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NEXO CAUSAL
Reconhecimento facial

Estudo do NIST mostra que especialistas em comparação facial acertam vendo um único traço do rosto, e preferem a orelha

Fonte: PLOS ONE
Esquema da tela do experimento, com dois rostos de referência à esquerda, um rosto coberto de preto com só os olhos à mostra no centro e a lista de traços que o participante podia revelar à direita
Figura: Hahn, Phillips, Grantham e Yates, PLOS ONE (domínio público, CC0)

Um estudo publicado em 21 de outubro de 2026 na revista científica PLOS ONE por Carina A. Hahn, P. Jonathon Phillips e Amy N. Yates, do laboratório de tecnologia da informação do National Institute of Standards and Technology (NIST), a agência de padrões dos Estados Unidos, e por John D. Grantham, da empresa Systems Plus, mediu quais partes do rosto os especialistas em comparação facial realmente olham para decidir uma identidade, e quais delas levam ao acerto.

O problema técnico

A comparação facial forense é o exame em que o especialista compara imagens de rosto para dizer se mostram a mesma pessoa ou pessoas diferentes, e as diretrizes do Facial Identification Scientific Working Group (FISWG), grupo internacional de pesquisadores e peritos, mandam fazer uma análise morfológica, isto é, descrever e comparar em detalhe os traços do rosto inteiro, método que também orienta o treinamento dado pela divisão de informações de justiça criminal do FBI (CJIS) às polícias americanas.

Os autores partem de pesquisas anteriores segundo as quais alguns traços, como orelhas, cicatrizes e pintas, dizem mais sobre a identidade do que outros, e lembram que as pessoas percebem o rosto como um todo, o que dificulta avaliar um traço isolado, e por isso perguntaram se o especialista deve comparar cada traço como aprendeu ou dar prioridade aos traços que carregam mais informação.

Como o experimento foi montado

As imagens vieram do teste Triad Identity Matching (TIM), do qual os pesquisadores tiraram as 40 tríades mais difíceis, e em cada tentativa o participante via dois rostos de referência, sempre de pessoas diferentes, e um terceiro rosto, o questionado, que era de uma delas e começava totalmente coberto.

O rosto questionado foi dividido em nove regiões, bochechas, queixo, orelhas, olhos, sobrancelhas, testa, pescoço, nariz e boca, a partir de 68 pontos de referência marcados automaticamente com a biblioteca de aprendizado de máquina dlib, e os limites das regiões foram ajustados com gerentes de projeto do FBI e um examinador facial do FBI, que por isso ficou fora do teste.

Antes do experimento principal, 34 voluntários do NIST e do FBI que não eram especialistas deram notas de semelhança, numa escala de 0 a 4, para cada traço dos pares de referência, e essas notas mostraram que, em média, as orelhas eram o traço que mais variava entre pessoas diferentes e o pescoço o que menos variava, com grande dispersão em todos os traços.

O experimento principal teve 27 participantes de órgãos federais que declararam experiência ou formação em comparação facial, ouvidos entre outubro de 2023 e julho de 2024, cada um em 24 tentativas, num total de 648, e eles foram divididos em dois grupos, um que escolhia quais traços revelar e outro em que a ordem era imposta, ora do traço mais parecido entre as duas referências para o mais diferente, ora o contrário.

Um sistema de pontos desestimulava revelar demais e chutar, porque cada acerto valia 100 pontos, cada erro tirava 200, o primeiro traço revelado era de graça e cada traço a mais custava 30 pontos.

O que foi encontrado

A taxa de acerto ficou alta e praticamente estável, qualquer que fosse o número de traços revelados, com médias estimadas entre 91,8% e 98,3% nos grupos de ordem imposta, e no grupo que escolhia os traços a queda para 76,9% com três traços revelados não foi estatisticamente significativa depois da correção para comparações múltiplas.

Quando escolhiam o que ver, os especialistas decidiram depois de revelar um único traço em 75,89% das tentativas e com dois traços em 16,67%, e quando a ordem começava pelo traço mais diferente decidiram com um traço em 55,13% das vezes, enquanto, quando começava pelo mais parecido, a decisão com um ou com dois traços ficou quase empatada, em 35,26% e 36,54%.

Nas 396 tentativas decididas com um só traço, a testa teve a maior probabilidade de acerto, de 0,94, mas com intervalo de confiança de 95% que descia a 0,71, e a orelha teve probabilidade de 0,93 com intervalo bem mais estreito, de limite inferior 0,88, enquanto pescoço, nariz e queixo se mostraram menos confiáveis, e o queixo, revelado primeiro em só três tentativas, errou nas três.

A orelha dominou as escolhas, porque respondeu por 74,32% dos acertos com um traço no grupo que escolhia, contra 9,46% do nariz, e cada participante usou o seu traço favorito, em média, em 54,26% das revelações, mas os especialistas também se adaptaram, porque revelavam menos os traços que pareciam parecidos nas duas referências e, quando a ordem imposta começava pelo traço mais diferente, acertaram com a orelha em 34,67% dos casos, com a boca em 18,67% e com o nariz em 14,67%.

Não houve relação consistente entre os traços preferidos e os que mais levaram ao acerto, com correlação de Pearson de 0,24 e p de 0,53, e os autores observam que a orelha foi ao mesmo tempo a mais usada e uma das mais precisas, enquanto a testa, a mais precisa quando vista sozinha, quase nunca foi escolhida, e nariz e boca foram escolhidos com frequência moderada, mas acertaram menos.

Os limites apontados pelos autores

Os próprios autores avisam que as condições do teste eram artificiais e não refletem a precisão no trabalho real, que as 40 tríades foram escolhidas entre as mais difíceis e podem ter propriedades da câmera e da foto que não se repetem em outros acervos, que as imagens eram sobretudo de pessoas brancas e do leste asiático e que o teste não incluiu fotos de câmera de segurança comparadas com fotos de identificação, nem variação de pose e iluminação.

Eles também apontam que não houve grupo de controle de leigos, que as regiões fixas podem ter cortado detalhes que atravessam os limites, como rugas, marcas e cicatrizes, que os participantes não podiam ampliar a imagem e que a forma de escolha entre duas pessoas pode não valer para o exame em que o especialista decide se duas imagens são ou não da mesma pessoa.

A queda de acerto com três traços revelados, segundo os autores, sugere que os especialistas podem ter se apoiado no traço visto por último em vez de somar o que já tinham visto, e eles lembram que, na prática, os examinadores usam fichas, listas de verificação e anotações para acumular e pesar a evidência do rosto inteiro, recurso que o teste não oferecia.

O que os autores dizem para a prática

Os autores escrevem que não propõem trocar a análise morfológica completa, em que a comparação de todos os traços disponíveis é a prática padrão do exame forense, mas que incluir nas diretrizes a utilidade relativa de traços como testa e orelha pode ajudar em triagens de grande volume e servir, no exame completo, como verificação final de que a informação mais útil foi considerada.

O trabalho foi financiado por um acordo entre o NIST e o FBI, que opinou sobre o desenho do estudo para aproximá-lo das condições de trabalho dos especialistas, mas não decidiu sobre a análise nem sobre a publicação, segundo a declaração de financiamento do artigo, e os dados das tentativas estão no repositório público do NIST.

Fonte original: PLOS ONE, Carina A. Hahn, P. Jonathon Phillips, John D. Grantham et al., 21.Out.2026.

Marcadores: comparação facial, análise morfológica, NIST, FBI, FISWG, Estados Unidos.

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