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NEXO CAUSAL
Prova pericial no tribunal

Julgamento de ex-presidente da Câmara de Michigan é adiado por disputa sobre a perita contábil da acusação

Homem de terno azul sentado entre outras pessoas numa sala de audiências
Foto: Simon Schuster/Bridge Michigan, conforme Bridge Michigan

O julgamento de Lee Chatfield, ex-presidente da Câmara dos Deputados de Michigan (Estados Unidos), foi adiado de novo em 21 de setembro de 2026, depois que a advogada dele anunciou recurso contra a decisão que admitiu a contadora forense Michelle Gallagher como perita da acusação, segundo reportagem de Simon D. Schuster publicada pelo Bridge Michigan no mesmo dia.

A decisão sobre a perita

A juíza Morgan Cole, do tribunal do condado de Ingham, decidiu que Gallagher poderá depor no julgamento, e a advogada de Chatfield, Mary Chartier, anunciou que vai recorrer, alegando que a perita não tem experiência suficiente para atuar como especialista e contestando o relatório financeiro que ela assinou.

Segundo a rádio Michigan Public, Chartier disse que a experiência da perita não tem relação com as especificidades do caso e que a procuradoria só informou que ela seria testemunha no julgamento menos de um mês antes da data marcada, e ao Bridge Michigan a advogada afirmou que a defesa pediu a exclusão da perita menos de três semanas depois de receber o aviso.

A procuradoria pediu à juíza que não suspendesse o julgamento por causa do recurso, e o procurador-assistente Dan Gunderson chamou o pedido de “frívolo e nada além de uma tentativa de adiar ainda mais o dia do acerto de contas do senhor Chatfield”.

A juíza disse que estava de mãos atadas pelas regras dos tribunais estaduais e que não tinha escolha senão suspender o processo, e a seleção dos jurados, marcada para o dia seguinte, não aconteceu.

O peso do relatório contábil

O depoimento de Gallagher é considerado central na acusação, e na audiência preliminar, mais de 18 meses antes, ela apresentou uma análise dos extratos das contas de arrecadação política, com um relatório que classificava cada gasto como permitido ou questionável.

Gallagher disse naquela audiência que, ao longo de um ano, entre 2020 e 2021, o casal Chatfield lançou mais de US$ 153 mil em cartões de crédito pessoais, e que o Peninsula Fund, principal entidade política sem fins lucrativos de Chatfield, administrada por dois assessores, pagou mais de US$ 152 mil dessa dívida.

Segundo a perita, quase US$ 21,7 mil eram despesas indevidas, entre elas ingressos para os estúdios da Universal na Flórida, um jantar de US$ 1.353 em Naples, quase US$ 1 mil em lavanderia e mais de US$ 650 em roupas.

Acusação e prazo

Chatfield, republicano que presidiu a Câmara em 2019 e 2020, responde a 13 acusações de crimes graves, entre elas a de comandar uma organização criminosa ao usar contas de arrecadação política para pagar viagem ao Caribe e compras de luxo, e se declarou inocente.

A mulher dele e os dois assessores fizeram acordo com a Justiça e receberam liberdade condicional, e os assessores se comprometeram a depor contra o ex-chefe.

O recurso vai para a Corte de Apelação de Michigan e pode levar de semanas a meses, o que pode empurrar o julgamento para 2027, depois da saída da procuradora-geral Dana Nessel, que chamou o adiamento de “ultrajante e fora do comum”.

A juíza Cole disse que, quando o processo voltar, ele será o caso mais antigo da sua pauta e terá prioridade, e completou que “justiça atrasada é justiça negada”.

Fonte original: Bridge Michigan, Simon D. Schuster, 21.Set.2026.

Marcadores: prova pericial, perícia contábil, admissibilidade, Michigan, Estados Unidos.

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