Coreia do Sul tem nova onda de ataques hacker contra o setor financeiro, com dados de 38 mil clientes da Daishin expostos

O setor financeiro da Coreia do Sul sofreu uma segunda onda de ataques cibernéticos em cerca de um mês, com acessos não autorizados relatados pela corretora Daishin Securities, pela gestora de recursos Mirae Asset Global Investments e pela corretora de criptomoedas Bithumb, segundo reportagem de Kate Park no TechCrunch publicada em 28 de outubro de 2026 e textos da Bloomberg reproduzidos pelo Insurance Journal e pelo The Edge Malaysia.
Na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, o presidente do Financial Supervisory Service (FSS), o órgão de supervisão financeira do país, Lee Chan-jin, disse que algumas das principais empresas de investimento sul-coreanas tinham sofrido ataques de grande alcance no dia anterior e pediu ao setor que reforce a segurança, sem dizer quais empresas foram atingidas.
Daishin: o servidor de abertura remota de contas
A Daishin Securities informou que dados pessoais e de crédito de 38.490 clientes vazaram, e disse ter detectado em 17 de outubro de 2026 um acesso suspeito a um servidor que dá suporte à abertura de contas a distância, segundo a Bloomberg.
Pela investigação da corretora, as informações expostas incluem nomes, e-mails e endereços dos clientes, além dos números de conta e de celular em forma criptografada, e a empresa diz não ter encontrado prova de prejuízo posterior aos clientes nem de acesso aos sistemas centrais do negócio.
O TechCrunch, citando a imprensa local, lista nomes, e-mails e números de celular entre os dados expostos, sem mencionar a criptografia, e informa que a Daishin avisou os clientes atingidos, colabora com as autoridades na investigação e vai compensar eventuais perdas como manda a lei.
Mirae e Bithumb
A Mirae Asset Global Investments, que tinha US$ 461 bilhões em ativos sob gestão no fim de setembro, relatou acesso não autorizado a alguns sistemas web de uso interno do negócio e afirmou que os dados de investidores pessoas físicas não foram envolvidos, porque esses sistemas não atendem esses clientes, que não houve perda financeira e que os sistemas e servidores principais funcionavam normalmente.
A Bithumb detectou na terça-feira, 27 de outubro de 2026, acesso não autorizado ao seu sistema interno de colaboração para celulares, segundo a agência sul-coreana Yonhap, e investiga a extensão do vazamento, inclusive se houve exposição de dados de clientes.
Nem a Mirae nem a Bithumb confirmaram ao TechCrunch que dados de clientes tenham sido levados, e a Yonhap informou que a presidência sul-coreana faria uma reunião de emergência para discutir os ataques.
A primeira onda e a ferramenta de IA
Cerca de um mês antes, uma série de ataques atingiu instituições financeiras do país, e pesquisadores de segurança ligaram essa primeira onda a um hacker suspeito de estar na China que usava uma ferramenta de teste de invasão com inteligência artificial chamada Artex, segundo o TechCrunch.
A Bloomberg relata que os atacantes da primeira onda usaram um agente de IA sofisticado contra alguns dos maiores bancos e instituições financeiras sul-coreanas, mas as autoridades ainda investigam a causa raiz dos novos ataques e não há confirmação oficial de que a mesma ferramenta tenha sido usada agora.
Medidas do governo e o contexto regional
O órgão regulador financeiro pediu medidas mais fortes de segurança cibernética depois da sequência de ataques a empresas financeiras e a órgãos de governo, e o país planeja fazer verificações de segurança em dezenas de sistemas de tecnologia da informação do setor privado, segundo o TechCrunch.
Os casos sul-coreanos se somam a ataques a empresas japonesas, como a SoftBank Corp e a Daiwa Securities Group, que levaram a agência de serviços financeiros do Japão a pedir atenção aos riscos de fornecedores terceirizados e cuidado extra na verificação de identidade dos usuários pela internet, e a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, pediu às instituições que revisem as defesas, segundo a Bloomberg.
Na véspera da reportagem do TechCrunch, o Japão também registrou um incidente de segurança na GMO Internet, e ao mesmo tempo organizações do mundo todo corriam para corrigir falhas críticas no PHP, linguagem de programação muito usada na internet, que levaram bancos, companhias aéreas e governos a tirar sites do ar.
O TechCrunch ressalta que, embora a sequência de ataques na Ásia aumente a preocupação de que a inteligência artificial esteja facilitando invasões em grande escala, os investigadores não estabeleceram ligação entre os incidentes, e a Financial Services Commission (FSC), outro órgão regulador financeiro do país, a Daishin, a Bithumb e a Mirae não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
Fonte original: TechCrunch, Kate Park, 28.Out.2026.
Marcadores: ataque hacker, setor financeiro, vazamento de dados, inteligência artificial, Coreia do Sul.