Especialistas indianos defendem fusíveis e disjuntores em vez de desligar à noite as tomadas dos trens

Especialistas e ferroviários aposentados da Índia, entre eles um ex-membro do Railway Board, criticaram a ordem do órgão que manda desligar das 23h às 5h as tomadas de recarga de celulares e notebooks nos vagões de trem e defenderam a instalação de fusíveis ou disjuntores que cortem a energia sozinhos quando passar corrente demais pelo circuito, segundo texto da agência PTI publicado em hindi pelo portal Prabhasakshi em 29 de outubro de 2026.
A ordem do Railway Board
Em carta de 26 de outubro de 2026, o Railway Board pediu a todas as regionais ferroviárias que cumpram com rigor a ordem de 2014 que manda desligar as tomadas dos vagões nesse horário, sem nenhuma exceção, com treinamento das equipes e inspeções surpresa feitas por oficiais e supervisores, segundo a PTI, em texto publicado pelo Telangana Today.
A carta cita um caso recente na regional South Eastern Railway em que a equipe de bordo não desligou as tomadas no horário e, enquanto um aparelho carregava, o power bank de um passageiro explodiu e soltou fumaça.
A regra nasceu em junho de 2014, por recomendação do Commissioner of Railway Safety (CRS), depois de um incêndio em 2013 num vagão com ar-condicionado do Hazur Sahib Nanded-KSR Bengaluru Express, e na época o CRS sugeriu desligar as tomadas das 22h às 6h, horário que o Railway Board fixou em 23h às 5h.
Em novembro de 2023, um incêndio num vagão-leito do New Delhi-Darbhanga Humsafar Clone Special, no trecho Sarai Bhopat-Etawah, se espalhou pelo vagão e atingiu os vizinhos, e o CRS recomendou estender o desligamento aos vagões-leito sem ar-condicionado, mas o Railway Board respondeu que pôr funcionários para fazer isso nesses vagões não era viável pelo custo.
O que dizem os críticos
Subodh Jain, ex-membro de engenharia do Railway Board, disse à PTI que os incêndios acontecem por falhas em tomadas, circuitos elétricos ou fiação, e não pela recarga do celular em si, e que não é certo tirar dos passageiros um serviço essencial porque a ferrovia não garantiu a segurança da própria instalação elétrica.
Para ele, a solução prática é instalar fusíveis ou disjuntores, e outra opção seria oferecer também portas USB.
Outro especialista em segurança ferroviária ouvido pela agência concordou e afirmou que as análises de incêndios em trens mostram falhas em circuitos e fiação como as principais causas, defendendo que o fusível corte a alimentação sempre que a corrente subir de repente.
Ele lembrou que o relatório do CRS sobre o incêndio de novembro de 2023 trouxe, entre as recomendações, a instalação de fusíveis de capacidade adequada em todos os vagões.
A ferrovia, por sua vez, já tinha justificado o desligamento em instrução de 6 de março da regional South East Central Railway, que apontava risco de incêndio por aparelhos carregando sem vigilância e aumento de furtos de celulares durante a noite.
Fonte original: Prabhasakshi (agência PTI-Bhasha), 29.Out.2026.
Marcadores: instalação elétrica, incêndio em trem, disjuntor, segurança ferroviária, Índia.