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NEXO CAUSAL
Perícia digital

OpenAI e Meta dizem a comitê de juízes dos EUA que detecção de deepfake não será infalível

Ilustração de uma balança da Justiça com uma máscara inteira num prato e um rosto se desfazendo em pequenos quadrados no outro
Imagem ilustrativa gerada por IA

Representantes da OpenAI e da Meta disseram ao comitê consultivo de regras de prova da Conferência Judicial dos Estados Unidos (Advisory Committee on Evidence Rules), reunido em Boston em 15 de outubro de 2026, que vai ficar cada vez mais difícil saber se um áudio ou um vídeo apresentado como prova é verdadeiro ou foi fabricado por inteligência artificial, segundo reportagem publicada pelo IBTimes UK em 16 de outubro de 2026.

O que as empresas disseram

Shira Anderson, consultora de políticas públicas da OpenAI, afirmou que as imagens feitas por IA “só estão ficando melhores” e que não acredita que vá existir, daqui para a frente, um método científico capaz de detectá-las.

Devin Norder, diretor de gestão de produto da Meta, disse ao comitê que o material produzido pelas últimas gerações de modelos de IA não pode ser distinguido do material autêntico por uma pessoa e que o custo e o tempo para produzir esse tipo de conteúdo são hoje irrisórios.

As duas empresas criaram ferramentas para verificar se um conteúdo visual é autêntico, e a Califórnia e a União Europeia aprovaram leis que exigem marca d’água para identificar material gerado por IA, mas Anderson lembrou que cada empresa usa um sistema próprio, que as ferramentas de uma não leem as marcas das outras e que a marca d’água deve melhorar, mas “nunca vai ser à prova de balas”, conforme o relato da agência Reuters reproduzido pelo site Breitbart.

Poucos casos nos tribunais até agora

O comitê estuda desde 2023 como os tribunais devem tratar provas que podem ter sido falsificadas ou alteradas com IA, e uma pesquisa do Federal Judicial Center, o órgão de pesquisa do Judiciário federal, divulgada em março, ouviu 931 juízes e encontrou apenas 15 que já tinham julgado um caso em que uma das partes contestou a prova alegando que era deepfake.

O juiz federal Jesse Furman, de Manhattan, que preside o comitê, disse que há muitos comentários acadêmicos prevendo que os tribunais vão lidar com deepfakes, mas que isso ainda não apareceu em grande quantidade, e nomeou uma subcomissão para estudar o assunto.

A juíza federal Valerie Caproni, também de Manhattan e integrante do comitê, defendeu que os tribunais já têm o que precisam, porque lidam com quem apresenta prova falsa “desde Caim e Abel”, e que não convém criar às pressas uma regra específica para IA sem prova de que o problema se espalhou.

A proposta em estudo

A pauta de outubro do comitê traz uma proposta de emenda, chamada Rule 901(c), preparada mas ainda não aprovada, pela qual a parte que contesta uma prova como deepfake teria de apresentar primeiro indícios suficientes para sustentar a alegação, e, superada essa etapa, a parte que apresentou o material teria de demonstrar que é mais provável que ele seja autêntico do que falso.

A regra atual, a Rule 901 das Federal Rules of Evidence, já exige que a parte apresente base suficiente para concluir que a prova é o que ela diz ser, e permite ao juiz examinar contestações a gravações e outros materiais, e a questão em aberto é se esses procedimentos tradicionais de autenticação vão continuar funcionando quando as falsificações ficarem mais convincentes e mais baratas.

Para o IBTimes UK, o advogado pode precisar mostrar de onde veio o arquivo, como foi produzido e se foi alterado antes de o tribunal avaliar a autenticidade, porque uma gravação que parece verdadeira não é, por isso, autêntica, e a dúvida sobre um arquivo também não prova, sozinha, que houve manipulação.

Fonte original: IBTimes UK, Ma. Kyla Morco, 16.Out.2026.

Marcadores: deepfake, autenticidade da prova, inteligência artificial, prova digital, Justiça federal, Estados Unidos.

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