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NEXO CAUSAL
Prova pericial no tribunal

FTC processa empresa de Ohio que vendia perícia digital a vítimas de sextorsão e entregava relatórios fabricados

Ilustração de um corredor de escritório vazio à noite, com portas fechadas e luminárias acesas
Imagem ilustrativa gerada por IA

A Federal Trade Commission (FTC), a agência federal de defesa do consumidor dos Estados Unidos, processou em 13 de outubro de 2026 a Digital Forensics Corporation, empresa de Ohio que se apresentava como especialista em perícia digital, sob a acusação de ter levado vítimas de sextorsão a pagar pelo menos US$ 60 milhões por investigações que não fazia, com relatórios montados com dados inventados.

O que a empresa vendia

Sextorsão é o crime em que alguém ameaça divulgar fotos íntimas ou informações sexuais da vítima, em geral para familiares e empregadores, se ela não pagar, e era a vítimas em pânico com esse tipo de ameaça que a empresa se dirigia, com anúncios no Google, no YouTube e no X, segundo a FTC.

Pelo pacote que chamava de Fase 1, a empresa cobrava de US$ 1.499 a US$ 20.000 e prometia interromper o ataque, localizar o criminoso com uma “campanha de rastreamento”, conversar com ele, entregar um relatório de investigação detalhado, comunicar o crime à polícia e mandar uma notificação extrajudicial, segundo a ação descrita pelo The Record.

Depois vinha a Fase 2, vendida por mais alguns milhares de dólares como algo oferecido só em casos raros, embora, segundo a ação, todos os clientes fossem pressionados a comprá-la, com a promessa de monitorar continuamente as contas da vítima e a internet inteira contra novos ataques e de continuar avisando a polícia.

A ação diz que o esquema funcionou de fevereiro de 2023 a julho de 2026 e atinge, além da empresa, o dono e diretor-executivo, Dmitry Belkin, e outras onze empresas ligadas a ele.

O que a FTC diz que era falso

Segundo a queixa citada pelo The Record, em vez de falar com o criminoso pela conta da vítima, os funcionários costumavam só mudar as configurações da conta para bloquear as mensagens dele, algo que a própria vítima podia fazer sozinha, e, em vez de obter informações de investigação, fabricavam transcrições de conversa.

A empresa também reaproveitava coordenadas de localização já salvas, em geral da Nigéria e das Filipinas, para convencer os clientes de que tinha achado o criminoso, e, segundo a FTC, não comunicava o caso à polícia.

“Os réus se apresentam falsamente como especialistas em perícia digital, dizendo que conseguem rastrear e identificar quem pratica a sextorsão, impedir a divulgação do material explícito e trabalhar com a polícia para levar os criminosos à Justiça”, diz a queixa, segundo o The Record.

A FTC também acusa os funcionários de dizer às vítimas que a polícia não as ajudaria e de mandar que não bloqueassem o criminoso e deixassem a comunicação com a empresa, ao contrário da orientação do FBI, que recomenda ignorar e bloquear quem pratica a sextorsão, conduta que, segundo a queixa, os funcionários chamavam de “a última coisa que você quer fazer”.

Medo sob medida e avaliações compradas

As ligações de venda seguiam um roteiro adaptado ao medo de cada vítima, e, segundo a ação, militares ouviam que podiam ser expulsos das Forças Armadas por má conduta, enquanto pessoas casadas eram avisadas de que o criminoso podia procurar o cônjuge e os sogros.

A FTC também acusa a empresa de criar avaliações positivas falsas, com funcionários na Índia e com motoristas de Uber pagos para publicar depoimentos com fotos encenadas sem nunca ter usado o serviço, de pressionar clientes a avaliar antes de receber o serviço e de esconder as avaliações negativas.

Clientes insatisfeitos eram mandados a sites falsos do Better Business Bureau (BBB), a entidade americana que registra reclamações contra empresas, e Ericka Dilworth, vice-presidente de operações do BBB da região de Cleveland, disse à emissora News 5 Cleveland que os consumidores achavam que falavam com o BBB, mas os sites eram controlados pela empresa.

Muitos clientes pediram reembolso com base na política do contrato e não foram atendidos, e alguns ouviram que só teriam devolução parcial se apagassem as avaliações negativas, segundo a queixa citada pelo The Record.

A decisão e o que vem agora

A ação foi proposta no tribunal federal do Distrito Norte de Ohio, que atendeu ao pedido da FTC e suspendeu temporariamente as atividades da empresa e de Belkin enquanto o processo corre, e a Comissão aprovou a ação por 2 votos a 0.

A FTC acusa os réus de violar a lei que criou a própria agência (FTC Act), a regra de vendas por telefone (Telemarketing Sales Rule), a regra sobre avaliações e depoimentos de consumidores (Reviews and Testimonials Rule) e a lei Gramm-Leach-Bliley, que trata da proteção de dados financeiros, por obter informações financeiras com declarações falsas.

“A Digital Forensics se aproveita de consumidores que já estão em crise”, disse Christopher Mufarrige, diretor do Bureau of Consumer Protection, o departamento de defesa do consumidor da FTC, e a agência agradeceu ao BBB de Cleveland e ao National Center for Missing & Exploited Children, centro americano de proteção a crianças desaparecidas e exploradas.

A FTC lembra que só entra com uma ação quando tem motivo para acreditar que a lei está sendo violada, e que quem decide o caso é o tribunal, enquanto o The Record informa que a agência recebeu centenas de reclamações sobre a empresa, que não respondeu aos pedidos de comentário do veículo nem da News 5 Cleveland.

Em março de 2025, o jornal USA Today já tinha publicado uma reportagem com acusações parecidas, segundo a qual a empresa oferecia parcelamento com juros de até 18% e ligava dezenas de vezes para cobrar os clientes.

Na reportagem da News 5 Cleveland, o BBB e o FBI orientam as vítimas de sextorsão a não pagar, a parar de responder e bloquear o criminoso, a guardar as mensagens como prova e a denunciar o crime à polícia, e lembram que há serviços gratuitos para pedir a retirada das imagens, como o Take It Down, para menores, e o StopNCII, para adultos.

Fonte original: Federal Trade Commission (FTC), 13.Out.2026.

Marcadores: perícia digital, sextorsão, fraude, FTC, Ohio, Estados Unidos.

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