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NEXO CAUSAL
Acidentes de trabalho e máquinas

Operário morre na queda de guindaste de caminhão em Ramat Gan, e máquinas do fabricante já tinham sido suspensas em Israel por trincas nas lanças

Fonte: Ynet
Ilustração de um canteiro de obras urbano com caminhão-guindaste, uma lança caída sobre feixes de vergalhões dentro da escavação e prédios ao fundo
Imagem ilustrativa gerada por IA

Um operário da construção civil de cerca de 30 anos morreu na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, numa obra na região do complexo da Bolsa, na Menachem Begin Road, em Ramat Gan (Israel), depois que um guindaste montado em caminhão desabou e o atingiu, e, segundo um fórum de prevenção de acidentes de trabalho ouvido pelo Ynet, a máquina é de um fabricante turco cujos guindastes o Ministério do Trabalho israelense proibiu em 2025 por trincas nas lanças e suspeita de defeito nas soldas.

O acidente

Bombeiros foram chamados para retirar o operário, que ficou preso sob o guindaste, e a equipe do Magen David Adom (MDA), o serviço de emergência médica de Israel, encontrou o homem inconsciente, sem respiração e sem pulso, com politraumatismo, e declarou a morte no local depois das manobras de reanimação, segundo o Ynet, o Maariv e o site Zo HaDerech.

Os socorristas do MDA disseram que encontraram “uma cena muito difícil” e que o operário aparentemente tinha sido atingido por um objeto pesado, enquanto o JFeed e o Kikar HaShabat publicaram outra versão, de que ele foi retirado em estado grave e levado ao hospital, onde a morte foi confirmada.

A polícia abriu investigação sobre as circunstâncias, que inclui a possibilidade de defeito técnico, descumprimento das regras de segurança ou falha de manutenção, e a via ficou fechada ao trânsito por algum tempo, segundo o JFeed e o Kikar HaShabat.

O histórico do fabricante

De acordo com o Fórum para a Prevenção de Acidentes de Trabalho, o guindaste foi fabricado pela empresa turca ERKIN, e o fórum afirma ter alertado o Ministério do Trabalho sobre os riscos desses equipamentos desde março de 2025.

Documentos oficiais do ministério obtidos pelo Ynet mostram que a Administração de Segurança do ministério publicou em 13 de março de 2025 um aviso de que havia suspeita razoável de risco à vida e à saúde de pessoas com o uso continuado dos guindastes, orientou os fiscais do trabalho a emitir ordens de segurança para interromper o uso e recomendou aos proprietários que parassem as máquinas imediatamente, mesmo sem ordem emitida.

Num documento de fundamentação, o ministério relatou trincas encontradas nas lanças de vários guindastes da marca e um laudo de engenharia que apontava suspeita real de defeito na qualidade das soldas, e escreveu que os achados indicavam risco de falha técnica imprevista e que o uso continuado poderia pôr em perigo os trabalhadores e quem estivesse por perto.

Menos de um mês depois, em 10 de abril de 2025, o ministério publicou novas instruções que permitiram a volta dos guindastes ao trabalho, desde que submetidos a inspeções e condições, e fixou exigências mais rígidas para dois modelos, o ER265000 e o ER268000, com inspeções periódicas mais frequentes e ensaios especiais para detectar defeitos no material.

Na fundamentação dessa segunda decisão, o ministério escreveu que, depois de uma série de inspeções e reuniões com o fabricante e seus representantes em Israel, não encontrou indício de problema de origem no projeto dos guindastes, e apontou a conduta dos operadores como fator que pode aumentar muito o risco de falha estrutural, entre outros motivos pela possibilidade de desativar dispositivos de segurança e de operar as máquinas com cargas acima do permitido.

As acusações e as respostas

O advogado Israel Asel, consultor jurídico do fórum, disse que um laudo de engenheiros do Technion, o Instituto de Tecnologia de Israel, apontou falhas graves no processo de fabricação dos guindastes e que o ministério “enterrou o laudo na gaveta” e, ao liberar as máquinas, adotou a posição do importador, que atribuía as trincas aos operadores.

Asel lembrou que, em 28 de novembro de 2025, um guindaste do mesmo fabricante desabou perto de uma creche em Giv’at Shmuel, sem feridos, disse que desta vez a lança que se partiu atingiu o operário e atribuiu a responsabilidade aos dirigentes da Administração de Segurança que autorizaram a volta dos equipamentos, embora o Ynet ressalve que as circunstâncias do acidente e a causa exata da falha ainda não foram esclarecidas.

O Ministério do Trabalho respondeu que as circunstâncias estão sob investigação técnica da Administração de Segurança com a Polícia de Israel e com especialistas externos em análise de falha do equipamento ou da operação, chamou de “totalmente infundadas” as acusações de ter ignorado alertas ou adotado a posição do importador e disse que foi a própria Administração de Segurança que emitiu os alertas, parou as máquinas e exigiu um protocolo rigoroso de inspeção de engenharia, com ensaios de laboratório e ensaios não destrutivos.

O ministério acrescentou que a autorização de importação desses equipamentos cabe ao Ministério dos Transportes, e não a ele, que responde pela fiscalização e pela segurança nos locais de trabalho.

A importadora dos guindastes ERKIN em Israel, por meio de seu advogado, apresentou condolências às famílias, disse não conhecer ainda os detalhes do acidente, afirmou que o ensaio atribuído ao Technion foi mal feito, chegou a resultados errados e foi depois refutado por um laboratório credenciado, sustentou que em todos os acidentes anteriores a culpa foi do uso inadequado do guindaste e defendeu fiscalização mais rígida sobre os operadores.

Segundo o Grupo de Combate aos Acidentes na Construção e na Indústria, citado pelo Zo HaDerech, 60 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho em Israel desde o início do ano, 37 deles em canteiros de obras, e no mesmo dia do acidente em Ramat Gan um trabalhador indiano de 30 anos morreu depois de cair de grande altura numa obra em Herzliya.

Fonte original: Ynet, ליהיא גורדון, 28.Out.2026.

Marcadores: guindaste, acidente de trabalho, construção civil, inspeção de equipamentos, Israel.

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