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NEXO CAUSAL
Reconhecimento facial

Julgamento do caso AKA: policial mantém identificação de acusados em imagens, embora admita não ter treino em comparação facial

Os sete acusados de pé no banco dos réus da sala de audiências em Durban, com advogados à frente e público ao fundo
Foto: Nomonde Zondi, conforme IOL (The Mercury)

O policial Rajen Saunder, que analisou as imagens de câmeras de segurança no julgamento das mortes do rapper Kiernan “AKA” Forbes e do chef Tebello “Tibz” Motsoane, admitiu no Tribunal Superior de Durban, na África do Sul, que não é profissional treinado em comparação facial, mas manteve a identificação de dois dos acusados que fez a partir das gravações.

O depoimento foi noticiado em 27 de outubro de 2026 pelo IOL e pelo EWN, e o sobrenome do policial aparece como Saunder no IOL, Sanders no EWN e Saunders no News24.

Forbes e Motsoane foram mortos a tiros em frente ao restaurante Wish, na Florida Road, em Durban, em 10 de fevereiro de 2023, e sete homens respondem pelas mortes: Lindokuhle Mkhwanazi, Lindani Zenzele Ndimande, Siyanda Eddie Myeza, Mziwethemba Gwabeni, Lindokuhle Mhlaliseni Ndimande e os irmãos Malusi Dave Ndimande e Siyabonga Gezani Ndimande.

O que o policial identificou

Segundo o EWN, que o descreve como detetive técnico da polícia sul-africana (SAPS), Saunder depôs sobre mais de três horas de imagens de câmeras que ele mesmo reuniu depois do crime e, no depoimento à acusação, reconheceu dois dos réus nas gravações, os dois vistos seguindo Forbes no dia em que ele foi morto.

Um dos trechos mostraria um homem vigiando o rapper no restaurante Wish antes dos disparos, e o outro mostraria um homem seguindo Forbes desde o Aeroporto Internacional King Shaka até Umhlanga.

Saunder disse ter identificado Lindokuhle Mhlaliseni Ndimande e Mziwethemba Gwabeni comparando a aparência deles com a das pessoas nas imagens, e a acusação sustenta que Ndimande fazia a vigia no restaurante e que Gwabeni seguiu o grupo de Forbes do aeroporto até o Hilton Garden Inn, em Umhlanga.

A contestação da defesa

O advogado Musa Mzelemu, que defende Lindokuhle Mhlaliseni Ndimande, perguntou ao policial se ele sabia que a SAPS tem profissionais treinados em comparação facial, e Saunder confirmou, mas disse que não é um deles.

O advogado quis saber, então, se as identificações se baseavam só na observação pessoal, e não em alguma técnica, e o policial respondeu que se baseavam na sua “observação humana, com a minha experiência”.

Segundo o EWN, Mzelemu afirmou ao policial que ele não tinha domínio nem conhecimento técnico de reconhecimento facial nem de medidas corporais, isto é, da análise do porte físico das pessoas, e Saunder respondeu: “Não, não tenho”.

O policial explicou que seu trabalho diário é baixar gravações de vídeo e deu como exemplo que reconheceria o próprio Mzelemu se o visse na televisão, e disse também que nunca foi chamado a depor como especialista em reconhecimento facial e que já depôs com base nas próprias observações.

“Passei 10 meses com essas imagens, olhando para elas quase todos os dias, então, sim, mantenho o que declarei”, afirmou, segundo o IOL.

Outro advogado de defesa, Simphiwe Mlotshwa, perguntou se a equipe de investigação fazia reuniões sobre o andamento do caso, e Saunder respondeu que não e que o investigador responsável distribuía tarefas específicas a cada integrante.

O interrogatório da defesa continua.

Fonte original: IOL (The Mercury), Nomonde Zondi, 27.Out.2026.

Marcadores: reconhecimento facial, identificação por imagem, CCTV, prova pericial, África do Sul.

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