Teste de reconhecimento facial em estações de trem de Londres examinou mais de 500 mil rostos e teve um único alerta, que estava errado

A British Transport Police (BTP), polícia responsável pelas ferrovias da Inglaterra, da Escócia e do País de Gales, gastou mais de £320 mil num teste de seis meses de reconhecimento facial ao vivo em estações de trem de Londres que examinou mais de 500 mil rostos e gerou um único alerta, e esse alerta era um falso positivo, segundo reportagem de Carly Page publicada pelo The Register em 30 de setembro de 2026.
Os números foram obtidos pela organização Liberty Investigates por meio de pedidos de acesso à informação (Freedom of Information) e divulgados primeiro pelo jornal The Guardian.
O que os números mostram
Entre fevereiro e julho de 2026 a BTP fez 18 operações, e o teste custou £320.786 e consumiu quase 100 horas de trabalho de policiais, segundo o site ID Tech, que publicou os mesmos dados.
O sistema não produziu nenhuma correspondência correta, e nenhuma prisão resultou diretamente de um alerta, embora a BTP diga que os policiais fizeram outras prisões durante as operações, sem relação com a tecnologia.
O ID Tech informa ainda que a corporação relatou três alertas confirmados numa fase posterior do teste, já prorrogada, e lembra que esse resultado não muda a contagem da primeira fase.
Como o sistema funciona
O teste começou na estação London Bridge, em fevereiro de 2026, e usa o algoritmo NeoFace M40, da empresa NEC, com câmeras que captam os rostos numa área definida e os comparam com uma lista de procurados da polícia.
Quando o programa acha que encontrou alguém da lista, gera um alerta que um policial precisa revisar antes de decidir se aborda a pessoa, e a BTP diz que não consegue identificar quem não está na lista e que apaga na hora os dados biométricos dessas pessoas.
A corporação afirma também que as operações são feitas a partir de informações de inteligência, em pontos de maior criminalidade por onde acredita que passem infratores de alta periculosidade.
Críticas e prorrogação
“Os números do piloto de reconhecimento facial ao vivo da British Transport Police seriam risíveis se não tivessem implicações tão preocupantes para os nossos direitos e liberdades”, disse ao The Register Jasleen Chaggar, da organização Big Brother Watch, que defendeu o abandono da tecnologia pela polícia ferroviária.
Sarah Simms, da Privacy International, disse que o resultado mostra quantos inocentes têm os dados do rosto processados no caminho e que a polícia continua ampliando as operações sem que exista um marco legal específico para regular o reconhecimento facial.
Ainda assim, o teste foi prorrogado até novembro de 2026 e levado das estações da Network Rail para o metrô de Londres, começando pela estação Victoria, numa rede que, segundo o The Register, recebe mais de 3,7 milhões de viagens por dia nos dias úteis.
O ex-comissário britânico de biometria Fraser Sampson disse, segundo o ID Tech, que o resultado depende de onde e quando as câmeras são instaladas, de como a lista de procurados é montada e da chance de essas pessoas passarem pelo local.
Fonte original: The Register, Carly Page, 30.Set.2026.
Marcadores: reconhecimento facial, falso positivo, transporte público, Londres, Reino Unido.