Cigarro eletrônico pode pegar fogo na recarga e no descarte: estudo coreano reproduz sobrecarga, compressão e umidade

Chang-Hun Lee e Hui-Su Kang, do quartel de bombeiros do sul de Pohang (Pohang Nambu), na província de Gyeongsang do Norte, na Coreia do Sul, publicaram no volume 17, número 3, de setembro de 2026, da revista da Sociedade Coreana de Perícia de Incêndio (Fire Investigation Society of Korea) o estudo “Risco de incêndio por tipo de cigarro eletrônico”, que reproduz em laboratório três situações em que a bateria desses aparelhos pode dar início a um incêndio.
O artigo ocupa as páginas 75 a 87 do fascículo, está escrito em coreano e tem resumo em inglês, e o texto integral só é aberto por acesso institucional ou compra na base earticle, de modo que os números a seguir vêm do resumo e a organização do trabalho vem do sumário publicado na mesma página.
O ponto de partida: as estatísticas de baterias
Os autores partem das estatísticas da Agência Nacional de Bombeiros da Coreia do Sul (Korean Fire Agency), que registrou 678 incêndios ligados a baterias de íons de lítio no país nos cinco anos de 2020 a 2024, a maior parte em patinetes e bicicletas elétricas, mas com ocorrências contínuas envolvendo cigarros eletrônicos recarregáveis e descartáveis.
Segundo o resumo, a preocupação com a segurança contra incêndio cresce à medida que o uso desses aparelhos se espalha, principalmente entre adolescentes.
O sumário mostra que, antes dos ensaios, o trabalho define o cigarro eletrônico e o descartável, discute os fatores que levam esses aparelhos a pegar fogo, analisa as estatísticas de incêndio e descreve casos reais de incêndio.
Três modos de falha reproduzidos
Os ensaios foram feitos com baterias de íons de lítio e de polímero de lítio do tipo usado em cigarros eletrônicos, e cada um reproduz uma condição crítica de falha: a sobrecarga, a compressão mecânica e o vazamento do líquido do aparelho (o e-líquido) combinado com a entrada de umidade.
O primeiro ensaio mede a possibilidade de ignição por sobrecarga, que é a carga da bateria além do limite para o qual ela foi feita, situação que nos aparelhos comuns é barrada por um circuito de proteção que interrompe a corrente.
Sem circuito de proteção funcionando, a bateria entrou em fuga térmica entre 45 e 75 segundos depois do início da sobrecarga, com ruptura ou explosão da célula, e fuga térmica é o processo em que a reação interna da bateria gera mais calor do que ela consegue dissipar e passa a se alimentar sozinha.
O segundo ensaio trata do dano físico por esmagamento, e cargas acima de 150kgf (1,47kN) provocaram curto-circuito interno e deformação térmica da bateria, o que, segundo os autores, indica risco de ignição na fase de descarte.
O terceiro ensaio expôs o conjunto por tempo prolongado ao e-líquido e à umidade, e esse contato degradou o circuito de proteção e resultou em ignição retardada (delayed ignition).
O que os autores concluem
Para os autores, os resultados confirmam que o incêndio provocado por cigarro eletrônico pode começar não só durante o uso e a recarga, mas também no descarte, conforme o modo de falha da bateria.
O resumo aponta a necessidade de melhorar as práticas de recarga, de projetar circuitos de proteção resistentes à entrada de líquido e de organizar o descarte dos cigarros eletrônicos que contêm bateria.
Limites do que está publicado
O resumo não informa quantas baterias foram ensaiadas, a capacidade e a tensão de cada uma, a corrente de sobrecarga usada, a velocidade da compressão nem o tempo de exposição ao líquido e à umidade, e esses dados, assim como a descrição dos casos reais e das estatísticas analisadas, estão no texto integral.
A sociedade que publica a revista foi fundada em 2009 para desenvolver a perícia científica de incêndio, a determinação de causa e a prevenção, e a revista é trimestral e indexada no Korea Citation Index (KCI).
Para a investigação de origem e causa, o trabalho registra em ensaio de laboratório que o mesmo aparelho pode dar início a um incêndio no uso, na recarga e no descarte, e que, depois de exposição prolongada a líquido e umidade, a ignição pode vir com atraso.
Fonte original: Journal of the Korean Society of Fire Investigation (resumo na earticle), Chang-Hun Lee, Hui-Su Kang, 30.Set.2026.
Marcadores: cigarro eletrônico, bateria de lítio, fuga térmica, origem e causa, Coreia do Sul.