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NEXO CAUSAL
Toxicologia forense

PMMA em comprimidos vendidos como ecstasy: o alerta da UNODC e o que ele diz sobre a análise toxicológica

Ilustração de uma bancada de laboratório com um instrumento de análise, frascos pequenos, um erlenmeyer e comprimidos brancos numa placa de vidro
Imagem ilustrativa gerada por IA

O Early Warning Advisory on New Psychoactive Substances (EWA), o sistema de alerta antecipado do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para novas substâncias psicoativas, publicou em Viena, em 6 de outubro de 2026, um aviso sobre o aumento das detecções de para-metoximetanfetamina (PMMA) em comprimidos vendidos como ecstasy (MDMA), depois de uma série de alertas de serviços de análise de drogas, autoridades de saúde e sistemas de alerta da Europa.

A substância

A PMMA é um estimulante sintético do tipo anfetamina, da classe das fenetilaminas, aparentada com a metanfetamina e com a para-metoxianfetamina (PMA), e foi incluída na Lista I da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 em 2016, segundo a UNODC.

O relatório de 2016 do Comitê de Especialistas em Dependência de Drogas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomendou esse controle, descreve a PMMA como 1-(4-metoxifenil)-N-metilpropan-2-amina, um derivado metoxilado da metanfetamina com dois enantiômeros, em geral encontrado como mistura racêmica, e registra que a PMA é um metabólito da PMMA.

Segundo a OMS, em doses altas a PMMA produz estimulação simpatomimética, sua estimulação central é fraca, menor que a da PMA, da anfetamina, da metanfetamina e do MDMA, e os efeitos observados em animais e em usuários indicam papel dominante da atividade serotonérgica.

O padrão das mortes

O comitê da OMS registrou mortes associadas à PMMA em número crescente, uma nos anos 1990, 40 nos anos 2000 e 90 nos anos 2010, até a data do relatório, e explicou que, como o efeito demora a aparecer, quem espera o efeito do MDMA pode achar a dose baixa demais e tomar outra, comportamento que o comitê aponta como traço marcante das mortes envolvendo a substância.

A UNODC repete essa observação no aviso de 2026 e acrescenta que a presença de PMMA junto com MDMA e outras substâncias psicoativas aumenta ainda mais o risco de toxicidade.

A rede europeia TEDI (Trans European Drug Information), de serviços de análise de drogas, informa no seu alerta que a PMMA pode levar até três horas para atingir o efeito máximo e que é especialmente perigosa para quem usa antidepressivos serotonérgicos, porque a combinação eleva muito o risco de síndrome serotoninérgica.

As detecções de 2026

Desde julho de 2026, serviços de análise de drogas e sistemas nacionais de alerta da Áustria, da Bélgica, dos Países Baixos, da Espanha, da Suíça, da Alemanha e da Itália relataram PMMA em comprimidos vendidos como MDMA, sozinha ou misturada com MDMA, em quantidades variadas e, em alguns comprimidos, acima de 100mg, segundo a UNODC.

A página de alertas da TEDI, com dados até 20 de outubro de 2026, inclui também o Reino Unido entre os países com detecções, lista os serviços que as confirmaram e descreve comprimidos com cores e logotipos variados, alguns com PMMA pura e outros com MDMA, cetamina ou anfetamina na mistura.

A PMMA não aparece só na Europa, e 42 países de todos os continentes já a informaram à UNODC, dez deles em 2026, na Europa, na América do Sul e na Ásia, e a Austrália emitiu alerta em 2024 sobre PMMA num material cristalino amarelo vendido como MDMA.

Os casos na base toxicológica

O Tox-Portal, base em que laboratórios de referência enviam dados toxicológicos à UNODC, registra a PMMA em 24 casos entre 2015 e 2025 em quatro continentes, Oceania, Ásia, América do Norte e América do Sul, sendo 14 atendimentos clínicos (58%), cinco investigações post mortem (21%), dois crimes facilitados por drogas (8%) e três de outros tipos (13%).

Aparência não é prova de conteúdo

A UNODC afirma que os comprimidos com PMMA variam muito de cor, formato e logotipo, que a aparência sozinha não indica com segurança o conteúdo, que comprimidos com o mesmo logotipo podem ter substâncias diferentes de um lote para outro e que a PMMA também aparece em comprimidos com logotipos diferentes, de modo que as características visuais devem ser tratadas só como informação complementar.

A TEDI acrescenta um ponto analítico, o de que testes caseiros com reagentes podem não detectar a PMMA quando o comprimido também contém MDMA, e que só a análise por cromatografia identifica a PMMA com segurança nessas misturas.

Por que o alerta circula

A UNODC lembra, com base no Relatório Mundial sobre Drogas de 2026, que a maior parte do ecstasy disponível no mundo é produzida na Europa Ocidental e Central, e por isso mudanças na composição dos comprimidos vendidos no mercado europeu podem ter efeito fora da região.

O escritório defende a divulgação rápida dos resultados analíticos para que os países preparem seus laboratórios, identifiquem ameaças novas e alertem as equipes clínicas antes de danos maiores, e cita a resolução sobre fortalecimento dos mecanismos de alerta antecipado adotada em 2026 pela Comissão de Entorpecentes da ONU.

Fonte original: UNODC Early Warning Advisory on New Psychoactive Substances, 06.Out.2026.

Marcadores: toxicologia forense, PMMA, ecstasy, novas substâncias psicoativas, UNODC, Europa.

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