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NEXO CAUSAL
Falhas estruturais e colapsos

Prédio desaba em Eastleigh, no Quênia, e investigação apura causa, aprovação e fiscalização da obra

Representantes da Associação de Engenheiros Consultores do Quênia (ACEK) falam à imprensa, sentados a uma mesa com microfones
Foto: JACKTONE LAWI, conforme The Star (Quênia)

Um prédio em construção desabou em 23 de outubro de 2026 na 9th Street, no bairro de Eastleigh, em Nairóbi, capital do Quênia, e o número de andares muda conforme o veículo: o The Star e o The Eastleigh Voice falam em 18, e o The Standard, em 16.

Na manhã de 28 de outubro de 2026, segundo a Citizen Digital, 16 pessoas continuavam desaparecidas, e as equipes de resgate diziam ter removido 80% do entulho e chegado ao térreo e ao subsolo, onde funcionavam lojas, depois de a Cruz Vermelha do Quênia ter informado, no dia seguinte ao colapso, que 66 dos 67 operários da obra estavam localizados.

O que se sabe da causa

Nenhum órgão oficial divulgou a causa até agora, e Dick Omondi, secretário da Associação de Engenheiros Consultores do Quênia (ACEK), disse ao The Star que as estimativas iniciais apontam falha dos elementos estruturais de apoio.

Harrison Keter, presidente do Engineers Board of Kenya, órgão que registra e licencia engenheiros, disse à Citizen TV, em fala reproduzida pelo The Eastleigh Voice, que engenheiros descrevem o colapso como “pancake failure”: os pilares deixam de suportar a carga e os pavimentos caem uns sobre os outros.

Yassin Munyanya, tesoureiro da Associação de Arquitetos do Quênia, disse à Citizen Digital que não há cópia dos desenhos estruturais e que os pilares mostram sinal de falha estrutural.

Keter pediu que amostras de aço, cimento e agregados sejam ensaiadas para confirmar se atendiam às especificações do projeto, citou sacos de cimento de 50kg que supostamente pesavam de 42kg a 43kg e alertou para possíveis fraudes em ensaios de laboratório e em certificação, mas pediu também que ninguém seja culpado antes do fim das investigações e dos ensaios técnicos.

Gabriel Jabong’o, presidente da ACEK, disse ao The Star que não se deve especular sobre a causa antes de os investigadores estabelecerem os fatos e listou o que a perícia deve examinar: deficiência no projeto estrutural, má execução, material abaixo do padrão, alteração não autorizada dos desenhos aprovados, supervisão insuficiente, sobrecarga, fundação fraca, descumprimento das normas de edificação e falhas de inspeção e fiscalização.

Aprovação e fiscalização

O governador de Nairóbi, Johnson Sakaja, disse ao The Standard que a prefeitura aprovou em 17 de outubro de 2024 só a mudança de uso do terreno, de residencial para comercial e residencial, e que os projetos de arquitetura apresentados em 20 de novembro de 2024 não foram aprovados pelo condado.

Sakaja afirmou que a prefeitura agiu várias vezes depois de detectar obra não autorizada e que encaminhou seu relatório à Diretoria de Investigação Criminal (DCI).

A National Construction Authority (NCA) informou, segundo a Citizen Digital, que a obra foi registrada em 30 de julho de 2025 como empreendimento proposto e nomeou a incorporadora, 9th Street Plaza Limited, a construtora, Stromax Holdings E.A Limited, o arquiteto e o engenheiro estrutural, mas não disse se inspecionou o prédio antes do colapso.

Keter citou relatos de que o prédio teria sido aprovado para 15 andares e chegou a 18, perguntou se houve revisão dos cálculos e nova aprovação e cobrou o condado, responsável pela aprovação e pela fiscalização, questionando se os condados têm técnicos qualificados em número suficiente.

O engenheiro estrutural teria dito ao advogado que entregou os projetos ao cliente, mas não participou da obra porque as aprovações não tinham saído, e Keter criticou esse afastamento, dizendo que o profissional que deixa um projeto deve avisar as autoridades e que a obra não pode seguir sem supervisão adequada.

A ACEK estima que a incorporadora perdeu pelo menos KES 150 milhões, e Omondi disse que contratar um engenheiro para acompanhar a obra “teria saído mais barato”.

A entidade cobrou da prefeitura de Nairóbi que deixe de culpar só os incorporadores irregulares e aplique as leis existentes, e ofereceu, de graça, engenheiros para uma perícia que aponte a causa e as falhas de fiscalização, mas, até a publicação do The Star, o condado não tinha respondido.

Quem investiga

O Engineers Board of Kenya abriu investigação formal sobre os fatores que podem ter contribuído para o colapso e sobre o papel dos engenheiros do projeto.

Os detetives já ouviram um dos três incorporadores e funcionários do condado, da Inspetoria Nacional de Edificações e da NCA, e o comandante regional da polícia em Nairóbi, Issa Mohamud, disse que o proprietário e quem autorizou a obra podem ser processados, a depender das conclusões.

Fonte original: The Star (Quênia), Jacktone Lawi, 26.Out.2026.

Marcadores: desabamento, colapso estrutural, fiscalização de obras, Quênia, Nairóbi.