Vereador pede investigação independente da explosão de ônibus a gás natural que matou três passageiros em Calgary

O vereador Raj Dhaliwal, que representa o bairro de Saddle Ridge, no nordeste de Calgary (Canadá), pediu uma investigação independente da colisão seguida de explosão de um ônibus municipal movido a gás natural comprimido (GNC) que matou três passageiros e deixou 16 feridos em 15 de outubro de 2026, segundo reportagem de Kelsea Arnett publicada pela CBC News uma semana depois.
A sequência de colisões
Pouco depois das 13h daquela quinta-feira, um ônibus da Calgary Transit que seguia para o norte pela Saddletowne Circle, em direção à 80th Avenue, bateu numa caminhonete que andava no mesmo sentido, e a caminhonete invadiu a faixa ao lado, raspou num utilitário esportivo e atingiu a traseira de um caminhão-baú, segundo a reconstituição apresentada pela polícia no dia seguinte.
O ônibus seguiu em frente, bateu na traseira de um sedã e o empurrou pelo cruzamento até um caminhão, e depois atingiu a traseira de um segundo ônibus, que ainda avançou e bateu em outro sedã, e foi nessa colisão entre os dois ônibus que os tanques de gás natural do segundo veículo pegaram fogo, num incêndio que, segundo a polícia, se intensificou em segundos até uma explosão dentro do ônibus.
Os três mortos eram passageiros do segundo ônibus, o motorista do primeiro sofreu ferimentos graves e o do segundo conseguiu sair do veículo, e a polícia afirmou que ainda era cedo para dizer se álcool ou drogas, velocidade ou distração contribuíram para a colisão, fatores que continuam sob investigação.
Quem investiga
O Corpo de Bombeiros e a polícia de Calgary disseram à CBC que a investigação da causa do fogo está no início e que o Transport Canada, ministério federal dos transportes, também ajuda, e o porta-voz dos bombeiros Alex Kwan afirmou que os investigadores tentam determinar como o fogo se espalhou e o que pode tê-lo provocado, sem prazo para concluir.
Dhaliwal chamou o caso de “acidente bizarro” e disse querer uma investigação feita fora das apurações dos bombeiros e da polícia, por uma ou duas pessoas, desde que seja externa e sem vieses nas recomendações finais, numa revisão ampla como a feita depois das duas rupturas da adutora Bearspaw, que leve em conta fatores próprios do transporte coletivo e o projeto do cruzamento onde ocorreu a colisão.
O vereador disse que o objetivo é dar segurança aos usuários do transporte de que o caso foi analisado até o fim, com análise de causa raiz, e que qualquer recomendação será aplicada.
O que dizem os especialistas sobre o GNC
Os ônibus a GNC são cerca de 30% da frota da Calgary Transit, e Gordon McTaggart-Cowen, professor da Escola de Engenharia de Energia Sustentável da Simon Fraser University, disse que, pelos regulamentos e normas de projeto, o que aconteceu não deveria ter acontecido, porque os tanques passam por ensaios de fogo (bonfire tests) que verificam se resistem às chamas ou se liberam o gás rápido o bastante para não romper.
Segundo o professor, os motores a GNC precisam de vela de ignição, ao contrário do diesel, o gás natural é relativamente difícil de queimar e exige temperatura alta ou faísca de tamanho razoável, os sistemas têm válvulas de alívio de pressão que liberam o gás automaticamente em caso de fogo e os tanques são projetados para resistir a cerca de 20 minutos de incêndio.
McTaggart-Cowen não quis especular sobre a causa, mas disse que a colisão entre os dois ônibus pode ter rompido a linha de combustível de GNC, o que poderia ter levado ao incêndio.
Josipa Petrunic, diretora-executiva do Canadian Urban Transit Research and Innovation Consortium, contou que há perto de 1.000 ônibus a GNC rodando no Canadá, que os tanques, mantidos sob alta pressão, são a parte “mais pesada e mais robusta” do veículo e que os ônibus passam por protocolos de ensaio como o de Altoona, num laboratório na Pensilvânia, que avalia falhas mecânicas e elétricas e vazamento de combustível.
A Calgary Transit informou que trabalha com os investigadores e vai avaliar sua operação com GNC para saber se são necessárias mais medidas de segurança, e Petrunic disse esperar que, se houver uma lacuna, o caso resulte em normas mais seguras.
Fonte original: CBC News, Kelsea Arnett, 22.Out.2026.
Marcadores: explosão, gás natural veicular, transporte público, investigação de acidente, Canadá.