Colapso de aterro de lixo em Moshi, Índia, deixou nove mortos e relatório aponta chuva e metano

Uma massa de lixo antigo desabou sobre o prédio administrativo de uma usina de geração de energia a partir de resíduos em Moshi, na região de Pune, na Índia, e um relatório da prefeitura atribui o colapso a chuva forte e à pressão de gás metano acumulada dentro do aterro.
Como o desabamento aconteceu
Entre 5 e 7 de julho de 2026 caíram mais de 650mm de chuva na região, e a água se infiltrou na massa de lixo do depósito de Moshi, segundo a linha do tempo publicada pelo Free Press Journal.
De acordo com a prefeitura, a água aumentou a pressão do metano e de outros gases produzidos pela decomposição do lixo, e esse efeito combinado fez uma grande seção do aterro ceder.
No dia 8 de julho, por volta das 13h30, um trecho da massa de lixo deslizou morro abaixo e atingiu o prédio administrativo de três andares da usina, onde 23 trabalhadores ficaram presos.
A prefeitura informou que o prédio ficava a cerca de 30 metros do aterro, e os funcionários que estavam lá dentro tiveram quase nenhum tempo para escapar.
O resgate e as vítimas
O resgate durou cerca de 84 horas, com equipes da força nacional de resposta a desastres (NDRF), do Exército indiano e dos bombeiros, em meio a lixo instável, gás metano, pouco oxigênio e chuva contínua.
Ao final, 14 trabalhadores foram resgatados com vida e nove morreram, e o último corpo foi encontrado na madrugada de 12 de julho de 2026.
O que diz o relatório da prefeitura
O relatório foi preparado pelo engenheiro municipal Sanjay Kulkarni, chefe do departamento de meio ambiente da prefeitura de Pimpri-Chinchwad (PCMC), e afirma que o aterro foi construído com práticas de engenharia padrão.
Segundo o documento, o lixo era depositado em camadas, coberto com terra em intervalos regulares e mantido com taludes laterais estáveis, e nenhuma inspeção anterior indicava instabilidade estrutural ou risco de deslizamento.
O aterro danificado está em uso desde 2014 e 2015 e contém, segundo o relatório, entre 1 milhão e 1,2 milhão de metros cúbicos de resíduos municipais, formando uma pilha de 25 a 30 metros de altura.
Pontos ainda em aberto
Um funcionário sênior da usina descreveu o colapso como um “ato de Deus”, enquanto a prefeitura anunciou uma investigação detalhada sobre as causas.
A prefeitura informou ainda que o aterro já está incluído na segunda fase de um projeto de biomineração, que só começará depois da estação das chuvas, porque o processo exige lixo seco.
Como o documento foi produzido pela própria prefeitura, a explicação de chuva e metano deve ser tratada como a versão oficial municipal até que a investigação detalhada publique suas conclusões.
Por que o caso importa para a perícia
Para a perícia, o caso levanta perguntas clássicas sobre aterros: quanto a água elevou a pressão interna, se havia monitoramento de gases e de recalques, e se a distância entre a pilha e as edificações foi avaliada no projeto.
A reportagem não traz dados de medição de gás ou de água dentro do aterro antes do colapso, e sem esses dados a explicação da prefeitura não pode ser conferida por terceiros.
Fonte original: Free Press Journal, 12.Jul.2026.
Marcadores: aterro sanitário, colapso de aterro, metano, Moshi, Pune, falha geotécnica.