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NEXO CAUSAL
Falhas estruturais e colapsos

Varandas que desabam na Grécia: engenheiro aponta corrosão da armadura e os sinais que pedem inspeção

Ilustração da face inferior de uma varanda de concreto antiga, cheia de trincas
Imagem ilustrativa gerada por IA

A sequência de quedas de varandas nos últimos anos na Grécia, com casos em Neos Kosmos, bairro de Atenas, em janeiro de 2026, em Lavrio, em outubro de 2025, e antes disso em Creta e em Tessalônica, reacendeu no país o pedido de inspeções sistemáticas em prédios antigos, e o engenheiro Christos Zeris explicou ao site protothema.gr que trincas, manchas de ferrugem e pedaços de concreto que se soltam podem indicar corrosão da armadura, segundo reportagem publicada em 29 de outubro de 2026 pela edição em inglês do ProtoThema.

Zeris é professor da Escola de Engenharia Civil da Universidade Técnica Nacional de Atenas (NTUA) e presidente da Seção Grega da American Society of Civil Engineers (ASCE), e na entrevista tratou das gerações de prédios mais vulneráveis, de como a corrosão avança e de por que a inspeção deveria ser rotina, e não providência tomada só depois de um acidente.

Por que os prédios antigos são mais vulneráveis

Segundo o professor, nos prédios antigos a proteção do aço contra a corrosão era menos eficaz, porque o concreto era mais poroso e o cobrimento das barras era mais fino que o usado hoje, de modo que a corrosão pode começar mais cedo, principalmente perto do mar ou em áreas industriais.

Ele afirma que, pelas estatísticas, os prédios das décadas de 1960 e 1970 são os mais vulneráveis, mas que a idade sozinha não define o estado da estrutura, porque a qualidade dos materiais, da mão de obra e da fiscalização na obra pesa tanto quanto, e diz já ter visto prédios da década de 1970 resistirem bem à corrosão e prédios de apenas 20 anos com problemas.

Como exemplo, citou um prédio antigo no bairro de Exarchia, em Atenas, construído sob uma lei de 1936, cujo abrigo antiaéreo no subsolo ficou alagado durante anos e ainda assim foi encontrado em bom estado, resultado que ele atribui às especificações mais altas de concreto exigidas para aquela estrutura.

Os sinais de alerta

Zeris explica que a corrosão faz o aço expandir, porque o óxido de ferro ocupa um volume muito maior que o metal original, o que cria pressão interna no concreto em volta e abre trincas na superfície que aceleram o processo, enquanto ao longo dos anos a barra perde parte da seção e a aderência com o concreto piora, e por isso trincas que acompanham as barras, sobretudo com sinais de oxidação, pedem inspeção e reparo do trecho.

Essas trincas podem aparecer em pilares, paredes estruturais, vigas e varandas de concreto armado, e a umidade também conta, porque a água que entra por juntas, inclusive juntas danificadas por terremotos, ou por superfícies deterioradas pode chegar a elementos que normalmente seriam considerados protegidos, o que inclui andares baixos, partes encostadas em imóveis vizinhos e, no térreo, a umidade que sobe do solo.

O professor ressalta que só um engenheiro habilitado pode avaliar dano estrutural, porque nem toda trinca vem da corrosão, e que a posição, a forma e a presença de ferrugem, umidade ou desplacamento do concreto definem o peso de cada uma.

Varandas pedem atenção especial

Nas varandas, a corrosão pode avançar em pontos difíceis de inspecionar, por baixo de mármore, cerâmica e outros revestimentos de piso, e Zeris diz que com frequência, por erro de execução, a armadura superior não foi posicionada corretamente, enquanto a fissuração progressiva contribui para a corrosão dela.

Por isso, segundo ele, a inspeção não deve se limitar à superfície em que se pisa e precisa incluir a face inferior exposta e os pontos de apoio da varanda, e o concreto que se solta por baixo dela nunca deve ser tratado como defeito estético, porque até um fragmento pequeno caindo de grande altura pode ferir gravemente, e o caso pede avaliação de engenharia e, quando necessário, medidas imediatas de segurança e reparo.

O professor lembra que a perda de massa da armadura não se recupera sozinha e que hoje é possível desacelerar ou interromper o processo com intervenções adequadas, desde que o diagnóstico seja preciso e feito a tempo, com soluções que vão de proteção adicional contra corrosão e recuperação do concreto à troca de trechos por concreto novo, menos poroso e com inibidores de corrosão, à substituição de armadura e ao reforço estrutural, sem uma receita única para todos os prédios.

Exposição ambiental e prioridade nas inspeções

Cloretos levados pelo ar, como o sal da maresia, aceleram a corrosão, enquanto a poluição industrial e o dióxido de carbono da atmosfera enfraquecem a proteção que o concreto dá ao aço, e Zeris também cita o uso excessivo de sal de degelo, além de observar que a distância de 1,5km do mar usada como critério de exposição a cloretos marinhos nem sempre reflete a realidade, porque o relevo e o vento podem levar e reter sal a distâncias maiores.

Para ele, uma abordagem nacional deveria começar pelo mapeamento das condições ambientais, com medições ao longo do ano das concentrações de cloretos e de dióxido de carbono no ar em cada região, somadas às condições do solo, à umidade ascendente e aos sais agressivos de outras origens, como os fertilizantes em áreas agrícolas, para definir as áreas mais afetadas e só então classificar os prédios por idade, tipo estrutural e exposição.

A avaliação não precisa ficar na inspeção visual, segundo o professor, porque engenheiros podem fazer no local ensaios não destrutivos no concreto, a custo relativamente baixo e sem afetar de forma significativa a estrutura, para verificar se há corrosão e até onde ela avançou, e a mensagem central da entrevista é que a deterioração precisa ser identificada e tratada antes de virar acidente.

Fonte original: ProtoThema English, Αλεξία Αμβράζη, 29.Out.2026.

Marcadores: varanda, corrosão de armadura, concreto armado, inspeção predial, Grécia.

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