Distrigaz e empresa instaladora vão a julgamento por explosão de gás em prédio de Bucareste que matou quatro

O Ministério Público de Bucareste enviou a julgamento a distribuidora de gás Distrigaz, a empresa de instalação Amproperty Construct e quatro funcionários pela explosão que atingiu um prédio do bairro de Rahova, em 17 de outubro de 2025, e que matou quatro pessoas e feriu outras oito.
O que a investigação reconstruiu
Segundo os promotores, entre 6h15 e 7h do dia 16 de outubro de 2025, falhas elétricas em cabos subterrâneos aqueceram e perfuraram em dois pontos uma tubulação de polietileno que levava gás natural ao bloco 32, na rua Vicina, no setor 5 da capital romena.
O gás escapou para o solo, entrou num canal térmico subterrâneo, chegou ao subsolo da escada 2 e subiu pelo poço do elevador e por outros vazios técnicos do prédio até se acumular nos andares superiores.
A explosão ocorreu em 17 de outubro de 2025, às 9h08, nos andares 5 e 6, e começou num apartamento do quinto andar, onde a fonte de ignição mais provável, segundo os procuradores, foi uma faísca produzida ao acionar um interruptor elétrico.
Fechar o gás dentro do prédio não parou o vazamento, porque a fonte estava a montante, na tubulação de distribuição, e não na instalação do imóvel.
A explosão matou quatro pessoas, feriu oito, tornou inutilizados os 54 apartamentos da escada, danificou 96 imóveis vizinhos e atingiu 45 carros nas proximidades.
As falhas apontadas
A Distrigaz foi acionada sete vezes entre 16 de outubro de 2025, às 7h08, e 17 de outubro, às 9h08, por causa do cheiro de gás nos dois blocos vizinhos, mas os promotores afirmam que as intervenções foram incompletas e que a origem do vazamento nunca foi localizada nem isolada.
Segundo a acusação, o primeiro agente da empresa, de 54 anos, fez verificações sem examinar o subsolo e sem checar a rede de distribuição, e ainda sugeriu outra possível fonte, o monóxido de carbono, que não explicaria o cheiro relatado pelos moradores.
O segundo agente, de 31 anos, esteve duas vezes no bloco vizinho, fechou e lacrou o abastecimento sem verificar a rede e voltou mais de 11 horas depois, quando o cheiro e os alarmes reapareceram, mas não ampliou a verificação para encontrar a fonte.
Os promotores lembram que o bloco 33 também sentia o gás, o que indicava a mesma origem na tubulação avariada, e que cerca de sete horas e meia se passaram entre a saída do segundo agente, às 1h40, e a explosão.
Os instaladores da Amproperty Construct detectaram gás no prédio durante uma revisão contratada depois do corte, mas não avisaram a distribuidora, não aeraram o local e não estenderam a checagem ao subsolo.
Os promotores afirmam que os instaladores não respondem pelo reparo da tubulação, que era tarefa da Distrigaz, e que a acusação contra eles trata do dever de comunicar o vazamento e de manter as medidas de proteção.
Acusação e processo
Os promotores enquadraram os quatro funcionários e as duas empresas no crime de destruição por culpa que resulta em desastre, na forma de culpa sem previsão, ou seja, a falta de antecipação de um resultado que as pessoas tinham o dever de prever.
Segundo os promotores, os acusados não precisavam prever o mecanismo exato da explosão, mas sim o risco específico que as normas de segurança do gás existem para evitar, que é um vazamento não localizado e não isolado dentro de um imóvel habitado.
A Rețele Electrice România, distribuidora de eletricidade que também era investigada, teve o caso arquivado porque a prova confirmou o efeito térmico da falha elétrica sobre a tubulação, mas não encontrou violação de norma técnica de operação ligada à explosão.
Os promotores bloquearam bens dos acusados até o valor de € 68.095.536 e de RON 6.547.076,94, como garantia de eventuais indenizações, que são pedidas por 297 pessoas e empresas constituídas como partes civis.
A Amproperty Construct recebeu a proibição de realizar verificação e revisão técnica de instalações de gás natural, e os promotores pediram ao juiz de câmara preliminar que mantenha essa medida.
A apuração levou cerca de um ano, de 17 de outubro de 2025 a 4 de novembro de 2026, com mais de 200 pessoas ouvidas, buscas domiciliares e informáticas e três laudos técnicos: um de gás natural, um eletroenergético e um criminalístico sobre explosões e incêndios.
A investigação contou com especialistas de institutos de segurança mineira e antiexplosão e da Universidade Politécnica de Bucareste, além de peritos do Instituto Nacional de Expertizas Criminalísticas e do Instituto de Medicina Legal Mina Minovici.
Segundo a Euronews Romênia, a Distrigaz Sud Rețele afirmou que tomou conhecimento da decisão, que vai exercer todos os seus direitos legais e que não quer comentar o mérito do caso.
Por que o caso interessa à perícia
O caso mostra que uma explosão em prédio pode ter origem num ponto diferente daquele em que os moradores sentem o cheiro, e que uma sequência de atendimentos sem reconstrução da rede de distribuição deixa a falha sem identificação.
A acusação também mostra como a perícia separa o que a falha elétrica causou, que foi a perfuração da tubulação, do que o operador deveria ter feito depois do primeiro chamado, que é o ponto em que a culpa foi atribuída.
Fonte original: Digi24, 04.Nov.2026.
Marcadores: explosão de gás, Bucareste, Distrigaz, tubulação de polietileno, perícia de explosão.