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NEXO CAUSAL
Incêndios e explosões

Explosão no Rainbow Terrace, em Cleveland, fica com causa indeterminada e regulador aponta falhas da Enbridge na preservação das provas

Ilustração de um trecho de tubo de aço no chão diante de um prédio de tijolos numa rua residencial
Imagem ilustrativa gerada por IA

A explosão que destruiu o Rainbow Terrace Apartments, no bairro de Garden Valley, em Cleveland, Ohio (Estados Unidos), em 23 de junho de 2025, terminou com a causa oficialmente classificada como indeterminada, segundo o relatório divulgado pela prefeitura em 28 de setembro de 2026, que reuniu as conclusões de três órgãos depois de 15 meses de investigação e registrou também falhas da distribuidora de gás no trato das provas.

O que o relatório concluiu

O relatório juntou o trabalho da unidade de investigação de incêndios do corpo de bombeiros de Cleveland (Fire Investigation Unit), da comissão estadual que regula os serviços públicos e fiscaliza as redes de gás, a PUCO (Public Utilities Commission of Ohio), e da própria Enbridge, empresa que fornecia o gás natural ao conjunto, conforme o Cleveland 19 News.

O memorando da prefeitura, citado pelo News 5 Cleveland, diz que os investigadores acreditam ter havido “um rápido acúmulo de gás natural nos níveis inferiores” de dois prédios, “seguido de contato com uma fonte de calor desconhecida”, o que resultou na explosão.

A unidade dos bombeiros, porém, não conseguiu identificar de onde veio o vazamento nem o que provocou a ignição, e por isso classificou como indeterminadas tanto a causa quanto a fonte de calor.

A PUCO não encontrou violação regulatória ou de conformidade da Enbridge que tenha causado a explosão, enquanto a investigação da Enbridge concluiu que o vazamento não estava na rede principal da empresa e que a causa aparente foi gás escapando da tubulação interna de 2” (5,08cm), que pertence ao prédio, embora o investigador contratado pela própria Enbridge também não tenha chegado a uma conclusão definitiva.

Falhas depois da explosão

A PUCO apontou falhas da Enbridge no atendimento posterior à explosão, a começar pelo mapeamento georreferenciado (GIS) da rede, que não identificou o ramal de serviço sul que abastecia o prédio e, por isso, deixou o gás escapar sem controle por cerca de 20 horas depois da explosão.

O mesmo erro de mapeamento levou as equipes de emergência a cortar o gás do prédio errado, e o regulador registrou ainda uma detecção de vazamento malsucedida depois do acidente.

Para a perícia, o ponto mais sensível é o da prova material, porque o memorando afirma que a PUCO identificou “deficiências na retirada e na preservação das provas pela Enbridge que prejudicaram a possibilidade de determinar a causa e a origem do incêndio”, e o Cleveland 19 News resumiu que a tubulação recolhida foi manuseada de forma inadequada ou destruída antes de poder ser testada corretamente.

O processo da família da vítima

O espólio de Cordale Sheffield, morador que morreu 17 dias depois da explosão, em consequência das queimaduras, na unidade de terapia intensiva para queimados do hospital MetroHealth, entrou com uma ação por morte culposa contra a Enbridge Gas Ohio, empresas ligadas a ela e os donos e a administradora do Rainbow Terrace, segundo reportagem do News 5 Cleveland de 8 de outubro de 2026.

Segundo a ação, o conjunto era abastecido por um ramal de serviço de aço sem revestimento instalado por volta de 1959, sem registro de teste de pressão e corroído no ponto em que atravessava a parede do prédio.

A ação também afirma que a Enbridge removeu o ramal em menos de 24 horas depois da explosão e levou partes dele para um laboratório, e os advogados da família sustentam que essa remoção impediu que a linha passasse por teste completo de estanqueidade ou de pressão e dificultou a identificação da origem do vazamento.

Os donos e os administradores do conjunto são acusados de não ter agido diante das queixas de moradores que sentiam cheiro de gás antes da explosão, e o espólio pede indenização compensatória e punitiva, enquanto as alegações contra a Enbridge ainda não foram provadas na Justiça e a empresa não respondeu ao pedido de comentário do News 5 Cleveland.

Reação das autoridades e dos moradores

A explosão deixou um morto, cinco feridos e mais de 100 moradores sem casa, e o prédio já foi demolido, com os donos, a American Community Developers, dizendo que pretendem reconstruir as unidades.

Na entrevista coletiva em que o relatório foi apresentado, ao lado do prefeito Justin Bibb e do chefe interino dos bombeiros, Vince DiTeodoro, o diretor de segurança pública, Wayne Drummond, disse que investigações complexas levam tempo, mas que esse tempo tem um custo real para quem espera respostas.

Famílias de ex-moradores, representadas pelo advogado Stanley Jackson, e o vereador Richard Starr pediram uma nova investigação e a divulgação das imagens das câmeras corporais e do material da apuração, e a prefeitura, em nota ao Cleveland 19 News, disse reconhecer a dor dos moradores e manter a confiança no trabalho da unidade de investigação de incêndios.

Fonte original: Cleveland 19 News (WOIO), Keith Grant, Olivia Yatooma, Caitlin McCarthy, Ashley Pomplas e Julia Thyret, 28.Set.2026.

Marcadores: explosão de gás, origem e causa, preservação da prova, Ohio, Estados Unidos.

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