# Cabo com bainha retardante de chama e isolação inflamável acelera incêndio, mostra estudo com calorímetro de cone

- Publicado: 06.Nov.2026
- Assunto: Eletricidade e choque elétrico
- Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/cabo-com-isolacao-sem-retardante-de-chama-queima-e-acelera-incendio/
- Fonte original: Fire Technology (Springer Nature), https://doi.org/10.1007/s10694-026-02009-8, 14.Out.2026 (inglês)
- Marcadores: cabo elétrico, retardante de chama, isolação, calorímetro de cone, incêndio elétrico, classificação de reação ao fogo
- Como citar: NEXO CAUSAL, "Cabo com bainha retardante de chama e isolação inflamável acelera incêndio, mostra estudo com calorímetro de cone", 06.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/cabo-com-isolacao-sem-retardante-de-chama-queima-e-acelera-incendio/

## O que importa

- Um estudo publicado em 14 de outubro de 2026 na revista Fire Technology comparou dois cabos elétricos industriais, sendo que um deles tem bainha retardante de chama sobre uma isolação muito inflamável.
- Sob fluxo de calor de 50kW/m², o cabo com isolação inflamável teve taxa de liberação de calor em crescimento contínuo, com um pico final forte causado pela decomposição da isolação.
- Os autores concluem que a classificação de reação ao fogo usada para cabos pode subestimar o perigo em incêndios industriais de alta intensidade.

Um cabo elétrico costuma ter bainha com retardante de chama, e uma prática comum da indústria é combinar essa bainha com uma isolação interna sem retardante, o que, segundo um estudo de Morteza Gholami Haghighi Fard e Simo Hostikka publicado em 14 de outubro de 2026, funciona apenas até certo nível de calor externo.

## Por que o cabo entra na perícia de incêndio

Segundo o artigo, cabos elétricos são uma fonte de risco de incêndio em edificações residenciais, industriais e em usinas nucleares, e nos Estados Unidos, entre 2003 e 2006, 46% dos incêndios domésticos que envolveram equipamentos elétricos tiveram origem na fiação.

Os autores citam ainda quase setenta incidentes de incêndio em usinas nucleares, entre o fim da década de 1980 e 2010, documentados como causados por cabos elétricos.

## Os dois cabos ensaiados

O estudo comparou o MKEM-HF, cuja composição é apenas uma bainha retardante à base de trihidrato de alumínio (ATH), com o XMK-HF, que tem uma bainha retardante à base de hidróxido de magnésio (MDH) sobre uma isolação altamente inflamável.

Ambos recebem a mesma classificação de reação ao fogo pela norma europeia EN 13501-6, Cca, s1, d1, a1, e, segundo os autores, essa classificação não distingue os dois cabos.

## Como o ensaio foi feito

Os autores fizeram análise termogravimétrica e calorimetria diferencial de varredura para descrever como cada camada do cabo se decompõe com a temperatura, e depois usaram o calorímetro de cone com fluxo de calor de 50kW/m² para medir a queima.

Os ensaios foram feitos com um cabo isolado e com três cabos juntos, em duas condições: gaseificação, sem chama, e queima com chama.

Os dados serviram para calibrar dois modelos numéricos, um simplificado em placa (1D) e outro bidimensional que considera a geometria cilíndrica do cabo (2D).

## O que o cabo com bainha apenas retardante fez

O MKEM-HF teve taxa de perda de massa e taxa de liberação de calor em queda ao longo do tempo, o que indica risco decrescente.

Nos ensaios com chama, porém, esse cabo teve um segundo pico de liberação de calor relativamente mais forte, e os autores atribuem isso, com a expressão "provavelmente", à decomposição do ATH nas regiões inferiores da bainha, que deixou o polímero sem proteção antes de ele queimar.

## O que o cabo com isolação inflamável fez

O XMK-HF teve taxa de perda de massa e de liberação de calor em crescimento contínuo, e no cabo isolado com chama o pico final apareceu por volta de 700 segundos.

Segundo o artigo, o MDH retardou melhor a chama no início do que o ATH, mas a ruptura mecânica da bainha expôs a isolação inflamável, e esse conjunto produziu um pico final muito alto.

## Três cabos juntos

Segundo o artigo, na montagem com três cabos os picos e o tempo de consumo do material ficaram cerca de duas vezes maiores que no cabo isolado nos dois tipos de cabo, e, no MKEM-HF, a carga total de combustível era três vezes maior.

No XMK-HF com três cabos em chama, o segundo pico chegou cerca de duas vezes mais tarde que no cabo isolado, e sua amplitude ficou próxima do dobro da do primeiro pico.

## Limites dos modelos

O modelo bidimensional teve desempenho melhor que o unidimensional na transferência de calor ao longo do tempo e na previsão dos picos, e o modelo em placa precisou de um ajuste geométrico para simular a exposição precoce da isolação.

Mesmo assim, os autores dizem que a ruptura mecânica da bainha ainda não é representada no modelo bidimensional, e o erro do modelo em placa ficou em 23% no caso do XMK-HF.

## O que o artigo conclui sobre a classificação

Os autores afirmam que os ensaios de chama vertical usados para classificar cabos operam abaixo do fluxo de calor necessário para acender a isolação do XMK-HF, mesmo que os dois cabos tenham a mesma classificação.

Segundo o texto, as classificações atuais garantem o desempenho em condições padrão, mas podem subestimar o perigo em cenários industriais de alta intensidade, em que a radiação externa ultrapassa o limite de proteção da bainha.

Esse mecanismo já havia sido descrito por Meinier e outros autores para cabos semelhantes: acima de um fluxo de calor crítico, a isolação sem retardante passa a contribuir para a liberação de calor do conjunto.

## Limites do estudo e próximos passos

O trabalho foi feito em escala de laboratório com apenas dois cabos industriais, e os próprios autores informam que o próximo passo é avaliar a resposta dos cabos em fluxos de calor diferentes, para identificar as condições que levam à ruptura mecânica da bainha.

Eles também planejam ensaios com cabos na vertical, conforme o método EN 50399, para estudar a propagação de chama no sentido ascendente.
