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NEXO CAUSAL
Reconstrução de acidentes de trânsito

Queda do helicóptero Super Puma no incêndio Dome, em Yosemite: o que diz o relatório preliminar do NTSB

Fonte: AVweb
Dois helicópteros Super Puma militares lançam água de baldes laranja sobre uma encosta coberta de floresta, com o rotor de outro helicóptero em primeiro plano
Foto: FFA P-16 (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

O helicóptero de combate a incêndio que caiu em 20 de setembro de 2026 no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, matando os dois pilotos, tinha tido problemas com o balde de água num voo anterior naquele mesmo dia, segundo o relatório preliminar do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (National Transportation Safety Board, NTSB), que reconstitui os últimos segundos do voo mas ainda não aponta a causa do acidente.

A aeronave e a missão

A aeronave era um Airbus AS332 L1 Super Puma, de prefixo N332N, e fazia lançamentos de água sobre o incêndio Dome, dentro do parque, e o relatório, de número WPR26FA346, tem data de 21 de outubro de 2026 na base de dados do NTSB e chegou ao noticiário nos dias seguintes, segundo o site especializado AeroCorner.

Os dois pilotos trabalhavam para a Precision, que é parte da investigação junto com a Administração Federal de Aviação (FAA), a Airbus Helicopters, a Safran e o Serviço Florestal dos Estados Unidos, e eram Greg King, que morava em Palmer, no Alasca, segundo a emissora ABC30, e Ryan Cutter, de 46 anos, que morava em Park City, em Utah, segundo a emissora KSL, de acordo com o AeroCorner.

O problema com o balde

Mais cedo, a tripulação tinha feito um voo de combate ao fogo de 2,9 horas, com mais de 25 lançamentos, levando um balde Nomad de 800gal (3.028,33L) pendurado num cabo longo (longline) de 200ft (60,96m), e durante esse voo teve problemas com o balde, segundo o NTSB.

Depois do pouso na base de helicópteros, os mecânicos apertaram o regulador de pressão de ar do balde e fizeram uma verificação de pressão do sistema, e pouco depois a tripulação foi chamada para lançar água sobre focos perto do heliponto H-5, usando o lago Ostrander como ponto de captação.

Os três lançamentos do último voo

O helicóptero decolou da base por volta das 13h28 e, segundo o NTSB, os investigadores reconstituíram o voo com dados do sistema de vigilância ADS-B, do rastreador Spidertracks e com vídeos feitos pelo celular de brigadistas em solo.

A aeronave fez três captações no lago, dividindo o local com outros dois helicópteros, e a área de lançamento ficava a cerca de 2,25 milhas náuticas (4,17km), e o primeiro lançamento, com o balde abaixo da carga máxima, foi feito em movimento, por volta das 13h45, segundo o AeroCorner.

No segundo, por volta das 13h50, os pilotos fizeram um lançamento pontual sobre uma árvore morta marcada pela equipe de solo com uma luz estroboscópica, com o balde logo acima das copas, que o NTSB estimou entre 80ft e 125ft (24,38m e 38,1m) de altura.

O terceiro lançamento começou por volta das 13h56min28s, no ponto que a equipe de solo queria, e o balde esvaziou em cerca de três segundos, e cerca de um segundo depois o helicóptero guinou para a esquerda.

Às 13h56min37s, os dados de ADS-B mostravam velocidade em relação ao solo de 4 nós (7,41km/h) e razão de descida de cerca de 1.344ft/min (409,65m/min), e, segundo o NTSB, “o balde pareceu cair quase na vertical e então tocou o solo por volta das 13h56min38s”.

Cerca de um segundo depois, o gancho de carga soltou o cabo longo e o helicóptero pareceu se mover para a frente, e a aeronave bateu nas árvores por volta das 13h56min43s, cerca de cinco segundos depois de o balde tocar o chão, com o som do impacto registrado cerca de um segundo mais tarde.

O que mostram o áudio e os destroços

A análise do som dos vídeos indicou que a rotação do rotor principal estava em cerca de 101% perto do lançamento e caiu para cerca de 96% no fim da sequência, enquanto a rotação do gerador de gás do motor subiu de cerca de 90% antes do lançamento para 96,9% logo depois e chegou a cerca de 101,2%, segundo o AeroCorner.

Os destroços principais ficaram numa encosta coberta de floresta a cerca de 8.150ft (2.484,12m) de altitude, cerca de 500ft (152,4m) abaixo da área plana do heliponto H-5, entre abetos com copas de 100ft a 150ft (30,48m a 45,72m) de altura, e a aeronave parou deitada sobre o lado esquerdo, com o nariz voltado para cima da encosta.

Um incêndio depois do impacto consumiu a maior parte do helicóptero e danificou muito a cabine e os instrumentos, e a maioria dos mostradores ficou queimada demais para fornecer dados, mas o gravador de voz da cabine (cockpit voice recorder, CVR) foi recuperado e teve o conteúdo baixado.

O balde estava a cerca de 90ft (27,43m) dos destroços principais, ao lado de terra que parecia revolvida por um lançamento de água, e o gancho de carga foi encontrado travado, o que, segundo o NTSB, é compatível com uma liberação elétrica normal, e não com o uso da liberação manual.

O relatório registra condições visuais, com céu limpo e rajadas de vento de 16 nós (29,63km/h) no aeroporto de Mammoth Yosemite, a 35 milhas náuticas (64,82km) do local.

O que ainda falta

O relatório preliminar reúne os fatos levantados até agora e pode mudar, não liga o problema do balde no voo anterior à queda e não diz por que o helicóptero desceu até as árvores, e os destroços ainda estão sendo retirados, conforme o risco de fogo permite, para exame posterior, segundo o AVweb e o AeroCorner.

O AeroCorner observa que a água pesa cerca de 8,3lb por galão (0,99kg/L), de modo que um balde cheio de 800gal (3.028,33L) carrega cerca de 6.700lb (3.039,07kg), e que esvaziá-lo em poucos segundos muda quase de uma vez a carga sobre o helicóptero, mas ressalta que o relatório não diz quanto o balde levava no terceiro lançamento e não tira conclusão sobre a descida, a guinada ou a liberação do gancho.

O horário de 13h56 informado pelo NTSB é cerca de uma hora anterior às 14h55 aproximadas dadas pela FAA no dia do acidente, e a causa provável só virá no relatório final.

Fonte original: AVweb, Matt Ryan, 27.Out.2026.

Marcadores: helicóptero, NTSB, combate a incêndio florestal, Super Puma, Yosemite, Estados Unidos.

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