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NEXO CAUSAL
Prova pericial no tribunal

Linguística forense questiona transcrição de confissão que condenou homem por crime de 1988 na Austrália

Ilustração de uma caneta-tinteiro e um tinteiro sobre uma mesa de madeira, com uma folha de papel em branco ao lado
Imagem ilustrativa gerada por IA

Pesquisadores de linguística forense da Universidade de Melbourne, na Austrália, afirmam que a transcrição de uma confissão usada para condenar Stephen Jamieson por um assassinato de 1988 não pode ser tomada como o registro fiel do que ele disse à polícia.

O caso e a confissão

Segundo o comunicado dos autores, o crime aconteceu em 8 de setembro de 1988, quando uma jovem de 20 anos foi sequestrada, estuprada e morta, e a polícia prendeu inicialmente quatro jovens.

Duas semanas depois, Jamieson foi interrogado, e, em poucas horas, um detetive digitou uma confissão completa, que Jamieson assinou como registro de entrevista.

Em junho de 1990 Jamieson foi condenado à prisão perpétua, junto com outros dois jovens, e a apelação feita em 1992 não teve sucesso.

A análise de 2001

Em 2001 o linguista Rod Gardner analisou a transcrição e concluiu que era extremamente improvável que ela fosse um registro preciso das palavras do acusado.

Em depoimento, o detetive que digitou a confissão afirmou que a transcrição correspondia exatamente ao que Jamieson disse.

Segundo o relato dos pesquisadores, o juiz Bruce James reconheceu que a transcrição não trazia as palavras exatas de Jamieson e atribuiu as imprecisões à limitada habilidade do digitador, mas entendeu que o texto refletia o sentido de uma confissão genuína.

O experimento com digitadores

Para testar se um detetive conseguiria transcrever uma entrevista em tempo real, a equipe pediu a 30 digitadores qualificados que copiassem um trecho de três minutos de uma entrevista policial.

Os digitadores tiveram velocidade média de 68 palavras por minuto, mas a precisão média ficou em 34 por cento em relação à transcrição de referência.

Entre os participantes que digitavam cerca de 40 palavras por minuto, a precisão caiu para 20 por cento, o que indica que velocidade não basta para garantir um texto fiel.

O que os autores pedem

Os autores sustentam que as novas evidências reforçam a necessidade de revisar a condenação, e o pedido de revisão, segundo o comunicado, seria apresentado de novo nas semanas seguintes.

O comunicado lembra que o Inquérito Fitzgerald, realizado em Queensland em 1989, recomendou consideração especial para a revisão de condenações em que houve alegação de verballing, ou seja, de confissão registrada de forma irregular pela polícia.

Por que o caso importa para a perícia

Para a perícia, o caso mostra que uma transcrição feita por quem conduziu o interrogatório é um documento que precisa de análise técnica própria, e não pode ser aceita apenas pela assinatura do acusado.

A comparação entre o texto escrito e o que a entrevista de fato contém, somada a um teste controlado de digitação, foi o método que a linguística forense usou para questionar a confissão.

A fonte traz as conclusões como argumentos dos próprios autores, e a análise não tem decisão judicial posterior citada no comunicado, por isso a discussão segue aberta.

Fonte original: The Conversation, com comunicado da Universidade de Melbourne, 31.Out.2025.

Marcadores: linguística forense, confissão, transcrição, Austrália, revisão de condenação, verballing.

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