Caso Nolan Wells: perito que examinou o celular esclarece o que foi apagado e diz que o aparelho não foi desbloqueado

O perito em forense digital Andrew Garrett, fundador da Garrett Discovery e contratado pela equipe do advogado de direitos civis Ben Crump, que representa a família de Nolan Wells, voltou a público dias depois de uma entrevista coletiva para esclarecer o que quis dizer com “coisas apagadas” do celular do jovem de 18 anos, segundo reportagem de Amy Schafer e Nick Judin publicada pelo Mississippi Free Press em 29 de setembro de 2026.
O caso
Nolan Wells foi de barco com um grupo grande de amigos até Horn Island, no Mississippi, para comemorar o 4 de julho, e, depois que o barco em que tinha ido começou a fazer água, parte do grupo decidiu voltar ao continente enquanto ele ficou na ilha dizendo que voltaria em outra embarcação, até desaparecer e ter o corpo encontrado na ilha em 6 de julho.
Na semana da entrevista coletiva, a promotora do condado de Jackson, Angel McIlrath, anunciou que o grande júri não apresentou denúncia por nenhum crime relacionado à morte, e tanto a necropsia oficial quanto a necropsia independente pedida pela família classificaram a causa e a circunstância da morte como indeterminadas, enquanto o relatório do grande júri tratou o afogamento como um diagnóstico de exclusão, ou seja, a causa provável depois de descartadas as demais.
O que a perícia do celular apontou
Na entrevista coletiva de 24 de setembro de 2026, em Orlando, Garrett disse que os dados mostram que o celular de Nolan ficou no barco o tempo todo e que o último acesso dele ao aparelho foi por volta das 14h18, e afirmou que “coisas foram apagadas do telefone” entre esse último uso e o momento em que os pais receberam o aparelho, especificando, a pedido de um advogado da equipe, que se tratava de mensagens do Snapchat.
O perito disse que não pode falar sobre intenção, porque isso não é da área dele, e que o exame levou cerca de 30 horas, bem mais do que as extrações comuns de uma ou duas horas, porque Nolan usava uma versão nova do Snapchat que o programa de extração não suportava, o que obrigou a equipe a decifrar os dados manualmente e remontar as mensagens.
Segundo Garrett, havia mais de 1 milhão de artefatos de dados no aparelho, Nolan usava Snapchat e Instagram em 90% das comunicações, e a equipe produziu também um vídeo com o trajeto do aparelho pelo GPS ao longo do dia, sincronizado com as mensagens e ligações.
O esclarecimento do perito
Numa transmissão ao vivo pelo TikTok, publicada no YouTube em 24 de setembro de 2026, Garrett já tinha dito que é preciso cuidado com a palavra “apagado”, porque no Snapchat quem participa da conversa pode apagar à distância as mensagens que enviou, e que algumas mensagens foram recolhidas e apagadas do aparelho dessa forma.
Em outro trecho da transmissão, publicado no Facebook pela cineasta Ashley Brant em 27 de setembro de 2026, o perito afirmou que o último desbloqueio do aparelho foi feito pelo próprio Nolan, por volta das 14h18 de 4 de julho, e que o celular ficou bloqueado até ser entregue aos pais, às 3h14 de 5 de julho.
Garrett disse que não afirmou que alguém desbloqueou o telefone e começou a apagar dados, e que as interações registradas depois do último uso foram de pessoas que acenderam a tela e viram as notificações, sem desbloquear o aparelho, e um representante do escritório dele confirmou ao Mississippi Free Press que as declarações da transmissão estavam corretas.
A disputa sobre a extração completa
A promotora McIlrath, em vídeo publicado antes da entrevista coletiva, disse que o relatório preliminar da extração indicava que o telefone não tinha sido acessado por ninguém além da família e que nada tinha sido apagado desde o último uso de Nolan, e informou que o grande júri analisou um relatório de 282 páginas.
Garrett afirmou que todas as 282 mensagens do Snapchat e todos os dados periciais do aparelho foram entregues à promotoria, enquanto McIlrath, em nota divulgada no mesmo dia em resposta à coletiva, disse que a equipe de Crump nunca entregou a extração completa do celular e mandou apenas dois e-mails com cerca de 300 páginas de resultados selecionados.
A família e os investigadores do condado chegaram a planejar um exame conjunto do aparelho, que não aconteceu porque a família não aceitou a condição da promotoria de deixar o celular com a polícia, segundo a equipe de Crump, e a advogada Liza Park afirmou que os pais nunca afastaram o aparelho da promotoria de propósito, e, segundo a emissora WLOX, depois da perícia independente a família entregou à promotoria uma cópia preliminar do relatório e, mais tarde, o relatório completo.
O relatório do grande júri lembra que no Mississippi não há prescrição para homicídio e recomenda que o caso volte ao grande júri se surgir prova confiável de que a morte não foi acidental, e a promotora pediu à equipe da família que entregue qualquer informação nova que tenha.
Fonte original: Mississippi Free Press, Amy Schafer e Nick Judin, 29.Set.2026.
Marcadores: perícia digital, extração de dados, celular, Snapchat, Mississippi, Estados Unidos.