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NEXO CAUSAL
Perícia digital

Dados de celular de 2011 reanalisados levam à prisão do ex-noivo no caso Michelle Parker, em Orlando

Ilustração de uma torre de telefonia celular à beira de um lago com uma ponte ao fundo
Imagem ilustrativa gerada por IA

A polícia de Orlando, na Flórida, atribui à reanálise de dados de celular colhidos em 2011, feita com técnicas atuais de perícia digital, a prisão de Dale Smith Jr., ex-noivo de Michelle Parker, mãe de três filhos desaparecida há quase 15 anos, e o relatório de prisão de 46 páginas, tornado público em 27 de outubro de 2026 por ordem de um juiz do condado de Orange, detalha esse trabalho, segundo reportagem de Josh Frigerio publicada pela FOX 35 Orlando no mesmo dia.

O desaparecimento

Michelle Parker, então com 33 anos, sumiu em 17 de novembro de 2011, depois de deixar os filhos gêmeos de 3 anos, que teve com Smith, no condomínio onde ele morava, no mesmo dia em que foi ao ar em todo o país um episódio do programa de TV “The People’s Court” em que os dois disputavam um anel de noivado de US$ 5.000.

Uma câmera de segurança registrou a chegada dela ao condomínio às 15h18, que foi a última vez que alguém a viu, e às 16h26 o irmão mandou uma mensagem perguntando onde ela estava e recebeu do celular dela a resposta “Waterford”, nome de uma região de Orlando, enquanto os registros das torres de telefonia indicavam que o aparelho estava perto da Hoffner Avenue, próximo ao apartamento de Smith, segundo a cronologia montada pela emissora News 6 com base em informações dos investigadores e em autos judiciais.

Por volta das 20h, o celular dela parou de se comunicar com uma torre na região de Belle Isle, e mergulhadores encontraram depois o iPhone debaixo de uma ponte sobre o lago Conway, enquanto o carro dela, sem os adesivos que o identificavam, foi filmado às 20h55 e achado abandonado no dia seguinte, perto de um conjunto de apartamentos.

O que a reanálise trouxe

Na entrevista coletiva de 14 de outubro de 2026, o chefe de polícia de Orlando, Eric Smith, que não tem parentesco com o acusado, disse que no último ano a equipe de investigação foi ampliada, reexaminou depoimentos e declarações contraditórias do suspeito e usou os avanços da perícia digital para descobrir e analisar provas adicionais.

Um dos detetives responsáveis explicou que provas e dados antigos foram reexaminados com tecnologia nova e que hoje a equipe consegue “interpretar melhor esses dados”, citando informação mais precisa de localização e de comunicação entre os aparelhos usados em 2011.

O relatório de prisão diz que os detetives revisaram mensagens de texto e dados obtidos em 2011 entre Smith e Michelle e encontraram melhores dados de localização e de usuário, inclusive o conteúdo das mensagens, informação que, segundo os detetives, provavelmente não estava disponível em 2011, e registra que os dois trocaram mais de 1.000 mensagens de texto entre 1º de outubro e 17 de novembro de 2011.

Segundo a FOX 13, a polícia também revisitou com essas técnicas informação de computadores e de câmeras colhida em 2011, e o documento descreve ainda fotos de arranhões no rosto, no braço e nas costas de Smith tiradas pelos detetives na época, que a investigação interpreta como lesões de defesa.

A acusação e o que falta

Smith foi apontado como único suspeito ainda em 2011, mas não havia sido preso nem acusado formalmente até a manhã de 14 de outubro de 2026, quando foi detido no local de trabalho pela unidade de capturas e pela equipe tática da polícia, e a promotora estadual Monique Worrell disse que a acusação começa como homicídio de segundo grau e pode ser agravada se as provas permitirem.

Promotores e polícia queriam manter o relatório em sigilo por causa da investigação em andamento e do possível efeito sobre os futuros jurados, mas o juiz mandou divulgá-lo numa audiência em 26 de outubro de 2026, e a versão da polícia é a de que Michelle foi morta dentro da casa de Smith no dia do desaparecimento.

O corpo de Michelle Parker nunca foi encontrado, uma busca feita em 2023 sob uma laje de concreto num terreno do pai do acusado não achou nada, e Smith, que não foi condenado, sempre negou qualquer envolvimento no desaparecimento.

Fonte original: FOX 35 Orlando, Josh Frigerio, 27.Out.2026.

Marcadores: perícia digital, dados de localização, torres de celular, caso arquivado, Flórida, Estados Unidos.

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