# Rastreamento dos fundos roubados da Binance separa o que a blockchain registra do que é inferência

- Publicado: 06.Nov.2026
- Assunto: Perícia digital
- Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/binance-rastreamento-dos-fundos-roubados-prova-e-inferencia/
- Fonte original: Elliptic, https://www.elliptic.co/insights/binance-largest-hack-in-history/?hl=en-US, 30.Out.2026 (inglês)
- Marcadores: Binance, rastreamento em blockchain, lavagem de criptomoedas, Elliptic, TRM Labs, prova e inferência
- Como citar: NEXO CAUSAL, "Rastreamento dos fundos roubados da Binance separa o que a blockchain registra do que é inferência", 06.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/binance-rastreamento-dos-fundos-roubados-prova-e-inferencia/

## O que importa

- A Elliptic e a TRM Labs acompanharam os fundos roubados da Binance em 29 de outubro de 2026 por dez ou onze cadeias de blocos, até chegar a trocas, pontes e empréstimos.
- O rastreamento parte de registros públicos, mas a ligação entre carteiras e a autoria dependem de análise que as próprias empresas tratam como inferência.
- Nenhuma das duas análises lidas pelo NEXO CAUSAL liga a lavagem a redes chinesas.

O roubo da Binance em 29 de outubro de 2026, avaliado entre US$ 6,3 bilhões e US$ 6,4 bilhões conforme a fonte, deixou um rastro público na blockchain, e é esse rastro que as empresas de análise seguem para acompanhar o dinheiro, mas seguir uma transferência não equivale a saber quem a fez.

## O que a blockchain registra

Cada transferência fica gravada com o endereço de origem, o de destino, o valor e o horário, o que permite refazer a sequência sem depender da corretora que sofreu o ataque.

Segundo a Elliptic, o ataque drenou carteiras quentes da Binance em 11 cadeias de blocos em poucas horas, e os ativos que ainda estavam com o atacante, cerca de US$ 3,25 bilhões, se espalhavam por mais de 800 endereços.

A TRM Labs, por sua vez, contou dez cadeias e cerca de US$ 6,36 bilhões saídos das carteiras, o que mostra que nem a contagem de redes coincide entre as duas análises.

## Como o dinheiro se espalha

Na rede Tron, a carteira principal de lavagem enviou TRX em 1.113 transferências separadas entre 30 de outubro e 1 de novembro de 2026, com intervalo mediano de 90 segundos entre uma e outra.

Quase toda transferência tinha valor irregular, com até seis casas decimais, e as carteiras usadas para vender tokens recebiam exatamente 0,5 ETH para taxas, um preparo padronizado segundo a Elliptic.

A própria Elliptic afirma que esse conjunto de padrões sugere que boa parte da lavagem foi feita por software, e acrescenta que os dados da blockchain não permitem dizer se agentes de inteligência artificial estavam por trás.

## Trocas, pontes e empréstimos

Na Ethereum, 434 milhões de USDT foram trocados por 160.451 ETH em Uniswap, 1inch e formadores de mercado, com perda implícita de 12% a 26% em relação ao preço de mercado, o que a Elliptic lê como prioridade pela velocidade e não pelo valor.

Parte dos fundos que passou pela Tron seguiu por pelo menos seis pontes entre cadeias, e quase tudo acabou convertido em ETH na Ethereum, segundo a mesma análise.

Uma segunda carteira depositou 59,9 milhões de USDT como garantia na Aave e tomou 19.762 ETH emprestados antes de a plataforma congelar os mercados afetados.

Segundo a Elliptic, o congelamento da Aave bloqueou operações novas e não apreendeu nenhum fundo do atacante.

Em 3 de novembro, a TRM descreveu um token que o próprio atacante criou e cunhou, cujo único mercado era um pool de liquidez numa corretora descentralizada da rede Tron.

Segundo a mesma atualização, nenhuma transferência ligava as carteiras compradoras à carteira vendedora, e a única ligação era o próprio pool.

## O que é prova e o que é inferência

Como fato, as empresas tratam o registro de cada transação, com valor, horário e endereços, e os valores congelados, que a Elliptic verificou em US$ 2,85 bilhões, cerca de 44% do roubo e quase todos em USDT e USDC.

Como inferência, aparecem a leitura de automação, a identificação de quem controla cada endereço e a eventual participação de agentes de IA, nenhuma delas confirmada pela própria blockchain.

Como previsão, a Elliptic espera que os fundos passem por corretoras de balcão, as chamadas OTC, e por corretoras comuns, com base no que viu na lavagem dos fundos da Bybit, e lembra que essa lavagem levou meses.

A TRM, na mesma linha, afirmou que já houve atividade OTC relevante na rede Tron, sem informar o valor.

## Limites da atribuição

A TRM atribui o roubo ao TraderTraitor, grupo ligado à Coreia do Norte, com alta confiança, mas afirmou em 3 de novembro que nenhum governo havia atribuído o caso, enquanto a Elliptic registra que o FBI já o tinha feito em 31 de outubro.

Essa diferença mostra que a atribuição muda conforme a data da análise e a fonte que cada empresa aceita como base.

Nenhuma das duas análises lidas pelo NEXO CAUSAL liga a lavagem a redes chinesas.

A Elliptic deu como final a atualização de 1 de novembro de 2026 e disse que acompanharia a lavagem num texto novo.
