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NEXO CAUSAL
Reconhecimento facial

Polícia francesa usa reconhecimento facial e imagens de redes sociais para identificar saqueadores

Ilustração de uma avenida de Paris com a Torre Eiffel ao fundo e uma multidão em silhueta marcada por quadros de detecção facial
Imagem ilustrativa gerada por IA

A polícia francesa está usando reconhecimento facial e imagens publicadas em redes sociais para identificar quem participou dos saques e da violência registrados à margem das manifestações de sábado, 17 de outubro de 2026, como relatou o Biometric Update em 22 de outubro de 2026.

O anúncio do ministro

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, anunciou a medida no telejornal da noite da TF1 em 19 de outubro de 2026, segundo o site francês Next, e disse que o reconhecimento facial seria aplicado ao TAJ (Traitement des antécédents judiciaires), o fichário de antecedentes judiciais da polícia, “para ver se nas redes sociais não temos as mesmas imagens”.

O Biometric Update informa que o TAJ guarda milhões de perfis biométricos de rosto.

Naquela noite, segundo o Next, Darmanin disse que havia 2.513 pessoas detidas, e pela manhã ele tinha enviado aos promotores de todo o país uma instrução para tratar os fatos como criminalidade organizada, o que permite usar técnicas especiais de investigação.

O Next lista ainda, entre as medidas, a extensão da detenção para investigação de 48 para 72 horas, a geolocalização e a interceptação telefônica, inclusive a checagem dos celulares dos detidos.

Como a investigação trabalha

De acordo com o Biometric Update, doze policiais especializados fazem o reconhecimento facial, dentro de um grupo de 200 investigadores encarregados, em todo o país, de identificar e processar os responsáveis.

A agência AFP, em texto publicado pelo Khaleej Times em 20 de outubro de 2026, informa que foi o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, quem determinou a mobilização de mais de 200 investigadores.

A polícia tem acesso às imagens de cerca de 80 mil câmeras de segurança instaladas nas ruas e no transporte público de Paris, além das câmeras de lojas, e os investigadores também recorrem a plataformas como TikTok, Instagram e Discord.

Segundo a AFP, as imagens dessas redes costumam dar a primeira pista: os policiais conferem as publicações e comparam com as ferramentas próprias para ver se o crime postado corresponde a algum caso em apuração.

Parte dos casos chega por esse caminho sem nunca ter sido registrada: vítimas publicam o que aconteceu nas redes sociais sem procurar a polícia, e os investigadores localizam o fato pela geolocalização, encontram a vítima e passam o caso à polícia judiciária.

A AFP relata que um policial especializado diz ter identificado quatro suspeitos dos saques em Paris, que foram acompanhados pelas câmeras das ruas e do transporte quase até a porta de casa.

A chefatura de polícia de Paris disse à AFP que examina “todas as pistas, mas também as imagens disponíveis, de câmeras de segurança, câmeras de lojas e vídeos nas redes sociais”.

Um policial ouvido pela France24, citada pelo Biometric Update, resumiu o papel da ferramenta: “não é a única ferramenta para fechar um caso, mas é uma das ferramentas muito úteis para os investigadores”.

Histórico contestado

O Biometric Update lembra que o uso de reconhecimento facial para identificação forense pela polícia está previsto na lei francesa e resistiu a contestações no âmbito da União Europeia, mas a relação da polícia com a tecnologia tem episódios de conflito.

Em 2024, a CNIL, autoridade francesa de proteção de dados, e o Ministério do Interior investigaram o uso do reconhecimento facial do software BriefCam pela polícia em espaços públicos, depois de denúncias na imprensa.

A CNIL concluiu que a gendarmaria usou a tecnologia em público sem autorização e sem os relatórios de impacto à proteção de dados exigidos, o que tornou essas operações ilegais.

No início de 2026, o veículo Disclose publicou que policiais usavam a biometria facial da Cognitec para consultas em tempo real ao TAJ, prática que, segundo o Biometric Update, contraria o Código de Processo Penal, e a gendarmaria negou as acusações.

O Biometric Update registra ainda que, na Alemanha, parlamentares propuseram neste ano mudanças no Código de Processo Penal para permitir que a polícia passe imagens de redes sociais por sistemas de reconhecimento facial, mas a proposta não foi aprovada.

Fonte original: Biometric Update, Chris Burt, 22.Out.2026.

Marcadores: reconhecimento facial, França, redes sociais, videomonitoramento, TAJ.

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