Operário quase fica coberto por polpa de papel quente em fábrica de Longview, Washington

Um operário da fábrica da Nippon Dynawave em Longview, no estado de Washington (Estados Unidos), quase ficou coberto por polpa de papel quente depois de cair num sumidouro que o próprio material havia aberto no chão, e o Departamento de Trabalho e Indústrias do estado (L&I) aplicou à empresa multa de US$ 77.800 pelos riscos encontrados.
O que os inspetores apuraram
Segundo a L&I, uma válvula de drenagem de um tanque ficou aberta sem querer e fez a polpa, a cerca de 145°F (63°C), se espalhar pelo chão por cerca de duas horas, num processo em que normalmente saem dos tanques cerca de 3.400gal/min (12.870L/min) de polpa rumo ao prédio da máquina de papel.
Para fechar a válvula, o trabalhador atravessou a polpa, que tinha cerca de 3ft (0,91m) de profundidade, subiu em tubulações e, ao tentar descer de volta ao chão, caiu num sumidouro de 4ft (1,22m) escondido sob o material.
Os inspetores disseram que, se ele não tivesse conseguido se agarrar a um cano, ficaria completamente coberto por mais de 7ft (2,13m) de polpa.
Ele conseguiu apoiar o pé na borda do buraco e sair, e contou aos inspetores que, em certo momento, achou que não ia conseguir voltar.
O risco de engolfamento
Além da exposição ao calor, a L&I enquadrou a empresa no risco de engolfamento, que é o perigo de o trabalhador ser engolido ou dominado pelo material.
Os inspetores anotaram que a gerência sabia que funcionários entravam na polpa para abrir e fechar válvulas de tanque, e que derramamentos como esse aconteciam a cada dois meses, às vezes com mais frequência.
A multa e as normas citadas
A L&I citou a empresa por não proteger os trabalhadores da exposição ao material extremamente quente e do risco de engolfamento.
Também foi citada por não incluir o sistema de polpa da máquina de papel num programa de segurança para tubulações com materiais perigosos, como a regra exige.
Segundo Cari Anderson, da Divisão de Segurança e Saúde Ocupacional da L&I, “o problema não foi o transbordamento, e sim a decisão da gerência de mandar pessoas para dentro da polpa”.
Medidas da empresa e recurso
Depois do caso, a empresa concordou em orientar os funcionários a não entrar em áreas com derramamento de polpa e em criar um procedimento e controles de engenharia para fechar as válvulas sem expor ninguém.
A empresa tem 15 dias, contados da emissão da notificação, para recorrer, e a KUOW informou que ela pretende recorrer da multa.
Em nota enviada por e-mail à KUOW, um porta-voz que não teve o nome divulgado disse que a empresa fez uma investigação interna completa, tomou medidas corretivas e que ninguém ficou ferido.
Contexto na mesma fábrica
A L&I informa que essa apuração é a segunda de duas inspeções já abertas quando um tanque de licor branco da fábrica se rompeu em 26 de maio de 2026, e que as duas não têm relação com a ruptura fatal.
Segundo a KUOW, aquele rompimento matou 11 trabalhadores, feriu outros oito e foi o pior acidente industrial do estado em quase um século.
A mesma reportagem diz que o U.S. Chemical Safety Board, agência federal dos Estados Unidos, concluiu em caráter preliminar, em agosto, que a empresa ignorou alertas de que o tanque de 1.200.000gal (4.542.494L) não estava em condições de uso por quase um ano antes de implodir.
Pela lei, a L&I tem até 180 dias, contados da abertura do processo, para emitir as conclusões sobre a ruptura de 26 de maio, investigação que segue em andamento.
Segundo a KUOW, o órgão ampliou as investigações e passou a apurar o uso e o armazenamento de produtos químicos em 10 fábricas de polpa do estado.
Fonte original: Washington State Department of Labor & Industries (L&I), 29.Out.2026.
Marcadores: acidente de trabalho, fábrica de papel, engolfamento, polpa quente, Washington, Estados Unidos.