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NEXO CAUSAL
Perícia digital

EUA acusam executivos da Oxygen Forensics de esconder que software pericial vendido ao governo era russo

Ilustração de um notebook e de celulares sobre uma mesa, ao lado de um cadeado e de um molho de chaves, sob uma luminária
Imagem ilustrativa gerada por IA

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, a prisão de dois dirigentes da Oxygen Forensics, empresa de extração e análise de dados de celulares que vendeu seu software a órgãos do governo americano, acusados de mentir sobre os verdadeiros donos da empresa e sobre o fato de o programa ser desenvolvido na Rússia, segundo reportagem de Suzanne Smalley publicada pelo The Record em 24 de setembro de 2026.

Os acusados

O diretor-executivo da Oxygen, Lee Reiber, de 55 anos, morador de Boise, no Idaho, foi preso no domingo, 20 de setembro de 2026, e solto mediante fiança, e o russo Oleg Sergeyevich Davydov, de 52 anos, morador de Moscou e diretor de tecnologia, foi detido no mesmo dia no aeroporto de Heathrow, em Londres, antes de embarcar para Istambul, segundo a OCCRP, e as autoridades americanas vão pedir a extradição dele.

Os dois respondem por conspiração para cometer fraude eletrônica (wire fraud), crime com pena de até 20 anos de prisão, e no mesmo dia 20 de setembro as autoridades apreenderam cerca de 57 domínios de internet, infraestrutura digital e contas bancárias da empresa.

O que diz a acusação

Segundo a acusação, apresentada numa queixa-crime (criminal complaint), Davydov e outros quatro russos eram os verdadeiros donos da empresa por meio de uma holding com sede no Chipre, embora a Oxygen tenha sede formal na Virgínia, e Reiber teria dito a órgãos interessados em contratar a empresa que o software era desenvolvido nos Estados Unidos, quando na verdade era feito na Rússia.

Os cinco russos também eram donos da empresa Oxygen Software LLC, de Moscou, hoje chamada MKO Systems LLC, onde Davydov era diretor de tecnologia e comandava o desenvolvimento, e, segundo o Departamento de Justiça, o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), o Comitê de Investigação russo e o Ministério do Interior compraram o mesmo software dessa empresa, vendido com outro nome.

Os promotores dizem que o esquema foi montado depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, quando os Estados Unidos ampliaram as sanções, e que os nomes dos russos foram retirados dos registros da empresa logo depois de Reiber assumir, em março de 2022, como diretor-executivo, presidente e presidente do conselho, enquanto os donos russos continuavam a tomar as decisões importantes, a fixar o salário dele, a desautorizá-lo em pagamentos e a assinar pelas contas bancárias.

Em novembro de 2023, quando um jornalista perguntou a Reiber sobre os vínculos russos, ele teria escrito a Davydov que a atenção da imprensa “poderia destruir toda essa oportunidade”, e, segundo os promotores, a oportunidade era um contrato pendente com o National Computer Forensics Institute (NCFI), ligado ao Serviço Secreto, que em setembro de 2024 assinou com a Oxygen um contrato de cinco anos com a declaração de Reiber de que a empresa não tinha nenhuma controladora acima dela.

Clientes no governo americano

Usaram os produtos da Oxygen o Serviço Secreto e o NCFI, a Homeland Security Investigations, o gabinete do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna e o Departamento de Defesa, e, segundo o CyberScoop, a queixa-crime afirma que os responsáveis pelas compras disseram que não teriam fechado nem renovado os contratos se soubessem que a empresa era russa.

O Departamento de Justiça afirmou que a queixa-crime não acusa o software de conter código malicioso nem de ter sido usado para acesso não autorizado aos sistemas ou dados dos clientes, e, como lembrou a OCCRP, o documento traz acusações e os dois são presumidos inocentes até prova em contrário.

Natalia Krapiva, consultora jurídica sênior da organização Access Now, disse ao The Record que nenhuma ferramenta de vigilância deveria chegar perto de uma investigação americana antes que se saiba quem é o dono, quem a desenvolve e para quem mais ela é vendida, e que o mesmo software vendido à polícia americana foi usado pelo FSB para extrair dados dos celulares de russos contrários à guerra.

Fonte original: The Record from Recorded Future News, Suzanne Smalley, 24.Set.2026.

Marcadores: perícia digital, software forense, extração de dados, fraude em contratação, Rússia, Estados Unidos.

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