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NEXO CAUSAL
Falhas estruturais e colapsos

Colunas cortadas além do limite causaram colapso de torre de caldeira em usina de Ulsan, aponta investigação

Torre industrial de aço de uma usina térmica ao entardecer, com colunas da base marcadas por cortes e andaimes, sem pessoas
Imagem ilustrativa gerada por IA

A torre de caldeira número 5 da usina térmica de Ulsan, na Coreia do Sul, desabou em 6 de novembro de 2025 durante os trabalhos preparatórios para a demolição do equipamento com explosivos, e a investigação concluída no fim de outubro de 2026 atribui a falha ao corte excessivo das colunas de sustentação.

O que aconteceu em Ulsan

A torre, concluída em julho de 1980, tinha 63,4 metros de altura (208 pés) segundo a Korea Times e a SBS, embora uma reportagem da Korea JoongAng Daily fale em cerca de 60 metros.

No momento do colapso, oito dos nove trabalhadores da equipe cortavam aço numa plataforma a 25 metros (82 pés) do chão, enquanto um deles dirigia o serviço de fora da área de risco, segundo a Korea JoongAng Daily.

Nove trabalhadores ficaram soterrados, sete morreram e dois foram resgatados com vida, com ferimentos.

O que a comissão apurou

A comissão de investigação do Ministério de Terra, Infraestrutura e Transportes (MOLIT) trabalhou por onze meses, de 18 de novembro de 2025 a 17 de outubro de 2026, e apresentou as conclusões em 30 de outubro de 2026, sob a presidência de Lee Kyung-koo.

Segundo a comissão, durante o enfraquecimento prévio, etapa em que partes de colunas, vigas e outros elementos são cortadas para que a estrutura caia na direção planejada, o corte ultrapassou o limite que as colunas podiam suportar.

Com as colunas enfraquecidas, elas deixaram de suportar o peso da parte de cima, as placas de aço sofreram flambagem local e a falha se propagou até provocar o colapso progressivo de toda a estrutura.

Corte excessivo e flambagem local

Flambagem local é a perda de estabilidade de uma placa de aço comprimida, que se deforma e se dobra num trecho pequeno antes de a peça atingir a resistência do material, e esta definição é apenas o conceito técnico, não uma conclusão sobre o caso.

No caso de Ulsan, a parte da coluna que sobrava depois do corte era fina em relação ao comprimento, e o cálculo estrutural da obra não considerou esse risco.

A revisão também não previu margem para a deformação acumulada de uma estrutura envelhecida nem para danos que o próprio corte poderia provocar.

Erros no cálculo estrutural

A espessura das placas de aço das colunas diminui em direção ao topo, mas ela foi medida em um único ponto do térreo, e o valor de 24 milímetros (0,94 polegada) foi aplicado a todas as colunas superiores.

No ponto onde o colapso começou, a espessura real era de 15 milímetros (0,59 polegada), e essa diferença superestimou a capacidade de carga das colunas no cálculo.

O peso da torre também foi calculado abaixo do real, porque a revisão estrutural usou 3.005,8 toneladas, enquanto o valor medido era de 3.525,8 toneladas.

Esses erros de dados fizeram o volume de material que podia ser removido com segurança ser calculado de forma errada, e o corte feito em campo ultrapassou esse volume.

Gestão da obra e fiscalização

A comissão também apontou deficiências na construção e na gestão do projeto, porque a contratada principal confiou no critério de uma empresa especializada para o enfraquecimento e para a detonação, sem verificar de perto se os desenhos finais de fabricação correspondiam às condições do local.

O contratante supervisionou a obra diretamente, sem um gestor de obra separado, e não fiscalizou de forma sistemática o trabalho de cada parte envolvida.

Com isso, os erros de dados e as falhas técnicas não foram filtrados antes de a operação começar, o que faz da fiscalização um ponto central do resultado apurado.

Responsabilização e o que ainda não está definido

Em paralelo à comissão, o Ministério do Emprego e Trabalho e a polícia fizeram buscas conjuntas em seis endereços, inclusive na sede e no escritório de obra da contratada, e apreenderam documentos do projeto de demolição e registros de ocorrências anteriores.

Segundo a Korea JoongAng Daily, o ministério vai examinar o material à luz da Lei de Punição de Acidentes Graves e da Lei de Segurança e Saúde Ocupacional, caso sejam encontradas violações, e a polícia disse que pretende apresentar acusações contra os responsáveis pela supervisão de segurança depois de analisar as provas.

Nas fontes lidas para este texto não há decisão sobre responsabilidade criminal ou administrativa, e a comissão informou que vai complementar os resultados e entregar o relatório final ao ministério em novembro de 2026.

Os valores de espessura e de peso aparecem como conclusões da comissão, e as reportagens não trazem os cálculos completos, por isso devem ser lidos como resultado apresentado e não como cálculo refeito.

Lições para a demolição

A comissão propôs vistorias de campo mais rigorosas no planejamento de demolições, normas técnicas específicas para esse tipo de serviço, controle mais estrito do projeto e da execução em demolições de alto risco e responsabilidades ampliadas para o contratante.

O ministério diz que vai usar essas conclusões, junto com a investigação do colapso durante a demolição do viaduto de Seosomun, para revisar o sistema de demolição desde o projeto até a supervisão da execução.

Para quem faz perícia de colapso, o caso de Ulsan mostra que o cálculo do que pode ser removido depende de medições representativas da estrutura inteira, e não de um único ponto de referência.

Fonte original: Seoul Economic Daily, 30.Out.2026.

Marcadores: colapso estrutural, demolição com explosivos, corte de colunas, flambagem local, Coreia do Sul.

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