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NEXO CAUSAL
Eletricidade e choque elétrico

Empresa inglesa é multada em £450 mil por homicídio corporativo após morte de trabalhador em rede elétrica aérea

Ilustração de uma casa de campo inglesa com uma escada encostada na parede e fios de uma rede elétrica aérea passando perto do telhado
Imagem ilustrativa gerada por IA

A Cotswold Rainwater Services Limited, empresa de Witney, no condado inglês de Oxfordshire, foi condenada em 9 de outubro de 2026 no Oxford Crown Court a pagar multa de £450 mil por homicídio corporativo (corporate manslaughter) pela morte do empregado Andrew Claridge, de 34 anos, eletrocutado por uma rede elétrica aérea, segundo reportagem do The Workers Union publicada em 14 de outubro de 2026.

O acidente e o aviso anterior

Claridge morreu em 14 de novembro de 2024 enquanto trabalhava num imóvel em Longworth, perto de Abingdon, e o caso foi apurado numa investigação conjunta da polícia de Thames Valley e do Health and Safety Executive (HSE), o órgão britânico de saúde e segurança do trabalho.

Os investigadores descobriram que outro empregado da mesma empresa já tinha levado um choque da rede aérea no mesmo local em 2020, com ferimentos leves, e que mesmo assim a empresa não fez avaliação de riscos antes de mandar os trabalhadores de volta ao endereço em 2024 nem identificou o perigo representado pelos cabos, segundo a polícia, em declarações reproduzidas pela rádio Greatest Hits Radio.

De acordo com o resumo do caso publicado pelo site Health & Safety Matters, as provas mostraram que a empresa não fez avaliação de riscos adequada nem antes nem depois do primeiro choque no local, não deu a Claridge o equipamento necessário para reduzir o risco de morte ou de lesão grave, nem tomou outras medidas que reduzissem esse risco, e descumpriu tanto as normas do setor quanto as próprias regras internas de saúde e segurança para trabalhos perto de redes aéreas, embora o risco fosse altamente previsível.

O que disseram os investigadores

O detetive sargento Nathan Adby, da polícia de Thames Valley, disse que a morte de Claridge era totalmente evitável e que espera que o resultado sirva de lembrete ao setor de que cumprir as regras de saúde e segurança é obrigatório para todo empregador.

A inspetora do HSE Simran Sapal afirmou que, se tivessem sido feitos o planejamento prévio, a avaliação do local e as medidas de controle de risco adequadas, o perigo da rede aérea poderia ter sido identificado e o trabalho, planejado e executado de forma a impedir que os empregados se aproximassem de condutores energizados.

A condenação

A empresa tinha admitido a culpa no mesmo tribunal em 10 de setembro de 2026 e, além da multa, foi condenada a pagar £15.735 de custas da acusação e uma taxa de £2 mil para o fundo de apoio a vítimas (victim surcharge), além de ter de divulgar a condenação no próprio site, e continua operando com o mesmo nome.

O promotor Eran Cutliffe, da divisão de crimes especiais do Crown Prosecution Service (CPS), órgão responsável pela acusação, disse que, ao se declarar culpada de homicídio corporativo, a empresa aceitou a responsabilidade criminal pelas falhas que levaram à morte de Claridge.

O risco das redes aéreas

O The Workers Union lembra que a eletricidade pode formar um arco através do ar sem contato direto com o condutor, de modo que o trabalhador pode sofrer ferimentos graves ou fatais mesmo achando que mantém uma distância segura, e que a orientação do HSE sobre redes aéreas inclui identificar os cabos antes do início do serviço, consultar a concessionária quando necessário, definir zonas de exclusão, usar métodos de trabalho mais seguros e, quando o serviço não puder ser feito com segurança, pedir à concessionária o desligamento da linha.

Pela lei britânica de 2007 sobre homicídio corporativo (Corporate Manslaughter and Corporate Homicide Act 2007), uma organização pode ser condenada quando a forma como suas atividades são geridas ou organizadas causa uma morte e configura violação grave de um dever de cuidado, e as falhas da alta administração têm de ser parte substancial dessa violação.

Fonte original: The Workers Union, 14.Out.2026.

Marcadores: rede aérea, choque elétrico, homicídio corporativo, avaliação de riscos, Reino Unido.

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