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NEXO CAUSAL
Incêndios e explosões

Incêndio que matou quatro militares na base de Wainwright, no Canadá, começou no estande do lançador de granadas

Imagem de satélite da região da base de Wainwright, em Alberta, com os focos de calor do incêndio marcados em vermelho ao sul da base
Imagem: NASA FIRMS (domínio público), conforme Wikimedia Commons

O incêndio que matou quatro militares e mandou 39 para o hospital na Canadian Forces Base (CFB) Wainwright, em Alberta, no Canadá, na tarde de 17 de outubro de 2026, começou no estande do lançador automático de granadas como resultado de um treino militar de rotina, segundo a brigadeiro-general Vanessa Hanrahan, chefe da polícia militar das Forças Armadas canadenses (Provost Marshal), na entrevista coletiva de 22 de outubro de 2026 relatada pela Global News.

O primeiro-ministro Mark Carney chamou o que aconteceu de uma das piores tragédias das Forças Armadas em solo canadense em tempo de paz, e a base, a 200km a sudeste de Edmonton, é usada para treino de combate e de tiro real de tropas que vão servir no exterior, entre elas os soldados que se preparavam para missão na Letônia, segundo o The Globe and Mail.

Onde o fogo começou

O fogo de vegetação começou numa área de perigo permanente (permanent danger area), onde fica o estande do lançador automático de granadas, e ali passou horas sendo apenas monitorado, porque os bombeiros da base não podem entrar nessas áreas, que podem estar contaminadas por munição não detonada capaz de explodir se alguém pisar nela, como explicou a CBC News.

Hanrahan resumiu o que a investigação já tinha confirmado naquele momento dizendo que “o fogo se iniciou no estande do lançador automático de granadas” e “como resultado do treino militar de rotina que acontecia naquele estande”.

O estande onde o fogo começou não foi o estande onde as mortes aconteceram, e a chefe da polícia militar disse que o foco da investigação, naquele momento, era a propagação do fogo pela área de treino até o ponto em que estavam os soldados.

Como as chamas chegaram aos soldados

Pouco antes das 16h, no horário local, ventos fortes e repentinos empurraram as chamas em outra direção, e o fogo passou por cima dos aceiros da base e chegou ao estande de duplas (pairs range), onde dois soldados atacam um alvo revezando-se na cobertura e no tiro, segundo o major-general Wade Rutland, comandante da 1ª Divisão Canadense, em relato da agência The Canadian Press publicado pela CP24.

Cerca de 84 soldados do Princess Patricia’s Canadian Light Infantry participavam do exercício de campo, e na entrevista de 18 de outubro de 2026 Rutland disse que o fogo percorreu um quilômetro em 30 a 60 segundos, enquanto Carney, no Parlamento, no dia seguinte, afirmou que o fogo, “empurrado por ventos ferozes”, saltou quase um quilômetro em menos de um minuto até onde os soldados estavam reunidos.

As rajadas chegaram a 69km/h, a previsão para a região naquele sábado falava em rajadas de até 90km/h, e o sistema federal de informação sobre incêndios florestais do Canadá mostrava o perigo de incêndio e o índice meteorológico de incêndio (Fire Weather Index) muito altos ou extremos perto de Wainwright naquela tarde, com a vegetação muito seca, segundo o The Globe and Mail.

Hipóteses descartadas

Os primeiros relatos falaram em explosão e em sete mortos, mas Rutland afirmou em 18 de outubro de 2026 que não houve explosões, e Hanrahan disse depois que não há indício de explosão de nenhum tipo que tenha provocado o fogo ou sido provocada por ele, nem de envolvimento da infraestrutura de gás natural da região.

O que exatamente provocou a ignição no estande ainda não foi determinado, e Hanrahan disse que seria inadequado especular sobre as decisões tomadas desde que o fogo começou até o acidente, porque a equipe de investigação ainda estava em campo levantando cada uma delas.

O horário do treino em exame

As normas permanentes dos estandes de treino da base recomendam que as unidades que atiram entre agosto e outubro planejem os tiros para o início da manhã, quando o risco de incêndio é menor, e dizem que antes das 10h o risco “normalmente é baixo o bastante para permitir o disparo da maioria dos tipos de munição”, segundo a Global News.

Rutland disse que o horário do exercício fará parte da análise, mas pediu cautela com o documento, porque se trata de uma diretriz e os comandantes no terreno precisam avaliar vários fatores, como o tempo, a secura da vegetação e o tipo de munição, e “o que precisa ser examinado são os fatores daquele dia, e não as diretrizes gerais dos estandes”.

Jen Beverly, pesquisadora de incêndios em vegetação da Universidade de Alberta, disse à CTV News que vento forte e passagem de frente fria podem mudar de repente a direção de um incêndio ativo, comportamento bem conhecido das equipes de combate, e que os investigadores provavelmente vão coletar amostras do capim em volta para medir a carga de combustível.

Três investigações

A polícia militar, com 30 integrantes no caso, investiga de forma independente da cadeia de comando para apurar os fatos e verificar se houve crime ou infração disciplinar militar, e Hanrahan ressaltou que a participação da polícia militar não deve ser interpretada como indício de que houve infração.

A junta de inquérito (Board of Inquiry) das Forças Armadas é uma apuração de fatos que vai examinar as circunstâncias mais amplas e recomendar medidas para evitar que algo parecido se repita, e em 22 de outubro de 2026 ainda não tinha sido instalada, porque os termos de referência e a composição estavam em definição, enquanto o Departamento de Defesa Nacional informou que esse tipo de inquérito costuma levar de nove a doze meses.

O escritório do médico-legista-chefe de Alberta investiga as mortes, e a apuração conta ainda com o apoio da Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) e do serviço de bombeiros das Forças Armadas (CAF Fire Marshal), com 50 investigadores no local, segundo Carney.

A chefe do Estado-Maior da Defesa, general Jennie Carignan, prometeu tornar públicas as conclusões da junta de inquérito, e Rutland disse que as Forças Armadas vão rever, entre outros pontos, os padrões de segurança de munição, de estandes e de treino.

As vítimas

Morreram o sargento Morgan Wong, de 26 anos, de Edmonton, e os soldados Shaun Farrell, de 23 anos, de Prince Albert, Aidan Goulding, de 23 anos, de North Vancouver, e Hayden Lykkemark, de 19 anos, de Langley, todos do 3º Batalhão do Princess Patricia’s Canadian Light Infantry.

Em 22 de outubro de 2026, 27 militares continuavam internados, 13 deles em estado crítico, e 12 já tinham recebido alta, enquanto o treino na base foi retomado apenas a seco, sem munição, num tipo de atividade que Rutland descreveu como completamente diferente do que acontecia no dia do incêndio.

Fonte original: Global News, Alessia Simona Maratta, 22.Out.2026.

Marcadores: incêndio de vegetação, origem e causa, base militar, Alberta, Canadá.

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