Juiz manda entregar registros do uso de ChatGPT e Claude por ex-engenheiro da Apple em processo contra a OpenAI

O juiz federal Edward Davila, do Distrito Norte da Califórnia, mandou que os réus do processo movido pela Apple contra dois ex-funcionários, a OpenAI e a io Products entreguem os registros do uso de ferramentas de inteligência artificial pelo ex-engenheiro Chang Liu, entre elas ChatGPT, Claude, Codex e OpenClaw, em aparelhos e contas pessoais e corporativas, segundo reportagem de Marcus Mendes publicada pelo 9to5Mac em 27 de outubro de 2026.
O processo
A Apple entrou com a ação em julho de 2026 acusando Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos da empresa, e Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design de produto do iPhone e do Apple Watch, além da OpenAI e da io Products, empresa de hardware comprada pela OpenAI, de usar informações confidenciais da Apple para ajudar o desenvolvimento de produtos de consumo da OpenAI, e a OpenAI pediu que a ação seja extinta.
Na petição inicial, segundo a NBC News, a Apple alegou que Liu não devolveu um notebook da empresa e depois usou uma falha de autenticação para entrar na rede interna e baixar “dezenas de arquivos confidenciais relacionados a hardware”.
A perícia no notebook
Em 31 de agosto de 2026, a Apple informou ao tribunal que os advogados de Liu tinham entregado o MacBook que ele usou depois de sair da empresa e que uma “análise forense inicial” do aparelho indicava que ele baixou um esquema de circuito confidencial da Apple e o usou no trabalho na OpenAI, segundo o 9to5Mac.
No mesmo documento, a Apple alegou que Liu e outras pessoas na OpenAI sabiam do acesso dele ao armazenamento em nuvem de terceiros usado pela Apple, que ele mandou a uma colega da OpenAI instruções para destruir provas quando soube da investigação interna da Apple, e que ele rodou em março uma simulação com o esquema no LTspice, programa de engenharia elétrica, numa época em que dizia em mensagens que seu “agente” de IA tinha aprendido a usar o programa e revisar os resultados.
A Apple soube do uso do esquema porque Liu trabalhou com ele num Mac mini que depois sincronizou pelo iCloud com o MacBook levado da empresa, e por isso pediu acesso também ao Mac mini, além de sustentar que, quando informação sigilosa alimenta um agente ou modelo de IA que aprende com ela, esse aprendizado “pode criar usos irreversíveis e que se propagam continuamente” do segredo industrial.
O que o juiz liberou
No início do mesmo mês, Davila já tinha dado à Apple acesso antecipado a alguns documentos internos, provas periciais e depoimentos, mas adiou outros pedidos por considerar ampla demais a definição de “informação originada da Apple”, e, depois que as partes chegaram a uma definição mais estreita, que o juiz adotou com ajustes, ele concedeu na decisão de 27 de outubro de 2026 vários dos pedidos adiados.
Além dos registros de uso de IA por Liu, a decisão inclui detalhes sobre os aparelhos, contas e aplicativos de mensagens que Liu e Tan teriam usado para acessar, guardar ou compartilhar informação confidencial da Apple, e detalhes sobre qualquer informação confidencial da Apple que possa ter sido apagada ou destruída, com quando, como, por que e por quem.
A Apple também poderá ouvir representantes da OpenAI e da io Products sobre trabalhos com informação da Apple ligados a baterias, gerenciamento de energia e acabamento de metais, sobre entrevistas de emprego com funcionários da Apple e sobre as medidas que a OpenAI tomou, ou deixou de tomar, para evitar o uso indevido dessa informação.
O juiz negou os pedidos de informações sobre os aparelhos e contas da própria OpenAI, sobre as investigações internas dela e sobre eventual exclusão de informação confidencial da Apple pela empresa, e negou ainda dois pedidos de depoimento corporativo por considerá-los amplos demais nesta fase, que a Apple poderá repetir na fase normal de produção de provas.
Pela nova ordem, os réus têm até 14 dias para entregar os registros pedidos e responder às perguntas da Apple, enquanto a acusação de apropriação de segredos industriais ainda não foi julgada.
Fonte original: 9to5Mac, Marcus Mendes, 27.Out.2026.
Marcadores: prova digital, segredo industrial, inteligência artificial, produção antecipada de provas, Apple, OpenAI.