Ataque hacker ao sistema de saúde da Universidade do Novo México desviou ambulâncias e cancelou cirurgias

O centro de ciências da saúde da Universidade do Novo México (UNM Health Sciences Center), em Albuquerque, nos Estados Unidos, sofreu um ataque cibernético na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, que obrigou o sistema de saúde da universidade a desviar ambulâncias para outros hospitais e a cancelar consultas e cirurgias ambulatoriais pelo resto do dia, segundo reportagem de Jonathan Greig no The Record, da Recorded Future News.
O UNM Health é o braço assistencial da universidade e mantém a única unidade de queimados, o único hospital infantil e o único centro de trauma de nível 1 do estado, que recebe os pacientes mais graves, com mais de 1 milhão de atendimentos por ano, cerca de 900.000 ambulatoriais e 100.000 no pronto-socorro, segundo a Infosecurity Magazine.
Como o incidente se desenrolou
Os técnicos começaram a tentar conter o ataque às 11h da segunda-feira, segundo comunicado do UNM Health citado pelo Albuquerque Journal, e funcionários receberam no celular um alerta que mandava desligar e tirar da tomada todos os computadores de mesa e desconectar os aparelhos móveis da rede sem fio do hospital, de acordo com veículos locais citados pelo The Record.
Durante cerca de duas horas no início da tarde, as ambulâncias foram encaminhadas a hospitais de Albuquerque e de Santa Fé, e o aviso publicado pelo centro pedia que os pacientes não fossem às unidades naquele dia, que as emergências fossem tratadas pelo 911 e que o restante esperasse novo aviso.
A partir das 14h30, o UNM Health começou a religar os sistemas em etapas, “à medida que era seguro fazê-lo”, e uma atualização publicada às 22h27 informou que os hospitais estavam abertos e que as clínicas retomariam as consultas e os procedimentos marcados na terça-feira, 27 de outubro de 2026, e o BleepingComputer registrou que o UNM Hospital e o Sandoval Regional Medical Center permaneciam abertos.
As aulas da faculdade de medicina e das escolas de enfermagem, farmácia e saúde populacional foram suspensas também na terça-feira, inclusive as remotas, e os funcionários não essenciais do centro foram mandados para casa, enquanto os demais campi da universidade não foram afetados.
O que a universidade diz ter sido atingido
Na terça-feira, a universidade informou que todos os sistemas eletrônicos críticos estavam de volta, que o tráfego de ambulâncias era normal e que a recuperação rápida foi possível porque as equipes de segurança da informação trabalharam “com parceiros externos para proteger a rede”.
Segundo o comunicado, a avaliação dessas equipes concluiu que o evento “afetou alguns dispositivos de usuários, mas não penetrou os sistemas centrais nem os servidores”, e o UNM Health avisou a polícia estadual e a federal e disse que, como o caso continua sob investigação criminal, não pode dar mais informações.
Um porta-voz não respondeu ao The Record se o incidente envolveu ransomware, o programa que trava os arquivos da vítima e cobra resgate para liberá-los, e o centro também não detalhou ao BleepingComputer o tipo de ataque sofrido.
O que o grupo BYOD afirma
Na noite de segunda-feira, um grupo de ransomware chamado BYOD reivindicou o ataque no seu site de vazamento, onde disse ter comprometido 36.000 máquinas do campus principal e do hospital, incluindo as florestas de Active Directory, a infraestrutura de políticas de grupo, todo o ambiente Microsoft Entra da universidade e dois bancos de dados Oracle.
O grupo diz ter levado números de seguro social, registros de recursos humanos e de folha de pagamento, registros acadêmicos do sistema Banner, e-mails internos, dados de pesquisa, agendamentos do hospital, informações de pacientes e listas do prontuário eletrônico Cerner, e escreveu que a rede e a infraestrutura da universidade estavam “completamente” comprometidas.
Para forçar o pagamento, o BYOD disse que tiraria a publicação do ar se a universidade abrisse negociação, e no dia seguinte afirmou que daria de graça as chaves para destravar os sistemas das unidades de saúde e que pagaria até US$ 2.500 a cada paciente afetado, embora tenha dito também que manteria todos os dados roubados, segundo o BleepingComputer.
O BYOD surgiu no mês anterior, tem poucos alvos conhecidos e listava seis vítimas no site, três delas com dados já publicados, e na página de perguntas frequentes se apresenta como quem faz “pentest” para expor falhas e responsabilizar os controladores de dados.
Duas versões ainda sem confirmação
A distância entre o que a universidade diz, alguns dispositivos de usuários sem acesso aos servidores, e o que o grupo afirma, 36.000 máquinas e o domínio inteiro, ainda não foi resolvida por nenhuma fonte independente, e a quantidade de máquinas e a lista de dados vêm só da reivindicação do próprio BYOD.
O UNM Health recomendou a pacientes, funcionários e alunos atenção a mensagens não solicitadas e a tentativas de phishing, e o The Record lembra que este é o segundo grande ataque do ano a um hospital estadual de grande porte, depois do que paralisou por semanas o centro médico da Universidade do Mississippi em março.
Fonte original: The Record (Recorded Future News), Jonathan Greig, 26.Out.2026.
Marcadores: ataque hacker, ransomware, hospital, resposta a incidentes, Estados Unidos.