Justiça do País Basco reabre investigação da morte de menino eletrocutado em torre de alta tensão em Usurbil

A Audiencia Provincial de Gipuzkoa, tribunal da província basca de Gipuzkoa, na Espanha, mandou reabrir a investigação sobre a morte de um menino de 11 anos que levou uma descarga elétrica ao subir numa torre de alta tensão em Usurbil, em março de 2025, ao revogar o arquivamento provisório decidido pelo juízo de instrução, e considerou haver indícios de homicídio culposo e de lesões culposas por parte da empresa dona da torre e da empresa encarregada da manutenção, segundo reportagem do site de notícias basco ORAIN publicada em 22 de outubro de 2026.
O acidente
Por volta das 18h10 de sábado, 8 de março de 2025, três menores que estavam numa celebração familiar num restaurante da área de Errota Berri, em Usurbil, saíram do local e dois deles subiram na torre, testemunhas contaram ter ouvido uma espécie de explosão e a energia caiu no polígono industrial vizinho, segundo as reportagens do ORAIN publicadas na época.
Os feridos, primos de 11 e de 15 anos, foram levados ao Hospital Donostia, e o menino foi transferido em estado grave para a unidade de grandes queimados do Hospital de Cruces, onde morreu no sábado seguinte, 15 de março de 2025, enquanto a menina teve alta no mesmo dia do acidente.
Depois do acidente, a Iberdrola, responsável pelo fornecimento de energia, informou que desligou as linhas para o resgate e afirmou que a torre e o terreno eram de um particular, a quem caberia garantir a segurança e delimitar o acesso, e a empresa não está entre as partes a quem se atribui responsabilidade nesta fase do processo, segundo o El Diario Vasco, citado pelo Telecinco.
O que o tribunal quer apurar
Um relatório técnico do Departamento de Indústria do governo basco apontou deficiências de segurança na instalação, porque o alçapão que deveria impedir o acesso à escada não era eficaz, faltavam elementos antiescalada e a sinalização de perigo elétrico não era adequada, e o mesmo departamento indicou dúvidas sobre o cumprimento das revisões periódicas exigidas para esse tipo de instalação.
Segundo o Telecinco, a questão central da nova fase é a acessibilidade da torre, cuja escada vertical começava a apenas 66cm do chão, e embora houvesse uma proteção metálica e um alçapão para dificultar a subida, os documentos técnicos indicam que esses elementos não impediam o acesso de forma efetiva.
O tribunal destacou que a torre ficava junto de uma calçada e de uma área de pedestres urbanizada em 2024, e por isso deveria ser tratada como instalação frequentada, com as proteções correspondentes, e observou que ela não tinha medidas presentes em outras torres do entorno, como chapas metálicas que dificultam a escalada e cerca no perímetro.
Para os magistrados, há indícios de que a falta dessas medidas pode ter contribuído para o acidente, e a decisão registra que, depois do caso, foram instaladas barreiras antiescalada, o acesso à escada foi modificado e se colocou uma cerca externa, e o tribunal quer saber se essas obras deveriam ter sido feitas antes.
Os próximos passos
A decisão não é uma condenação, mas manda continuar a apuração, com o depoimento como investigados dos dois administradores da empresa dona da torre, a Tremefil-Izaguirre, e do procurador e diretor técnico da empresa de manutenção, a Electrónica del Urumea.
O tribunal também pediu esclarecimentos ao Departamento de Indústria do governo basco e à prefeitura de Usurbil sobre as inspeções, as medidas de segurança e as obras feitas na área, e encomendou uma avaliação médico-legal das lesões dos dois menores que sobreviveram.
Fonte original: ORAIN, 22.Out.2026.
Marcadores: torre de alta tensão, choque elétrico, homicídio culposo, País Basco, Espanha.