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NEXO CAUSAL
Cadeia de custódia e qualidade

Coupang: governo sul-coreano confirma ordem do fundador para apagar registro de excesso de trabalho de funcionário morto, mas crime prescreveu

Ilustração em tom sépia do interior de um centro de distribuição, com esteiras, pilhas de caixas de papelão e uma câmera de segurança presa a uma coluna
Imagem ilustrativa gerada por IA

O Ministério do Emprego e do Trabalho da Coreia do Sul confirmou que Kim Beom-seok, fundador e presidente do conselho da Coupang Inc., gigante sul-coreana do comércio eletrônico, deu ordem para que não ficasse registro do excesso de trabalho de Jang Deok-jun, funcionário de um centro de distribuição que morreu em 2020, e que a empresa, seguindo a orientação, entregou primeiro às autoridades um vídeo de câmera de segurança em que o trabalhador nem aparecia, mas concluiu que o crime de ocultação de acidente de trabalho não pode ser aplicado, segundo o jornal sul-coreano Kyunghyang Shinmun.

A morte no centro de Chilgok

Jang Deok-jun trabalhava no centro de distribuição da Coupang em Chilgok, na região de Daegu, e morreu em outubro de 2020, e o Serviço Coreano de Compensação e Bem-Estar dos Trabalhadores, órgão público que analisa se uma morte é acidente de trabalho, reconheceu depois a morte como causada por excesso de trabalho, segundo editorial do jornal.

A mãe do trabalhador, Park Mi-suk, cobra há anos a apuração dos fatos e a punição dos responsáveis, e em 23 de dezembro de 2025 o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Entrega apresentou queixa à Agência Nacional de Polícia contra Kim, acusando-o de incitar a destruição de provas e de violar a lei de segurança e saúde no trabalho, segundo a agência Yonhap, em texto publicado pelo Korea JoongAng Daily.

O que o ministério encontrou

Na apuração da denúncia de ocultação, o ministério obteve registros de mensagens e depoimentos de testemunhas que mostram Kim instruindo: “Garantam que não haja registro de que ele trabalhava muito”, e, em outra mensagem, “Eles são trabalhadores de meio período, recebem por hora, não por produção”, segundo o Kyunghyang.

De acordo com os resultados divulgados em 22 de outubro de 2026, a Coupang seguiu as instruções e analisou as imagens das câmeras de segurança (CCTV) em que Jang aparecia, separando o tempo dele em categorias como “beber água”, “ir ao banheiro”, “esperar” e “conversar”, e publicou na sua página de notícias um texto dizendo que a carga de trabalho dele não era pesada.

Na primeira entrega ao serviço de compensação, a empresa mandou um vídeo de CCTV em que Jang não aparecia, e só depois entregou as imagens em que ele estava, e um funcionário da Coupang ainda deu declarações sobre as condições de trabalho dele que não batiam com o vídeo, segundo o jornal.

O ministério disse, porém, que não confirmou o envio desse material a outros órgãos nem o uso dele com outras instituições externas, e que não encontrou manipulação nem vazamento das imagens de CCTV.

A pasta também recebeu da Coupang um “manual de gestão de crise”, com planos de resposta à Assembleia Nacional, à imprensa e às autoridades trabalhistas, mas concluiu que a simples existência do manual não é motivo de punição.

Por que não haverá processo

Na entrevista coletiva de 22 de outubro de 2026, o diretor-geral de supervisão de segurança e saúde do ministério, Oh Young-min, classificou a ordem de Kim como “um ato inadequado”, mas disse que é “difícil aplicar o crime de ocultação de acidente de trabalho”.

O comunicado à imprensa diz que o prazo de prescrição de cinco anos já tinha passado e que, por isso, Kim não pode ser punido criminalmente, e o ministério vai encaminhar o caso ao Ministério Público com recomendação de não oferecer denúncia, mas, internamente, a conclusão foi de que nem o próprio crime de ocultação ficaria caracterizado.

Oh explicou que, para o crime ser reconhecido, é preciso que o acidente não tenha sido comunicado e que tenha havido uma ação concreta para impedir que ele se tornasse conhecido fora da empresa, e que, no caso de Jang, a ocorrência de acidente grave foi comunicada às autoridades trabalhistas logo depois da morte, sem interferência identificada no processo de reconhecimento do acidente de trabalho.

As imagens que o fiscal viu e que sumiram

Continua sem resposta a suspeita de que o fiscal do trabalho que acompanhou o caso em 2020 viu imagens de CCTV com Jang trabalhando e, ainda assim, não fez uma investigação adequada.

O ministério informou que existe um documento em que o fiscal relata à sede ter visto as imagens, mas que não conseguiu determinar quais imagens a Coupang entregou nem o que e como o fiscal verificou.

Um servidor do ministério disse ao Kyunghyang que “se presume que, na época, o fiscal concluiu que não havia violação da jornada de trabalho e devolveu as imagens”, e acrescentou: “Fizemos análise forense nos computadores da divisão responsável, mas não encontramos as imagens”.

A reação da família e dos trabalhadores

Park Mi-suk disse se sentir “sufocada e impotente”, contou que, no fim do ano passado, surgiu prova material nova de que Kim tinha ordenado a ocultação e que, por isso, a família pediu que a verdade fosse esclarecida mesmo depois da prescrição, mas que o ministério “só repete que há limites para a punição criminal”.

Kim Hye-jin, presidente do comitê de trabalhadores que acompanha o caso, afirmou que, “por se tratar de um acidente fatal, ele não poderia deixar de ser comunicado”, que “o que importa é que a Coupang tentou esconder a causa do acidente de trabalho” e que, mesmo sem punição possível, deveria haver investigação sobre quais instruções Kim deu e como elas foram seguidas.

A família e o comitê pediram ao Conselho de Auditoria e Inspeção, órgão de auditoria do Estado sul-coreano, uma investigação sobre a suspeita de que o fiscal participou da ocultação, e o ministério pediu desculpas por ter levado mais de sete meses para divulgar o resultado da fiscalização, iniciada em março.

O resto da fiscalização

A fiscalização planejada passou por 105 centros de distribuição e bases de entrega da Coupang e de suas empresas de logística, a Coupang Fulfillment Services (CFS) e a Coupang Logistics Services (CLS), e, segundo o Kyunghyang, o ministério identificou violações da lei de segurança e saúde no trabalho e da lei de normas trabalhistas, abriu processo criminal em 61 casos e aplicou multas administrativas de cerca de 1,96 bilhão de wons em 144.

O ministério informou ainda que continua investigando outros indícios de ocultação de acidentes de trabalho pela Coupang.

Fonte original: The Kyunghyang Shinmun, 22.Out.2026.

Marcadores: Coupang, acidente de trabalho, ocultação de prova, câmeras de segurança, Coreia do Sul.

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