Fabricante do GrayKey diz manter iPhones apreendidos acessíveis mesmo depois do reinício automático de 72 horas

A Magnet Forensics, empresa que fabrica o GrayKey, aparelho usado pela polícia para desbloquear celulares e extrair dados, afirma ter conseguido manter iPhones apreendidos num estado mais acessível à perícia mesmo depois do reinício automático criado pela Apple, segundo um vídeo de treinamento obtido pelo site 404 Media e descrito pelo MacDailyNews em 2 de outubro de 2026.
O reinício por inatividade
A Apple incluiu no iOS 18 o recurso chamado reinício por inatividade (inactivity reboot), reforçado no iOS 18.1, que reinicia sozinho o iPhone que passa 72 horas sem ser desbloqueado e o devolve ao estado chamado Before First Unlock (BFU), anterior ao primeiro desbloqueio.
No estado BFU, as chaves que decifram a maior parte dos dados do usuário ficam presas no Secure Enclave, o chip de segurança do aparelho, até que a senha seja digitada de novo, enquanto no estado After First Unlock (AFU), depois do primeiro desbloqueio, parte dos dados fica sem criptografia e pode ser extraída com mais facilidade pelas ferramentas periciais, mesmo com a tela bloqueada.
Quando o recurso apareceu, em novembro de 2024, policiais reclamaram porque muitas vezes o celular apreendido não pode ser examinado logo, seja porque se espera autorização judicial, seja porque há fila de aparelhos no laboratório, e a própria Magnet confirmou na época ao site TechCrunch que o prazo era de 72 horas.
O que o vídeo mostra
O vídeo, descrito como um tutorial feito só para agentes da lei e aparentemente de início de 2025, apresenta um aparelho novo, o GrayKey Preserve, e uma função para os GrayKey já existentes, o modo Evidence Preservation, e um funcionário da Magnet diz que os dois “capturam” o estado AFU do iPhone, de modo que ele não se perde se o aparelho reiniciar “por qualquer motivo, manutenção de memória ou falta de energia”.
Segundo o MacDailyNews, o GrayKey Preserve é descrito como uma unidade de campo sem capacidade própria de quebra de senha ou de extração completa, cuja função é segurar o estado do aparelho até que um GrayKey de laboratório faça a cópia, e o modo Evidence Preservation segue a mesma lógica: obter o acesso inicial, congelar o estado e esperar a autorização para extrair os dados.
O vídeo diz ainda que as ferramentas impedem a limpeza programada que apagaria com o tempo dados como localizações em cache, fotos apagadas recentemente e mensagens do iMessage, e que, depois da conexão inicial, cortam a rede celular, o Bluetooth e o Wi-Fi para que o aparelho não possa ser apagado ou atualizado à distância.
O que não se sabe
A gravação não explica o método técnico, e a pesquisadora de segurança Jiska Classen, que em 2024 demonstrou o reinício de 72 horas, levantou ao 404 Media a hipótese de que a Magnet manipule o relógio do iPhone ou desligue os processos que fazem certos dados expirarem, o que continua sendo uma hipótese de fora, não algo mostrado no vídeo.
A Apple e a Magnet Forensics não responderam aos pedidos de comentário do 404 Media, e, segundo o 9to5Mac, não está claro há quanto tempo a técnica está disponível para a polícia, se já foi usada em investigações reais nem se continua funcionando nas versões mais recentes do iOS.
Na avaliação do MacDailyNews, se a descrição da Magnet estiver correta, o órgão que conectar o Preserve ou ativar o modo Evidence Preservation antes de vencerem as 72 horas pode manter o aparelho no estado AFU enquanto espera a ordem judicial, sem que o celular volte sozinho ao estado mais protegido.
Fonte original: MacDailyNews, 02.Out.2026.
Marcadores: perícia digital, extração de dados, iPhone, GrayKey, preservação de prova, Apple.