Documento vazado sugere que a Cellebrite acessa iPhones sem fio, a cerca de 8m de distância

Um documento da Cellebrite marcado como confidencial, que um blogueiro diz ter recebido de uma fonte, descreve um novo método da empresa para dar à polícia acesso a iPhones a partir de um aparelho dedicado com alcance de cerca de 8m, o que indica funcionamento sem fio, segundo nota publicada pelo site Privacy Guides em 19 de outubro de 2026 com base no relato do blog justin.sh.
O que diz o documento
A Cellebrite, fabricante de ferramentas de extração de dados de celulares usadas pela polícia, chama o método de Advanced Unlocks, nome que não deve ser confundido com os “serviços avançados de desbloqueio” que a empresa vende há anos, e um comunicado à imprensa divulgado pela empresa mais cedo, em 2026, confirma que o Advanced Unlocks é um produto novo deste ano.
Segundo o blogueiro, o documento, datado de março de 2026 e revisado pela última vez em 15 de setembro, apresenta o método como um “vetor AFU de nova geração, mais resistente às mudanças no sistema da Apple”, ou seja, um caminho para acessar o iPhone no estado After First Unlock (AFU), em que o aparelho já foi desbloqueado uma vez desde que foi ligado e parte das chaves de criptografia fica disponível na memória.
O documento diz que o método funciona com a proteção contra roubo de aparelho (Stolen Device Protection) ativada, que restringe a porta USB, cobre iPhones 11 a 16 com iOS 26 a 26.4 ou mais recente, “separa o acesso da extração” e depende de um aparelho dedicado com alcance declarado de cerca de 8m, e o Privacy Guides observa que isso sugere que a exploração não é feita pela porta USB, como costuma ser.
O texto afirma ainda que “muitos laboratórios estão cada vez mais impedidos de acessar provas digitais essenciais nos iOS mais recentes”, promete que o método reduz o risco de bloqueios repentinos trazidos por atualizações futuras do sistema e diz que ele foi liberado de forma limitada.
A hipótese do Bluetooth
O blogueiro avisa que o restante da análise é especulação, mas sustenta que o alcance combina com o do Bluetooth, que a Apple declara ser de cerca de 10m, e, comparando o programa bluetoothd do iOS 26.4 com o do iOS 26.5, encontrou correções de segurança na camada L2CAP, entre elas uma falha do tipo uso após liberação de memória (use-after-free) que poderia ser alcançada por qualquer aparelho dentro do alcance, antes de qualquer pareamento e sem ação do usuário.
Ele não construiu uma prova de conceito e diz que a Apple corrigiu a falha no iOS 26.5 sem citá-la no boletim de segurança, e o especialista em segurança Bruce Schneier reproduziu o relato em seu blog em 20 de outubro de 2026 com o título “Possível nova falha de dia zero no rádio do iPhone usada pela Cellebrite”.
Por que o iPhone 17 ficou de fora
O documento não inclui o iPhone 17 e o Air, lançados cerca de um ano antes, e tanto o blogueiro quanto o Privacy Guides apontam como explicação provável o Memory Integrity Enforcement, proteção de hardware contra falhas de segurança de memória que a Apple introduziu nesses aparelhos, embora nenhum dos dois afirme que essa seja a razão confirmada.
O blogueiro diz que mantém o documento original em sigilo para proteger a fonte, que pode mostrá-lo a jornalistas e a funcionários da Apple, e que as conclusões técnicas são dele, sem confirmação da Apple ou da Cellebrite, enquanto o Privacy Guides lembra que documentos internos da Cellebrite já vazaram antes e confirmaram, na época, o que a empresa conseguia fazer.
Fonte original: Privacy Guides, 19.Out.2026.
Marcadores: perícia digital, extração de dados, iPhone, Cellebrite, Bluetooth, vulnerabilidade.