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NEXO CAUSAL
Perícia digital

Relatório da Blockaid aponta US$ 287 milhões roubados em 2026 fora de alcance e só 0,8% devolvido às vítimas

Fonte: Unchained
Cronômetro de metal sobre uma mesa escura, ao lado de uma moeda digital presa em um bloco de vidro
Imagem ilustrativa gerada por IA

Um relatório da Blockaid, empresa que vende ferramentas de triagem de transações em blockchain, mostra que o dinheiro roubado em grandes ataques de 2026 começou a sair em minutos e, em grande parte, não pode ser bloqueado.

Os números do levantamento

A Blockaid analisou 60 ataques relevantes entre janeiro e agosto de 2026, que somaram US$ 1,18 bilhão em fundos roubados.

Até 2 de setembro de 2026, data de corte do relatório, apenas US$ 9,8 milhões (0,8%) tinham voltado às vítimas, e outros US$ 81,4 milhões estavam congelados, mas ainda não devolvidos.

Somente cinco dos 60 incidentes tiveram algum valor congelado ou recuperado.

Os US$ 287,1 milhões ainda visíveis estão distribuídos em 16 incidentes, e cerca de US$ 229 milhões deles vêm do ataque à Drift Protocol, em abril de 2026.

Por que o dinheiro escapa

A maior parte desse valor está em ativos sem um emissor central capaz de bloquear transferências de um endereço, como ETH, bitcoin, tokens empacotados e tokens de staking líquido.

A mediana de tempo para o dinheiro começar a se mover foi de 17 minutos após cada ataque, e em 68% dos casos ele saiu em até uma hora.

Em 13 casos, equivalentes a 22% da amostra, o dinheiro saiu no primeiro minuto, o que deixa pouca margem para a equipe de segurança detectar o ataque e identificar o destino.

A própria Blockaid chama esse intervalo de janela incrivelmente curta para qualquer equipe de segurança detectar um ataque, identificar o destino dos fundos e coordenar uma resposta.

Quem conseguiu congelar

Dos US$ 91,2 milhões congelados ou devolvidos, US$ 90,4 milhões (99,1%) foram garantidos por controles de protocolos, órgãos de governança ou validadores.

Nesse total entram cerca de US$ 71 milhões congelados pelo Conselho de Segurança da Arbitrum no caso da KelpDAO e cerca de US$ 9 milhões na Syscoin, onde tokens não autorizados foram queimados.

Já as listas de bloqueio de emissores de stablecoins e os bloqueios de corretoras não recuperaram nenhum valor nos 60 casos, segundo a análise do The Defiant sobre o mesmo relatório.

Nos casos avaliados, o emissor de stablecoin tinha como bloquear o endereço em 16 incidentes e não usou essa possibilidade em nenhum deles.

O que a empresa recomenda

A Blockaid recomenda que protocolos e instituições definam antes quem tem autoridade para congelar fundos e qual evidência essa decisão exige.

A empresa também sugere monitorar os endereços comprometidos depois do ataque.

Para a Blockaid, as organizações precisam bloquear transações perigosas antes que os fundos sejam roubados, e não depois.

O que isso significa para a perícia

Para a perícia digital, o levantamento mostra que a janela útil para rastrear e congelar fundos costuma ser curta, medida em minutos e não em horas.

O rastreamento só vira recuperação quando existe um ponto de bloqueio, como uma corretora, um emissor de stablecoin ou um controle do próprio protocolo.

O relatório é de uma empresa que vende ferramentas de triagem de transações, por isso os números devem ser lidos como estimativas da própria análise, e não como dados de um órgão oficial.

Os próprios números do relatório variam de fonte para fonte quanto ao período analisado, que aparece como janeiro a agosto em algumas reportagens e como 5 de janeiro a 5 de agosto em outra.

Fonte original: Unchained, 19.Out.2026.

Marcadores: Blockaid, criptomoedas, congelamento de fundos, ataque hacker, rastreamento em blockchain, stablecoin.

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