Polícia indicia responsável por fábrica de Bucheon, na Coreia do Sul, após incêndio que matou bombeiro

A polícia da província de Gyeonggi, na Coreia do Sul, indiciou o responsável por uma fábrica de injeção e impressão de peças metálicas no bairro de Nae-dong, distrito de Ojeong, em Bucheon, onde um incêndio em 16 de outubro de 2026 matou o tenente bombeiro Kim Jin-seok, de 44 anos, e deixou outras sete pessoas feridas, segundo reportagem de Hong Sun-jun publicada pela SBS News em 18 de outubro de 2026.
O incêndio
O chamado chegou por volta das 8h38 de sexta-feira, 16 de outubro de 2026, informando fogo na sala de limpeza do terceiro andar da fábrica, e Kim fazia parte da primeira equipe a chegar ao local, formada por quatro bombeiros que entraram no terceiro andar, onde ele e um colega ficaram presos quando as chamas e a fumaça se espalharam rapidamente.
O colega foi resgatado antes, e Kim, que estava cerca de 5m mais para dentro, só foi alcançado por volta das 9h35, já em parada cardíaca, e morreu no hospital à 0h55 de sábado, 17 de outubro de 2026, enquanto outro bombeiro teve ferimentos graves, quatro sofreram exaustão pelo calor e dois funcionários da fábrica foram levados ao hospital por inalação de fumaça.
O fogo foi controlado por volta das 10h22 e extinto às 11h06, duas horas e 28 minutos depois do início, e a Agência Nacional de Bombeiros promoveu Kim, depois da morte, de sargento a tenente.
Origem e causa provável
No dia seguinte ao incêndio, uma equipe conjunta de bombeiros, polícia, Serviço Nacional de Perícia Forense (National Forensic Service, NFS) e Korea Electrical Safety Corporation, empresa de segurança elétrica, examinou o local e verificou que, no momento do incêndio, os funcionários usavam thinner para limpar peças metálicas na sala do terceiro andar, onde o fogo parece ter começado.
A hipótese dos investigadores é que o tolueno, componente inflamável do thinner, liberou vapores que se inflamaram com uma faísca provocada por descarga de eletricidade estática ou por atrito, e a equipe vai pedir ao NFS a análise detalhada do solvente que restou na sala de limpeza.
Os peritos encontraram dezenas de latas de thinner, algumas abertas, a 1m ou 2m do ponto provável de origem, além de centenas de latas de tinta e cerca de 180 recipientes que guardavam ou tinham guardado produtos inflamáveis, classificados na Coreia como materiais perigosos, e as autoridades acreditam que esse material contribuiu para a propagação rápida do fogo.
Kim Su-young, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa de Incêndios que participou da perícia, disse ao jornal Kyunghyang Shinmun que, em oficinas onde se limpam metais com produtos inflamáveis, os trabalhadores precisam usar roupa antiestática e o ambiente precisa ter instalações à prova de explosão, mas que a equipe não encontrou nenhum sinal dessas medidas.
Falhas de prevenção
A fábrica não tinha autorização para manusear materiais perigosos e por isso ficava fora das fiscalizações específicas para esse tipo de produto, e também não tinha chuveiros automáticos, porque a área de 362m² estava abaixo do limite que obriga a instalação.
A polícia apurou ainda que a fábrica já tinha tido um incêndio em janeiro de 2021, e que, depois dele, a administradora do prédio fez a própria vistoria e entregou ao corpo de bombeiros um relatório sem apontamentos, com base no qual os bombeiros não fizeram nenhuma inspeção de segurança contra incêndio no local nos cinco anos seguintes.
O indiciamento
Em 17 de outubro de 2026 a polícia ouviu como testemunhas cinco pessoas da fábrica, entre elas o responsável e funcionários, sobre as condições de trabalho e a gestão de segurança, e, ao concluir que houve negligência relacionada ao início do fogo, indiciou o responsável, identificado apenas como uma pessoa de cerca de 70 anos de sobrenome A, por suspeita de negligência profissional com resultado de lesão e de incêndio por negligência profissional, por ter descuidado das medidas de prevenção de incêndio.
A equipe especial de investigação da Polícia Provincial do Sul de Gyeonggi, que tem 33 integrantes, entre eles uma unidade de perícia, vai apurar como o fogo começou e se as regras de segurança eram cumpridas, e o número de indiciados pode aumentar conforme o resultado.
A ordem de entrada
A família de Kim pede uma investigação completa da morte, porque, segundo os parentes, todos os funcionários já tinham saído do prédio e não havia ninguém para resgatar quando a equipe recebeu a ordem de entrar, e o sogro do bombeiro atribuiu a tragédia a um erro de avaliação do comando e à falta de controle no local.
A transcrição das comunicações de rádio, divulgada em 23 de outubro de 2026 pelo gabinete do deputado Yoon Kun-young, do Partido Democrático, mostra que às 8h47 uma equipe informou que todos os trabalhadores do terceiro andar tinham saído e às 8h48 avisou que ali funcionava um setor de pintura com provável presença de produtos inflamáveis, mas às 8h52 o comando no local manteve a estratégia de combate ofensivo, e às 9h09 veio o aviso de bombeiro isolado.
A Agência Nacional de Bombeiros montou uma equipe conjunta de investigação com 22 integrantes, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisa de Incêndios, especialistas externos e representantes dos sindicatos de bombeiros, que vai trabalhar por 30 dias e examinar toda a resposta, do primeiro atendimento ao combate e ao resgate, além do armazenamento dos produtos perigosos, das medidas de prevenção e dos riscos estruturais do edifício de fábricas em andares.
O chefe da agência, Choi Yong-chul, disse que o órgão vai investigar a fundo a causa do acidente e a gestão de segurança de materiais perigosos sem autorização, e que vai preparar, com base no resultado, medidas práticas para proteger os bombeiros e evitar que casos semelhantes se repitam.
Fonte original: SBS News, Hong Sun-jun, 18.Out.2026.
Marcadores: incêndio industrial, origem e causa, produtos inflamáveis, morte de bombeiro, Coreia do Sul.