Varanda desaba em prédio já listado como perigoso em Limassol, no Chipre, e 56 apartamentos são evacuados

Uma varanda do quinto andar de um prédio residencial de Limassol, no Chipre, caiu sobre a varanda de baixo por volta das 10h de quinta-feira, 24 de setembro de 2026, e a Defesa Civil evacuou os 56 apartamentos do conjunto, que já constava da lista de edificações perigosas da cidade e tinha processo de desocupação em andamento, segundo o Cyprus Mail.
O que aconteceu
O prédio faz parte do conjunto Rousos Olympic Palace, na esquina das ruas Georgios Katsounotos e Christodoulos Hadjipavlou, e ninguém ficou ferido, segundo o jornal, que informou em 25 de setembro de 2026 que as autoridades continuavam investigando em que circunstâncias a varanda caiu.
O conjunto tem dois blocos, com 38 apartamentos no Bloco A e 18 no Bloco B, onde a varanda caiu, e a desocupação foi feita pela EOA de Limassol, a organização distrital de governo local, em conjunto com a Defesa Civil, por ordem do Ministério do Interior.
Os moradores foram levados para outra acomodação “por um ou dois dias”, e, segundo o presidente da EOA de Limassol, Yiannis Tsouloftas, os proprietários dos apartamentos agora precisam contratar um engenheiro civil para fazer os reparos e devolver a segurança ao prédio.
O prédio já estava na lista
Tsouloftas disse à Agência de Notícias do Chipre que uma varanda do mesmo prédio já tinha desmoronado em 2022 e que o imóvel estava listado como perigoso, com um escritório de advocacia encarregado de dar andamento às ordens de desocupação.
Andreas Theodotou, secretário-geral da Câmara Científica e Técnica do Chipre (Etek), disse que o caso preocupa justamente porque o prédio já tinha sido declarado perigoso e havia processo judicial em curso.
Os números de Limassol
Segundo Tsouloftas, Limassol tem cerca de 1.100 edificações listadas como potencialmente perigosas, e as vistorias em andamento já levaram 370 casos a engenheiros civis particulares, que entregaram 296 laudos técnicos.
A EOA analisou até agora os laudos de 157 edificações, que foram declaradas perigosas, das quais 60 precisam de desocupação imediata e duas já foram demolidas.
Os instrumentos legais para desocupar essas edificações são, nas palavras de Tsouloftas, “demorados e ineficazes”, e ele citou como exemplo um prédio em Yermasoyia com ordem de desocupação pendente desde maio e ainda não cumprida.
Em junho, outro prédio de apartamentos de Limassol já tinha sido evacuado depois que duas varandas caíram na rua, e, no início de setembro, a associação das incorporadoras do Chipre pediu vistorias técnicas periódicas e pressa na lei sobre edificações perigosas, dizendo que “não há mais espaço para novos atrasos”.
A mudança na lei
Theodotou disse que a discussão sobre alterar a lei de vias e edificações começou na comissão do Interior do Parlamento no início de setembro, com o objetivo de dar às EOAs poder para agir rápido, e que a Etek espera a lei revisada até o fim do ano.
“O que estamos tentando mudar são os procedimentos demorados, ou seja, que as EOAs, se for preciso, possam lacrar um prédio de imediato e até fazer algumas obras”, disse ele, lembrando que, pela lei atual, esses órgãos não podem agir sem o consentimento do proprietário.
Para o secretário-geral, também é preciso resolver o financiamento, para que os órgãos possam pagar antes a desocupação ou o reparo e cobrar depois dos proprietários, quando for o caso, e a quantidade de edificações perigosas, segundo ele, já exige um orçamento relativamente alto.
Theodotou afirmou que a vistoria obrigatória das edificações continua sendo a única medida preventiva eficaz e que, se ela existisse nos últimos dez anos em que o assunto vem sendo discutido, os prédios perigosos teriam sido identificados muito antes.
Ele disse ainda que a vistoria regular mantém baixo o custo do reparo, porque um prédio de apartamentos de 20 a 25 anos tem pouco dano e um reparo proporcionalmente muito mais barato para cada proprietário do que um que passou de 40 a 50 anos sem nenhuma manutenção.
O secretário-geral citou também um projeto separado, em discussão no Parlamento, sobre os prédios em condomínio, para tratar dos muitos blocos de apartamentos que nunca criaram comissão de administração nem fundo de reserva para manutenção, e disse que as emendas devem ser examinadas a partir do mês seguinte, com a meta de aprovar a lei até o fim do ano.
Tsouloftas, por sua vez, pediu pressa na modernização da legislação para resolver o problema dos prédios envelhecidos do país e listou os pontos que precisam ser atualizados: a gestão das edificações perigosas, a gestão dos prédios em condomínio, o funcionamento das comissões de administração dos blocos de apartamentos e a vistoria técnica periódica das edificações.
Fonte original: Cyprus Mail, Rebekah Gregoriades, 25.Set.2026.
Marcadores: varanda, edificações perigosas, vistoria predial, Limassol, Chipre.