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NEXO CAUSAL
Falhas estruturais e colapsos

Inquérito sobre escola que desabou em Peshawar culpa o dono por material abaixo do padrão e aponta falha de órgãos públicos

Soldados e socorristas do Rescue 1122 reunidos no corredor da escola, isolado por fita, depois do desabamento do teto em Peshawar
Foto: Reuters, conforme Arab News Pakistan

A comissão de inquérito criada para apurar o desabamento do teto de uma escola particular em Dir Colony, bairro de Peshawar, no noroeste do Paquistão, responsabilizou o dono pelo uso de materiais de construção abaixo do padrão e apontou negligência de órgãos do governo, segundo nota do gabinete do governador da província de Khyber Pakhtunkhwa divulgada na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, e noticiada pela Arab News Pakistan.

O desabamento

O teto da escola, chamada de Al-Khair Education Center pela Arab News e de Al-Khair Education System School pelo site Nukta, desabou durante as aulas na manhã de quinta-feira, 15 de outubro de 2026, e matou 34 crianças e uma professora, segundo a Arab News, enquanto outros veículos trazem números diferentes, como o Nukta, que fala em 33 crianças mortas.

O chefe de polícia da capital da província, Mian Saeed, disse à agência Reuters, em declaração reproduzida pela Arab News, que mais de 110 alunos assistiam às aulas no prédio, que ele descreveu como de três andares, quando o teto caiu, por volta das 8h48, e que a estrutura era fraca e o teto estava sobrecarregado por construção feita em cima dela.

Saeed também disse que pôr alunos de três turmas num prédio tão frágil, numa viela tão apertada, foi uma grande negligência, e o resgate durou de quatro a cinco horas, segundo a Arab News, sem máquinas pesadas, porque o prédio continuava instável e as ruas estreitas impediam a aproximação dos equipamentos, como explicou um porta-voz do serviço de resgate à ARY News.

O que os relatórios técnicos encontraram

A comissão montou suas conclusões a partir de relatórios separados da zona leste da prefeitura de Peshawar (Capital Metropolitan Government Peshawar), da administração do distrito e da polícia, segundo o Departamento de Educação da província, citado pelo Nukta.

O relatório da zona leste, descrito pelo jornal The Nation em 21 de outubro de 2026, diz que o prédio foi construído em 2011 como residência de térreo e mais um pavimento, quando a área estava sob a administração municipal Town-IV, e só depois passou a abrigar a escola, mas a planta aprovada não foi encontrada nos registros atuais da prefeitura.

Segundo o mesmo relatório, as paredes do térreo eram de blocos de cimento e o teto desse pavimento se apoiava em vigas de ferro com telhas, enquanto as paredes do pavimento superior não tinham reboco e a cobertura era de tábuas de madeira com tijolos por cima, uma cobertura que o documento chamou de provisória e imprópria para uso escolar.

A conclusão do relatório é que a estrutura não suportou o peso somado das crianças e dos móveis, e o Nukta acrescenta que a parte do pavimento superior caiu sobre o térreo, enquanto o The Nation registra que desabou a parte de trás de uma sala de aula.

O documento da prefeitura diz também que, visto de fora, o prédio não parecia perigoso, o que impediu o inspetor de controle urbano de identificá-lo como risco, e lembra que cabe à autoridade reguladora das escolas particulares registrar, supervisionar e acompanhar essas instituições.

Registro e vistoria da escola

O diretor-executivo da autoridade reguladora das escolas particulares de Khyber Pakhtunkhwa (KP-PSRA), Javed Iqbal, disse, segundo a ARY News, que a escola foi registrada em março de 2026 e que os investigadores souberam que não havia técnicos presentes na vistoria da escola.

Iqbal afirmou que a presença de técnicos nas vistorias é indispensável, porque nelas se avaliam o número de salas, as fundações e as condições estruturais do prédio, explicou que, no registro, as salas e as instalações são examinadas e se espera que especialistas em construção vistoriem o prédio e entreguem um relatório, e disse que o órgão não tem poder para fechar escola não registrada nas regras atuais.

Processo criminal

A polícia prendeu o dono da escola logo depois do desabamento e registrou boletim de ocorrência (First Information Report, FIR) na delegacia de Agha Mir Jani Shah contra os donos, os sócios e o empreiteiro que construiu o prédio, com base nos artigos 148, 322 e 149 do Código Penal do Paquistão, por mortes atribuídas a negligência, segundo a ARY News, e a Arab News registra que a acusação inclui causar morte sem intenção de matar.

O boletim aponta o uso de material de construção abaixo do padrão, descreve o prédio como deteriorado e impróprio para uso e afirma que os donos não atenderam a reclamações anteriores sobre o estado das paredes e dos tetos, inclusive de alunos, segundo a ARY News, e parentes de vítimas disseram à Reuters, conforme a Arab News, que já tinham reclamado com o dono da infiltração de água de chuva nas salas.

Um relatório da polícia enviado pelo superintendente de operações ao chefe de polícia da capital atribuiu o desabamento à idade e à má construção do prédio, mas registra que a responsabilidade ainda não foi definida e que a investigação continua, segundo o Economy.pk e o Daily Qudrat.

O que o governador decidiu

O governador Faisal Karim Kundi recebeu o relatório numa reunião com dirigentes da educação, o secretário-chefe da província e membros da comissão, que expuseram as causas do desabamento, os depoimentos de servidores, as responsabilidades de cada órgão e as recomendações, e a nota oficial diz que ele foi informado da negligência dos órgãos envolvidos, mas não nomeia os servidores nem detalha as falhas.

Kundi mandou consultar o departamento jurídico da província sobre as consequências legais do relatório e tomar medidas rigorosas contra os responsáveis, mas a nota não anunciou novas prisões, processos ou punições disciplinares, nem trouxe resposta do dono ou dos órgãos criticados, segundo a Arab News.

Depois do desabamento, o governo provincial criou comissões distritais para vistoriar os prédios das escolas particulares em busca de defeitos estruturais e riscos à segurança, com três dias para entregar os relatórios, segundo a ARY News, e Kundi mandou preparar uma lei que permita fechar as escolas que não cumprirem os padrões de segurança, segundo o Nukta.

Fonte original: Arab News Pakistan, Rehmat Mehsud, 28.Out.2026.

Marcadores: desabamento, escola, material de construção, fiscalização de obras, Paquistão.

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