# Colapso do Champlain Towers South começou semanas antes e teve projeto abaixo do código, diz relatório do NIST

- Publicado: 06.Nov.2026
- Assunto: Falhas estruturais e colapsos
- Endereço: https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-champlain-towers-surfside-nist-relatorio-final/
- Fonte original: The Associated Press, via WTOP News, https://wtop.com/national/2026/06/a-deadly-collapse-at-a-florida-condo-happened-slowly-over-several-weeks-probe-finds/, 22.Jun.2026 (inglês)
- Marcadores: colapso de edifício, Surfside, NIST, corrosão de armadura, norma de projeto
- Como citar: NEXO CAUSAL, "Colapso do Champlain Towers South começou semanas antes e teve projeto abaixo do código, diz relatório do NIST", 06.Nov.2026, https://nexocausal.eng.br/artigos/colapso-champlain-towers-surfside-nist-relatorio-final/

## O que importa

- O relatório do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST), divulgado em 22 de junho de 2026, atribui o colapso de Surfside, na Flórida, a falhas de projeto e de construção.
- Segundo o relatório, duas ligações entre pilares da garagem e a laje da área da piscina começaram a falhar no início de junho de 2021.
- O desabamento de 24 de junho de 2021 matou 98 pessoas, e o relatório descreve uma falha que se formou por semanas antes da queda.

O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) divulgou um relatório que atribui o colapso do condomínio Champlain Towers South, em Surfside, na Flórida, a falhas de projeto, de construção e de alterações feitas ao longo de quatro décadas.

Segundo a agência Associated Press, que noticiou o documento, o NIST concluiu que o desabamento começou semanas antes da queda do prédio, com duas ligações entre pilares da garagem e a laje da área da piscina que começaram a falhar no início de junho de 2021.

## Semanas de sinais antes do colapso

O prédio tinha doze andares à beira-mar e desabou à 1h22 da madrugada de 24 de junho de 2021, quando a maioria dos moradores dormia.

Fotos tiradas por moradores nas semanas anteriores mostram uma fissura longa no muro de uma jardineira da laje da piscina e trincas no canto onde o muro encontrava a jardineira.

Cerca de uma semana antes do colapso, a água que vazava do teto da garagem aumentou, e algumas horas antes uma pessoa ouvida pelos investigadores descreveu o vazamento como uma torneira aberta.

Menos de um dia antes do desabamento, essa jardineira se soltou da laje da piscina.

## Projeto abaixo do código

Segundo Judith Mitrani-Reiser, codiretora da investigação, a estrutura não atendia aos códigos de construção vigentes na época do projeto.

Em alguns pontos, o projeto previa menos da metade da resistência exigida pelo código.

Além disso, a construção não seguiu o projeto, com jardineiras grandes acrescentadas à laje da piscina que não constavam do desenho aprovado.

Ela afirmou, em vídeo que acompanha o relatório, que, quando um edifício é projetado e construído conforme as normas, ele tem margens contra a falha, e que no Champlain Towers South essas margens eram estreitas desde o início.

## Alterações posteriores e corrosão

Obras feitas depois na área da piscina acrescentaram areia e pisos intertravados, o que sobrecarregou um sistema que o relatório descreve como já estruturalmente inadequado.

O NIST também encontrou armadura de aço corroída em algumas áreas da laje da piscina e das lajes do estacionamento no térreo.

Esses dois fatores somados deixaram o restante da laje da piscina fraco demais para suportar a carga extra.

Quando a laje da piscina cedeu, a queda seguiu em sequência, e pessoas que estavam no prédio descreveram a laje caindo um vão de cada vez, como dominós numa cadeia.

A laje da piscina começou a cair minutos antes de duas partes da torre, e uma parede de concreto resistente impediu que a destruição alcançasse a terceira seção.

## O que o relatório deixa para a perícia

Para a perícia, o caso mostra que a falha pode começar num elemento secundário, como uma área de lazer, e depois se propagar para o restante da estrutura.

As empresas que projetaram e construíram o prédio, no fim da década de 1970, não existem mais, o que obriga a reconstituir o projeto a partir de documentos arquivados e de ensaios no concreto e no aço.

A reação legislativa veio em 2022, com uma lei da Flórida que obrigou os condomínios a manter reservas para grandes reparos, e a fonte relata que moradores pagaram taxas elevadas para cobrir manutenção adiada durante anos.
