100.000 que não tinha como pagar. A ação afirma que, na cadeia, ela ficou longos períodos sem remédios e sem a dentadura, que passou na prisão o Dia de Ação de Graças e o aniversário de 50 anos e que perdeu a casa, o carro e outros bens. As acusações foram retiradas em 24 de dezembro de 2025, depois que o advogado dela, Eric Rice, apresentou registros bancários mostrando que ela estava no Tennessee quando os furtos ocorreram. ## O que diz a polícia Em entrevista coletiva em março de 2026, o então chefe da polícia de Fargo, Dave Zibolski, disse que o departamento "identificou alguns erros" na investigação e que os detetives de Fargo "presumiram erroneamente" que as fotos das câmeras dos bancos tinham sido enviadas junto com a foto do documento falso. Zibolski disse também que a polícia de Fargo não tem tecnologia própria de reconhecimento facial e que, depois do caso, adotou novas regras e treinamento para o uso da ferramenta. A prefeitura de Fargo informou que não comenta processos em andamento, e a ABC News não conseguiu falar com Heck. Sobre o valor pedido, o advogado Rice disse que é "um número significativo", mas que "reflete o dano específico" sofrido pela cliente. --- # Oxford Street, em Londres, deve receber câmeras fixas de reconhecimento facial em dezembro - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Reconhecimento facial - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/oxford-street-londres-cameras-fixas-reconhecimento-facial/ - Fonte original: The Irish News (agência PA), https://www.irishnews.com/news/uk/shoppers-could-be-scanned-as-oxford-street-gets-facial-recognition-cameras-5R4AP2UL3RO7JLVX7TM73ACUNM/, 23.Out.2026 (inglês) - Marcadores: reconhecimento facial, vigilância, Polícia Metropolitana, Londres, Reino Unido - Como citar: NEXO CAUSAL, "Oxford Street, em Londres, deve receber câmeras fixas de reconhecimento facial em dezembro", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/oxford-street-londres-cameras-fixas-reconhecimento-facial/ ## O que importa - A Polícia Metropolitana de Londres prevê instalar câmeras fixas de reconhecimento facial ao vivo na Oxford Street em dezembro, antes das compras de Natal. - O sistema compara o rosto de quem passa com uma lista de suspeitos procurados. - A organização Liberty pede a suspensão até que existam lei específica e fiscalização independente, enquanto o governo ainda não publicou a resposta à consulta pública sobre o tema. A Oxford Street, em Londres, uma das ruas de comércio mais movimentadas do mundo, deve receber em dezembro câmeras fixas de reconhecimento facial ao vivo (live facial recognition, LFR), segundo reportagem de George Lithgow, correspondente da agência britânica PA, publicada em 23 de outubro de 2026. Com isso, milhares de pessoas que forem às compras de Natal poderão ter o rosto escaneado, numa rua que recebe cerca de meio milhão de visitantes por dia. O sistema compara o rosto de quem passa diante da câmera com uma lista de suspeitos procurados, e a Oxford Street ficaria entre os primeiros lugares do Reino Unido com estrutura permanente de reconhecimento facial ao vivo, com câmeras que devem ser presas ao mobiliário urbano, como postes de iluminação. ## Parte de um plano maior A instalação acompanha a transformação da Oxford Street em via de pedestres: um trecho da rua seria fechado aos veículos na semana seguinte à reportagem, e o plano é que a rua inteira fique, com o tempo, sem trânsito. A Polícia Metropolitana de Londres (Met) também pretende usar câmeras fixas de reconhecimento facial no West End e no Soho, áreas que estão entre as de maior criminalidade da cidade, e a tecnologia já começou a ser usada em estações do metrô de Londres. Um porta-voz da Met disse que o reconhecimento facial ao vivo "é uma ferramenta importante que está nos ajudando a manter Londres segura" e que câmeras fixas foram testadas por seis meses em Croydon, contribuíram para uma redução de 10% na criminalidade e levaram a 173 prisões, o equivalente a uma a cada 35 minutos. O porta-voz afirmou que os sistemas fixos só ficam ligados quando há policiais no local e que placas vão avisar o público sempre que houver uso, enquanto os pontos onde as câmeras serão instaladas ainda estão em discussão com os parceiros da polícia. O comissário da Met, Sir Mark Rowley, chamou o reconhecimento facial ao vivo de "um dos avanços tecnológicos mais revolucionários do policiamento nos últimos anos", e desde o início de 2024 a corporação prendeu mais de 2.000 pessoas com o uso da tecnologia. ## Críticas e falta de lei específica Organizações de direitos humanos criticam a tecnologia, e Akiko Hart, diretora da Liberty, disse que, com as câmeras fixas, milhares de pessoas terão o rosto escaneado por uma "tecnologia de vigilância não regulamentada", sem que lhes seja dada escolha. Ela lembrou que a consulta pública do governo sobre reconhecimento facial terminou em fevereiro e que a resposta ainda não foi publicada. Segundo a diretora, essa falta de transparência prejudica a confiança do público, e a instalação deveria ser suspensa "até que existam leis claras, salvaguardas adequadas e fiscalização independente". A consulta foi aberta pelo governo britânico em dezembro de 2025 para definir um marco legal para o uso de biometria, reconhecimento facial e tecnologias semelhantes pelas forças de segurança, e o Home Office, ministério do Interior britânico, deve publicar a resposta ainda nesta sessão do Parlamento. A ampliação tem o apoio da líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, que, na conferência anual da Police Federation, disse que o partido vai expandir o reconhecimento facial ao vivo para que os policiais, em vez de passar horas e horas vasculhando imagens de câmeras de segurança, obtenham uma correspondência "em segundos". A agência alemã dpa, em texto publicado pelo jornal Daily Sabah no mesmo dia, traz os mesmos dados sobre a instalação, o teste em Croydon e as declarações da Met e da Liberty. --- # Incêndio que matou moradora em Toms River começou num sofá e foi causado por cigarro, conclui investigação - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-fatal-toms-river-comecou-em-sofa-cigarro/ - Fonte original: Lakewood Alerts, https://lakewoodalerts.com/victim-identified-in-fatal-toms-river-apartment-fire-investigators-confirm-cause/, 25.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio residencial, origem e causa, cigarro, Nova Jersey, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio que matou moradora em Toms River começou num sofá e foi causado por cigarro, conclui investigação", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-fatal-toms-river-comecou-em-sofa-cigarro/ ## O que importa - O fogo atingiu um apartamento do Highland Plaza Apartments, em Toms River (Nova Jersey), na noite de 23 de outubro de 2026. - Os investigadores apontaram a origem num sofá da sala e a causa no descuido ao fumar, e o incêndio foi classificado como acidental. - A necropsia indicou morte por inalação de fumaça. O incêndio que matou uma moradora do Highland Plaza Apartments, em Toms River, Nova Jersey (Estados Unidos), começou num sofá da sala e foi causado por descuido ao fumar, segundo a conclusão da investigação conduzida pela promotoria do condado de Ocean e divulgada pelo promotor Bradley D. Billhimer, e o fogo foi classificado como acidental. ## A ocorrência Por volta das 23h20 de sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a polícia e os bombeiros de Toms River foram chamados ao condomínio, na Highland Parkway, por um incêndio em edificação, e, ao chegar, as equipes viram fumaça saindo de um apartamento do primeiro andar (second floor, na contagem americana) e, na busca inicial dentro do imóvel, os bombeiros encontraram uma mulher morta no chão da sala. No comunicado de sábado, 24 de outubro de 2026, a promotoria informou que o nome da vítima só seria divulgado depois da identificação positiva e do aviso à família, e no domingo, 25 de outubro de 2026, o Lakewood Alerts e o Jersey Shore Online publicaram a identificação: Barbara Booker, 67 anos, moradora do apartamento onde ocorreu o incêndio. ## Origem e causa O comunicado da promotoria trata a origem e a causa em pontos separados: a origem do fogo foi localizada num sofá encostado na parede leste da sala, e a causa foi definida como acidental, por descuido ao fumar. A investigação foi feita pela unidade de crimes graves da promotoria do condado de Ocean, por meio do esquadrão de incêndios criminosos (Major Crime Unit-Arson Squad), pela unidade de investigação de local de crime do gabinete do xerife do condado (Crime Scene Investigation Unit), pela divisão de detetives da polícia de Toms River e pelo Toms River Township Bureau of Fire Prevention, o órgão de prevenção de incêndios do município, e contou também com a participação do instituto médico-legal do condado (Ocean County Medical Examiner's Office). ## Necropsia A necropsia foi feita no sábado, 24 de outubro de 2026, pelo Ocean County Medical Examiner's Office, cujo exame concluiu que a morte foi causada por inalação de fumaça do incêndio, e a morte também foi classificada como acidental. ## Como o caso foi noticiado O primeiro comunicado da promotoria, de 24 de outubro de 2026, já trazia a origem e a causa do incêndio, mas não o nome da vítima, e o NJ.com publicou a mesma informação, atribuída ao promotor Billhimer. A identificação e o resultado da necropsia apareceram no dia seguinte, nas reportagens do Lakewood Alerts e do Jersey Shore Online, que atribuem as informações à promotoria do condado de Ocean e trazem os mesmos dados sobre o local de origem, a causa e os órgãos que participaram da investigação. No comunicado, o promotor Billhimer agradeceu às unidades que trabalharam no caso pelo esforço conjunto. --- # Incêndio em prédio frigorífico da Pacific Seafood em Newport, no Oregon, passa à fase de investigação - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-pacific-seafood-newport-oregon-investigacao/ - Fonte original: Lincoln Chronicle, https://lincolnchronicle.org/newport-bayfront-fire-breaking-news/, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio industrial, amônia, investigação de incêndio, Oregon, Estados Unidos - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio em prédio frigorífico da Pacific Seafood em Newport, no Oregon, passa à fase de investigação", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-pacific-seafood-newport-oregon-investigacao/ ## O que importa - O fogo destruiu no domingo, 25 de outubro de 2026, um prédio de armazenagem frigorífica da Pacific Seafood na orla do porto de Newport, no Oregon. - O risco de vazamento de dois tanques de amônia levou à evacuação num raio de 1mi (1,61km) durante boa parte do dia. - O Oregon State Fire Marshal lidera a investigação da causa, que ainda não foi definida. O incêndio que destruiu no domingo, 25 de outubro de 2026, um prédio de armazenagem frigorífica da Pacific Seafood no Bayfront, a orla do porto de Newport, no Oregon (Estados Unidos), passou à fase de investigação e limpeza, mas até a terça-feira, 27 de outubro de 2026, a causa não estava definida, segundo o Lincoln Chronicle. O escritório do Oregon State Fire Marshal começou na segunda-feira a apurar como o fogo começou, com apoio do corpo de bombeiros de Newport. ## O que se sabe sobre o início do fogo O jornal local informa que o incêndio começou por volta das 8h50 de domingo, com 30 a 40 trabalhadores no prédio, enquanto a emissora KATU, citando a Fire Marshal estadual do Oregon, Mariana Ruiz-Temple, registra o primeiro chamado às 8h30. Um vídeo publicado nas redes sociais mostra um equipamento na parte externa da planta explodindo no momento em que o fogo começou, e a Central Lincoln People's Utility District disse que os transformadores não eram dela. No domingo, o chefe dos bombeiros de Newport, Rob Murphy, afirmou que a origem do fogo ainda não era conhecida, e disse: "A parte da investigação do incêndio será feita depois que conseguirmos apagar o fogo". ## O risco da amônia Dentro do prédio, usado para fabricar gelo e congelar pescado, havia dois tanques de amônia, e a ameaça de vazamento levou a cidade a recomendar a evacuação num raio de 1mi (1,61km) do Bayfront durante boa parte do dia. Moradores foram para um abrigo, muitos comércios e atrações turísticas fecharam e o porta-voz da prefeitura, John Fuller, disse: "Não é uma evacuação obrigatória, mas recomendamos". Murphy confirmou ao Lincoln Chronicle que, no início, havia amônia na fumaça, mas não soube dizer em que grau isso representava ameaça, e, segundo a KATU, as autoridades municipais disseram que os traços de amônia vistos na fumaça na manhã de domingo estavam em níveis não nocivos. Pouco antes das 14h, a área de evacuação foi reduzida, e mais tarde, ainda no domingo, a prefeitura informou que os bombeiros tinham afastado o risco de fogo nos dois tanques, que foram estabilizados no domingo e não oferecem ameaça de contaminação. Mais de uma dúzia de órgãos atuou no combate, entre eles bombeiros de todo o condado de Lincoln, de Philomath e de Corvallis e a equipe de produtos perigosos do Oregon State Fire Marshal, e o fogo foi apagado no domingo à noite, mas na segunda-feira as equipes ainda trabalhavam em focos remanescentes. Murphy disse que foi o incêndio mais grave na cidade em uma década, e não houve registro de feridos. ## Danos O prédio, de 11.000ft² (1.021,93m²) e construído há 80 anos, é uma das quatro plantas da Pacific Seafood na Bay Boulevard: o telhado desabou em parte, e as paredes de chapa metálica ondulada ficaram deformadas, deixando à mostra tubulações e vigas de madeira. Segundo a KATU, a carga de black cod entregue por uma embarcação na véspera estava no prédio e foi perdida. Em nota divulgada na segunda-feira, Ashton Meier, vice-presidente de vendas de recursos e processamento da Pacific Seafood, disse que a empresa continua trabalhando com as autoridades para entender a extensão do dano, as possíveis causas do incêndio e os efeitos que ainda restam. Segundo ele, o dano é grave, mas parece limitado a um único prédio, todos os funcionários já voltaram ao trabalho e as outras unidades da empresa na orla processam normalmente. A maior parte do Bayfront foi reaberta, mas continua fechado o trecho da Southwest Bay Boulevard entre o restaurante Clearwater e a Southwest Hatfield Drive, para o trabalho dos bombeiros, a investigação e a limpeza. --- # Ferramenta do Georgia Tech recupera conversas apagadas de assistentes de IA em celulares Android - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Perícia digital - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/georgia-tech-recupera-conversas-apagadas-de-ia-no-android/ - Fonte original: Georgia Tech College of Computing, https://www.cc.gatech.edu/news/deleted-ai-chats-may-leave-clues-behind, 13.Out.2026 (inglês) - Marcadores: perícia digital, Android, inteligência artificial, memória volátil, privacidade - Como citar: NEXO CAUSAL, "Ferramenta do Georgia Tech recupera conversas apagadas de assistentes de IA em celulares Android", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/georgia-tech-recupera-conversas-apagadas-de-ia-no-android/ ## O que importa - Pesquisadores do Georgia Tech criaram o ORISA, que busca na memória do celular trechos de conversas apagadas com assistentes de IA locais. - Num teste, o assistente reconstruído listou 26 fatos de uma conversa apagada; a sessão original só alcançava 14. - A recuperação fica mais difícil à medida que outras atividades sobrescrevem a memória do aparelho. Apagar uma conversa com um assistente de inteligência artificial no celular pode não apagar tudo o que o assistente guardou, segundo trabalho divulgado pela Faculdade de Computação do Georgia Tech em 13 de outubro de 2026. Pesquisadores da universidade desenvolveram uma ferramenta, chamada ORISA, que recupera conversas apagadas de assistentes de IA executados em celulares Android e consegue remontar o material recuperado numa sessão de IA que volta a funcionar. ## Onde ficam os vestígios A pesquisa trata dos assistentes locais, que rodam no próprio aparelho em vez de mandar a conversa para um serviço em nuvem. Enquanto o assistente está em execução, informações das conversas podem continuar na memória de trabalho do celular mesmo depois de apagadas, e é nessa memória que o ORISA procura os pedaços das conversas eliminadas. ## O teste com 100 fatos Num dos experimentos, os pesquisadores criaram um assistente fictício chamado "Project Note Keeper" no aplicativo ChatterUI para Android, passaram a ele 100 fatos fictícios sobre um projeto e depois apagaram a conversa. A ferramenta recuperou informações da conversa apagada e com elas montou uma nova sessão de trabalho, e, quando os pesquisadores pediram ao assistente restaurado que listasse as anotações do projeto, ele devolveu 26 fatos. A sessão original só tinha acesso a 14, porque o restante já havia saído da memória ativa do assistente, de modo que os pesquisadores recuperaram informação que a IA já não usava. "Ela pode ajudar a estabelecer que informações alguém compartilhou com um assistente de IA e que ajuda recebeu", disse Ken Xu, doutorando e autor principal do estudo. O ORISA foi testado com 10 aplicativos Android e três modelos de IA, e nas 60 configurações de teste a ferramenta recuperou informações de conversas que ainda estavam na memória do celular. Os pesquisadores dizem que a recuperação fica mais difícil à medida que outras atividades do aparelho sobrescrevem essa memória. ## Uso pericial e privacidade Segundo a universidade, o trabalho pode dar aos investigadores de perícia digital uma nova forma de recuperar informações de celulares e, ao mesmo tempo, levanta preocupações de privacidade para quem usa assistentes de IA que rodam no próprio aparelho. A pesquisa foi apresentada no IEEE Symposium on Security and Privacy de 2026, com o artigo "Recovering and Rehosting Mobile Local LLM Conversations and Contexts via Memory Forensics". Os autores são os doutorandos Ken Xu, David Oygenblik, Runze Zhang e Mingxuan Yao, o pesquisador Muhammad Ibrahim e o professor associado Brendan Saltaformaggio. O trabalho foi feito no Cyber Forensics Innovation Laboratory do Georgia Tech, uma colaboração entre a School of Cybersecurity and Privacy e a School of Electrical and Computer Engineering. --- # Vereador de Boston pede investigação do laboratório de perícia da polícia depois que o departamento faltou a audiência - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Cadeia de custódia e qualidade - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/vereador-de-boston-pede-investigacao-do-laboratorio-de-pericia-da-policia/ - Fonte original: WCVB, https://www.wcvb.com/article/boston-city-council-police-crime-lab-staffing-investigation-request-oct-26/74251211, 26.Out.2026 (inglês) - Marcadores: laboratório de perícia, Boston, violência sexual, kits de coleta, supervisão - Como citar: NEXO CAUSAL, "Vereador de Boston pede investigação do laboratório de perícia da polícia depois que o departamento faltou a audiência", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/vereador-de-boston-pede-investigacao-do-laboratorio-de-pericia-da-policia/ ## O que importa - Ed Flynn pediu ao Executive Office of Public Safety and Security que investigue o laboratório de perícia da polícia de Boston. - Ninguém da polícia compareceu à audiência de 26 de outubro de 2026 sobre falta de pessoal e prazo de exame dos kits de violência sexual. - A polícia diz que esteve em três audiências sobre o laboratório desde abril de 2025. Segundo a emissora WCVB, que noticiou o caso em 26 de outubro de 2026, o vereador Ed Flynn, de Boston, nos Estados Unidos, pediu uma investigação do laboratório de perícia da polícia da cidade depois que nenhum representante do Departamento de Polícia de Boston compareceu à audiência sobre a falta de pessoal no laboratório e sobre a demora no exame dos kits de coleta de vestígios de violência sexual. A audiência foi marcada para segunda-feira, 26 de outubro de 2026, às 10h, pela Comissão de Segurança Pública e Justiça Criminal da Câmara Municipal, presidida por Henry Santana, e Flynn disse que soube 40 minutos antes do horário marcado que ninguém da polícia iria. Segundo o aviso oficial publicado pela Câmara, a pauta era o Docket #0180, pedido de Flynn para discutir os recursos do laboratório, encaminhado à comissão em 28 de janeiro de 2026. ## O pedido de investigação Em carta a Kerry Collins, que ocupa o cargo de subsecretário no Forensic Science Oversight Board, Flynn escreveu: "As vítimas de violência sexual merecem saber que suas provas são tratadas com eficiência, de forma adequada e com cuidado". Na mesma carta, pediu que o Executive Office of Public Safety and Security investigue o laboratório e lhe dê os recursos e a assistência técnica necessários para funcionar bem, e o Forensic Science Oversight Board informou que está analisando a carta. Flynn disse ainda que pretende pedir à Procuradoria Federal dos Estados Unidos (U.S. Attorney) que também investigue o laboratório. Segundo o vereador, o laboratório sofre com falta de pessoal e está sem diretor permanente desde agosto de 2022, quando o diretor da época entrou em licença remunerada. "Historicamente, ele não cumpre o prazo legal do estado de examinar os kits de violência sexual em 30 dias", escreveu Flynn, e em 2024 uma reportagem do 5 Investigates já havia mostrado que o laboratório não cumpria esse prazo de 30 dias. ## A audiência sem a polícia Os vereadores mantiveram a discussão mesmo sem a polícia, e a vereadora Erin Murphy disse durante a audiência que, "a menos que haja uma emergência na cidade, não há razão para os departamentos não quererem vir até nós". O vereador John FitzGerald afirmou: "É imprescindível que tenhamos respostas, é decepcionante não ver ninguém aqui". Flynn disse que tem tido dificuldade para obter informações do laboratório e declarou: "Não me intimido quando as pessoas não aparecem, fico ainda mais focado no assunto agora, porque não há respostas". ## O que diz a polícia Um porta-voz da polícia de Boston, que não respondeu diretamente ao pedido de investigação externa, afirmou que integrantes do departamento participaram de três audiências sobre o laboratório desde abril de 2025 e trataram do tema longamente numa audiência de orçamento em maio. Segundo ele, o diretor mais recente do laboratório se aposentou no verão americano deste ano e a vaga está aberta. --- # Pesquisa canadense questiona a base científica de balística, manchas de sangue e cães farejadores - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Prova pericial no tribunal - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/pesquisa-canadense-questiona-balistica-manchas-de-sangue-e-caes-farejadores/ - Fonte original: UBC News (University of British Columbia), https://news.ubc.ca/2026/10/new-ubc-research-scientific-limitations-investigative-methods/, 05.Out.2026 (inglês) - Marcadores: balística, manchas de sangue, cães farejadores, prova pericial, Canadá - Como citar: NEXO CAUSAL, "Pesquisa canadense questiona a base científica de balística, manchas de sangue e cães farejadores", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/pesquisa-canadense-questiona-balistica-manchas-de-sangue-e-caes-farejadores/ ## O que importa - Sara Gordon, professora de direito da University of British Columbia, sustenta que os tribunais confiam nessas técnicas mais do que a ciência permite. - Os estudos citam erro de 37% na identificação de projéteis e drogas ausentes em quase 75% dos alertas de cães, num estudo australiano. - A autora pede que os juízes filtrem com mais rigor a prova pericial. Três trabalhos de Sara Gordon, professora associada da Peter A. Allard School of Law, da University of British Columbia (UBC), questionam a base científica de três tipos de prova aceitos com frequência nos tribunais do Canadá e da América do Norte: o confronto balístico, a análise de padrões de manchas de sangue e as buscas com cães farejadores. Um dos artigos saiu na Alberta Law Review, os outros dois vão sair na Canadian Bar Review e no Dalhousie Law Journal, e a pesquisa foi divulgada pela UBC em 5 de outubro de 2026 e repercutida pela Forensic Magazine. "Só porque uma técnica é usada nos tribunais há décadas não significa que devemos dar a confiabilidade dela como certa", disse Gordon, que espera que o trabalho ajude juízes e advogados a entender os limites dessas técnicas. Segundo a UBC, a autora encontrou lacunas no apoio científico a vários métodos usados pela polícia, alguns dos quais ajudaram a obter condenações. ## Confronto balístico O exame que liga projéteis e estojos a uma arma de fogo é aceito no Canadá há mais de um século, mas Gordon conclui que as pesquisas não sustentam o grau de certeza com que os peritos costumam depor, e, em testes práticos, segundo o texto, examinadores erraram a identificação de projéteis em 37% das vezes. O artigo sobre armas de fogo trata do uso dessa prova no Canadá, onde ela continua a ser admitida com frequência, enquanto nos Estados Unidos um tribunal de Chicago foi, em 2023, o primeiro do país a proibir esse tipo de confronto num processo criminal. ## Cães farejadores No Canadá, a polícia pode usar cães farejadores de drogas com base em suspeita razoável, exigência menor do que a aplicada às demais buscas sem mandado, e a Suprema Corte do Canadá justificou isso ao considerar essas buscas pouco invasivas, bem direcionadas e muito precisas. Gordon revisou o que a ciência publicou desde as últimas decisões da Corte sobre o tema, de 2013, e chegou a outra conclusão, que resumiu assim: "Eles não são nem de longe tão confiáveis quanto muitos tribunais parecem supor, e, na verdade, podem ser bastante invasivos". Um estudo australiano constatou que não se encontrou droga depois de quase 75% dos alertas dos cães policiais, e entre as causas apontadas estão treinamento ruim, odores residuais e o cheiro de alguns ingredientes comuns de panificação, sem contar que o condutor também pode influenciar o cão sem querer. A busca que vem depois do alerta pode causar medo, ansiedade, raiva e humilhação, e o efeito pode ser pior para pessoas racializadas. Gordon propõe padrões mais claros de treinamento, certificação e acompanhamento do desempenho dos cães, e defende que essas buscas sigam o mesmo critério das demais buscas sem mandado. ## Manchas de sangue A análise de padrões de manchas de sangue interpreta forma, tamanho e posição das manchas para reconstruir o que aconteceu, e os tribunais canadenses a tratam há muito tempo como ciência física. Gordon constatou que a disciplina nasceu de experimentos feitos por um químico no porão de casa, o mesmo químico que ajudou depois a criar a revista científica da área e os primeiros livros didáticos. Os praticantes citam com frequência conceitos como dinâmica dos fluidos, embora tenham pouca ou nenhuma formação em física, e, para ela, a área "se apoia numa base científica muito mais frágil do que os tribunais costumam supor". Um estudo mostrou que os analistas classificaram corretamente os padrões em cerca de 70% das vezes em superfícies rígidas e em 62% em tecidos. Outro estudo concluiu que analistas diferentes chegam com frequência a conclusões diferentes a partir do mesmo vestígio, e há ainda pesquisas mostrando que informações do caso passadas ao examinador podem influenciar a conclusão. Os artigos defendem que os juízes atuem com mais rigor no controle de admissão da prova, para garantir que ela seja confiável e que o perito não vá além do que a ciência sustenta, e pedem também mais formação científica para advogados e juízes. --- # Funcionário de lava-rápido morre após choque elétrico na Índia; homem que tentou socorrê-lo também levou choque - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Eletricidade e choque elétrico - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/funcionario-de-lava-rapido-morre-apos-choque-eletrico-na-india/ - Fonte original: Asianet Newsable, https://newsable.asianetnews.com/india/mandsaur-worker-dies-while-washing-car-after-electric-shock-man-who-tried-to-save-him-also-hit-articleshow-gglgvvz, 25.Out.2026 (inglês) - Marcadores: choque elétrico, lava-rápido, acidente de trabalho, Índia - Como citar: NEXO CAUSAL, "Funcionário de lava-rápido morre após choque elétrico na Índia; homem que tentou socorrê-lo também levou choque", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/funcionario-de-lava-rapido-morre-apos-choque-eletrico-na-india/ ## O que importa - Shamsher Rangrez, de 32 anos, morreu depois de levar um choque enquanto lavava um carro num lava-rápido em Narayangarh, distrito de Mandsaur. - A polícia diz que a investigação preliminar e as imagens das câmeras indicam morte por choque elétrico. - A reportagem não informa de onde veio a corrente. Shamsher Rangrez, de 32 anos, morreu depois de levar um choque elétrico enquanto lavava um carro no lava-rápido onde trabalhava, em Narayangarh, no distrito de Mandsaur, na Índia, num acidente que aconteceu numa sexta-feira à tarde e foi noticiado pela Asianet Newsable em 25 de outubro de 2026. Segundo a reportagem, ele lavava um Baleno prata quando recebeu a descarga e caiu no chão, e um jovem que correu para ajudá-lo também levou choque, mas a matéria não traz o nome dessa segunda pessoa nem informa o estado de saúde dela. As pessoas que estavam por perto desligaram a energia e levaram Shamsher de moto ao hospital, onde os médicos constataram a morte. O corpo ficou no Centro de Saúde Comunitário de Narayangarh na noite de sexta e foi entregue à família no sábado, depois da necropsia. ## O que dizem a polícia e as imagens O responsável pela delegacia de Narayangarh, Rajendra Panwar, afirmou que a investigação preliminar e as imagens do circuito de câmeras indicam que a morte foi causada por choque elétrico. As imagens do acidente vieram a público no sábado, um dia depois, mas o texto publicado não descreve o conteúdo delas. A reportagem para aí: não diz de onde veio a corrente, qual equipamento ou ponto da instalação do lava-rápido estava energizado, nem se havia defeito em máquina, fiação ou tomada. Também não menciona perícia na instalação elétrica, apuração de responsabilidade ou outra etapa da investigação além da análise preliminar citada pela polícia, e o resultado da necropsia não foi divulgado na matéria. ## A rotina do trabalhador Shamsher morava em Narayangarh e trabalhava no lava-rápido havia cerca de quatro anos, de acordo com o pai, Salim Mohammad Rangrez. O estabelecimento pertence a Om Gurjar e a Lokesh, conhecido como Sheru, segundo a reportagem, que não traz manifestação dos donos sobre o acidente. Naquela sexta, por volta das 13h, ele foi almoçar em casa e depois voltou ao serviço, onde o acidente aconteceu durante a lavagem do carro. O pai contou que o filho caiu assim que recebeu o choque e que as pessoas que estavam perto o levaram ao hospital, onde os médicos declararam a morte. Shamsher deixou dois filhos. --- # Destilaria clandestina causa explosão e incêndio na Carolina do Norte; agentes apreendem alambique de 200 galões - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/destilaria-clandestina-explosao-incendio-wilkes-carolina-do-norte/ - Fonte original: North Carolina Department of Public Safety (NCDPS), https://www.ncdps.gov/news/press-releases/2026/10/27/ale-agents-seize-200-gallon-illegal-distillery-following-explosion-and-fire-wilkes-county, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: explosão, incêndio, destilaria ilegal, Carolina do Norte, ALE - Como citar: NEXO CAUSAL, "Destilaria clandestina causa explosão e incêndio na Carolina do Norte; agentes apreendem alambique de 200 galões", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/destilaria-clandestina-explosao-incendio-wilkes-carolina-do-norte/ ## O que importa - Uma destilaria ilegal em funcionamento provocou explosão e incêndio em 26 de outubro de 2026 no condado de Wilkes, na Carolina do Norte. - Agentes da ALE apreenderam uma destilaria de 200gal (757L), cerca de 1.800gal (6.814L) de mosto e 161gal (609L) de aguardente sem imposto pago. - Um homem de 69 anos foi preso e responde a seis acusações. Uma destilaria ilegal em funcionamento provocou uma explosão e um incêndio em 26 de outubro de 2026 no condado de Wilkes, na Carolina do Norte (EUA), segundo comunicado de 27 de outubro de 2026 do Departamento de Segurança Pública do estado (NCDPS). No local, agentes da Divisão de Fiscalização de Bebidas Alcoólicas (Alcohol Law Enforcement, ALE) encontraram uma destilaria clandestina de 200gal (757L) ainda ativa e apreenderam cerca de 1.800gal (6.814L) de mosto e 161gal (609L) de aguardente sem imposto pago, o chamado moonshine. ## Como o caso chegou à ALE A ALE foi acionada pelo gabinete do xerife do condado de Wilkes, pelo Wilkes County Fire Marshal's Office e pelo Office of the State Fire Marshal, órgão estadual de prevenção e investigação de incêndios. As três equipes atenderam um incêndio numa edificação e constataram que ele vinha de uma produção ativa de bebida destilada sem recolhimento de imposto, e a partir daí a investigação passou para os agentes especiais da ALE. As fotos divulgadas pelo NCDPS, descritas pela emissora WBTV, mostram uma construção metálica carbonizada e equipamento de destilação danificado, e, segundo a emissora WLOS, a ALE concluiu que a destilaria ilegal causou a explosão e o incêndio. O comunicado não informa se houve feridos, não dá o endereço do imóvel e não descreve como começou a explosão. ## Prisão e acusações Billy Ray Anderson, de 69 anos, morador de North Wilkesboro, foi preso e responde a seis acusações: - fabricação de bebida alcoólica sem imposto pago; - posse para venda de bebida alcoólica sem imposto pago; - posse de bebida alcoólica sem imposto pago; - posse de equipamento de destilaria; - posse de insumos de destilaria; - permitir o uso de imóvel para fabricação de bebida alcoólica sem imposto pago. A rádio pública WFDD informa que Anderson deve comparecer à Justiça em janeiro, mas o comunicado do NCDPS não traz data de audiência nem declaração de autoridades. ## O papel da ALE Segundo o NCDPS, a ALE lidera no estado a fiscalização de equipamentos de destilação ilegais, de destilados sem imposto pago e da distribuição de bebidas reguladas. A WBTV lembra que a produção de moonshine teria nascido na Carolina do Norte e foi, por muito tempo, fonte importante de renda, sobretudo para moradores da zona rural, e a mesma emissora se refere ao caso como uma explosão "nas montanhas da Carolina do Norte". --- # Prédio desaba em Eastleigh, no Quênia, e investigação apura causa, aprovação e fiscalização da obra - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Falhas estruturais e colapsos - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/desabamento-de-predio-em-eastleigh-nairobi-quenia/ - Fonte original: The Star (Quênia), https://www.the-star.co.ke/news/2026-10-26-experts-eastleigh-building-developer-lost-at-least-sh150m, 26.Out.2026 (inglês) - Marcadores: desabamento, colapso estrutural, fiscalização de obras, Quênia, Nairóbi - Como citar: NEXO CAUSAL, "Prédio desaba em Eastleigh, no Quênia, e investigação apura causa, aprovação e fiscalização da obra", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/desabamento-de-predio-em-eastleigh-nairobi-quenia/ ## O que importa - Um prédio em construção desabou em 23 de outubro de 2026 no bairro de Eastleigh, em Nairóbi; em 28 de outubro de 2026, 16 pessoas seguiam desaparecidas. - Engenheiros falam em falha dos pilares e pedem ensaio do aço, do cimento e dos agregados. - A associação de engenheiros consultores estima perda de pelo menos KES 150 milhões e cobra a prefeitura pela fiscalização. Um prédio em construção desabou em 23 de outubro de 2026 na 9th Street, no bairro de Eastleigh, em Nairóbi, capital do Quênia, e o número de andares muda conforme o veículo: o The Star e o The Eastleigh Voice falam em 18, e o The Standard, em 16. Na manhã de 28 de outubro de 2026, segundo a Citizen Digital, 16 pessoas continuavam desaparecidas, e as equipes de resgate diziam ter removido 80% do entulho e chegado ao térreo e ao subsolo, onde funcionavam lojas, depois de a Cruz Vermelha do Quênia ter informado, no dia seguinte ao colapso, que 66 dos 67 operários da obra estavam localizados. ## O que se sabe da causa Nenhum órgão oficial divulgou a causa até agora, e Dick Omondi, secretário da Associação de Engenheiros Consultores do Quênia (ACEK), disse ao The Star que as estimativas iniciais apontam falha dos elementos estruturais de apoio. Harrison Keter, presidente do Engineers Board of Kenya, órgão que registra e licencia engenheiros, disse à Citizen TV, em fala reproduzida pelo The Eastleigh Voice, que engenheiros descrevem o colapso como "pancake failure": os pilares deixam de suportar a carga e os pavimentos caem uns sobre os outros. Yassin Munyanya, tesoureiro da Associação de Arquitetos do Quênia, disse à Citizen Digital que não há cópia dos desenhos estruturais e que os pilares mostram sinal de falha estrutural. Keter pediu que amostras de aço, cimento e agregados sejam ensaiadas para confirmar se atendiam às especificações do projeto, citou sacos de cimento de 50kg que supostamente pesavam de 42kg a 43kg e alertou para possíveis fraudes em ensaios de laboratório e em certificação, mas pediu também que ninguém seja culpado antes do fim das investigações e dos ensaios técnicos. Gabriel Jabong'o, presidente da ACEK, disse ao The Star que não se deve especular sobre a causa antes de os investigadores estabelecerem os fatos e listou o que a perícia deve examinar: deficiência no projeto estrutural, má execução, material abaixo do padrão, alteração não autorizada dos desenhos aprovados, supervisão insuficiente, sobrecarga, fundação fraca, descumprimento das normas de edificação e falhas de inspeção e fiscalização. ## Aprovação e fiscalização O governador de Nairóbi, Johnson Sakaja, disse ao The Standard que a prefeitura aprovou em 17 de outubro de 2024 só a mudança de uso do terreno, de residencial para comercial e residencial, e que os projetos de arquitetura apresentados em 20 de novembro de 2024 não foram aprovados pelo condado. Sakaja afirmou que a prefeitura agiu várias vezes depois de detectar obra não autorizada e que encaminhou seu relatório à Diretoria de Investigação Criminal (DCI). A National Construction Authority (NCA) informou, segundo a Citizen Digital, que a obra foi registrada em 30 de julho de 2025 como empreendimento proposto e nomeou a incorporadora, 9th Street Plaza Limited, a construtora, Stromax Holdings E.A Limited, o arquiteto e o engenheiro estrutural, mas não disse se inspecionou o prédio antes do colapso. Keter citou relatos de que o prédio teria sido aprovado para 15 andares e chegou a 18, perguntou se houve revisão dos cálculos e nova aprovação e cobrou o condado, responsável pela aprovação e pela fiscalização, questionando se os condados têm técnicos qualificados em número suficiente. O engenheiro estrutural teria dito ao advogado que entregou os projetos ao cliente, mas não participou da obra porque as aprovações não tinham saído, e Keter criticou esse afastamento, dizendo que o profissional que deixa um projeto deve avisar as autoridades e que a obra não pode seguir sem supervisão adequada. A ACEK estima que a incorporadora perdeu pelo menos KES 150 milhões, e Omondi disse que contratar um engenheiro para acompanhar a obra "teria saído mais barato". A entidade cobrou da prefeitura de Nairóbi que deixe de culpar só os incorporadores irregulares e aplique as leis existentes, e ofereceu, de graça, engenheiros para uma perícia que aponte a causa e as falhas de fiscalização, mas, até a publicação do The Star, o condado não tinha respondido. ## Quem investiga O Engineers Board of Kenya abriu investigação formal sobre os fatores que podem ter contribuído para o colapso e sobre o papel dos engenheiros do projeto. Os detetives já ouviram um dos três incorporadores e funcionários do condado, da Inspetoria Nacional de Edificações e da NCA, e o comandante regional da polícia em Nairóbi, Issa Mohamud, disse que o proprietário e quem autorizou a obra podem ser processados, a depender das conclusões. --- # Incêndio na biblioteca de escola em Otsego, Michigan, termina com causa indeterminada - Publicado: 28.Out.2026 - Assunto: Incêndios e explosões - Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-biblioteca-escola-otsego-causa-indeterminada/ - Fonte original: WWMT (News Channel 3), https://wwmt.com/news/local/fire-elementary-school-students-staff-investigation-results-report-michigan-state-police-otsego-fire-department-restore-allegan-county-brad-misner, 27.Out.2026 (inglês) - Marcadores: incêndio, escola, Michigan, causa indeterminada - Como citar: NEXO CAUSAL, "Incêndio na biblioteca de escola em Otsego, Michigan, termina com causa indeterminada", 28.Out.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/incendio-biblioteca-escola-otsego-causa-indeterminada/ ## O que importa - A Polícia Estadual de Michigan classificou como indeterminada a causa do incêndio que atingiu a biblioteca e a sala de mídia da Dix Street Elementary, em Otsego. - Segundo o diretor de polícia e bombeiros da cidade, os investigadores sabem mais ou menos onde o fogo começou, mas não o que o provocou. - O prédio não tem sistema de supressão de incêndio e segue fechado por tempo indeterminado. A investigação do incêndio que danificou a biblioteca e a sala de mídia da Dix Street Elementary, escola de ensino fundamental de Otsego, no estado de Michigan (EUA), terminou sem causa definida: a Polícia Estadual de Michigan classificou a causa como "indeterminada", segundo Brad Misner, diretor de polícia e bombeiros de Otsego, em reportagem da emissora WWMT publicada em 27 de outubro de 2026. "Sabemos mais ou menos onde ele começou, mas não conseguimos dizer o que o causou", disse Misner à emissora. ## O incêndio O fogo foi comunicado às 17h35 da segunda-feira, 21 de setembro de 2026: de acordo com a primeira reportagem da WWMT sobre o caso, um zelador percebeu o incêndio dentro da escola e funcionários ligaram para o 911, e quatro corpos de bombeiros chegaram cerca de três minutos depois da chamada e apagaram o fogo rapidamente, segundo Misner. As chamas ficaram restritas à biblioteca e à sala de mídia, onde os danos foram grandes, enquanto o restante do prédio teve danos por fumaça em toda a área e alguns danos por água. Ninguém se feriu, o pequeno grupo de funcionários que estava na escola saiu em segurança e, naquela noite, Misner disse que a causa ainda era desconhecida e que a Polícia Estadual de Michigan estava a caminho para ajudar na investigação. ## O que se sabe depois da investigação A reportagem de 27 de outubro informa que o prédio não tem sistemas de supressão de incêndio, por causa da idade da construção, e que, mais de um mês depois do fogo, a biblioteca e a sala de mídia continuam fechadas com tapumes. A matéria, que traz fotos dos danos cedidas pelo Corpo de Bombeiros de Otsego, não diz qual foi o ponto de origem apontado pelos investigadores nem quais hipóteses de causa foram examinadas ou descartadas. ## Escola fechada No dia seguinte ao incêndio, a rede Otsego Public Schools informou que a escola ficaria fechada por "tempo indeterminado", para preservar os danos no prédio para o trabalho dos reguladores de sinistro da seguradora e das equipes de limpeza, segundo a WWMT. Alunos e funcionários foram transferidos para o antigo prédio da Pine Trails Elementary, da rede de escolas públicas de Allegan, onde as aulas começaram na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, de acordo com a emissora FOX 17. A superintendente da rede de Otsego, Christie Robinson, disse que a mudança temporária deve durar vários meses, sem prazo exato, e, na mesma época, equipes de restauração faziam testes de qualidade do ar, limpeza e reparos na Dix Street. Segundo a WWMT, a escola continua fechada por tempo indeterminado enquanto seguem a restauração e a limpeza.