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NEXO CAUSAL
Incêndios e explosões

Tubo de gás que o Texas mandou retirar há 25 anos é ligado a explosão de casa em Lake Dallas

Bombeiros caminham por uma rua residencial coberta de destroços e fragmentos de material isolante, com fumaça e viaturas ao fundo
Foto: cortesia de Jeff Ahring, conforme FOX 4 Dallas-Fort Worth

O tubo plástico de gás natural do tipo Poly-1, que o Texas mandou as distribuidoras retirarem do subsolo há mais de 25 anos, foi apontado como a origem do vazamento que causou a explosão de uma casa em Lake Dallas, no norte do estado, em março de 2026, segundo investigação da equipe I-Team da CBS News Texas assinada pelo repórter Brian New e publicada em 6 de outubro de 2026.

A explosão em Lake Dallas

A explosão aconteceu em 19 de março de 2026 e destruiu uma casa na rua Moseley, a poucas quadras do centro da cidade, e vizinhos que correram ao local depois do estrondo encontraram uma mulher com queimaduras graves presa sob os escombros, que foi levada para a unidade de queimados do Parkland Hospital, segundo a NBC 5 Dallas-Fort Worth.

Na época, a prefeitura informou que a casa não tinha ligação de gás, e, numa reunião extraordinária da câmara municipal no início de abril, a Atmos Energy, distribuidora de gás da região, disse ter encontrado um vazamento na rede de distribuição sob a Wilson Drive, logo ao sul da rua Moseley, e ter mandado um pequeno trecho do tubo para análise em laboratório.

Kyle Slaughter, vice-presidente de operações da Atmos para a região Mid-Tex, afirmou na reunião que o tubo era de um material instalado no início dos anos 1970 por uma empresa antecessora, que a Atmos não sabia que ele ainda estava ali e que, desde que comprou o sistema em 2004, a distribuidora retira esse tipo de tubo sempre que o encontra.

Os investigadores concluíram depois que gás natural vazando causou a explosão e que a origem do vazamento foi um tubo Poly-1, segundo a CBS News Texas.

O tubo que já tinha causado mortes

O Poly-1 é um tubo plástico de gás natural de primeira geração, instalado nos anos 1970, que acumulou um histórico de trincas e vazamentos, em alguns casos seguidos de explosões, e a troca desse material ganhou força no Texas depois da explosão de 28 de janeiro de 2000 em Garland, que destruiu uma casa e matou um casal de idosos e a irmã da mulher.

Os investigadores atribuíram a explosão de Garland a um tubo Poly-1, e a Railroad Commission do Texas, agência estadual que fiscaliza a segurança dos dutos, mandou então a distribuidora TXU Gas identificar e retirar todo o Poly-1 que restava na sua rede.

Quando a TXU perdeu o primeiro prazo, a comissão aplicou multa, fixou novos prazos e exigiu relatórios de andamento, mas, quase três anos depois do fim desses prazos, técnicos que analisavam o caso para a comissão registraram que o trabalho “ainda não estava concluído”.

A TXU vendeu a rede para a Atmos em 2004, e, embora a Atmos diga que acreditava que todo o Poly-1 já tinha sido retirado quando assumiu o sistema, um registro da comissão de 2009 menciona a “substituição de tubo Poly 1” ainda em curso, o que indica que mais material continuava sendo encontrado e trocado anos depois.

A fiscalização sob questionamento

Os registros analisados pelo I-Team mostram tubos Poly-1 ainda sendo achados na rede anos depois do prazo fixado pelo estado, e, embora nenhuma agência consiga inspecionar fisicamente cada metro de tubo enterrado, não está claro que providências a comissão tomou para conferir se as distribuidoras concluíram a retirada que ela mesma ordenou.

Os três comissários eleitos que dirigem a Railroad Commission recusaram vários pedidos de entrevista, e a única resposta da agência veio por e-mail de um porta-voz, que, perguntado sobre o que foi feito para verificar a retirada do tubo, escreveu que, “por se tratar de parte de uma investigação em andamento”, a agência não podia comentar.

Virginia Palacios, diretora-executiva da Commission Shift, organização sem fins lucrativos que acompanha a Railroad Commission, disse à CBS que o estado não tem “um sistema rigoroso” para acompanhar o que as operadoras de fato fazem e chamou a agência de “muito fechada” e pouco transparente.

Fonte original: CBS News Texas, Brian New, 06.Out.2026.

Marcadores: explosão de gás, gás natural, tubulação, fiscalização, Texas, Estados Unidos.

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