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NEXO CAUSAL
Incêndios e explosões

Incêndio no centro logístico da Coupang em Incheon teve como causa provável a fuga térmica de bateria de lítio, mas polícia encerra caso sem causa definida

Fachada do centro logístico da Coupang em Incheon enegrecida pelo fogo, com janelas destruídas nos andares de cima e estacionamento na cobertura
Foto: JoongAng Ilbo, conforme Korea JoongAng Daily

O incêndio que queimou por mais de quatro dias o Centro Logístico 32 da Coupang, no distrito de Seohae, em Incheon (Coreia do Sul), terminou com duas conclusões diferentes no mesmo dia, 29 de outubro de 2026, porque a Agência Nacional de Bombeiros apontou como causa provável a fuga térmica de uma bateria de íon-lítio, enquanto a polícia encerrou o inquérito dizendo que não conseguiu determinar a causa nem achar responsável, segundo reportagem de Byun Min-chul no Korea JoongAng Daily.

O incêndio

O fogo começou por volta das 6h54 de 18 de julho de 2026, no sexto andar do prédio, e as autoridades emitiram uma ordem nacional de mobilização, que levou ao local 917 bombeiros e policiais e 255 equipamentos, entre eles sete helicópteros, segundo o Seoul Economic Daily.

O controle do incêndio levou 61 horas, o mais longo já registrado num centro logístico da Coreia, e a extinção completa só veio mais de 109 horas depois do início, com dois bombeiros com ferimentos leves por inalação de fumaça e exaustão e cerca de 200 moradores da vizinhança abrigados por quase duas semanas para fugir da fumaça e da poeira.

O que concluíram os bombeiros

A equipe central conjunta de investigação de incêndios da Agência Nacional de Bombeiros localizou a origem nas prateleiras de estocagem do sexto andar do Edifício B, que é o segundo mezanino, com base em depoimentos de testemunhas, imagens das câmeras de segurança, exame do local e ensaios de reconstituição, e nessas prateleiras ficavam produtos domésticos com baterias de íon-lítio embutidas.

A conclusão dos bombeiros é que o fogo muito provavelmente começou com a fuga térmica, a reação em cadeia em que a bateria se aquece rapidamente e sem controle, numa bateria de íon-lítio dentro de um desses produtos, e a análise do Serviço Nacional de Perícia Forense (National Forensic Service) indicou que as baterias carbonizadas recolhidas no local podem ter pegado fogo depois da ruptura dielétrica, a perda do isolamento interno da célula.

O dano, porém, foi tão grande que não permitiu identificar qual produto pegou fogo primeiro, e os investigadores reconstituíram a propagação: as chamas passaram para as embalagens dos produtos, o material de embalagem e as caixas de papelão próximas, subiram até o refeitório do sétimo andar e a cobertura no oitavo nível e avançaram pela fachada do Edifício B em direção ao Edifício A.

Os bombeiros montaram uma linha defensiva na rampa de acesso e impediram que o fogo chegasse ao Edifício A e aos andares abaixo do quinto, e o prejuízo material foi estimado em 114 bilhões de won, sendo 37,4 bilhões de won em imóveis e 76,6 bilhões de won em bens móveis.

O inquérito policial

A polícia metropolitana de Incheon investigou incêndio criminoso, incêndio culposo e possíveis infrações à lei de sistemas de combate a incêndio e informou que não encontrou prova de crime, e chegou a indiciar uma pessoa não identificada por incêndio culposo, mas desistiu de mandar o caso ao Ministério Público por falta de provas.

O inquérito também apurou se funcionários tinham desligado ou adulterado os sistemas de segurança contra incêndio e se havia problemas de manutenção, como os chuveiros automáticos (sprinklers) com defeito apontados em vistorias anteriores, e concluiu que as portas corta-fogo e os chuveiros automáticos funcionaram depois do início do fogo, segundo o The Asia Business Daily.

Pela polícia, a origem foi o segundo compartimento de uma estante de três níveis no sexto andar, e, embora o Serviço Nacional de Perícia Forense tenha levantado a hipótese da ruptura dielétrica numa célula de bateria de um aparelho não identificado perto do ponto de origem, as provas estavam queimadas demais para que a causa fosse estabelecida.

O professor In Se-jin, do departamento de engenharia de proteção contra incêndios e desastres da Universidade Woosong, disse ao Korea JoongAng Daily que é incomum não identificar a causa de um incêndio tão grande e que, sem causa definida, pode ser difícil levar o caso para a revisão das regras dos armazéns logísticos.

Mudanças previstas

O prédio recebeu o alvará de construção em maio de 2020 e por isso ficou fora das exigências mais rígidas de equipamentos de segurança contra incêndio para grandes armazéns logísticos que entraram em vigor neste ano, e a polícia pretende pedir ao Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes e à Agência Nacional de Bombeiros que essas exigências passem a valer também para os centros já existentes, além de regras de manejo das baterias suspeitas de ser fonte de ignição.

A Agência Nacional de Bombeiros vai criar um procedimento de combate defensivo para armazéns sem janelas e de estrutura mista, chamado SOP 244, e discutir com os ministérios um limite para o estado de carga das baterias guardadas nesses armazéns, já que o risco de incêndio muda com a quantidade de carga, e o comissário da agência, Choi Yong-chul, recomendou às empresas que mantenham as baterias com a menor carga possível e cuidem da detecção precoce de incêndio.

Fonte original: Korea JoongAng Daily, Byun Min-chul, 29.Out.2026.

Marcadores: bateria de íon-lítio, fuga térmica, centro logístico, origem e causa, Coreia do Sul.

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