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NEXO CAUSAL
Toxicologia forense

Engenheiro filmado pondo cádmio na água de colega em Berkeley consegue extinguir a condenação

Fonte: Newsweek
Ilustração de uma bancada de laboratório com uma luminária, frascos de vidro e prateleiras na parede
Imagem ilustrativa gerada por IA

Um juiz do Tribunal Superior do condado de Alameda, na Califórnia (Estados Unidos), extinguiu na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, a condenação por envenenamento do engenheiro David Xu, que foi filmado por uma câmera escondida pondo cádmio, um metal pesado tóxico, na garrafa de água da colega Rong Yuan, e a vítima, que diz conviver até hoje com problemas de saúde, divulgou os vídeos depois da decisão.

Os sintomas e a câmera

Os dois trabalhavam na Berkeley Engineering and Research, uma empresa de engenharia de Berkeley, onde Yuan, metalurgista, começou a ter em 2017 sintomas que nenhum médico conseguia explicar, como vômitos, ânsia de vômito e queda de cabelo, segundo a Newsweek, o San Francisco Standard e a emissora KGO, da rede ABC.

A virada veio quando a mãe de Yuan percebeu um cheiro estranho na garrafa de água da filha, e, como lavar a garrafa não resolveu, Yuan instalou uma pequena câmera na própria mesa para descobrir se alguém mexia nela.

“Nunca esperei flagrar alguém, foi só uma rotina de engenheira: se você tem um problema, pensa na causa raiz”, disse ela à KGO.

As gravações de 11 de fevereiro de 2019 mostram Xu se aproximando da mesa e estendendo a mão para onde ficava a garrafa, e as de 4 de março de 2019 mostram ele despejando na garrafa uma substância tirada de um recipiente pequeno, segundo a Newsweek.

Yuan levou as imagens à polícia na mesma hora, e foram esses vídeos que abriram a investigação criminal, de acordo com o San Francisco Standard.

O que o exame encontrou

O exame da água identificou cádmio, e uma das amostras tinha o metal em concentração 3,5 milhões de vezes acima do limite federal para água potável, segundo o laudo examinado pela KGO.

Yuan e os pais também tiveram resultado positivo para intoxicação por cádmio, o que ela atribui ao fato de a família ter usado água da mesma garrafa para cozinhar, e o relatório da polícia de Berkeley citado pelo San Francisco Standard diz que Xu pôs cádmio na comida e na água da colega em várias ocasiões.

Xu, que trabalhava como engenheiro de materiais na mesma empresa, foi preso em março de 2019 e acusado de tentativa de homicídio premeditado e de dois crimes de envenenamento, acusações que podiam levar à prisão perpétua.

Do risco de prisão perpétua à condicional

Em setembro de 2023, num acordo oferecido pela promotoria na gestão da então promotora Pamela Price, Xu deixou de contestar (no contest) uma única acusação de envenenamento, em troca de um ano de liberdade condicional e de um dia de prisão já cumprido, segundo o San Francisco Standard.

Na sentença, em março de 2024, o juiz ampliou a condicional para dois anos e chamou o acordo de “extremamente generoso, considerando tudo neste caso”, e Yuan, que pediu cerca de US$ 500 mil de reparação, recebeu US$ 7.058.

Xu terminou a condicional em março de 2026 e, em julho, pediu ao tribunal que extinguisse a condenação com base na seção 1203.4 do Código Penal da Califórnia, que garante esse direito a quem cumpre todas as condições da condicional, desde que não esteja cumprindo outra pena, em condicional por outro crime nem respondendo a nova acusação.

A decisão de 12 de outubro

A audiência foi conduzida pelo juiz Pelayo Llamas, Yuan compareceu e leu uma declaração de impacto da vítima, a promotoria se opôs ao pedido, e Xu não apareceu nem em pessoa nem por vídeo, sendo representado pelo advogado por Zoom, segundo o relato da vítima ao San Francisco Standard.

Segundo o mesmo jornal, tribunais de apelação da Califórnia já decidiram que o juiz só pode negar esse pedido quando o crime está numa lista curta de exceções, e o envenenamento não está nela.

A atual promotora do condado de Alameda, Ursula Jones Dickson, disse à Newsweek que, em 2023, o caso foi resolvido com uma acusação de envenenamento, dois anos de condicional e nenhum dia a mais de prisão, e que a promotoria se juntou às vítimas para se opor ao pedido, que o tribunal concedeu “apesar das objeções”.

A medida, que costuma ser chamada de “expungement”, não apaga o caso, porque a polícia continua vendo a prisão e a condenação, que pode ser usada contra Xu numa nova acusação e precisa ser declarada em pedidos de cargo público e de licenças estaduais e municipais, mas ele deixa de ser obrigado a informá-la a empregadores privados.

As consequências para a vítima

Yuan disse que teve um infarto em 2023, que hoje só consegue trabalhar meio período e que o pai, também intoxicado pela água que a mãe usou para cozinhar, morreu de insuficiência cardíaca no outono do ano passado.

“O cádmio pode permanecer no corpo humano por décadas, e temo que os efeitos continuem a prejudicar nossa saúde pelo resto da vida”, disse ela no tribunal, segundo o San Francisco Standard.

Ela afirma que ainda não sabe por que Xu a escolheu, e, depois da decisão, disse à KGO que ele não merece uma segunda chance e que “envenenamento não é algo como ficar com raiva de repente e perder o controle, é planejado”.

Xu não respondeu aos pedidos de comentário do San Francisco Standard.

Fonte original: Newsweek, Megan Cartwright, 13.Out.2026.

Marcadores: cádmio, envenenamento, metal pesado, prova em vídeo, Califórnia, Estados Unidos.

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