Perito em balística contratado pela defesa questiona a trajetória do disparo no caso do músico Shebeshxt, na África do Sul

O perito independente em balística forense Christo De Klerk, chamado pela defesa do músico sul-africano Lehlogonolo Katlego Chauke, conhecido como Shebeshxt, disse ao Tribunal de Magistrados de Polokwane, na província de Limpopo, na terça-feira, 27 de outubro de 2026, que as provas disponíveis não sustentam de forma suficiente a trajetória do projétil proposta pela acusação, segundo reportagem de Coceka Magubeni publicada pelo jornal Sunday World no mesmo dia.
O caso
A acusação diz que em 19 de outubro de 2025, na Witklip Street, no bairro de Ladanna, em Polokwane, um motorista de 34 anos e um acompanhante que estavam num Nissan reconheceram Chauke e o cumprimentaram como fãs, e que o músico respondeu com um disparo na direção deles.
Segundo a versão apresentada no tribunal, a bala quebrou o vidro do carro e atingiu o motorista no maxilar, e Chauke, preso em 12 de novembro de 2025 em casa, em Bendor, perto de Polokwane, responde por 20 acusações, entre elas tentativa de homicídio, posse de arma e munição sem registro e dano ao patrimônio, número que o jornal TimesLIVE dá como 21.
O depoimento do perito faz parte de um novo pedido de fiança baseado em fatos novos, depois de pedidos anteriores negados, e em declaração juramentada citada pelo TimesLIVE em 9 de outubro de 2026 o músico afirmou que o inquérito entregue à defesa em julho não tinha laudo balístico confirmando que os ferimentos eram de arma de fogo.
A trajetória contestada
De Klerk analisou a relação entre os ferimentos na cabeça da vítima e os defeitos encontrados no encosto de cabeça do banco e disse que achou essa trajetória “altamente improvável”, embora não tenha estado no local.
Segundo ele, para que o caminho da bala pelo encosto coincidisse com os ferimentos de entrada e de saída relatados, a vítima teria de virar a cabeça a um ponto que ele considera muito pouco provável, e também não ficou claro se um único projétil poderia ter causado os ferimentos na sequência sugerida.
O perito disse que a falta de exames de imagem impede saber se ficaram fragmentos do projétil ou outro material dentro do crânio da vítima, o que ajudaria a definir se o ferimento maior, na bochecha, foi o de entrada e o menor, na cabeça, o de saída.
Fotos incompletas e provas que faltam
De Klerk criticou a qualidade e a falta de detalhes das fotografias do carro e afirmou que os defeitos visíveis no encosto de cabeça parecem grandes demais para o impacto de uma bala, e disse no tribunal que não pode “excluir a possibilidade de que os defeitos tenham sido alterados antes de as fotografias serem tiradas”.
Ele explicou que as setas que aparecem nas fotos indicam onde estão os defeitos e não a direção em que o projétil viajou, e que as imagens da acusação são inconclusivas e deixam abertas outras hipóteses, como um disparo feito de dentro do carro ou pela janela aberta do lado do passageiro da frente.
A posição dos bancos e dos vidros no momento do disparo também é incerta, segundo o perito, e essas variáveis mudam a reconstituição da trajetória.
Para uma avaliação completa, De Klerk pediu as fotos originais do carro e do local, a documentação técnica de qualquer exame balístico feito e as provas físicas, como a arma, os projéteis recuperados, os fragmentos e os estojos, além de prontuários médicos e radiografias da vítima.
O relatório dele conclui que a documentação disponível não dá base científica suficiente para atribuir os ferimentos a um disparo de arma de fogo sem outras provas que confirmem essa conclusão.
Na mesma declaração citada pelo TimesLIVE, Chauke diz que a negativa da fiança em 30 de abril de 2026 se apoiou numa opinião do investigador do caso, Petrus Ralefatana, que segundo a defesa não tem formação em balística nem em medicina para explicar como os ferimentos foram produzidos.
Fonte original: Sunday World, Coceka Magubeni, 27.Out.2026.
Marcadores: balística forense, trajetória do projétil, prova pericial, fiança, África do Sul.